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08.11.19

Lula solto: Congresso, Mídia, Sociedade

Termômetro

Soltura do ex-presidente Lula influenciará todo o debate político parlamentar, bem como o noticiário, amanhã e nos próximos dias. Alguns pontos, tudo indica, serão centrais nesse processo:

1) Em termos parlamentares e de mídia, a força com que avançará a proposta de se votar emenda constitucional repondo a prisão em segunda instância. Pauta terá apoio do Grupo Globo e de grandes veículos, como o Estadão, mas o grau de pressão que será alcançado ainda é incerto.

O mesmo vale para o Congresso. Setores já se mobilizam e prometem investir pesado em emenda constitucional. Que deve ser capitaneada pelo Senado, através da CCJ, comandada pela senadora Simone Tebet. No entanto, presidente da Casa, Davi Alcolumbre, demonstra enorme reticência em pautar o projeto. E Maia, embora indique que abrirá caminho para tramitação de emenda na Câmara, está longe de patrociná-la. Vale muita atenção para o posicionamento de ambos, amanhã.

O outro ponto decisivo serão as movimentações do Centrão, que pode aumentar a fervura ou jogar balde de água fria na tentativa. A segunda hipótese parece ser a mais provável, mas não se pode bater o martelo.

2) A atitude do próprio Lula e do PT, nos próximos dias. Pelo tom do primeiro discurso, Lula voltará suas baterias para ataque duplo: contra Moro e a Lava Jato  e, em menor medida, a mídia; contra o governo, com foco na economia e na educação.

A se observar como esse posicionamento evoluirá – particularmente buscará se constituir como polo de crítica à gestão Bolsonaro. Se o fizer, pode utilizar como gancho, justamente, a atual política econômica e o ministro Guedes, que vem de semana na qual angariou apoio renovado da mídia e do setor empresarial.

Outros alvos naturais seriam pastas mais impopulares – educação e meio ambiente estão no radar. Nesse caso, haverá reação dos ministros? E, no que se refere à política econômica, do mercado?

3) O posicionamento dos partidos de oposição, particularmente do PDT e de Ciro Gomes. Se associarão ao impacto que virá da soltura ou buscarão distanciar-se de Lula?

4) Também estarão no radar as decisões de movimentos sociais que apoiam o “Lula Livre”. Esquerda tem mostrado enorme dificuldade de mobilização, mas não se pode descartar impulso para algum tipo de manifestação, com a liberdade do ex-presidente.

5) Reação do presidente Bolsonaro e do ministro Moro. É questão similar a do próprio Lula. Responderão de maneira mais institucional – como ocorre até o momento – ou mais política, mobilizando seguidores e opinião pública?

6) Movimentações nas redes sociais e no PSL. Vale observar se a existência de um “inimigo comum” pode amenizar embates internos em grupos ligados ao presidente Bolsonaro e a partidos da direita. A deputada Joice Hasselman, por exemplo, já acena com articulação para votar emenda constitucional que reporia prisão em segunda instância. E Carlos Bolsonaro começa a operar nas redes.

7) Posicionamento da chamada ala militar do governo – e de lideranças das Forças Armadas como um todo. Não há expectativa de nenhuma iniciativa fora de arcabouços institucionais, mas, dado o momento, qualquer declaração mais enfática pode gerar forte polêmica.

8) Nível de mobilização institucional que ainda pode ser alcançado por uma fragilizada Lava Jato.

9) A quantidade de pessoas com possibilidades reais de serem soltas – terá forte impacto sobre o debate. Se aproximarão das 5 mil, como indicou o noticiário nas últimas semanas, o que alimentaria percepção de impunidade? Ou tal número diminuirá significativamente, indicando que estimativas podem ter sido exageradas?

Outros dois temas, nesse âmbito, serão:

> Ilações sobre liberação de nomes conhecidos, que, sem a popularidade do ex-presidente, favoreceriam discurso contrário à decisão do STF. Seria o caso do ex-ministro José Dirceu, do ex-governador Eduardo Azeredo e do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque;

> Como outro lado da moeda – para parte de movimentos sociais com alguma entrada na mídia –, a libertação de ativistas presos sem condenação definitiva.

10) Presidente do STF, Dias Toffoli, afirmou que STF não veria negativamente uma proposta de emenda constitucional que acabasse por reverter decisão do Tribunal. Para ele o tema não seria cláusula pétrea da Constituição. Mas os demais ministros – particularmente os ditos “garantistas” –  ainda não corroboraram tal posição.

Diagnóstico da América Latina

Vale conferir, na segunda-feira, a Sondagem da América Latina, levantamento trimestral da FGV. Gera muito interesse pela situação atual de muita instabilidade na região, econômica e politicamente, sobretudo. No último estudo, publicado em agosto, o Indicador de Clima Econômico havia recuado pela segunda vez consecutiva – influenciado, também, por temores de guerra comercial entre EUA e China –, mas  o de Expectativas havia melhorado.

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07.11.19

Cultura em estado de alerta

Termômetro

Há fortes possibilidades de mobilização organizada da classe artística, a partir de amanhã, em reação à medida dupla do governo na cultura: primeiro ao passar a pasta (Secretaria Especial) para o Ministério do Turismo e, em seguida, nomeando para comandá-la o diretor teatral Roberto Alvim – que esteve sob os holofotes recentemente por atacar a atriz Fernanda Montenegro.

Terão influencia sobre esse processo as primeiras declarações de Alvim e as avaliações sobre sua escolha na mídia. Tendem a ser muito negativas, com o efeito colateral de ampliarem o foco para denúncias contra o ministro do Turismo. A salientar, também, que o presidente Bolsonaro sofrerá críticas por fortalecer ministério sob o comando de um gestor indiciado por comandar esquema de laranjas. Perderá capital, inclusive, em guerra interna do PSL. Por fim, temática pode ser associada a projeto que tramita na Câmara, estendendo Lei Rouanet para eventos organizados por Igrejas.

