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28.11.19

A denúncia no Tribunal Penal Internacional e o fator simbólico

Termômetro

A denúncia por crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional deve ensejar reação do presidente, entre hoje e amanhã. A ação ainda não foi aceita pela Corte e, mesmo que seja, dificilmente terá consequências práticas. Mas vai criar novo símbolo de que a atual gestão não tem políticas nem para a população indígena nem de proteção ambiental. Como resultado, tais setores devem ser avaliados de maneira fortemente crítica, nesta sexta.

Paralelamente, aumentará o interesse, nacional e internacional, para o caso de membros de ONG no Pará, presos sob acusação de terem participado de incêndio da floresta na região. Justiça acaba de determinar soltura dos acusados e, até o momento, prevalece na mídia imagem de que a investigação policial é confusa e não apresenta nenhuma prova.

STF libera o Coaf

A decisão final do STF, liberando o compartilhamento de dados pelo Coaf com o MP, sem autorização judicial, vai aprofundar o destaque para investigações que atingem o senador Flávio Bolsonaro. O alvo central, nesta sexta, será o possível enfraquecimento político de Flávio e suas consequências para o núcleo duro do presidente, ora mobilizado para a criação de novo partido.

A PEC Emergencial e os servidores

Deve ser apresentado amanhã o parecer do relator da PEC Emergencial, o senador Oriovisto Guimarães (Pode-PR). Ministro Guedes já salientou que a PEC ficará para o ano que vem, em função de considerações políticas. No entanto, a leitura do parecer em si, se ocorrer, já provocará desgaste para o governo junto a servidores públicos, que seriam os principais afetados com a medida. Também obrigará o presidente ou o ministro a se posicionarem novamente sobre o tema

Petrobras 2024

Estarão em pauta, amanhã, detalhes do plano de investimentos da Petrobras de 2020 a 2024, anunciado hoje. Destaques serão: 1) Diminuição de valores previstos, em comparação ao plano anterior, para o período de 2019 a 2023 (US$ 75,7 bilhões contra US$ 84,1 bilhões); 2) Priorização do segmento de exploração e produção, com foco no pré-sal. Tanto agentes econômicos quanto a mídia devem avaliar positivamente o planejamento da estatal.

A exclusão da Folha de São Paulo e a reação da Imprensa

Os desdobramentos de exclusão da Folha de São Paulo de licitação da Presidência para assinatura de jornais ainda são incertos. Se demais veículos de mídia se mobilizarem, amanhã, pode haver maior impacto para o governo.

EUA, Hong Kong e Uruguai

Na política internacional, serão dois os principais temas, nesta sexta:

1) O grau de comprometimento do presidente Trump com projeto de lei por ele sancionado, em apoio à democracia em Hong Kong. Questão está no ar porque não houve, ainda, manifestação clara dos EUA diante de dura (mas possivelmente retórica) reação inicial da China. Hoje, Trump tratou apenas de retomada de negociações com o Talibã, no Afeganistão.

2) Primeiros passos de Lacalle Pou  –  confirmado hoje como presidente eleito do Uruguai –,  particularmente no que tange ao Brasil. Pou, de centro direita, rompe com domínio de 15 anos da Frente Ampla (coalização de centro esquerda)  no governo federal.

Mapa da economia brasileira

Estão previstos para amanhã uma série de indicadores com impacto em expectativas econômicas no Brasil. Destaque para:

1) A PNAD Contínua de outubro. Espera-se leve recuo em números do desemprego, na faixa de 11,6% (contra 11,8% em setembro). Se confirmado, dado será lido como indício de recuperação econômica, ainda que muito lenta, como tem sido a marca de 2019. Ao mesmo tempo, às vésperas de ano eleitoral, aumentará a pressão sobre a equipe econômica para acelerar a criação de novos postos de trabalho. As cobranças tendem a se agravar porque a MP que institui o Programa Verde e Amarelo – principal medida da atual gestão para gerar empregos, com foco nos jovens –, está em xeque. Davi Alcolumbre ameaça devolver a MP ao Planalto (ou parte dela) por vícios de inconstitucionalidade, e ministra Carmen Lúcia pediu explicações sobre o projeto.

