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13.01.20

Contabilidade do crime

Observatório

Por Kelly Nascimento, jornalista

Um estudo divulgado no final de 2019 mostra que o crime não é inimigo do capitalismo. Pelo contrário. Na pesquisa “Including Illegal Activity in the U.S. National Economic Accounts”, a economista Rachel Soloveichik desmistifica o tema e tangibiliza o peso que os negócios ilegais têm para os cofres das nações.

A pesquisadora usa como mote as diretrizes acordadas internacionalmente para as contas econômicas nacionais, o Sistema de Contas 2008 (SNA 2008). Elaborado pela Divisão de Estatísticas das Nações Unidas, o SNA recomenda que a atividade ilegal de mercado seja incluída na contabilidade das riquezas geradas pelos países. Apesar da recomendação, muitos países ainda ignoram o peso das atividades criminais em seu PIB. Os Estados Unidos são um deles. Segundo o Bureau of Economic Analysis (BEA) dos EUA, a contabilidade do crime não é feita devido aos desafios inerentes à identificação de dados de origem adequados e diferenças nas tradições conceituais.

Rachel Soloveichik explora como o rastreamento do peso econômico das atividades ilegais no país norte-americano pode impactar o PIB e outras estatísticas econômicas, como a produtividade.  A pesquisa usa como parâmetro o ano-base de 2017. Nesse período, o PIB nominal norte-americano aumentaria mais de 1% quando a atividade ilegal é rastreada nas Contas Nacionais de Renda e Produto (National Income and Product Accounts  – NIPAs).

O valor não computado supera US$ 200 bilhões. Praticamente o PIB de Angola. Os maiores colaboradores para esse incremento foram as drogas, que acrescentam US$ 111 bilhões ao PIB nominal; seguidas por fraudes empresariais (US$ 109 bilhões); prostituição (US$ 10 bilhões) e mercado de apostas em jogos ilegais (US$ 4 bilhões).

A União Europeia já contabiliza o peso da criminalidade em seu PIB. Outros países que seguiram esse caminho são Austrália, Canadá, Colômbia, Sérvia e Ucrânia. Até agora, a maioria das nações que implementaram as recomendações da ONU optou por se concentrar em duas atividades ilegais: drogas e prostituição.

Assim como os Estados Unidos, o Brasil não segue as diretrizes SNA. Dessa forma, fica sem saber ao certo o quanto criminosos como Fernandinho Beira-Mar e Marcola, mesmo atrás das grades, colaboram para movimentar a contabilidade nacional. Seria um exercício no mínimo interessante.

 

Quem ficou curioso pode acessar o estudo de Rachel Soloveichik na íntegra aqui: https://www.bea.gov/system/files/papers/WP2019-4_4.pdf

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27.11.18

Risco de caos sobrevoa os aeroportos brasileiros

O Natal de 2018 poderá reeditar o caos nos aeroportos registrado em março de 2004 e reprisado exatamente três anos depois. O RR não pretende fazer nenhum tipo de alarde, mas, simplesmente, alertar para o risco de repetição da desordem causada, respectivamente, pela paralisação da Polícia Federal e pela greve dos controladores aéreos. As imagens de filas intermináveis nas áreas de embarque e atrasos de mais cinco horas em voos permanecem na memória.

A ameaça desta vez vem dos aeronautas, que já acenam com uma paralisação no período das festas de fim de ano diante do impasse relacionado ao acordo coletivo da categoria. Hoje, em Brasília, haverá uma nova tentativa de negociação entre o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) e o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), com mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Até agora, no entanto, as tratativas sequer saíram do chão. Em assembleia na semana passada, os aeronautas recusaram a proposta de reajuste de 3% para pilotos, co-pilotos e comissários. Já se sabe que o índice é inferior à variação do INPC dos últimos 12 meses (o percentual exato será divulgado pelo IBGE na próxima semana).

Outro ponto de discórdia são as diárias dos trabalhadores em serviço: por ora, as companhias aéreas se recusam a reajustar os valores. Estão programadas para a próxima quinta-feira assembleias dos tripulantes em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Campinas. Na ocasião, os trabalhadores vão deliberar sobre o encaminhamento de uma contraproposta às companhias, além de traçar os próximos passos. A possibilidade de paralisação no fim do ano deverá ser discutida de forma mais contundente.

Antes mesmo do período de festas, o impasse nas negociações já poderá causar os primeiros efeitos na operação dos aeroportos. O SNA enviou ofício às empresas, à Anac, ao Ministério do Trabalho e ao Ministério Públicodo Trabalho chamando a atenção sobre questões que poderão afetar as escalas de trabalho dos aeronautas a partir de 1º de dezembro, data base da categoria, caso o acordo não seja assinado até a próxima semana. Em tempo: os funcionários das empresas de táxi aéreo também estão em período de renegociação salarial. Os trabalhadores deverão apresentar uma proposta de acordo amanhã.

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