Prisão em segunda instância: o dia seguinte

Tudo indica que o julgamento no STF, em curso, pode ter dois resultados: 1) fim da prisão em segunda instância, em termos absolutos; 2) Possibilidade limitada a casos julgados pelo STJ, se for proposta por Toffoli. Caso vença a primeira hipótese, sexta-feira será marcada por discussão – e tramitação – da soltura do ex-presidente Lula. Se avançar a segunda, julgamento pode ser adiado. De toda forma, oposição criticaria duramente o ministro Toffoli, que ganharia pontos, no entanto, com parte da opinião pública.

O teto do teto

Proposta do governo – parte das PECs enviadas ao Congresso – que cria um teto de gastos mais baixo do que o atual para disparar gatilho, permitindo medidas emergenciais, vai alimentar debate sobre conjunto de reformas propostas, amanhã. Pode avançar percepção expressa hoje pela senadora Simone Tebet, de que governo terá que selecionar medidas prioritárias caso queira acelerar tramitação.

Cuba e alinhamento aos EUA

Na política externa, foco amanhã para voto do Brasil na ONU a favor do embargo a Cuba, rompendo tradição de quase 30 anos. Discussão se dará, sobretudo, acerca de três pontos: 1) Iniciativa se deu em função de pressão dos EUA? 2) O Brasil terá algum benefício em decorrência da mudança de posição? 3) Há divergências internas no Itamaraty acerca da medida?

Novo modelo no petróleo

Nova ausência de petrolíferas estrangeiras em leilões de hoje fortalecerá, amanhã, movimentações indicando mudança em modelo de exploração. Fim da preferência da Petrobrás e concessão no lugar de partilha são os temas em pauta.

A se observar, ainda, se governo adotará essa linha apenas como forma de justificar dificuldades do leilão ou se vai delinear cronograma para a mudança. Outro ponto central será a reação dos presidentes da Câmara e do Senado, nesta sexta.

Bancos: Lucro recorde e críticas

Novo lucro recorde dos 4 maiores bancos brasileiros para o acumulados dos 3 primeiros trimestres (R$ 59,7 bilhões, o mais alto para o período pelo menos desde 2006), anunciado hoje, trará novas cobranças à Febraban e às empresas. Questão central serão os juros altos e a dificuldade para obtenção de crédito. Bem como o fato de auferirem ganhos dessa dimensão em época de dificuldades econômicas. De positivo, possível justificativa associando ganhos à recuperação econômica.

Tendências do emprego e produção regional

Saem amanhã o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) e o Indicador Coincidente de Emprego (ICD), ambos da FGV, para outubro. Os indicadores trouxeram números positivos em setembro, mas apontando para recuperação lenta do emprego. Tendência deve se manter.

Ainda nesta sexta, será divulgada a Produção Industrial Regional de setembro (IBGE). Nacionalmente, dados indicaram crescimento de 0,3% para o mês e, em agosto, houve avanço em 11 das 15 regiões pesquisadas – número que pode diminuir, agora.

China: queda de exportações e acordo com os EUA

Nos indicadores internacionais, destaque para dados da China, em outubro:

1) Balança Comercial. Expectativa é de novo superávit, ultrapassando os US$ 41 bilhões. Entretanto, o olhar dos mercados estará mais voltado para os resultados de importações e exportações. Ambas vêm de fortes quedas em setembro (respectivamente 8,5% e 3,2%) e projeções indicam que curva negativa se manterá, com recuos na faixa de 8,9% em importações e de 3,8% em exportações.

Resultado aprofunda impacto de guerra comercial com os EUA e repercutirá em bolsas globais. Será, contudo, amenizado por informação do Ministério do Comércio da China, hoje, de que chegou-se a um acordo com norte-americanos para remover, por etapas, tarifas existentes entre os dois países.

2) Índice de preços ao Consumidor. Estima-se novo avanço mensal, em torno de 0,7%, o que levaria a taxa anualizada a 3,3% (meta do governo chinês é que fique abaixo de 3%, em 2019).

Vale atenção ainda para: Balança Comercial da Alemanha, em setembro, que deve vir estável, com aumento de 0,4% em exportações – sinal positivo após forte recuo de agosto, mas insuficiente para aplacar temores, após forte queda na produção industrial –; Índice Michigan de Confiança do Consumidor nos EUA, com prognósticos de nova alta – aproximando-se dos 85 pontos.

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06.11.19

STF e prisão em segunda instância: chance de terceira via?

Termômetro

Retomada de julgamento do SFT sobre prisão após condenação em segunda instância tende a ser o principal tema do dia, amanhã. Foco estará no ministro Dias Toffoli. Há expectativa de que apresente uma proposta intermediária (para a qual já parece ter apoio do ministro Fachin), que não beneficiaria o ex-presidente Lula: prisão seria autorizada após condenação pelo STJ. Se o fizer, aumentam as chances do julgamento não acabar nesta quinta.

Pré-sal: os erros do leilão

Continuará, amanhã, discussão sobre motivos de leilão de campos do pré-sal, hoje, ter atraído pouco interesse de petrolíferas estrangeiras. Por um lado, gestão federal e particularmente a ANP perdem um pouco da aura de eficiência que vinham construindo. Serão apontados supostos erros, como bônus de assinatura muito alto.

Por outro, agência e Ministério de Minas e Energia investirão no seu diagnóstico: problema seria a obrigatoriedade da partilha e a necessidade de ressarcir investimentos já realizados pela Petrobras nas áreas.

