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Categoria: RR Destaques


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RR Destaques

Explicações e convergências do BC

13/05/2024
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É grande a expectativa em torno da divulgação da Ata da reunião do Copom, amanhã. Dois pontos estarão em destaque:

 

1) A leitura sobre as convergências e divergências entre os membros do colegiado, particularmente no que se refere às projeções de cenário na inflação e no “piso” dos juros em 2024;

 

2) Os recados acerca da situação fiscal.

 

Já em termos de indicadores, saem nessa terça, no Brasil, a Pesquisa Mensal de Serviços de março e o Levantamento da Produção Agrícola de abril. Olho também para os EUA, com o Índice de Preços ao Produtor de abril e discurso do presidente do Fed, Jerome Powell.

 

 

Começa o “Plano Marshall” para a região Sul

 

 

Dando continuidade ao cenário previsto pelo Destaques, os próximos dias ampliarão alguns pontos no debate e planejamento sobre o desastre no Rio Grande do Sul, que mantém forte caráter emergencial:

 

1) A série de medidas que vem sendo anunciadas pelo governo federal darão origem a um pacote, a ser parcialmente anunciado na próxima quarta feira, quando presidente voltará à região Sul. Mesmo que não seja apresentado essa semana, o plano incluirá uma versão de auxílio emergencial e constitui, hoje, a prioridade número 1 da Fazenda;

 

2) Ainda que em tom conciliador e enfatizando o trabalho conjunto, o governador Eduardo Leite buscará comprometer o governo federal com o máximo de apoio possível. Isso incluirá, claro, medidas de reconstrução mas, também, questões estruturais que antecedem as enchentes.

 

É esse o sentido do pedido por anistia da dívida, para além da suspensão da cobrança e aplicação do valores referentes em um fundo para o estado.

 

Nesse âmbito, nada deve vir à tona publicamente – Lula não deixará que isso aconteça – mas já se delineiam divergências e negociações de bastidores entre o estado e a Fazenda.

 

Trata-se de um tema no qual o governo federal terá dificuldade em não ceder, diante de um governador que buscará, por necessidade de gestão e estratégia política, jogar todas as responsabilidades possíveis – pretéritas e futuras – na União.

 

3) Ninguém – nem o “mercado” – questionará os investimentos no Rio Grande do Sul, em uma reação condicionada pela experiência da pandemia. Mas ganham corpo, inevitavelmente, as especulações sobre os impactos fiscais da situação.

 

4) Outros vetores serão os possíveis efeitos do desastre na economia e na cadeia produtiva do país, que se mantém incertos – mas existirão.

 

Em paralelo, uma segunda consequência está “dormente”, mas virá à tona: a experiência da pandemia e mesmo do aumento do mínimo, recente, indicam que a forte injeção de recursos na região Sul (e o novo auxílio) tendem a afetar positivamente o consumo das famílias e o PIB. Para não falar no que se reverterá em emprego, tanto por ações diretas quanto pelos esforços de reconstrução; e na inflação, potencialmente.

 

5) Em meio a uma nova rodada de pesquisas, também se adensará a pauta sobre os movimentos que o “Plano Marshall” para a região Sul poderão ter em um governo Lula sedento por bandeiras. E em um horizonte no qual a polarização se manterá mesmo com Bolsonaro inelegível, como mostra pesquisa na qual Lula aparece com 46% de intenções de voto contra 40% do governador Tarcísio.

 

Vale aqui um parênteses: Tarcísio tende a evitar qualquer articulação, quanto mais capitalização da força política, para evitar a percepção de que busca se impor como o nome do ex-presidente. Bolsonaro não gosta de ser posto contra a parede.

 

#Banco Central #Rio Grande do Sul

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As apostas na Ata do Copom

10/05/2024
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A decisão pelo corte de 0,25pp e a divisão entre os diretores nomeados por Lula e os que já estavam no BC, antes do atual governo, vai gerar forte ansiedade até a divulgação da Ata da reunião, na próxima terça. Daqui até lá, as especulações serão em torno dos motivos e do grau da divisão.

 

 

Se for mostrada convergência de diagnóstico de médio e longo prazos acerca do cenário interno e externo, apesar da discordância, a preocupação com um BC excessivamente tolerante com a inflação, em 2025, não sumirá, mas vai se acomodar. Caso contrário, ela se aprofundará e se tornará parte permanente das análises – e gargalos a serem enfrentados pelo governo no que tange à percepção de mercado.

 

 

A Ata também terá influência – mas menor – na convergência acerca dos próximos cortes. Em qualquer cenário, no entanto, pode-se esperar uma heterogeneidade muito maior nas apostas em relação ao tema.

 

 

Se nos últimos meses havia certa unanimidade sobre a trajetória pretendida pelo BC e, mesmo antes da última reunião, dois cenários possíveis, essencialmente, daqui para a frente serão vários. Nenhum envolvendo cortes de 0,5pp, é verdade, mas, sim, da continuidade dos cortes em si, já no próximo encontro, passando pela quantidade deles até o final do ano; o piso visado pelo BC e os planos para 2025.

 

 

 

Nova preocupação fiscal?

 

 

Em outra área, vão começar a crescer – mesmo que com dificuldade de serem vocalizadas na mídia e muito menos no Congresso – as especulações sobre os efeitos fiscais do plano de recuperação do Rio Grande do Sul.

 

Não apenas pelos valores em si a serem investidos, ou mesmo por serem postos fora da meta, mas pelas mudanças de rumos que podem provocar nas prioridades da Fazenda, como um todo.

 

Lula já ordenou que Haddad “abra o cofre” e o ministro cumprirá, desde achando recurso para um Auxílio Emergencial como para a dívida do Estado. Em paralelo – e discretamente – o governo pode usar o momento para afinar as relações com o Congresso.

 

A bem da verdade, todos os movimentos de bastidores indicam que já está fazendo isso, com atuação pessoal de Lula – e novos acordos – junto a Lira, com quem demonstrou, essa semana, propositalmente, uma proximidade inaudita; bem como Pacheco, com quem Haddad acaba de acertar um “meio termo” para as desonerações da folha.

#Banco Central #Lula

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Apostas e consequências do Copom

7/05/2024
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No que tange às expectativas econômicas, todos os olhos estarão voltados, amanhã, para o resultado da reunião do Copom.

 

É a primeira vez, desde o início da queda na Selic, em que a decisão do BC parece tão em aberto – e com apostas oscilando.

 

Levando-se em conta a curva de inflação no Brasil, os últimos dados dos EUA, e certa estabilidade – até onde isso é possível, no cenário atual – no que se refere aos conflitos geopolíticos, um novo recuo de 0,5pp parece muito plausível.

 

Influenciaria esse horizonte, também, a possibilidade de acenar mais claramente para uma desaceleração, daqui para a frente, ao mesmo tempo:

 

Evitando um novo embate com o governo, de imediato, e dando tempo para os planos de Haddad;

 

Indicando atenção e monitoramento da situação e, nesse sentido, “escalonando” o movimento sem deixar as mãos amarradas até frente à necessidade de ações mais bruscas.

 

Essa projeção, entretanto, está longe de ser uma certeza. Um corte de 0,25pp também está – e muito – no radar. Representaria uma demonstração – ou assim seria interpretada- de insegurança com a situação internacional, sim, mas inevitavelmente associada a preocupações fiscais.

 

O resultado político? Especialmente em uma decisão dividida, de novo round com o Planalto e o PT, e abertura definitiva de especulações sobre o substituto de Campos Neto.

