Categoria: Agronegócio
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Agronegócio
Governo já admite engavetar mudanças na importação de biodiesel
11/03/2026O governo já trabalha com a hipótese de engavetar a proposta de liberação…
Agronegócio
Com guerra no Irã, Agricultura já busca novos destinos para milho brasileiro
6/03/2026A escalada do conflito envolvendo o Irã acendeu um sinal de alerta no…
Agronegócio
Waiver em dívida da SLC acende sinal de alerta na John Deere
27/02/2026A John Deere monitora, com razoável dose de preocupação, a situação financeira da SLC Máquinas. Em 19 de fevereiro, a empresa fechou com os credores um waiver para evitar o vencimento antecipado de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) de R$ 600 milhões. O movimento foi motivado pela projeção de descumprimento de um dos covenants de alavancagem e outros indicadores financeiros atrelados ao balanço de 31 de dezembro de 2025, incluindo limites de liquidez corrente, endividamento total e relação dívida líquida/Ebitda, previstos no contrato da emissão.
A necessidade de buscar a tolerância dos credores acendeu um alerta na matriz global da John Deere, uma das maiores fabricantes mundiais de máquinas agrícolas. A SLC é distribuidora exclusiva do grupo no Rio Grande do Sul, um dos principais mercados de venda de equipamentos para o agronegócio do país. Segundo informações que circulam no mercado, os norte-americanos já avaliam a eventual necessidade de medidas profiláticas. Poderiam entrar nesse rol redução de prazos de pagamento concedidos à SLC, diminuição do volume financiado via crédito de fornecedor e até exigência de pagamentos antecipados parciais em novos pedidos, com o objetivo de reduzir a exposição da fabricante ao risco de inadimplência. Procuradas pelo RR, John Deere e SLC não se pronunciaram.
Agronegócio
Produtores de leite temem virar pó com acordo entre Mercosul e UE
12/02/2026A relação entre produtores de leite e o governo Lula vive um novo ponto de fervura, na esteira do acordo Mercosul-União Europeia. Vocalizando os pecuaristas, a Frente Parlamentar da Agricultura cobra do ministro Carlos Fávaro medidas para mitigar eventuais impactos negativos do tratado para o setor. Entre as propostas que têm sido levadas a Fávaro estão a criação de um fundo de equalização de renda para produtores afetados por surtos de importação; ampliação de linhas de crédito do Plano Safra com juros subsidiados para modernização de instalações, genética e ganho de produtividade; reforço à política de preços mínimos e à aquisição pública de leite e derivados via Conab e programas sociais; e gatilhos automáticos de salvaguarda caso volumes importados superem determinado patamar.
Entre outros efeitos, os pecuaristas temem que a ampliação de cotas para leite em pó e queijos europeus, combinada à redução tarifária gradual, acentue a concorrência sobre um segmento que já opera com margens comprimidas. Ressalte-se que o setor já tem um histórico recente de fricções com o governo. Desde 2023, produtores e entidades como a CNA e a Abraleite vêm pressionando o governo por medidas de contenção às importações, especialmente de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Em 2024, foram protocolados pedidos de investigação antidumping. Em 2025, houve protestos regionais e audiências públicas cobrando salvaguardas. Estados como Paraná e Santa Catarina aprovaram normas para limitar a reconstituição de leite em pó importado.
Agronegócio
Novos mercados acrescentam US$ 4,5 bilhões na balança comercial
10/02/2026Em conversas reservadas com representantes do agronegócio, o ministro Carlos Fávaro tem afirmado que a abertura de novos mercados para produtos brasileiros deve acrescentar mais de US$ 4,5 bilhões às exportações brasileiras em 2026. A se confirmar, será um salto de 50% em relação à cifra obtida nessa mesma rubrica no ano passado, em torno de US$ 3 bilhões. A projeção considera habilitações sanitárias já concluídas ou em fase final, com impacto direto ainda neste ano. O grosso do incremento esperado vem de carnes bovina, suína e de frango, além de miúdos, pescados, lácteos e frutas, com destaque para acordos com China, México, Indonésia, Vietnã, Japão e países do Oriente Médio. Técnicos da Pasta estimam que só a ampliação de mercados para carnes pode responder por mais de US$ 2,5 bilhões do total projetado.
Agronegócio
Produtores de cacau provam o amargo chocolate da política baiana
4/02/2026
Agronegócio
Fávaro mira Japão e Coreia com um olho na balança comercial e outro nas urnas
3/02/2026O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem mantido uma intensa rotina de conversas com autoridades diplomáticas do Japão e da Coreia do Sul em Brasília. O objetivo é fechar até o fim de fevereiro um acordo para a retomada dos embarques de carne bovina para os dois países. Trata-se de um tema que pesa em duas balanças: na comercial e na eleitoral. Para o agronegócio brasileiro, a abertura dos mercados japonês e sul-coreano é tida como fundamental para mitigar o impacto das restrições impostas por Pequim à carne bovina brasileira. Estima-se que a queda das exportações para a China em 2026 será da ordem de 600 mil toneladas, ou seja, o equivalente a mais de um terço dos embarques realizados no ano passado. É um osso duro de roer que precisará ser compensando mediante acordos comerciais em outras latitudes. Ao mesmo tempo, Fávaro trata o assunto como uma última grande missão à frente da Pasta e um ativo eleitoral – o ministro será candidato ao Senado pelo Mato Grosso.
No Japão, onde o Brasil busca autorização para exportar carne bovina há mais de duas décadas, o ministro tem articulado avanços técnicos e sanitários com autoridades japonesas e importadores, apoiado na certificação de que o país inteiro é livre de febre aftosa sem vacinação, condição essencial para a abertura definitiva do mercado. Paralelamente, interlocutores do governo apontam que a pauta com a Coreia do Sul também tem avançado em conversas técnicas, inclusive com foco não apenas em carne bovina, mas no fortalecimento de protocolos sanitários e cooperação técnica que podem abrir espaço para proteínas brasileiras em Seul.
Agronegócio
Ofensiva de Trump contra o Irã ameaça produtores de milho de MT e GO
15/01/2026
Agronegócio
Goiás e Mato Grosso do Sul disputam os aminoácidos chinesas
13/01/2026A chinesa Ningxia Eppen, uma das maiores produtoras globais de aminoácidos para nutrição animal, humana e vegetal, está provocando uma disputa federativa no Centro-Oeste. Os governos de Goiás e do Mato Grosso do Sul duelam para aninhar a fábrica que os asiáticos planejam instalar no Brasil. O investimento é da ordem de US$ 300 milhões. Representantes da companhia têm mantido conversas simultâneas com autoridades dos dois estados. Emissários da Ningxian Eppen já teriam, inclusive, realizado uma visita técnica em Goiás em áreas com potencial para receber o empreendimento. Um dos pré-requisitos é a abundância de milho, um insumo central para a fábrica.
Agronegócio
Brasil busca diálogo com a China após sobretaxa para carne bovina
6/01/2026
Agronegócio
Agrolend ignora crise no agro e expande oferta de crédito
23/12/2025A Agrolend caminha na contramão da crise que atinge parte da cadeia do agronegócio, com o aumento da inadimplência e a disparada do número de recuperações judiciais. A fintech entra em 2026 com uma carteira de crédito em torno de R$ 700 milhões, contra algo próximo dos R$ 500 milhões há 12 meses. Internamente, já se fala em bater a barreira de R$ 1 bilhão ao fim de 2026 Um dos caminhos em estudo é a expansão do perfil de clientes, com foco em operações estruturadas junto a cooperativas, revendas de insumos e empresas da cadeia agrícola. No mercado, corre, inclusive, que os controladores da Agrolend, os irmãos André e Alan Glezer, discutem a possibilidade de uma nova captação. A capitalização mais recente se deu em outubro de 2024, um rodada Série C, na qual a fintech levantou US$ 53 milhões.
Agronegócio
Ruralistas usam agrotóxico para “matar” Anvisa e Ibama
18/12/2025
Agronegócio
Corteva avança sobre operação de Crop Care da Lavoro
12/12/2025
Agronegócio
Safra abaixo do previsto reacende pressão de alta sobre preços do açúcar
27/11/2025À medida que grandes grupos sucroalcooleiros do país encerram sua colheita, vai se desenhando que a produção brasileira de cana de açúcar no ciclo 2025/26 terminará abaixo até mesmo das estimativas oficiais recentemente decrescidas pela Conab. Segundo informações filtradas pelo RR, dentro do Ministério da Agricultura já se trabalha com uma safra inferior a 666 milhões de toneladas, última projeção revisada pela estatal. A se confirmar, a queda em relação ao ano passado será próxima de 2% – os cálculos iniciais apontavam uma retração de 1,6%. Com isso, o mercado já começa a recalibrar expectativas para oferta interna e exportações e para a formação de preços – o Brasil é responsável por cerca de 45% do comércio global de açúcar. A queda da produção brasileira, somada às incertezas que cercam a safra na Índia e na Tailândia, já se reflete nas cotações, pressionando os valores para cima. Nas últimas semanas, o contrato de açúcar bruto na ICE para março/2026 oscilou para a faixa de US$ 445 a US$ 455 por tonelada, acumulando alta próxima de 10% desde setembro.
Agronegócio
AgBiTech reforça aposta no Brasil e planeja fábrica de bioinseticidas
21/11/2025A agtech australiana AgBiTech, controlada pelo fundo nova-iorquino Paine Schwartz, vai aumentar seus investimentos no Brasil. Especializada na produção de bioinseticidas a partir de lagartas, a empresa tem planos de instalar uma fábrica no país, a primeira fora dos Estados Unidos. A América Latina já responde por mais de dois terços do seu faturamento. E nenhum outro país é tão estratégico para a startup quanto o Brasil, a começar pela escala das lavouras de soja, milho e algodão. A ideia é que a operação brasileira seja um hub de abastecimento para a região.
Agronegócio
Recuperação judicial ronda a Belagrícola
13/11/2025Mais um grande grupo do agronegócio parece caminhar para a recuperação judicial. No setor, o entendimento é que está cada vez mais difícil para a Belagrícola escapar do pedido de RJ. Segundo informações filtradas pelo RR, as tratativas com os credores para a renegociação de mais de R$ 3 bilhões em dívidas têm se mostrado complexas. Do outro lado da mesa, estão, entre outras instituições financeiras, Santander, Banco do Brasil e Citibank, que, juntos, têm a receber R$ 503 milhões. Mas o fiel da balança é a Vert Securitizadora, a maior credora da empresa, com R$ 591 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).
O Dia D da Belagrícola é 9 de dezembro. Nessa data, termina o período da tutela cautelar concedida pela Justiça, que suspendeu a cobrança de dívidas à empresa por 60 dias. Se a distribuidora de insumos agrícolas controlada pela chinesa Pengdu não conseguir fechar um acordo com os credores até lá, a saída provavelmente será recorrer à RJ. Nesse contexto, é sintomático que a Belagrícola tenha anunciado na semana passada a contratação da Alvarez & Marsal, consultoria que é praticamente sinônimo de recuperação judicial no Brasil. Em contato com o RR, perguntada sobre a possibilidade de buscar uma RJ, a empresa disse que “Nenhuma decisão foi tomada até o momento sobre eventuais medidas futuras”. A Belagrícola informou ainda que o trabalho da Alvarez & Marsal “tem como objetivo apoiar a estruturação de um plano de fortalecimento financeiro e operacional, além de avaliar alternativas para o equilíbrio da estrutura de capital da companhia. A contratação faz parte de um processo de reorganização responsável, em linha com o movimento de diversas empresas do setor diante dos desafios econômicos e climáticos que impactaram o agronegócio nos últimos anos.”
Agronegócio
Governo traça plano para aumentar exportações de frango para a Ásia
12/11/2025
Agronegócio
Produtores de leite cobram ajuda financeira do governo
11/11/2025De forças-tarefa e coisas do gênero, o Brasil está cheio – há até um Escritório Emergencial de Enfrentamento ao Crime, criado pelos governos federal e do Rio de Janeiro. Para o agronegócio, a decisão do Ministério da Agricultura de montar, em caráter emergencial, o Grupo de Trabalho da Cadeia Leiteira da Agricultura Familiar (GT-Leite) é muito pouco. O que os pecuaristas querem mesmo é dinheiro. Os produtores de leite cobram do ministro Carlos Fávaro apoio financeiro para contornar a crise que assola o setor, agravada pelo binômio aumento dos custos/queda dos preços. O agro reivindica crédito subsidiado, prazos ampliados para pagamento de dívidas e políticas de garantia de preço mínimo. O movimento, articulado por cooperativas e federações rurais, pede a retomada de programas de compra institucional, como o antigo PAA, voltados à agricultura familiar, e defende a criação de um fundo específico de estabilização para o leite. No Congresso, há pressões por um mecanismo de compensação direta, com recursos do Tesouro, nos períodos de queda acentuada de preços. Outra proposta discutida nos bastidores prevê a atuação da Conab para garantir um preço mínimo de referência, com compras públicas em regiões mais afetadas.
Agronegócio
O feijão maravilha na balança comercial
7/11/2025O Ministério da Agricultura trabalha com a estimativa de que as exportações brasileiras de feijão vão chegar a 450 mil toneladas neste ano, recorde histórico. Uma vez confirmado, esse número representará um aumento de 40% em relação ao volume comercializado para o mercado externo em 2024 (320 mil toneladas). Até setembro, as exportações somaram 361 mil toneladas. O Brasil deve agradecer, sobretudo, à Índia, principal responsável por engrossar o caldo das divisas brasileiras com o aumento das compras de feijão. O país asiático se consolidou como o principal destino do produto.
