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02.09.21

Independência

Lula quer conversar com Roberto Campos Neto. Tudo bem. O presidente do Banco Central é independente.

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30.07.21

A independência e a independência do BC

A autonomia do Banco Central tem dois caminhos ainda a serem trilhados. Um é a independência de direito – como se sabe, o STF ainda julga a constitucionalidade ou não da lei que estabeleceu a autonomia do BC. A outra é a soberania de fato. Com algumas casas bancárias prevendo a resiliência da inflação – com estimativa de um IPCA de 8% em 2021 e de 5% em 2022 -, Roberto Campos Neto vai ter de caprichar na elevação da taxa de juros. Ocorre que a combinação juros elevados e campanha eleitoral é algo parecido com fogo e álcool. A ver se a independência do BC, que demorou 30 anos para ser sancionada, suportará a provável pressão de Jair Bolsonaro para que as taxas não atravessem 2022 prejudicando o ambiente de negócios e a geração de empregos. O RR torce para que a autonomia do BC não demore outras três décadas.

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01.07.21

Campos Neto vai precisar de muita autonomia

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, trabalha intensamente nos bastidores do Congresso com o objetivo de desbastar o caminho para que a autoridade monetária seja independente. Por enquanto, a lei da autonomia do BC está parada no STF, cujo julgamento, previsto para o último dia 25, foi adiado sine die. A preocupação de Campos Neto é que ele terá que brandir o chicote dos juros de forma mais violenta. Com as metas de inflação sendo fixadas cada vez mais para baixo pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), há um consenso de que o BC vai meter a ripa na política monetária. Para 2023, o CMN estabeleceu o target de 3,25%. Para chegar nesse ponto, com uma inflação beirando a casa dos 6,5% neste e no próximo ano, a Selic deve correr na faixa de 7%, no barato. Sem a aprovação da autonomia do BC, Campos Neto acha que a política de juros pode ser abortada pela política eleitoral. Em 2024, a meta da carestia é de 3%. Para que isso, gente? Nos EUA, ela é de 2%. O BC Europeu também pôs seu target em 2%, mas, na realidade, tem sua meta em 2,5%. Nas internas, sabe-se que Campos Neto ficou um tanto amuado com as decisões do CMN. Porém, como é muito político, deixou como está para ver como é que fica. Resta correr para blindar o BC.

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08.01.21

Causa e efeito

É grande a torcida para que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, aguente as pressões e mantenha a taxa Selic na faixa de 2% pelo menos até meados do ano. A Selic mais baixa teve um papel importante na melhoria do ambiente de negócios e na redução da dívida interna bruta em relação ao PIB no ano de 2020. O índice ficou em 89% no mês de novembro e muito provavelmente fechará o ano de 2020 próximo dos 90%. Será, portanto, um indicador bem mais confortável dos que os 100% de dívida interna bruta sobre o PIB que vinham sendo projetados pelas casas bancárias. Se o PIB de 2021 crescer em torno de 5%, como projeta o economista Affonso Pastore, cai mais ainda.

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26.11.20

Uma espiada por dentro do Banco Central

Há uma torcida dentro de casa, ou seja, entre os próprios funcionários graduados do Banco Central, para que Roberto Campos Neto não ceda e mantenha a taxa de juros nos 2%. A premissa é que a inflação deste ano não passa de 4% e, nessas condições, com a Selic preservada, um bocado de dinheiro vai sair das aplicações para o consumo. A ver.

 Ainda por dentro do BC, segue o debate sobre a decisão do CMN de baixar a meta de inflação até 2023. Pelo Conselho saímos neste ano dos 4% para 3,75% (2021), 3,5% (2022) e 3,25% (2023). Há pouco ganho e mais risco com as medidas. Basta um repique da inflação e olha aí o BC sendo pressionado a aumentar os juros. Mas há tempo de sobra para recuar na medida.

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23.11.20

Gabigol

Palavras de um assessor da equipe econômica com um nome esquisito: “Demorou para o Roberto Campos Neto se livrar da influência do Ilan Goldfajn. Mas agora ele está um craque.” O RR assina embaixo.

