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01.03.19
ED. 6066

CPI da Vale a passos de cágado

As assinaturas de todos os 74 deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) parecem ter sido feitas a lápis. O presidente da ALMG, Agostinho Patrus (PV), tem postergado a abertura da CPI para investigar a tragédia de Brumadinho. Havia a promessa de que a Comissão seria instaurada ainda nesta semana, o que não ocorreu. O novo horizonte é a semana depois do Carnaval. Ao que tudo indica, o lobby da Vale está funcionando.

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06.02.19
ED. 6049

A indesejada Vale

O prefeito de Congonhas (MG), José de Freitas Cordeiro, e autoridades da área ambiental pressionam a Vale para que a empresa suspenda as obras de alteamento da barragem de Itabiruçu. O projeto prevê a elevação da estrutura de 836 metros para 850 metros e, com isso, o aumento dos rejeitos minerais despejados no reservatório. Com as obras, a barragem de Itabiruçu passaria a ter capacidade para 220 milhões de metros cúbicos – ou seja, quase 18 “Brumadinhos”.

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31.01.19
ED. 6045

A Vale entre a integridade e a farsa

A decisão da Vale, anunciada pelo seu presidente Fabio Schvartsman, de desativar 10 reservatórios de rejeitos construídos em Minas Gerais, é um enigma. Perguntaria a esfinge: Schvartsman tomou a decisão com a coragem daqueles que cortam na própria carne – no caso investimentos de R$ 5 bilhões – demonstrando um senso de humanidade à altura da tragédia? Ou o anúncio da desativação das barragens e redução da produção é uma confissão de que o risco estava bem à frente dos seus olhos, e a ganância simplesmente cegou-o, exigindo que um desastre acontecesse para a medida ser tomada? Se vai fazer agora, por que não fez antes? Precisava do estímulo de quase uma centena de mortos? Na verdade há um pouco de marketing institucional na decisão. Basta ver a publicidade do fechamento das barragens. A Vale gastou rios de dinheiro em anúncios institucionais. Deveria também ter informado que em seus planos já estava a transferência das operações de mineração de Minas Gerais para o Norte do país, onde o complexo de ferro S11D sozinho tem um potencial de produção dez vezes maior do que as extrações mineiras conjuntas e com uma economicidade muito superior. Não é incorreto dizer que a companhia estava em Minas Gerais por atraso, ineficiência e falta de velocidade na execução do planejamento. Em nenhum momento, antes da calamidade, pensou no genocídio que Brumadinho e possivelmente outras barragens poderia provocar. Agora, enquanto conta os mortos, diz que fará um esforço de corte da produção. Cartas para a esfinge.

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30.01.19
ED. 6044

Afinal, para que serve a golden share da Vale?

O gabinete de crise do Palácio do Planalto trouxe para o centro das discussões uma questão shakespeariana: usar ou não usar a golden share que o governo detém na Vale para substituir a direção da companhia. O assunto tem uma conotação político-estratégica que vai além de uma punição pela irresponsabilidade na administração do risco. A dúvida é se a manutenção dos gestores não compromete o governo de certa forma, pelo menos no imaginário da sociedade, com a tragédia de Brumadinho.

Depois do desastre de Mariana, a recorrência de um acidente dessas proporções enseja que o assunto deixe de ter conotações meramente corporativas. O segundo erro, com um número maior de mortes, exige uma atitude enérgica da autoridade pública, além das políticas convencionais de evacuação, socorro, apoio e solidariedade. A dúvida do governo é se a extensão jurídica da golden share permite seu uso para promover a mudança da administração. O presidente em exercício, general Hamilton Mourão, sacou rápido do coldre. Disse que estuda sim essa possibilidade no âmbito do gabinete de crise.