Os próximos passos no Sul

 

 

Em meio ao aprofundamento da calamidade no Rio Grande do Sul, o governo federal mantém reação que contém seu desgaste – inclusive nas redes.
Mas a transição do modo emergência para a busca por culpados, na mídia e no mundo político, avançará a passos largos nos próximos dias.

Indicadores

 

Saem amanhã, no Brasil, a Pesquisa Mensal de Comércio de março (IBGE); o IGP-DI de abril e o IPC-S 1a quadrissemana de maio.

#Copom #Selic

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Orçamento de guerra

6/05/2024
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O governo Lula segue o roteiro previsto pelo Destaques e, com uma forte operação de gestão e comunicação (embora, como em geral, muito falha nas redes sociais), busca mostrar mobilização crescente no que tange o Rio Grande do Sul.

Nesse sentido, enquanto lida de forma intensa com ações emergenciais, que ainda vão durar um bom tempo e nos quais todas as esferas de governo vêm sofrendo muitas críticas, já se posiciona para o “dia seguinte”.

Mas o que isso significa? A declaração do presidente Lula, propondo retirar o estado da meta fiscal, junto às projeções de gastos de R$ 1 bilhão em recuperação de infraestrutura, confirmam um “modelo pandemia”.

Ou seja, um plano essencialmente extra orçamentário, na linha de uma recuperação de guerra – corroborando a ideia posta na mesa pelo governador do Rio Grande do Sul. E cujos gastos tendem a se avolumar.

Difícil imaginar que haja maiores reações a essas e outras propostas, no Congresso e mesmo na oposição.

O outro polo desse processo será a entrada das mudanças climáticas no centro do debate público, puxado de forma dupla:

  • Pelo governo, como uma agenda positiva, mas que tem como objetivo abrir espaço – e gerar marca – para a sua política ambiental, cujos resultados parlamentares são fracos, até o momento;

 

  • Pela base do governo – e da esquerda -, de maneira muito mais agressiva, tentando fazer do desastre no Rio Grande do Sul um divisor de águas político e uma fonte de desgaste para o governador Eduardo Leite e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo.

Tebet “põe as mangas de fora”?

 

A ministra do Planejamento põe na mesa pela primeira vez, ainda que de forma incipiente, um plano de corte de gastos, cujo maior símbolo seria a desvinculação dos reajustes do salário mínimo no que se refere à previdência. Tudo indica que a medida é uma “dobradinha” com a fazenda e funcionará, nos próximos dias, como um “balão de ensaio” para avaliar as reações dentro do governo e no PT.

STF e pressão sobre o Rio

 

O STF, por meio do ministro Toffoli, embora suspenda a multa ao governo do Rio pelo descumprimento do regime fiscal,  manterá a força de negociação do governo federal, ao negar a suspensão dos pagamentos da dívida em si, como queria o governador Cláudio Castro.

#Lula #PT #Rio Grande do Sul

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Teste para a estratégia do Planalto

29/04/2024
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Apesar de todo o barulho e vazamento em série indicando insatisfação e clima ruim no Congresso após a (quase) decisão no STF suspendendo as desonerações de setores da economia e de municípios pequenos, o resultado tende a ser favorável para o governo. Ao menos no que tange o tema.

Isso porque a dinâmica quando se envolve a Suprema Corte é diferente – e o Planalto conta com isso. Por mais que se faça pressão, uma vez tomada a decisão (ou formada maioria), não há mais o que se fazer já que se trata, efetivamente, de uma interpretação constitucional. Não é como um veto, que pode ser derrubado.

Ou seja, o Congresso passa a ser obrigado a negociar sobre uma nova base, amplamente favorável à Fazenda. Quem faz “concessões”, nesses termos, é o governo. E deve ser exatamente esse o processo, com negociações sendo feitas para resolver o tema “pacificamente”, com manutenção de parte das desonerações, mas dentro do escopo aceitável na visão de Haddad.

Os riscos para o Planalto – e, ao mesmo tempo, termômetro para avaliar o quanto a estratégia poderá ser replicada futuramente – virão em outras matérias, nas quais seja possível, aí sim, uma “retaliação”. Como antecipado pelo Destaques, dificilmente ela se dará na regulamentação da Reforma Tributária.

Mas ainda pode ocorrer, aí, sim, na tramitação das mudanças do Perse no Senado, amanha, diminuindo os ganhos acordados pelo governo na Câmara. Em outro tema dessa terça feira, a antecipação de R$ 15 bilhões em créditos no orçamento, na Comissão de Constituição e Justiça, as chances de conflito estarão mais ligadas à distribuição de verbas entre deputados e senadores. A antecipação, em si, interessa a todos.

 

Dia do emprego

 

Destaque, amanhã, para os números de emprego na PNAD e no Caged de março, que trarão dados importantes para as projeções do PIB ao longo do ano.

No exterior, foco no PIB do primeiro trimestre na zona do Euro e na Alemanha, para o IPC de abril na zona do Euro e para a Confiança do Consumidor CB, também para abril, nos EUA.

#Fernando Haddad #Palácio do Planalto #Suprema Corte

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O governo aposta pesado no STF

26/04/2024
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Se confirmada, a vitória do governo no STF, envolvendo a suspensão de parte da Lei que prorrogou a desoneração da folha até 2017 terá algumas consequências imediatas:

1) Aprofundará – e muito – a estratégia do Planalto de operar o STF como uma casa revisora do Congresso. Nesse sentido, ficará muito mais aguda a “faca no pescoço” reversa sobre deputados e senadores, qual seja: se não houver negociação, a Suprema Corte pode entrar no jogo – e ter a palavra final;

2) A concretização desse movimento em um tema tão polêmico alimentará, sim, a imagem de que o governo está disposto a usar essa arma. Consequentemente seu poder de barganha, potencialmente. Além de gerar uma válvula de escape para o “domínio” dos parlamentares sobre pautas econômicas;

3) O outro lado é que não se trata de um Congresso muito afeito a aceitar derrotas. E, em ano duplamente eleitoral – no comando de Câmara e Senado e nos municípios – é difícil imaginar que não haja reação.

Nesse sentido, a grande questão seria de onde pode vir esse “troco”. A regulamentação da reforma tributária é a oportunidade mais óbvia e, também, a menos provável. Ao menos para um “ataque” frontal. Isso porque trata-se de uma pauta que já ganhou ares institucionais e que tem muita atenção da mídia – e nas redes sociais.

Ou seja, o custo de inserir “bombas” no projeto pode ser muito arriscado e não vingar. Como ocorrerá, tudo indica, com iniciativa do próprio presidente do Senado para aumentar os. Vencimentos de parte dos membros do Judiciário. Tema aliás que, se enterrado for, ainda poderá se voltar contra ele e ser usado por seus adversários políticos.

Um ponto muito mais fácil seria acelerar a derrubada de vetos de Lula – que atinge emendas parlamentares – ou condições mais favoráveis para a negociação das dívidas dos estados. Isso sem falar, é claro, em uma agenda de “enquadramento” do STF, em geral capaz de agregar maioria no Parlamento.

Outra possibilidade – e que soaria como música aos ouvidos do mercado, daí ser uma carta na manga também de Arthur Lira – é por na mesa uma reforma administrativa na qual estejam embutidos cortes de custos. É o que Pacheco aventa hoje.

A ver, entretanto, se o governo tentará fazer uma dobradinha: ganhar no STF e “acalmar” Pacheco em outra área – seja com verbas seja com apoio político em seu estado, Minas Gerais.