2) O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) e a Sondagem de Serviços de novembro, ambos da FGV. O IIE-Br cumprirá papel estratégico, já que, ao contrário de panorama em outubro, quando grau de incerteza caiu 5,8 pontos, o momento é de renovada preocupação com a guerra comercial entre China e Estados Unidos. Além de menor otimismo com reformas, passada a empolgação com a Previdência.

3) O Indicador de Atividade da Fiesp, para outubro. Índice vem de três altas seguidas, com dados de setembro mostrando crescimento moderado na economia do estado. Expectativa é de que tal curva se mantenha, atestando retomada mais forte em São Paulo, comparada à média nacional.

4) Definição da bandeira tarifária de energia elétrica de dezembro (ANEEL). Em novembro a Agência passou de bandeira amarela (R$ 1,34 a cada 100 kWh consumidos) para vermelha 1 (R$ 4,16 a cada 100 kWh consumidos).

Resultados na China e Europa

No exterior, atenções amanhã se voltam para economias chinesa e europeia, com ênfase:

1) No PMI da Indústria e de não manufaturados de novembro, na China. Expectativas de crescimento na margem (de 49,3 para 49,5) para a indústria, mas ainda em patamar negativo (abaixo de 50); e de leve aumento (em faixa positiva) para não manufaturados (de 52,8 para 53,1).

2) Taxa de Desemprego de novembro e Vendas no Varejo de outubro, na Alemanha. Estima-se estabilidade no desemprego, em 5%, e queda no varejo (3,0% contra 3,4% em setembro). Números não devem alterar expectativas sobre a economia alemã.

3) Taxa de Desemprego de outubro e Prévia do  Índice de Preços ao Consumidor (IPC) anualizado para novembro, na Zona do Euro. Desemprego deve permanecer em 7,5% e IPC aponta para aceleração (de 0,7% para 0,9%).

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28.11.19

A culpa é da Bolívia

Não foi apenas o risco de desabastecimento de gás que levou a Acron a desistir da compra da fábrica de nitrogenados da Petrobras em Três Lagoas (MS). A crise na Bolívia também jogou por terra o acordo que vinha sendo alinhavado entre os russos e a YPFB. Segundo o RR apurou, a estatal boliviana seria sócia na aquisição, com 12%. Agora, a Petrobras volta à estaca zero, em busca de um comprador.

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25.11.19

A falácia da competição do refino brasileiro e a redução dos preços dos combustíveis

Observatório

Por Leda Stein, economista e trader de petróleo, combustíveis e derivados.

A venda de refinarias da Petrobras não irá reduzir os preços dos combustíveis no país como é dito por autoridades do governo e da ANP. Por outro lado, também não haverá aumento substancial no preço como têm falado alguns sindicatos. Embora a revisão da carteira de ativos da estatal não seja necessariamente uma medida danosa à empresa ou à população, é preciso esclarecer que a troca do acionista controlador do refino terá pouco impacto na dinâmica de preços do diesel e da gasolina no Brasil. Atualmente, os combustíveis são vendidos na porta das refinarias da petroleira ao preço de paridade de importação (PPI).

A controversa política de preços praticada pela Petrobras determina o valor de venda do produto baseado no custo de oportunidade do comprador. Ou seja, a estatal calcula o valor de venda considerando que a única alternativa do consumidor seria comprar combustível fora do país, em dólar, com imposto de importação e estando sujeito ainda aos custos com fretes externo e interno, seguro, armazenamentos intermediários e outras taxas. A principal variável para se calcular o PPI é o preço internacional do petróleo e seus derivados. Como se trata de uma commodity, o seu valor oscila de acordo com as pressões de oferta e demanda globais, independentemente de sua origem, de seu produtor e de quem é o controlador da refinaria brasileira.

