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14.02.20

O novo ministério: ideologia, Congresso e eleições

Termômetro

A nomeação do Almirante Rocha para a secretaria de assuntos estratégicos, um dia após a confirmação do general Braga Netto à frente da Casa Civil, vai aprofundar, amanhã, especulações sobre reorganização ministerial implementada pelo presidente Bolsonaro. Os principais vetores serão:

1) Ao se cercar de ministros militares, o presidente caminharia para substituir de maneira generalizada ministros “ideológicos”, que atraem fortes críticas de gestão – como o titular do MEC, Abraham Weintraub? Ou intenção seria blindar-se de influências eleitorais no ministério, indicando distância de negociações – e disputas – em pleitos municipais, ao menos em termos partidários?

2) Faria parte desse processo a anunciada reaproximação com bancadas temáticas – como ruralistas e evangélicos?

3) Qual o perfil dos ministros militares? Fazem parte do mesmo grupo, dentro das Forças Armadas? E representarão algum tipo de mudança estratégica nas políticas do governo? Uma questão central, nesse sentido, será o alinhamento automático com os EUA, parte importante da política externa de Bolsonaro, mas que é longe de ser unanimidade entre militares.

Os problemas no Bolsa Família

Os próximos dias trarão cobranças ao novo ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, acerca de cortes e filas de espera para recebimento do Bolsa Família.

A pauta tem estado latente, com altos e baixos, mas entrada de Onyx pode ser estopim para onda de questionamentos similar a que se abate sobre o INSS. A começar neste final de semana, com balanços sobre problemas no programa.

Raio-X no crescimento e preocupação do mercado

Resultados dúbios da PNAD (diminuição do desemprego, mas nova alta da informalidade) e do IBC-Br (levando a projeção do PIB para 0,89% em 2019) vão repercutir amanhã: 1) Com raio-X dos motivos para o crescimento abaixo do esperado, desde o final de 2019, em cenário de preocupação que começa a crescer no mercado – alimentado, também, pelo coronavírus; 2) Com ampliação de cobranças por aceleração de reformas.

Ataques de Maduro

Exercícios militares do Exército venezuelano e ataques de Maduro ao presidente Bolsonaro, a quem acusou de fomentar conflito armado entre o Brasil e a Venezuela, vão acirrar os ânimos amanhã. Expectativa, no entanto, é que consequências fiquem no campo da retórica ou de movimentações diplomáticas.

Bolsonaro X Doria

Novo teste no horizonte, amanhã, para o embate entre o presidente Bolsonaro e o governador João Doria: o estado de São Paulo teria a intenção de pedir R$ 350 milhões ao governo federal, para enfrentar efeitos de temporais recentes.

A política para o setor aéreo

O setor aéreo estará em foco amanhã: 1) Com novo “balão de ensaio” do governo, indicando intenção de zerar, a partir de 2021, a incidência de PIS/Cofins sobre o combustível utilizado em aeronaves; 2) Com movimentações de parlamentares para rever cobrança extra por bagagens, iniciativa que atrairá críticas de boa parte da mídia, favorável à medida.

O sistema penitenciário e as marcas de gestão do ministro Moro

O Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias 2019, divulgado hoje, abrirá espaço amanhã: 1) Para conflito entre o ministro Moro e organizações da sociedade civil ligadas ao setor – bem como partidos de oposição. Moro relativizou o número de presos provisórios no Brasil, contrariando diagnósticos da maioria das instituições que analisam o tema; 2) Para fortalecimento da criação de novos presídios como marca da atual gestão do Ministério da Justiça.

A escolha de ministros do STF

Pode crescer, até segunda-feira, movimentação do Palácio do Planalto para atacar projeto que tramita no Senado, patrocinado por Davi Alcolumbre, que prevê mudança na forma de escolha de ministros do STF. Percepção do Planalto é de que a medida visa limitar escolhas do presidente Bolsonaro para o Tribunal e pode ser usada como “faca no pescoço”, em negociações futuras.

Indústria no Brasil e empréstimos na China

Sai na segunda o Panorama da Pequena Indústria (CNI). O setor apresentou crescimento no terceiro trimestre de 2019. A questão é se, acompanhando tendência de outros setores da economia, terá recuado no final do ano.