A Fazenda continua forte

O afago de Lula em Haddad, hoje, deixa claro que as principais bandeiras da atual gestão vêm da Fazenda – daí a ênfase no Desenrola. As alfinetadas ao longo da semana não perdem seu sentido – cobrar liberação de verbas para o Congresso e, mais importante, para projetos que Lula valoriza.

Ou seja, o presidente topa não ceder às alas menos responsáveis fiscalmente do governo. Topa, também, “ser convencido” por Haddad, como foi no que tange a meta fiscal de 2023 e os dividendos da Petrobras. Não aceitará, contudo, fazer uma política centrada em ajustes de gastos.

Ao mesmo tempo, os recados, está claro, não passam disso – indicações aos setores políticos, muito mais mais do que os sociais, com os quais busca se articular. Não apontam para qualquer enfraquecimento da Fazenda.

 

Queda da Selic não está decidida 

Entre o impacto do IPCA-15 de abril abaixo das expectativas, no Brasil, do PCE de março dentro do esperado, nos EUA, e das declarações de Roberto Campos Neto, as expectativas majoritárias de um corte de 0,25pp na próxima reunião do Copom se manterão. Mas volta-se a abrir uma janela, sim, para um recuo de 0,5pp.

Indicadores

Saem na próxima segunda o IGP-M e as Sondagens do Comércio e de Serviços de abril (FGV).

#Lula #STF

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Novo round na Petrobras

25/04/2024
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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, mantém muita força política e tem “o ouvido” de Lula, tanto por questões de articulação quanto pelo desejo do presidente de alavancar investimentos.
Ao mesmo tempo. a decisão da Petrobras de pagar 50% dos dividendos aos acionistas revela uma “retomada” de Jean Paul Prates. Talvez mais importante, evidência que Haddad trabalha, sim, em prol do presidente da Petrobras.
Pode fazê-lo de maneira “low profile” e evitando a imagem de uma batalha dentro do governo (envolvendo ainda o ministro da Casa Civil, Rui Costa), mas apoia.


Lira trabalha pela reforma, mas com jogo duro

 

 

Haddad começa a regulamentação da Reforma Tributária na ofensiva, seguindo as diretrizes de Lula, com afagos a atenção ao Congresso, além de forte posicionamento na mídia e nas redes sociais.
O movimento, bem executado, se soma às dificuldades nos movimentos de uma oposição que “sentiu” o baque do eterno pragmatismos de Arthur Lira e da adesão abaixo do esperado no ato do fim de semana, capitaneado pelo ex-presidente Bolsonaro.
O presidente da Câmara vai atuar pela aprovação dos projetos, mas não pretende fazer da tramitação um “passeio” do Planalto. O objetivo é garantir – e mostrar – sua relevância em cada etapa, mesmo que evitando bater de frente com Haddad.
É esse o sentido da “resistência”  em indicar para a relatoria dos projetos na Câmara o deputado Aguinaldo Ribeiro, que teve o cargo durante a aprovação da reforma, ano passado, e mostrou intensa articulação com a Fazenda.

O mercado amanhã

 

 

 

Os números do IPCA-15 de março, no Brasil, e do PCE mensal dos EUA em março, amanhã, podem contribuir para melhorar as expectativas do mercado, após uma quinta feira de pessimismo quanto à queda de juros dos EUA.
A reação, entretanto, pode ter subvalorizado o impacto das mais fortes demonstrações, em um bom tempo, de desaceleração  estrutural da economia norte americana, com os números do PIB no primeiro trimestre bem abaixo do previsto. A conferir.

#Petrobras

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Vitórias e desafios de Haddad

22/03/2024
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Como antecipado no Destaques, a Fazenda estabeleceu um bloqueio de R$ 2,9 bilhões, sem contingenciamento, após a divulgação do relatório bimestral do Tesouro, o que impulsionará ainda mais a “estrela” de Haddad.

O resultado político mais importante é que, antes, o ministro da Fazenda exortava o Congresso como responsável por decidir os rumos fiscais do país, como forma de pressão pela aprovação de suas medidas, mas o fazia sem comprovação de que surtiriam efeito.

Agora, em uma situação até o momento incerta em um Parlamento que parece já operar em ritmo eleitoral, o ministro terá a “prova”. Mais: mesmo que sua política não seja a que mais agrade ao mercado, ela se mostra crível para atingir o equilíbrio fiscal. E certamente melhor do que a defesa de gastos “ilimitados” e, pior, sem se importar com o que os lastreará, que faz parte do PT.

Da mesma forma, o ministro ganhará pontos junto a uma mídia que já o vê com bons olhos. Ambos os fatores podem até não se refletir em popularidade para Lula, mas terão impacto, sim, junto a parlamentares – e aos presidentes da Câmara e do Senado – que se querem bem vistos pelos agentes econômicos.

Internamente, trata-se de mais uma etapa na consolidação do “superministro”, por falta de qualquer outro que consiga impor uma agenda positiva – ou negociar com o Congresso que seja. Com uma escudeira na busca seja por brechas tributárias seja (especialmente) por brechas para cortar gastos sem enfurecer a esquerda: a ministra do Planejamento, Simone Tebet.

Vale salientar outro ponto: ao garantir, até o momento, um bloqueio muito abaixo do previsto e, consequentemente, abrir a porta para os investimentos que são a obsessão de Lula, a Fazenda mantém seu prestígio junto ao presidente e ofusca seus adversários no PT e na base aliada.

Não apenas por tornar mais difícil que se manifestem, como por impulsionar seus aliados dentro do partido que, hoje, incluem nomes de peso como o ex-ministro José Dirceu e seu filho, Zeca Dirceu, líder do PT na Câmara.

O maior desafio para Haddad é que as vitórias que sustentam o resultado bimestral – e ampliam a credibilidade de suas “promessas” fiscais -, ainda que mantenham efeitos ao longo do ano, estão no retrovisor e não serão suficientes. O ministro precisa continuar a avançar sua agenda em um ano imprevisível, do ponto de vista político.

E, mesmo fortalecido, diante de cobranças que aumentarão, se não houver repique na popularidade de Lula, particularmente por medidas de efeito imediato (o que aumenta as chances de heterodoxia, com a anuência do próprio Congresso), como as voltadas para baixar o preço dos alimentos, terma tratado no RR de hoje.

Indicadores

Saem na segunda feira o IPC-S 3a quadrissemana de março, bem como, para o mesmo mês, o Índice Nacional de Custos da Construção e a Sondagem da Construção, todos da FGV.

#Fernando Haddad

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Vale e Petrobras: os planos do governo

28/02/2024
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No que concerne a relação entre Vale e governo, fundamental ter uma questão em mente: é difícil que o Planalto adote iniciativas realmente heterodoxas, que sejam lidas como uma espécie de intervenção, mas em nenhum momento deixou ou deixará de querer emplacar um nome de sua confiança no comando da empresa.

É ilusório avaliar, em qualquer cenário, que houve ou haverá recuo nesse interesse. Trata-se de uma convicção pessoal de Lula, que converge com a visão do PT e não terá nenhuma intervenção da Fazenda, salvo em uma hipótese “radical”, que é muito improvável. O que pode acontecer, aí sim, são pausas e avanços, de acordo com o momento, os balões de ensaio e as “oportunidades” que o Planalto detectar, em termos de custo benefício.

Em outra questão polêmica, algo similar se aplica a Petrobras. A declaração do presidente da estatal, Jean Paul Prates, indicando “cautela” no pagamento de dividendos, obviamente causa um impacto imediato, pela natureza do mercado.

