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09.07.19
ED. 6152

O risoto da Previdência

A bancada ruralista vai celebrar a votação da PEC da Previdência com uma chuva de arroz. Em meio à tramitação da “reforma de todas as reformas” do governo Bolsonaro, a Frente Parlamentar da Agricultura está prestes a arrancar um programa de subsídios para os produtores do cereal no sul do país. Segundo o RR apurou, os recursos poderão somar cerca de R$ 300 milhões. O acordo deverá ser selado nas próximas duas semanas, na contramão dos esforços do ministro Paulo Guedes para reduzir esse tipo de incentivo. Os termos do benefício foram discutidos na semana passada em uma reunião entre a ministra da Agricultura, Teresa Cristina, e ruralistas, escoltados pelo deputado Luiz Carlos Heinze, um dos próceres da FPA. Os produtores do Rio Grande do Sul estimam um prejuízo de mais de R$ 600 milhões com as enchentes do início do ano.

As “remake news” de Paulo Guedes

O governo vai detonar uma blitzkrieg de estímulos já manjados para reverter as expectativas negativas em relação ao comportamento da economia em 2019/2020. A ação da equipe econômica é um remake das operações de marketing feitas no passado: o governo refoga iniciativas já anunciadas e as apresenta como algo orquestrado e essencialmente novo. O tal plano estruturado a ser divulgado após a votação da Previdência tem por função o reforço nas bolsas e nos mercados do impacto da votação da principal reforma estrutural. Como se sabe, a Previdência será saudada como a conquista da Copa Jules Rimet. Só que à vera ela somente mexe com as expectativas neste ano – interfere pouco na realidade fiscal em 2019 e 2020. O projeto é pedalar, no bom sentido, a reforma acoplada com as outras medidas animadoras das expectativas. A lista, que foi guardada para pós-aprovação da reforma, é de velhíssimas novidades: o choque de energia barata, o saque antecipado do PIS/Pasep e FGTS, aceleração do programa de privatizações, reforma tributária, redução do Estado brasileiro e melhorias no campo microeconômicos, com novas regras para debêntures incentivadas de infraestrutura. Todas as propostas já foram despejadas na mídia, sempre com a condicionalidade da mudança do regime de aposentadoria. A grande expectativa é se Paulo Guedes vai abrir um flanco e liberar medidas fiscais e parafiscais para dar um gás na economia do curto prazo. As reformas e iniciativas mais pretensiosas ainda estão por ser buriladas e só começarão a vigorar a partir do próximo ano. Agora um estímulo na veia talvez seja o que falta para que a malta – e não apenas o mercado de valores mobiliários – compre o conjunto de medidas estruturais.

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08.07.19
ED. 6151

Interceptando Rogério Xavier

A exposição de Paulo Guedes na abertura do Expert XP, na última quinta-feira, lembrou as apresentações de Steve Jobs nos lançamentos de produto da Apple. Guedes foi inúmeras vezes aplaudido de pé por um auditório apinhado, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. No entanto, todo o consenso tem suas ranhuras. O RR resolveu espiar o que nomes respeitados do mercado financeiro andam falando sobre Guedes nas redes sociais. O primeiro garimpo vem do Twitter de Rogerio Xavier, da SPX, um dos maiores craques da administração de fortunas – sua gestora cuida de uma carteira de R$ 40 bilhões. A seguir, alguns comentários em referência a “PG” pinçados neste “Xavierleaks dell´arte”:

.“Ele quase pôs tudo a perder, mas deixa para lá. Ele é um péssimo operador. Por que não perguntam como foi a vida dele após a saída do Pactual??? E a saída do JGP… vocês são muito novos… desisto… não estou criticando as ideias, critico a execução. Será dá para entender???”

. “Se dependêssemos no PG estaríamos perdidos. Quem está tocando essa previdência se chama Rodrigo Maia. A reforma tributária se sair, quem vai tocar é o RM. vocês se iludem com o PG. O futuro mostrará quem é PG .”

. “Vamos fazer o seguinte? Deixa na mão do presidente e do PG para aprovar qq coisa e vamos ver no que dá…”

. Se for o Marquinhos Lisboa, Beca ou PG não importa. Que façam. Mas não fiquem tão PG dependentes, porque se for só por ele, esquece. Mas enfim, é só uma opinião, respeito quem não concorda.

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28.06.19
ED. 6145

Paulo Guedes apela aos remédios que sua medicina proíbe

O ministro Paulo Guedes decidiu seguir as lições do mundo e adotar estímulos monetários. Anunciou que aumentará a liquidez do mercado de crédito em R$ 100 bilhões, diminuindo a alíquota do recolhimento compulsório dos depósitos bancários. O próximo passo será a redução da taxa Selic na reunião do Copom, de julho, provavelmente em um ponto percentual – e não haverá BC autônomo que diga o contrário. Boas notícias? Sim e não.

As medidas são favoráveis pela ótica de que, sob severa austeridade fiscal, o caminho dos juros e do crédito é a alternativa restante para propiciar algum refresco na economia. O BC e o Ministério da Economia já trabalham, internamente, com a hipótese de uma recessão neste ano. O BC, que projetava quase 3% de crescimento do PIB, no início do ano, já despencou suas estimativas para 0,8%. No mercado, várias instituições projetam taxas na faixa de 0,5%. Nesse ritmo, cair para – 0,1%, digamos assim, é bastante crível. Detalhe: em todas as previsões sobre o PIB é tida como certa a aprovação da reforma da Previdência.

O relaxamento da liquidez, portanto, é uma receita padrão para a circunstância. Por outro lado, talvez não haja tantos tomadores assim para os recursos disponibilizados ao setor bancário. O principal motivo são os spreads escorchantes da ordem de 19,2 pontos percentuais, que subiram mais de dois pontos percentuais em relação a 2018, mesmo com a taxa básica de juros descendo a ladeira. A projeção da LC Consultores é de que o saldo total de crédito cresça 6,6% em 2019 para um aumento do PIB de 1%. É bom, mas é pouco. Na margem, a redução do compulsório ajuda. Mas o RR mantém a sua aposta de que Paulo Guedes “vai ter de aprovar algum gasto”. Ordens do andar de cima. É o que se diz nas internas.

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26.06.19
ED. 6143

Hipérboles

Uma vez Paulo Guedes sempre Paulo Guedes. Ao comemorar a decisão do Conselho Nacional de Política Energética de quebrar o monopólio do gás natural, o ministro da Economia não se conteve e projetou uma queda de 40% do preço do combustível e um aumento de 8,46% do PIB industrial. São números espetaculares, monumentais, cósmicos. A grandiloquência de Guedes lembra, com sinal trocado, sua antiga encarnação como Beato Salu, responsável por projeções horripilantes para a economia. Acertou algumas, errou outras. O RR torce para que todas as suas profecias favoráveis ao país se confirmem.

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25.06.19
ED. 6142

Exceção

O general Santos Cruz era a exceção entre os ministros da ala militar nos elogios absolutos a Paulo Guedes. Discordava na dosagem de corte de gastos vis à vis a responsabilização dos “gastadores”. E não achava muita graça no show off do ministro da Economia.

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13.06.19
ED. 6135

Paulo Guedes solta devagar as rédeas do dinheiro

O ministro Paulo Guedes aquiesceu ao grito de todas as torcidas organizadas. Vai ter gasto público. Vai ter alguma política anticíclica. Vão ter medidas pró-consumo. Guedes topou soltar o dinheiro, mas em conta-gotas, para não atrapalhar o foco na reforma da Previdência e nem contaminar as futuras reformas tributárias e de transferência dos fundos federativos. Pode-se esperar a liberação de R$ 10 bilhões, R$ 15 bilhões ou R$ 20 bilhões em tranches sempre irregulares. Nenhum programa, pacote ou plano de ações. A operação segue o modelo “rouba montinho”.

O ministro tira dali recursos parafiscais, põe aqui as “despedaladas” e instrumentos híbridos de capital e dívida, repõe acolá com a esperada apropriação dos recursos não sacados das contas do PIS/Pasep e FGTS e complementa arbitrando o resgate da dívida bruta com algum gasto primário. Até o fim do ano, entram ainda na equação fiscal os R$ 100 bilhões do leilão dos excedentes de cessão onerosa. Estica e puxa de um lado e aloca em outro. É a contabilidade engenhosa no lugar da criativa. Mas a tacada de mestre de Guedes foi mesmo na negociação do crédito adicional para o cumprimento da regra de ouro.

Preocupada com o desastre político que qualquer forfait do Congresso poderia provocar, a equipe do ministro fez uma cirurgia bariátrica no buraco orçamentário de R$ 248,9 bilhões. O objetivo da redução era apresentar um valor mais palatável aos parlamentares, lubrificando a aprovação do suplemento orçamentário. Chegaram a baixar o rombo para R$ 90 bilhões. Guedes, acostumado às eletrizantes emoções de “bater e tomar mercado” (compra e venda de ações no intervalo de segundos), não titubeou: bancou o valor cheio de R$ 248,9 bilhões para aprovação do Congresso.

“É melhor que sobre dinheiro e não tenhamos que atravessar novamente essa burocracia”, teria dito. O pedido passou e o dinheiro sobrou. Já na partida, o ministro se comprometeu a pagar um pedágio de R$ 2,8 bilhões com gastos no Minha Casa, Minha Vida, área de educação e bolsas do CNPQ. Com a operação “rouba montinho”, pode ser até que, além das despesas para que a economia não asfixie, Guedes consiga reduzir bem o déficit primário do ano – da ordem de R$ 104 bilhões – sim, aquele que o ministro, no início do governo, prometeu zerar. Com esse bailado fiscal, alguns gastos reanimadores da economia e a aprovação das reformas, talvez 2019 acabe com um tímido sorriso no canto da boca. O paciente estaria respirando melhor. Bom que seja assim. Para 2020, aguarda o enfermo um déficit primário de cerca de R$ 140 bilhões, um salto da dívida mobiliária acima de 80% do PIB e um novo estouro da regra ouro.

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05.06.19
ED. 6129

Barão de Munchausen?

Paulo Guedes assumiu um risco desnecessário ao revelar ontem, em audiência na Câmara dos Deputados, que foi convidado por Dilma Rousseff para ser seu ministro da Fazenda. Guedes pode ter confundido sondagem com convite. E ainda periga ser desmentido publicamente. Deu munição para que a expresidente da República o chame de mitômano.

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27.05.19
ED. 6122

As sístoles e diástoles do ministro Paulo Guedes

Assim como Pedro negou Jesus três vezes, Paulo ameaçou deixar Jair em três oportunidades. As duas primeiras foram bravatas, não para intimidar o presidente, por quem Paulo Guedes nutre sincera simpatia, mas para pressionar o Congresso e demais stakeholders. O desabafo para os jornalistas da revista Veja, divulgado na sexta-feira, contudo, tem outra conotação. O ministro da Economia disse que, se a reforma da Previdência não for aprovada, e com um piso de R$ 800 bilhões, pegará um avião e irá morar no exterior.

Não explicitou qual o deadline para a aprovação da reforma. E nem o seu grau de tolerância em relação a alguma queda nos R$ 800 bilhões. E menos ainda disse sobre a sua situação de desgaste físico. Guedes tem tido uma performance heróica nas batalhas campais pela mudança na Previdência. Elas têm provocado sequelas. O ministro está com tremores nas mãos. Dorme pouco. Nos 143 dias de governo, acentuou sua calvície e embranqueceu mais os cabelos já grisalhos.

Guedes tem sofrido a coação dos políticos e corporações. Mas a maior pressão é feita pela sua esposa, Maria Cristina, que tem visto o marido definhar. Ele não precisa do cargo para nada. “E já fiz o que tinha de ser feito”, segundo suas próprias palavras. Por Maria Cristina, Guedes estaria no Rio e em casa, caminhando no calçadão da praia do Leblon, como fazia todas as manhãs antes de assumir o Ministério. No dia 14 de março, na posse do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o ministro ameaçou pela primeira vez pegar seu boné e voltar para o mercado financeiro.

Palavras de Guedes: “Se botarem menos de R$ 1 trilhão eu vou dizer assim: vou sair rápido, porque esse pessoal não é confiável. Se não ajudam nem os filhos; então, o que será que vão fazer comigo?” Desta última declaração para a mais recente, o ministro já deu um desconto de R$ 200 bilhões para a sua permanência. No dia 27 de março, avisou no Senado Federal: “Se a PEC da Previdência não vou aprovada, vou embora do governo. A bola está com o Congresso”. Com a afirmação da última semana, Guedes criou um fato político, forçando inclusive o presidente Jair Bolsonaro a se manifestar sobre a intenção manifesta. Pelas circunstâncias, Guedes talvez esteja sendo o mais corajoso dos ministros da Fazenda das últimas safras. Mas tem que se cuidar.

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23.05.19
ED. 6120

Minha Casa, Minha Vida exige novo “puxadinho” no Orçamento

Antes de colocar de pé um novo programa de financiamento habitacional, o desafio do governo é evitar o colapso do “velho” Minha Casa, Minha Vida. O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, está pleiteando a Paulo Guedes a liberação emergencial de aproximadamente R$ 1,2 bilhão para honrar contratos já assumidos. O novo “puxadinho” orçamentário é fundamental: sem esse dinheiro, o Minha Casa, Minha Vida vai parar.

A verba extra de R$ 800 milhões anunciada há cerca de três semanas é suficiente apenas para cobrir os custos até agosto. Procurado, o Ministério do Desenvolvimento Regional confirma que “está sendo estudada a possibilidade de novos aportes de recursos para MCMV no segundo semestre.” De janeiro até abril, os atrasos nos repasses de recursos do Minha Casa, Minha Vida já somam cerca de R$ 550 milhões.

Consultado, o Ministério não se pronunciou especificamente em relação às pendências acumuladas. Para a gestão Bolsonaro, o risco de paralisação das obras vai além da questão social. Trata-se também e fundamentalmente de um problema de ordem política. Boa parte dos atrasos no programa habitacional se concentra no Nordeste, região na qual o governo amarga os índices de popularidade mais baixos. O Ceará, sozinho responde por 10% dos valores pendentes. A esta altura, tudo o que a gestão Bolsonaro menos precisa é de mutuários e sem-teto protestando nas ruas do país.

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21.05.19
ED. 6118

Quem ampara o cambaleante FAT?

Os novos números do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) vão dar mais munição ao ministro Paulo Guedes e à proposta de redução do abono salarial – uma das propostas penduradas na PEC da Previdência. Relatório elaborado pelos técnicos do Ministério da Economia, ao qual o RR teve acesso, aponta uma projeção de défi cit no FAT superior a R$ 60 bilhões nos próximos quatros anos. Os números serão apresentados hoje, na reunião do Conselho Deliberativo do Fundo (Codefat). O mesmo estudo indica que o Fundo precisará de uma receita da ordem de R$ 339 bilhões no mesmo período – ou seja, aproximadamente R$ 85 bilhões por ano – para cobrir o rombo projetado. Somente uma guinada na economia e um salto no número de empregos formais permitiriam alcançar essa meta de arrecadação sem qualquer novo aporte do Tesouro – os repasses, ressalte-se, estão suspensos desde 2017. No ano passado, as entradas do FAT somaram R$ 64,4 bilhões, para uma despesa de R$ 72,2 bilhões. O equilíbrio financeiro do FAT depende de uma série de medicamentos cruzados. As novas regras propostas para o abono salarial – o benefício ficaria restrito a trabalhadores que recebem um salário mínimo e não dois, como atualmente – gerariam uma economia de aproximadamente R$ 8 bilhões por ano. Para efeito de comparação, um pouco acima do déficit do FAT no ano passado (R$ 7,8 bilhões). Além da recuperação da economia, o saneamento do Fundo passa também pelo BNDES. O FAT aguarda a devolução de R$ 54 bilhões retidos no banco.