No exterior, destaque na segunda-feira para número de empréstimos concedidos por bancos chineses, que deve apresentar salto importante, atingindo a melhor marca desde janeiro de 2019.

 

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Estará em pauta amanhã a posição do governo, do presidente Bolsonaro e dos presidentes da Câmara e do Senado acerca da taxação da energia solar, em estudo pela Aneel.

Tema trará dubiedades já que, por um lado, a oposição do presidente à cobrança de impostos sobre o setor, em si, é bem vista pela mídia e pela opinião pública; por outro, imagem de intervenção em agência reguladora causa desconforto e incertezas no mercado e entre analistas econômicos.

Nesse âmbito, a grande questão, amanhã, será o grau da intervenção. Se passar a ideia de solução negociada, no âmbito do Congresso Nacional e sem desautorizar a Aneel, tema pode caminhar para pacificação.

Ao mesmo tempo, haverá espaço para a Agência:

1) Por viés mais positivo, no que se refere à bases para a consulta pública em questão, lembrando-se que a decisão ainda não foi tomada;

2) Pelo aspecto negativo, com discussão sobre composição e histórico de decisões. Hoje, por exemplo, alguns analistas indicaram parcialidade pró-empresas em resoluções de agências regulatórias, ainda que exemplos utilizados se refiram menos à Aneel do que a outras instituições, como a Agência Nacional de Saúde (ANS).

O preço do petróleo

Também na área de energia, terá destaque amanhã o resultado de reunião, hoje à tarde, entre o Ministério de Minas e Energia e entidades do setor de petróleo e gás para discutir impactos da crise entre EUA e Irã sobre o preço dos combustíveis.

Tema tem impactos muito superiores aos da energia solar, mas, no momento, parece mais pacificado. Preços não dispararam e indicação do presidente, de não intervenção, conta com forte apoio da mídia. Cenário internacional, no entanto, permanece instável.

Jornalistas em extinção

Já no que se refere a relações com os grandes veículos da Imprensa, mesmo com atritos constantes já parcialmente precificados, nova declaração do presidente afirmando que jornalistas são “espécie em extinção” transbordará do noticiário de hoje para o de amanhã. Entrará no rol de ameaças à liberdade de expressão na avaliação de articulistas.

Nubank vai às compras. E grupo chinês chega ao Brasil

Setorialmente, Nubank estará em foco – positivo – amanhã, após aquisição, hoje, da consultoria Plataformatec. Haverá espaço para bons resultados e forte crescimento da empresa, bem como para a transformação que está levando ao setor bancário – e possíveis adaptações e/ou interesse que imporá aos grandes players. Outro aspecto que tende a ganhar corpo é o crescimento de fintechs no país.

Ainda na área, alimentará o noticiário, amanhã, a abertura de banco, no Brasil, do grupo XCMG, um dos maiores fabricantes de maquinário pesado da China, para financiar o setor de máquinas para infraestrutura.

Do Iraque às crises na América Latina

Na política internacional, haverá desdobramentos, amanhã, sobre crises institucionais – em diferentes graus – na Venezuela e no Chile, mas os próximos passos no enfrentamento entre EUA e Irã continuarão a galvanizar os interesses. Cenário tem forte carga de imprevisibilidade, mas as atenções, amanhã, tendem a se voltar para possível retirada de tropas americanas do Iraque – e as consequências geopolíticas que a medida teria.

As projeções para o mercado de trabalho e setor automotivo

Saem amanhã o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) e o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD), ambos da FGV, e a Produção e Venda de Veículos, da Anfavea, todos referentes ao mês de dezembro de 2019.

Acerca do IAEmp e do ICD, interessa observar se há continuidade ou reversão do cenário de lentidão na gradual recuperação do mercado de trabalho. Até novembro, o Indicador Antecedente de Emprego apresentava virtual estabilidade em médias móveis trimestrais pelo segundo mês consecutivo, enquanto o Indicador de Desemprego mostrava salto de 3,1 apenas no mês, voltando a ficar acima dos 95 pontos.