O RR apurou que os ministros envolvidos na discussão estão divididos. Há quem defenda que, se a golden share for aplicada para troca da diretoria, a interpretação é que não há mais gestão profissional nem governança corporativa. Até porque não estão definidos os casos em que essa intervenção ocorre. Por outro lado, ignorar o instrumento parece um contrassenso. Afinal, para que ter uma ação de classe especial para ser usada em situações excepcionais, se quando ocorrer uma calamidade pública o governo simplesmente esconde o instrumento. Afinal, a golden share só serve para evitar que a companhia mude de nome ou leve sua sede para o exterior? São decisões prosaicas em comparação com o apocalipse de Brumadinho.

Segundo a fonte do RR, os ministros favoráveis à degola consideram que, além da necessidade de alguma providência oficial, os diretores da companhia não teriam mais clima de trabalho na empresa. A calamidade inquietou o quadro de pessoal ainda mais do que Mariana. A Vale passou a ser considerada uma companhia que dá pouco valor à vida. Pelo menos é o que diz a mídia internacional. A banda econômica do governo é contrária ao uso da golden share.

O ministro da Economia Paulo Guedes et caterva prefeririam que o instrumento ficasse no armário, tendo em vista o programa de concessões e privatizações do governo. Ele criaria uma insegurança regulatória. O ministro do Gabinete Civil, Onix Lorenzoni, contudo, afina o coro com o general Mourão. Diz que se for comprovada a falha da Vale, a diretoria será mudada. O mais simples é deixar que Previ faça o trabalho na próxima reunião do Conselho de Administração. Conforme o RR já publicou, a fundação está com a faca nos dentes para remover o presidente da Vale, Fabio Schvartsman.

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30.01.19
ED. 6044

Esclarecimento e sugestão

Alguns leitores do RR confundiram o teto fixado para indenização por dano moral pela nova CLT – de 50 salários mínimos – com a doação de R$ 100 mil feita, pela Vale, para cada uma das famílias de mortos e desaparecidos no rompimento da barragem da mina de ferro Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). Nada a ver. O RR apenas chamou atenção para o fato de que, não fosse o teto, a soma da indenização e da doação poderiam ser maiores do que o previsível pagamento na faixa de R$ 150 mil. A dimensão da tragédia clama por isso.

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Dica para a Vale: a prática de responsabilidade corporativa não exclui o quadro de funcionários da empresa. A Vale deveria pagar os mesmos R$ 100 mil, a título de dano moral, a todos os seus colaboradores. Os trabalhadores da companhia não são relapsos nem têm culpa pela lambança cometida por sua governança.

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30.01.19
ED. 6044

Prazo encerrado

Se encerra hoje o prazo para o resultado das análises químicas colhidas em 47 pontos de captação do Rio Paraopeba, atingido pelos rejeitos de mineração liberados após o rompimento da barragem em Brumadinho.

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03.12.18
ED. 6006

O orgulho de ser Vale começa a ficar no passado

À primeira vista, a gestão Fabio Schvartsman ganhou o cabo de guerra com os funcionários da Vale. Segundo o RR apurou, os 12 sindicatos que representam os mais de 52 mil empregados da mineradora aceitaram assinar o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), colocando um ponto final no impasse que se arrastava há quase dois meses. Mas, ponto final, uma vírgula. De acordo com a mesma fonte, três dos maiores sindicatos pretendem questionar na Justiça a imposição da Vale para que os funcionários assinem anualmente uma declaração de quitação de débitos trabalhistas. A judicialização do imbróglio é a única rota de escape possível para os empregados da mineradora, obrigados a engolir a seco condições indesejáveis impostas pela direção da empresa.

O RR consultou a Vale, mas a companhia não se pronunciou até o fechamento desta edição. Os trabalhadores queriam 9% de reajuste salarial, mas a mineradora fez valer todo o seu peso à mesa de negociações e parou nos 6%. Empurrou ainda outras variáveis a contragosto dos sindicatos: reajuste de 3,8% no cartão alimentação – os funcionários pediam quase o dobro – e redução do adicional noturno de 65% para 45%.