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16.05.19
ED. 6115

Overbooking

Em sua atribulada chegada à Câmara, ontem, o ministro Abraham Weintraub chamou a atenção pelo tamanho de sua “escolta”. Além de congressistas da base aliada, era acompanhado por 16 assessores do Ministério. Nem Paulo Guedes costuma carregar uma tropa similar em suas idas ao Congresso. A maior parte do séquito de Weintraub, no entanto, foi impedida de entrar no plenário.

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14.05.19
ED. 6113

Tratamento de choque

Jair Bolsonaro pediu ao ministro Paulo Guedes um “choque de consumo” até o final do ano. No gatilho estão os saques do FGTS e do PIS/Pasep e um refinanciamento das dívidas das pessoas com nome no SPC. Nenhuma dessas medidas tem impacto fiscal negativo. Todas têm grande poder de impulsão do varejo.

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14.05.19
ED. 6113

Pacto interministerial

Seja qual for o resultado da votação da Medida Provisória 870 em plenário, os ministros Sérgio Moro, Paulo Guedes e Damares Alves firmaram um pacto: não haverá alterações nos principais cargos de chefia da Funai e do Coaf, independentemente da Pasta que abrigará os dois órgãos. Pelo menos é o que foi combinado.

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10.05.19
ED. 6111

A quem interessa um Coaf sem poder de polícia?

Antes que se iniciem as torrenciais maledicências, não é uma demanda de Paulo Guedes o iminente retorno do Coaf para o Ministério da Economia. A medida só tem uma tradução: a redução dos dispositivos e da força-tarefa que vêm sendo montados por Sérgio Moro para intensificar o combate à corrupção e a crimes financeiros. A medida expõe Guedes e o atrapalha nas grandes batalhas pelas reformas estruturais.

À primeira vista, não há probabilidade da manutenção do projeto do ministro da Justiça na Pasta da Economia. Moro idealiza um Coaf conectado à Polícia Federal e ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, subordinados à Justiça. Além da já anunciada duplicação do quadro de funcionários, composto por 37 servidores, também estão programados investimentos para a integração do Conselho com a área de Inteligência da PF. Os planos de Moro preveem ainda a nomeação de especialistas em lavagem de dinheiro para postos-chave no Coaf.

O cartão de visitas já foi apresentado: indicado por Moro, o presidente do Coaf, Roberto Leonel, foi chefe da Inteligência da Receita Federal em Curitiba e atuou no caso do Banestado e na Lava Jato. No momento, qualificar qualquer tipo de ação política por trás do movimento pendular do Coaf é quase um exercício epistemológico. As circunstâncias não suportam diagnósticos cartesianos. A quem interessa desmobilizar o aparelho de investigação de crimes financeiros formulado por Sérgio Moro a partir do Coaf? O Centrão?

Os investigados pela Lava Jato? Os condenados por Moro? Olavo de Carvalho? Antes que alguém faça qualquer ilação sobre o relacionamento atávico entre Paulo Guedes e o mercado financeiro, ressalte-se logo que essa associação é venal. A celeuma em torno da volta do Coaf à Economia pode não passar de mera fumaça. Ontem mesmo, em mais um movimento errático, Jair Bolsonaro fez um apelo, ainda que tímido, para que o plenário do Congresso devolva o Coaf a Moro. Por enquanto, o projeto do ministro da Justiça segue de pé. Mas tudo pode acontecer. Até mesmo não acontecer nada.

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09.05.19
ED. 6110

Paulo Guedes merece respeito pela bravura inaudita

No dia em que se comemorou a vitória das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial, o ministro da Economia, Paulo Guedes, que já foi tachado de “Macunaíma” e “Beato Salu”, somente para citaralguns epítetos pouco elegantes, podia muito bem atender pelos nomes de Geraldo Baêta da Cruz, Geraldo Rodrigues de Souza e Arlindo Lúcio da Silva. Os três pracinhas brasileiros saíram em patrulha pela região de Montese, pouco antes da tomada do território. Era 14 de abril de 1945 quando os três soldados se depararam inesperadamente com uma companhia do Exército alemão, com aproximadamente 100 homens.

Eles ordenaram aos brasileiros que se rendessem. Os pracinhas optaram honradamente por enfrentar uma batalha perdida, sem munição, até a morte. No mesmo dia 8 de maio, em que se celebra a paz no ocidente, um dos mais controvertidos personagens da vida pública do país voltou ao Congresso Nacional, para debate junto à Comissão Especial da Câmara dos Deputados, no confronto que já está sendo chamado de “Guerra da Previdência Social”. O realismo da execução não foi o mesmo dos “Drei Brasilianische Helden” (três heróis brasileiros), mas, simbolicamente, o fuzilamento foi de violência similar.

O que se viu foi mais um massacre moral contra o único ministro da República que defende uma causa com ardor e bravura. Desgrenhado, suando, esbravejando, aparentando um ataque cardiovascular a qualquer momento, Guedes lutou como um tigre por uma bandeira e em nome de um governo de poltrões. Com a ferramenta da sua torrencial racionalidade, só ele aceita o enfrentamento em defesa da causa mater do mandarinato bizarro de Jair Bolsonaro. Paulo Guedes não quer essa reforma da Previdência. Quer qualquer reforma da Previdência que lhe dê o R$ 1 trilhão necessário para evitar a insolvência do Estado brasileiro e a suspensão radical dos investimentos no país.

Que gravem, subsidiem ou retirem os benefícios de diferentes classes, profissionais, idades, gêneros. Esse não é o ponto. A questão é a aritmética: se o buraco não fechar, serão suspensos os investimentos e os pagamentos das unidades federativas, o país poderá experimentar um shutdown e as aposentadorias, last, but not least, não serão honradas. O RR costuma fazer severas críticas à postura radical e não raras vezes destemperada de Paulo Guedes.

Mas Guedes encontrou o seu papel e figurino. Ninguém no país está lutando como ele por uma reforma que só não foi ainda aprovada por que o papel da oposição tem sido de contraditar qualquer medida do governo, mesmo que concorde no mérito. Só que essa reforma é a mãe de todas as reformas. O ministro pode se ver sem munição, encurralado, sem apoio político, mas a sua não rendição já está escrita entre as boas páginas da história. Nesse momento, Guedes representa Baêta da Cruz, Rodrigues de Souza e Lúcio da Silva. Dele, emana a comovente coragem dos pracinhas.

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06.05.19
ED. 6107

Bolsonaro cobra de Guedes um afago ao povão

O presidente Jair Bolsonaro está pressionando o ministro da Economia, Paulo Guedes, para que apresente antes mesmo da votação da reforma da Previdência um elenco de medidas de caráter popular. A missão vai na direção inversa dos planos de Guedes, que quer focar na Previdência, com zero de dispersão. Assim que aprová-la, de preferência com economia de gastos que permitam a migração rápida para o regime de capitalização, anunciaria um potente pacote microeconômico.

Essas seriam suas duas primeiras alavancas para a retomada firme do investimento. A terceira seria a reforma tributária, com simplificação dos impostos e redução da carga tributária sobre as empresas. Na visão do ministro, é dessa combinação que desabrochará o emprego. O problema é que essa equação tem um tempo longo de resolução – este ano está perdido. E dar algum doce nesse ínterim amargo pode se tornar politicamente necessário. O Palácio do Planalto já enxerga pouco à frente manifestações contra o aperto da classe trabalhadora.

Por enquanto, Paulo Guedes só maltratou: cortou empregos no setor público e nas estatais, contingenciou recursos, pré-anunciou o fim da correção real do salário mínimo, e mesmo o 13º salário do Bolsa Família foi concedido em troca do congelamento dos benefícios. Uma compensação poderia vir com alguma medida de alívio no crédito, ou mesmo com algum adicional de renda vinculado à produtividade. A questão é que Paulo Guedes detesta essa política de picadinho, aquela que ora solta uma medida de alívio aqui, ora solta outra acolá. O ministro acha que isso tem a cara de Dilma Rousseff e contraria não somente suas ideias, como também sua postura irredutível, um dos principais trunfos nessa batalha pelas reformas estruturais. Vale observar se o que Bolsonaro pediu é mesmo o que ele quer e pelo que vai bater pé. A arritmia de comportamento do presidente não permite avalizar qualquer intenção dele como firme, ou mesmo séria. Melhor apostar no cavalo de Paulo Guedes. O trabalhador que espere.

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24.04.19
ED. 6100

Dali não sai

Volta e meia o ministro da Economia, Paulo Guedes, diz a integrantes da sua equipe que, se intervierem nas suas decisões, dá meia volta e retorna para o Leblon, seu pedaço de mundo predileto. O intervalo das ameaças tem ficado cada vez mais curto. Um dos colaboradores mais próximos de Guedes no governo desdenha da ranzinzice. Afirmou que apostaria com o RR que não passam de desabafos. Diga-se a bem da verdade que Guedes sempre foi chegado a uma falação.

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22.04.19
ED. 6098

Paulo Guedes busca na era Vargas a inspiração para a reforma administrativa

Foi soprada ao pé do ouvido de Paulo Guedes a proposta de criação de uma espécie de DASP repaginado. O ressurgimento do Departamento Administrativo do Serviço Público – numa releitura do órgão fundado por Getulio Vargas em 1937 – faria parte da reforma administrativa em gestação no Ministério da Economia. Caberia a esta nova instância elaborar um plano de carreiras, cargos e salários para o funcionalismo público. Estaria sob sua alçada a missão de estabelecer regras de remuneração, critérios de reajuste e normas para a promoção de servidores, tudo que não existe hoje.

A recriação do DASP e a reorganização da algaravia salarial da máquina pública são movimentos complexos, mesmo para um super-ministro, como Paulo Guedes. Na prática, o governo estaria mexendo em direitos adquiridos ao criar uma instância para arbitrar por cima e de forma transversal valores e freios para a remuneração do funcionalismo e concentrar no Executivo prerrogativas hoje repartidas entre os Três Poderes. Seria necessária a votação de uma PEC para alterar os dispositivos constitucionais que regem as normas salariais dos servidores, algo ainda mais difícil tratando-se de um governo até agora caracterizado pela incapacidade de articulação política. De toda a forma, teria tudo para ser uma das reformas mais ousadas da gestão Bolsonaro, abrindo caminho para a redução de excessos no funcionalismo e a racionalização do Estado.

Hoje, não há qualquer cientificidade na fixação dos salários e benefícios do funcionalismo, o que contribui para o desbalanceamento da renda entre os Poderes. Segundo estudo do Ipea, o Judiciário apresenta a maior remuneração média – R$ 16 mil/mês, seguido do Legislativo (R$ 14,3 mil). Na lanterninha, com razoável distância, o Executivo (R$ 8 mil). Reza a Constituição que “A remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos… não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal”. Essa cláusula, no entanto, está para a remuneração do funcionalismo como o antigo limite de 12% estipulado pela Carta Magna estava para a taxa de juros. Ou mesmo a Lei de Responsabilidade Fiscal, para o estouro dos limites orçamentários. Gilmar Mendes já disse que “não há teto mais furado do que esse” em referência ao valor máximo da remuneração do funcionalismo, que, com o reajuste dos salários dos ministros do STF no fim de 2018, passou para R$ 39 mil. O buraco no telhado começa no próprio Judiciário. Levantamento com base em dados do CNJ mostra que mais de 70% dos magistrados dos Tribunais de Justiça somam rendimentos superiores ao teto constitucional. Trata-se também do único Poder que não vem cumprindo o limite de gastos. No ano passado, o aumento do custeio do Judiciário superou os 8%, quando o autorizado era 7,2%.

Se levar a recomendação adiante, Paulo Guedes estará bebendo em uma das fontes de água mais cristalina que já minaram na gestão pública. O DASP notabilizou-se como um centro de excelência. Além de conduzir a reforma da administração federal no governo Vargas, foi também um órgão de assessoramento técnico da Presidência da República. Em seus sete primeiros anos, foi comandado por Luís Simões Lopes, que, posteriormente, presidiria a Fundação Getulio Vargas por 46 anos.

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18.04.19
ED. 6097

Tropa de choque da Previdência

Em meio à batalha para a aprovação da reforma da Previdência, Paulo Guedes decidiu reforçar sua articulação política. Criou no Ministério da Economia uma Assessoria Especial de Relações Institucionais. O eleito para o cargo deverá ser definido até o fim de semana – o Ministério confirma que o “assessor ainda não foi nomeado”. Caberá a ele formar um dueto com o assessor para Assuntos Parlamentares do Ministério, Philippe Wanderley Barbosa.

O presidente do INSS, o procurador federal Renato Rodrigues Vieira, também foi escalado pelo governo para lubrificar as relações com o Legislativo. Vieira fará encontros técnicos com deputados e senadores para esmiuçar detalhes da reforma da Previdência.

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15.04.19
ED. 6094

República virtual 1

A Força Sindical prepara um “tuitaço da Previdência”. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar fez uma tour de force para levantar os perfis de deputados e senadores nas redes. A ideia é utilizar as mídias digitais para viralizar críticas e propostas para a PEC da Previdência, constrangendo publicamente os parlamentares.

República virtual 2

Na esteira da triunfal chegada de Sérgio Moro no Twitter (620 mil seguidores em uma semana), há uma campanha dos “bolsonaristas” nas redes sociais para que Paulo Guedes também crie o seu perfil.

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12.04.19
ED. 6093

Renda mínima é carta-trunfo no bolso de Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem um trunfo oportuno, flexível e capaz de unir críticos da Zona Norte à Zona Sul. Trata-se do imposto de renda negativo, uma invenção da Escola de Chicago, que lapidou um pensamento original de Friedrich Hayek, um dos expoentes da Escola Austríaca, junto com Carl Menger e Ludwig Von Mises. Guedes tangenciou a medida, também traduzida como renda mínima ou renda básica universal, durante a campanha eleitoral. Em algum momento, disse que Jair Bolsonaro poderia incluir a iniciativa entre os futuros feitos do seu governo.

Mais recentemente, em meio ao pau puro da luta pela aprovação da PEC da Previdência, soltou que o governo poderia instituir o imposto de renda negativo para complementar as contribuições no regime de capitalização. O ministro circunscreveu-o à reforma da Previdência. O anúncio, que devidamente explicado daria um empurrão na aprovação da reforma au grand complet, a julgar pelas perguntas que foram feitas na Comissão de Justiça da Câmara, passou batido – para ser mais preciso, nenhuma pergunta foi feita.

