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08.09.21

Nem tudo é o que parece ser no pedido de IPO da Unigel

O pedido de IPO da Unigel seria apenas o primeiro ato da peça. Fontes próximas à família Slezynger já enxergam a oferta de ações como o possível início do fim, ou seja, um rito de passagem para a posterior venda do controle da petroquímica. Isso se o IPO for mesmo realizado – no setor, há dúvidas sobre a sua concretização. Ainda que ocorra, a operação controversa serviria como uma isca, permitindo ao clã engordar a companhia e melhorar seu valuation até a saída em definitivo do capital.

Há um quê de Rei Lear nessa trama. Na realidade, um Rei Lear reverso. Enquanto Henri Slezynger estiver dando as cartas, os ativos não serão distribuídos entre os príncipes herdeiros. Permanecerão sob o seu controle. Em algum momento futuro, porém, os três filhos deverão se descartar da empresa. Pelo menos esse é o projeto hoje, segundo fontes do setor petroquímico. Esse seria o desejo, principalmente, de Marc Slezynger, o filho mais envolvido com a gestão da Unigel, e também de Leo Slezynger, que tem uma participação menor na administração dos negócios.

Marc já teria confidenciado a fontes do RR que gostaria de deixar a empresa. Consultada sobre a hipótese de venda do controle e a disposição dos herdeiros de não seguir à frente do negócio, a Unigel informou que “está em processo de IPO e, portanto, não pode se manifestar em relação a temas que tratem direta ou indiretamente da abertura de capital”. O possível epílogo da saga dos Slezynger na petroquímica não está relacionado a questões de competência ou da performance administrativa dos herdeiros. Está mais na categoria do projeto de vida. Até porque a Unigel é um negócio difícil de conduzir.

A empresa foi construída à imagem e semelhança de Henri Slezynger. Seu estilo e suas idiossincrasias estão encrustadas na governança. Este, inclusive, é um dificultador para a própria venda da Unigel, assim como questões de ordem operacional. A empresa é vista por analistas como uma colcha de retalhos de negócios com baixa sinergia e escala reduzida. Não há racionalidade industrial: as diversas operações não conversam uma com a outra. Ao mesmo tempo, a companhia está no meio do ciclo da cadeia da indústria petroquimica, o que, na avaliação de analistas, a deixaria em uma posição de fragilidade. Os pontos positivos ficam por conta da hegemonia na produção de acrílicos no Brasil e do razoável crescimento dos negócios internacionais, notadamente no México. Desde 2013, os controladores da Unigel buscam um associação, parceria ou até mesmo a negociação de ativos separadamente. A venda da empresa em bloco, nem pensar. Henri Slezynger está lá, firme e forte.

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