Mas não se trata de um movimento pendular, ou de uma tese que encontra adversários dentro do governo, pelo contrário. É uma questão, apenas, de tempo ou timing. O planejamento do atual governo é esse e não mudará: ampliar os valores reinvestidos e direcionar fortemente a estatal para a energia renovável, entre outros campos. Difícil que haja surpresas aí, a não ser para quem queira ser surpreendido.

Haddad ganha capital
O superávit de R$ 79 bilhões em janeiro (o terceiro maior da série histórica para o mês, iniciada em 1997) embute receitas que não se repetirão e está longe de ser uma garantia de que a meta de déficit zero em 2024 será alcançada.

Ainda mais porque há forte indefinição quanto ao que a Fazenda conseguirá pôr na mesa (que dirá aprovar), via Projeto de Lei, para substituir as desonerações de 17 setores da economia. Assim como se terá força de negociação para manter o “corte” do Perse, programa criado na pandemia e voltado ao setor de eventos. O processo está anda mais embaralhado porque há inúmeras disputas em curso no Congresso, com destaque pelos postos em comissões, e o ministro se ausentou momentaneamente do cenário.

A despeito desses fatores, entretanto, o número gera, efetivamente, impacto positivo para a credibilidade de Haddad e dá a ele, ao menos conjunturalmente, mais capital tanto junto ao mercado e aos agentes econômicos como em uma batalha que já está sendo travada internamente, acerca da necessidade de contingenciamentos orçamentários.

Externamente – e no mundo politico – diminui e muito a argumentação de que os planos do ministro para o equilíbrio das contas, via a correção do que avalia como brechas fiscais, seria utópico.

Já os adversários do ministro dentro do PT, embora menos vocais recentemente, mantém a “espada no pescoço” de Haddad, antecipando um possível desgaste com a falta (ou até incerteza) de verbas para programas importantes do governo, se acabar sendo necessário represar recursos pelo não cumprimento da meta, visando respeitar o arcabouço fiscal.

A hora dos aplicativos

A grande variável que o governo levará em conta na proposta final a ser apresentada sobre a nova regulamentação para os motoristas de aplicativos, a princípio semana que vem, não será o Uber, nem mesmo o Congresso (embora ele seja uma preocupação). O “público alvo” é a classe de motoristas, que o governo avalia como sendo um nicho do “novo trabalhismo”, mas, no fundo, dominada politicamente pela linha do ex-presidente Bolsonaro.

Há, também, outro fator: é essencial que o acordo a que se chegar represente um sentimento de maioria. É isso que tenderia a garantir que o STF evitaria uma decisão que se sobrepusesse ao projeto, em julgamento que está em suas mãos, ainda sem data para ir a plenário.

#PT #Vale do Rio Doce

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Agenda no Congresso

27/02/2024
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Enquanto tem mais uma boa notícia na área econômica, com o IPCA-15 de fevereiro abaixo do esperado (apesar de alta importante nos alimentos), o governo se aproxima da primeira grande batalha legislativa de 2024 – e um teste para as relações com Arthur Lira e Rodrigo Pacheco.

Trata-se das negociações em torno da transformação da MP que reonerou 17 setores da economia e derrubou o Perse, voltado especificamente ao setor de eventos, em Projeto de Lei. A mensagem de Arthur Lira hoje, “vazando” que as posições do governo sobre o tema se mantém contraditórias, não significa que vá bater de frente com o Planalto (ainda que tenha defendido com unhas e dentes ambas as medidas).

O que Lira quer dizer é que não aceitará uma costura que “se imponha” do Senado para a Câmara. No que tange as desonerações, é uma questão de timing. Extender a validade da MP pode ajudar a arrecadação – e Lira pode até concordar com a “gambiarra”, desde que faça parte de um acordo acertado diretamente com ele.

Mas que elas vão cair, basicamente não há dúvidas. O melhor cenário para o governo é recuperar alguma coisa ao retomá-las, em outro formato, via PL. E, até para tanto, terá que trabalhar muito.

No que se refere ao Perse, o cenário permanece mais favorável no Senado, não à toa a Casa vem sendo o palco central das discussões. Mas também permanecem as resistências na Câmara e falta a Fazenda indicar que tipo de meio termo estará disposta a apresentar. Aí, no entanto, tem mais chances de ganhar, até porque já avançou essa batalha na mídia.

Como nada andará sem Haddad (com Covid) e Lula – ainda que tendo se aproximado do Congresso – não parece focado na questão, ao menos enquanto o ministro da Fazenda está “fora de jogo”, o risco é que o espaço seja ocupado por outros atores e isso gere ruído.

A reação do governo

Capitaneada por Lula, a base governista aponta para uma narrativa de objetivos claramente eleitorais na reação ao ato com o ex-presidente Bolsonaro na Paulista, com algumas linhas simultâneas:

> Reconhecer a força do ex-presidente, mas como argumento para defender a união em torno do governo e a mobilização popular (na verdade visando às eleições e com muito foco em São Paulo, que será a grande batalha do ano).

> Trabalhar para que a demonstração de força não “contamine” o Congresso. Nesse sentido, podem entrar nas negociações com Lira, em torno do apoio ao seu candidato à sucessão, entre outras medidas, o isolamento de deputados da base que assinaram pedido de impeachment.

> Reforçar a ideia de que nada mudará nos processos que envolvem o ex-presidente Bolsonaro – pelo contrário.

> Abraçar a polarização, não necessariamente em todo o espectro político (não será assim na economia, por exemplo), mas certamente na questão da Palestina.

Lula não deixa de ter mudado o tom, dando diversos sinais que visam mostrar que não fez uma comparação direta ao Holocausto e tentando se aproximar da comunidade judaica – pelo menos a de esquerda. No entanto, a reiteração do tema evidencia que apostará nele, sim.

Lava Jato ou não, eis a questão

 Interessante observar como se movimentará o governo, junto ao STF, no que se refere à possibilidade de revogação (ou renegociação) dos acordos de leniência no âmbito da Lava Jato. Por um lado, a ideia de “enterrar” o máximo possível a operação agrada; por outro, a perda de arrecadação incomoda.

Indicadores

Saem amanhã o IGP-M, a Sondagem de Serviços e a Sondagem do Comércio, todas para fevereiro (FGV). No exterior, será divulgada a segunda parcial do PIB dos EUA no último trimestre de 2023.

#Arthur Lira #IPCA 15 #Jair Bolsonaro #Lula #Rodrigo Pacheco

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G20 e Congresso

21/02/2024
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Ainda que o tema de Israel permaneça muito forte na mídia e nas redes – e que continue a estar no foco de Lula e do Itamaraty – o governo dá sinais de que, salvo novas movimentações, avalia que já “colheu” o que buscava e, a partir de agora:

1) Não tem interesse em escalar o conflito, ainda mais porque lê como muito positiva a reunião entre o secretário de Estado dos EUAAntony Blinken, e Lula.

A ausência de qualquer menção de Blinken ao caso seria, de acordo com essa leitura, uma confirmação de que não haverá desgaste com os EUA. E de que os norte americanos, ainda que apoiem decisivamente Israel, também tem divergências com Netanyahu, particularmente porque defendem a constituição de um estado palestino.

Para Biden, o foco seria evitar o alinhamento do Brasil com Russia e China e poder se apoiar no país como forma de conter as pretensões da Venezuela na Guiana, sem um envolvimento direto. O Planalto está disposto a cumprir esse papel e que usar o G20 para projetar liderança. Para tanto, quer evoluir da Palestina para o debate da ordem global – como faz hoje o ministro Mauro Vieira.

2) Vai se voltar novamente para a agenda econômica e as negociações no Congresso, que continuarão a ter como pano de fundo à sucessão nas presidências da Câmara e do Senado.