Nesse sentido, há um ponto central a ser observado, nesta quinta: o governo porá efetivamente seu peso em apoio a projeto, do senador José Serra, para acabar com o polígono do pré-sal, que dá preferência à Petrobras na região?

Estaria em linha com a atual política para o setor, mas pressupõe embate polêmico no Congresso no momento justamente em que uma série de reformas está na mesa – além das já propostas, ainda devem ganhar corpo, até semana que vem, reforma administrativa e pacote de estímulo ao emprego.

Venda da Liquigás

Petrobras – criticada, veladamente, por cobrar valores altos de ressarcimento de investimentos em campos leiloados hoje – obterá repercussão e resultados positivos por venda da Liquigás. Iniciativa, através da qual foram arrecadados R$ 3,7 bilhões, será, também, “antídoto” contra dúvidas geradas no mercado por gastos acima do esperado com a compra dos campos de Búzios e Itapu.

Marielle: federalização volta à pauta

Caso Marielle pode voltar a gerar enfrentamento político e institucional. Motivo seria o pedido do MPF para que a Polícia Federal apure obstrução de justiça, falso testemunho e denunciação caluniosa supostamente cometidos pelo porteiro do condomínio Vivendas da Barra, ao citar o presidente Jair Bolsonaro. Governo do Rio e partidos de oposição devem se opor duramente a qualquer abertura para federalização de investigações. No âmbito partidário, o ministro Moro é alvo central – serão apontadas suspeitas de que tenta proteger o presidente.

Reformas no microscópio e PEC Paralela

Após primeiros sinais positivos do Parlamento, da mídia e (até onde se pode medir) da opinião pública a conjunto de reformas apresentado pelo governo, quinta-feira aprofundará olhar para os pontos que provocam maior polêmica. Daqui para a frente, em maior ou menor medida, essa avaliação se transformará em um pulso diário das chances de aprovação das diversas medidas propostas.

Nesse momento inicial, já despontam: 1) A extinção de municípios com menos de 5 mil habitantes, que terá oposição organizada da Confederação Nacional de Municípios e acerca da qual não há sinais claros de parlamentares; 2) Possíveis privilégios a procuradores e militares em medidas emergenciais, que sustam promoções e reajustes; 3) Desvinculação de gastos obrigatórios, que uniria sob uma mesma rubrica saúde e educação – leitura aqui será de que governo busca abrir porta para diminuir gastos com os setores.

Vazamento de óleo: novas suspeitas

Idas e vindas têm sido a constante na apuração de vazamento de óleo que se espalha pelo litoral do Nordeste. Imagens mostrando que mancha negra – relacionada ao vazamento – aparece no mar antes da passagem de navio grego, considerado o principal suspeito, vão levar a novas ilações.

Novo round com a Argentina

A conferir desdobramentos, amanhã, de aprovação de repúdio ao presidente eleito argentino, Alberto Fernández, na Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara. Proposta, capitaneada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, soma-se a tweet do presidente, posteriormente apagado, no qual anuncia a transferência de grandes de empresas (como a L’ Oréal) da Argentina para o Brasil.

Sem medo de deflação

Sai amanhã o IPCA (IBGE) de outubro, medida oficial da inflação no país, com previsão de alta de 0,10%. Se confirmado, o número mostrará que a deflação auferida em setembro (-0,04%) representou um ponto fora da curva. Tal percepção tende a ser corroborado pelo IGP-DI, um dos índices gerais de inflação da FGV (junto com o IGP-M), no qual se espera alta de 0,40% para o mês.

Alemanha preocupa

Internacionalmente, destaque para a produção industrial da Alemanha, em setembro. Estimativas apontam queda que pode chegar a 0,4% (após crescimento de 0,3% que acalmou um pouco os mercados, em agosto). Número teria impacto muito negativo em bolsas globais, ao ampliar possibilidade de retração mais grave do “motor” da economia da União Europeia no final de 2019 e início de 2020.

Vale atenção, ainda, para o anúncio da taxa de juros no Reino Unido (projeta-se estabilidade em 0,75%), e para os pedidos de seguro desemprego nos EUA, no início de novembro (expectativa positiva, com pequena diminuição, chegando a 215 mil pedidos, contra 218 mil no começo de outubro).

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31.10.19

Mobilização contra Eduardo Bolsonaro

Termômetro

Declaração de Eduardo Bolsonaro indicando possibilidade de novo AI 5 “caso esquerda radicalize” vai mobilizar tanto o Congresso quanto a mídia, amanhã. Há sinais de que o presidente Rodrigo Maia, apoiado pelo centrão, por partidos de oposição e por parte do próprio PSL, buscará iniciativa mais dura contra Eduardo. Há possibilidade de que se ponha na mesa processo de cassação do parlamentar, mesmo com pedido de desculpas, agora à noite.

Já a mídia tende, majoritariamente, ao repúdio veemente à declaração de Eduardo, por meio de matérias, analistas e espaços para manifestações institucionais – como as da OAB e de membros do STF. Tendência é de apoio à cassação ou de punição que imponha freio a manifestações consideradas antidemocráticas. Ao mesmo tempo, deve dissociar a questão da defesa das próximas reformas – administrativa e pacto federativo, visando controle de gastos públicos e aumento de repasses federais para estados e municípios.

Nesse sentido, delineia-se clivagem entre a ala política do Planalto e o ministro Paulo Guedes, visando blindá-lo. O mesmo vale para movimentações no Parlamento: qualquer ameaça às reformas gerada por desestabilização do ambiente político será condenada, ainda que responsabilidade seja atribuída a Eduardo e ao próprio presidente.

