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05.04.22

A política monetária de dois gumes do BC

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, pode bater com o pé no chão, gesticular, esbravejar, desmentir, mas a verdade é que a política monetária está voltada mais para o câmbio do que para a inflação. O que, na atual circunstância, não chega a ser um crime de lesa macroeconomia, e, sim, uma reedição do enigma galináceo de quem nasceu antes: o ovo ou a galinha. O BC diz que só mira a inflação e não o câmbio, que desabou para R$ 4,60.

Dois motivos teriam impactado o dólar: os preços das commodities e a astronômica taxa de juros real, que namora os 7% – a expectativa de instituições financeiras, como o Barclays, é de que a Selic alcance 13,75% em junho. O BC não tem influência sobre os preços das commodities. Mas manda e desmanda nos juros. A priori o que se diz é que os juros elevados são para baixar a carestia. Pode ser. Mas é curioso o remédio de juros altos quando a economia rasteja, há uma quebra das cadeias de produção e não se identifica pressão de demanda.

Só se o BC considerar que os auxílios dados por Jair Bolsonaro provocarão algum frenesi sobre o consumo, principalmente nos bens de primeira necessidade. Parece difícil. Há quem diga que o BC faz uma política de dois gumes. Combate a inflação através do câmbio, o que ajudaria também a reduzir a transmissão das cotações das commodities para os preços internos. De quebra, a autoridade monetária afastaria o risco de histerese provocado por uma insegurança crescente em relação às contas públicas. Lembrando que histerese é quando juros altos deixam de ter efeito na inflação.

Mas não deixam de ter no câmbio, pois o fluxo de moeda segue como uma manada para os países que oferecem taxas mais altas. Os únicos juros no planeta mais altos do que no Brasil são as taxas praticadas na Rússia. Mas aí não conta, pois o país está em guerra e sofrendo sanções de toda a ordem, inclusive o congelamento das suas reservas em bancos estrangeiros. Com o real fortalecido, as importações tendem a aumentar, e os preços a cair.

Tudo muito bom, tudo muito bem. No entanto, a cadeia de transmissão dos juros, câmbio e inflação, mesmo dando certo, também deixa mortos no caminho: a atividade produtiva e o emprego. Sob esse aspecto vamos mal, com projeções de um PIB inferior a 1% e um desemprego de 12%. A festa é só para o baronato das commodities, com rentabilidade superior a até 300%. Talvez fosse a hora de instituir um imposto sobre o setor, como fazem vários países do mundo, transferindo dinheiro para o combate à pobreza, investimentos em obras públicas e o próprio ajuste fiscal.

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24.03.22

Palavra do ministro da Economia

Paulo Guedes tem dito, em suas conversas com interlocutores do mercado, que quem apostar em um dólar acima de R$ 5,10 a R$ 5,20 vai perder dinheiro. Segundo o ministro da Economia, com mais de US$ 350 bilhões em reservas e a tropa de choque de operadores da mesa de câmbio do Banco Central, pilotados por Roberto Campos Neto, pode vir a terceira guerra mundial que o dólar não dispara.

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02.09.21

Independência

Lula quer conversar com Roberto Campos Neto. Tudo bem. O presidente do Banco Central é independente.

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30.07.21

A independência e a independência do BC

A autonomia do Banco Central tem dois caminhos ainda a serem trilhados. Um é a independência de direito – como se sabe, o STF ainda julga a constitucionalidade ou não da lei que estabeleceu a autonomia do BC. A outra é a soberania de fato. Com algumas casas bancárias prevendo a resiliência da inflação – com estimativa de um IPCA de 8% em 2021 e de 5% em 2022 -, Roberto Campos Neto vai ter de caprichar na elevação da taxa de juros. Ocorre que a combinação juros elevados e campanha eleitoral é algo parecido com fogo e álcool. A ver se a independência do BC, que demorou 30 anos para ser sancionada, suportará a provável pressão de Jair Bolsonaro para que as taxas não atravessem 2022 prejudicando o ambiente de negócios e a geração de empregos. O RR torce para que a autonomia do BC não demore outras três décadas.

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01.07.21

Campos Neto vai precisar de muita autonomia

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, trabalha intensamente nos bastidores do Congresso com o objetivo de desbastar o caminho para que a autoridade monetária seja independente. Por enquanto, a lei da autonomia do BC está parada no STF, cujo julgamento, previsto para o último dia 25, foi adiado sine die. A preocupação de Campos Neto é que ele terá que brandir o chicote dos juros de forma mais violenta. Com as metas de inflação sendo fixadas cada vez mais para baixo pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), há um consenso de que o BC vai meter a ripa na política monetária. Para 2023, o CMN estabeleceu o target de 3,25%. Para chegar nesse ponto, com uma inflação beirando a casa dos 6,5% neste e no próximo ano, a Selic deve correr na faixa de 7%, no barato. Sem a aprovação da autonomia do BC, Campos Neto acha que a política de juros pode ser abortada pela política eleitoral. Em 2024, a meta da carestia é de 3%. Para que isso, gente? Nos EUA, ela é de 2%. O BC Europeu também pôs seu target em 2%, mas, na realidade, tem sua meta em 2,5%. Nas internas, sabe-se que Campos Neto ficou um tanto amuado com as decisões do CMN. Porém, como é muito político, deixou como está para ver como é que fica. Resta correr para blindar o BC.