É esse o sentido do “ressurgimento” de Haddad no noticiário e nos bastidores políticos, retomando as negociações acerca das reonerações e das emendas parlamentares.

Nesse campo, o acordo está muito mais próximo com Rodrigo Pacheco (que criticou as falas de Lula) do que com Arthur Lira, que não deu tanta atenção ao tema, até o momento (a não ser como “mediador” de embates no púlpito da Câmara).

Os próximos passos nesse jogo mostrarão em que pé está a base parlamentar do governo, após uma série de atritos recentes (mas também concessões) e como funcionará a “linha direta” entre Lula e Lira. Outro ponto a ser observado são as movimentações sucessórias.

O incomodo de Bolsonaro com a possibilidade de que o nome do deputado Marcos Pereira (Republicanos) ganhe tração confirma que ele seria, mesmo, o candidato preferido do Planalto. A questão é se vai ser possível uma composição com Lira, nesse sentido.

Outro fator que fica nítido hoje é a dualidade inerente ao governo – que se manterá. Enquanto Lula faz um “gol” com sua base social (apesar do desgaste e da polêmica gerados), Haddad aborda o déficit da previdência, um tema quase “tabu” na esquerda.

Indicadores internacionais

Destaque amanhã, no exterior, para os PMIs Industrial e de Serviços de fevereiro e para os Pedidos Iniciais de Seguro Desemprego, todos relativos aos EUA, bem como para o IPC de janeiro na zona do Euro.

#Antony Blinken #Arthur Lira #Estados Unidos #Israel #Lula #Rodrigo Pacheco

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O cálculo do Planalto

20/02/2024
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Movimentos como o apoio do presidente da Colômbia, Gustavo Pedro, e a forte mobilização da base lulista nas redes, hoje, diminuem a percepção de que as declarações de Lula acerca de Israel foram um improviso ou um deslize. Tal linha  parece ainda mais clara porque o Planalto, em vez de evitar, abraçou o tema, por meio de diversas manifestações e da comunicação oficial – ainda que sem reiterar a comparação entre as ações de Israel e do Nazismo.

Ao mesmo tempo, ocorre uma curiosa inversão de papéis. A oposição reage com força e organização no Congresso, contando com novo aceno do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que cobra retratação de Lula além de dominar a grande mídia. Enquanto isso, a defesa e construção de narrativa “governistas” invadem as redes sociais.

Trata-se de um dos mais fortes engajamentos conquistados pelo Planalto em muito tempo, praticamente revertendo a “decepção” com diversas ações recentes de Lula, como a escolha dos ministros do STF.

Parecem ser essas, justamente, as apostas do Planalto, ao não recuar:

1) A “descoberta” de um tema capaz de energizar e engajar seus apoiadores, algo típico da polarização dos últimos anos, mas que ainda parece passar ao largo da compreensão da grande mídia;

2) A imagem de Lula como a liderança que capitaneia a reação às ações militares de Israel, dizendo o que EUA e Europa não seriam capazes de dizer e assumindo a frente da América do Sul e dos países em desenvolvimento. Uma forma de ganhar protagonismo no “sul global”, mas sem qualquer tipo de alinhamento com Rússia e China – o que, aí sim, incomodaria os norte americanos.

Ou seja, por um lado, haveria pouco ou nada a perder nas relações com o “Ocidente” (ainda mais com o acordo entre Mercosul e União Europeia praticamente enterrado). Por outro, bastante a ganhar com a ideia de que Lula tenta impedir uma nova ofensiva em Gaza, “puxando” outros países no processo. Ou, caso ela ocorra e gere novas mortes e condenações humanitárias, que o país teve a coragem de denunciá-la, previamente.

Não é à toa que essa narrativa está sendo construída nas redes, como uma teia, por meio de diferentes fontes, interlocutores e conteúdos.

3) A avaliação de que, tendo sempre na manga a carta não de uma retratação, mas de algum tipo de retificação, o tema, por polêmico e desgastante que seja, não estaria entre as prioridades do mundo político (Centrão a frente) nem dos agentes econômicos (o que parece corroborado pelas duas altas consecutivas da bolsa, ontem e hoje).

Não se está aqui avaliando, de forma alguma, o teor das declarações. Nem que a “estratégia” será bem-sucedida. O governo, por exemplo, não parece ter intenção de implementar qualquer tipo de “boicote” econômico, o que pode até ocorrer, da parte de Israel, onde Netanyahu usa a questão como arma de política interna.

Mas trata-se, aí sim, de um sinal contundente de algo que o Destaques vem salientando: Lula buscará, a seu modo, uma comunicação mais ofensiva e mais polarizada em 2024. Seja porque avalia que o governo terá mais a entregar e está mais “seguro”, seja porque calcula que esse será o mote das eleições.

A conclusão? Não se trata de um erro ou de um ponto fora da curva e, sim, de uma tendencia.

Já o grau de pragmatismo envolvido no processo se dará na decisão de como e quando “baixar a fervura” (ainda que indiretamente e com a possibilidade de resposta a postagens do chanceler israelense nas redes sociais). A oportunidade mais óbvia já está na mesa: a visita do secretário de estado dos EUAAntony Blinken, que chegou hoje ao Brasil.

 

Indicadores

Ainda sobre os EUA, mas na economia, destaque para a divulgação, amanhã, da Ata da reunião do FOMC, que definiu a manutenção da taxa de juros.

#Israel #Lula #Mercosul #Rodrigo Pacheco #Senado #União Europeia

RR Destaques

Lula, o médico e o monstro?

19/02/2024
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A forte repercussão interna da declaração de Lula, comparando a ação de Israel na Palestina ao Holocausto, causa efeitos opostos:

> Tira a atenção preponderante que vinha sendo dada, na mídia, às investigações que atingem o ex-presidente Bolsonaro. Também vai gerar duras condenações e menos boa vontade editorial de veículos que vinham sendo mais favoráveis a Lula.

O movimento pode ser apenas conjuntural, mas é significativo, a partir do momento que ocasiona acusações não de exagero ou erro diplomático e, sim, de antissemitismo – o que atingirá parte do eleitorado do petista, de centro ou ligado à comunidade judaica. Na política, abre um flanco para reações da oposição, na sociedade, nas redes e no Congresso;

> Cria um dos maiores amálgamas na base de esquerda desde o início do governo, algo que é muito perceptível nas redes sociais.

Nessa esfera, Lula ganhará pontos com a ideia de que falou algo que a maioria dos políticos não teria coragem de afirmar. A linha – muito presente na política polarizada de hoje – é de legitimidade, de que “tem lado”. Também já se atribui a ele a “liderança” de um processo internacional para evitar que Israel amplie sua ofensiva para o sul de Gaza.

Mesmo que o presidente faça reparos a sua declaração, terá ganho pontos junto a esse público.

Entretanto – e a despeito de avaliações sobre o teor da declaração – o efeito para a imagem, mobilização social e ação parlamentar do Planalto e de seus adversários ainda precisará ser medido. E terá duas “réguas” iniciais:

> Qual o grau de reação pode haver no Congresso? Em um momento no qual a oposição se via muito fragilizada e não conseguia emplacar o discurso de perseguição, ganhará uma “válvula de escape”?

> A mobilização de sua base compensará a percepção de um alinhamento unilateral com a Palestina, em uma linha que o governo vinha evitando cruzar de forma tão definitiva?

