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17.10.19

Mauricio Macri endurece à direita, mas sem perder a ternura

Observatório

Por Aline Gatto Boueri, jornalista e correspondente em Buenos Aires desde 2009.

O presidente argentino terceirizou o radicalismo e agora também quer terceirizar a tarefa de lidar com as consequências.

Em 2015, durante a campanha presidencial, Mauricio Macri apostou na alegria. Ganhou. O liberal que preside hoje a Argentina teve sucesso em associar seu projeto político a um sentimento. A neutralidade, em política e na vida, não existe. Mas a alegria é imbatível. Macri candidato prometeu menos conflito, depois de 12 anos de kirchnerismo, que deixaram os argentinos exaustos pelo constante chamado ao embate. Prometeu também pobreza zero, acabar com o tráfico de drogas e unir todos os argentinos. Nobres objetivos, ainda que irrealizáveis. Mas a realidade era dura e a política era sentimento.

A imagem de moderação foi materializada especialmente no gradualismo das reformas liberais, na postura dialoguista que abriu caminho para o debate legislativo sobre a legalização do aborto e na assimilação discursiva das políticas de memória e justiça do governo anterior, que puseram militares julgados por crimes contra a humanidade atrás das grades. Em 2016, no aniversário de 40 anos do golpe de Estado, Macri visitou o Parque da Memória, monumento às vítimas da ditadura (1976-1983), ao lado de Barack Obama.

Durante os quatro anos em que governou, no entanto, Macri optou por terceirizar o endurecimento e, ele mesmo, manter a ternura. Sua ministra de segurança, Patricia Bullrich, foi militante da organização Montoneros, que atuava como movimento territorial e também na guerrilha. Sofreu diversas mutações ao longo do período democrático, até encampar a política de tolerância zero como funcionária de Macri. Apostou no punitivismo, nas forças de segurança para a contenção das insatisfações manifestadas em protestos e, muitas vezes, na desqualificação das vítimas de seus excessos. Gabriela Michetti, a vice-presidente, passeou pelos meios de comunicação da Argentina durante os debates sobre a legalização do aborto, em 2018, com declarações pouco republicanas sobre a necessidade de não só vetar a lei, mas de rever a norma existente desde 1910, que prevê o aborto legal em certos casos.

Mauricio Macri, o liberal da alegria, terceirizou o radicalismo. A direita cool que governa a Argentina vai precisar passar pelo teste das urnas agora em outubro e novembro, se houver segundo turno. Dias antes das PASO (eleições primárias, abertas e obrigatórias), que acontecem em agosto e funcionam mais como uma pesquisa de opinião oficial que como instância de definição de candidatos, Macri convidou seu eleitorado a assumir que votaria nele. “Não precisa usar argumentos, não precisa dar explicações. A sua autoridade, confiança, credibilidade, é o que as pessoas com quem você se relaciona valorizam.” O presidente argentino decidiu terceirizar também a tarefa de convencer o eleitorado a acreditar nele de novo.

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30.08.19

Argentina opõe ideológicos e pragmáticos do governo Bolsonaro

Há uma divisão no governo Bolsonaro em relação à Argentina, leia-se a maneira como o Capitão deve conduzir a agenda diplomática vis-à-vis a eleição presidencial de outubro no país vizinho. Uma parte do núcleo duro da gestão defende que Jair Bolsonaro precipite acordos bilaterais, ainda que a iniciativa venha a ser interpretada como uma manifestação de apoio à reeleição de Mauricio Macri. Despontam nesse grupo Eduardo Bolsonaro, principal condutor da política externa do governo, e o ministro Ernesto Araújo, na prática a segunda voz no Itamaraty.

Eles pregam que Bolsonaro deve, sim, manter a viagem a Buenos Aires que vem sendo preparada pelo Ministério das Relações Exteriores. Programada para outubro – não por coincidência pouco antes das eleições presidenciais argentinas do dia 27 – a visita teria como objetivo a assinatura do acordo para a construção de uma hidrelétrica binacional. Trata-se da primeira das duas usinas contempladas no Tratado de Aproveitamento Hídrico firmado entre os dois países em 1980. Os estudos para a instalação das duas geradoras foram iniciados em 1972, atravessaram quatro décadas e acabaram suspensos em 2015, pelo governo Dilma.

Não é difícil imaginar, desde já, o tom do discurso de Bolsonaro, dizendo que esse e outros investimentos conjuntos estão sob risco caso a “esquerdalha”, leia-se a chapa Alberto Fernández/Cristina Kirchner, ganhe as eleições. Do lado oposto está o Ministério da Economia, favorável a uma postura mais contida de Bolsonaro em relação à Argentina. Esta corrente é personificada, sobretudo, por Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais da Pasta. Troyjo não deixa de ser um adepto da “diplomacia ideológica”, mas, neste caso, age por puro pragmatismo. A batalha eleitoral na Argentina é vista como caso perdido.