Bolsonaro, justamente, também será cobrado por posição mais contundente – e definitiva – sobre a declaração do filho. Condenação da fala de Eduardo, ainda que de maneira ríspida e ameaçando encerrar entrevista, teve recepção razoável, mas ainda assim já seria insuficiente. Cenário vai piorar se o presidente mantiver tentativa subsequente, alegando que declarações do filho foram mal interpretadas. Pode diminuir a pressão amanhã, ou aumentá-la. A conferir.

Por fim, vale atenção para outros três pontos:

1) Como o caso influirá em embate interno no PSL e na manutenção de Eduardo na liderança do partido na Câmara. Bem como no comando do diretório em São Paulo.

2) Reação de alas militares, dentro e fora do governo, que parecem cada vez mais divididas. O grupo mais próximo ao presidente, ao que parece, será representado pelo general Heleno. Momento é delicado até porque, junto à polêmica ligada ao AI 5, ganham força críticas internas de associações de suboficiais. Acusam o governo e a cúpula das Forças Armadas de privilegiarem oficiais de alta patente na reforma da previdência militar. Tema pode se imiscuir no debate, amanhã.

3) Apesar de perder força hoje, apuração ligada ao assassinato da vereadora Marielle Franco ainda terá desdobramentos. E ajudará a radicalizar o ambiente político.

Partido Novo afasta Salles

Ministro do Meio Ambiente voltará ao centro das atenções, nesta sexta, devido à iniciativa de seu próprio partido (Novo), que decidiu suspendê-lo, há pouco.

Tendências na indústria

Saem nesta sexta-feira alguns números importantes do setor industrial, nacionalmente:

1) A PIM Produção Física de setembro (IBGE). Espera-se resultado positivo, com novo crescimento (0,9%, após alta de 0,8% em agosto). A destacar também previsões de salto – entre 1,5% e 1,9% – sobre setembro de 2018. Número seria bastante significativo, já que reverteria tendência anual . Houve queda de 2,3% em agosto, 2,5% em julho e 5,9% em junho, sobre os mesmos meses de 2018.

2) Utilização da Capacidade de setembro (CNI). Interessante avaliar se os números corroboram momento positivo para o setor industrial. Em agosto já houve avanços, com aumento em horas trabalhadas, faturamento e Utilização da Capacidade Instalada (que superou 78%).

3) Venda de Veículos (Fenabrave) de outubro. Resultados de setembro foram positivos, com alta de 10,1%. Mas dados precisam ser pesados, também, em função de resultados de exportações. Trata-se de área na qual retração do mercado argentino tem forte impacto para o Brasil.

Nesse âmbito, previsões são negativas. Números da Balança Comercial de Outubro (MDIC), que serão divulgados amanhã, devem trazer superávit entre 1,2 e 1,7 bilhão, o que significaria forte recuo frente a setembro (2,25 bilhões).

Por fim, deve ter repercussão nesta sexta estudo da Firjan abordando a situação fiscal dos estados. O levantamento dará força à inclusão dos mesmos na reforma da Previdência, através da PEC Paralela. Isso porque dados apontarão para a mudança de situação crítica para em dificuldade em relação a 70% das unidades da Federação.

Trump e o Impeachment: democratas confiantes

Votação na Câmara de Deputados, dominada pelo Partido Democrata, basicamente oficializa o processo de impeachment nos EUA. Daqui para a frente, inquérito e audiências podem ser abertos ao público. Iniciativa será interpretada como sinal de confiança dos democratas na solidez das investigações. E deve aprofundar esgarçamento institucional, já que o presidente Trump indica que, mesmo com votação, manterá estratégia de deslegitimar o processo.

Emprego estável nos EUA

Serão divulgados amanhã o Relatório de Emprego de outubro e o Índice de Atividade dos Gerentes de Compras Industrial ISM de Outubro, nos Estados Unidos. Expectativa é de que a taxa de desemprego se mantenha baixa, praticamente estável (3,6% contra 3,5% em setembro). Salários também tendem para alta, em torno de 3%. De negativo, apenas a provável desaceleração na taxa de expansão da folha de pagamento. Já no que se refere ao Índice ISM, previsão é de avanço (49,0 frente a 47,8 em setembro), mas ainda abaixo de 50 pontos.

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24.10.19

Queiroz e o PSL

Termômetro

Áudio do ex-assessor de Flavio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, mostrando ainda ter influência em nomeações no Legislativo vai alimentar alguns movimentos, amanhã:

1) Declaração se tornará foco de novos ataques de alas bivaristas do PSL. A largada já foi dada pelo Delegado Waldir. E pode influir em processo que pede a expulsão de Eduardo Bolsonaro do partido, protocolada oficialmente hoje.

2) Porá o presidente na defensiva, afetando o impacto de anúncios realizados durante a viagem à China.

3) Atuação parlamentar dos filhos do presidente – contratações, gastos – estará em foco. O que pode afetar, inclusive, o papel de Eduardo como novo líder do PSL na Câmara.

4) Haverá iniciativa da oposição para levar o tema ao Parlamento, mesmo que seja apenas um jogo de cena para alimentar o noticiário. Nesse ponto, uma questão será estratégica, politicamente, nesta sexta: Rodrigo Maia aproveitará o momento para alfinetar o presidente, como já fez recentemente em relação ao processo eleitoral que levou Bolsonaro ao poder?

5) Novas cobranças acerca de investigação que paira sobre Flavio Bolsonaro – o que pode respingar no ministro Sérgio Moro.

Aproximação com a China

Apesar do fator Queiroz e de declarações polêmicas, impacto obtido hoje por Bolsonaro durante viagem à China indica que pode gerar fatos positivos, amanhã. Se for capaz de mostrar resultados concretos nas relações com o gigante asiático, na área comercial, obterá importante vitória.