No contexto em que a defesa de Israel se transformou em ponto importante na doutrina de parte das igrejas evangélicas, pode ser um fator de impulso para a manifestação a favor de Bolsonaro, organizada, justamente, pelo pastor Silas Malafaia? E se tornará mais um golpe sobre a popularidade e entrada do presidente em um grupo no qual já tem enormes dificuldades de comunicação?

#Holocausto #Jair Bolsonaro #Lula #Palestina #Silas Malafaia

RR Destaques

Congresso, Forcas Armadas e eleições

9/02/2024
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 Em um cenário político institucional que se movimenta muito rapidamente, desde ontem, a sexta feira projeta novos desdobramentos, de curto prazo:

1) A questão parlamentar

A oposição tenta se movimentar, por meio de seus deputado e senadores (destaque para Rogério Marinho), mas vê-se, até o momento, soterrada pela quantidade de informações divulgadas; pela posição no fundo favorável às investigações do presidente do Senado e pelo receio de lideranças do Centrão em entabularem qualquer iniciativa ou declaração.

Custa a crer que seja coincidência que, justamente nesse ínterim, o presidente Lula chame Arthur Lira para um café da manhã, no qual garantiu uma “linha direta” entre os dois. O presidente parece responder a um ponto levantado recentemente pelo Destaques: não quer partir para o conflito com Lira e, sim, negociar em uma posição favorável.

Ora, qual o melhor momento para fazê-lo do que quando percebe a oposição em um horizonte muito delicado, que pode ajudar a jogar mais parlamentares no colo do governo?

Lula busca trazer Lira para perto, apontando para acordos que interessam ao presidente da Câmara mas, ao fazê-lo, enfraquece as possibilidade de reação política às operações da PF. E indica que ele terá mais a ganhar perto do Planalto do que com acenos para um grupo político que pode ficar sem discurso no Parlamento (ainda que não necessariamente nas ruas).

Lira é experiente, não é “domesticável” e fará seu próprio jogo. Tanto que conseguiu “ultrapassar” Padilha e passará a ter como interlocutor o próprio Lula, ou o ministro da Casa Civil, Rui Costa (além de Haddad).

Mas, se a iniciativa der certo, o presidente pode ganhar margem para distensionar a relação com a Câmara e facilitar a agenda da Fazenda. Cuja prioridade, imediata, é “derrubar” (ou ao menos desidratar) o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perde).

2) A questão militar

Não se entra aqui em nenhum julgamento prévio e, sim, nos fatos políticos e de comunicação, mas cria-se definitivamente um horizonte de “enquadramento” de indivíduos e setores das Forças Armadas que se aproximaram do ex-presidente Bolsonaro.

A continuidade dos áudios e mensagens mostrando críticas e mesmo ataques internos no círculo militar, além de possíveis incentivos à insubordinação, parecem minar a tendência de reação corporativa. Um exemplo nítido é o comandante do Exército, general Tomás Paiva, criticado duramente em uma mensagem atribuída ao general Braga Netto.

O resultado será turbulento, se manterá delicado e pode oscilar, dependendo, também, da condução que será dada ao caso pelo ministro Alexandre de Moraes. Entretanto – e tal fato já está sendo claramente percebido pela base governista nas redes – parece estar em curso a maior ação do poder civil sobre figuras militares desde o início da redemocratização (vide desde sempre).

Ainda que não estejam em jogo as instituições (algo que o governo já evitava a todo custo e continuará a evitar), a quantidade de generais, alem de comandantes de tropas, e as acusações associadas à uma tentativa de golpe de estado (novamente, incluindo possíveis insubordinações dentro da cadeia de comando das Forças) dão ao tema um caráter estrutural e simbólico.

É como se, tendo o Planalto optado por evitar a continuidade de polêmicas e atritos potenciais, a Justiça (leia-se PF, STF e, agora, PGR, o que ajuda à comunicação) agisse para romper, de maneira muito definitiva e ostensiva, qualquer linha de sombra/dúvida entre as esferas militar e civil, no âmbito das atribuições de Estado e o regime democrático.

3) A questão eleitoral

Esse talvez seja a maior incógnita, embora já movimente a cabeça de todo o mundo político. O núcleo central de apoio ao presidente Bolsonaro, que representa uma fatia muito importante do eleitorado, vai sustentá-lo, corroborando a argumentação de perseguição política.

Nesse sentido, é preciso ter em mente a capacidade de mobilização nas redes do ex-presidente, que inúmeras vezes sofreu revezes pesados, que pareciam irreversíveis por dias a fio, apenas para conseguir reorganizar sua base mais à frente.

É certo, aliás, que conseguirá fazê-lo novamente. O problema, aqui, é a escolha que isso pode impor a seus aliados. Daqui para a frente tende a se tornar muito mais difícil o tipo de apoio com “um pé em cada canoa”, como o do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.

Com as acusações diretas de planejar um golpe de estado pairando sobre o ex-presidente e diversos aliados, isso pode, simultaneamente, alienar um eleitorado de centro (como Nunes busca em São Paulo) e não engajar os eleitores do próprio Bolsonaro. Nunes é um exemplo muito em foco, mas trata-se de um “dilema” que será vivido por muitos pré-candidatos e parlamentares.

#Alexandre de Moraes #Arthur Lira #Casa Civil #Eleições #Fernando Haddad #Forças Armadas #PGR

RR Destaques

RR Destaques – 06/02/2024

6/02/2024
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Batalha aberta?

Continua  (e deve se manter por algum tempo) a escalada entre o Planalto e Arthur Lira, ainda que, por enquanto, no plano mais simbólico do que qualquer outra coisa. Surge, no entanto, um ponto que pode gerar um embate mais duro – talvez o primeiro no qual ambos os lados partam para um enfrentamento aberto de narrativas e no Parlamento: O Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos).

O que fica claro, agora, é que o programa foi um alvo central (e não lateral) de todo o movimento de Haddad para derrubar as desonerações. Trata-se de uma estratégia que, tudo indica, tem chances de colar no Senado, apesar das insatisfações na Casa, mas, na Câmara, esbarra na defesa aberta de Arthur Lira e de um grupo importante de deputados.

Cria-se então, daqui para a frente, uma contraposição:

> De um lado, a Fazenda não somente acusa o programa de representar uma perda de arrecadação muitas vezes acima do previsto (de R$ 17 bilhões frente a R$ 4 bilhões) como de servir para ações de lavagem de dinheiro;

> De outro, movimentada por Arthur Lira e reagindo na defensiva, como se o Perse fosse um a cervo institucional seu, lideranças da Câmara se levantam e vão cobrar provas do governo. Se as provas vierem, o mal-estar virá junto, sim, mas com o governo ganhando um pesado argumento. Se não vierem – ou forem contestáveis – o tom do embate vai subir.

A grande questão é se os dois lados buscam ampliar suas margens de negociação e haverá um meio termo possível a ser alcançado ou se, por outro lado, o atrito resultará em disputa no voto, com o governo buscando “ganhar” o Senado, previamente, para a sua posição (cedendo, para tanto, nas demais desonerações).

Como pano de fundo e combustível para o processo já está, a cada dia mais, o jogo pela sucessão à presidência. A briga em torno do Perse tende a indicar até onde Lira e Lula pretendem ir:

> O presidente da Câmara vai tentar “mostrar quem manda” como forma de garantir que não perderá influência, mesmo se o horizonte fora do cargo (início de 2025) inevitavelmente ameace o seu predomínio? Topará conversar com base em uma neutralidade do Planalto na disputa, somada a concessões de novos espaços de poder? Ou, ainda que dialogando, exigirá sinalizações claras de apoio ao seu “direito” de fazer seu sucessor, bem como a suas pretensões eleitorais futuras?