Sendo franca, a única alternativa viável para reduzir o preço dos combustíveis no Brasil seria ampliar a capacidade de refino nacional, superando a demanda interna pelos produtos. Assim, haveria concorrência real entre os fabricantes pelos mercados consumidores. Enquanto isso não ocorrer, qualquer gestor buscará maximizar o lucro vendendo seu produto a um preço baseado no custo de oportunidade do comprador. Nesse caso, não importa se o refinador é mais eficiente ou menos eficiente, ele estará nivelado pelo importador. Num exemplo prático, o cidadão comum é obrigado a comprar o pão francês na padaria do bairro, pois não compensa pagar o custo de deslocamento até o bairro vizinho. Essa conjuntura só muda quando um agente resolve, espontaneamente, montar a segunda padaria do bairro para ampliar a produção de pão francês e disputar o mercado consumidor com a primeira padaria. Enquanto isso não acontece, cada padaria atende ao seu bairro.

A estrutura de refino que está sendo desenhada para o Brasil não promoverá uma mudança representativa na dinâmica de preço dos combustíveis, pois não altera a capacidade produtiva do país. As refinarias serão distribuídas geograficamente pelos próximos proprietários, mantendo monopólios regionais. Dessa forma, como construir uma nova refinaria é mais complicado do que construir a segunda padaria do bairro, o futuro ambiente competitivo não será muito diferente do atual ambiente monopolístico dominado pela Petrobras. Como a logística nacional não é nenhum exemplo de eficiência, salvo raríssimas exceções, a REFAP continuará tendo seu mercado no Rio Grande do Sul, a REGAP em Minas Gerais, a RNEST em Pernambuco, e assim por diante.

Portanto, ao contrário das insuficientes argumentações do governo, no médio prazo será indiferente a Petrobras estar solitária ou acompanhada no mercado de refino brasileiro. O balizador do preço continuará sendo o importador de combustível. E o preço praticado pelo refinador local sofrerá no máximo alterações marginais. Podem existir outros motivos para a venda dos ativos de refino, mas a decisão não perpassa pela intenção de reduzir os preços internos ou atender a alguma demanda de caminhoneiros.

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14.11.19

Uma apólice contra a crise boliviana

No momento que a crise boliviana se torna um fator de risco ao fornecimento de gás para o Brasil, a Petrobras lança mão de um hedge. Está prevista ainda para esta semana a chegada ao porto de Salvador do navio Excalibur, que transporta 138 mil metros cúbicos de gás liquefeito contratado pela estatal junto à argentina YPF. O insumo foi extraído do xisto produzido na Patagônia.

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08.11.19

O Campeonato Brasileiro de Óleo e Gás

Observatório

Por Fabricio Dantas, sócio de Óleo e Gás e Infraestrutura de Vinhas e Redenschi Advogados.

O programa de desinvestimento da Petrobras é visto como a solução imediata para os estados e os municípios produtores. A conjuntura tributária e regulatória, entretanto, importa em alguns desafios para os eventuais interessados. Em primeiro lugar, a privatização de ativos antes monopolizados pela estatal, sobretudo as refinarias e a área de transportes de gás, teve seu plano adiado, por conta da falta de segurança e entendimento entre os estados, acerca da incidência do ICMS sobre o transporte. A imunidade interestadual do gás advindo do petróleo (GLP) versus a mesma molécula advinda do gás natural também suscitou dúvidas entre os estados produtores e os estados receptadores. Além disto, indefinições de conceitos, como pontos de recebimento e de entrega do gás natural, fizeram com que os Estados inaugurassem um grande contencioso fiscal contra a Petrobras que não interessa a futuros investidores.

A primeira questão foi solucionada através de um acordo entre os estados produtores e receptadores que atribui um percentual de origem de 40% ao gás não imune e de 60% de origem do gás imune. A mesma solução consensual, através de protocolos técnico no âmbito do CONFAZ – o Conselho que reúne os secretários estaduais de Fazenda, denominado ajuste SINIEF -, também foi adotada para a segunda questão. Atrasou, no entanto, em um mês o lançamento do plano de privatização da Petrobras, por falta de entendimentos sobre débitos inscritos em dívida ativa. Superado aparentemente esse problema, outro grande a ser enfrentado é a fixação das tarifas. Se antes o monopólio estatal não demandava regras claras e objetivas, a desestatização obrigará à ANP a realizar uma revisão sobre os critérios de formação do preço máximo, a fim de aumentar a transparência regulatória e, por via de consequência, o interesse do investidor privado.