Contribuirá, dentro do possível, para amenizar imagem internacional de radicalismo. Bem como de alinhamento excessivo com os Estados Unidos. A conferir.

Política e Justiça

Começarão, amanhã, intensas movimentações políticas no seio do STF, após nova interrupção de julgamento sobre prisão em segunda instância, hoje. Voto da ministra Rosa Weber aponta para vitória da ala garantista – contra a prisão antes de esgotados todos os recursos.

Mas ministro Dias Toffoli, que deve ter o voto de minerva, tende a buscar solução que evite desgaste mais grave do Tribunal junto a setores “lavajatistas” da sociedade. É muito provável que tente articular meio termo no qual prisão possa ser autorizada após condenação pelo STJ. Precisará angariar apoios para tanto, a partir desta sexta.

Salles põe a mão no fogo – ou seria no óleo?

Ao acusar Greenpeace, ministro Salles repete o erro que potencializou crise com queimadas na Amazônia e abre, assim, flanco para aprofundamento do desgaste, amanhã – pessoal e de toda a área ambiental do governo. Se insistir em ataques ao grupo de ambientalistas, sofrerá duras críticas na mídia, nacional e internacional. E fará com que questionamentos atinjam mais diretamente o presidente Bolsonaro, em meio à viagem ao exterior.

Economia com a Previdência

Pode haver alguma repercussão – e questionamentos ao ministro da Economia – sobre avaliação da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, afirmando que economia com a reforma da Previdência na verdade será de R$ 630 bilhões em 10 anos.

Consumo e investimento em foco

Sairão amanhã a Sondagem do Comércio de outubro (FGV) e as Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, para setembro.

Interessa ver, nesta sexta, se queda na Sondagem em agosto, após três altas seguidas, foi “soluço” ou representa recuo em expectativas positivas no setor. O que indicaria reticências quanto a resultados daqui até o final do ano.

No que se refere a Estatísticas do BC, vale atenção especial nos números do crédito ampliado a empresas e famílias, que influem sobre prognósticos de investimentos e consumo. Resultados de agosto foram positivos, com expansão de 2,5%.

Clima de negócios nos EUA e Alemanha

No exterior, estão previstas para amanhã duas sondagens de alguma repercussão: O Índice de Percepção do Consumidor, da Universidade de Michigan, nos EUA e o Índice Ifo de Clima de Negócios, na Alemanha. Espera-se leve recuo em ambos.

Também deve ser liberado amanhã o Balanço Orçamentário do Governo Federal dos EUA, atualizado – já ultrapassou US$ 1 bilhão no ano fiscal norte-americano, o que levou a críticas à gestão Trump.

Eleições em troca do Brexit

Sexta-feira promete ser agitada no que se refere a debates sobre o Brexit. A se observar como evoluirá iniciativa do primeiro-ministro Boris Johnson, vinculando o adiamento da saída da União Europeia à aceitação, pelo Parlamento, de novas eleições.

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23.10.19

Negócios da China

Termômetro

Com a chegada de Bolsonaro na China, tende a aumentar exponencialmente a atenção para viagem presidencial, amanhã. Foco será duplo: 1) Em questionamentos sobre possíveis influências ideológicas em negócios com o gigante asiático – levando-se em conta, ainda, o alinhamento do Brasil com os EUA; 2) As negociações visando aumentar as relações comerciais entre os países e – ponto delicado – os investimentos diretos chineses no Brasil. A despeito de negativas do presidente, infraestrutura 5G estará em pauta.

Previdência: a vez dos Estados

Se o governo federal já confirmou hoje que levantará uma série de pautas econômicas após aprovação da Previdência, dois temas, em particular, crescerão no Congresso, a partir de amanhã:

1) PEC Paralela, com foco na inclusão ou não dos estados. Apesar de otimismo no Senado, ainda é muito incerta a atitude de deputados e governadores acerca do tema. Mas movimentações já estarão a todo vapor amanhã, com sinais sendo emitidos através da mídia e em ações de bastidores;

2) Reforma da Previdência de militares, aprovada em Comissão especial da Câmara hoje. A se observar, nesta quinta, se debate sobre o tema continua em banho-maria, o que seria ideal para o governo, ou se oposição conseguirá alimentar polêmica. É desse embate que decorrerá possibilidade de aprovação expressa, que encaminharia diretamente o projeto para o Senado, ou votação – arriscada – em plenário da Câmara.

Eduardo Bolsonaro e CPI das Fake News

Decisão de Eduardo Bolsonaro ao abandonar candidatura à embaixada nos EUA aumentará as cobranças sobre sua liderança na Câmara e no PSL, nesta quinta. Bem como especulações sobre o novo nome escolhido pelo governo para ocupar o cargo. Ao mesmo tempo, Major Olímpio promete aprofundar ataques pessoais ao deputado e investirá, amanhã, em articulação para destituí-lo da direção do partido em São Paulo. 

Uma segunda fonte de desgastes deve se tornar constante, a partir de convocações aprovadas hoje: a CPI das Fake News, na qual aliança entre oposição e centrão pode se transformar em faca no pescoço do governo – e dos filhos do presidente. A conferir desdobramentos desta quinta. 

O STF de Dias Toffoli

Continuará amanhã o julgamento do STF sobre possibilidade de prisão em segunda instância – placar está em 3 x 1. Aumentarão, nesta quinta, as especulações sobre meio termo a ser proposto pelo ministro Dias Toffoli – que pode ser o voto de minerva na decisão. Nesse caso, ele defenderia que prisão possa ser decretada após condenação no STJ.

