fbpx

Atenção!

As notícias abaixo são de edições passadas.

Para ter acesso ao nosso conteúdo exclusivo, assine o RR.

planos
16.12.19

Investir na Construção Civil diminuiria o desemprego e faria o Brasil voltar a crescer

Observatório

Por Antonio de Sousa Ramalho, ex-deputado estadual de SP e Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo.

O neoliberalismo, de capitalismo selvagem, iniciado pelo governo Temer e acelerado pelo governo Bolsonaro, impôs ao Brasil um alto índice de desemprego. Há em nosso país cerca de 13 milhões de desempregados que, juntados aos desalentados e aos que vivem de bicos, somam mais de 60 milhões de pessoas em sérias dificuldades financeiras. A taxa de desemprego é expressiva, especialmente entre jovens de 18 e 24 anos (27%). E mais: 23 a cada 100 jovens não estudam e não trabalham no Brasil. Nos últimos tempos, 220 mil pontos de comércio foram fechados e 13 mil empresas faliram. Isso reverte em violência. São 57 mil assassinatos e 66 mil estupros nos últimos 12 meses, numa crise muito mais política do que social.

Julgo que sem planejamento não se chega a lugar algum. Desde a década de 80 que o Brasil vai e quebra, segue e emperra. Precisamos aumentar o nível de consumo das famílias. Para tanto, é preciso emprego, renda e crédito. Evitar-se de uma vez por todas a agiotagem. Penso que qualquer governo de bom senso deveria investir na Construção Civil, um setor que responde rápido no fortalecimento da geração de trabalho e divisas. Se forem investidos R$ 1 bilhão na construção de imóveis de baixa renda, tipo Minha Casa, Minha Vida, ao custo médio de R$ 66 mil a unidade, seria possível construir 15 mil habitações populares, gerando 18 mil empregos diretos e 47 mil indiretos.

O setor da Construção, como é sabido, responde por expressiva parcela do PIB brasileiro e é capaz de, recebendo investimentos do governo, fazer girar a roda da economia, com mais desenvolvimento, produção de riquezas, distribuição de renda e empregabilidade. Vale ressaltar, ainda, que há 4,5 mil grandes obras paradas no Brasil. Se retomadas, o impacto positivo seria notável. Não é de hoje que se pensa no fortalecimento da Construção Civil como alavanca. Por volta de 2008, agentes do setor propuseram a PEC da Moradia Digna. Por essa PEC, o governo federal seria obrigado a investir 2% de seu orçamento em habitações populares. Já os governos estaduais e municipais, 1%, na mesma filosofia.

Se aprovada, a proposta evitaria interesses politiqueiros de partidos. Ninguém poderia usar o acalantado sonho da casa própria do brasileiro humilde para ganhar dividendos eleitorais. Afora isso, o Brasil conseguiria, paulatinamente, ir resolvendo o problema da falta de moradia de seu povo. Hoje, o déficit habitacional gira em torno de 7 milhões de casas, além de outros milhões de moradias que estão precisando de reforma urgente. A ideia era, a meu ver, perfeita. Se aplicada, não aguçaria a gula pelo poder dos governos instituídos, pois defenderia o povo, independentemente de bandeiras. Com o setor ativado, necessitando de mão de obra, haveria forçosamente a valorização profissional de uma categoria indispensável para a construção de um país.

O governo Bolsonaro, todavia, vai na contramão da história. Combate o sindicalismo de forma até raivosa. Não quer que o trabalhador tenha defesa perante o capital. Todas as suas iniciativas privilegiam os empresários e os mais ricos. Ora, antes de ser sindicalista trabalhei em mais de 600 canteiros de obras. Conheço muito bem o hostil ambiente de trabalho e o descumprimento de Normas e Segurança, que matam ou mutilam pessoas. Diante de tal descalabro, o governo do capitão planeja cortar verba de fiscalização trabalhista em 63%, menor nível da história. A atuação dos órgãos de fiscalização sempre esteve aquém do esperado, por falta de contingente profissional. Agora, vem Bolsonaro e, em vez de aumentar o número de fiscais, tira 63% de um dinheiro que não existe, ou pouco há. Difícil entender. Impossível concordar.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

13.12.19

Andar térreo

Puxa, estica dali, o Minha Casa, Minha Vida deverá fechar 2019 com pouco mais de 310 mil imóveis entregues. Trata-se do menor número desde que o programa habitacional foi criado, há uma década.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

23.05.19

Minha Casa, Minha Vida exige novo “puxadinho” no Orçamento

Antes de colocar de pé um novo programa de financiamento habitacional, o desafio do governo é evitar o colapso do “velho” Minha Casa, Minha Vida. O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, está pleiteando a Paulo Guedes a liberação emergencial de aproximadamente R$ 1,2 bilhão para honrar contratos já assumidos. O novo “puxadinho” orçamentário é fundamental: sem esse dinheiro, o Minha Casa, Minha Vida vai parar.

A verba extra de R$ 800 milhões anunciada há cerca de três semanas é suficiente apenas para cobrir os custos até agosto. Procurado, o Ministério do Desenvolvimento Regional confirma que “está sendo estudada a possibilidade de novos aportes de recursos para MCMV no segundo semestre.” De janeiro até abril, os atrasos nos repasses de recursos do Minha Casa, Minha Vida já somam cerca de R$ 550 milhões.

Consultado, o Ministério não se pronunciou especificamente em relação às pendências acumuladas. Para a gestão Bolsonaro, o risco de paralisação das obras vai além da questão social. Trata-se também e fundamentalmente de um problema de ordem política. Boa parte dos atrasos no programa habitacional se concentra no Nordeste, região na qual o governo amarga os índices de popularidade mais baixos. O Ceará, sozinho responde por 10% dos valores pendentes. A esta altura, tudo o que a gestão Bolsonaro menos precisa é de mutuários e sem-teto protestando nas ruas do país.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

09.11.18

Ao pé do ouvido

Um grupo de empresários do setor imobiliário – encabeçado por Meyer Nigri, da Tecnisa, aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro – vai encaminhar ao presidente e ao futuro ministro Paulo Guedes, propostas para impulsionar o mercado. O eixo é a ampliação do Minha Casa, Minha Vida, que responde por mais de 90% das vendas de algumas das grandes incorporadoras do país.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.