No dia seguinte, a mídia publicou a declaração do ministro de forma pouco entusiasmada. E nada mais se disse. A implementação da renda mínima no seu modelo clássico, no qual ricos e pobres são remunerados pelo Estado com o mesmo valor – forma de reduzir a burocracia e apropriações indébitas tão comuns no Bolsa-Família, por exemplo – simplificaria toda a política assistencialista praticada no Brasil, que tem uma dezena de rubricas e programas diferentes. Bastaria a renda mínima como pagamento, ao invés de uma miríade de benefícios sociais.

Imagine uma renda mínima de R$ 1.300,00, um valor que já foi calculado por técnicos do Banco Mundial. Nada mau para que todos os cidadãos no país tivessem esse piso como garantia de uma vida mais digna. Na revista Insight Inteligência – da Insight Comunicação, responsável pela edição do Relatório Reservado –, que começa a circular nesta sexta-feira, é republicada uma entrevista, originalmente de 2000, de Milton Friedman, Prêmio Nobel de Economia, ícone da Universidade de Chicago e ídolo de Paulo Guedes, sobre o imposto negativo. Friedman é entrevistado, por mais inusitado que pareça, pelo ex-senador Eduardo Suplicy, que carrega essa bandeira solitariamente há 20 anos.

O mais monetarista dos professores de Chicago considera a medida a mais eficiente política compensatória. Simples e universal. Seria bom que o ministro da Economia revisitasse a ideia do velho mestre em toda a sua amplitude. A implementação da renda mínima deixa o Bolsa-Família na traseira da História – mesmo com o 13º e outros eventuais aditivos. Ela ajudaria a azeitar as difíceis negociações que terão de ser feitas para a aprovação das reformas estruturais. Hoje, a torcida por Guedes é quase uma obrigação. Sua racionalidade é um das poucas divisórias entre a reorganização de uma economia esfacelada e a desorientação generalizada que provem do Palácio do Planalto. No modelo de Guedes, a purga e a dor sociais são quase que inevitáveis no processo de estabilização. A renda mínima pode minorar esse sofrimento e levá-lo a um reconhecimento que até os seus mais aguerridos combatentes terão de aceitar como merecido.

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10.04.19
ED. 6091

A “despedalada” e a fritura de Joaquim Levy

A pressão do Ministério da Economia para que o presidente do BNDES, Joaquim Levy, devolva à União, “para ontem”, recursos da ordem de R$ 126 bilhões está deixando de ser uma guerra fria para se tornar uma guerra suja. Paulo Guedes saiu do front para evitar o desgaste de prosseguir apertando Levy. Seus assessores assumiram a missão de quebrar a resistência da “despedalada” dos recursos, com o pagamento antecipado ao Tesouro Nacional dos empréstimos realizados no passado. O presidente do BNDES, por sua vez, pretende que a operação seja coberta de todas as garantias, de forma a evitar mais um constrangimento pessoal junto às autoridades fiscalizadoras.

Levy permanece arrolado em inquérito civil de improbidade administrativa que tramita na Procuradoria da República no Distrito Federal. Segundo o inquérito, ele teria realizado de modo disfarçado e ilícito “suposta operação de crédito entre o Tesouro e os bancos públicos”. Levy teria pedalado em 2015, melhorando artificialmente as contas do governo. Assessores de Paulo Guedes foram escalados como tropa de choque do ministro da Economia. À frente, Daniella Marques Consentino, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos da Pasta e uma espécie de “cão de guarda” de Guedes, acompanhada dos secretários da Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, e do Tesouro, Mansueto Almeida.

Os três colocam em xeque a permanência de Levy no cargo. Daniella ataca por todos os flancos. Waldery bate forte publicamente, dando declarações que diminuem o presidente do BNDES; Mansueto opera conversando com os jornalistas em off the records e criticando a falta de um compromisso firme em relação aos recursos solicitados. Levy, por sua vez, diz que o ressarcimento à União é uma prioridade, “mas que o retorno dos aportes deve estar atrelado ao pagamento dos financiamentos que a instituição concedeu com esses recursos, incluindo estados, municípios, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.”

Só para constar, são esses mesmos bancos que estão incluídos no inquérito contra o presidente do BNDES. Levy sabe que a operação é extremamente politizada. Há também o risco dela ser interpretada como um financiamento disfarçado do banco ao seu controlador. Por essa ótica, ele cairia nas garras da Lei de Responsabilidade Fiscal. A proposta implicaria redução de lucros e menos dividendos, impostos e contribuições. Ou seja: redução de receita primária para o Tesouro. Com relação às pedaladas de 2015, o presidente do BNDES diz que ocorreu exatamente o contrário. Ele não só conteve a prática como teria “despedalado” no final do ano fatídico. Por uma dessas travessuras do destino, Joaquim Levy experimenta no BNDES agruras parecidas com as vividas por Paulo Rabello de Castro, quando era presidente do banco. A diferença é que o ministro da Fazenda era Henrique Meirelles, uma verdadeira dama quando comparado ao obstinado Paulo Guedes e sua furiosa tropa de choque.

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04.04.19
ED. 6087

Decoreba

Mansueto Almeida, Secretário do Tesouro, caiu nas graças do chefe Paulo Guedes. É dele a última palavra nos assuntos fiscais. Mansueto tem todos os números na ponta da língua. Os governadores, porém, não gostam dele.

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03.04.19
ED. 6086

É alta a percepção de que Jair Bolsonaro não concluirá o seu mandato

Sondagem RR

O presidente Jair Bolsonaro não vai chegar ao fim do seu mandato. Este é o veredito da maioria dos 230 assinantes do Relatório Reservado – dirigentes empresariais, banqueiros, juristas, parlamentares, cientistas políticos e analistas de mercado – consultados pela newsletter entre os dias 22 e 26 de março. Questionados sobre a hipótese de Bolsonaro não completar os quatro anos de governo, 69% dos entrevistados consideraram esta probabilidade alta (58%) ou média (11%). Apenas 31% classificaram como baixo o risco de o presidente da República não concluir seu mandato. Ressalte-se que esta foi a primeira pergunta feita aos entrevistados na enquete, justamente com o objetivo de evitar que a resposta eventualmente fosse influenciada pelo restante do questionário. Antes que o leitor tire conclusões precipitadas, informamos que a motivação desta sondagem são as recorrentes menções à hipótese do presidente não cumprir os quatro anos de mandato. Pode se afirmar que praticamente todos os colunistas da imprensa tangenciaram o assunto em determinado momento, mesmo que o objetivo, em alguns casos, fosse considerar a tese despropositada. De qualquer forma, a repetição do tema é um fato em si só. É importante enfatizar também que esta não é uma pesquisa quantitativa, mas uma sondagem de sentimento. As percepções em relação ao governo captadas nesta enquete podem ser explicadas pela incapacidade de fazer a economia reagir, falta de apoio dos empresários, perda de popularidade, incompetência na articulação política, suspeições sobre a própria família Bolsonaro, deterioração do relacionamento com a mídia profissional, problemas que se repetem nestes primeiros três meses de gestão.

O risco vem dos demais Poderes

De acordo com a sondagem, o Congresso Nacional é percebido como o front de maior ameaça à continuidade da gestão Bolsonaro. O RR perguntou aos seus assinantes “Caso você tenha considerado como alta ou média a probabilidade de um eventual afastamento do presidente Jair Bolsonaro, qual é o principal grupo de pressão que poderia precipitar a abreviação do seu  mandato?” O Legislativo recebeu 32% das respostas, certamente motivadas pelas repetidas crises no relacionamento entre o Palácio do Planalto e o Parlamento e incapacidade demonstrada pelo governo até o momento em conduzir a articulação política. Na sequência, o Judiciário foi apontado por 28% dos consultados. De alguma forma, a percepção de que o Legislativo e o Judiciário podem vir a ser os dois maiores responsáveis por um eventual impedimento do presidente reproduz o passado de uma maneira transversa. Bolsonaro foi um dos apoiadores das ações nos dois Poderes que culminaram com a queda da presidente Dilma Rousseff. As demais respostas mostram um elevado grau de pulverização. À exceção do Legislativo e do Judiciário, nenhum outro grupo de interesse atingiu mais de 10% na enquete. Os empresários receberam 8% dos votos. Trabalhadores e sociedade organizada, que, de alguma forma, podem ser vistos como blocos geminados, tiveram, respectivamente, 8% e 7%. A mídia foi apontada por 6% dos assinantes como o principal grupo capaz de levar ao impedimento de Bolsonaro. O dado mais representativo, no entanto, talvez seja o reduzido volume de respostas para os militares – também 6%. Ou seja: a sondagem desfaz a percepção, existente em alguns setores da sociedade, de que as Forças Armadas poderiam vir a ser um eventual agente de desestabilização do atual governo. Por último, apenas 5% dos consultados entendem que todos os grupos de interesse citados na sondagem seriam responsáveis, numa espécie de ação compartilhada, por um eventual afastamento de Bolsonaro.

 

O perigo mora no Congresso

O Congresso está no cerne de outra pergunta da sondagem. O RR indagou aos consultados “Caso você tenha considerado como alta ou média a probabilidade de um eventual afastamento do presidente Jair Bolsonaro, na sua avaliação qual o principal motivo que levaria à  eventual interrupção do mandato?” O esgarçamento das relações com o Legislativo liderou as respostas, com 26%. Na sequência, apareceu o quesito “Falta de decoro”, com 14%. Ou seja: entre aqueles que consideram expressiva as chances de um afastamento de Bolsonaro, as atitudes do presidente são vistas como um potencial detonador desse processo. A crescente impopularidade do Capitão ficou com 11%. Logo a seguir, veio a crise econômica, com 10%. Para 9% dos consultados, um impeachment poderia vir pela contaminação por atos familiares. Trata-se de um ponto curioso, no qual Bolsonaro não seria o agente, o protagonista da ação, mas, sim, refém de eventuais malfeitos de seus filhos, notadamente Flávio Bolsonaro, às voltas com o caso Queiroz. Empatado com o mesmo percentual (9%) surge uma possível acusação de gestão temerária.  Ainda neste quesito, outra resposta chama a atenção: na avaliação dos assinantes do RR, a saúde do presidente Jair Bolsonaro é vista como um fator maior de risco para a continuidade do governo (8%) do que uma eventual acusação de malversação de recursos (5%). Trata-se de um indício de que a facada ainda está no imaginário das pessoas. Por fim, apenas 3% disseram acreditar na hipótese de uma eventual renúncia do próprio Bolsonaro. Significa que, na avaliação dos entrevistados que tratam como expressiva a probabilidade de afastamento de Bolsonaro, ele se daria por externalidades e não por vontade própria.

Desgosto com a economia

A percepção de descontentamento com os primeiros meses de mandato é reforçada por outra questão da sondagem. Diante da pergunta “O governo está atendendo às suas expectativas na área econômica”, 82% disseram que “não”. Pelo já mencionado corte dos assinantes do RR, é um alerta de insatisfação que vem dos andares mais altos e mais influentes da pirâmide. Entre os assinantes do RR, 79% entendem ser alta (67%) ou média (12%) a probabilidade de o Capitão perder apoio entre o empresariado. Apenas 21%  vislumbram esta possibilidade como baixa. A expectativa é que a  rejeição ao governo se espraie de forma generalizada. Na opinião de 97% dos entrevistados, é alta (80%) ou média (17%) a probabilidade de que a perda de popularidade de Bolsonaro prossiga. Um universo residual, de apenas 3%, classifica esta hipótese como baixa.

A falta que faz a articulação política

O RR também pediu aos seus assinantes para analisar quais são os principais fatores de risco para o governo Bolsonaro, classificando o seu grau de problematização como alto, médio ou baixo. A excessiva interferência da prole de Jair Bolsonaro é vista como um importante motivo de desestabilização da gestão. Para 92% dos ouvidos, a constante intromissão dos filhos em assuntos do governo, notadamente no próprio Executivo, é um fator de risco alto (74%) ou médio (18%). Apenas 8% dos consultados enxergam o notório espaço de Eduardo, Carlos e Flávio Bolsonaro como um transtorno menor para o Capitão. Mais uma vez, fica evidente o quanto a incapacidade de articulação política tem deteriorado as avaliações da opinião pública em relação à gestão. Para 89% dos consultados, a dificuldade de entendimento com o Legislativo é um fator de risco elevado (68%) ou intermediário (21%) para o presidente Bolsonaro. Há outra questão delicada que também passa pelo ambiente familiar: as denúncias que pairam sobre o clã Bolsonaro. Para 77% dos entrevistados, o potencial de criminalização da família (leia-se o caso Queiroz e a proximidade com milícias no Rio de Janeiro) é um fator de risco alto (48%) ou médio (29%) para o governo.

Redes sociais

O RR também consultou seus assinantes sobre outra questão visceralmente ligada à excessiva participação dos herdeiros, notadamente de Carlos Bolsonaro, no governo. No total, 87% dos entrevistados consideram o uso indevido das redes sociais como um alto (71%) ou  médio (16%) fator de risco para o presidente. Apenas 13% entendem que a demasiada comunicação por meio do perfil pessoal do presidente da República não é um empecilho relevante. Vem dos Estados Unidos outra ameaça potencial à estabilidade política do governo Bolsonaro. Entre as classificações de alto (51%) e médio calibre (19%), 70% dos entrevistados entendem que a influência danosa de Olavo de Carvalho é uma dificuldade de relevo para o Palácio do Planalto. Os 30% restantes classificaram o “guru da Virginia” como um problema de baixa envergadura para Bolsonaro.

O Fator Mourão

Nem tudo são espinhos. Em contrapartida à crescente reprovação entre os empresários e à perda de popularidade, outro item da sondagem reforça haver a percepção de que o estamento militar se manterá como um dos principais grupos de sustentação do governo Bolsonaro. De acordo com a sondagem, a maioria (68%) considera baixa (52%) ou média (16%) a probabilidade de uma queda do apoio das Forças Armadas a Jair Bolsonaro. Somente 32% dos entrevistados entendem haver possibilidade de um gradativo distanciamento entre os militares e o atual governo. Outra resposta reforça o entendimento de que este amálgama será mantido. Para 91% dos assinantes ouvidos pelo RR, são as altas (64%) ou médias (27%) as chances de uma maior participação de egressos das Forças Armadas no Ministério. É ínfimo, portanto, o índice de entrevistados que considera baixa a probabilidade da entrada de novos militares no primeiro escalão (9%). Ressalte-se ainda que, entre os militares que compõem o governo, a mais representativa figura não é percebida, pela maioria, como um fator de risco para Jair Bolsonaro, não obstante sua crescente projeção. Para 46% dos entrevistados, a proeminência do vice-presidente da República, General Hamilton Mourão, é um problema de baixo impacto para a gestão Bolsonaro. Outros 28% classificaram esta questão com algo de peso médio sobre o governo. Apenas 26% entendem que o notório relevo do General Mourão pode vir a representar um risco à gestão Bolsonaro.

