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Reunião de parlamentares na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, hoje à tarde, deve levar, amanhã, a um desenho do cronograma inicial no Congresso para a tramitação da reforma tributária. Espera-se a confirmação de acordo entre a Câmara e o Senado para que o projeto seja tratado através de comissão mista.

Há expectativa, ainda, para posicionamento de lideranças do Legislativo sobre a proposta exposta hoje pela assessora especial do Ministério da Economia, Vanessa Canado, defendendo o fim de parte das isenções de impostos federais sobre os produtos da cesta básica, com contrapartidas para famílias de baixa renda.

A crise no INSS

Demissão do presidente do INSS, anunciada no final da tarde de hoje, acabará por aumentar o foco em problemas na concessão de benefícios pelo órgão, bem como na convocação de militares e aposentados para tentar regularizar o serviço, amanhã. Favorece fritura do secretário de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, que não consegue reverter imagem de que a medida é confusa e reflete improvisação.

O coronavírus: saúde e economia em foco

Desenrolar do contágio pelo Coronavírus, globalmente, e os três primeiros casos suspeitos assumidos pelo Ministério da Saúde, provocarão fortes cobranças amanhã:

1) Sobre medidas na rede de saúde e – aí envolvendo a Anvisa – em aeroportos. Será o primeiro grande teste para o ministro Luiz Henrique Mandetta, que, até o momento, com um nível de pressão ainda relativamente baixo, tem se saído bem; 2) Por avaliação da equipe econômica sobre os impactos para o Brasil. Mais do que a volatilidade da Bolsa, a preocupação se voltará para – ao que tudo indica inevitável ­ o efeito do vírus no PIB da China, maior parceiro comercial do país.

Sisu liberado: novo capítulo na educação

Decisão do STJ que reverteu a determinação de instâncias inferiores e liberou inscrições no Sisu vai amenizar a situação do ministro da Educação, amanhã. Tendência é de que, em não havendo nova reviravolta na Justiça, o presidente Bolsonaro mantenha o apoio a Weintraub. Mas tudo dependerá do grau de desgaste, já que o ministro sofre duros questionamentos, tanto na mídia quanto junto a estudantes e dentro do próprio governo. Se adotar atitude agressiva, amanhã, provocará reação generalizada.

No varejo: BNDES, Ricardo Salles, Flávio Bolsonaro e trabalho escravo

Uma série de temas delicados para o governo e o presidente estarão em pauta , nesta quarta, em diferentes graus:  1) Informação, a ser confirmada, de que no ano passado o ministro Ricardo Salles utilizou, sozinho, um avião da FAB, em iniciativa similar a que levou à demissão do secretário executivo da Casa Civil; 2) Declarações do presidente Bolsonaro hoje, sobre gastos de R$ 48 milhões em auditoria para revelar “caixa-preta” do BNDES, porão forte pressão para que o presidente do Banco, Gustavo Montezano, se manifeste publicamente sobre o tema; 3) A decisão do desembargador Antônio Amado, do TJ-RJ, para anular a quebra dos sigilos bancários e fiscal do senador Flávio Bolsonaro. O julgamento foi adiado e a quebra de sigilo mantida, no momento, mas interpretação do desembargador será questionada, bem como a estratégia de defesa do senador, que busca paralisar investigações; 4) Crescimento de 7,63% em denúncias de trabalho análogo à escravidão em 2019.

Trump e as reações aos planos de paz no Oriente Médio

Na política internacional, a quarta-feira será marcada por posicionamentos de lideranças europeias e palestinas, bem como do partido Democrata norte-americano, frente ao plano de paz para o Oriente Médio apresentado hoje pelo presidente Trump.

As expectativas na Indústria e o grau de incerteza no Brasil

Serão divulgados nesta quarta a Sondagem da Indústria da Construção (CNI), a Sondagem da Indústria (FGV) e o Indicador de Incerteza Econômica (FGV), todos para janeiro, bem como os dados de crédito e política monetária do Banco Central, de dezembro de 2019. Em relação a dados da CNI, espera-se a continuidade de expectativas futuras positivas, após bons números de dezembro. A conferir se há recuperação nos indicadores de produção, que apresentaram leve recuo no final de 2019.

Análise da indústria da FGV deve trazer panorama similar, com olhar favorável para os próximos três a seis meses e mais reticente no que tange a situação atual, ainda que haja provável aumento no Nível de Utilização da Capacidade Instalada. Já o Índice de Incerteza Econômica permanece bastante em aberto. Apresentou aumento de 7,3 pontos em dezembro, em parte devido a incertezas quanto ao panorama global, que volta a parecer instável no final de janeiro.

Por fim, em relação aos dados do crédito do BC, estima-se tendência de alta tanto para famílias quanto para o setor empresarial. E haverá atenção da mídia para os juros cobrados no cartão de crédito e no cheque especial.