Para se ter ideia do que isto significa, ressalte-se que quase metade dos empregados da empresa atua em regime de 24 horas. Por fim, a Vale apertou as regras referentes ao adicional de periculosidade. O valor extra só passará a contar a partir do vigésimo primeiro minuto de exposição do trabalhador a uma área de risco. Ou seja: durante 20 minutos, seja o que Deus quiser. Os tempos do “orgulho valeriano”, ao que tudo indica, ficaram no passado. A Vale “namoradinha” dos seus funcionários parece ter se transmutado em “madrasta má” na gestão de Fabio Schvartsman. O impasse nas negociações e a disposição dos sindicatos para o contencioso refletem o clima de tensão entre a Vale e seus funcionários. Hoje, a companhia acumula R$ 6,4 bilhões em passivos trabalhistas.

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09.07.18
ED. 5905

Eliezer e Conceição: um memorável dueto pelo Brasil

Eram os idos do governo Figueiredo. O engenheiro Eliezer Batista era o todo poderoso presidente da então Vale do Rio Doce. Na ocasião, ele já se debruçava sobre os mapas que posteriormente levaria para a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo Collor. Eram estudos transversais à estrutura federativa do Brasil, que propunham uma correção da divisão do país em estados e municípios, por meio de uma espécie de consolidação que levasse em  vista a logística, a produção, a demografia, o meio ambiente, entre muitas outras variáveis.

Alguns estados e municípios simplesmente seriam objeto de fusão. Eliezer queria dar uma organização mais racional e econômica ao formato bizarro de pé de galinha que via no desenho da federação. Achava que levaria o projeto à frente, pois exigira de Fernando Collor carta branca para aceitar o cargo de manda-chuva da Secretaria. Só se reportaria ao presidente. À época, mais do que nunca, Eliezer era o mago da economia física nacional, consultado pelos maiores empresários do país e do mundo. Distante desse mundo, a professora Maria da Conceição Tavares, um ícone entre os economistas de esquerda, perdeu-se de curiosidade de conhecer Eliezer. Não havia liga entre ambos.

Eliezer achava a portuguesa destemperada e comunista, e Ceiça tinha Mr. Batista como um tecnocrata alinhado com os empresários golpistas de 64. Mas o desejo intelectual foi maior. Conceição pediu a Raphael de Almeida Magalhães que fizesse uma ponte com Eliezer para um encontro. O mesmo pedido foi feito ao jornalista Luiz César Faro, à época assessor informal do barão da Vale. Em uma quinta-feira, por volta das 10 horas, Conceição adentrou a “sala dos mapas” que Eliezer mantinha ao lado do seu gabinete, assistidos por Raphael e Faro, prudentemente calados durante todo o encontro. Foram poucos os minutos de formalidade.

Os dois partiram logo a dissecar os mapas e falar sobre o Brasil que aqueles projetos prometiam, um país de verdadeiros coliseus da infraestrutura. Conceição era matemática, o que facilitou a conversa. Ela dava tapinhas no braço de Eliezer às gargalhadas, que retribuía com seu riso metálico. Pareciam amigos de infância. O saldo daquela reunião de inteligências acuradas foi o compromisso cívico de reunirem suas hostes na academia para produzirem estudos juntos na Secretaria, pois ali estava o futuro do país. E assim ficou acordado entre os dois Titãs. Eliezer se meteu a seguir no imbróglio da gestão Collor. Conceição enveredou na politica. Ao que se saiba, nunca mais se encontraram. Os preciosos mapas de Eliezer se perderam por aí, alguns no Palácio do Planalto, outros na Vale, e uns esquecidos na Firjan. Desperdício de um encontro que tanto poderia emular soluções nacionais quanto, no mínimo, inspirar um libreto de ópera sobre dois personagens estupendos. Nada mais a fazer. Conceição descansa em seu refugio, sem o elã de 30 anos atrás, mas ainda produzindo artigos indignados. Eliezer foi construir catedrais no firmamento.

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