Agronegócio
Governo estica lista de municípios com direito a waiver no crédito rural
5/11/2025
Agronegócio
Tarcísio aduba o solo da agricultura familiar de olho na “colheita” de 2026
3/11/2025O governo de São Paulo tem planos de adubar ainda mais o volume de financiamento para a agricultura familiar. A ideia discutida é ampliar o valor do Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS) para R$ 100 milhões em 2026, o dobro dos recursos que serão distribuídos neste ano. Ressalte-se que os R$ 50 milhões previstos para 2025 já representam um salto em relação ao histórico do programa – entre 2020 e 2024, a cifra somada chegou a R$ 67 milhões. O projeto do governo é aumentar também o número de cooperativas beneficiadas – hoje são 40. A nova meta prevê ainda a ampliação da rede logística que conecta o campo ao consumo institucional. Técnicos do governo avaliam uma revisão nos critérios de habilitação e um novo sistema de pagamentos, que reduza prazos e facilite o acesso dos pequenos produtores. O governador Tarcísio de Freitas parece ter encontrado um campo fértil. Mais de 122 mil estabelecimentos de agricultura familiar são beneficiados pelo PPAIS. Ao todo, algo como 350 mil produtores rurais. Ou potenciais eleitores, se assim o freguês desejar.
Agronegócio
Aprovada há um ano, Lei dos Bioinsumos ainda está no campo das intenções
28/10/2025
Agronegócio
Cotribá vende ativos para reverter sua aridez financeira
22/10/2025A crise de liquidez no agronegócio gaúcho pegou em cheio a Cotribá, uma das maiores cooperativas agrícolas da Região Sul, com faturamento próximo de R$ 4 bilhões. Há informações no setor de que a empresa busca um investidor disposto a aportar capital. Paralelamente, colocou à venda uma série de ativos, notadamente centros de armazenagem. É um tratamento de choque na tentativa de equacionar suas pendências financeiras. A empresa estaria atrasando o pagamento de salários e o repasse de recursos a agricultores. As dívidas acumuladas já teriam chegado a R$ 500 milhões. Desde o ano passado, a Cotribá enfrenta problemas de geração de caixa. Em 2024, seu Ebitda caiu para R$ 38 milhões, contra R$ 108 milhões no ano anterior. Em contato com o RR, a empresa confirma que “vem realizando desimobilizações de ativos não essenciais, com o objetivo de destinar esses recursos ao pagamento de pendências junto aos agricultores e fortalecer o equilíbrio financeiro da instituição”. A Cotribá admite que houve “atrasos pontuais nos repasses aos produtores”. Segundo a empresa, essas pendências estão sendo gradualmente regularizadas, com recursos provenientes das desimobilizações de ativos. No que se refere à folha de pagamento dos colaboradores, os compromissos vêm sendo cumpridos dentro dos prazos estabelecidos.” A companhia disse também ao RR que as negociações com credores “seguem em andamento. Uma parte significativa das dívidas já foi renegociada, e o processo continua evoluindo de forma positiva e colaborativa”.
Agronegócio
Bancada do RS ameaça travar pautas no Congresso se governo não liberar crédito para o agro
13/10/2025Parlamentares do Rio Grande do Sul cobram do ministro da Agricultura, Carlos Favaro, medidas adicionais de apoio aos produtores rurais do estado. Os congressistas gaúchos decidiram subir o tom: ameaçam condicionar a aprovação de projetos de interesse do governo na Câmara e no Senado ao repasse de recursos adicionais e ao aumento do crédito subsidiado ao setor agrícola. O entendimento é que a MP 1.314, que prevê a liberação de R$ 12 bilhões para a renegociação de dívidas de pequenos e médios agricultores, não vai dar nem para a saída. Nos últimos cinco anos, os produtores gaúchos acumulam débitos de R$ 27 bilhões. A bancada do Rio Grande do Sul — composta por deputados e senadores fortemente vinculados ao agro — já apresentou requerimentos e emendas que visam assegurar repasses federais para recomposição de estoques, seguro rural e capital de giro para produtores em dificuldades.
Agronegócio
Banco do Brasil faz campanha por MP de olho em alívio em sua carteira de crédito
9/10/2025A própria direção do Banco do Brasil tem feito pressão junto a parlamentares pela aprovação da Medida Provisória 1.314/2025, que autoriza a renegociação de R$ 12 bilhões em dívidas rurais. Até o momento, o assunto é mantido em banho-maria no Congresso. Deputados e senadores sequer formaram a Comissão Mista responsável por analisar a MP. A demora é motivo de preocupação para o BB. A Medida Provisória surge como um alívio para o fardo que o banco carrega em seu balanço com o aumento da inadimplência da sua carteira de crédito rural. Dentro do BB, há estimativas de que o índice de empréstimos em aberto pode cair até um ponto percentual – o nível de inadimplência gira em torno de 5% de todos os financiamentos. O Banco do Brasil deverá operacionalizar até 40% dos R$ 12 bilhões previstos na MP.
Agronegócio
Um algodão nada doce: produtores pressionam governo por ajuda
3/10/2025O Ministério da Agricultura discute medidas para compensar as fortes perdas sofridas pelos produtores de algodão. Entre as propostas cogitadas está a criação de uma linha de crédito especial. A maior cobrança sobre a Pasta vem de parlamentares e ruralistas do Mato Grosso, estado responsável por mais de 70% da produção nacional. No mês passado, os preços do algodão atingiram o menor patamar em uma década. Foi o quarto mês seguido de expressiva queda das cotações. O mercado interno sofre o efeito das fortes desvalorizações da commodity no exterior. E a tendência é de piora: a safra brasileira de 2024/25 está entre as maiores da história, o que deve pressionar ainda mais a precificação do algodão. O que se vê é um efeito-dominó. Diante desse cenário, há um número crescente de produtores em inadimplência, notadamente junto ao Banco do Brasil.
Agronegócio
Sempre cabe mais um município na MP das dívidas rurais
1/10/2025O agronegócio cobra do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, um novo aumento do número de municípios beneficiados pela MP das dívidas rurais. Na semana passada, o governo já havia anunciado um “puxadinho” das pouco mais de mil cidades previstas inicialmente para cerca de 1,2 mil. A maior pressão vem de ruralistas do Mato Grosso e da Amazônia, que alegam que as duas regiões também têm sido duramente afetadas por mudanças climáticas. Mais de um terço dos municípios contemplados na MP está no Rio Grande do Sul, devastado pelas enchentes de 2024. A Medida Provisória cria uma linha de financiamento especial para a renegociação de débitos em créditos rurais.
Agronegócio
BrasilAgro surfa na queda dos preços de terras para ampliar seu latifúndio
22/09/2025A BrasilAgro saiu a campo em busca de terras no Centro-Oeste. A empresa mira na compra de ativos “estressados”, ou seja, fazendas em situação financeira delicada. O objetivo é aproveitar a recente queda dos preços de propriedades agrícolas após três anos de intensa valorização. O agronegócio enfrenta pressões diversas — custo de insumos, juros elevados, clima menos previsível —, o que tem depreciado o valor das terras. A BrasilAgro visualiza a oportunidade de reestruturar propriedades para lavouras de soja, milho ou algodão e aumentar a escala de produção com menores riscos fixos. Essa nova fase, mais compradora, indica que a companhia está menos dependente apenas da venda de fazendas para gerar caixa. A empresa possui um portfólio de aproximadamente 275 mil distribuídos, somando-se terras próprias e áreas arrendadas.
Agronegócio
As últimas sementes no solo da Olvebra
19/09/2025Um grupo de executivos da Olvebra, uma das mais tradicionais esmagadoras de soja do país, busca crédito junto a instituições financeiras em uma derradeira tentativa de salvar a empresa. Ou o que sobrou dela. Um dos caminhos cogitados é a obtenção de recursos para o arrendamento de unidades fabris e maquinários, ainda que a operação não se desse formalmente com a marca da Olvebra. A missão é difícil. Fundada por imigrantes chineses nos anos 1950, a companhia teve sua falência decretada pela Justiça, após um fracasso processo de recuperação judicial para uma dívida de quase R$ 700 milhões. Entre os maiores credores figuram o Banco do Brasil e a Caixa Econômica. Com a decisão judicial, a Olvebra teve bens bloqueados e suas unidades fabris foram lacradas. Os próprios bancos fizeram pressão junto à Justiça pela falência.
Agronegócio
Produtores de arroz cobram ajuda do governo
11/09/2025Dia sim e o outro também, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem administrado demandas do setor agrícolas por recursos públicos. A bola da vez é a pressão dos produtores de arroz do Rio Grande do Sul para que a Conab aumente o número de leilões para a compra do cereal. No mais recente, realizado no mês passado, a estatal firmou compromisso de compra de quase 110 mil toneladas – a ajuda pode chegar a R$ 180 milhões caso todos os agricultores optarem pela entrega do arroz na data de vencimento do contrato. Na paralela, o setor pede a tributação das importações da commodity, especialmente do Paraguai e do Uruguai. A crise na rizicultura gaúcha é cada vez maior por conta da queda dos preços do arroz, superior a 40% no acumulado dos últimos 12 meses. O atual valor da saca, em torno de R$ 70, não cobre sequer os custos de produção.
Agronegócio
MDIC rechaça dumping nas importações de leite e acirra embate com produtores
25/08/2025A acusação de dumping contra produtores de leite em pó da Argentina e do Uruguai, feita pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura), virou água. Ao menos para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Investigações conduzidas pela Pasta não identificaram indícios de preços artificialmente baixos nas importações do produto proveniente dos países vizinhos. O parecer técnico do MDIC, no entanto, está longe de baixar a fervura. Nos bastidores, a bancada ruralista e pecuaristas questionam os critérios adotados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) da Pasta e seguem exigindo a aplicação de tarifas antidumping. No MIDC, há quem enxergue uma dupla intenção na ofensiva. Além da tentativa de conter as importações, que saíram de 941 milhões de litros em 2022 para 1,6 bilhão de litros no ano passado, a leitura é que os produtores estão criando uma narrativa para pressionar o governo a conceder benefícios para o setor. De crédito subsidiado ao aumento das compras públicas de leite em pó.
Agronegócio
Nem tudo é o que parece ser na troca de controle do Grupo Safras
7/08/2025A recém-anunciada transferência do controle do Grupo Safras para a AM Agro, de Marcos Teixeira, seria apenas um rito de transição. O que se diz à boca miúda no setor é que a gestora estaria apenas esquentando o lugar para outros investidores que assumiriam mais à frente uma posição majoritária. Uma das possibilidades sobre a mesa seria a conversão de debt em equity, com a entrada dos credores no capital – entre eles Banco do Brasil e Caixa. Nesse redesenho, até mesmo as famílias Moraes e Rossato, até pouco tempo controladoras da companhia e agora acionistas minoritárias, deixariam o negócio de vez. A ver. Seria mais um ziguezague na sinuosa trajetória do Grupo Safras nos últimos meses. Um dos maiores distribuidores de insumos agrícolas do Brasil – em 2023, chegou a ter uma receita de R$ 7 bilhões -, a companhia atravessa uma delicada situação financeira. Com uma dívida de mais de R$ 2 bilhões, nos últimos meses tentou por três vezes entrar em recuperação judicial. Todos os pedidos foram negados pela Justiça do Mato Grosso. Sem a proteção da recuperação judicial, o Grupo Safras está ao relento. Credores têm executado garantias, tomando unidades de armazenamento e máquinas da companhia.
Agronegócio
Governo gaúcho vai empurrar até onde der cobranças sobre produtores rurais
25/07/2025
Agronegócio
Em recuperação judicial, Agrogalaxy tenta driblar a estiagem de crédito
23/06/2025
Agronegócio
Banco do Nordeste vira peça-chave contra a falta de armazéns para grãos na região
4/06/2025O governo quer usar o Banco do Nordeste (BNB) para reduzir o gargalo na armazenagem agrícola na região. O Ministério da Agricultura negocia diretamente com o BNB o aumento do volume de recursos para a construção de silos. Em 2024, o banco liberou R$ 128 milhões para esta finalidade, um crescimento de 180% em relação ao ano anterior. Estima-se que o déficit de estocagem chegue a oito milhões de toneladas, o equivalente a pouco menos de um terço da produção total de grãos nos nove estados nordestinos – em linha com a média nacional. Parte das limitações em estocagem na Região se deve à negligência do próprio Estado. O último grande investimento nos armazéns da Conab no Nordeste data de 2013.
Agronegócio
Governo está a um passo de destravar o mercado japonês para a carne brasileira
3/06/2025
Agronegócio
Governo avalia nova prorrogação do crédito extraordinário do Plano Safra
16/05/2025Em conversas reservadas com líderes da bancada ruralista, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem mencionado a possibilidade de o governo estender o crédito extraordinário referente ao Plano Safra 2024-25 mesmo após o mês de junho, ou seja, depois do anúncio do Plano para o ciclo 2025-26. Seria uma forma de compensar os agricultores pelo bloqueio de linhas de crédito do programa agrícola suspensas pelo Tesouro em fevereiro. O governo se basearia, mais uma vez, na Constituição Federal (art. 167) e na Lei nº 4.320/1964, que permitem a abertura de créditos extraordinários para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, inclusive fora da programação orçamentária regular. A prorrogação do regime especial exigiria a edição de uma nova Medida Provisória. A MP em vigor, que prevê a concessão de R$ 4,1 bilhões, já foi renovada por 60 dias e expira em 23 de junho.