Meio ambiente no Congresso

Partidos de oposição devem iniciar ofensiva, amanhã, para levar ao Congresso – inclusive com a abertura de CPI – discussão sobre vazamento de óleo em praias do Nordeste. Alvos serão o Ministro Salles e a suposta falta de organização em órgão de controle ambiental, em função de demissões ou reestruturações promovidas pela atual gestão. 

A visão do consumidor

Serão divulgados nesta quinta a Sondagem do Consumidor de outubro (FGV) e as Estatísticas do Setor Externo de setembro (Banco Central). Sondagem da FGV é importante porque pode consolidar ou não tendência positiva, após dois meses seguidos de crescimento. Já dados do Banco Central vêm de queda acima do esperado tanto em importações quanto em exportações, em agosto (frente ao mesmo mês de 2018). Vale conferir se há reação – improvável – nessa área, bem como no que se refere aos ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP).

EUA e União Europeia: retração ou resiliência?

Destaque amanhã deve ser a Declaração de Política Monetária do Banco Central Europeu, que gera grande expectativa no mercado. Há cobrança por atuação mais firme do BCE para estimular o crescimento econômico. Junto a isso, prevê-se para esta quinta o Índice de Atividade do Gerente de Compras da Indústria e dos Serviços de setembro nos EUA, Alemanha, França e União Europeia. 

Nos EUA, estima-se leve recuo (de 51,1 para 50,7), mas ainda em patamar positivo (acima de 50) para a indústria e crescimento na margem nos serviços. Na União Europeia, estabilidade em patamar negativo na indústria e alta (de 51,6 para 52) nos serviços. Vale destacar, também, previsão de crescimento em ambos os setores na Alemanha.

Embora a indústria alemã ainda patine, se confirmados tais resultados haverá boa reação do mercado. Seria indicação de que a economia alemã pode apresentar mais resistência do que o projetado diante de temores de retração global. 

Por fim, vale conferir outros dois índices internacionais, amanhã: o Núcleo de Pedidos de Bens Duráveis para setembro, nos EUA, para o qual se projeta recuo importante, de –0,2% após crescimento de 0,5% em agosto; o Índice de Atividade Econômica da Argentina, que busca antecipar o PIB e, ao que tudo indica, trará resultado fortemente negativo.

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22.10.19

Previdência aprovada. E agora?

Termômetro

Confirmada aprovação em segundo turno da reforma da Previdência no Senado – em curso agora, a princípio sem maiores alterações –, grande questão amanhã serão os sinais acerca da PEC Paralela. Especialmente na Câmara, onde pode enfrentar resistência.

Prevista para entrar em pauta logo após Previdência, a PEC elevaria a economia do governo acima de R$ 1 trilhão.

Outra consequência, nesta quarta, serão especulações sobre calendário de novas reformas e medidas de largo escopo. Da parte do Congresso, devem ser postas na mesa as reformas administrativa e tributária. Já o governo ensaia iniciativas para estimular emprego, reestruturar o pacto federativo e abrir economia, inclusive com redução de tarifas no âmbito do Mercosul. Também é esperada pelo mercado uma indicação mais concreta sobre autonomia do Banco Central.

Ministro Guedes deve capitalizar aprovação da Previdência e aproveitar o momento para cacifar tais propostas – ou ao menos parte delas, com destaque para o Pacto Federativo.

De negativo, possível ampliação de debate, difícil, sobre projeto de reforma da Previdência dos militares.

Eduardo Bolsonaro e Fake News

Espera-se avanço de ala bolsonarista em embate interno do PSL, amanhã, apoiada por decisão judicial suspendendo processo que levaria à punição de 19 parlamentares do grupo. Também parece improvável, ao menos de imediato, que apoiadores de Luciano Bivar consigam retomar a liderança do governo na Câmara. Mas importante observar:

1) Se Eduardo Bolsonaro ganha ou não força como líder, nesta quarta. Deputado ainda atua como nome tampão e não descartou, pessoalmente, candidatura à Embaixada dos EUA. A conferir;

2) As movimentações de bastidores de Bivar, que tem larga experiência no controle do partido, e a atuação do senador Major Olímpio e da deputada Joice Hasselmann. Se Joice não recuar em revelações sobre a campanha que levou à eleição de Bolsonaro, pode abrir flanco perigoso para o governo no Congresso. Há grandes chances de que suas declarações alimentem novas movimentações da CPI das Fake News, amanhã.

Ministro do Turismo em foco

Efeito colateral do embate no PSL será a continuidade e provável aprofundamento de questionamentos ao ministro do Turismo, Álvaro Antônio, amanhã. Se bolsonaristas, fortalecidos, insistirem em apontar “falta de transparência” de Bivar estarão, involuntariamente, ajudando a fritar o ministro. Não será possível sustentar discurso de rigor e ética partidária e, ao mesmo tempo, manter Álvaro Antônio no cargo.

STF, de novo

Noticiário, amanhã, será novamente dominado pelo julgamento do SFT sobre prisão após condenação em segunda instância, iniciado na semana passada. Prognósticos são de que atual entendimento, favorável à prisão, seja revertido. O que – será essa a leitura central – beneficiaria o ex-presidente Lula. No entanto, nada garante que decisão final seja tomada nesta quarta. O alvo de maiores especulações, amanhã, será a ministra Rosa Weber, cujo voto pode decidir a questão.

Veias abertas da América Latina

Com iniciativas até agora tímidas, governo e o presidente Bolsonaro, pessoalmente, tendem a ser mais questionados sobre posicionamentos diante de crises sucessivas em países vizinhos. Após revoltas populares no Equador, estarão em pauta amanhã problemas na Bolívia e no Chile. No que se refere ao governo brasileiro, tumultos no Chile têm efeito direto. Isso porque: 1) O presidente Piñera é importante aliado; 2) O país, acerca do qual se apontam diversos problemas ligados à desigualdade social, é tratado como modelo pela equipe econômica do ministro Guedes.