Ministros à beira do precipício

O RR perguntou a seus assinantes o quanto a performance negativa de parcela do Ministério (Educação, Relações Exteriores, Família e Turismo) é um fator de risco para o governo. Para 80%, trata-se de uma ameaça altamente relevante (49%) ou média (31%) para a gestão. Apenas 20% classificaram a performance destes ministros como um problema de baixo significado. Não por acaso, segundo a enquete, há uma grande possibilidade de que Bolsonaro substitua ministros da sua cota pessoal que não têm correspondido às expectativas: 94% consideram alta (82%) ou média (12%) a probabilidade de troca – apenas 6% entendem que tudo ficará como está na Esplanada dos Ministérios. Em contrapartida, a julgar pela sondagem, não há percepção de risco quanto aos superministérios de Bolsonaro. Do total de consultados, 88% consideram que são baixas (72%) ou médias (16%) as chances de Paulo Guedes e Sérgio Moro deixarem o governo. Apenas 12% trabalham com uma probabilidade alta de que isto venha a ocorrer.

Economia cresce

Ainda na pergunta sobre o que acontecerá com o governo Bolsonaro (classificando quanto à probabilidade – alta, média ou baixa), há uma divisão quanto às expectativas em relação à economia. Para 49% são altas (41%) ou médias (8%), as chances de retomada do crescimento econômico em 2019-2020. No entanto, 51% classificam como baixa esta possibilidade. Mesmo com as notórias dificuldades de articulação política, os assinantes do RR acreditam que a reforma da Previdência vai passar. Consultados sobre a ameaça de reprovação da PEC no Congresso, 88% classificaram esta hipótese como baixa (68%) ou média (20%). Somente 12% dos assinantes ouvidos pela newsletter trabalham com o cenário mais caótico e cravam que existe uma alta probabilidade de a grande agenda do governo Bolsonaro – no momento, a única – ser rechaçada pelo Congresso. A relação com a mídia profissional também está no pipeline com uma questão de relevância no mosaico político. Para 81% dos entrevistados, é alta (58%) ou média (23%) a probabilidade de que esta convivência piore ao longo do mandato. Somente 19% consideram baixa a hipótese de atritos ainda mais contundentes. •

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03/04/19 7:14h

dbmario@uol.com.br

disse:

É uma vergonha o RR aderir a esta campanha massiva da mídia nitidamente insatisfeita por motivos óbvios!!!!!!

02.04.19
ED. 6085

Bolsonaro dá um carinhosa freada no discurso de Paulo Guedes

É um caso típico do roto falando do esfarrapado. O presidente Jair Bolsonaro e o seu chefe da Casa Civil, Ônix Lorenzoni, se juntaram para aconselhar o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre suas declarações e a melhor condução política para aprovação da reforma da Previdência. Ficou decidido que Guedes vai negociar a mudança nas aposentadorias no Congresso, mas trará a decisão sobre a aprovação dos pleitos para o Palácio do Planalto. O ministro da Economia não será uma chave mestra, que abre as portas do Orçamento quando deveria fechar.

Ele vai ouvir os parlamentares, ponderar e levar as propostas para o grupo palaciano. Segundo a fonte do RR, Bolsonaro disse que Guedes deve se concentrar na Previdência e parar de prometer medidas que afetam antipaticamente diversos grupos de interesse. É a abertura da economia, com a queda das barreiras tarifárias, em uma hora; é mudança na lei do salário mínimo, em outra hora. São ameaças sobre a condução do Sistema “S”, em mais outra.

No momento, o que interessa mesmo são as grandes mudanças institucionais. “Não vai fazer diferença para a economia se o sujeito vai comer um iogurte francês mais barato do que aquele produzido com o leite das vacas de Minas Gerais”, teria dito Lorenzoni. O presidente Bolsonaro e o minitro da Casa Civil recomendaram também como desnecessárias as declarações recorrentes dos desejos liberais mais profundos, tais como a privatização da Petrobras e do Banco do Brasil e a terceirização do funcionalismo público.

Esses sonhos não se tornarão realidade. Pelo menos no horizonte da aprovação das reformas estruturais prioritárias. Paulo Guedes, de acordo com a fonte, assente a todas as recomendações de Bolsonaro e de seu colega de Ministério. Ao contrário do que aparenta em suas perfomances, de perto o ministro da Economia é manso, agradável e ponderado. Mas o próprio Guedes conhece a sua natureza. É difícil conter naquele frasco uma ebulição ideológica, que, tecnicamente correta ou não, vem buscando uma fresta de escapamento há muitas décadas. Bolsonaro, Lorenzoni, Guedes e outros ministros que não fazem parte desse enredo são uma combinação que desafia a lógica dos princípios ativos. Espera-se que os alquimistas estejam chegando.

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29.03.19
ED. 6083

A metralhadora Paulo Guedes

Paulo Guedes soltou o verbo junto a um interlocutor do RR, sobre a independência das Forças Armadas em relação às suas despesas e manutenção de ativos sem utilidade. Segundo a fonte, Guedes teria recomendado a privatização de algumas bases aéreas da FAB, praias e ilhas da Marinha, e imóveis do Exército. O ministro começaria a desmobilização pelo Forte de Copacabana. Na visão de Guedes, o enxugamento compensaria, em parte, a modesta contribuição da reforma da Previdência dos militares.

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27.03.19
ED. 6081

Paulo Guedes busca inspiração em Simonsen para relançar refinanciamento compensatório

Os elogios recentes do ministro da Economia, Paulo Guedes, ao professor Mario Henrique Simonsen podem revelar a atualidade e a inspiração em uma das ideias do mestre. Corriam os anos 70, e a economia derretia com a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas. Simonsen, que nunca rezou pela cartilha da ortodoxia econômica, bolou uma forma de estimular a liquidez sem emissão monetária ou endividamento. Batizou o engenhoso instrumento de refinanciamento compensatório.

A receita de Simonsen determinava que o Banco Central liberasse recursos do compulsório bancário para que as instituições financeiras pudessem renegociar dívidas de empresas e pessoas físicas, evitando, assim, uma quebradeira em massa. Guedes, que à época não comungava com a medida, está tentando utilizá-la para sacudir o consumo. O assunto está em estudos pela equipe econômica. Sem expectativas de novos investimentos e com as despesas do governo contidas, o papel de desfibrilador da economia, neste ano, ficou restrito a algum aquecimento do mercado interno.

E qualquer resíduo a mais no PIB conta ponto. Durante a campanha presidencial, Ciro Gomes plagiou Simonsen e defendeu o refinanciamento de todas as pessoas físicas penduradas no SPC. No modelo original estavam incluídas as pessoas jurídicas. Hoje dar essa guarida para as empresas seria cometer um haraquiri político. Atualmente, mais de 60 milhões de brasileiros estão inadimplentes, sendo que a maior parte são idosos. A medida atinge, portanto, grande parte do público que é impactado pelas mensagens sobre a reforma da Previdência.

O “refinanciamento compensatório” vai direto na veia da taxa de desemprego, que está quase imóvel na faixa de 12%; suaviza a impopularidade das mudanças na Previdência; reconhece que os bancos, mesmo abarrotados de dinheiro, não acreditam mais na clientela, que se encontra com o nome sujo. O dinheiro seria carimbado. Somente poderia ser usado para renegociar as dívidas daqueles que penam no SPC e estão excluídos do mercado de consumo. Uma garantia para que os bancos voltem a emprestar. Seria uma iniciativa com impacto direto no bolso dos brasileiros que mais se ressentem da marcha lenta da economia. O fato de Paulo Guedes estudar a adoção da medida revela não só a atualidade do pensamento do mestre, mas também a inspiração em uma das suas ideias, que poderá ser relançada em breve. É um sincero, ainda que tardio, elogio a Mario Henrique Simonsen.

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20.03.19
ED. 6076

Venda de reservas cambiais fica em stand by

Apesar das manifestações públicas em relação ao tamanho excessivo das reservas cambiais e as vantagens de trocar parte delas pelo abatimento de dívida pública bruta, os ministros da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Netto, interditaram a discussão sobre a medida. O assunto somente será retomado se a reforma da Previdência for aprovada. Mesmo assim, a probabilidade dela vir a ser adotada se tornou remota no médio prazo. Com a esperada redução mais agressiva da taxa de juros – sempre condicionada à votação da reforma e a manutenção de um cenário externo de risco baixo – e a queda do custo do carregamento das reservas, juntamente com a diminuição do déficit primário, o ritmo de crescimento da dívida pública bruta tende a diminuir.

Se o PIB subir mais, ela tende a cair em relação ao Produto Interno. As reservas também apontam viés de queda se comparadas ao PIB. Portanto, elas permaneceriam altas em termos absolutos, mas mais baixas em relação ao PIB e às importações, que aumentariam como razão direta do crescimento do Produto Interno. Valeria a pena reduzir o lastro cambial do país e subtrair a aura de fortaleza que o atual volume de US$ 380 bilhões oferece em nome de uma redução até certo ponto inexpressiva da dívida bruta?

Roberto Campos Neto, nos primeiros pronunciamentos após sua posse no BC, achava que sim, pois a baixa do custo de carregamento insinuava serem desnecessários tantos dólares estocados. Paulo Guedes pensava igual. Até o final de outubro do ano passado, um mês e pouquinho antes da sua posse, tinha até a cifra de quanto de reserva ele venderia: US$ 100 bilhões. Repetiu algumas vezes sua intenção. Em meados de novembro, mudou de opinião. Disse que mexeria nas reservas somente se houvesse um ataque especulativo e o dólar atingisse o patamar de R$ 5,00. Agora, sabe-se que a conversa foi para a geladeira. O volume de reservas brasileiras acima do que o FMI recomenda fica como insígnia da capacidade larga de solvência do país.

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19.03.19
ED. 6075

Franqueza

O ministro Paulo Guedes conversava com colaboradores e economistas, após o evento de sexta-feira na FGV, quando abriu as portas para a franqueza: “Entre as grandes estatais a primeira que eu detonaria seria o BNDES.” O presidente do banco, Joaquim Levy, próximo da roda, esticava os ouvidos para ver até onde a honra lhe cabia.

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14.03.19
ED. 6072

Nordeste é o Brasil que Bolsonaro precisa conquistar

O ministro Paulo Guedes vai receber entre hoje e amanhã uma pesquisa que reforça a urgência do governo elaborar projetos estruturantes e deslocar recursos para o Nordeste. O levantamento realizado pela Associação Comercial de São Paulo em 72 municípios brasileiros e obtido com exclusividade pelo RR expõe o desalento que impera na região, se comparado às demais áreas do país. Quando perguntados sobre a expectativa de conseguir emprego nos próximos meses, o Índice de Confiança medido entre os nordestinos foi o menor (82), contra 106 no Sudeste e 122 no Sul.

Não por coincidência, o Nordeste fechou o ano de 2018 com o maior índice de desocupação entre todas as regiões do país – 14,9%, contra 12,3% na média nacional, segundo o IBGE. O governo tem clareza de que o Nordeste é uma área por ser capturada, praticamente uma lacuna no mapa do bolsonarismo. Trata-se da única região em que o PT e consequentemente a esquerda seguem com uma posição de hegemonia eleitoral – Fernando Haddad ganhou em todos os estados no segundo turno.

Os números da Associação Comercial de São Paulo se juntarão a tantos outros indicadores que pressionam o governo a desenvolver ações com foco no Nordeste. A região leva dois anos para crescer o que o Brasil cresce em 12 meses (o que já nem é grande coisa). Em 2018, o PIB nordestino subiu 0,6%, contra 1,1% do resultado nacional. A deterioração econômica da região se reflete também no aumento do número de famílias que vivem abaixo da linha de pobreza. Essa proporção passou de 5,8% para 8,9% da população.

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12.03.19
ED. 6070

Militares pressionam por um “Plano Guedes” para o desenvolvimento nacional

A ala militar do governo está irmanada em torno da reforma da Previdência. Não há dúvida. Mas não fecha integralmente com o projeto do ministro da Economia, Paulo Guedes, de fazer do governo uma grande ceifadora do Estado. Os generais do Planalto estão uníssonos em evitar qualquer manifestação que desvie a prioridade da Previdência. Internamente, entretanto, pressionam diretamente Guedes para que prepare um mapa do desenvolvimento com maior clareza do que as lojas permanentes à mão invisível do mercado.

O general Hamilton Mourão defende um plano de longo prazo que contemple metas para a erradicação dos problemas mais graves do país. Acha também que o governo tem de enviar comitivas de alto nível, constituídas, inclusive, por oficiais da ativa – vários projetos passam direta ou indiretamente pelas Forças Armadas – para negociar financiamentos de porte. China, Rússia, Estados Unidos e Índia seriam os targets. São países com os quais o Brasil tem mais interesses geopolíticos e econômicos. O governo levaria como contrapartida novos projetos de infraestrutura, venda das estatais e concessões em condições privilegiadas, além da exploração de ativos minerais e terras agrícolas. O Brasil precisa investir valores elevados no seu crescimento.

Essa conta não pode ser colocada nas costas do Estado. O general Carlos Alberto dos Santos Cruz é outro militar do Planalto que discorda do discurso monotônico de Guedes. Santos Cruz diz abertamente que não acredita nos valores gigantes que o ministro da Economia propaga como absolutamente necessário cortar para equilibrar as contas do Estado. O general acredita que há muito dinheiro a recuperar e considera um absurdo toda essa quebradeira no aparelho público federal, estadual e municipal sem que ninguém tenha sido responsabilizado.

Todos os generais acham que o problema social depende de crescimento e que o crescimento depende de investimentos, preferencialmente nos setores fundamentais. A pressão sobre o ministro da Economia é grande. É possível que ele tenha que se dedicar a um “Plano Guedes”, voltado para o setor real de forma a criar um horizonte para realizações físicas. Essa seria a forma de tornar menos áridas as ações do ajuste fiscal, tais como mudança no salário mínimo, reforma administrativa, fim da estabilidade do funcionalismo público, abertura da economia, entre outras medidas de caráter extremamente antipático que, à primeira vista, sinalizam para a perda de competitividade e empobrecimento da população.

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28.02.19
ED. 6065

Mensagem aos liberais

Se o ministro da Economia, Paulo Guedes, quiser uma contribuição justa e ética para conter o déficit primário, pode recorrer ao velho e bom imposto sobre heranças, com novos e consistentes argumentos. Segundo estudo feito pelo Peterson Institute for Internacional Economics, com base em dados da revista Forbes, a proporção de bilionários em decorrência de heranças é maior no Brasil do que no mundo. Em 2017, 44,7% dos bilionários brasileiros haviam alcançado essa posição devido ao recebimento de bens de família. O imposto sobre esse tipo de operação no Brasil é o menor da América Latina e um dos mais baixos em todo o mundo, em média na faixa de 4%. Na Europa Ocidental, Estados Unidos e Japão, o tributo se situa entre 20% e 45%.

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01/03/19 14:10h

gbnetto

disse:

Esqueceu de contar toda a história: nos EUA você somente paga estes 20% se tua fortuna invidual for acima de R$ 20 milhoes e do casal R$ 40 milhões.

28.02.19
ED. 6065

Queda da Selic é o cartão de visita de Campos Neto

Os pronunciamentos dos presidentes do Banco Central em suas sabatinas no Senado Federal são exercícios de redundância e repetição. O novo comandante do BC, Roberto Campos Neto, defendeu com ênfase a linha mestra da sua gestão: cautela, serenidade e perseverança. Ora, como se Campos Neto pudesse propor ousadia, exacerbação e precipitação. Todos os presidentes do BC entoam o mesmo mantra. Mas nem todos copiam a política monetária do(s) antecessor(es).