Os juros e a economia nos EUA

No exterior, destaque nos EUA para a primeira reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed no ano, seguida de entrevista do presidente da instituição, Jerome Powell. Não se espera alteração na taxa de juros, e o diagnóstico do Banco Central norte-americano deve se manter na linha de avanço moderado na economia e sem indicações de aceleração importante na inflação. Também nos EUA saem números de dezembro para a Balança Comercial de Bens (expectativa é de pequeno aumento do déficit) e a Venda Pendente de Moradias, com estimativa de crescimento de 0,5%, frente a 1,2% em novembro.

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O pedido de suspensão de inscrições no Sisu, Fies e Prouni, sob pena de multa diária de R$ 10 milhões, protocolado hoje pelo MPF – que se soma à admissão de falhas na impressão de provas de Enem por gráfica responsável – por si só já provocará abalo significativo na imagem da atual gestão do MEC, amanhã. Se a demanda for aceita pela Justiça, cobrança sobre o ministro Weintraub ganhará contornos de fritura.

Bolsonaro: acordos comerciais e pautas do Brasil

O primeiro dia de agenda oficial do presidente Bolsonaro na Índia estará em foco amanhã, com dupla abordagem:

1) Na possibilidade concreta de acordos bilaterais entre os dois países;

2) Em novos questionamentos ao presidente Bolsonaro sobre assuntos que ganharam ampla dimensão no Brasil. Como, por exemplo: a) O desgaste com o ministro Moro, a deportação de brasileiros irregulares dos EUA em voo fretado, prevista para hoje à noite, os problemas no INSS, no BNDES e no MEC, pelo lado negativo; b) A melhoria no mercado de trabalho, com bons resultados na criação de empregos em 2019, pelo lado positivo. O tema deve gerar pautas favoráveis amanhã e valorização do ministro Guedes.

Bolsonaro X Moro

Justamente, apesar de recuo do presidente Bolsonaro na recriação do Ministério da Segurança, haverá sequelas amanhã, com a conclusão, quase consensual, de que, por um lado, ele tentou se afirmar diante de Moro e que, por outro, se viu obrigado a voltar atrás frente à demonstração de força do ministro da Justiça. Crescerá a imagem de que Moro, cada vez mais, representa liderança alternativa no campo da centro-direita.

Mourão voltará à cena definitivamente?

O vice-presidente Mourão, que nessa semana ganhou destaque em três assuntos estratégicos – e delicados – para o Governo (Conselho da Amazônia; contratações emergenciais do INSS e manutenção da segurança sob a alçada do Ministério da Justiça) terá o protagonismo testado nos próximos dias, ainda mais com a ausência do presidente Bolsonaro do país. Anteriormente, toda vez que recebeu espaço significativo na mídia teve as asas cortadas pelo presidente ou por grupos ligados a ele. Nesse âmbito, o tema do INSS, particularmente, continuará em foco, já que agora envolverá, para responder a questionamentos do TCU, medida provisória permitindo a contratação de aposentados civis, além dos militares.

A vez da Receita?

Pode ganhar corpo amanhã – inclusive alimentado por funcionários do órgão – noticiário sobre falhas técnicas e dificuldades no portal da Receita Federal, que já tiveram espaço no início da semana. Se o tema crescer, será associado a problemas no INSS.

Regina Duarte sob bombardeio

Enquanto não assume a Secretaria de Cultura, Regina Duarte sofrerá uma espécie de devassa nos próximos dias e terá que responder a questões que continuam a se suceder. Da nomeação da pastora evangélica Jane Silva como secretária adjunta da pasta a – mais desgastante – contas rejeitadas em projeto na Lei Rouanet e o fato de que recebe pensão por ser filha de militar. A dúvida é qual será a atitude de Duarte: assumirá posição ofensiva ou recuará?

O BNDES na defensiva

Espera-se, até amanhã, posicionamento do BNDES frente a pedido de explicação do TCU sobre gastos de R$ 48 milhões com auditoria que não detectou indícios de corrupção no Banco. A instituição tem 20 dias para prestar informações, mas precisa de reação imediata para que o tema não se torne calcanhar de aquiles da atual gestão.

O Coronavírus em pauta

A despeito de não haver confirmação de nenhum caso no Brasil e de letalidade relativamente baixa, vai crescer exponencialmente nos próximos dias a preocupação sobre o coronavírus no país, com a notícia não apenas de ampliação da doença na China como de primeiros casos registrados na Europa. Ministério da Saúde passará por teste importante, diariamente, no que se refere a medidas para evitar entrada do vírus no país ou, caso entre, enfrentar possibilidade de contágio.

Os resultados de Davos

Balanço do Fórum, amanhã, tende a indicar fortalecimento de Paulo  Guedes e cobranças ambientais ao Brasil, com importantes implicações econômicas.

A indústria, o comércio e o setor externo

A conferir, na próxima segunda, a Sondagem da Indústria de dezembro (CNI), a Sondagem do Comércio de janeiro (FGV) e a Nota para a Imprensa do Setor Externo referente a dezembro (BC). Vale particular atenção para números da CNI porque o levantamento apontou resultados acima do esperado em novembro, tanto no índice de produção quanto no número de empregados, o que, para a Confederação, indicava ganho de tração do setor.