Já os dados sobre produção e venda veículos darão a medida final do setor para 2019. Apesar de queda acentuada em novembro sobre outubro (respectivamente de 21,2% e de 4,4%), números para o ano apresentavam crescimento (2,7% na produção e 8,3% nas vendas). Há expectativa de que o balanço de dezembro seja positivo, com avanço em ambos os índices, na casa de 2% e 7%. Já exportações devem fechar o ano com panorama de queda acentuada, em boa parte devido à crise na Argentina. Recuo acumulado até novembro foi de 33,2%.

Os EUA e a União Europeia: Balança Comercial, Indústria e Varejo

Internacionalmente, serão divulgados amanhã:

1) Nos EUA, a Balança Comercial e as Encomendas à Indústria de novembro e o PMI de Não Manufaturados para dezembro. Espera-se recuo de US$ 47,2 para US$ 43,8 a US$ 43 bilhões no déficit, com aumento de US$ 207 para 208 bilhões nas exportações e diminuição de US$ 254 para US$ 251 bilhões nas importações. Apesar de variações, não haveria alteração de tendência.

Já nas Encomendas da Indústria, projeção de queda significativa, da ordem de 0,8%, após crescimento de 0,3% em outubro; enquanto a PMI de Não Manufaturados deve trazer avanço, de 53,9 para 54,2 a 54,5.

2) Na União Europeia, Inflação de dezembro, para a qual se espera de estabilidade em 1% a crescimento até 1,3%, e Vendas no Varejo de novembro, com projeções de crescimento entre 0,6% e 0,7%, revertendo queda de 0,6% em outubro.

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02.01.20

Diplomacia com a Venezuela divide o governo Bolsonaro

O futuro da relação diplomática com a Venezuela divide o governo brasileiro. No núcleo duro da gestão Bolsonaro há um racha no que diz respeito à posição que o país deverá adotar a partir a partir deste ano caso o líder oposicionista e autoproclamado presidente Juan Guaidó perca o comando da Assembleia Nacional da Venezuela. O potencial divisor de águas é a reunião do órgão legislativo marcada para 5 de janeiro. Há um razoável risco de Guaidó não ser reconduzido à presidência da Assembleia na esteira das crescentes denúncias de corrupção contra ele. Ainda assim, o grupo mais ideológico do Ministério das Relações Exteriores, a começar pelo “olavista” de carteirinha Ernesto Araújo, defende que o Brasil mantenha-se entre as 50 nações que reconhecem o líder da oposição como presidente da Venezuela

. Trata-se da mesma postura da ala militar do Palácio do Planalto, notadamente do ministro do GSI, General Augusto Heleno. Na contramão está a equipe econômica, sobretudo o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Troyjo, que tem, sim, sua dose de ideologia, mas, neste caso, não superior ao seu pragmatismo.

A Pasta da Economia defende que o Brasil se descole gradativamente de Juan Guaidó e faça aproximações sucessivas com o governo de Nicolás Maduro, a despeito das convicções mais atávicas de Jair Bolsonaro. O apoio a Guaidó não rendeu qualquer dividendo comercial ao país, mesmo porque o líder oposicionista tem perdido fôlego a passos largos nos últimos meses. Entre janeiro e novembro deste ano, o Brasil registrou um superávit nas relações de troca com a Venezuela de US$ 269 milhões, cerca de US$ 108 milhões abaixo do valor registrado no mesmo período em 2018.

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09.10.19

Mutirão na fronteira

Além de ampliar o número de municípios aptos a receber refugiados venezuelanos, o governo pretende acelerar a triagem dos imigrantes. Vai reforçar o contingente de militares em Roraima dedicados à tarefa.

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19.03.19

Gerdau com um pé fora da Venezuela

A crise do governo Maduro está tragando os negócios da Gerdau na Venezuela. Segundo o RR apurou, a direção do grupo discute a suspensão das atividades na Siderúrgica del Zulia (Sizuca), sua controlada. Uma medida ainda mais radical sobre a mesa é o write off do ativo e o encerramento em definitivo da operação. As perdas acumuladas em 2018 teriam chegado a US$ 50 milhões. A usina foi comprada em 2007 por US$ 90 milhões – hoje, estima-se que não valha a metade. Por conta dos bloqueios de rodovias na Venezuela, a Sizuca tem sofrido seguidas interrupções no recebimento de minério de ferro e, sobretudo, no escoamento da produção.