Campos Neto promete ser um desses casos. Uma fonte próxima a Paulo Guedes ouviu do ministro que, ao contrário das gestões Alexandre Tombini e Ilan Goldfajn, a seta dos juros está apontando na direção de baixa. Esse seria o consenso do núcleo central da equipe econômica, da qual Campos Neto faz parte. Ao contrário de Henrique Meirelles, no governo Lula, Tombini, no governo Dilma, e Ilan, no governo Temer, o novo presidente do BC foi escolhido diretamente por Paulo Guedes, que tem ascendência intelectual sobre o financista. Os juros não caem por bonapartismo monetário.

A redução depende da ocorrência de outras variáveis em um processo no qual são observados diversos fatores. Campos Neto não decidiu baixar as taxas e ponto final, mas ausculta probabilidades e evidências. Se a inflação der sinais de cair dos já reduzidos 3,75% para 3,50% ou 3,25%, bem abaixo da meta de 4,25%; se a atividade econômica continuar constipada, com a indicação de um PIB de 2% ou até mesmo 1,5%, conforme já projetam algumas casas bancárias; com o Federal Reserve antecipando a suspensão do ciclo de alta dos juros; Neto vai muito, muito provavelmente reduzir a taxa Selic.

Por mais que o fiscal possa fazer pela economia, todas as medidas serão contracionistas. Mesmo o efeito expectativa da reforma da Previdência pode tomar um banho de água morna se a aprovação for sendo atrasada até o fim do ano. A queda dos juros seria um fato novo, auspicioso como toda vez que acontece. O espaço para a redução é largo. Vai de 6,25% a 5,75% – uma Selic de 5,50% seria azarão. Façam suas apostas.

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21.02.19
ED. 6060

Indústria envia SOS a Mourão

Empresários dos setores de química, siderurgia, máquinas e equipamentos estão debruçados sobre um diagnóstico do abandono completo da indústria pelo governo. O documento está sendo preparado para entrega ao general Hamilton Mourão. As conclusões são dramáticas. Mesmo que o PIB volte a subir para 3% a 4%, a indústria terá um crescimento proporcional inferior e permanecerá perdendo peso relativo no agregado da economia, resultando em menor arrecadação tributária, baixa geração de emprego e combalida capacidade em pesquisa, tecnologia e inovação. Segundo os empresários, o vice-presidente é o único integrante do governo determinado a empunhar essa bandeira. Mourão já se encontrou com representantes de todos esses setores. O general tem disposição para encampar causas, vocalizá-las e defendê-las dentro do governo. Ele seria o indicado para negociar com Paulo Guedes um lugar para a indústria no bojo da política econômica. O presidente Jair Bolsonaro não tem afinidade e não entende do assunto. Em breve as manifestações virão à tona. O RR garante o que diz.

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20.02.19
ED. 6059

Ministério da Economia transforma Serpro no “grande irmão” da nação

Sob a égide de Paulo Guedes, o ex-diretor do Instituto Millenium Paulo Uebel caminha para se tornar o comandante-em-chefe de um dos órgãos mais poderosos do aparelho de Estado, seja pelo seu espectro de atuação, seja pelo seu efeito multiplicador sobre a economia. Caberá à Secretaria Geral de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, capitaneada por Uebel, criar as condições para um incremento potencial do PIB da ordem de R$ 370 bilhões por ano, segundo estudos da própria área de Planejamento. O aguardado salto virá da implantação do projeto “Governo Digital”, leia-se a integração em uma única plataforma dos dados e processos da máquina pública federal, do sistema de acesso à informação de ministérios, estatais e autarquias, além de todos os serviços prestados à população.

O Serpro, estatal responsável pelo processamento de dados do governo federal, será uma peça central nessa engrenagem. Sob a área de influência da nova Secretaria, a empresa se tornará uma espécie de “grande irmão” nacional. Uma parcela expressiva do
Brasil está dentro da estatal. Criado no governo militar, em 1964, o Serpro congrega toda a base de CPFs, CNPJs, Carteira Nacional de Habilitação, Renavan, dados da Receita Federal, Programa de Recuperação Fiscal (Refis), entre outros. Ressaltese ainda que a estatal foi responsável pelo desenvolvimento da inteligência central embarcada no novo Documento Nacional de Identificação (DNI).

A partir do Serpro, a Secretaria de Governo Digital conseguirá visualizar no seu radar o ir e vir dos cidadãos brasileiros. Nada mais sintomático, por sinal, que o próprio Paulo Uebel tenha sido o responsável pela indicação presidente da empresa, Caio Mario Paes de Andrade. O “Governo Digital” é um projeto com o objetivo de arrumar a máquina pública tanto para dentro quanto para fora. Herdado do governo Temer, o documento “Estratégia de Governança Digital (EAD)” enfeixa 106 microprojetos de transformação de serviços em 35 órgãos do governo federal. Entre as missões estão a contratação de infraestrutura de processamento em nuvem; a utilização de recursos de inteligência artificial e robôs (Chatbots) para integração de todas as centrais de atendimento da esfera federal; e a criação de um canal de notificações ao cidadão por meio notadamente de SMS e WhatsApp.

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18.02.19
ED. 6057

Ritual

Paulo Guedes tem, religiosamente, reservado as quartas-feiras para reuniões com o presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães. A pauta é monotemática: a venda de ativos do banco.

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15.02.19
ED. 6056

Paulo Guedes cogita paralisar atividades do governo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, cogita a suspensão geral do pagamento dos gastos públicos se a tramitação da reforma da Previdência engasgar. Em outras palavras vai aplicar um shutdown, ou melhor dizendo, a suspensão das atividades do governo. Por essa ótica, o Plano B do ministro, de entregar a feitura do orçamento ao Congresso, fica sendo na verdade o Plano C. Pode ser até que não seja plano algum. Em outros idos, quando o senador Antônio Carlos Magalhães defendia com unhas e dentes o chamado orçamento autorizativo, Guedes não mostrava entusiasmo com a medida.

Isto porque o mesmo Congresso que tinha por obrigação zelar pelo equilíbrio das contas roía a estabilização aprovando caminhões de medidas provisórias. O assunto da suspensão dos gastos já foi tratado anteriormente com o presidente da República, Jair Bolsonaro. A palavra de ordem é negociar com o Congresso até a última gota de saliva. Mas o prazo é até junho. Se as conversações se estenderem, o governo corta os tubos das despesas. Não cabe tergiversação.

Guedes tem um compromisso junto com sua equipe de zerar o déficit primário neste ano. Não há a menor chance, sendo ele o ministro, de não vir sequer a cumprir a meta de R$ 139 bilhões do primário. Sem a Previdência, as contas públicas degringolam e o ajuste terá de ser maior no próximo ano. Um amargo tira-gosto já está sendo servido: o governo vai fazer um bloqueio preventivo de gastos até os números fiscais serem mais bem analisados. Até o fim de março libera 1/8 mensal do orçamento para cada ministério. Em tempo: o Brasil não tem a experiência de ter vivido um shutdown.

Curioso! Há uma estranha simbiose da nossa realidade com a da América de Donald Trump. Nesse momento, Trump negocia para evitar uma nova paralisia parcial dos gastos. O problema dele é uma prosaica obsessão com a entrada de mexicanos. Nossas questões fiscais, a começar, com a Previdência, são mais sérias. É melhor que parem por aí as semelhanças e que Trump não inspire Bolsonaro a aplicar um shutdown em função da migração venezuelana. De bizarrices já estamos cheios.

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22/02/19 14:33h

Fabio Jose Vieira

disse:

Infelizmente temos falsos líderes no Planalto.

11.02.19
ED. 6052

Balanço do dia

Diariamente, ao final do expediente, Paulo Guedes liga para a mulher, Cristina, fazendo uma espécie de balanço do dia. “Titina” tem uma sabida influência sobre o marido.

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07.02.19
ED. 6050

O show da Previdência

Depois de Jair Bolsonaro, figurinha carimbada nos auditórios de TV, chegou a vez de Paulo Guedes. A comunicação do Palácio do Planalto costura a participação do ministro em programas de perfil popular para falar sobre a reforma da Previdência. Na mira, Ratinho, no SBT, e José Luiz Datena, na Band, com os quais o Capitão Bolsonaro estabeleceu notória proximidade durante a campanha. Mas imper- dível mesmo seria um encontro entre o “Posto Ipiranga” e Silvio Santos, rodeados pelas colegas de trabalho do Homem do Baú.

O governo Bolsonaro vai deflagrar, a partir de hoje, uma tour de force para angariar o apoio da sociedade à reforma da Previdência. Curiosamente, inverteu a pirâmide e vai começar a catequese por quem menos precisa ser evangelizado. Hoje, o secretário Especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, iniciará uma série de encontros com entidades representantes de aposentados e pensionistas. Só depois o road show chegará àqueles que realmente serão atingidos pela reforma, com reuniões em entidades sindicais. Convenhamos, seria curioso ver Marinho falando sobre a reforma da Previdência do Bolsonaro para uma plateia da CUT…

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05.02.19
ED. 6048

“Reforma monetária”

Uma missão revestida de simbolismo aguarda por Paulo Guedes para breve: colocar sua assinatura em um papel especial fornecido pela Casa da Moeda. O chamegão do ministro será estampado em uma próxima fornada de cédulas de real. A mesma tarefa terá de ser cumprida por Roberto Campos Neto, que espera apenas a aprovação do Senado para assumir a presidência do Banco Central.

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04.02.19
ED. 6047

Antes da folia de Momo

As prioridades de Paulo Guedes (Economia) para o mês de fevereiro: Previdência e Responsabilidade Fiscal. A primeira depende uma altíssima articulação política. Já a segunda está sendo acompanhada de perto por assessores do ministro, pois depende de decisão do Poder Judiciário. O STF colocará em julgamento, no dia 27 de fevereiro, oito ações diretas de inconstitucionalidade contra dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal, iniciativa que poderá favorecer os governadores, também preocupados em colocar as finanças locais em ordem. De acordo com a Secretaria do Tesouro, 14 estados superaram em 2017 o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, de 60% da receita corrente líquida em gastos com pessoal, incluindo ativos a aposentados.

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04.02.19
ED. 6047

Promessa maior

Nas reuniões com empresários e entidades classistas, sempre a portas fechadas, Paulo Guedes afirma que não baixará alíquotas para importação de produtos sem antes dar condições de competividade aos fabricantes nacionais. Mas nada de subsídios. Segundo ainda o ministro, a abertura das nossas fronteiras aos exportadores globais será gradual.

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30.01.19
ED. 6044

Afinal, para que serve a golden share da Vale?

O gabinete de crise do Palácio do Planalto trouxe para o centro das discussões uma questão shakespeariana: usar ou não usar a golden share que o governo detém na Vale para substituir a direção da companhia. O assunto tem uma conotação político-estratégica que vai além de uma punição pela irresponsabilidade na administração do risco. A dúvida é se a manutenção dos gestores não compromete o governo de certa forma, pelo menos no imaginário da sociedade, com a tragédia de Brumadinho.

Depois do desastre de Mariana, a recorrência de um acidente dessas proporções enseja que o assunto deixe de ter conotações meramente corporativas. O segundo erro, com um número maior de mortes, exige uma atitude enérgica da autoridade pública, além das políticas convencionais de evacuação, socorro, apoio e solidariedade. A dúvida do governo é se a extensão jurídica da golden share permite seu uso para promover a mudança da administração. O presidente em exercício, general Hamilton Mourão, sacou rápido do coldre. Disse que estuda sim essa possibilidade no âmbito do gabinete de crise.

O RR apurou que os ministros envolvidos na discussão estão divididos. Há quem defenda que, se a golden share for aplicada para troca da diretoria, a interpretação é que não há mais gestão profissional nem governança corporativa. Até porque não estão definidos os casos em que essa intervenção ocorre. Por outro lado, ignorar o instrumento parece um contrassenso. Afinal, para que ter uma ação de classe especial para ser usada em situações excepcionais, se quando ocorrer uma calamidade pública o governo simplesmente esconde o instrumento. Afinal, a golden share só serve para evitar que a companhia mude de nome ou leve sua sede para o exterior? São decisões prosaicas em comparação com o apocalipse de Brumadinho.

Segundo a fonte do RR, os ministros favoráveis à degola consideram que, além da necessidade de alguma providência oficial, os diretores da companhia não teriam mais clima de trabalho na empresa. A calamidade inquietou o quadro de pessoal ainda mais do que Mariana. A Vale passou a ser considerada uma companhia que dá pouco valor à vida. Pelo menos é o que diz a mídia internacional. A banda econômica do governo é contrária ao uso da golden share.

O ministro da Economia Paulo Guedes et caterva prefeririam que o instrumento ficasse no armário, tendo em vista o programa de concessões e privatizações do governo. Ele criaria uma insegurança regulatória. O ministro do Gabinete Civil, Onix Lorenzoni, contudo, afina o coro com o general Mourão. Diz que se for comprovada a falha da Vale, a diretoria será mudada. O mais simples é deixar que Previ faça o trabalho na próxima reunião do Conselho de Administração. Conforme o RR já publicou, a fundação está com a faca nos dentes para remover o presidente da Vale, Fabio Schvartsman.

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30.01.19
ED. 6044

Insper também busca seu lugar ao sol

O pessoal do Insper gostaria de colaborar mais com Paulo Guedes, mas ficou difícil azeitar as relações.  Levantaram a bola de André Lara Resende com alguns convites para palestrar. Até Fernando Haddad, professor da instituição, eles promoveram. E tome Ricardo Paes de Barros, Eduardo Gianetti, Samuel Pessoa – este, da FGV, é tido como um insperiano enrustido – e o próprio regente Marcos Lisboa, sem qualquer comentário favorável sobre o superministro. Guedes também esteve por lá. Mas foi engolido a seco como biscoito de polvilho. Não havia nenhuma identificaçãoentre os grupos. O resultado foi o reconhecimento e a nomeação dos economistas da FGV para quase todos os cargos relevantes da área econômica, além da Petrobras, feudos de Paulo Guedes. É a maior concentração de doutores por metro quadrado da Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio de todos os governos. Quem poderia descongelar essa relação com o Insper é o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, parceiro de artigos juntamente com Lisboa e Pessoa. Mansueto, entretanto, oportunamente mudou de lado. Quando se pergunta a ele se ele tem disposição para colocar compressas na contundida relação com o Insper, a resposta vem taciturna, meio abafada. “Estou fazendo meu trabalho aqui. Esse assunto não me interessa. É tudo fofoca”, reza o mantra de Mansueto.

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30.01.19
ED. 6044

Sistema S 1

Um dos pontos debatidos, ontem, entre Paulo Guedes (Economia) e o presidente do Tribunal de Contas da União, José Múcio, foi sobre o Sistema S.

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29.01.19
ED. 6043

Formigueiro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, vai apresentar, hoje, um esboço das suas ideias sobre editais de leilões e concessões ao ministro do Tribunal de Contas da União, José Múcio Monteiro. Guedes sabe que o TCU pode vir a ser a saúva das privatizações.