Em relação ao Comércio, o panorama tem sido mais dividido, com avaliação positiva da situação atual, em dezembro (crescimento de 0,9 ponto) e negativa nas expectativas futuras (recuo de 0,4 ponto). Interessa especialmente porque o setor tem sido motor importante da recuperação econômica, e divulgação recente de resultados abaixo do esperado para a Black Friday alimentou certa preocupação no mercado. Já no que tange  o setor externo, expectativa é de déficit em conta corrente acima de US$ 4 bilhões (número é esperado para o mês) e investimentos diretos na faixa de US$ 7,5 bilhões.

O ambiente econômico na Alemanha e o mercado imobiliário nos EUA

Internacionalmente, destaque para o Clima de Negócios (IFO) na Alemanha, para o qual se espera avanço de 96,3 para 97 a 97,3 pontos; e na Venda de Casas Novas nos EUA em dezembro, com expectativa de crescimento sobre números do mês anterior.

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Anúncio do ministro Guedes, de que o governo pedirá adesão formal ao Acordo de Compras Governamentais, que oferece tratamento isonômico a empresas nacionais e estrangeiras em licitações públicas, levará a questionamentos amanhã. Não somente a Guedes quanto ao presidente Bolsonaro.

A medida será saudada pela opinião púbica liberal e por parte da mídia e abrirá novo campo de ação – positivo –, já que teria grande impacto na economia e representaria transformação histórica nas práticas do setor público.

Ao mesmo tempo, o ministro e o presidente terão de responder a dúvidas que permanecem no ar, particularmente o receio de que a mudança prejudique a indústria brasileira. Manifestações de associações do setor, particularmente da Fiesp, serão termômetro importante, nesta quarta.

Também será cobrado do ministro um cronograma para implantação prática da iniciativa.

Outros dois temas levantados por Guedes pautarão o noticiário de amanhã:

1) Declaração de que pobreza é a maior responsável por problemas ambientais. Para além de reações negativas de hoje, deve haver olhar crítico, nesta quarta, tanto para políticas ambientais do governo (com o gancho da criação do Conselho da Amazônia, anunciada hoje) quanto para as sociais, que ainda aparecem como gargalos da atual gestão.

2) Previsão de que o PIB de 2019 virá com crescimento de 1,2% e o de 2020 em 2,5%. Apesar de divergências, mercado tende a corroborar previsões para 2020, amanhã, mas Monitor do PIB da FGV lançou incerteza significativa quanto a crescimento para além de 1% em 2019.

Greenwald, MPF e reação internacional

Indiciamento do jornalista Glenn Greenwald pelo MPF de Brasília levará a novos questionamentos acerca de suposto corporativismo do Ministério Público.  Além da reação de entidades de Imprensa, resposta internacional tende a ser negativa, como já demonstra a abordagem inicial do relator da ONU sobre liberdade de expressão, David Kaye.

O ministro Gilmar Mendes subiu o tom, e afirmou que a denúncia afronta sua decisão , que havia proibido investigações sobre Greenwald.

Cultura e educação: sinais de fumaça

Continuarão em foco amanhã as áreas: 1) Da cultura, com expectativa de que Regina Duarte comece a delinear, mesmo que em declarações de bastidores, sua visão da pasta e de seu período de testes na secretaria; 2) Da educação, com questionamentos ao Sisu, sistema que proporciona a inscrição de alunos aprovados pelo Enem em Universidades Públicas e que apresentou problemas hoje – somados a dúvidas que ainda pairam sobre erros em correção de provas do próprio Enem.

Denúncia impactará a Vale

A Vale sofrerá forte desgaste amanhã – em termos de imagem e no mercado – com denúncia do Ministério Público de Minas contra  16 ex-funcionários da empresa e da Tüv Süd por homicídio duplamente qualificado e crimes ambientais decorrentes do rompimento da barragem em Brumadinho. O maior impacto virá de acusações de que a companhia ocultou informações sobre o risco de barragens.

A indústria no Brasil e o mercado imobiliário nos EUA

No Brasil, destaque amanhã para a prévia da sondagem da indústria, primeira avaliação do setor pela FGV em 2020.

O índice fechou 2019 bem, com alta de 3,2 em dezembro, atingindo o patamar de 95,5 pontos e registrando avanço em todos os quesitos (destaque para expectativas de volume de pessoal ocupado, que chegaram a 97,2 pontos), menos no Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI), que recuou 0,2 ponto.

De lá para cá, no entanto, surgiram dúvidas quanto ao fôlego do setor, de modo que a sondagem de janeiro terá papel importante para estabelecer projeções do ano corrente.

No exterior, a conferir a Venda de Casas Usadas nos EUA, em dezembro, para a qual se espera crescimento acima de 1% após queda acima da esperada pelo mercado em dezembro, de 1,7%.

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