Agronegócio
Brasil ganha upgrade no mapa-múndi da indiana PI Industries
14/05/2025A PI Industries, conglomerado indiano da área química, alçou o Brasil à condição de seu hub na América Latina. Há informações no setor de que o grupo estuda a instalação de uma fábrica de bioinsumos no país. Seria a sua primeira unidade industrial fora da Índia e da Itália – onde adquiriu uma empresa local, a Archimica. O upgrade do Brasil vem na esteira da aquisição do controle global da norte-americana Plant Health Care (PHC), no ano passado. Com a operação, a PI herdou toda a estrutura de distribuição de insumos agrícolas da PHC no país, com destaque para bioestimulantes, fungicidas e nematicidas à base de peptídeos derivados de bactérias fitopatogênicas. Os indianos já falam na ousada meta de aumentar em 1.000% o faturamento no Brasil em até cinco anos. A PHC figura entre os maiores produtores de agroquímicos do mundo, com faturamento em torno de US$ 1 bilhão. Em seu país, detém cerca de 15% de market share.
Agronegócio
Chinesa Haid Group chega ao Brasil para produzir ração animal
9/05/2025No entorno do governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, já se dá como certo que a chinesa Haid Group vai se instalar no estado. Trata-se de um dos maiores produtores de ração animal da Ásia, com faturamento superior a US$ 20 bilhões. O ponto de partida no Brasil será a construção de uma fábrica de processamento de caroço de algodão, um desembolso que poderá chegar US$ 100 milhões. Seria só a primeira semente em terras brasileiras. Segundo informações filtradas pelo RR, representantes do Haid Group já acenaram com o projeto de investir também em biotecnologia, notadamente genética animal.
Agronegócio
Grupo indiano estuda produzir defensivos agrícolas no Brasil
2/05/2025
Agronegócio
Grupo Safras negocia transferência de ativos a credores
23/04/2025
Agronegócio
Governo importa batatas do Peru de olho na inflação dos alimentos
23/04/2025O Ministério da Agricultura negocia um acordo com o governo do Peru para a importação de batatas. Segundo informações filtradas pelo RR, as conversas estão avançadas: a Pasta deverá publicar em maio a resolução com as medidas fitossanitárias, último passo para a consumação do negócio. O próprio ministro do Desenvolvimento Agrário e Irrigação do país vizinho, Ángel Manero, é aguardado em Brasília para a assinatura do acordo. A importação deve ser colocada no cesto de medidas pontuais do governo Lula na tentativa de conter a inflação de alimentos. No início do ano, o preço da batata no mercado interno chegou a cair 48% em comparação a janeiro de 2024. Mas, desde o início de abril, o valor da saca já acumula uma alta de 14,6% no mês.
Agronegócio
Governo antecipa compra de arroz por pressão dos ruralistas
22/04/2025O Ministério da Agricultura, mais precisamente a Conab, vai antecipar a execução de quase quatro mil contratos de compra de arroz. O governo teria até cinco meses para concluir a aquisição do produto. No entanto, segundo o RR apurou, a operação deverá ser realizada até o fim de maio. A decisão da Pasta da Agricultura de precipitar a compra atende à pressão dos ruralistas. Na prática, é uma espécie de “Bolsa Produtor”. O objetivo é compensar parte das perdas sofridas pelos orizicultores devido à forte queda dos preços do cereal. Apenas neste ano, a redução beira os 25% – a cotação está no menor nível desde 2022. Ressalte-se que, no caso do Rio Grande do Sul, estado responsável por mais de 70% da produção nacional de arroz, há um agravante: os agricultores locais ainda padecem dos prejuízos causados pelas enchentes do ano passado.
Agronegócio
Vai ter feijão preto barato no prato do brasileiro
7/04/2025Um report tranquilizador do Ministério da Agricultura chegou ao Palácio do Planalto na semana passada. A segunda safra de feijão preto, que se encerra em abril, deverá alcançar 450 mil toneladas. Ainda que represente uma queda em relação à estimativa anterior da Conab (480 mil toneladas), o número foi motivo de alívio na Pasta. Devido à estiagem na Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, havia o receio de uma queda ainda mais acentuada da colheita, descendo para a casa das 400 mil toneladas. No entendimento da área técnica do Ministério, a produção da segunda safra será suficiente para sustentar a tendência de queda nos preços do feijão preto. No mês de março, o valor ao consumidor caiu aproximadamente 8%. No acumulado de 12 meses, a redução dos preços beira os 40%. O bolso do brasileiro agradece. E o governo Lula, com sua popularidade cada vez mais pobre em ferro e fibras, também.
Agronegócio
Governo pressiona Maranhão para extinguir taxa de exportação sobre grãos
3/04/2025A polêmica taxa sobre a exportação de grãos instituída no Maranhão tornou-se uma questão, a um só tempo, de ordem jurídica e política. Na semana passada, a 1ª Vara da Fazenda Pública de São Luís (MA) suspendeu a cobrança de 1,8% por tonelada sobre soja, milho, milheto e sorgo que entram e circulam no estado. O governo do Maranhão já sinalizou que deve recorrer. No entanto, paralelamente, o Palácio do Planalto pressiona o governador maranhense, Carlos Brandão Junior (PSB), a extinguir o imposto em definitivo. O governo federal teme o impacto do tributo sobre o preço dos alimentos para o consumidor no mercado interno. Uma vez mantido, alguém terá de pagar pelo custo adicional e, certamente, não serão os agricultores. Ressalte-se que foi também por pressão de Brasília que o governador do Pará, Helder Barbalho, voltou atrás na criação de uma taxa de exportação agrícola similar à do Maranhão. A medida foi aprovada em dezembro e revogada apenas dois meses depois.
Agronegócio
Grandes produtores rurais também querem um “Desenrola”
26/02/2025
Agronegócio
Grupo Amaggi investe para ampliar sua logística de armazenamento
17/02/2025O aumento da estrutura de estocagem é prioridade estratégica para o Grupo Amaggi em 2025. O conglomerado da família do ex-governador Blairo Maggi pretende chegar a 45 armazéns até o fim do ano, por meio de investimentos greenfield e aquisições – hoje são 40, com capacidade para 2,7 milhões de toneladas. A Amaggi tem uma produção própria de 1,7 milhão de toneladas por ano de soja, milho e algodão. No entanto, movimenta mais de 14 milhões de toneladas no país com a compra e venda de commodities agrícolas de terceiros. O déficit de armazenagem é um dos grandes gargalos do agronegócio brasileiro. Boa parte da produção agrícola é um “sem teto”. O país deve colher neste ano mais de 320 milhões de toneladas de grãos. A estrutura de silos, por sua vez, comporta menos de 210 milhões de toneladas. Consultada, a Amaggi não se manifestou.
Agronegócio
O que está acontecendo com as grandes distribuidoras de insumos agrícolas?
10/02/2025O anúncio de que a Lavoro fechará 70 das suas 187 lojas no Brasil acendeu um sinal de alerta no agronegócio. Trata-se de uma das grandes distribuidoras de matérias-primas agrícolas do país. Há informações no setor de que a companhia tem sofrido os efeitos da queda do volume de financiamento para a venda de insumos, como sementes, e defensivos. Redução da capilaridade de revenda já significa automaticamente aumento de custos em logística para os produtores rurais. Além disso, a questão vai além da próprio Lavoro. O agro teme riscos no abastecimento em algumas regiões. Isso porque que a Agrogalaxy, maior revendedora de insumos para o campo, atravessa notórias dificuldades financeiras. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial, na tentativa de renegociar uma dívida de mais de R$ 4,5 bilhões. Nos últimos meses, atrasou ou cancelou entregas já contratadas.
Agronegócio
Fávaro trabalha para cortar pela raiz novos bloqueios à soja brasileira
27/01/2025O ministro Carlos Fávaro passou os últimos dias fazendo seguidos contatos com autoridades de Pequim. Buscou também interlocução com o embaixador da China em Brasília, Zhu Qingqiao. A preocupação de Fávaro é brecar uma possível escalada do bloqueio chinês a carregamentos de soja do Brasil. Na última quarta-feira, o país asiático suspendeu a importação da commodity de cinco empresas brasileiras, sob a alegação de que o produto não estava em conformidade com regras sanitárias. A história mostra que episódios como esse sabe-se como começa, mas nunca como termina. O receio no Ministério da Agricultura é que a China estenda a suspensão a outros produtores das mesmas regiões ou, em um cenário mais radical, venha até mesmo a decretar embargo à soja brasileira, a exemplo do que já fez algumas vezes com a carne bovina. 1, 2, 3, isola…
Agronegócio
Ministério da Agricultura busca aditivos para aumentar produção de etanol de milho
3/01/2025Assessores do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, estão debruçados sobre propostas para turbinar a produção de etanol de milho. O objetivo é não apenas atrair investimentos de empresas nacionais de biocombustíveis, mas também de grupos estrangeiros. Um dos nomes citados na Pasta é o da BP. O conglomerado britânico tem feito estudos para produzir etanol à base de milho no país. Seu potencial de investimento no setor é exponencial, a começar pela estrutura que já tem à mão.
A BP comprou recentemente a participação da Bunge na joint venture que ambos mantinham em bioenergia no Brasil. São 11 usinas de açúcar e etanol. As principais ideias que pululam no Ministério da Agricultura precisam do chapéu alheio, leia-se de decisões de outras esferas do governo. Uma delas é o apoio do BNDES para um programa de financiamento ao etanol de milho. Outra é o aumento do índice de mistura de álcool na gasolina. Fávaro trabalha para que o governo anuncie ainda neste mês a subida desse sarrafo dos atuais 27% para 30%.
Cabe lembrar que em outubro o presidente Lula sancionou a Lei do Combustível do Futuro, permitindo que a adição de etanol a gasolina oscile em um sistema de bandas entre 22% e 35%.
Nessa equação misturam-se fatores de mercado, de ordem ambiental e, como não poderia deixar de ser, de natureza política. As medidas seriam um afago aos grandes produtores de milho do país. Na safra 2023/24, o Brasil produziu seis bilhões de litros de etanol a partir do cereal, 35% a mais do que no ciclo anterior.
No Ministério da Agricultura, há estimativas de que esse volume poderá chegar a dez bilhões de litros em apenas dois anos. Já se fala na possibilidade de o Brasil antecipar em dois anos a projeção anterior de fabricar 15 bilhões de litros até 2032. O Brasil tem no seu solo uma vantagem, quase um presente divino, na comparação com outros grandes produtores mundiais, a começar pelos Estados Unidos, o maior deles: a segunda safra anual de milho, a “safrinha”.
Agronegócio
Marcos Molina investe alto para aumentar rebanho próprio
12/12/2024Marcos Molina, o controlador formal da Marfrig e informal da BRF, já investiu ao longo deste ano mais de R$ 1 bilhão para a compra de gado. Outro tanto deverá ser desembolsado nos próximos meses. A maior parte dos negócios tem se concentrado no Centro-Oeste e em São Paulo – neste último, o empresário vem adquirindo gado de outro sobrenome famoso da pecuária nacional, a família Bertin. Molina quer ampliar seu poder na cadeia do agronegócio e, para isso, considera estratégico aumentar seu rebanho próprio para reduzir a dependência de terceiros no suprimento das plantas da Marfrig. E da BRF.
Agronegócio
Ruralistas pedem renegociação de dívidas junto ao BB e à Caixa
28/11/2024O agronegócio também quer “anistia”. Não exatamente para o 8 de janeiro, mas para a sua inadimplência. A bancada ruralista pressiona o governo para que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica abram um programa de renegociação de dívidas de produtores rurais. A alegação é que os extremos climáticos, notadamente as enchentes no Rio Grande do Sul, são a grande praga que atingiram o campo na safra atual. Os balanços dos dois bancos estatais mostram o quanto a erva daninha cresceu. No BB, a inadimplência na carteira de crédito rural subiu de 0,71% para 1,97% nos últimos 12 meses. Na Caixa, o problema é ainda maior. Em comparação com novembro do ano passado, os empréstimos com atraso de 90 dias ou mais saltaram de 0,75% para 3,35%.
Agronegócio
Uma nova multinacional brasileira começa a quebrar a casca do ovo
22/11/2024A Granja Faria, que anunciou na semana passada a compra do Grupo Hevo, na Espanha, avança a passos largos em seu plano de internacionalização. O que se ouve no setor é que a empresa está em negociações avançadas para sua primeira aquisição em Portugal. A companhia vem prospectando também ativos na França e Itália. Sediada em Santa Catarina, a Granja Faria é a maior produtora de ovos do Brasil. Neste ano, deverá romper pela primeira vez a marca de R$ 2 bilhões em faturamento. O foco da empresa neste momento é aumentar a geração de receita em moeda forte. Com a aquisição do Grupo Hevo, seu faturamento em dólar passou de 15% para 40% das vendas totais. É por essas e outras que fundos de private equity têm ciscado na porta da Granja Faria interessados em comprar uma participação no capital.