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21.01.19
ED. 6037

Paulo Guedes quer rasgar a camisa de força do Orçamento

O ministro da Economia, Paulo Guedes, está amadurecendo a ideia de enviar à apreciação do Palácio do Planalto não somente o projeto de reforma da Previdência, mas também a proposta de desvinculação das receitas orçamentárias. Quanto à disposição de Guedes de desengessar o Orçamento, nenhuma novidade. O fato surpreendente seria o envio conjunto para votação no Congresso dos projetos de flexibilização da rigidez orçamentária e mudança na Previdência. Nas conversas com lideranças políticas e governadores, a equipe econômica pôde medir a sensibilidade em relação à medida. A percepção é que o impacto dos dois projetos sobre as finanças dos estados seria altamente positivo. As unidades federativas estão quebradas. Os desequilíbrios provocados pelos gastos previdenciários e obrigatoriedade dos gastos estão entre as principais causas. Com relação ao orçamento federal, a flexibilização das obrigatoriedades permitiria o cumprimento do teto dos gastos. Atualmente o nível de engessamento do orçamento alcança 94%. O que sobra dá para comprar papel, lápis e uma borracha.

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14.01.19
ED. 6032

Target

O target de Paulo Guedes é um minúsculo superávit primário e redução do crescimento da dívida pública bruta em relação ao PIB, em 2019. O ministro diz que as previsões do Focus nesse campo são uma bobagem.

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11.01.19
ED. 6031

O jogo recomeçou na Susep

O recuo de Paulo Guedes no projeto de fusão da Susep com a Previc deu novo gás ao Solidariedade. O partido, mais precisamente o deputado Lucas Vergílio, já se mobiliza na tentativa de manter Joaquim Mendanha de Ataídes à frente da agência reguladora da área de seguros. Vergílio verbaliza os interesses dos corretores de seguros, que também batalham para manter outros indicados na Susep, como o diretor de Administração, Paulo dos Santos, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Autorregulação do Mercado de Corretagem de Seguros.

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04.01.19
ED. 6026

Privatização da Eletrobras é a sintonia perfeita

O ministro da Economia, Paulo Guedes, bem pode estar recitando curtos solilóquios que demonstram o seu estado de espírito. Um deles seria: “Vinde a mim sucesso pertencido”. Uma dessas muitas vitórias foi determinada pelo destino: a indicação do almirante Bento Albuquerque para ministro de Minas e Energia. Albuquerque era a peça que faltava para amalgamar a privatização da Eletrobras e amolecer as resistências que ainda existem no governo contra a venda das maiores estatais. O recado é soberba pura: Bolsonaro disse que não venderia a Eletrobras. Pois bem, agora ele aceita privatizar a companhia.

Bolsonaro disse que não se desfaria da Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica. Será? Guedes tomou conhecimento com antecedência da posição do almirante. As conversas se deram em meio à troca de informações sobre a complexa gestão e áreas de influência da Petrobras. O ministro da Economia queria eliminar qualquer ruído pelo fato de ter nomeado o presidente da estatal, Roberto Castello Branco. O almirante Albuquerque é o dono do setor. Ponto final. A identificação do presidente da Petrobras com o ministro remete à Marinha.

Ontem, em seu discurso de posse, Castello Branco fez questão de ressaltar sua passagem pelo Colégio Naval. A coincidência de pensamento em relação ao futuro da Eletrobras, estimulado pela evidência de que a empresa está financeiramente com a língua de fora, alinhou os ministros da Economia e de Minas e Energia, fortalecendo a argumentação para que o presidente Bolsonaro recuasse em sua posição contrária. A calda do pêssego foi a confirmação da permanência de Wilson Ferreira Jr. na presidência da Eletrobras.

A primeira função de Ferreira Jr. será vender a empresa; a segunda, vender a empresa; e a terceira, vender a empresa. A operação tanto pode ser uma privatização hard, com a transferência para um novo controlador, ou uma privatização soft, com a capitalização da empresa através do modelo corporation. O certo é que ela ocorrerá. Os entendimentos iniciais levam a crer que a área nuclear será separada da Eletrobras e inteiramente reestruturada. Os pruridos foram mitigados.

É possível, inclusive, a formação de uma joint venture com capital estrangeiro e gestão a cargo da Marinha. Bolsonaro tem planos especiais para o setor. Vale reiterar que o almirante Albuquerque exerceu os postos de diretor geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha e diretor do Programa de Submarinos da Força. Nesse ínterim, há sinalizações de que o 3G Radar permanece candidatíssimo à compra da Eletrobras. O fundo fez chegar a Paulo Guedes que, inclusive, estaria disposto a participar em modelos menos convencionais de privatização. Jorge Paulo Lemann, que hoje é um minoritário do 3G Radar, também colaborou acenando com o seu apoio. Pelo lado do capital estrangeiro, a italiana Enel já teria assoprado o seu interesse. Parece que os astros conspiram para transformar em realidade os sonhos mais lindos do ministro da Economia. A começar, quem diria, pelo presidente Bolsonaro, todos tocam de ouvido a mesma sinfonia privatizante.

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04.01.19
ED. 6026

Plano AA

Quem conhece Paulo Guedes sabe que não houve precipitação afobamento da sua parte quando anunciou um Plano B caso a reforma da Previdência não seja aprovada. Guedes não resiste a uma ameaça. E jogar a responsabilidade pelo orçamento nas costas dos políticos é uma baita ameaça. Ninguém no Congresso quer saber disso.

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28.12.18
ED. 6023

Ano Novo começa sob a égide do liberalismo

Se o lendário economista Arthur Candal estivesse vivo, resumiria a pré-gestação do governo Bolsonaro como “um brutal acerto de diagnóstico”. Candal usava o adjetivo “brutal” inversamente a sua definição etimológica. A palavra vem do latim “brutale” e é utilizada para qualificar algo como “sem razão” ou “irracional”. Para o economista, ela se adequava ao termo em seu sentido contrário, ou seja, algo tremendamente correto.

Em comum com o então jovem Paulo Guedes, tinha o som e a fúria. Candal foi a estrela maior do Ipea nos anos de ouro, época em que a instituição de pesquisas era dirigida por João Paulo dos Reis Velloso. Na mesma constelação, estavam nomes como Pedro Malan, Regis Bonelli e Edmar Bacha. Para se ter uma ideia do peso do personagem, o empresário Paulo Cunha, um dos donos do Grupo Ultra e referência entre seus pares, responde de bate-pronto quando é perguntado sobre Candal: “Ninguém estudou ou entendeu mais a indústria do que ele”.

“Arthur, o vermelho”, conforme era chamado nas décadas de 60 e 70, se dizia “kaleckiano”. Aliás, ele e Maria da Conceição Tavares. Com uma diferença, Candal, quando se exilou, foi estudar com o mítico economista, uma espécie de “Keynes polonês”. Ele contava que antes do seu primeiro encontro formal com Michal Kalecki, na véspera de Natal, rondava pelas ruas de Varsóvia, quando decidiu entrar em um bar. O economista era um famoso “altero-copista”, difícil de  ser enfrentado em uma disputa etílica. Pois que, sem conhecer Kalecki, postou-se ao seu lado no balcão. E os dois, olhando-se de esguelha, derramaram toneis de vodka. Não trocaram uma palavra sequer. Só depois que Candal descobriu quem era o seu vizinho no bar.

Muitos anos depois, prosseguindo em suas autocríticas, Candal tornou-se fiscalista e privatista, passando a enxergar o déficit público como o demônio na terra. O economista dizia que quem fez sua cabeça foi Mario Henrique Simonsen, com quem tinha tido uma “brutal” discordância de décadas. Em uma inesquecível noite, no bar do Hilton Hotel, localizado à Av. Ipiranga, após um evento patrocinado pela então Pricewaterhouse sobre os rumos da indústria, Candal se declarou a Simonsen. Disse que o ex-ministro tinha acertado o tempo todo e ele não tinha enxergado o que estava à frente. Beberam até quase o dia raiar.

Naqueles idos, “Arthur, o ex-vermelho” já tinha identificado no jovem e acelerado Paulo Guedes um economista merecedor de observação. Leu um debate entre Conceição, uma velha amiga, e o jovem monetarista, realizado na Anbid, e disse: “A Maria perdeu essa”. E ganhar da Maria era um feito raro. A esquerda atacava o enfant gâté apelidando-o de “Beato Salu”, alusão a um místico catastrofista que fazia a graça de uma novela de televisão. Candal entendia os excessos de Guedes como estratégia: o rapaz elevava o tom muitos decibéis para enfrentar a maioria intelectual, em um período no qual o liberalismo, fosse lá qual a vertente, era satanizado como se tivesse a culpa pelos porões da ditadura.

Roberto Campos, ídolo de Guedes, quando perguntado quem seria seu sucessor entre os “chicaguianos” Paulo Rabello e Paulo Guedes, dizia que a ordem dos Paulos não alterava o resultado. Mentira! Guedes era um ultraliberal elevado a uma potência maior. Reza a lenda que em uma semana natalina, em Chicago, o jovem Paulo Guedes levantou-se na sala de aula e, para perplexidade geral, ousou discordar do velho professor, um tal de Milton Friedman. Ensaiou um debate com o Prêmio Nobel. Em comum com Candal, o “Posto Ipiranga” tem a “brutal” capacidade de argumentação. Ao que consta, nunca se encontraram. Guedes chegou aonde queria e está prestes a iniciar a contenda da sua vida em busca de um ajuste fiscal nunca dantes realizado. Pode ser que esteja errado. De novo, alguns tons acima. Mas, Arthur Candal, “o petroquímico”, aprovaria. Até talvez topasse alguma radicalidade a mais. Sempre melhor que briguem as ideias do que os homens. O RR deseja um Feliz Ano Novo a todos os assinantes!

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19.12.18
ED. 6018

O primeiro concerto do regente Paulo Guedes

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, logo que se assentar oficialmente no cargo, na primeira semana de janeiro, dará uma entrevista coletiva para entusiasmar o mercado e empurrar o Congresso em direção à aprovação da Reforma da Previdência. Toda a equipe do ministro está debruçada sobre as futuras medidas e dados que serão divulgados por ocasião do evento.Guedes, conforme é do seu estilo, vai trabalhar com as expectativas. O ministro pretende demonstrar que o país pode crescer acima das melhores projeções se os políticos colaborarem. Mesmo com uma política econômica contracionista. Todos os assessores do ministro da Economia participarão da entrevista. A ideia é anunciar nos detalhes a estratégia para as áreas do Planejamento, Fazenda e Indústria e Comércio, todas afeitas ao futuro ministro da Economia. O evento será também uma celebração do pensamento liberal aplicado. Espera-se um show off à altura do histórico performático de Paulo Guedes.

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14.12.18
ED. 6015

A nova “matemática” do INEP

Tratado como nome certo para o time de Paulo Guedes na Fazenda, o pesquisador do Ipea e integrante da equipe de transição Adolfo Sachsida poderá ter outra missão no governo. Sachsida está cotado para assumir a presidência do INEP, segundo cargo em importância na área da Educação. O Instituto é responsável pela elaboração dos exames que avaliam a educação básica (Prova Brasil e Enem) e superior (Enade), além da produção de pesquisas e indicadores de todo o sistema educacional brasileiro. Não custa lembrar que Bolsonaro já fez críticas públicas à “ideologização” do Enem. Logo após a eleição, classificou a prova como um “vexame” e uma “doutrinação exacerbada”. Adolfo Sachsida é co-autor de um estudo polêmico que relaciona o ensino de sociologia com a piora do desempenho dos alunos em matemática no Brasil. Publicado em abril deste ano, o trabalho analisou o efeito da obrigatoriedade da inclusão das disciplinas de filosofia e sociologia no ensino médio, estabelecida por lei em 2008. Segundo o estudo, alunos que passaram a estudar essas áreas tiveram notas piores em outros campos em comparação aos estudantes não afetados pela lei. O trabalho gerou controvérsia no meio acadêmico. À época, foi criticado por especialistas, que consideraram que a relação causal da inserção das disciplinas como motivo isolado da piora em matemática não se sustenta.

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13.12.18
ED. 6014

Caixa Econômica na mira do privatista Paulo Guedes

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, está disposto a relançar pela enésima vez a tese de que o país não precisa ter duas mega instituições financeiras estatais; e que pode muito bem privatizar uma delas. Estamos falando da Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, primeiro e segundo lugar no ranking de maiores instituições pelo critério de ativos financeiros. Desde o governo Collor, vai e volta, a ideia surge em algum lugar. Passou por FHC, por Lula e, mais recentemente, foi defendida por Henrique Meirelles.

Agora mesmo, na era Jair Bolsonaro, já surgiu algumas vezes com colorações diferentes. Primeiro, foi no afã privatista de Guedes, que queria se desfazer da Petrobras, CEF, Eletrobras e tudo mais o que estivesse pela frente. Bolsonaro fechou a porta para os excessos do ministro. As principais estatais não seriam privatizadas. Depois, Guedes cometeu uma inconfidência: comentou com um amigo e dirigente do sistema financeiro que queria ver o Bank of América Merrill Lynch associado ao Banco do Brasil. Ou seja: o Estado brasileiro venderia a sua parte. Ninguém mais sério quis comentar o desvario.

Agora, Guedes voltaria a mirar o seu alvo. A bola da vez seria a CEF. Qual o motivo? A União tem 100% do capital da instituição. Portanto seria mais dinheiro para redução da dívida pública bruta. Uma lufada de ares privatistas colaboraria para higienizar a CEF, uma instituição cercada de interesses políticos por todos os lados. Guedes também quer se livrar da coleção de riscos bancários. Prefere ficar, na área comercial, com o BB – se pudesse não ficava com nenhum. A CEF volta e meia precisa de injeções de capitalização do governo. Seu maior ativo é a vasta rede bancária. A proposta de vitaminar o BB em paralelo com a venda da CEF pode ser um estímulo para sensibilizar Bolsonaro que, no caso das instituições financeiras, reduzir é aumentar, mesmo que por via transversa. Se Guedes emplacar essa, vai para a galeria dos ministros que quebraram paradigmas.

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05.12.18
ED. 6008

Kepler Weber rodopia nas bolas

A roleta gira freneticamente no cassino da bolsa. Desde o início de novembro, quando o superministro Paulo Guedes sinalizou a venda de participações societárias do Banco do Brasil em empresas, a ação da Kepler Weber já subiu mais de 35%. Segundo o RR apurou, um grande banco norte-americano tem atuado freneticamente nas duas pontas do balcão. O BB tem 17,4% do capital ordinário da fabricante de silos. A Previ, outro tanto

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04.12.18
ED. 6007

Bolsonaro ameaça o estado de direito com o risco de criminalização da repatriação

O governo Bolsonaro vai usar e abusar do medo como prática política. Arrefecerá o grau de fricção com o uso permanente do balão de ensaio como mediador das suas atitudes – dependendo da rejeição à medida, com recuos logo a seguir. É o stop and go aplicado à política. está operando com tensão permanente, usando para isso os filhos, suas manoplas ministeriais, Sergio Moro e Paulo Guedes, e o exército de contingência que ficará sediado no Planalto e demais pastas, leia-se os generais quatro estrelas. O Estado policial que vai ganhando contornos a partir de anúncios recentes se assentará sobre compensações junto aos mais carentes.