A fixação de tarifas do transporte via oleoduto, submetido à livre concorrência, deverá adotar uma fórmula que, ao mesmo tempo remunere o investidor, e que possibilite a redução do preço da commodity, por ser um vetor importante da política energética do Governo Federal. A falta de regras tributárias e regulatórias claras poderá impactar na participação do setor privado no programa de desinvestimento. Situação interessante, aliás, ocorreu recentemente com a privatização da Liquigás. Às vésperas do leilão, o Diretor-Geral da agência divulgou que pensava em novas regras para o setor de GLP. Sob ameaça de o leilão ser deserto, teve de voltar atrás. Como no jogo, os investimentos privados exigem regras claras, transparentes e prévias. E mais: exige-se que não se mudem as regras com a bola rolando no campo.

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05.11.19

Pré-sal, governo e Petrobras

Termômetro

Quarta-feira tem tudo para ser o segundo dia consecutivo de noticiário positivo para o governo, agora em função do leilão de cessão onerosa do pré-sal, que promete movimentar até R$ 106 bilhões.

Se tal patamar se confirmar – ou forem atingidos valores próximos a essa projeção – governo conseguirá valorizar planejamento para o setor de petróleo e terá espaço para aventar, inclusive, mudança no modelo de exploração.

O que se somará a conjunto de reformas anunciadas hoje e a outras, a serem anunciadas nos próximos dias, para criar, amanhã, panorama muito favorável, de transformação do estado. Bem na linha indicada – e bem aproveitada – pelo ministro Paulo Guedes. Isso posto, há duas variáveis importantes a serem observadas:

1) Diretor geral da ANP aventou possibilidade de que duas das quatro áreas do leilão (Sépia e Atapu) não sejam arrematadas, o que reduziria arrecadação a R$ 70 milhões. Motivo seriam dúvidas sobre negociações com a Petrobras para ressarcir investimentos já realizados pela empresa nos dois campos.

Independentemente do embasamento, dadas as expectativas já geradas e o fato de que a cifra acima de R$ 100 bilhões foi martelada na mídia, nos últimos meses, impacto seria ruim. Governo e ANP ficariam em posição de justificar contratempo em vez de comemorar resultados. E haveria questionamentos sobre acordos já firmados com estados e municípios, feitos com base em número cheio.

2) Avaliação sobre atuação da Petrobras no leilão. Há forte expectativa de que a estatal arremate, possivelmente como parte de consórcio, os campos de Búzios e Itapu, considerados os mais promissores. Ao mesmo tempo, há certa preocupação com projeção de gastos da empresa.

Ou seja, se não ganhar a disputa pelas áreas, sofrerá, amanhã, questionamentos quanto à política “tímida”, com perda de oportunidades estratégicas. Se ganhar, mas pagar valor muito acima dos R$ 34,6 bilhões, que receberá pelo acordo com o governo, será posto em dúvida compromisso com redução de endividamento. Ainda assim, a primeira hipótese seria mais desgastante, nesta quarta.

Reformas: a vez do Congresso

Após ótima comunicação do Ministério da Economia hoje, capitaneada pelo ministro Guedes, amanhã será o momento de sentir o pulso do Congresso sobre reformas anunciadas. Primeiro momento indicará quais as medidas enfrentarão maior resistência e quais podem ter tramitação mais ágil, tanto por reações de parlamentares quanto por análises da mídia. No foco, desvinculação de gastos obrigatórios; diminuição de jornada – e salários – de servidores; extinção de municípios com menos de 5 mil habitantes; repasse de até R$ 500 bilhões aos estados.

Este último ponto (estados) vem aparecendo muito positivamente, mas há questionamentos sobre contrapartidas. Até agora, o que teve destaque, nesse sentido, foi intenção de proibir que tomem empréstimos com a Caixa, o BNDES e o Banco do Brasil, medida em si polêmica e que terá de ser mais detalhada.