Agronegócio
Agrivalle pode receber adubo financeiro internacional
30/10/2024
Agronegócio
Amerra Capital espreita a porta da saída da Fiagril
29/10/2024
Agronegócio
Frigoríficos brasileiros aguardam o “nada consta” da Coreia do Sul
21/10/2024Há um frenesi na indústria da proteína animal. Segundo o RR apurou, autoridades sanitárias da Coreia do Sul vão desembarcar no Brasil na próxima semana para uma série de inspeções a frigoríficos produtores de carne bovina e suína. No Ministério da Agricultura, a expectativa é que, já no início de 2025, o governo sul-coreano autorize uma nova leva de abatedouros a exportarem para o país. A Coreia do Sul é um dos cinco maiores importantes mundiais de carne bovina.
Agronegócio
Quebra de safra obrigará governo a aumentar importações de trigo
17/10/2024
Agronegócio
Exportação para o Equador deve garantir uns trocados a mais para os produtores de milho
3/10/2024O governo do Equador solicitou ao Ministério da Agricultura apoio para a importação de aproximadamente cem mil toneladas de milho do Brasil. Lá como cá, a produção caiu significativamente, em função das secas. Segundo informações apuradas pelo RR, existe ainda a possibilidade de o Equador comprar outra tranche semelhante no início do próximo ano.
A venda vai colocar uns poucos grãos a mais no bolso dos produtores brasileiros, duramente afetados por extremos climáticos, quebra de safra e disparada dos custos. Mas a operação está longe de resolver grave cenário do setor. A estimativa é que as exportações de milho neste ano não passem dos 38 milhões de toneladas. Nem de perto, lembra o espetacular desempenho de 2023, quando o país atingiu um volume recorde de vendas no mercado externo, de 55 milhões de toneladas. Significa dizer que o Brasil deverá perder o posto de maior exportador de milho do mundo, feito conquistado apenas duas vezes – no ano passado e em 2013.
Agronegócio
Terras da União no Tocantins mobilizam bancada ruralista
17/09/2024A bancada ruralista faz pressão no Congresso para que o projeto de lei 1.199, da senadora Dorinha Rezende (União-TO) seja votado ainda neste ano. A proposta prevê a transferência de terras em Tocantins pertencentes à União para o governo do estado. Em tese, o projeto é eivado de boas intenções. A maior parte das áreas é ocupada por famílias que, no passado, receberam títulos fundiários, registros estes que mais recentemente passaram a ser cancelados por decisões judiciais.
Mas, nesse caldeirão, há também grandes produtores rurais. Um dos argumentos dos parlamentares é que a transferência da propriedade para o estado permitirá uma melhor fiscalização ambiental. Há controvérsias. Em 2021, os governos do Amapá e Roraima assumiram terras repassadas pela União. No primeiro caso, coincidência ou não, a coisa funcionou. O desmatamento no Amapá subiu apenas 0,35% no ano passado. Em Roraima, no entanto, a área derrubada cresceu 115% entre 2022 e 2023.
Agronegócio
Brasil caminha para o recorde nas importações de fertilizantes
16/09/2024Segundo o RR apurou, a Conab trabalha com a estimativa de que as importações de fertilizantes vão atingir o patamar de 42 milhões de toneladas em 2024. A se confirmar, será o recorde histórico, superando as 41,5 milhões de toneladas em 2021. Tanto em junho quanto em julho, o volume ultrapassou 4,1 milhão de toneladas, maior marca para um único mês já registrada. A boa notícia é que o agronegócio segue de vento em popa e os produtores transbordam otimismo com a safra 2024/25. A má notícia é que a produção interna de fertilizantes dará conta de apenas 8% da demanda para o próximo ciclo. Novidade…
Agronegócio
Brasil é um terreno dos mais férteis para a Donmario
11/09/2024O grupo argentino Donmario, da área de agrociência, já está arando o terreno para seus próximos projetos no Brasil. A empresa pretende avançar no mercado de genética de sementes. Uma das ideias é fechar acordos diretamente com grandes cooperativas agrícolas, oferecendo mudas adaptadas aos mais diferentes tipos de solo e resistentes aos mais variados tipos de insetos.
Trata-se de um mercado que movimenta cerca de R$ 25 bilhões por ano. Em março deste ano, a Donmario fechou a compra das operações de sementes de milho e sorgo da alemã KSW no Brasil – o pacote envolveu ainda Argentina, Paraguai e Uruguai. Em 2023, já havia adquirido outra empresa no Brasil, a Biotrigo.
Agronegócio
Lula entra na mira dos grandes produtores de arroz
30/08/2024Mais um caroço no relacionamento entre Lula e o agronegócio: a bancada ruralista e grandes produtores de arroz estão articulando uma campanha de alcance nacional, que deverá englobar de anúncios publicitários a eventos. Para todos os efeitos, o mote será valorizar a rizicultura nacional e a importância do arroz para a segurança alimentar no Brasil. No entanto, o que se diz no setor é que a iniciativa mira diretamente em Lula. Seria uma resposta às recorrentes críticas do presidente aos produtores do cereal, vista por muitos como mais uma tentativa do petista de vilanizar o agronegócio e jogar para o setor a culpa pelo aumento de preços. Lula, de fato, não tem poupado os agricultores. Nesta semana, disse publicamente que “está no pé” do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, para baixar o valor do arroz. Em maio, Lula já havia afirmado que ficou “nervoso” ao ver o preço do arroz no supermercado.
Agronegócio
Alto endividamento é uma erva daninha no solo da AgroGalaxy
23/08/2024A AgroGalaxy – uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do Brasil, com faturamento de quase R$ 10 bilhões por ano – teria iniciado conversações com os bancos credores para a renegociação do seu passivo de curto prazo, da ordem de R$ 1,5 bilhão.
O nível de alavancagem da companhia está se tornando um fardo difícil de carregar. A relação dívida líquida/Ebitda bateu em 8,5 vezes no segundo trimestre deste ano. A situação já está passando do “desconfortável” para o preocupante.
A AgroGalaxy tem contratos de financiamento e empréstimos com covenants que preveem um endividamento de curto prazo igual ou inferior a 2,8 vezes o Ebitda. Ou seja: tecnicamente, esses credores já poderiam executar a dívida antecipadamente. Em tempo: o mercado vem punindo a AgroGalaxy da forma que melhor sabe fazer.
Somente neste ano, a companhia perdeu cerca de 65% do seu market cap. Consultada pelo RR, a AgroGalaxy disse que “os efeitos das mudanças que fez nos últimos meses, em busca de mais eficiência e agilidade, se tornaram mais evidentes no 2T24”.
A empresa afirmou ainda que “permanece dedicada em melhorar diariamente sua produtividade e eficiência operacional. Tais medidas são essenciais para enfrentar a volatilidade e os desafios do mercado.” Sobre a dívida e a negociação com os credores, nenhuma palavra
Agronegócio
Uma potência agrícola frutifica no Nordeste
19/08/2024
Agronegócio
Será que depois da enchente o agro gaúcho terá de enfrentar gafanhotos?
5/08/2024O Ministério da Agricultura está trabalhando com vigilância fitossanitária em grau máximo na Região Sul. A área técnica da Pasta monitora a praga de gafanhotos que se espalha por lavouras de diversas províncias da Argentina e levou o governo daquele país a decretar estado de emergência. Segundo informações filtradas do Ministério, neste momento não há indicativos de que a nuvem de insetos esteja se deslocando em direção à fronteira com o Brasil. Há, no entanto, o risco de que essa situação se altere em função de mudanças climáticas. Em 2020, não custa lembrar, em meio à pandemia, diversas áreas de plantio do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina foram duramente atingidas por uma invasão de gafanhotos. A repetição de uma praga em proporções similares era só o que faltava para o agronegócio gaúcho, que ainda contabiliza as perdas da tragédia das chuvas no estado.
Agronegócio
Terra Santa quer cortar sua alavancagem pela raiz
25/07/2024Há informações no mercado de que a Terra Santa Propriedades Agrícolas estuda uma emissão de títulos com o objetivo de alongar o perfil do seu endividamento. O passivo de curto prazo tornou-se uma erva daninha que tem crescido em ritmo preocupante para os acionistas da companhia, a começar pelo principal deles, o notório Silvio Tini – um dos maiores investidores ativistas do mercado de capitais brasileiro. Entre dezembro de 2022 e março deste ano, a relação dívida líquida/Ebitda saltou de 0,4 para 1,9 vez. Significa dizer que a Terra Santa, uma das maiores proprietárias de terras do Brasil, perdeu gordura e já não está mais em uma posição tão confortável no que diz respeito a seus covenants financeiros. Os contratos de empréstimo da empresa preveem execução automática caso a relação dívida líquida/Ebitda chegue a três vezes. Procurada, a Terra Santa não se manifestou.
Agronegócio
Canaviais brasileiros entram no radar da China
27/06/2024
Agronegócio
Leilão de arroz deve provocar mais uma degola na Agricultura
18/06/2024O conturbado leilão de arroz deve derrubar mais um no governo. Nos corredores do Ministério da Agricultura, o entendimento é que o destino do diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Thiago José dos Santos, já está selado, e sua demissão em definitivo é apenas questão de tempo.
Na semana passada, a Pasta anunciou que Santos afastou-se temporariamente do cargo em licença remunerada. Entre os próprios assessores mais próximos do ministro Carlos Fávaro, o que se diz é que essa foi uma saída para inglês ver, como forma de evitar o desgaste político de duas demissões pelo mesmo motivo em menos de três dias – o escândalo do arroz já derrubou Neri Geller, secretário de Política Agrícola. Ressalte-se que Thiago José dos Santos, teólogo de formação, teria chegado ao cargo por indicação do próprio Geller.
Agronegócio
Operação tartaruga breca importações de fertilizantes e defensivos
24/05/2024As orelhas do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, devem estar vermelhas feito pimentão. Fávaro tem ouvido um bocado de reclamações de importadores de fertilizantes e defensivos agrícolas. Nas últimas semanas, agentes da Secretaria de Defesa da Pasta têm feito uma operação padrão em alguns portos, como forma de pressão por um novo plano de carreira. Inspeções normalmente realizadas em uma semana estão levando quase um mês, com duplo prejuízo aos importadores. Eles não recebem pela venda da carga e ainda têm de pagar um custo maior de demurrage ao operador portuário, pelo uso de contêiners por prazos além do previsto em contrato.
Agronegócio
Estimativa sobre a produção de trigo no sul ainda é um voo no escuro
20/05/2024A estimativa de que a área plantada de trigo no Rio Grande do Sul será 11% menor na próxima safra ainda é tratada no Ministério da Agricultura como um cálculo preliminar e pouco preciso. A demora na descida dos níveis da água nas principais regiões produtoras é um obstáculo para a área técnica da Pasta aferir o tamanho do estrago. Na verdade, são duas medições em uma só: a extensão de terras que já havia sido semeada – o período de plantio começou exatamente no início do maio, estendendo-se até julho – e o impacto das chuvas sobre essas regiões. Na própria equipe de Carlos Fávaro, não falta quem considere as declarações do ministro, dizendo que o governo não pretende aumentar as exportações e que não existe perspectiva de impacto das enchentes sobre os preços do trigo, demasiadamente otimistas e precipitadas.
Agronegócio
Um nome de prestígio para ser o “embaixador” da carne brasileira
3/05/2024A cadeia da proteína animal ganhou um reforço de peso, capaz de amplificar ainda mais sua representatividade no exterior. O embaixador Roberto Azevedo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), está prestando consultoria à Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). Na entidade, a aposta é que a “consultoria” seria apenas um rito de passagem para Azevedo assumir a presidência da Abiec – o burburinho nos corredores da associação é que o atual nº 1, Antônio Camardelli, deve deixar o cargo neste ano.
Agronegócio
Ministério da Agricultura rechaça pressão por barreiras à importação de leite
11/04/2024Há um novo ponto de azedume nas relações entre o agronegócio e o governo Lula. Produtores de leite, notadamente do Sul do país, levaram ao ministro Carlos Fávaro uma lista de reivindicações. Mas Fávaro já cortou a principal delas: a aplicação de medidas antidumping contra as importações de leite e derivados da Argentina e do Uruguai. É hora de tolerância à lactose alheia. Neste momento, a criação de barreiras alfandegárias só levaria mais tensão à já instável relação entre os membros do Mercosul.
Agronegócio
Recuperações judiciais acirram fricção entre governo e agronegócio
10/04/2024A onda de pedidos de recuperação judicial no campo está provocando mais um tiroteio cruzado entre o agronegócio e o governo Lula. De um lado, os proprietários rurais atiram contra o Ministério da Agricultura e cobram medidas emergenciais de apoio ao setor, como o aumento do subsídio ao crédito rural – proposta já em estudo na Pasta, conforme o RR informou hoje pela manhã. Do outro, o ministro Carlos Fávaro e seu secretário de Política Agrícola, Neri Geller, disparam na direção da Aprosoja, uma das maiores poderosas entidades representativas do agronegócio. Em conversas reservadas com parlamentares, Fávaro e Geller atribuem parte da culpa pelo aumento das recuperações judiciais à falta de uma regulamentação específica para o Fiagro (Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais). A dupla alega que, há três anos, quando da aprovação da Lei do Fiagro, a Aprosoja orientou a bancada ruralista a não votar a regulação do novo instrumento de crédito para agilizar sua entrada em vigor. A própria CVM incluiu o tema na lista de prioridades da sua Agenda Regulatória para 2024.