Nada mais clássico na história dos populismos de corte autoritário. Sem recursos para investir em políticas assistencialistas, o presidente eleito vai extrair essa poupança do empresariado afeito a práticas inconfessáveis. É o método Moro elevado à política de Estado. Esse é o desenho nítido do governo Bolsonaro que o próprio establishment procura tornar opaco. Faltando pouco menos de um mês para a sua posse, Bolsonaro dá dois exemplos de medidas agudas que passam a ideia de um estado policialesco. Uma delas traz a reboque a premissa da criminalização a priori e se constitui em uma ameaça ao próprio estado de direito, ao colocar sob risco contratos firmados. Trata-se da possibilidade de uma devassa dos contribuintes que aderiram aos programas de repatriação de recursos não declarados à Receita promovidos nos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer.

O balão de ensaio subiu aos céus e não foi furado: a informação foi amplamente disseminada na mídia no fim de semana sem ser desmentida. Caberá a Sergio Moro investigar a origem dos quase R$ 175 bilhões regularizados nas duas edições. A rigor, de antemão, a medida já colocaria sob suspeição os quase 27 mil cidadãos e 123 empresas que internalizaram o dinheiro e pagaram suas respectivas multas sob a promessa de que o assunto estaria encerrado aos olhos da Receita Federal e demais autoridades da área financeira. Agora, no entanto, os beneficiários do programa se veem diante do risco de revogação deste indulto. A situação dos contribuintes que aderiram à repatriação, ressalte-se, é razoavelmente frágil do ponto de vista jurídico.

Todos os beneficiários do programa automaticamente assumiram a culpa por manter recursos não declarados ao Fisco no exterior. Portanto, são potencialmente réus confessos. À época, não faltaram juristas elevando a voz em relação a essa vulnerabilidade, que poderia ter sido evitada, por exemplo, com a aprovação de uma PEC. Novos governos geram dúvidas sobre o futuro. A gestão Bolsonaro já se notabiliza por lançar interrogações sobre o passado. Vai pelo mesmo caminho a voracidade com o que o futuro governo promete caçar novos acordos de leniência com empresas que admitiram irregularidades em contratos com a administração pública. Assessores de Bolsonaro já soltaram ao vento a meta de arrecadar cerca de R$ 25 bilhões com as multas.

Não se sabe os critérios utilizados para se chegar a tal cifra, o que, por ora, abre um vasto leque de especulações sobre a amplitude da medida. Todas as empresas que prestam serviços ao setor público são suspeitas até prova em contrário? Essas medidas seriam embaladas com um discurso em nome da transparência, da faxina na corrupção, da higienização da República, o que conferiria legitimidade e asseguraria o apoio popular às ações. Mas o grande apelo seria a indexação das propostas ao bem-estar social. Ao colocar direitos adquiridos no espremedor, Bolsonaro retiraria o sumo necessário para cobrir a isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco salários mínimos, a instituição do 13º do Bolsa Família, a garantia de creche universal para as crianças em idade pré-escolar, renda mínima, entre outras agendas. Dinheiro do crime para o povo. Crime? Qualquer coisa que assim pareça.

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30.11.18
ED. 6005

Comércio unilateral

Não obstante as declarações de desdém ao Mercosul feitas por Paulo Guedes, os argentinos dão mostras de que o comércio entre os dois países ainda é importante, ao menos para um dos lados da fronteira. O governo Macri fez questão de enviar uma comitiva diplomática à audiência pública que será realizada hoje pela AGU com o objetivo de tornar o ambiente normativo mais amigável para o investidor estrangeiro e o comércio exterior.

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28.11.18
ED. 6003

Um tiro pela culatra na concentração bancária

Se uma das justificativas de Paulo Guedes para esquartejar e vender pedaços do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal é reduzir a concentração bancária, como ele próprio afirma, a medida deve ter exatamente o efeito contrário. Diante da histórica dificuldade dos bancos estrangeiros, notadamente do segmento de varejo, de entrar e permanecer no mercado brasileiro, tudo leva a crer que os três maiores grupos privados do país – Bradesco, Itaú e Santander – serão os grandes absorvedores das operações da Caixa e do BB. Hoje, os cinco grandes bancos do país somam cerca de R$ 6,2 trilhões em ativos, ou mais de 80% do total do sistema financeiro – há pouco mais de uma década esse índice era de aproximadamente 60%.

Reúnem ainda 80% dos empréstimos e depósitos, 50% do mercado de seguros e 70% da área de cartões de crédito/débito. Com a venda de ativos do BB e da Caixa Econômica, estes percentuais provavelmente passariam a ser condensados nas mãos dos três maiores bancos privados. Em um exercício meramente especulativo, mas factível, caso o governo decida se desfazer integralmente das carteiras das seguradoras ligadas ao Banco do Brasil e à Caixa, a participação de Bradesco, Itaú e Santander poderia chegar a 70% do ramo de automóveis e a 80% no segmento de vida e previdência. No mercado de crédito, esta simulação é mais complexa, pois dependeria da extensão que a venda da carteira comercial da Caixa alcançaria.

De antemão, é possível dizer que a disposição da equipe econômica é tirar a CEF de todos os setores que possam representar risco para o governo e não sejam relevantes para as políticas públicas. Sob certo ângulo, o avanço dos grandes grupos financeiros não foi necessariamente de todo mal. Pelo contrário. Essa concentração sempre foi um fator de proteção do sistema financeiro nacional, permitindo que o país saísse ileso de grandes crises bancárias internacionais, notadamente a hecatombe dos subprimes, em 2008.

De qualquer forma, assim como há uma boa dose de exagero na manutenção pétrea de US$ 380 bilhões em reservas cambiais, talvez a concentração bancária não precisasse ser tanta. Existiria uma hipótese não mais tão remota de atração de banco estrangeiro para o mercado brasileiro por meio de privatizações. O próprio ministro Paulo Guedes deixou vazar que uma futura fusão entre o Bank of America Merrill Lynch e o Banco do Brasil seria benéfica para o setor financeiro nacional. Ocorre que a medida pode levar ao mesmo dilema, ou seja, mais concentrar do que elevar a competição bancária.

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26.11.18
ED. 6001

O head hunter de Bolsonaro

Paulo Guedes recebeu carta branca de Jair Bolsonaro para indicar também os vice-presidentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Serão mais 20 integrantes da área econômica com o imprimatur do superministro. No caso da Caixa, que responde à Lei das Estatais, a rigor os nomes dos 11 VPs terão de ser submetidos ao Conselho de Administração. Trata-se de um mero detalhe.

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22.11.18
ED. 5999

Sonhos de uma noite de dizimação

No mundo perfeito idealizado por Paulo Guedes, o sistema bancário público sofreria uma semi-extinção. O Banco do Brasil perderia o seu sobrenome e seria associado a um grupo estrangeiro. A Caixa Econômica, por sua vez, deixaria de ser uma instituição bancária para se transformar em uma certificadora e garantidora de empréstimos imobiliários, uma espécie de Fannie May tropicalizada – em alusão a uma das maiores empresas de hipoteca dos Estados Unidos. Mesmo com a inexorável concentração bancária decorrente da eventual fusão do BB com um estrangeiro, o argumento é que ela pelo menos se daria entre entes privados. Nesse universo lúdico ultraliberal, o Banco da Amazônia (Basa) seria incorporado pelo Banco do Brasil. Já o Banco do Nordeste e a Finep seriam agregados
ao BNDES. Nos prováveis devaneios do ministro da Economia, tudo são possibilidades. A única certeza é que o BNDES será desidratado. Esta dimensão paralela que permeia as divagações de Paulo Guedes buscaria tirar totalmente o governo do risco da atividade financeira, vista como uma potencial fonte de perdas de recursos. Isso incluiria alguns pingentes pendurados no sistema bancário estatal. Em tese, a gestão do FGTS e do FAT, a cargo da Caixa Econômica, e o financiamento agrícola, cujo repasse é de responsabilidade do BB, seriam licitados para a banca privada. O Fundo de Garantia, por sinal, seria gradativamente transferido para uma carteira de previdência complementar.

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16.11.18
ED. 5995

Bozano antecipa seu primeiro ano letivo pós-Paulo Guedes

A Bozano Investimentos ensaia sua primeira operação após a saída de Paulo Guedes. A companhia estaria em negociações para a compra da Unigranrio. As cifras no quadro-negro giram em torno dos R$ 600 milhões. As tratativas envolvem a transferência dos dez campi da universidade carioca. Há cerca de dois meses, a Ser Educacional, do empresário cearense Janguiê Diniz, esteve perto de fechar a aquisição da Unigranrio. O negócio, no entanto, teria esbarrado na discordância em relação a valores e no passivo fiscal da empresa – a dívida seria da ordem de R$ 100 milhões. Consultada, a Unigranrio confirmou o encerramento das conversas com a Ser e informou que não há qualquer negociação em curso “neste momento”. A Bozano, por sua vez, não foi tão assertiva: “Por questões de confidencialidade não podemos nos manifestar de forma positiva nem negativa sobre negociações”. Para bom entendedor… A área de educação, não custa lembrar, está no centro das denúncias que pairam sobre o futuro ministro da Economia. O Ministério Público investiga supostas irregularidades em aplicações feitas por fundos de pensão na BR Educacional, private equity que era gerido por Paulo Guedes na Bozano.

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14.11.18
ED. 5994

Levy é uma reserva de valor

Não foi o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, que “bancou” a nomeação de Joaquim Levy para a presidência do BNDES. Guedes aquiesceu. A indicação veio por um caminho distinto, de fora do governo, e nem por isso menos influente. O núcleo mais próximo a Bolsonaro, que pensa estrategicamente, considera desejável que os “ministros essenciais” tenham seus potenciais substitutos para qualquer eventualidade, próximos, bem próximos, da área de atuação dos titulares. Nada disso quer dizer que Guedes não seja um dos ministros mais prestigiados do governo.

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14.11.18
ED. 5994

Decálogo de premissas para o bom protecionismo

A grave situação fiscal do país está dando margem a generalizações perigosas, que podem levar à quebra de empresas, extinção de empregos e sumiço de parcela expressiva da indústria brasileira. A discussão sobre a retirada das barreiras tarifárias, consideradas a bête noire do ministro da Economia, Paulo Guedes, assumiu conotação ideológica, capaz de conduzir à “destruição destrutiva” e antischumpeteriana de boa parte do parque industrial. O bom senso pressupõe que se trate assunto tão relevante sem o part pris de uma ou outra escola de economia. Segue um decálogo de premissas: I. Há um tremendo problema fiscal. II. As barreiras à importação, é bem verdade, são excessivas a despeito da questão fiscal. III. Todos os países do mundo usam a proteção alfandegária. IV. A indústria brasileira atinge o nível de participação mais baixo em relação ao PIB. V. Há que se separar alhos de bugalhos; uma coisa é conceder proteção para a indústria de brinquedos; outra é para o setor de química. VI. Cortar barreiras exige um estudo sobre custos e benefícios; não é contar bananas. VII. Existe uma categoria chamada capacidade concorrencial, na qual se utilizam expedientes fiscais e alfandegários para combater assimetrias dos fundamentos. VIII. A indústria é o locus do desenvolvimento de tecnologia, capacitação profissional e pagamento dos melhores salários. IX. Seria de bom alvitre que as associações da indústria, em vez de ficarem aplaudindo qualquer medida ou nome indicado para o governo, fizessem contas, cálculos, simulações, buscando mostrar que a verdade do protecionismo tem mais de uma face. X. A indústria deverá apresentar como contrapartida à concessão de barreira o compromisso de aumento de produtividade em determinado prazo.

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07.11.18
ED. 5989

Paulo Guedes ensaia sua lua de fel com a indústria

Há três hipóteses perambulando na avenida da indústria brasileira. A primeira delas é o ministro da Economia, Paulo Guedes, conseguir se impor junto aos empresários e retirar barreiras às importações, cortar subsídios, reduzir o BNDES e esvaziar as entidades do setor. A segunda: Guedes tenta, tenta, há uma forte reação dos industriais, e ele não leva. Finalmente, a terceira e mais provável: Guedes fica soltando seus balões de ensaio e Jair Bolsonaro vai furando um por um. Em todas as alternativas, é previsto o conflito entre o ministro e o setor. Guedes não tem a menor afeição aos industriais. A recíproca também é verdadeira. O economista declarou em outras oportunidades que o sumiço de certos setores da indústria seria bom para o país. Assim, segmentos sem vantagem competitiva estrutural, como o têxtil, moveleiro, calçados e brinquedos, só para citar alguns, poderiam muito bem desaparecer. Guedes acha que são os empresários acostumados aos favores do Estado que tornam a indústria ineficiente. Os industriais consideram o contrário: não há concorrência possível se os fundamentos são assimétricos. Juros, tributos, infraestrutura, custo do trabalho, o Brasil perde em todas na comparação com o exterior. A briga é boa. Um “desindustrialista” contra empresários industriais, em período no qual a participação do setor no PIB desaba.

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01.11.18
ED. 5986

A malha fina do Capitão Bolsonaro

A precaução de Jair Bolsonaro com o perfil ilibado dos futuros ministros alcançou a equipe de transição na área econômica. O rigor excluiu o economista Rubem de Freitas Novaes do time formado por Paulo Guedes. Em todas as listas até então, o nome de Novaes esteve presente como uma das primeiras opções de Guedes. As afinidades entre ambos são muitas. Novaes é doutor em economia pela Universidade de Chicago, verdadeira igreja para o futuro ministro da Economia. Ele também trabalhou no Banco Pactual, onde Guedes iniciou sua carreira como financista de prestígio. Foi esta passagem pelo banco que cassou o passaporte de Rubem Novaes para o governo de Bolsonaro. O economista foi citado em episódio de venda de informações do Banco Central. Na ocasião o Ministério Público chegou a pedir a quebra do seu sigilo telefônico. Nada ficou provado contra Novaes, mas Jair Bolsonaro já deixou claro que não formará seu governo por profissionais condenados ou mesmo suspeitos da prática de ilícitos

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30.10.18
ED. 5984

Holofotes sobre o FAT

O orçamento do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em 2019 vai monopolizar a próxima reunião do Conselho de Desenvolvimento do FAT, marcada 5 de novembro. O tema ganhou ainda mais relevância com as declarações de Paulo Guedes, futuro ministro do Fazenda de Jair Bolsonaro. Ao pregar a desoneração da folha de pagamento, Guedes admitiu mexer no abono salarial, hoje pago a 23,6 milhões de pessoas. Por sinal, no dia seguinte à reunião, o BNDES fará um seminário em sua sede para comemorar os 30 anos da Constituição Federal e seu artigo 239, que destinou a arrecadação do PIS-PASEP para o financiamento do seguro-desemprego e do abono salarial.