Eletrobras no jogo

Ainda que não faça parte de reformas, proposta de privatização da Eletrobras será posta no bojo do mesmo debate – como parte de medidas polêmicas. Análises na mídia tendem a ser majoritariamente positivas, mas reação no Parlamento deve se mostrar mais matizada. Nesse caso, vale atenção para lideranças do centrão, que devem ser o fiel da balança.

Vale na berlinda

Vale sofrerá desgaste – e provável desvalorização – amanhã em função de relatório da Agência Nacional de Mineração indicando que a empresa omitiu problemas na barragem de Brumadinho, antes de rompimento.

O fator MDB e a PF

A conferir movimentações do MDB, nesta quarta, após convocação dos senadores Renan Calheiros e Eduardo Braga para depor, hoje, pela PF. Também vai gerar repercussão a notícia de que a PF chegou a pedir a prisão da ex-presidente Dilma Rousseff.

Commodities e venda de veículos

Saem amanhã o Índice de Commodities do Banco Central (IC-BR), que vem de alta significativa em setembro (5,23%) e a produção de veículos em outubro (Anfavea), para a qual há expectativa de resultado positivo.

Serviços e produtividade na União Europeia e EUA

No exterior, os principais dados, nesta quarta, serão: PMI de Serviços, para outubro, na Alemanha e na Zona do Euro (previsão de estabilidade, na margem, para ambas); Vendas do Varejo de outubro na Zona do Euro (projeta-se crescimento baixo, de 0,1%, sobre 0,3% de setembro); Prévia da Produtividade do Trabalho Não Agrícola nos EUA no Terceiro Trimestre (estima-se avanço de 0,3%, bem abaixo dos 2,3% do segundo trimestre).

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05.11.19

Refinarias podem entrar na Era de Ouro

Observatório

Por Leda Stein, economista e trader de petróleo, combustíveis e derivados.

Estimativas conservadoras apontam que 80% das transações comerciais de bens são entregues ao cliente pelo mar. Transportando para a escala monetária, cerca de 70% dos dólares transacionados nas relações de troca mundiais são movimentados por navios e embarcações. Dependendo do tamanho e porte da análise, estudos sinalizam a disponibilidade de 80 a 100 mil embarcações para frete marítimo. Esses barcos e navios têm como insumo principal para geração de energia o óleo combustível, também conhecido como bunker, que é uma corrente de petróleo pesada e poluente em função do sua alta concentração de dióxido de enxofre. Diante desse contexto de grande volume de movimentação de cargas e emissão de gases poluentes, a International Maritime Organization (IMO) vem implantando obrigações legais quanto ao limite de enxofre permitido para o óleo combustível.

Em 2012, o teto caiu de 4,5% para 3,5%, e, em 2016, o Comitê de Proteção ao Meio Ambiente da entidade decidiu baixar para 0,5% a partir de janeiro de 2020. Essas mudanças não ocorrem de forma incontroversa, uma vez que representantes das empresas de transporte marítimo questionaram a capacidade do parque de refino mundial para suprir o aumento da demanda pelo combustível mais limpo. Mesmo assim, a alteração foi ratificada em convenções posteriores.

A IMO é uma agência especializada da ONU, voltada para definições de normas relacionadas à segurança, proteção e desempenho ambiental do transporte marítimo internacional. Cabe à organização implementar a estrutura regulatória global para o setor, criando condições equilibradas de concorrência e incentivando a inovação, a eficiência e o desenvolvimento sustentável.

As empresas de transporte que ignorarem a mudança regulatória e continuarem consumindo combustível com alto teor de enxofre correrão o risco de serem penalizadas com multa, retenção da embarcação e suspensão da apólice de seguro. Não é uma opção atraente.

Para que as embarcações passem a respeitar a nova regra, terão a opção de: I. instalar sistema de filtragem nas descargas dos motores (scrubbers), gerando abatimento na emissão dos gases poluentes; II. converter seus motores para uso de combustíveis limpos com baixo teor de enxofre como GNL, biocombustíveis etc; ou III. simplesmente passar a consumir combustível com no máximo 0,5% de dióxido de enxofre.