Agronegócio
Experimento da Embrapa promete aumentar a produtividade da cafeicultura brasilera
8/04/2024O RR apurou que a Embrapa vai anunciar nesta semana os primeiros resultados de um novo experimento tecnológico com potencial de ampliar ainda mais o peso do Brasil no mercado internacional de café. Os dados do estudo, realizado em oito regiões diferentes de Minas Gerais, indicam a possibilidade de um significativo salto de produtividade para as próximas colheitas. De acordo com a mesma fonte, os testes com 16 tipos de arábica demonstraram a possibilidade de uma produção de 33 sacas por hectare – a atual média nacional é de 26,7 sacas por hectare. A Embrapa utilizou pés de café com características agronômicas superiores, com maior resistência a pragas e doenças, como ferrugem e nematóide.
O Brasil já é líder mundial no plantio de café, tanto no volume quanto na produtividade. Os novos avanços tecnológicos devem não apenas aumentar essa distância para os principais concorrentes internacionais como dificultar o ingresso de outros países no clube dos produtores da commodity, tanto para variedade arábica como também para a robusta. A Embrapa é o Brasil que deu muito certo.
Agronegócio
Produtores de carne suína dos Estados Unidos vasculham aquisições no Brasil
26/03/2024Um grupo de donos de frigoríficos dos Estados Unidos, reunidos sob a égide da National Pork Producers Council (NPPC), tem circulado discretamente no Brasil. Segundo a fonte do RR, já visitou unidades de abate em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A agenda prevê também compromissos com autoridades. O objetivo dos suinocultores é colocar um pé na cadeia da proteína no Brasil, com a aquisição de frigoríficos. A National Pork Producers Council tem um papel importante nessa investida. A entidade é um híbrido de aparelho de lobby e de agência de negócios para os produtores de suínos norte-americanos, tanto dentro quanto fora dos Estados Unidos. A NPPC administra um fundo de investimentos próprio, com recursos aportados pelos próprios suinocultores, que repassam um percentual do seu faturamento.
Agronegócio
Governo Lula bate cabeça até para anunciar medidas positivas
18/03/2024A apresentação do plano emergencial de apoio ao agronegócio, que será lançado ainda neste mês, está gerando discussões no governo que sequer deveriam existir. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, quer levar o jogo para a casa do “adversário”, organizando um grande evento com a presença de Lula na região de Rondonópolis (MT), uma das maiores produtoras de grãos do Brasil. Seria uma forma de reunir agricultores, proprietários de terras, dirigentes de entidades empresariais do setor e membros da bancada ruralista ao redor do presidente. No entanto, colaboradores no entorno de Lula, a começar pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, defendem que a divulgação seja feita no próprio Palácio do Planalto, pelo temor de protestos contra o presidente.
Agronegócio
Ministro da Agricultura veste o figurino de árbitro entre produtores e tradings
16/02/2024O ministro Carlos Fávaro encampou uma ideia levada a ele pela Frente Parlamentar da Agricultura e pela influente Aprosoja. Trata-se da proposta de que o próprio Ministério da Agricultura atue como mediador junto a grandes tradings para a renegociação de contratos firmados com agricultores. O ponto mais sensível é a cláusula de washout.
O dispositivo permite a recompra de uma posição de venda a futuro, em razão da impossibilidade de honrar a entrega do produto. Por conta dos extremos climáticos, notadamente o El Niño, há o risco de que o gatilho seja acionado em razoável escala no agronegócio brasileiro. Uma parcela significativa dos produtores não conseguirá atender os volumes determinados em contrato, o que daria às tradings o direito de cobrar pesadas multas.
O receio no Ministério é que, dependendo da proporção, a cobrança das indenizações aos agricultores provoque um efeito-dominó, gerando uma espiral de inadimplência no setor.
Agronegócio
Tabaco divide governo brasileiro na COP-10
6/02/2024A posição do Brasil na COP-10 (Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco), que vai até o próximo sábado, no Panamá, é objeto de divergências dentro do governo. Segundo o RR apurou, ainda ontem os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, trabalhavam nos bastidores para suavizar o relatório final que será apresentado na conferência. O Ministério da Saúde, que será representado pela secretária-executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro, Vera Luiza da Costa e Silva, defenderá o rígido fortalecimento do controle do tabagismo.
Fávaro e Teixeira querem contrabalançar o posicionamento da área da Saúde evitando qualquer compromisso que afete diretamente os produtores de cultura. De fato, não é simples se chegar a um denominador comum. Trata-se de um assunto sensível, devido a questões de ordem econômica e social: há mais de 70 mil famílias no Brasil que atual na fumicultura.
Agronegócio
Embrapa vira um importante instrumento de política externa
29/01/2024Os governos do Brasil e de Angola negociam um parceria para o desenvolvimento e plantio de sementes geneticamente modificadas no país africano, a começar por soja. As tratativas se dão no âmbito dos acordos de cooperação firmados entre os dois países durante a visita oficial de Lula a Luanda, em agosto do ano passado. O projeto passa diretamente pela Embrapa, com o fornecimento de tecnologia e o envio de técnicos da empresa ao país africano. Ressalte-se que a estatal já tem um papel importante nas relações entre Brasil e Angola, mais precisamente no desenvolvimento de genética avícola. Recentemente, a Embrapa enviou para Luanda um carregamento de quatro mil pintos.
Agronegócio
Transgênicos: um avanço exemplar em duas décadas
22/01/2024Em novembro deste ano, o governo federal vai celebrar 20 anos do desenvolvimento e posterior liberação no uso de sementes geneticamente modificadas no Brasil. A data não vai passar em branco. O feito deve motivar uma campanha publicitária promovida pelos Ministérios da Agricultura e da Ciência, Tecnologia e Inovação, este último a quem o CTNBio está subordinado. Nestas duas décadas, o país avançou bastante nessa área. Estima-se que 100% das sementes de algodão plantadas no Brasil no ano passado eram geneticamente modificadas, assim como 95% das de soja e 80%, das de milho.
Agronegócio
Cazaquistão quer parceria com a Embrapa para a produção de soja
19/01/2024A Embrapa pode mostrar a qualidade do serviço que realiza em um continente bem distante do Brasil. O Governo do Cazaquistão procurou a estatal interessado em investir no cultivo de soja. A ex-República da União Soviética é grande produtora de petróleo, gás natural e urânio. Mas importa praticamente toda a soja que consome, inclusive com aquisições do cereal no Brasil.
O cultivo comercial em larga escala da soja foi uma das primeiras experiências bem sucedidas da Embrapa no Brasil. Em contato com o RR, a estatal confirmou que “foi procurada, entre os anos de 2019 e 2021, pelo governo do Cazaquistão, que manifestou interesse em parcerias sobre vários temas: recursos naturais e mudanças climáticas; nanotecnologia e biotecnologia; automação, agricultura de precisão, tecnologia da informação; segurança zoofitossanitária; tecnologia agroindustrial e química verde; segurança dos alimentos, nutrição e saúde.”. Segundo a estatal, até o momento não foi efetivado Projeto de Cooperação Técnica específico. O acordo referente a soja pode ser o adubo que falta para uma parceria mais ampla.
Agronegócio
Inpasa consegue licença ambiental para usina de etanol de milho
16/01/2024O RR apurou que o Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) vai emitir este mês a licença ambiental para a usina de etanol de milho que a Inpasa começou a construir em setembro do ano passado, em Sidrolândia. A unidade terá capacidade também de transformar sorgo em biocombustível. Cada armazém a ser erguido pode estocar cerca de 1 milhão de toneladas de milho. Com o aval do Imasul, o plano de iniciar as operações em dezembro deste ano está valendo. A Inpasa quer se embriagar de etanol no estado. A empresa opera uma outra planta em Dourados, com capacidade para cerca de 1 bilhão de litros de etanol por ano e mais 57 mil toneladas/dia de óleo de milho.
Agronegócio
Agricultores e a indústria do fumo tem semana decisiva na venda do produto
15/01/2024A British American Tobacco (ex-Souza Cruz) é uma das sete empresas fumageiras que têm reunião marcada com representantes das federações de agricultura do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mais a Associação dos Fumicultores do Brasil, amanhã, para tratar da compra de fumo da safra 2023-2024. Conforme o RR antecipou, em dezembro a Japan Tobacco International (JTI) saiu na frente da concorrência, colocou uma proposta na mesa e um acordo deve ser selado até sexta-feira. Além da BAT, vão iniciar tratativas com os produtores a China Brasil, a Continental Tobaccos Aliance, a Alliance One, a Tabacos Marasca, a Universal Leaf e a Brasil Indústria e Comércio de Tabaco. As conversas vão acontecer no Vale do Rio Pardo (RS), maior região produtora de fumo do Brasil.
Agronegócio
Uruguai deve aumentar importações de frango brasileiro
9/01/2024O Ministério da Agricultura e grandes grupos frigoríficos brasileiros têm recebido saborosas informações de bastidores da diplomacia brasileira no Uruguai. O relato, em petit comité, é que o governo do país vizinho deverá liberar novas licenças para a importação de carne de frango do Brasil. Há uma pressão do varejo local pelo aumento das compras externas, em reação ao aumento dos preços do produto – 15% desde outubro.
Agronegócio
Frente da Agricultura prepara a terra para o aumento do seguro-rural
5/01/2024A Frente Parlamentar da Agricultura está conduzindo uma engenhosa operação para garantir o aumento do seguro-rural em 2024. O primeiro passo se deu com a inclusão de uma emenda na Lei de Diretriz Orçamentária (LDO), assegurando que os recursos destinados ao Programa de Subvenção do Seguro Rural (PSR) não poderão sofrer contingenciamento.
Agora, vem a segunda parte da estratégia. O RR apurou que a bancada ruralista negocia com o ministro Carlos Fávaro uma significativa elevação do valor previsto no orçamento para o PSR. Alguns parlamentares falam até na duplicação da cifra, hoje de R$ 1,06 bilhão. Valem-se do argumento de que o governo terá de esticar o cobertor para cobrir os danos dos extremos climáticos sobre alguns segmentos do agronegócio. O El Niño, por exemplo, que age intensamente há quase seis meses, deverá perdurar até abril, com efeitos ainda incertos sobre a próxima safra. Com o gatilho estrategicamente incluído na LDO, caso consigam dobrar o orçamento do seguro-rural, os ruralistas teriam a sua disposição o valor integral de R$ 2 bilhões sem risco de cortes.
Consultado, o Ministério da Agricultura e Pecuária corroborou a apuração do RR, embora sem falar em valores, salientando que “a partir da abertura dos devidos prazos, mediante a confirmação de valores na Lei Orçamentária, poderá ser solicitada a recomposição e acréscimo de dotações para o custeio das referidas atividades”.
Agronegócio
Estimativas para a próxima safra de soja são pouco animadoras
2/01/2024O RR apurou que a Conab vai divulgar na segunda semana de janeiro uma estimativa para a safra de soja 2023/24. De acordo com uma fonte do Ministério da Agricultura, a expectativa é de uma projeção próxima de 158 milhões toneladas. Ou seja: sem grande variação em relação à safra ora em curso, de 154,6 milhões de toneladas. O empate com a safra anterior já é uma derrota. E as sucessivas reduções da estimativa de produção reforçam o revés. Não custa lembrar que o ciclo atual foi duramente atingido por extremos climáticos, notadamente o El Niño. O fenômeno, por sinal, ainda impacta o agronegócio, com excessos de chuva no Rio Grande do Sul.
Agronegócio
Bancada ruralista exige aumento de subsídios para produtores de trigo
19/12/2023Líderes da Frente Parlamentar da Agricultura têm cobrado do ministro Carlos Fávaro um aumento das subvenções aos produtores de trigo. Entre os pleitos da bancada ruralista está o aumento do número de leilões da Conab para o apoio à comercialização do cereal da safra 2023/24. Nos últimos 40 dias, a estatal já realizou seis rodadas para subsidiar o escoamento do produto e garantir um preço mínimo ao agricultor. Nesse período, mais de 700 mil toneladas de trigo foram vendidas com o financiamento do governo. O pleito é justo. As secas atingiram duramente a produção de trigo – no Rio Grande do Sul, a quebra de safra passa dos 30%. O problema é que o custo dessa ajuda não está previsto no Orçamento de 2024. E os R$ 400 milhões liberados ao Ministério da Agricultura para subsidiar a comercialização já foram quase todos consumidos.
Agronegócio
Embrapa cria aplicativo de medição de emissões de carbono
12/12/2023De primeira: no rastro da COP 28, a Embrapa vai lançar hoje um aplicativo para a medição de estoques de carbono e emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas plantações de erva-mate. A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a Fundação Soledad. A ideia da estatal é elaborar sistemas similares para outras culturas agrícolas. A erva-mate está entre as 13 práticas mitigadoras de GEE dentro do Plano ABC+, elaborado pelo Ministério da Agricultura para estimular a adoção de sistema e processos de produção sustentável no agronegócio.
Agronegócio
Grupo chinês ensaia investimento bilionário em amido no Brasil
8/12/2023A Ningxia Eppen, empresa de agrobiotecnologia da China, já bateu o martelo: vai instar uma fábrica de aminoácidos a partir do milho no Brasil. A questão é onde? Mato Grosso saiu na frente. Mas, nas últimas semanas, os governos de Goiás e Rio Grande do Sul entraram na disputa. Emissários da empresa devem visitar os dois estados ainda neste ano. A queda de braço federativa se justifica pelo tamanho da “colheita”. Tem governador disposto a ajoelhar no milho para fisgar o projeto, orçado em aproximadamente R$ 3 bilhões.
