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16.03.20

Plano de Guedes é um passo, mas ainda aquém do necessário

Termômetro

POLÍTICA E PSICOSSOCIAL

Plano de Guedes é um passo, mas ainda aquém do necessário

 

O anúncio do programa emergencial do Ministério da Economia, no final do dia de hoje, terá efeito positivo pelo valor anunciado (R$ 150 bilhões), pela injeção de recursos na economia (para empresas e famílias) e pelas medidas de incentivo fiscal. Que se somam a aumento de liquidez dos bancos, implementado mais cedo pelo Conselho Monetário Nacional. Outro ponto importante será a percepção de maior compromisso do Ministério com reação permanente a efeitos do coronavírus, inclusive no que se refere a recursos para a saúde.

Ao mesmo tempo, ainda parece haver, no tom do ministro, um subdimensionamento do pânico global provocado pelo coronavírus. A provável necessidade de se ampliar o isolamento da população brasileira, inclusive dos jovens, por exemplo, pouco entrou nas contas apresentadas. E os valores expostos – como antecipação do 13º de aposentados e pensionistas e aumento do alcance do Bolsa Família – não representam propriamente novos recursos. Também não está claro se haverá apaziguamento com o Congresso – na verdade o ministro, em cobranças por privatização da Eletrobrás, assumiu linha de certo confronto.

No geral, especialmente se comparada à abordagem adotada por governos ao redor do mundo, o planejamento exposto hoje, ainda que com direção certa, parece aquém das necessidades e da urgência do momento.

A expectativa será de que – como aventado pelo próprio Guedes – novas iniciativas sejam tomadas nos próximos dias. À frente delas, algum tipo de articulação com o Congresso, sem a qual as cobranças por reforma feitas hoje pelo ministro da Economia – PEC Emergencial à frente – terão pouco fôlego. Bem como o impacto no mercado do plano anunciado.

O pânico global

 

O grande problema é que qualquer iniciativa, como o planejamento que começou a ser delineado pelos EUA, articulando diversos Bancos Centrais e prevendo a injeção de trilhões de dólares na economia, pode ser apagada, momentaneamente, pelo impacto no imaginário de pesadas ações de controle social, que se espalham pelo mundo. E vão piorar, diariamente, antes de melhorarem. Apenas a consistência, coordenação e reiteração de medidas conseguirão amenizar as oscilações.

Os fatores Brasil: Congresso e governadores

 

No Brasil, o panorama torna-se ainda mais volátil porque o presidente e o Congresso avançam para um estado de conflito permanente, quase em um rompimento institucional. Pode até haver composições, através da pauta econômica, mas, politicamente, o embate permanecerá como fator de instabilidade.

À medida que os estados entram no combate ao coronavírus, sentindo a pressão sobre seus sistemas de saúde e máquina pública, também crescerão como atores nesse jogo – o que já fica claro hoje. Doria e Witzel disputarão protagonismo com Bolsonaro nos próximos dias. Tentarão mostrar paralisia do presidente apresentando, de forma coordenada com outros governadores, plano nacional para enfrentar a crise.

INSTITUCIONAL

STF, Congresso e Ministério da Saúde

 

O Ministério da Saúde pode se consolidar como outro polo de estabilização institucional, a partir de reunião de hoje, do ministro Mandetta com o presidente do STF e lideranças do legislativo. Ao mesmo tempo, o encontro deve marcar um alinhamento do Legislativo e do Judiciário diante de desacordos com o presidente Bolsonaro.

ECONOMIA

Dados dos EUA

 

Números de vendas no varejo e produção industrial de fevereiro nos EUA devem trazer crescimento moderado (respectivamente em torno de 0,2% e 0,4%). Positivo, mas ainda sem computar efeitos do coronavírus.

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13.03.20

Entre estabilização e incerteza

Termômetro

POLÍTICA E ECONOMIA

Entre estabilização e incerteza

Anúncio do ministro Paulo Guedes, de que apresentará em até 48 horas plano emergencial (com injeção de recursos e crédito, sem abandonar o ajuste fiscal) para enfrentar efeitos econômicos do coronavírus, pode tirar o governo da defensiva e gerar contraponto importante à volatilidade do mercado. A possibilidade ficou clara, hoje, pela forte e rápida reação da bolsa à mudança de tom do ministro.

Se Guedes der continuidade, nos próximos dias, à agenda de medidas específicas, que transmitam coordenação e iniciativa, os parlamentares se verão duramente pressionado a dar uma resposta para a sociedade e para o mercado. Crescerão exponencialmente as chances de que ganhem tração não somente medidas de estímulo como a PEC Emergencial, o processo de privatização da Eletrobras e o novo marco do saneamento. As reformas administrativa e tributária, no momento, devem permanecer na geladeira.