As duas primeiras opções necessitam de capital livre para investimento em toda a frota de embarcações, lembrando que estamos tratando de escala global (80 a 100 mil navios). Além disso, não há disponibilidade nos estaleiros para promover essas alterações de uma hora para outra. O mais provável é que as empresas de transporte façam as mudanças aos poucos, aproveitando o cronograma de manutenção dos barcos.

Isso pode levar 10, 20 ou até 50 anos, a depender da oferta de vagas nos estaleiros pelo planeta. Portanto, a solução logística mais simples para atender a mudança da regulação será buscar o combustível com menor teor de enxofre no mesmo lugar onde se compra o combustível mais poluente, entretanto, com provável ágio no preço por se tratar de um produto mais processado.

Esse contexto não é uma surpresa para quem atua no ramo de logística marítima, refino de petróleo, distribuição e comercialização de bunker. Essas discussões são travadas pelo menos desde 2008, quando a Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios (MARPOL) resolveu inserir a nova exigência no Anexo IV – Prevenção de Poluição do Ar. Inclusive, alguns países desenvolvidos já providenciaram as mudanças da IMO em suas regulações internas, forçando suas indústrias a anteciparem as obrigações de 2020.

A novidade é a venda de ativos de refino no Brasil, promovida pela Petrobras, que estará ocorrendo justamente no momento em que haverá inflexão positiva na curva de demanda por óleo combustível de maior valor agregado para abastecer as embarcações do mundo. Não é por menos que investidores chineses, os maiores interessados no abastecimento de embarcações para transporte internacional de cargas, rondam o território nacional se colocando à disposição das autoridades para participar de leilões de ativos.

A dinâmica dos preços tenderá a ajustar seu ponto de equilíbrio em favor da oferta, sendo provável que as margens de lucro do refino brasileiro tendam a aumentar já no próximo ano. Pela ótica do custo, o Brasil possui vantagem comparativa para essa mudança, pois o petróleo extraído no território nacional já possui taxas médias de dióxido de enxofre mais baixas, o que facilita a adaptação do parque de refino para alterar as características dos produtos finais. Além disso, muitos “revamps” já foram feitos para adequação das refinarias a essa nova necessidade.

O alerta importante aos acionistas da Petrobras é que essas projeções de aumento de demanda e vantagem comparativa sejam consideradas nos cálculos de valuation para negociação das refinarias que aguardam na fila do desinvestimento. Afinal, o valor de um ativo não é função do prejuízo gerado nas mãos do último dono, mas sim de seu potencial de lucro nas mãos dos próximos proprietários. A estatal pode estar se livrando de uma galinha velha que passará a botar ovos de ouro – com baixo teor de enxofre.

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25.10.19

Crises políticas e futuro do Mercosul

Termômetro

Forte atenção para Argentina, Chile e Bolívia, ao longo do final de semana. Argentina será o destaque, com eleições no domingo que, tudo indica, levarão o kirchnerismo de volta ao poder. Se confirmada, a vitória deve provocar reação negativa em mercados na segunda-feira. Algumas variáveis serão decisivas para o Brasil:

1) Primeiras declarações do cabeça da chapa, Alberto Fernández, bem como de sua vice, Cristina Kirchner. Indicarão governo voltado para a conciliação – o que parece ser estilo mais afeito à Fernández do que à Cristina – ou apostarão em radicalização à esquerda? E qual será a sinalização acerca do Brasil?

2) Reação do presidente Bolsonaro e do chanceler Ernesto Araújo deixarão porta aberta para o diálogo ou linha adotada será de por “faca no pescoço” do novo governo argentino, bradando risco para o Mercosul?

Já no Chile, prognósticos são de que protestos continuem, após marcha de 1 milhão de pessoas em Santiago, hoje. E há possibilidade de que se acirrem, voltando-se mais diretamente contra o sistema político, mesmo com medidas anunciadas pelo presidente Piñera. Por fim, na Bolívia, o principal ponto será a evolução de conversas com a OEA e o posicionamento dos governos dos EUA e do Brasil.