Salles e o Exército

Quarta-feira pode marcar virada parcial em relação ao combate do vazamento de óleo no Nordeste. Base para tanto serão imagens de ação mais ampla das Forças Armadas para combater o problema – indicam mobilização. No entanto, com ausência do presidente Bolsonaro, abre-se flanco para ataques mais duros contra o Ministro Salles. Devem se aprofundar, vindos da oposição, de ambientalistas e da própria mídia.

Boletim macro

Está previsto para amanhã o boletim macro da FGV, publicação mensal com análise geral sobre a economia brasileira, a partir das diversas sondagens realizadas pela Fundação. Para além da compilação de dados, destaque para previsões de inflação em 2019 (deve vir em torno de 3,3%) e 2020 (na faixa de 3,7%).

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22.10.19

Palácio do Planalto vs. AGU

Surgiu um ponto de fricção entre o Palácio do Planalto e o Advogado-Geral da União, André Mendonça, tido como um candidato à vaga prometida para um evangélico no STF. O motivo é a demora da AGU em derrubar a liminar que anulou o decreto assinado por Jair Bolsonaro exonerando 11 peritos do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura. Faz dois meses que a 6ª Vara Cível da Justiça do Rio tornou a decisão do presidente sem efeito. Trata-se de uma agenda miúda, justamente daquelas a que Bolsonaro costuma dar maior peso.

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17.10.19

A Implosão do PSL em 10 capítulos

Termômetro

A luta por espaços no PSL promete um capítulo decisivo, amanhã. Vale destacar algumas questões que estarão no centro desse processo, nesta quinta:

1) Grupo de Luciano Bivar conseguirá consolidar os espaços conquistados hoje, com manutenção do delegado Waldir na liderança do governo e a destituição de Flávio e Eduardo Bolsonaro, respectivamente dos diretórios do Rio e de São Paulo? Haverá reação de dirigentes partidários, deputados e vereadores, em estados e municípios? Se espaços forem consolidados, primeiro passo para a construção de partido sem Bolsonaro estaria dado. Mas nada está garantido, muito pelo contrário.

2) Como evoluirá o posicionamento de parlamentares que, agora, se opõe à ação de Bolsonaro dentro do PSL? Até o momento vinham evitando ataques diretos ao presidente, mas situação se deteriorou a tal ponto que esse posicionamento é de difícil sustentação, agora;

3) Joyce Hasselman, que havia crescido como líder do governo e foi destituída do cargo, se fortalecerá no partido, garantindo candidatura à Prefeitura de São Paulo? Seria indicação de que o PSL pode investir em lideranças carismáticas mesmo afastando-se de Bolsonaro;

4) Se aprofundarão especulações sobre possibilidade de fusão de parte do PSL ligada à Bivar com o DEM? E, nesse âmbito, como se posicionará Rodrigo Maia e o Centrão, que podem ser os maiores beneficiários da implosão do PSL? Tudo indica que o presidente da Câmara age discretamente para enfraquecer o presidente.

5) Qual será a próxima cartada do presidente Bolsonaro? Se ficar claro que não terá o controle do PSL, radicalizará publicamente seu discurso? E para qual partido acenará? Principal aposta, no momento, seria partido pequeno, como o Patriotas.

6) A maior parte – se não todos – dos parlamentares do PSL apostaram em forte presença nas redes sociais. Nesse âmbito, como será a reação de eleitores de direita ao racha no partido? Pressionarão parlamentares dissidentes ou abrirão flanco, até agora muito pequeno, de críticas ao presidente Bolsonaro?

7) E filhos do presidente, vão operar nas redes? Como será utilizada a gravação de duros ataques do delegado Waldir ao presidente Bolsonaro, obtida por deputado infiltrado no grupo que apoia Bivar, mas leal ao presidente?

9) Qual será a influência da debacle do PSL no humor da Câmara e do Senado em relação ao governo? Não parece haver risco direto à aprovação da reforma da Previdência em segundo turno, mas movimentações de parlamentares, amanhã, trarão importantes sinais de estratégias partidárias, daqui para a frente. Uma coisa é quase certa: candidatura de Eduardo Bolsonaro à Embaixada dos EUA está virtualmente morta, após suspensão da indicação pelo Planalto, há pouco.

10) Ainda nesse sentido, surgirão questionamentos mais claros sobre perda de governabilidade? Mesmo que vença disputa interna, presidente Bolsonaro pode ficar praticamente sem base no Congresso, em situação possivelmente mais frágil até do que a do governo Collor. Ao mesmo tempo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem aumentado interlocução com a Câmara e o Senado, para estabelecer agenda de reformas. Há chance, assim, de que avance, nesta quinta, uma espécie de governo paralelo, com o comando do Parlamento, em diálogo com ministro da Economia e não com o presidente. A conferir.

STF e o julgamento sem fim

Com o já previsto adiamento do julgamento do STF acerca da prisão em segunda instância, sexta-feira será dia de novas especulações e movimentações políticas sobre o tema. No Judiciário, no mundo político e na mídia. Fundamental observar esse equilíbrio, diariamente, porque é dele que resultará, na verdade, a decisão final do Supremo.

Empregos invisíveis

A se observar o comportamento da mídia e do mercado, amanhã, diante de resultados do Caged para setembro, que vieram com forte viés de alta, capitaneados pelo setor de serviços. Ao todo, foram criadas 157.213 vagas. Apesar de crescimento ainda claudicante, a economia vive seu melhor momento no atual governo. E, além do Caged de hoje, resultados do índice de Confiança do Empresário Industrial (CNI) devem vir positivos, amanhã.

