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03.10.19

Produtores de camarão jogam a rede em busca de protecionismo

Os grandes produtores de camarão em cativeiro do país bateram à porta dos Ministérios da Agricultura e da Economia. Cobram do governo barreiras tarifárias mais rígidas para frear as crescentes importações do crustáceo e proteger um setor que fatura quase R$ 3 bilhões por ano e soma cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos, grande parte no Nordeste, região onde a popularidade de Jair Bolsonaro segue abaixo do espelho d´água. O maior adversário é a Índia, principal produtor mundial.

Os indianos têm se aproveitado de brechas em um tratado bilateral assinado com o Brasil no governo Temer, com o objetivo de regular o comércio de pescado entre os dois países. Na prática, o acordo tem se revelado uma via de mão única, em razão do maior poder de fogo dos asiáticos. O principal interlocutor entre o setor e o governo é o empresário Cristiano Maia, maior produtor do Brasil. Em 2016, Maia comprou a Fazenda Potiporã do Grupo Queiroz Galvão, na qual já investiu mais de R$ 100 milhões.

Os criadores acusam os indianos de prática de dumping, com a venda de camarão a preços até 30% inferiores aos praticados no Brasil. Em um ano, a participação do camarão importado saiu de 25% para mais de 35% do mercado nacional. Esse aumento é ainda mais perverso para os criadores brasileiros por coincidir com um período de forte queda dos preços: de 2017 para cá, a redução acumulada é da ordem de 40%. Outro problema aflige os criadores brasileiros: a baixa rigidez da Índia com os padrões fitossanitários.

O receio é que camarões trazidos vivos e eventualmente infectados por vírus sejam colocados em tanques e contaminem reservatórios de produção e procriação do país. Na Índia, é comum o vírus da mancha branca, uma espécie de “vaca louca da água doce”. As consequências do último grande surto da doença no Brasil, em 2004, ainda estão vivas na memória dos carnicultores nacionais. A produtividade caiu de sete mil toneladas por hectare de lâmina d´água para 2,5 mil toneladas.

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