> O governo vai usar esse mesmo horizonte de uma nova presidência na Câmara como forma de valorizar o seu apoio (diretamente ou via cargos e emendas que ajudem Lira), insinuando a ele que, cada vez mais, um precisa do outro, em igual medida? Ou arriscará ir além, alimentando especulações de que pode “escolher” um candidato, antes que o mesmo seja “ungido” por Lira?

Nessa hipótese, o escolhido poderia ser tanto o deputado Marcos Pereira, que tem proximidade com Lula e o PT apesar de ser do Republicanos, ou um nome do PSD ou MDB. Os partidos compõe o bloco “adversário” do de Lira (que acaba de perder o PSB) e são essencialmente governistas.

Há, ainda, um terceiro vetor a ser observado: o Centrão. A questão para o grupo, já em curso, será:

> Existe a possibilidade de uma divisão, com núcleos mais distante do poder se aliando ao governo para ganhar força?

> Ou, pelo contrário, o grupo não se dividirá em negociações, convicto de que, se o fizer, o Executivo se fortalecerá perante o Legislativo na gestão do orçamento?

Dobradinha entre BC e Fazenda

Como o Destaques antecipou, o BC fez dobradinha com a Fazenda, ampliando a espécie de “lua de mel” entre Roberto Campos Neto e Haddad. Não apenas na sinalização sobre as futuras quedas de juros quanto, sobretudo, na previsão de crescimento, muito mais alinhada ao que o ministro tem indicado do que às expectativas do mercado. O apoio tem peso, em um momento no qual:

> Hadda joga (educadamente, mas nem tanto) a responsabilidade pelo cumprimento da meta de déficit zero no Congresso;

> A posição do presidente do BC (e seu eco nos agentes econômico) cumprirá um papel de pressão no que tange os próximos embates no Congresso (e via mídia). Inclusive em torno do já citado Perse.

Ainda nesse sentido, também vale atenção para a divulgação, amanhã, das Estatísticas Fiscais (BC) de dezembro.

Indicadores
Em paralelo, saem amanhã a Pesquisa Mensal do Comércio de dezembro (IBGE), bem como o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) e o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), ambos da FGV, referentes a janeiro.

RR Destaques

RR Destaques – 05/02/2024

5/02/2024
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Para além do discurso

Na reabertura dos trabalhos do Congresso o presidente da Câmara, Arthur Lira, finalmente mandou o recado que vinha sendo “costurado” nos bastidores. E adotou o tom mais duro desde o início de 2023, quando quase “derrubou” o novo desenho dos ministérios montado no início do governo Lula.

Não se pode subestimar o movimento de Lira, ainda mais somado à reafirmação, por Rodrigo Pacheco, das pautas voltadas ao STF, que não interessam ao governo.

Ao mesmo tempo, é preciso dar tempo para uma leitura mais precisa do que está em jogo. Lira quis gerar incômodo, claro. No entanto:

1) Precisava dar uma resposta às cobranças de deputados em função do corte no valor de emendas pelo governo e pela narrativa que vem sendo defendida, com certo sucesso, pelo PT e, bem mais discretamente, a própria Fazenda, que apontam excessos e usurpação de competência;

2) Foi esse o sentido essencial do recado, e não uma posição contrária a projetos quaisquer do Planalto. Assim como é esse o sentido de se vazar, seguidamente, pedidos pela “cabeça” de Alexandre Padilha.

Trata-se de uma disputa que vem sendo travada desde o início do governo e em relação a qual os dois lados disputam mais um round para ver qual o equilíbrio possível. Cada um puxando para o seu lado.

Há, nesse sentido, dois cabos de guerra paralelos: pelo varejo e pelas prerrogativas de cada Poder. Lira, por convicção e para se cacifar no ano em que sairá do cargo, tem que mostrar que não aceita que o Legislativo perca poder. E indicar que continuará ser ele o interlocutor, ainda que a corrida pela sua sucessão comece a ganhar corpo. Já Lula busca – e tem conseguido – restaurar ao menos parte da centralidade orçamentária que o Executivo vinha perdendo nos últimos anos.

Embute-se aí um sinal – forte – de risco para o governo, que tem uma longa agenda de projetos já no primeiro semestre? Sim. Mas, também, de que os pontos de atrito estão longe de serem tantos assim e que há margem de manobra.

Fora que a reação já era esperada e veio dentro do que o Planalto  imaginava – e calculava. Com a vantagem, até, de não ter como alvo, de cara, algum projeto específico para Haddad, o que pode acontecer em uma segunda etapa. Além de – pelo menos até o momento – ter incluído mensagens leves, quase protocolares, em relação ao STF, diante da cobrança da oposição quanto à operações recentes da PF.

Agora é observar para onde o Planalto se moverá e como se darão as primeiras ações concretas no Parlamento. Há lenha para gastar (seja recompondo emendas, seja usando “contrabandos” nas próprias obras do PAC como moeda de troca).

Os recados…do BC

Enquanto isso, o governo espera mais boas notícias com a divulgação da Ata do Copom, amanhã. Não que vá haver qualquer sinalização de corte mais rápido nos juros, mas a expectativa é de posições favoráveis ao trabalho fiscal do governo e ao menos alguma boa vontade quanto ao potencial de crescimento em 2024, que enfrenta bastante ceticismo do mercado diante de números pouco animadores para o fim de 2023.

Indicadores

Saem amanhã as Estatísticas Monetárias e de Crédito de dezembro (BC) e o IGP-DI de janeiro (FGV).

RR Destaques

RR Destaques – 02/02/2024

2/02/2024
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Haddad se antecipa

Haddad se antecipa à volta dos trabalhos no Congresso e consegue, de início, emplacar tese essencial para toda a sua politica econômica: a de que tem como alvo (e focos dos diversos projetos já anunciados ou a serem postos na mesa) a correção de distorções no sistema tributário.

É esse o sentido do anúncio do “pente fino” da Receita nas empresas que recebem benefícios fiscais, entre outras medidas do órgão (a linha de melhorar a arrecadação e os gastos via uma análise micro tem também o dedo do Planejamento).

O que se viu desde o começo do governo Lula é que, todas as vezes em que o ministro da Fazenda conseguiu “largar na frente”, fortalecendo suas teses na mídia, teve vida mais fácil (ou ao menos mais margem de manobra) no Congresso.

O ponto em aberto mais preocupante, entretanto, é o fator Arthur Lira, de quem o governo precisará muito no primeiro semestre. O presidente da Câmara continua a jogar parado, analisando o cenário político (incluindo aí o possível novo embate entre parlamentares e STF) antes de indicar para onde vai se movimentar.

Investimentos X Redes Sociais

Ainda na fronteira entre política e economia, o governo começa o ano emplacando seguidas “vitórias” na estilo do presidente Lula: de efeitos (e percepção) ligadas a investimentos e geração de empregos. A “bola da vez” é o sucesso em atrelas diretamente ao governo o anúncio de investimentos de R$ 9 bilhões da Volkswagen.

Ao mesmo tempo, pesquisa encomendada pelo PL (mesmo que guardando-se a distancia pelo fato de ser do principal partido de oposição), realizada pelo Instituto Paraná, aponta para a maior dificuldade do Planalto, que não era sentida nos mandatos anteriores de Lula: o domínio do ex-presidente Bolsonaro nas redes sociais é um entrave para transformar esses movimentos em ganho de popularidade.

Surpresa nos EUA

O “Payroll” muito acima do esperado nos EUA praticamente enterrou qualquer expectativa de uma antecipação da queda nos juros antes de maio (e diminuiu as apostas em uma redução mesmo aí).