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18.03.19

“Bolsa refugiado”

Após a remoção de 234 venezuelanos da última quarta-feira, o governo já trabalha na próxima etapa do processo de interiorização de refugiados. No dia 23 de março, cerca de 160 pessoas serão levadas de Roraima para o Mato Grosso do Sul, com promessa de emprego em indústrias de alimentação.

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13.03.19

Crise venezuelana expõe vulnerabilidades do sistema brasileiro de Defesa

A grave situação da Venezuela e a ameaça latente de um confronto com o país vizinho deverão precipitar decisões de investimento na área de Defesa. O governo Bolsonaro estuda acelerar a liberação de recursos com o objetivo de antecipar a execução de projetos estratégicos para o reapareento das Forças Armadas. A crise venezuelana serviu para expor, de forma mais aguda, fragilidades do Brasil na área militar, resultado de um acúmulo de decisões estratégicas equivocadas e dos seguidos cortes do orçamento para o setor feitos desde a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

Um dos investimentos que se mostram prioritários é a aquisição de um novo sistema de defesa antiaérea. As Forças Armadas dispõem basicamente do equipamento portátil RBS-70, da Saab, comprado por ocasião da Copa do Mundo e da Olimpíada. Seu alcance é de, no máximo, cinco mil metros de altura. Seria, portanto, insuficiente para abater o Sukhoi-30, que pode ultrapassar os 12 mil metros de altitude. Ainda que não se saiba muito bem o seu atual estado de conservação, os caças de fabricação russa usados pela Força Aérea da Venezuela foram projetados para ter autonomia de mais de três mil km.

Ou seja: apenas a título de exemplo, no caso de um hipotético combate, essas aeronaves poderiam sair de Caracas, proceder um ataque a Manaus e retornar à capital venezuelana. Nos últimos anos, o Brasil chegou a negociar a aquisição do sistema russo Pantsir S1, capaz de atingir até 15 mil metros de altitude. No entanto, as tratativas para a compra do equipamento ou eventualmente de outro sistema similar foram congeladas no governo Temer. Devido à delicadeza do tema, o RR entrou em contato com o Ministério da Defesa no dia 25 de fevereiro, encaminhando uma série de perguntas. A Pasta não se pronunciou.

Diante de novas informações apuradas junto à mesma fonte nesse intervalo, a newsletter teve o cuidado de voltar ao órgão ontem, por intermédio de e-mails e telefonemas à assessoria de comunicação. Mais uma vez, oMinistério não se manifestou. Outra vulnerabilidade que ficou um pouco mais evidente no meio da crise venezuelana diz respeito ao monitoramento aeroespacial do território brasileiro e da zona de fronteira. O Brasil tem uma carência de satélites de vigilância mais eficientes. Neste momento, por exemplo, as Forças Armadas brasileiras estariam encontrando dificuldades para monitorar com precisão a posição dos Sukhoi venezuelanos e suas manobras de voo.

Da mesma forma, o Exército estaria trabalhando com informações desencontradas sobre o real poderio dos dois sistemas antiaéreos S-300 que os venezuelanos chegaram a posicionar recentemente a 11 km da divisa com Roraima. No total, o equipamento pode carregar até quatro lançadores de mísseis, mas não se sabe ao certo se ele vem sendo usado a plena carga pelo exército venezuelano. Estes pontos cegos na vigilância da fronteira poderiam ser temporariamente eliminados com acompra de conjuntos de foguete e satélite de menor porte – alguns não custam mais de US$ 2 milhões.

A escassez orçamentária, somada a um escamoteado receio dos governos civis em empoderar em demasia as Forças Armadas após a redemocratização do país, foi criando algumas lacunas na área de Defesa. A última grande manobra operacional do Comando Militar da Amazônia, vital para simular estratégias de combate e testar equipamentos em ampla escala, teria se dado em 1993. É necessário ressaltar ainda que investimentos militares, por maiores que sejam, não têm efeito imediato sobre o poderio bélico de uma nação. Há um tempo razoável até que novos equipamentos estejam plenamente integrados às Forças Armadas. Um exemplo: em média, reza o protocolo que um piloto de caça só consegue dominar plenamente a aeronave após três anos de treinamento.