Agronegócio
Fávaro vai in loco buscar recursos na China
4/12/2023O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, está articulando uma viagem à China no início de 2024. Fávaro quer voltar de lá com um acordo assinado para investimentos na recuperação e conversão de pastagens em áreas plantáveis. Há ironias no Ministério que Fávaro é capaz de ir a China e ficar por lá mesmo. Aqui seu cargo seria entregue a algum outro postulante do Centrão com uma moeda de troca mais valiosa.
Agronegócio
Blairo Maggi constrói pontes entre o Planalto e o campo
28/11/2023O presidente Lula vem mantendo interlocução permanente com Blairo Maggi. O ex-ministro da Agricultura tem atuado nos bastidores para distensionar as relações entre o governo e o agronegócio. É uma missão cheia de sensibilidades, como a agenda das invasões de terra. Em uma das conversas mais recentes, segundo o RR apurou, Maggi levou ao presidente da República o pleito do agro para que “Lula segure o MST”.
Agronegócio
Brasil fecha um arco de investimentos soberanos para ampliar sua área agrícola
21/11/2023O governo Lula quer aproveitar a COP 28, entre os dias 30 de novembro e 12 de dezembro, em Dubai, para anunciar um cinturão de parcerias bilaterais voltadas à recuperação e conversão de pastagens no Brasil. Segundo o RR apurou, além do acordo já engatilhado com o Salic (Saudi Agricultural and Livestock Investment Company), fundo da família real da Arábia Saudita, há negociações avançadas com os Emirados Árabes e a China. No primeiro caso, os aportes serão feitos pelo ADQ (Abu Dhabi Developmental Holding Company).
O fundo soberano, que administra aproximadamente US$ 170 bilhões em ativos, tem sido o veículo usado pelos Emirados Árabes para investimentos globais em projetos vinculados a metas ESG. Nos últimos dois anos, o ADQ vem se notabilizando por aportes em empresas e iniciativas da cadeia de abastecimento alimentar. Do lado chinês, de acordo com informações que circulam no Ministério da Agricultura, o projeto deverá ter a participação da Cofco.
Maior processador e fabricante de alimentos da China, a companhia estatal tem expressivos investimentos no Brasil na produção de grãos. No Ministério da Agricultura, a estimativa é que os acordos com Arábia Saudita, Emirados e China permitirão a recuperação e conversão de até 30 milhões de hectares para a agricultura, o equivalente à metade de toda a área plantada do país. Ressalte-se que Lula chegará à Dubai, para a COP 28, na crista da onda.
Um ano após a sua participação na COP 27 como presidente eleito, quando assumiu uma série de compromissos ambientais, vai capitalizar aos olhos do mundo a queda de 22% do desmatamento na Amazônia Legal.
Agronegócio
Governo avalia propostas para mitigar prejuízos dos produtores de trigo
17/11/2023A Frente Parlamentar da Agricultura pressiona o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, para que o governo lance medidas de apoio aos produtores de trigo, notadamente do Rio Grande do Sul. Após as secas do ano passado, a safra atual foi duramente atingida pelas chuvas provocadas pelo El Niño. O principal pleito da bancada ruralista é para que a Conab faça leilões públicos para a compra do trigo tipo exportação. Seria uma forma de conter a queda dos preços e cobrir parte das perdas impostas aos agricultores. Nos últimos 12 meses, o valor do trigo acumula uma redução em torno de 25% no mercado interno. Estimativas da própria Conab indicam uma queda de 30% na produção no comparativo com a safra anterior. O El Niño é duplamente danoso: além de afetar o desenvolvimento das plantas, as fortes chuvas impedem o acesso de máquinas às lavouras, atrasando o cronograma de colheita.
Agronegócio
Minerva e Marfrig buscam no Paraguai uma cabeça de ponte para os EUA
16/11/2023Minerva e Marfrig têm se movimentado para comprar frigoríficos no Paraguai. A corrida por ativos se deve à recente decisão dos Estados Unidos de liberar as importações de carne in natura do país sul-americano a partir do mês que vem. Os paraguaios estavam fora do mercado norte-americano desde 1998.
Agronegócio
China vai irrigar as lavouras de Goiás
14/11/2023Uma comitiva enviada pelo ministro da Agricultura e Assuntos Rurais da China, Han Changfu, é aguardada em Goiás na primeira semana de dezembro. Em pauta, um grande projeto de manejo sustentável de lavouras e recuperação de terras para plantio com recursos do governo chinês. Trata-se do primeiro fruto da recente viagem do governador Ronaldo Caiado a Pequim.
Agronegócio
Produtores brasileiros de óleo de soja acirram disputa pelo mercado indiano
6/11/2023O agronegócio brasileiro fez um movimento pontual, mas absolutamente estratégico. Segundo informação publicada há pouco pelo veículo indiano The Economic Times (https://economictimes.indiatimes.com/industry/cons-products/food/indias-sea-sign-mou-with-brazils-abiove-for-soyabean-oil-imports/articleshow/105014585.cms), a Solvent Extractor’s Association of India (SEA) assinou um memorando de entendimento com a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) para a importação do óleo de soja. A SEA é a principal entidade representativa do segmento de óleos vegetais da Índia, respondendo por mais de 800 empresas locais. O país asiático é o maior comprador de óleos comestíveis do mundo – 15 milhões de toneladas por ano. Em 2022, o Brasil exportou 1,4 milhão de toneladas do óleo para a Índia, número que deverá ser suplantado neste ano. Até setembro, as vendas somam a 1,2 milhão de toneladas.
Obs RR: O acordo com os indianos é um importante movimento defensivo da agroindústria brasileira. O objetivo é proteger seu mercado, que começa a ser ameaçado por outros grandes produtores globais. Players como Malásia, Indonésia e Tailândia têm comercializado volumes cada vez maiores de óleo de palma na Índia, o que, no médio prazo, pode afetar significativamente as vendas de óleo de soja do Brasil. Trata-se de uma disputa razoavelmente acirrada. Os produtores da Malásia e da Indonésia costumam adotar uma política agressiva de descontos, quase um dumping, para ganhar mercado na Índia. Para não falar dos custos logísticos mais competitivos, em razão das menores distâncias.
Agronegócio
“COP do tabaco” provoca divisões dentro do governo
6/11/2023Há fissuras no governo em relação à posição que o Brasil adotará na 10ª Conferência das Partes (COP 10) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, de 20 a 25 de novembro, no Panamá. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, defende uma postura de neutralidade, devido à importância econômica do fumo para o agronegócio. O Brasil é o maior exportador mundial do produto, para não falar mais de 70 mil famílias dependentes da fumicultura. Do lado oposto, está Marina Silva. No que depender da ministra do Meio Ambiente, o Brasil vai referendar o voto dado na COP 27, no Egito, a favor de restrições à cadeia produtiva. Marina tem um histórico de pouca simpatia, para dizer o mínimo, pelo setor tabagista. Em 2014, então candidata à Presidência da República, negou-se a receber doações de campanha de fabricantes de cigarros e bebidas alcoólicas.
Agronegócio
Governo amplia o socorro aos produtores de trigo
30/10/2023O Ministério da Agricultura decidiu aumentar o pacote de ajuda aos produtores de trigo. Segundo o RR apurou, além dos dois leilões de compra do cereal previstos para amanhã, a Conab vai realizar ao menos mais duas operações semelhantes na primeira quinzena de novembro. Os recursos reservados pelo governo para a aquisição de trigo, por meio do Prêmio de Escoamento de Produto (PEP), deverão subir dos R$ 400 milhões previstos inicialmente para cerca de R$ 600 milhões.
Nos leilões de amanhã, a estatal pagará R$ 79,17 pela saca de 60 kg, mas há forte pressão da bancada ruralista para que esse valor seja aumentado nas próximas aquisições, como forma de compensar os agricultores pelas fortes perdas acumuladas. Atualmente, a saca do trigo no mercado interno está cotada por volta dos R$ 55. Trata-se de um preço muito abaixo do patamar mínimo estabelecido pelo Ministério da Agricultura para a safra de 2023: R$ 87,77 para o trigo Tipo 1 e R$ 75,19 para o Tipo 2.
Agronegócio
Brasil e China semeiam acordo bilateral para produção e exportação de milho
24/10/2023A estratégia da China de fazer do Brasil o seu grande supridor de alimentos agrícolas vai avançar mais alguns hectares. Os dois países negociam um acordo com o objetivo de aumentar a área de plantio de milho em terras brasileiras e consequentemente as exportações do cereal. As tratativas, conduzidas pelo Ministério da Agricultura, envolvem investimentos chineses em manejo sustentável de lavouras e pesquisas em agrociência, que poderão ser realizadas em conjunto com a Embrapa.
De acordo com a mesma fonte, companhias da China deverão participar do projeto. É o caso da Ningxia Eppen Biotech, uma das maiores empresas locais de agrobiotecnologia. Um importante passo para a parceria será dado nesta semana. O RR apurou que uma comitiva com quatro emissários do governo chinês e representantes de empresas do país asiático está no Brasil para reuniões e visitas técnicas. Hoje, o grupo terá uma agenda em Goiás.
O milho é a semente de um projeto ainda maior, que começou a ser cultivado em abril, quando da visita de Lula a Xi Jinping, em Pequim. Os chineses já sinalizaram o interesse em investir na conversão de grandes extensões de pastagens brasileiras em áreas de plantio de grãos, mediante a garantia de fornecimento de parte da produção. Trata-se de um movimento bastante engenhoso de Pequim em seu projeto de ocupação de espaços no agronegócio brasileiro.
A China não vai se limitar à importação do produto final. O país está literalmente comprando o Brasil na raiz, colocando dinheiro em agrociência, no manejo de terras e na expansão das lavouras, de onde sairão alimentos para a população chinesa.
A China tem fome de Brasil e o milho representa bem esse apetite comercial. Que o diga a balança comercial. Apenas um ano após o início dos embarques, a China já é o maior importador de milho do Brasil, deixando para trás “clientes” que há anos ocupavam as primeiras posições do ranking, como Japão, Vietnã e Coreia do Sul. Neste ano, os chineses deverão comprar algo em torno de sete milhões de toneladas do cereal. Com isso, o Brasil passou a ocupar um lugar privilegiado, deslocando países como Estados Unidos e Ucrânia, que, até o ano passado, lideravam o fornecimento de milho para o país asiático.
Agronegócio
Depois da carne, fundo árabe avança sobre a soja brasileira
23/10/2023O Salic, fundo soberano da Arábia Saudita para o agronegócio, já elegeu sua próxima investida no Brasil. Vai financiar projetos de manejo sustentável do solo para a produção de soja. O ponto de partida será o Centro-Oeste. É mais um movimento do Salic para fazer do Brasil uma grande base de suprimento alimentar para a Arábia Saudita. Na cadeia da proteína animal, os árabes já são acionistas da Minerva Foods e da BRF. Recentemente, fecharam também um acordo com o governo brasileiro para financiar a recuperação de mais de 40 milhões de hectares de pastagens no país.
Agronegócio
Agricultura prepara campanha para conter avanço da gripe aviária
19/10/2023No rastro do aumento dos casos de influenza aviária, o Ministério da Agricultura planeja uma campanha nacional de alerta contra a doença. Com a proximidade das férias de fim de ano, o fluxo de turistas, notadamente em reservas ambientais, passa a ser uma preocupação adicional para os órgãos de controle fitossanitário. O receio da Agricultura é que o vírus se espalhe a partir do contato de viajantes com aves silvestres. Até ontem, o Ministério da Agricultura contabilizava 127 focos comprovados, ou seja, com ao menos um caso confirmado de contaminação. Trata-se de uma ameaça ao agronegócio e à balança comercial. À medida que o número de registros cresce, sobe junto o risco de embargos a frigoríficos brasileiros. Entre julho e setembro, o Japão, segundo maior comprador de carne de frango do Brasil, chegou a suspender as importações de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Agronegócio
Fumo ganha mais peso nas relações comerciais entre Brasil e China
3/10/2023O Brasil negocia um acordo com a China para aumentar as exportações de fumo a partir de 2024. As tratativas se dão no âmbito do protocolo bilateral de comércio entre os dois países. Segundo informações filtradas do Ministério da Agricultura, nas últimas três semanas técnicos do governo chinês conduziram uma inspeção das lavouras brasileiras, notadamente no Rio Grande do Sul, que responde por pouco mais da metade da safra brasileira de tabaco. A partir da auditoria, a China deverá habilitar novos produtores. No ano passado, as exportações de fumo para o país asiático totalizaram 62 mil toneladas (ou cerca de US$ 400 milhões), 19% a mais do que em 2021. Na Pasta da Agricultura, a estimativa é de um aumento médio de 30% nos próximos dois anos, o que colocará o Brasil em condições de tirar o lugar do Zimbábue, hoje o maior vendedor de tabaco para os chineses.
O acordo, ressalte-se, não mexe apenas com a balança comercial brasileira. O aumento das vendas para a China pode ter um impacto razoável no mercado interno, com a alta dos preços cobrados pelos agricultores aos dois grandes compradores de fumo no país: a Philip Morris e, sobretudo, a BAT Brasil. Neste ano, os produtores conseguiram, a duras penas, arrancar um reajuste de 6,5% à mesa de negociações com os dois fabricantes. No setor, há projeções de que esse índice pode chegar perto dos 10%, puxado pela maior demanda por parte da China.