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29.10.18
ED. 5983

Paulo Guedes incorpora Roberto Campos e prepara um cardápio de medidas para a posse

O futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, trabalha dia e noite com sua equipe para, tão logo Jair Bolsonaro tome posse, anunciar um grandioso programa de medidas. Guedes, segundo a fonte do RR, vai apresentar as ações imediatas e de médio e longo prazos. Muitas ações. Como tem uma verdadeira fixação em Roberto Campos, estaria se inspirando no ex-ministro em seu discurso de posse no Senado. Na ocasião, Campos anunciou nada mais, nada menos, do que 100 projetos de lei. Paulo Guedes talvez seja o mais ferrenho discípulo, no Brasil, das teorias dos economistas Robert Lucas Jr. e Thomas Sargent, apóstolos da teoria das expectativas racionais. Não quer deixar um fiapo de tempo para que os operadores do mercado iniciem suas especulações. Vai trabalhar as expectativas desde a primeira hora. O virtual ministro sabe disso porque, além de economista, conhece como se comportam as raposas da área financeira. E preparem-se para ver Guedes ocupando todos os espaços para argumentar. Ele é um dos economistas mais bem dotados de inteligência verbal do país. O RR tem críticas de sobra a atitudes de Guedes em sua trajetória, mas duvida e dobra a aposta quando dizem que ele não aguentará o tranco ou sairá choramingando logo que um dos quatro estrelas de Bolsonaro apertá-lo. Paulo Guedes se preparou a vida toda para esse momento. Quanto maior o desafio maior o seu estímulo. Seu ego é maior do que o de Bolsonaro.

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24.10.18
ED. 5980

“Lady Beth” faz um afago à área de Defesa

Elizabeth Guedes, irmã de Paulo Guedes e vice-presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) é uma estrategista, conforme informou o RR na edição de 15 de outubro. Parece que, antecipando a importância do estamento militar no governo, “Lady Beth” contratou a filha do ministro Raul Jungmann, Julia Jungmann, para a gerência de Responsabilidade Social da Anup. Antes mesmo da chegada do mano ao Ministério da Fazenda, começou a montar sua network em Brasília.

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15.10.18
ED. 5973

Causos do “Posto Ipiranga” 2 – “Lady Beth” pavimenta seu caminho para o futuro Ministério da Educação e Cultura

O pano de prato que Elisabeth Guedes vem bordando com a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), o BNDES e o Ministério da Educação (MEC) revela uma parceria construída sobre paradoxos, na qual o livre mercado não é tão livre assim. “Beth” é irmã do ministeriável da moda, Paulo Guedes, e conhecida como braço direito do mano. Se ficar enfurecida, contudo, ela mesma é capaz de decepar mãos e dedos do irmão querido. A burocrata é chamada de “Lady Beth” numa alusão óbvia à terrível Lady Macbeth shakespeariana. Durante sua passagem pelo Ibmec, levada por Guedes, “Beth” reinou poderosa, dando ordem e mexendo com dinheiro grosso.

Da mesma forma como o irmão, que morde o inimigo até obter a regalia pretendida – aí então cala, ou às vezes até sopra –, “Beth” somente desliga a britadeira depois de dobrar o adversário e obter o butim. Guedes, por exemplo, barbarizou na imprensa o BNDES de Luciano Coutinho e suas taxas subsidiadas. Isso apenas até arrancar os recursos do banco para capitalizar o seu fundo de investimentos em educação. Depois da captura da bufunfa, nenhum pio mais. Paulo Guedes é um “liberalopata”, mas não carimba dinheiro público. Dizem os ex-acionistas do Ibmec que “Beth” é a lanterna na popa no projeto familiar de fazer um império financeiro a partir da educação. Guedes é a bolsa, é claro. Acompanhando os passos da dupla, “Beth” seguiu para a Universidade Anhanguera Morumbi e o irmão foi investir no fundo de educação da Abril.

Agiram todo esse tempo como irmãos parceiros, aliás, como sempre, com uma exceção: quando “Beth” vendeu suas ações do Ibmec, deu os recursos obtidos para Guedes aplicar. O câmbio, porém, deslizou drasticamente. E ela teve um brutal prejuízo com o conselho do irmão. Guedes se escondeu da sua fúria por semanas. Águas passadas, “Beth” assumiu a vice-presidência da Anup, enquanto o irmão tocava mais um fundo de educação (Bozano Investimentos). Mais recentemente, Paulo Guedes achou quem o quisesse para ser um Roberto Campos inflável. Em meio aos discursos liberaloides de cá e de lá, “Beth”, já surfando no misto de prestígio com pavor que o mano provoca, conseguiu aprovar com o BNDES e o MEC uma receita de R$ 2 bilhões para financiar bolsas com juros mais baixos.

O montante foi divulgado no mês passado. É um montão de grana para as universidades privadas, é claro. E não há sequer uma definição do perfil do aluno que será favorecido, cuja probabilidade esmagadora é de que seja de alta renda. O tema é bom. Se Guedes o colocar na campanha apertando a irmã, provará que é um verdadeiro “Chicago boy”. Mas é difícil o enfrentamento. Os “Guedes brothers” são unha e carne. E, não bastasse, o irmão morre de medo da irmã. A julgar pela trajetória dos dois, mais fácil Beth ganhar o futuro Ministério da Educação e Cultura.

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02.10.18
ED. 5965

Jair Bolsonaro entrega o comando da infraestrutura nacional ao seu “Estado Maior”

Engana-se quem pensa que o economista Paulo Guedes será uma espécie de primeiro-ministro se o capitão Jair Bolsonaro for eleito. O economista vai mandar um bocado, conforme é sabido, mas não tanto o quanto propala aos quatro ventos. Desde já dois comandos centrais estão decididos: a macroeconomia vai para o civil Guedes; mas a infraestrutura ficará sob o mando dos generais Augusto Heleno (provável ministro-chefe do Gabinete Civil e um dos coordenadores da campanha de Bolsonaro) e Hamilton Mourão (vice-presidente na chapa militar).

O general Mourão já confirmou que pretende assumir a pasta da infraestrutura ou o comando de toda a área de projetos deste setor. O general Heleno, por sua vez, é quem tem tratado dos assuntos com maior impacto na formação bruta de capital fixo. O modelo liberaloide de Guedes exclui os agentes clássicos de desenvolvimento da economia. Os cabeças de ponte da intervenção do Estado. Os generais não concordam com a ideia de que basta o ajuste das contas públicas e um bom ambiente regulatório para que o capital estrangeiro chegue em profusão para resolver o déficit de investimento do país.

O pensamento dos militares é contraditório com o do virtual ministro da Fazenda em pontos sensíveis. O papel do BNDES é um exemplo do dissenso. Enquanto Guedes detona o banco, considerando deletéria sua participação, Mourão e Heleno teriam planos diferentes para a instituição. Na visão dos generais, o BNDES teria sua função espraiada para a análise de projetos – uma das maiores deficiências da área de infraestrutura – e auditoria de performance das obras. Uma das críticas ao banco é que os empreendimentos que financia atrasam e estouram os custos.

Para o cumprimento das missões, uma hipótese seria o reforço da capacidade operacional do BNDES, com a realização de convênios junto ao Departamento de Engenharia e Construção do Exército e o Instituto Militar de Engenharia (IME). Ambos cumpririam papéis hoje distribuídos junto a distintas instituições do governo, tal como a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Desde o início da candidatura Bolsonaro foi previsível que o governo teria o maior componente militar desde a abertura democrática. O que ninguém imaginou é a combinação do pensamento friedmaniano de Paulo Guedes com a visão nacionalista, patriota e desenvolvimentista dos generais.

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21.09.18
ED. 5958

Ministro “Paulinho” tropeça na matemática

Paulo Guedes é um sujeito inteligente, mas relapso. Apresentou seu esboço de reforma tributária sem combinar com o chefe Jair Bolsonaro, que não gostou do que ouviu. “Paulinho” propôs simplificar o mosaico tributário, adotando dois gravames: um substituindo a mordida sobre as receitas que não são transferidas para estados e município e outro sobre a contribuição sindical. Nenhum deles se espelha no IVA do economista Marcos Cintra ou no Imposto Único, do ex-ministro Roberto Campos, bem mais radicais, porém organizados. A proposta do economista de taxar a movimentação financeira tem por objetivo ampliar a base da arrecadação, e não repetir a velha CPMF, em que o imposto se superpõe a todos os demais. No projeto do virtual ministro da Fazenda de Bolsonaro, a carga tributária encolherá devido à extinção ou à redução dos demais impostos e alíquotas. Até aí, tudo bem. O problema de “Paulinho”, como sempre, é a falta de rigor com números e o exagero nas associações. Na apresentação do novo modelo, o economista simplesmente falou os percentuais que lhe vieram à cabeça, ignorando a matemática. Um crime para qualquer “Chicago Boy”. O resultado, feita a simulação, foi um corte de dois terços na arrecadação tributária. Uma vacilada típica do “Paulinho”.

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Paulo Guedes vem tentando cooptar Jorge Gerdau para a campanha de Jair Bolsonaro. Pensando bem, o duet entre o Capitão e o Kaiser faz todo o sentido.

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01.08.18
ED. 5922

O elo perdido de Paulo Guedes para as privatizações

O economista Paulo Guedes, virtual ministro da Fazenda em um governo de Jair Bolsonaro, extrai sempre ideias criativas das suas caraminholas. Dessa última leva, uma proposta merece atenção especial. Guedes anunciou publicamente que quer privatizar todas as estatais – ou “metade que seja”, minimiza. Diz que levantaria um valor entre R$ 500 bilhões e R$ 700 bilhões. Mas como realizar o milagre? Vender essa miríade demoraria o tempo de um governo. Ou mais.

O pulo do gato do economista é embalá-las todas em um fundo, que seria trocado por dívida da União. As empresas passariam a ter gestão profissionalizada e governança no conceito corporation. A mágica de Guedes se dá toda dentro do governo, sem editais, leilões, várias instâncias reguladoras e demais burocracias. A receita do bolo contém só o valuation das companhias, a transferência das empresas para um fundo de estatais e o abatimento das cotas desse fundo da dívida pública bruta interna.

A privatização para valer, no melhor estilo Chicago University, se daria em um segundo momento, quando as cotas do fundo iriam a mercado. Nas contas do economista, a dívida poderia descer de 73% para algo na casa de 40%. Com a efetuação das reformas que foram adiadas, a exemplo da tributária e previdenciária, o Brasil desentortaria o seu ajuste fiscal passando a ter zero de déficit primário no orçamento. As contas permitiriam uma queda acentuada da Selic real, talvez para algo em torno de 3%. E a relação dívida bruta/PIB baixa e cadente permitiria a conquista de um ciclo virtuoso da economia. Parece ser simples e bom demais, para emergir da dupla Bolsonaro e Paulo Guedes. O RR não crê em brujas, pelo que las hay, las hay.

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05.07.18
ED. 5903

Paulo Guedes alista empresários na campanha de Bolsonaro

O economista Paulo Guedes foi encarregado da missão de atrair os empresários para a candidatura de Jair Bolsonaro. Guedes é o assessor econômico do capitão. Ele tem se reunido com líderes empresariais pesos-pesados, notadamente de São Paulo. Guedes sabe que os dirigentes de grandes corporações tendem a apoiar o PSDB, o partido da iniciativa privada oligárquica. Para demover essa preferência, o economista tem usado uma moeda de troca valiosa: se os empresários institucionalizarem a campanha de Bolsonaro, terão participação expressiva no futuro governo. A julgar pelo discurso do economista e ex-sócio do Banco Pactual, noves fora a intenção golpista, a articulação eleitoral de Jair Bolsonaro lembra à distância a conspiração do pré-64. À época, empresários e militares se juntaram para a tomada do Estado, com um projeto econômico ortodoxo. Hoje, não consta que haja militares cogitando qualquer intervenção autoritária. Pelo contrário! Os oficiais que comporão a maioria de um eventual governo Bolsonaro virão da reserva das Forças Armadas. Mas é bom que, mesmo por cautela, os detentores do capital se lembrem de 1964. Os empresários que financiaram o golpe e um projeto amplo de reforma do Estado, achando que participariam do governo, foram devidamente rifados. O combinado saiu caro.

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24.04.18
ED. 5853

Nobel de medicina

Paulo Guedes quer voltar à PUC-Rio, não exatamente como professor, mas como sócio. O virtual ministro da Fazenda de Jair Bolsonaro fez uma oferta para se associar à universidade na montagem de uma faculdade de medicina. A primeira proposta foi descartada pela direção da PUC-Rio, mas Guedes prepara nova ofensiva. “Paulinho” e o sócio Júlio Bozano uniram-se ao empresário Elie Horn, dono da Cyrela, em um fundo para a área de saúde. Com cerca de R$ 800 milhões em carteira, o trio tem como objetivo criar uma rede de escolas de medicina e comprar ativos no setor hospitalar. No ano passado, adquiriu o Hospital São Lucas, em Ribeirão Preto (SP).

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08.03.18
ED. 5821

Façam suas apostas

Paulo Guedes deu entrevistas para Deus e o mundo. Agora estaria preparando uma apresentação mais detalhada para o mercado. As raposas financeiras tentam adivinhar em qual ponta Guedes está: se entre os comprados ou vendidos.

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29.11.17
ED. 5755

Paulo Guedes monta Ministério à sua imagem e semelhança

O economista Paulo Guedes faz forfait quando afirma que ainda não respondeu ao convite para se tornar ministro da Fazenda em um eventual governo de Jair Bolsonaro. Guedes não só aceitou como já começou a montar sua equipe. Um dos escalados é o econometrista João Luiz Mascolo, que trabalhou com Guedes no Ibmec. Mascolo é sócio da SM Managed Futures, professor do Insper e ex-marido de Maria Silvia Bastos Marques.

Ele e o eventual futuro chefe formam a dupla mais radical de extrema direita entre os economistas do país. Bolsonaro estará bem acompanhado. Em um debate com a professora Maria da Conceição Tavares, na Anbid, nos idos da década de 80, o então jovem economista Paulo Guedes afirmou que, se fosse preciso colocar fogo nas favelas para obter o ajuste econômico, não hesitaria. Os favelados desceriam e a estabilidade os alocaria no mercado de trabalho. Ninguém morreria, é claro. Ou ficaria transtornado pela perda de detalhes tão insignificantes da sua vida. O mercado funciona. Por pouco, Conceição não mordeu sua jugular.

Paulo Guedes é assim mesmo; combina brilhantismo com disparates. É como se fosse um “Glauber Rocha de extrema direita entre os economistas”, com visões barrocas e alucinadas. Seu maior desejo sempre foi o de ter uma passagem pela vida pública. Quem o conhece sabe que ele trocaria os milhões de reais ganhos no mercado financeiro por essa experiência de manda-chuva da Fazenda. Passo a passo, o possível governo Bolsonaro vai se tornando uma antiobra assustadora.

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13.10.17
ED. 5724

“Jogólatras anônimos”

Depois de um período no desterro, em que perdeu milhões de reais “batendo mercado” nas bolsas, Paulo Guedes deu a volta por cima. Enricou novamente, resgatou sua credibilidade como conselheiro e tornou-se sócio de Julio Bozano em um private equity. Guedes chegou a ser adicto no mercado de ações. Salvou-se. Bom que seja assim. Noves fora a egolatria, o economista tem um senhor talento.

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