Se for consolidada a oposição entre esse grupo e o governo boliviano, situação evoluirá para perda de legitimidade internacional do presidente Evo Morales. E nova frente de embates do Brasil com países vizinhos.

Agronegócio e indústria militar em foco

Apesar de certa cobrança por pautas mais concretas, o final da viagem do presidente à China ainda terá boa repercussão, estimulando cobertura positiva de chegada aos Emirados Árabes (sábado) e à Arábia Saudita (segunda).

Pode-se esperar, nos próximos dias:

1) Balanço final de acordos – realizados ou projetados  – com os chineses. Destaque será para exportação de carne bovina; avaliação de possibilidade real de participação de empresas do gigante asiático no megaleilão de petróleo em novembro; parcerias a serem consolidadas nas áreas de energia e infraestrutura.

Também deve haver ilações – embora o assunto tenha ficado em aberto – sobre planejamento do governo brasileiro para adoção da tecnologia 5G. Tema é polêmico porque envolve embate entre a China (através da empresa Hwawei) e os EUA.

2) Nos dois países árabes, pauta sobre compra de tecnologia militar brasileira, com ênfase nos aviões multimissão KC-390, da Embraer. Vai levantar debate sobre a venda recente da parte civil da estatal, para a Boeing. Mas é questão na qual o presidente pode mostrar muita desenvoltura, colhendo boa repercussão. A conferir.

Petroleiros em greve

Está previsto para esse sábado o início de greve dos petroleiros. Não se pode descartar acordo de última hora, mas forte adesão de sindicatos, insatisfeitos com proposta de reajuste da Petrobras, abre espaço para movimento de amplo escopo. Se vier a ocorrer, efetivamente, será grande teste para a atual gestão da estatal. E para o próprio presidente Bolsonaro, que ainda não lidou com iniciativa do gênero.

Ao mesmo tempo, a direção da estatal está fortalecida após balanço acima do esperado para o terceiro trimestre – que pode acelerar agenda de desinvestimentos e privatizações.

Mancha ambiental

Em outra ponta, atenção continuará voltada, amanhã, para vazamento de óleo no litoral do Nordeste, com três questões centrais: 1) Novo diagnóstico da Petrobras indicando que o material vem de 3 campos específicos da Venezuela. Apuração conclusiva tende a fortalecer posição do governo, mas hipóteses não confirmadas tem impacto muito negativo; 2) Expansão de manchas pelo litoral norte da Bahia e cobrança sobre ações do governo; 3) Atuação pessoal do ministro Salles, que avança para perda decisiva de credibilidade junto à mídia.

Embate interno na PGR

Procurador Geral da República Augusto Aras pode enfrentar, nos próximos dias, seu primeiro desgaste interno, em função de apoio ao inquérito das Fake News, movido pelo próprio STF. Associação Nacional dos Procuradores da República fez duras críticas à posição de Aras.

Saúde da Construção

Saem na segunda-feira a Sondagem da Construção e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), ambos da FGV, para outubro. Indicador da construção teve curva similar a do comércio, com queda em setembro após três altas seguidas. Expectativa é por retomada de curva positiva. Já no caso do INCC, variação de 0,60% em setembro, sobre 0,34% em agosto, indicou aquecimento do setor, que pode se confirmar agora, ou apontar acomodação.

 

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03.10.19

Gás boliviano

O governo do Mato Grosso proclamou independência antecipada do monopólio da Petrobras no gás. Está prestes a fechar com a Bolívia um contrato de longo prazo para a compra de energia térmica. O insumo virá de uma termelétrica a gás estatal em Santa Cruz de la Sierra.

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06.09.19

Gás 1

A russa Acron já “quebrou” o monopólio da Petrobras no gás. O grupo, que comprou a unidade de nitrogenados da própria estatal em Três Lagoas (MS), vai entrar pesado na aquisição do insumo diretamente da Bolívia, sem intermediários. O gás é o maior custo estimado do empreendimento, cujas obras ainda serão concluídas pela Acron.

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