Agronegócio
Produtores de fumo tentam brecar queda dos preços na próxima safra
20/09/2023Os grandes produtores de fumo do Brasil estão recalibrando o tamanho da safra 2023-24. A própria Associação dos Fumicultores do Brasil tem orientado agricultores a não elevaram a área plantada e o número de pés por hectare. O objetivo é evitar um aumento excessivo da oferta e consequentemente uma forte queda das cotações no próximo ciclo. Além das exportações, os produtores miram também na sempre dura negociação de preço com as fabricantes de cigarros do país, leia-se BAT, Philip Morris e o “resto”.
A medida tem um caráter emergencial diante dos pesados prejuízos que os fumicultores têm acumulado na atual safra. Em algumas regiões do Rio Grande do Sul, onde estão as maiores plantações do país, mais de 20% das lavouras foram devastadas pelo ciclone que passou pelo estado há duas semanas. Na atual safra, a situação só não foi pior por conta do aumento das exportações para a Índia – algo em torno de 6% – devido à seca que assolou o país asiático.
Agronegócio
Camil e Josapar correm atrás de cada grão de arroz
13/09/2023As maiores processadoras de arroz do país, a exemplo da Camil e da Josapar, enfrentam problemas para manter seus níveis de estoque, notadamente para o fim do ano. De um lado, está a queda da safra brasileira 2022-2023, cerca de 7% menor do que a anterior; do outro, as dificuldades encontradas para a importação do produto. No Paraguai, o maior fornecedor de arroz para o Brasil (quase 60% do volume total), os preços subiram 20% nos últimos 12 meses. No Uruguai, de onde vêm aproximadamente 25% das importações brasileiras, as empresas brasileiras também se deparam com um cenário adverso. As cotações dispararam e praticamente não há arroz disponível. “Culpa” da Índia, comprou uma parcela expressiva dos estoques uruguaios.
Agronegócio
A Índia está trocando de óleo. O que pode ser uma má notícia para o agro brasileiro
4/09/2023Segundo notícia publicada há pouco pelo The Times of India, um dos grandes jornais locais, o país asiático importou em agosto cerca de 1,12 milhão de óleo de palma, o maior volume em nove meses. O produto veio, sobretudo, de Indonésia, Malásia e Tailândia. O número tende a crescer nos próximos meses, em razão dos preços globais mais baixos se comparados aos “concorrentes” óleo de soja e óleo de girassol. Some-se o fato de que a Índia teve o agosto mais seco em um século, com 36% a menos do que a média histórica de chuvas no mês. A seca afetou a produção local de soja, aumentando a necessidade de importações.
Obs RR: As notícias que vêm da Índia são um alerta para o agronegócio brasileiro. Os preços mais baixos e a alta oferta de óleo de palma nos países asiáticos podem levar os indianos a reduzirem as importações globais de óleo de soja, com impacto direto sobre o Brasil. Seria um revés justo no momento em que a agroindústria brasileira vive – ou vivia – um momento bastante favorável nas vendas da commodity para aquele país. No ano passado, as exportações de óleo de soja do Brasil para a Índia duplicaram em relação a 2021 – saindo de 642 toneladas para 1,2 mil toneladas. Na comparação com 2020, o salto chega a 235%. O Brasil é o quinto maior fornecedor de óleo vegetal comestível para os indianos. Agora, no entanto, corre o risco de ser deslocado pelos grandes produtores asiáticos de óleo de palma. Com os valores mais baixos, Indonésia, Malásia e Tailândia tendem a se beneficiar da decisão do governo indiano de reduzir as alíquotas para a importação de óleo de 24,5% para 5,5%, tomada no ano passado. O Brasil se aproveitou muito bem dessa janela em 2022. Agora são os asiáticos que começam a ocupar esse espaço.
Agronegócio
Embate entre Marina Silva e agronegócio vai parar no Supremo
1/09/2023A ministra Marina Silva e o “ogronegócio” – como ela própria costuma se referir ao setor agropecuário – têm um novo embate marcado. Segundo o RR apurou, a Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) já se articula para entrar com uma ação no STF contra o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), presidido por Marina. A reação é liderada por pesos-pesados do Congresso, a começar pela ex-ministra da Agricultura e senadora Tereza Cristina (PL-MS) e pelo senador Jayme Campos (União-MT). O objetivo é questionar a constitucionalidade da resolução já elaborada e prestes a ser editada pelo Conama com o intuito de brecar o desmatamento no Pantanal.
Na prática, a normativa suspende os efeitos do decreto estadual nº 14.273/2015, no Mato Grosso do Sul, e da Lei Estadual nº 8.390/2008, do Mato Grosso, que flexibilizou as regras para o plantio de grãos e a atividade pecuária na bacia pantaneira. A bancada ruralista alega que o Conama, vinculado à Pasta do Meio Ambiente, não tem poderes para interferir em legislações estaduais. Não é o entendimento do Ministério, que se ampara em consulta feita à AGU.
A ministra Marina Silva envolveu-se diretamente na elaboração da resolução. Para levar o projeto adiante, já comprou briga dentro de “casa”, ou seja, entre os próprios integrantes do Conama, um ecossistema da mais alta biodiversidade, que reúne ministérios, governos estaduais, prefeituras, entidades da área ambiental e representantes do próprio agronegócio. Os conselheiros indicados pela Confederação Nacional da Agricultura já se opuseram à determinação do órgão.
O governo do Mato Grosso também. Curiosamente, o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, tem adotado uma postura conciliadora: já sinalizou à ministra Marina Silva a intenção de rever pontos da legislação ambiental do estado. Só não disse o que e quando.
Como de hábito, Marina Silva não está disposta a ceder um palmo de terreno em suas convicções. Quer aprovar a resolução ainda na primeira quinzena de setembro. A ministra leva na ponta da língua os números que justificam a interferência sobre a legislação do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Segundo levantamento do próprio Conama, do total de área desmatada no Pantanal nos últimos sete anos, mais de 90% foram registrados a partir de 2021, quando os respectivos decretos entraram em vigor nos dois estados.
Agronegócio
Produtores de leite vão ao Confaz em busca de um alívio tributário
31/08/2023A Frente Parlamentar da Agricultura e a Abraleite (Associação Brasileira dos Produtores de Leite) vão encaminhar um pleito ao Confaz. Em pauta, o pedido de redução do ICMS na cadeia do leite, ainda que de forma temporária. O alvo principal é Minas Gerais, responsável por aproximadamente 22% da produção brasileira. A pecuária leiteira aravessa uma grave crise. Os preços ao produtor acumulam queda de quase 40% no ano em razão da enxurrada de importações. Neste mês, o governo federal anunciou a compra de aproximadamente R$ 200 milhões em leite em pó com o objetivo de reduzir os estoques em circulação.
Agronegócio
Embrapa se cerca de startups para afinar o monitoramento de lavouras
17/08/2023A Embrapa vai partir para uma forte estratégia de parcerias com agtechs. O objetivo principal é intensificar o mapeamento de lavouras em todo o Brasil. Além de guiar investimentos da própria estatal, os dados coletados serão de grande serventia também para a Conab. Servirão de subsídios para a produção das estimativas de safra. Nos últimos anos, há seguidas críticas no agronegócio à descalibragem das projeções feitas pela Conab, especialmente no segmento de café.
A Embrapa tem feito avanços significativos no uso de alta tecnologia. Ao lado da Visiona Tecnologia Espacial, da Faped (Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento) e de uma miríade de outros parceiros, atuou no desenvolvimento do nanossatélite VCUB 1. Lançado em abril pela Space X, de Elon Musk, o equipamento está em um período de testes, com o monitoramento de lavouras de milho e soja no Maranhão.
Agronegócio
Agricultura vai retomar estoques reguladores de leite
9/08/2023O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, discute com a sua equipe a retomada dos estoques públicos de leite. A médio e longo prazo, seria uma forma do governo voltar a ter alguma dose ingerência sobre a formação de preços no mercado interno. A curtíssimo prazo, a medida teria um caráter emergencial de frear as fortes perdas dos produtores brasileiros de leite e derivados. É subsídio na veia. O setor tem sofrido duras perdas com a disparada das importações. No primeiro trimestre, as compras no mercado internacional cresceram 240% em relação ao mesmo período no ano passado. A maior parcela vem da Argentina e do Uruguai, que vivem hoje uma super oferta do produto. As importações de leite em pó, por sua vez, subiram quase 300%.
A própria bancada ruralista tem feito pressão sobre o governo para que a Conab volte a formar estoques de leite. A crise do setor, ressalte-se, tem um forte impacto econômico, mas também social. Mais de 60% da produção vêm da pecuária familiar. Em março de 2019, no terceiro mês de mandato de Jair Bolsonaro, a Conab zerou os estoques reguladores de leite. Desde então, não comprou sequer uma gota. Na série histórica dos últimos 18 anos, as reservas lácteas da estatal atingiram seu pico em agosto de 2010, último ano do Lula II, com quase 3,8 mil toneladas.
Agronegócio
Queda nas importações de fertilizantes acende alerta na Agricultura
3/08/2023A três meses do início do plantio da safra 2023-2024, um dado preocupante circula entre nos gabinetes do Ministério da Agricultura. Segundo levantamento feito pela Pasta, entre janeiro e junho deste ano houve uma queda de 5% no desembarque de fertilizantes em portos brasileiros na comparação com os primeiros seis meses de 2022. Esse declínio deve pressionar para cima os preços do insumo para o começo do período de plantio.
A principal razão para a queda é a guerra entre Rússia e Ucrânia. Só no primeiro trimestre do ano, a produção russa caiu 8,3%. Na Agricultura, há um receio de que a redução da oferta na Rússia, de onde vem um quarto do fertilizante consumido no Brasil, afete o agronegócio em um momento-chave. O pico das importações brasileiras ocorre justamente entre agosto e outubro. Os números do segundo semestre costumam superar com alguma folga os desembarques dos seis primeiros meses do ano. Tanto que o relatório Visão Agro, do Itaú BBA, divulgado na última segunda-feira, prevê um aumento das importações de adubo de 7% a 10% no acumulado de 2023. Ocorre que há fatores que ameaçam essa estimativa. A Rússia rompeu um acordo com a Ucrânia que permitia o escoamento de insumos agrícolas pelo Mar Negro. O governo Putin acusa a Ucrânia de não ter cumprido termos do tratado que permitiam a exportação de fertilizantes russos, o que pode pressionar ainda mais a oferta global do produto.
Agronegócio
Produtores de leite batem à porta de Carlos Fávaro
21/07/2023Grandes produtores de leite, notadamente de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, articulam uma reunião, para a próxima semana, com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Vão levar a Fávaro reivindicações e propostas na tentativa de reduzir a crise no setor. Na proa dos pedidos, estará a elevação da tarifa de importação de leite, notadamente dos países do Mercosul. Entre janeiro e maio, as compras no mercado externo cresceram 214% em comparação com igual período no ano passado, como resultado da forte queda dos preços do produto no Uruguai e na Argentina. No rol das medidas emergenciais, o setor vai sugerir ainda que o governo aumente a aquisição de leite para a merenda escolar na rede pública, uma forma de subsídio cruzado.
Em tempo: a reação dos produtores, segundo o RR apurou, não ficará restrita à mesa de negociações com o ministro Carlos Fávaro. Entidades do setor, à frente da Fetag-RS (Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul), está organizando uma manifestação em Brasília, provavelmente para o dia 1º de agosto.
Agronegócio
Ministério da Agricultura entra em cena para “regular” os preços do milho
7/07/2023O Ministério da Agricultura deverá autorizar, ainda neste mês, o aumento dos volumes de milho comprados pela Conab. Há duas motivações, até certo ponto paradoxais: brecar as perdas dos produtores rurais com a forte redução dos preços do cereal e aproveitar justamente essa queda para a formação de estoques oficiais – uma política praticamente abolida no governo Bolsonaro. Nos últimos 12 meses, o valor médio da saca de 60 quilos caiu da casa dos R$ 82 para algo ao redor de R$ 55. E a tendência é de mais reduções com a segunda safra, estimada em mais de 100 milhões de toneladas. Técnicos do Ministério da Agricultura temem que as perdas financeiras levem os produtores, notadamente do segmento de agricultura familiar, a reduzir o cultivo de milho na safra 2023-24, pela incapacidade de comprar insumos ou de arcar com empréstimos.
Agronegócio
Governo aumenta verba para enfrentar a gripe aviária
22/06/2023O governo estuda aumentar a linha de crédito para o combate à gripe aviária, originalmente de R$ 200 milhões. A situação é mais preocupante do que o Ministério da Agricultura calculou inicialmente. Até o momento já foram identificados 36 focos da doença em aves silvestres, número que deve aumentar nos próximos dias. De acordo com informações obtidas pelo RR, a Pasta espera resultados para cinco testes já realizados em animais suspeitos de contrair influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1). Diante do estado de emergência zoossanitária em vigor no país, o ministro Carlos Fávaro tem sido pressionado tanto por produtores de frango como por grandes grupos frigoríficos do país, a exemplo de JBS e BRF, a ampliar as verbas para detecção e enfrentamento da doença. A balança comercial brasileira agradece.