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25.02.19

A crise da Venezuela e a geopolítica do sexo

Os desdobramentos da crise que corrói a Venezuela extrapolam o continente americano. Já chegaram à Ásia. No Vietnã, a apreensão vai além do impacto negativo de imagem – o país de Maduro é o único aliado do regime comunista no Atlântico. A correspondente do RR na Ásia se encontra no Vietnã. De lá informa que o temor é por um colapso social: centenas de mulheres venezuelanas, sem outra opção para sobreviver, imigraram para o vizinho Camboja, onde vendem sexo a troco do mínimo para sua subsistência. Se elas cruzarem a frágil fronteira em direção ao Vietnã, será um problema de grandes proporções para o partido comunista local. O medo é que o fenômeno da prostituição barata se espraie pelo país. Em tempo: no Camboja as venezuelanas jogaram o preço do programa – que já era considerado barato para os padrões globais – ainda mais pra baixo, desestabilizando o sistema local. A prostituição é proibida no Vietnã, sendo considerada um crime grave.

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21.12.18

Aftosa é mais uma sarna entre Brasil e Venezuela

Logo na partida, a gestão Bolsonaro terá de administrar uma questão bastante delicada com a Venezuela – uma das nações já previamente satanizadas pela sua política externa. O caos econômico e político no país vizinho tem impedido o governo de Nicolás Maduro de retirar do lado de cá da fronteira cerca de 18 milhões de doses de vacina contra a febre aftosa disponibilizadas pelo governo brasileiro. De forma emergencial, o Ministério da Agricultura já havia doado anteriormente dois milhões de vacinas, uma ação emergencial que está longe de resolver o problema como um todo e equacionar a ameaça de contaminação do gado brasileiro.

Consultado pelo RR, o diretor de saúde animal do Ministério, Guilherme Marques, confirmou que “o Brasil aguarda as autoridades brasileiras virem ao país buscarem o restante das doses”. Sem a retirada das vacinas brasileiras o mais brevemente possível, o temor da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) é que os focos de febre aftosa se alastrem pelos países vizinhos. A Venezuela é hoje a única nação da América Latina que não erradicou a doença, segundo a OIE. As autoridades brasileiras têm tratado a questão como de prioridade máxima. O governo considera o “problema da Venezuela” um “problema do Brasil”, devido ao risco de contaminação do rebanho nacional.

O contrabando de bovinos, algo comum na região, e o próprio fluxo de refugiados venezuelanos – muitos costumam trazer animais – aumentam a ameaça de entrada de gado contaminado no país. A principal área de risco mapeada pelo Ministério da Agricultura é a fronteira seca da Região Norte, nas proximidades da cidade de Pacaraima, em Roraima. A Comissão Sul-Americana para a Luta Contra a Febre Aftosa (Cosalfa),vinculada ao Centro Pan-Americano de Febre Aftosa que (Panaftosa), montou um programa de vacinação do gado venezuelano. Chegou, inclusive, a propor a criação de um fundo público-privado, com pequenas doações de pecuaristas locais, para financiar futuras campanhas de imunização.

Até o momento, no entanto, segundo informações filtradas junto à própria Cosalfa, o governo Maduro não fez qualquer movimento para a criação do fundo. Apenas anunciou a abertura de uma conta bancária para doações. Em tese, bastaria ao governo Maduro enviar um cargueiro da Força Aérea venezuelana para a retirada das vacinas que estão sob a guarda do Ministério da Agricultura. Consta, no entanto, que o país não dispõe de instalações adequadas para garantir o estado de conservação das vacinas. Trata-se de um problema que avançará sobre boa parte do governo Bolsonaro. Mesmo com a doação dos medicamentos pelo Brasil e eventualmente outros países, o plano de erradicação da doença na Venezuela proposto pela OIE levará três anos, com campanhas de vacinação anual até 2021.

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