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01.09.20

Os recados do Fed para o Banco Central

O posicionamento do Federal Reserve (Fed) em relação à fantasia de uma “inflação ótima” emitiu um sinal para o BC de que não há uma política monetária ortodoxa única. Ou seja: a ortodoxia tem também suas subdivisões. A posição do Fed é de que a autoridade monetária deve buscar não somente a queda da taxa de inflação, mas também o pleno emprego, além de suportar uma carestia mais alta se essa variável for uma condicionante para o alcance da meta dupla (o índice dos preços controlado e a taxa de ocupação de mão de obra elevada). Um recado sob medida para o BC de Roberto Campos Neto, que não fala uma vírgula sobre desemprego no seu forward guindance.

Campos Neto está pensando dentro de uma caixinha: meta de inflação mais baixa, juros mais baixos, curva de juros longos represada e o resto entregue a Deus e ao ajuste fiscal. Não é que o conjunto da obra esteja errado. Mas não quer dizer que não haja outra forma de pensar a política monetária. A meta de inflação poderia estar mais alta, na faixa de 4,75%, conforme defende o “pai do sistema de metas”, Sérgio Werlang, ex-diretor do BC. Hoje a meta se encontra em 4%, mas, irá cair para 3,75% no próximo ano, estreitando o espaço para o manejo da política monetária.

Outra lição do Fed: se há meta para inflação, tem de se ter também uma meta explícita para o emprego, e são ambos que devem regular a política da autoridade monetária. Apesar de toda a sofisticação dos modelos econométricos, há muito do “assim é se lhe parece” na política de metas. Um exemplo é o cálculo da inflação que interessa ao sistema de metas. Em agosto, por exemplo, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGPM) voltou a ganhar tração, subindo no mês 2,74%.

Passou a acumular alta de 13,02% em 12 meses e de 9,64% em 2020. O IPCA de agosto ainda não foi divulgado, mas os números conhecidos apontam um índice de 0,36% para o mês de julho, com um acumulado de 2,31% em 12 meses. Em julho de 2019, a taxa havia ficado em 0,19%. Há índice para todos os gostos. Como diria Max Planck, “tudo é relativo”. Não é o caso de se dizer que o BC esteja errado. Mas nada impossibilita que ele siga o exemplo das autoridades monetárias de países centrais. É provável que acerte mais. Afinal, se juros baixos não estimulam investimento em nações desenvolvidas, que venha a pressão pela demanda com pleno emprego e pelo aumento de salários, o que pode ajudar a puxar a inflação e colaborar com o fiscal.

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A título de chiste: o governo Bolsonaro ainda não deu posse a Roberto Campos Neto no Banco Central. Ao menos não no site do Palácio do Planalto, onde Campos Neto ainda aparece apenas como presidente indicado do BC.

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08.02.19

Confissão de culpa?

Roberto Campos Neto está em campanha. Na última quarta-feira, um dia após o Planalto, finalmente, enviar ao Senado sua indicação para a presidência do Banco Central, Campos Neto passou a tarde no Congresso Nacional. Conversou com mais de uma dezena de parlamentares. O que mais chamou a atenção foi a curiosidade dos congressistas em relação a seus planos no BC para o combate a crimes financeiros.

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19.11.18

Enigma de “Bob Neto” ameaça devorar o mercado

Apesar das saudações protocolares de primeira hora, o mercado ainda não decifrou o que vem sendo chamado de “enigma Roberto Campos Neto”. Ou, para os mais íntimos, enigma “Bob Neto”. Ou, para os ainda mais íntimos, “ROC Jr” – uma alusão à distribuidora de valores com o mesmo nome, pertencente ao pai do novo presidente do BC. Até então, a gestão Ilan Goldfajn buscava a sinalização dos juros dentro do sistema de metas. Era um BC que dava informações tendo por objetivo minimizar as distorções e ruídos provenientes do mercado para reduzir as flutuações do PIB. Um BC clássico do modelo inflation target. Há suspeita de que os planos da dupla Bob Neto e Paulo Guedes passem pela mudança da política operacional do BC. O perfil de Bob Neto é de treasury, ou seja, de alguém que é especialista em arbitragem; que opera as lacunas de informações diárias. Esse modelo seria o mais compatível com o maneira “PG de ser”. O ministro da Economia gosta de ser o formulador para que seu sniper no BC execute. A fórmula não é nada nova, pelo contrário. A maior parte dos presidentes do BC sempre operou em dobradinha com os ministros da Fazenda. O que não quer dizer que tenha dado certo.

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