Questão é: instabilidade política apagará a repercussão de avanços econômicos? Seria prenúncio extremamente negativo para o governo, que sustenta na economia boa parte de seu apoio junto a formadores de opinião.

Desastre ambiental

Se manchas de óleo, que agora atingem santuários naturais na Bahia e em Alagoas, continuarem a avançar, podem evoluir da condição de acidente para a de desastre ambiental. O risco, para o governo, é que ganhe força imagem de que efeitos do vazamento serão duradouros e podem devastar áreas de proteção ambiental, além de afetar definitivamente áreas turísticas.

Brexit ou não Brexit, eis a questão?

Internacionalmente, a temática que mais afetará o mercado amanhã, salvo surpresas de última hora, serão prognósticos sobre aprovação ou não do Brexit pela Parlamento britânico. Votação ocorrerá no sábado. Hoje, aposta é em que o novo acordo fechado pelo primeiro-ministro Boris Johnson com a União Europeia não passará, mas cenário é fluido.

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16.10.19

Tendências no STF

Termômetro

Tema do dia, amanhã, será o julgamento do STF acerca da prisão em segunda instância. Após guerra de comunicação movida pelos próprios ministros do Tribunal, quinta-feira se iniciará com cenário favorável para a ala chamada de garantista – contra a prisão em segunda instância.

Isso posto, sessão de amanhã servirá apenas para mapear posicionamento de ministros e tendências do julgamento. Decisão ficará para semana que vem.

O PSL anti-Bolsonaro

A se observar, amanhã, novos passos de alas opostas do PSL. Da parte de apoiadores de Luciano Bivar, pode haver movimentações para retirar Flávio e Eduardo Bolsonaro da presidência dos diretórios do partido no Rio e em São Paulo, respectivamente.

Já do grupo bolsonarista, continuidade de ação para retirar do cargo o líder do partido na Câmara, delegado Waldir, bem como para enfraquecer o senador Major Olímpio. É jogo arriscado, especialmente porque o próprio presidente Bolsonaro se engajou no processo. Se conseguirem, avançam decisivamente para comandar o partido; se perderem, evidenciarão que Bolsonaro já não tem controle sobre o PSL – ao menos no Parlamento.

Outros pontos que podem ganhar desdobramentos amanhã: 1) Revelação de novos dados sobre investigação envolvendo Luciano Bivar; 2) Questionamentos mais fortes sobre o que parece ser incongruência do presidente Bolsonaro, ao cobrar transparência no partido, mas manter o ministro do Turismo, denunciado pelo MP; 3) Avanços de apuração – e novas declarações – sobre denúncia de “rachadinha” no gabinete do deputado Gil Diniz, do PSL paulista.

Agenda de privatizações

Ministério da economia pode lançar amanhã boletim indicando que, durante a atual gestão, diminuiu-se o endividamento e os gastos das estatais e aumentou a distribuição de dividendos. Especula-se que a iniciativa seja uma forma de acelerar o processo de privatizações.

Trabalho e renda nos estados

No que tange indicadores econômicos do Brasil nesta quinta-feira, a salientar o Relatório Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, com ano base 2018, e o IPC-S Capitais 2Q de outubro (FGV). Voltado para orientar políticas públicas, o Rais, assim como a PNAD Contínua divulgada hoje pelo IBGE, não apresentará novidades em relação a 2019. Mas trará dados estruturais sobre o mercado de trabalho, com análise regionalizada de todos os estados brasileiros.

Já no que se refere ao IPC-S Capitais, semanal, interessa o monitoramento contínuo em outubro, para antecipar possibilidade ou não de nova deflação mensal.

Crescimento chinês

Na economia internacional, o destaque amanhã será a China, com uma série de indicadores que terão impactos em bolsas globais. A começar pelo PIB do terceiro trimestre, para o qual se prevê crescimento de 6,1%, ante 6,2% no segundo trimestre. Seria o número mais baixo – trimestralmente – em quase três décadas, ainda que dentro da margem prevista para o governo em 2019 (entre 6% e 6,5%). Se confirmado, não trará maiores surpresas, mas aprofundará percepção de perda de tração econômica.

Complementarão o quadro sobre a China, amanhã:

1) A Produção Industrial de setembro. Expectativa é de que venha em 5%. Dado é baixo para os padrões chineses, mas superior aos de julho e agosto;

2) Vendas no Varejo em setembro, para as quais  também é esperado número melhor que o de agosto (7,8% frente a 7,5%). Ainda que em patamares pequenos, tal alta, somada ao crescimento da produção industrial, pode indicar quarto trimestre melhor que o terceiro. A conferir.

3) Coletiva de Imprensa do Departamento Nacional de Estatística da China (DNE). Apesar dos limites do Estado chinês, trará um olhar interno para as tendências econômicas do país, no curto e médio prazos.

Saúde da construção nos EUA

Nos Estados Unidos, o foco será setor de construção, com a divulgação de dados de setembro para: 1) Licenças (Alvarás) de Construção; 2) Construção de Novas Moradias. Em ambos os casos, estima-se forte retração frente a agosto, quando o setor apresentou alta significativa (7,7% para licenças e 12,3% para novas moradias) e parecia iniciar recuperação.

Se o panorama negativo se confirmar, aprofundará dúvidas quanto à economia norte-americana. Ainda mais após resultados do varejo, expostos hoje, que surpreenderam o mercado ao apresentarem recuo de 0,3% em setembro.

Vale observar ainda, nesta terça, o Índice de Atividade Industrial do FED da Filadélfia. Projeção é de recuo, mas o resultado está em aberto. Números do setor industrial no estado de Nova York, por exemplo, vieram bem acima do esperado, hoje.

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