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08.01.21

Causa e efeito

É grande a torcida para que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, aguente as pressões e mantenha a taxa Selic na faixa de 2% pelo menos até meados do ano. A Selic mais baixa teve um papel importante na melhoria do ambiente de negócios e na redução da dívida interna bruta em relação ao PIB no ano de 2020. O índice ficou em 89% no mês de novembro e muito provavelmente fechará o ano de 2020 próximo dos 90%. Será, portanto, um indicador bem mais confortável dos que os 100% de dívida interna bruta sobre o PIB que vinham sendo projetados pelas casas bancárias. Se o PIB de 2021 crescer em torno de 5%, como projeta o economista Affonso Pastore, cai mais ainda.

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26.11.20

Uma espiada por dentro do Banco Central

Há uma torcida dentro de casa, ou seja, entre os próprios funcionários graduados do Banco Central, para que Roberto Campos Neto não ceda e mantenha a taxa de juros nos 2%. A premissa é que a inflação deste ano não passa de 4% e, nessas condições, com a Selic preservada, um bocado de dinheiro vai sair das aplicações para o consumo. A ver.

 Ainda por dentro do BC, segue o debate sobre a decisão do CMN de baixar a meta de inflação até 2023. Pelo Conselho saímos neste ano dos 4% para 3,75% (2021), 3,5% (2022) e 3,25% (2023). Há pouco ganho e mais risco com as medidas. Basta um repique da inflação e olha aí o BC sendo pressionado a aumentar os juros. Mas há tempo de sobra para recuar na medida.

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23.11.20

Gabigol

Palavras de um assessor da equipe econômica com um nome esquisito: “Demorou para o Roberto Campos Neto se livrar da influência do Ilan Goldfajn. Mas agora ele está um craque.” O RR assina embaixo.

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01.09.20

Os recados do Fed para o Banco Central

O posicionamento do Federal Reserve (Fed) em relação à fantasia de uma “inflação ótima” emitiu um sinal para o BC de que não há uma política monetária ortodoxa única. Ou seja: a ortodoxia tem também suas subdivisões. A posição do Fed é de que a autoridade monetária deve buscar não somente a queda da taxa de inflação, mas também o pleno emprego, além de suportar uma carestia mais alta se essa variável for uma condicionante para o alcance da meta dupla (o índice dos preços controlado e a taxa de ocupação de mão de obra elevada). Um recado sob medida para o BC de Roberto Campos Neto, que não fala uma vírgula sobre desemprego no seu forward guindance.

Campos Neto está pensando dentro de uma caixinha: meta de inflação mais baixa, juros mais baixos, curva de juros longos represada e o resto entregue a Deus e ao ajuste fiscal. Não é que o conjunto da obra esteja errado. Mas não quer dizer que não haja outra forma de pensar a política monetária. A meta de inflação poderia estar mais alta, na faixa de 4,75%, conforme defende o “pai do sistema de metas”, Sérgio Werlang, ex-diretor do BC. Hoje a meta se encontra em 4%, mas, irá cair para 3,75% no próximo ano, estreitando o espaço para o manejo da política monetária.

Outra lição do Fed: se há meta para inflação, tem de se ter também uma meta explícita para o emprego, e são ambos que devem regular a política da autoridade monetária. Apesar de toda a sofisticação dos modelos econométricos, há muito do “assim é se lhe parece” na política de metas. Um exemplo é o cálculo da inflação que interessa ao sistema de metas. Em agosto, por exemplo, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGPM) voltou a ganhar tração, subindo no mês 2,74%.

Passou a acumular alta de 13,02% em 12 meses e de 9,64% em 2020. O IPCA de agosto ainda não foi divulgado, mas os números conhecidos apontam um índice de 0,36% para o mês de julho, com um acumulado de 2,31% em 12 meses. Em julho de 2019, a taxa havia ficado em 0,19%. Há índice para todos os gostos. Como diria Max Planck, “tudo é relativo”. Não é o caso de se dizer que o BC esteja errado. Mas nada impossibilita que ele siga o exemplo das autoridades monetárias de países centrais. É provável que acerte mais. Afinal, se juros baixos não estimulam investimento em nações desenvolvidas, que venha a pressão pela demanda com pleno emprego e pelo aumento de salários, o que pode ajudar a puxar a inflação e colaborar com o fiscal.

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A título de chiste: o governo Bolsonaro ainda não deu posse a Roberto Campos Neto no Banco Central. Ao menos não no site do Palácio do Planalto, onde Campos Neto ainda aparece apenas como presidente indicado do BC.

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