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18.10.19

A implosão do atual modelo de saúde suplementar

Observatório

Por José Luis Oliveira, designer de produto e UX researcher na Nexa – Digital Health Solutions.

Os consumidores de planos de saúde tem notado, ano após ano, um aumento pouco saudável dos preços referentes ao sistema de saúde suplementar. Não importa qual é o perfil do usuário, seja o de planos de saúde coletiva por adesão (aqueles contratados por pessoa física e geridos por administradora), seja o de planos empresariais, todos estão sentindo no bolso os sucessivos reajustes.

A variação dos preços de saúde é medida pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) por meio do Índice de Variação de Custo Médico-Hospitalar (VCMH). Uma análise superficial do histórico recente do VCMH de 2016, 2017 e 2018 (19,0%, 19,4% e 16,9% respectivamente) pode apontar uma tendência de melhora, já que no último ano houve uma desaceleração no aumento. No entanto, quando se compara o VCMH ao IPCA, é assustador o impacto dos preços de saúde suplementar na cesta do cidadão brasileiro. Em 2018, o VCMH variou 16,9% contra um IPCA de 3,7%. Em 2017 o IPCA acumulou 2,9% e em 2016, 6,3%.

Os clientes têm sofrido anualmente com comunicados de reajuste cada vez mais indigestos, e o ecossistema de saúde vem sentindo os efeitos dessa endemia. As operadoras de plano de saúde tentam promover ações emergenciais como gestão de saúde através de programas de atenção primária e promoção de saúde, que só servem para reduzir as perdas. Nada disso muda o fato de que o sistema de saúde entrou em rota de colapso e o atual modelo está com os dias contados.

Não cabe apontar culpados para a implosão anunciada, mas o diagnóstico é que o modelo de Fee for Service adotado pelas operadoras produz incentivos contraditórios em alguns elos da cadeia de valor. Para exemplificar, podemos citar hospitais e clínicas que, em seus modelos de negócios, são remunerados pelas operadoras de saúde por procedimento realizado. Entretanto, quem tem domínio decisório sobre a necessidade dos procedimentos são os próprios hospitais e clínicas, que incluem os pedidos nos prontuários de seus pacientes.

Observe como se iniciou o ciclo da morte. Aos primeiros sinais de avanço da sinistralidade, as operadoras de saúde reajustavam para baixo os preços pagos por procedimentos aos prestadores de serviço, apertando suas margens de lucro. Por sua vez, os prestadores de serviços eram incentivados a aumentar o volume de procedimentos de modo a manter saudável seus negócios. Como consequência, esse aumento de procedimentos retroalimentava o problema, gerando um novo aumento da sinistralidade.

Esse círculo vicioso e autodestrutivo avançou por alguns anos, repassando majoritariamente para a ponta pagadora os custos referentes ao aumento da sinistralidade. Agora, porém, em um momento econômico desfavorável, o prognóstico é que a clientela não está mais suportando o aumento dos preços de saúde suplementar. As empresas partiram para medidas drásticas como downgrade dos planos, e parcela expressiva das pessoas físicas que contratavam planos de saúde estão optando por suspender a assistência.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou um relatório em maio de 2019 que aponta uma perda de mais de 210 mil clientes para os planos de saúde somente entre os meses de dezembro/18 e março/19. O relatório aponta ainda que a maior queda se deu entre os clientes que contratavam planos individuais, ou seja, quase 50% do total da perda no período.

Análises variadas mostram uma forte redução do número de beneficiários, que podem ser justificadas pelo crescimento do mercado informal (que não oferece plano de saúde), pela incapacidade das empresas de arcar com os custos, pelo momento de letargia econômica ou pela alta taxa de desemprego. A doença é mais fácil de ser identificada, o difícil é criar a vacina.

Qual é o caminho para sair desse ciclo mortífero? Essa ainda é uma pergunta sem resposta, mas insistir nesse jogo de empurra entre os elos da cadeia não parece ser a melhor saída para resolver o problema. O cenário mais provável é que os planos de saúde se tornem um luxo das classes mais altas. Diante desse contexto, a sustentabilidade do sistema atual está gravemente ameaçada. A implosão do modelo já é dada como certa, só não se sabe qual será a data do óbito.

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14.06.19

Crédito saúde

O reajuste anual dos planos de saúde está na casa de 19%. Parece juro de cartão de crédito.

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