Haverá, contudo, um movimento mais detido, nos próximos dias, para entender quais as questões subjacentes (e para onde apontam) da economia norte americana, que combina uma aparente convergência da inflação para as metas e um contínuo aquecimento econômico.

Indicadores

Destaque, na próxima segunda, para as Estatísticas do Setor Externo de dezembro, no Brasil, e para o PMI de Serviços de janeiro, nos EUA.

RR Destaques

RR Destaques – 01/02/2024

1/02/2024
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Política econômica via STF

O julgamento da “revisão para toda a vida” é um exemplo de qual o objetivo central do governo na relação com o STF. Ainda que as posições de Alexandre de Moraes nas investigações do 08.01 e acerca de do ex-presidente e de integrantes do governo Bolsonaro empolguem a militância, não está aí o foco central de Lula.

Na verdade, embora tais medidas tendam a enfraquecer a oposição, em termos parlamentares e eventualmente eleitorais, ao inviabilizarem o ex-presidente e outros candidatos a ele ligados, sua prorrogação indefinida também acende o alerta em setores do PT que tem a “pulga atrás da orelha” com o Judiciário, desde a Lava Jato.

Por outro lado, a boa vontade do Supremo no que tange pautas ligadas à questão orçamentária, econômica e fiscal se mostrarão tão importantes para o governo quanto a agenda econômica no Congresso.

Se o julgamento em questão, que pode “melhorar” as contas do INSS, é um vetor desse processo, outro, já definido, foi a autorização para o pagamento de precatórios via crédito extraordinário, em 2023.

A decisão, vai ficando mais claro, embute um duplo objetivo para 2024:

> Concentrar o “baque” no primeiro ano de governo, com mais margem para arcar com “prejuízo” e até defender o déficit, movimento encampado mais fortemente por Haddad de ontem para hoje;

> Encontrar um forma “alternativa” de injetar dinheiro na economia, de modo a ampliar o teto de crescimento em 2024, meta central para o Planalto.

São questões como essa – e a projeção de outras do mesmo calibre – que explicam o prestígio dado por Lula ao Judiciário, demonstrado hoje pela presença na reabertura dos trabalhos do STF e na convocação “de gala” realizada para marcar o início da gestão do agora ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

EUA em foco

O BC sinalizou para uma preocupação menor em relação ao cenário internacional mas, ainda sim, marcou a persistência de incertezas quanto à resistência da inflação como fator ligado à curva da Selic – ainda que já projetando novos recuos de 0,5pp nas próximas duas reuniões do Copom. Já o Fed deixou uma brecha para “surpresas” que permitissem uma redução na próxima reunião, em março, mas enfatizando que a hipótese é improvável.

Nesse sentido, terá forte impacto nas expectativas, amanhã, a divulgação do Relatório de Emprego (Payroll) dos EUA em janeiro. Enquanto isso, no Brasil, o foco estará na Pesquisa Industrial de dezembro (IBGE).

Tebet em campo

Ao entrar tanto no tema da recomposição orçamentária – e as negociações com o Parlamento nesse sentido – quanto na gestão dos precatórios, a ministra Simone Tebet indica que continua a ampliar seu protagonismo.

Política de combustíveis

O preço dos combustíveis se tornou, nos úlimos anos, peça central do embate político, com influencia direta, inclusive, na oscilação da popularidade presidencial.

Nesse sentido, o governo pode enfrentar alguma pressão (e movimentos da oposição) a depender dos efeitos diretos que o aumento do ICMS nos combustíveis, a partir de amanhã, terá no preço final, nas bombas.

RR Destaques

RR Destaques – 30/01/2024

30/01/2024
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Lula e Tarcísio, Tarcísio e Lula

O acordo entre o presidente Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visando a construção conjunta (somada a uma PPP) do túnel Santos-Guarujá, tem significado para ambos.

Seria possível identificar, apenas, uma manobra do petista, no entanto, dado o histórico recente do governador de São Paulo (e a pressão que fez sobre o ministro de Porto e Aeroporto, do seu partido, o Republicanos) difícil crer que ele tenha sido “manipulado”, como se insinuou (Bolsonaro à frente) durante a Reforma Tributária.

De certa forma, os dois saem com o que queriam:

> Lula põe as digitais do governo federal e do PAC na obra, mesmo que “partilhada” com Tarcísio. E alimenta tanto a imagem de presidente “de todos os brasileiros” quanto a de fortes investimentos em São Paulo.

Sem falar em que instiga novo “racha” na oposição, tanto ao alinhar o Republicanos ao seu governo (Tarcísio chegou a ameaçar sair do partido de a obra fosse tocada apenas pelo Planalto/ministério) quanto ao “ganhar” outra foto com o governador de São Paulo;

> Tarcísio, por sua vez, mostra que aposta, sim, em manter a base do ex-presidente (daí as constates demonstrações marcando fortes diferenças com a esquerda e acenos a Bolsonaro, em áreas que vão da segurança à educação e saúde), mas conquistando parte do centro. Algo que Bolsonaro não conseguiu fazer – ou, na verdade, nem tentou.

A ver se a manobra de Tarcísio, consciente, provocará reações do ex-presidente, justamente em um momento no qual ele acusa a PF e o STF (e o governo Lula, por tabela) de exercerem uma perseguição política.

Enquanto isso, também em Brasília

Outro pé da estratégia presidencial, além de por o PAC na rua e dividir a oposição, conquistando os núcleos “pragmáticos” de centro e centro direita, é negociar em posição de mais força no Congresso.

Nesse âmbito, o adiamento da reunião de líderes, e consequentemente do posicionamento de Arthur Lira, dificulta as leituras de como o presidente da Câmara reagirá.

No entanto, como já ressaltou o Destaques, tem se falado muito pouco na “entrega” das vice presidencias da Caixa. Qualquer que seja a posição de Lira – e mesmo que venha na ofensiva – difícil crer que isso não seja um fator nas negociações a seguir.

Outro ponto em aberto será a movimentação de Rodrigo Pacheco. O presidente do senado vinha se aproximando da oposição, particularmente na pauta visando diminuir poderes do STF.

Mas, além de dar sinais favoráveis ao governo, vê-se compelido, agora, a enfrentar os ataques públicos do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Também pode contribuir para esfriar os ânimos a investigação da Abin, ainda que continue e embutir riscos importantes para o governo (e oportunidades para o ex-presidente Bolsonaro).

Do Fed ao BC

Os olhos estarão mais voltados amanhã para a decisão – e os recados – do Fed do que do BC, acerca da taxa de juros. Isso porque, aqui, as apostas são muito fortes não apenas em novo corte de 0,5pp quanto na sinalização da mesma tendência para a próxima reunião do Copom.

Ainda assim, o foco estará no que o Banco Central indicará como leitura acerca dos números abaixo do esperado no IPCA e sobre a questão fiscal.

Já nos EUA, as projeções de que o BC sinalizará um horizonte para a queda dos juros explodiram, em um primeiro momento, para depois se arrefecer. E o Fed tem mostrado conservadorismo. Mas os números e análises mais recentes apontam, efetivamente, para o arrefecimento da inflação e o “pouso suave” da economia norte americana. A conferir.

Emprego no Brasil e nos EUA

Em paralelo, destaque amanhã para a divulgação da PNAD de dezembro, que fechará os números anuais de desemprego – dado importante para a economia, claro, mas também para a comunicação do governo. E, nos EUA, sai a Variação de Empregos Privados ADP de janeiro.

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