Agronegócio
Produtores vão a Haddad pedir sobretaxa para leite importado
21/06/2023Uma rara união entre o “capital” e o “trabalho” no campo: a bancada ruralista e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura estão reivindicando ao ministro Fernando Haddad uma sobretaxa para as importações de leite. O pedido é para que o governo adote, em caráter temporário, uma Tarifa Externa Comum (TEC) para o produto oriundo dos demais países do Mercosul. Com a redução da demanda da China, Argentina e Uruguai estão despejando seus estoques de leite no Brasil. Entre janeiro e maio, por exemplo, as importações brasileiras de lácteos cresceram 38% em relação a igual período em 2022. O resultado é uma derrubada dos preços e fortes prejuízos para os produtores locais. A situação é delicada, sobretudo, na Região Sul. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura fez chegar ao governo que centenas de famílias que atuam na pecuária leiteira não estão conseguindo pagar fornecedores e honrar seus financiamentos por conta da queda das vendas.
Como se não bastasse essa questão de ordem social, há ainda a pressão dos grandes produtores para “sensibilizar” o governo. No passado recente, o setor já deu demonstrações de sua força. Que o diga o antecessor de Haddad. Em 2019, Paulo Guedes decidiu não renovar a taxa de antidumping para as importações de leite em pó da União Europeia e da Nova Zelândia. Teve de voltar atrás após levar um puxão de orelhas de Jair Bolsonaro.
Agronegócio
Bancada ruralista se arma contra possível taxação de commodities agrícolas
9/06/2023O imposto disfarçado sobre a exportação de petróleo – como são chamadas as medidas que a Receita prepara para aumentar a arrecadação do comércio exterior da commodity em R$ 30 bilhões – acendeu a luz vermelha do lobby do agrobusiness – disparado o maior do Congresso. A preocupação dos ruralistas tem motivos de sobra. Não é de hoje que os elevadores da Receita sobem e descem com a proposta de tributar as exportações agrícolas e pecuárias. Não seria nada que reduzisse a competitividade dos nossos campeões. Afinal, a diferença entre o Brasil e seus concorrentes é larga. Mas um pouquinho ali e um pouquinho acolá de imposto poderiam contribuir para o ajuste fiscal com uma soma maior do que os R$ 30 bilhões carreados com as exportações de petróleo.
A medida de gravar as vendas externas da commodity tem sido vista como um potencial destampatório para a tributação do agro, que é pop, mas paga pouco imposto. O argumento do lobby é que a cadeia de valor adicionado do agrobusiness é imensa, portanto haveria um grande imposto pago, indiretamente, pelos fornecedores. Por essa lógica, o agro pode ter o lucro que for que não pagará mais imposto nunca, já que o argumento da cadeia de valor permanece para sempre. O RR tem acompanhado de perto essa discussão. No mundo inteiro há países com vocação agrícola, muito menos competitivos do que o Brasil, que contribuem com um quinhão maior que o nosso. O agro é “popíssimo”, gera divisas, faz crescer o PIB e incrementa a venda de bens de capital (tratores, colheitadeiras etc), mas é avaro como só ele quando se trata de pagar uns trocados para reduzir o buraco fiscal do país.
Agronegócio
Frente Parlamentar da Agricultura pressiona governo por um “Bolsa Pecuária”
5/06/2023Informação que circula a boca miúda nos corredores da Câmara: a bancada ruralista vai formalizar ao Ministério da Agricultura um pedido de auxílio financeiro aos pecuaristas. Entre os pleitos estão a antecipação de recursos do Plano Safra e a ampliação do Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária), do Banco do Brasil. A alegação é que os pecuaristas têm sofrido fortes prejuízos, em meio a uma tempestade perfeita: aumento dos insumos, notadamente ração, e queda dos preços do boi. Desde o início do ano, o valor da arroba cedeu de R$ 290 para a casa dos R$ 240, uma queda acumulada de 17%.
Agronegócio
Brasil busca um waiver fitossanitário para a América do Sul
29/05/2023O governo brasileiro, mais precisamente o Ministério da Agricultura, está liderando a formação de uma força-tarefa fitossanitária na América do Sul. A ideia é negociar em bloco junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para que toda a região seja declarada área livre da febre aftosa. O último caso da doença registrado em território brasileiro data de 2006. Desde 2018, o país é reconhecido como zona livre da febre aftosa. Ainda assim, há mais de 40 países que não compram carne bovina do Brasil e de nenhum outro país da América do Sul devido à falta do imprimatur da OIE. Nesse caso, o maior fator de risco aos interesses comerciais do Brasil e dos países vizinhos é a Venezuela. O país tem notórias fragilidades em sua política fitossanitária e é visto como o principal óbice para a OIE declarar toda a região como área livre da febre aftosa. O Brasil tem feito o que pode: já doou aos venezuelanos mais de 20 milhões de doses de vacina contra a moléstia.
Agronegócio
Próxima safra de café deve bater nas 57 milhões de sacas
23/05/2023Informação extraída pelo RR de fonte graduada do Ministério da Agricultura: o próximo levantamento da safra brasileira de café, previsto para setembro, deverá apontar uma estimativa de produção da ordem de 57 milhões de sacas. A se confirmar, será um avanço de 4% sobre a projeção divulgada pela Conab na semana passada (54,7 milhões de sacas). Mais importante ainda: em relação à última safra, o número representará um aumento de 12%. Olhando-se para a geoeconomia global do café, a circunstância é ainda mais positiva devido aos recentes problemas climáticos na Colômbia, de forte impacto sobre a produção local. Em 2022, a safra colombiana caiu 12% em relação à colheita anterior, atingindo o menor volume em nove anos.
Agronegócio
Prosperidade da agricultura pode ser o pavio para a tributação do setor
8/05/2023O jornal Valor de hoje deu a dica para uma iniciativa que está no gatilho do governo desde a gestão Bolsonaro: gravar o agrobusiness. O jornal divulga estimativas de que a renda agropecuária vai alcançar R$ 1 trilhão neste ano. É um dinheiro que sacode uma economia andando devagar. Mas são recursos que passam praticamente ao largo do Fisco. A estrutura tributária do país no que concerne ao agrobusiness é tremendamente regressiva. O setor é um dos grandes colaboradores para concentração da renda nacional. O ministro Fernando Haddad está de olho na baixa colaboração fiscal do agro, que não é pop para a Receita Federal. Um imposto ou contribuição está sendo estudado pela equipe econômica. A questão é que a resistência é grande. O lobby do agrobusiness é o maior do Congresso. Não é por outro motivo que os gigantes do setor não dão pelota para a Receita. São proporcionalmente poucos e cada vez mais ricos.
Agronegócio
Mais um campo minado entre o governo e o agronegócio
4/05/2023Além da CPI do MST, surge um novo ponto de fricção entre a bancada ruralista e o governo no Congresso. A Frente Parlamentar da Agricultura vai apresentar um projeto de lei determinado a recomposição do Ministério da Agricultura, cindido no governo Lula em três – Agricultura e Pecuária, Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e Pesca e Aquicultura. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Progressistas-PR), já sondou o presidente da Câmara, Arthur Lira, sobre a possibilidade de o PL ser votado em regime de urgência antes do recesso do meio do ano, ou seja, até a primeira quinzena de julho. Entidades do setor, como a Sociedade Rural Brasileira e a Aprosoja, se empenharam em apoiar publicamente o projeto, aumentando o barulho em torno da proposta. Entre os principais argumentos para o meia-volta, volver, a FPA alega que a cisão do Ministério da Agricultura enfraquece a Secretaria de Política Agrícola e a definição de estratégias transversais para o setor. Pode ser. Mas, na prática, a semente do movimento, ao que tudo indica, é mesmo política.
Agronegócio
Uma semente chinesa em solo brasileiro
28/03/2023A estatal Hope Full Grain, um dos grandes grupos agroindustriais da China, estaria em busca de terras no Centro-Oeste. A prioridade da empresa é o cultivo de soja, de olho no abastecimento do seu mercado doméstico. Há também a possibilidade da companhia investir em logística de armazenagem de grãos. Há cerca uma década, a Hope Full ensaiou se instalar em Goiás e no Mato Grosso, mas o projeto não andou. De lá para cá, a demanda chinesa por grãos cresceu mais de 50%.
Agronegócio
Agricultura tenta destravar crédito extra para produtores de fumo
22/03/2023O RR apurou que o Ministério da Agricultura está articulando junto à equipe econômica a liberação de recursos adicionais, via Banco do Brasil, para os produtores de fumo da Região Sul. A falta de chuvas está impondo severos prejuízos aos fumicultores, especialmente no Rio Grande do Sul. Há um apelo de ordem social para o crédito extra: parte expressiva da produção é proveniente da agricultura familiar. O setor, ressalte-se, já vem uma safra esfumaçada. No ciclo 2021/22, a produção brasileira de fumo caiu 11%, também afetada por condições climáticas. A queda afeta também o desempenho do Brasil no mercado internacional. Quarto maior produtor de fumo do mundo, o Zimbábue vem adotando uma agressiva estratégia comercial. O país africano tem avançado em mercados consumidores importantes, especialmente Bélgica e Estados Unidos, os dois maiores importadores do fumo brasileiro. O RR apurou que o Ministério da Agricultura está articulando junto à equipe econômica a liberação de recursos adicionais, via Banco do Brasil, para os produtores de fumo da Região Sul. A falta de chuvas está impondo severos prejuízos aos fumicultores, especialmente no Rio Grande do Sul. Há um apelo de ordem social para o crédito extra: parte expressiva da produção é proveniente da agricultura familiar. O setor, ressalte-se, já vem uma safra esfumaçada. No ciclo 2021/22, a produção brasileira de fumo caiu 11%, também afetada por condições climáticas. A queda afeta também o desempenho do Brasil no mercado internacional. Quarto maior produtor de fumo do mundo, o Zimbábue vem adotando uma agressiva estratégia comercial. O país africano tem avançado em mercados consumidores importantes, especialmente Bélgica e Estados Unidos, os dois maiores importadores do fumo brasileiro.
Agronegócio
Agricultura sofre com a falta de fertilizantes da Bolívia
20/03/2023O RR apurou que o Ministério da Agricultura e o Itamaraty têm feito gestões junto ao governo da Bolívia na tentativa de equacionar um gargalo no fornecimento de fertilizantes para o Brasil. Segundo informações filtradas da Pasta da Agricultura, a estatal Depósitos de Lítio da Bolívia vem atrasando os embarques de cloreto de potássio, notadamente para a região Centro-Oeste. A companhia vem tendo sistemáticas interrupções na sua produção devido aos protestos da população da região de Potosí, onde fica sua fábrica. Os manifestantes têm feito bloqueios em estradas próximas, atrapalhando a chegada de matérias-primas e o escoamento da produção. O Brasil é um dos cinco maiores importadores de cloreto de potássio da Bolívia. No Ministério da Agricultura, já se discute um Plano B, com a importação do fertilizante de outros países, notadamente do Canadá.
Agronegócio
Colômbia quer ter um cluster cafeeiro no Brasil
16/03/2023A rede de cafeteiras colombiana Juan Valdez planeja se instalar no Brasil. Segundo informações que circulam no setor cafeeiro, as primeiras lojas serão abertas em São Paulo. Esta é uma operação que vai além das raias do varejo. Trata-se de um movimento eivado de simbolismo. Os colombianos vão fincar bandeira no Brasil, um dos seus maiores concorrentes no mercado mundial de café. De certa forma, é para isso que a Juan Valdez existe. A marca de cafeterias é controlada pela Procafecol, por sua vez vinculada à poderosa Federação de Cafeicultores da Colômbia. A entidade responde por mais de um terço das exportações colombianas de café, o equivalente a US$ 1,2 bilhão por ano. Nesse contexto, a Juan Valdez é uma peça de marketing da própria indústria cafeeira colombiana. Durante os Jogos Olímpicos do Rio, por exemplo, a marca foi distribuída na Casa Colômbia, representação oficial do país no evento.
Agronegócio
Plano Safra vira adubo em campo minado
10/03/2023O governo quer usar o anúncio do Plano Safra 2023/24 para adubar o relacionamento entre Lula e o agronegócio. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, está articulando um grande evento, provavelmente em maio, fora do Palácio do Planalto, onde tradicionalmente se dá a cerimônia de lançamento do programa agrícola. A ideia é que Lula, simbolicamente, anuncie o Plano Safra em alguma “capital” do agronegócio – a favorita é a cidade de Sorriso (MT), considerada a maior produtora de soja do mundo. O valor do Plano Safra 2023/24 deverá superar os R$ 400 bilhões. Até lá, o Ministério da Agricultura tenta arrancar da área econômica recursos suplementares para o crédito rural. No momento, o ministro Fávaro negocia a liberação de R$ 1 bilhão para retomar a oferta de linhas de financiamento para investimento e custeio. Parte expressiva será destinada ao Moderfrota, programa de incentivo à compra de máquinas e equipamentos.
Agronegócio
Ministério da Agricultura reforça segurança sanitária nas fronteiras
16/02/2023O Ministério da Agricultura vai reforçar o esquema de vigilância sanitária nas fronteiras. Segundo a mesma fonte, a Pasta pretende também emitir um alerta aos governos estaduais em regiões de divisa recomendando a adoção de procedimento semelhante. A ameaça da gripe aviária, que parecia razoavelmente distante, chegou às franjas do território brasileiro, com a confirmação dos primeiros casos da doença no Uruguai e na Argentina, anunciados ontem pelas autoridades dos dois países. As ações profiláticas do Ministério da Agricultura se somam a medidas que já vinham sendo adotadas pelos maiores frigoríficos do país, entre as quais a suspensão de visitas em aviários. O Brasil tem uma invencibilidade para defender: jamais foi registrado um caso de gripe aviária no país. A balança comercial agradece.