Os ventos positivos devem vir, também, da percepção de maior mobilização dos EUA, com declaração de estado de emergência (e liberação de US$ 50 bilhões anunciados hoje pelo presidente Trump) e da Alemanha (que se comprometeu com “apoio ilimitado” a empresas afetadas). Em segundo plano, boas notícias sobre o combate ao vírus na Coreia do Sul, Japão e China.

Qualquer evolução no cenário, contudo, se dará em avanços e recuos, de acordo com notícias do dia. Na política, o maior risco é o esgarçamento da articulação entre governo e Congresso, que se deteriorou não somente em termos institucionais como pessoais – entre o ministro Guedes e Rodrigo Maia e, sobretudo, entre lideranças da Casa e o presidente Bolsonaro. Nova troca de acusações reporá percepção de paralisia e impactará rapidamente – para pior – as expectativas econômicas.

Psicológica e economicamente, os efeitos negativos virão da expansão por todos os países europeus – e pelos EUA – de medidas duras (ainda que em menor grau que as da Itália) e pela situação no Brasil, cuja população apenas começa a realizar as consequências no cotidiano que se farão sentir, em breve, mesmo com atuação eficiente do Ministério da Saúde. O principal exemplo, nos próximos dias, será o fechamento de escolas e Universidades.

Entre domingo e segunda feira serão divulgados os dados de venda no varejo e da produção industrial na China, no primeiro bimestre de 2020, e o indicador do FED para a indústria de Nova York, em março. Fortes quedas estarão dentro do esperado, em função do coronavírus.

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11.03.20

Agenda social X ajuste fiscal

Termômetro

POLÍTICA

Agenda social X ajuste fiscal

Está prevista para amanhã audiência da CCJ do Senado para discutir a PEC Emergencial. A audiência será termômetro para as movimentações entre o Congresso e o governo federal, que evoluem de paralisação para embate.

O Congresso mostrou hoje, ao derrubar veto que impedia ampliação do BPC (Benefícios de Prestação Continuada), que, para enfrentar o que percebe como chantagem do presidente – expressa por manifestações do dia 15 – vai investir em agenda de gastos sociais. O que afetaria, e muito, a visão de ajuste fiscal da equipe econômica. A derrubada se deu mesmo com o apoio de Rodrigo Maia e do Centrão ao Planalto.

Se, em um estado normal de temperatura e pressão, parlamentares teriam dificuldade para bancar essa linha, em momento de crise e cobranças sociais (a expansão do BPC significaria aumento de gastos de R$ 20 bilhões, mas se voltaria para idosos que ganham até ¼ de salário mínimo), ganharão força frente ao governo – a despeito de críticas da mídia e impactos negativos no mercado.

A saída para o impasse só ocorrerá se o governo federal puser na mesa uma agenda clara de reformas e medidas para responder a efeitos do coronavírus. O caminho – sinalizado hoje por Guedes – pode ser um “pacto” para a concessão de estímulos fiscais associado à agenda de reformas e privatizações. Eletrobras à frente.

Mais do que a lista de projetos prioritários enviada hoje pelo ministro Paulo Guedes, no entanto, será preciso articulação no Congresso e entrada no jogo do presidente Bolsonaro.

PSICOSSOCIAL

O coronavírus chega ao cotidiano brasileiro

A previsão de aumento exponencial nos casos de coronavírus no país e o reconhecimento tardio da OMS de que se enfrenta uma pandemia criarão uma cascata de cancelamento de eventos, medidas de restrição de circulação e de isolamento domiciliar. Consequentemente, levarão o clima de apreensão ao cotidiano dos brasileiros.

Por um lado, esse processo ampliará a pauta tanto para instituições privadas quanto para outras esferas do setor público, a começar pelo Ministério da Educação, que pode determinar cancelamento de aulas.

Por outro, vai tornar premente a ampliação nacional de leitos disponíveis para internação, o que demandará fortes investimentos do governo federal. No final das contas, será essa a grande régua para avaliar a atuação do Ministério da Saúde – e do Planalto – no enfrentamento da crise.

ECONOMIA

O olhar do BC europeu

Internacionalmente, expectativas amanhã se voltam para reunião do Banco Central europeu, que pode baixar as taxas interbancárias e de depósitos e deve adotar novas medidas de estímulo econômico, entre elas o aumento na compra de títulos públicos e privados.

Já nos EUA, sai nesta quinta o Índice de Preços ao Produtor de fevereiro (voltado para os setores de bens e serviços), para o qual se projeta recuo de 0,1% (o primeiro desde setembro de 2019).

 

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