As prévias indicaram que, salvo uma virada histórica de Macri, Fernández e Cristina estarão na Casa Rosada a partir de 2020. O que o governo Bolsonaro ganhará anatematizando o futuro presidente do terceiro maior parceiro comercial do Brasil? Por esta linha de raciocínio, a viagem do presidente a Buenos Aires e a consequente “ideologização” do acordo na área de energia trariam mais ônus do que bônus – ainda que as motivações para a campanha pró-Macri sejam perfeitamente compreendidas na Pasta da Economia. A julgar pelas últimas declarações de Jair Bolsonaro, a ala da “diplomacia do embate”, liderada por Eduardo Bolsonaro, vai prevalecer.

No Twitter, Bolsonaro publicou recentemente que “com o possível retorno da turma do Foro de São Paulo, agora o povo saca, em massa, seu dinheiro dos bancos. É a Argentina, pelo populismo, cada vez mais próxima da Venezuela”. Pouco depois, Eduardo também mandou o recado na rede social: “Nós que estamos aqui de fora olhando o que está acontecendo com a Argentina nem acreditamos. Mas ainda creio que a Argentina não naufragará em outubro”.

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18.01.19

Tiene que cambiar eso ahí

Jair Bolsonaro foi fiel ao seu estilo no encontro com Mauricio Macri. Durante conversa reservada, ao ouvir do presidente argentino que os governos de ambos não têm direito a errar, o Capitão emendou de primeira: “Se não, a Cristina (Kirchner) e a turma do PT podem voltar…”. Finalizou o chiste com sua tradicional e estridente gargalhada.

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18.01.19

Pouso autorizado

A próxima vinda de Maurício Macri ao Brasil poderá ser para celebrar um investimento de R$ 3 bilhões de um patrício na área de infraestrutura. A argentina Corporación América pretende montar um consórcio turbinado para disputar o leilão de concessões aeroportuárias marcado para o dia 15 de março. O alvo é o chamado Bloco Nordeste, que inclui, entre outros os aeroportos de Recife, João Pessoa e Aracaju. O grupo do empresário portenho Eduardo Eurnekian já detém as concessões dos terminais de Brasília e Natal.

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30.11.16

Triste lembrança

Se Nelson Rodrigues estivesse vivo, cunharia a seguinte máxima: o presidente argentino Mauricio Macri só é solidário na morte. Ontem, Macri ofereceu apoio aos familiares das vítimas do terrível acidente aéreo com o time da Chapecoense. Em meados da década passada, a mesma família Macri quebrou a maior empresa local, a Chapecó Alimentos, deixando cinco mil desempregados.

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11.10.16

Sisfron são os novos olhos da Defesa na tríplice fronteira

  O ministro da Defesa, Raul Jungmann, o ministro-chefe do Gabinete de segurança Institucional, General Sergio Etchegoyen, e o Estado Maior das Forças Armadas estão debruçados sobre um novo plano de ações para intensificar a vigilância na tríplice fronteira – Brasil, Argentina e Paraguai. O tema, inclusive, chegou a ser discutido nos encontros que Michel Temer teve, na semana passada, com os presidentes Mauricio Macri e Horacio Cartes. A grande contribuição virá do lado brasileiro: até meados do ano que vem, as Forças Armadas deverão concluir a implantação do Sisfron, novo sistema de monitoramento de fronteiras. Trata-se de uma rede integrada que reúne satélites, radares, aeronaves e ainda postos de vigilância localizados em regiões-chave. A importância estratégica do novo sistema pode ser medida pela sua blindagem à crise nas contas públicas. Orçado em aproximadamente R$ 12 bilhões, foi um dos raros projetos das Forças Armadas que passaram razoavelmente incólumes à desidratação orçamentária. Existe, inclusive, um projeto para que a tecnologia do Sisfron seja vendida a outros países. Procurado, o Ministério da Defesa não quis se pronunciar.  Entre os equipamentos de última geração que serão utilizados, o destaque fica por conta do Vant – Veículo Aéreo Não Tripulado –, um avião-radar de patrulhamento aéreo que pode ser usado não apenas para serviços de vigilância, mas até mesmo em pequenos resgates. O Sisfron já está em fase de testes na divisa entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai. Todo o sistema será integrado aos órgãos de Inteligência das Forças Armadas, das Polícias Federal e Rodoviária, das corporações estaduais e da Receita Federal. Sua operacionalização ficará concentrada na 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, conhecida como Brigada Guaicurus, localizada na cidade de Dourados (MS).  Quando estiver integralmente implantado, o Sisfron permitirá o monitoramento dos 17 mil quilômetros de fronteira seca do Brasil. No entanto, o maior foco de preocupação para a área de Defesa é a interseção com a Argentina e o Paraguai. Ali estão os maiores poros na segurança das fronteiras, uma região pródiga na entrada de armas, drogas e mercadorias contrabandeadas. Trata-se ainda de uma área que hoje merece atenção redobrada pela movimentação de células operacionais de grupos terroristas. Durante a Olimpíada, diversos agentes dos serviços de Inteligência do Brasil e de países como Estados Unidos e França permaneceram infiltrados em Foz do Iguaçu e cidades próximas.

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 O chanceler José Serra vai acabar tendo sua estátua erguida pelo setor sucroalcooleiro. Serra negocia com o presidente Mauricio Macri, a redução de 10% para 5% da alíquota de importação de açúcar pela Argentina. Conseguiu ainda o apoio do dirigente portenho para que o Mercosul somente aceite retomar negociações com a União Europeia se o etanol for incluído entre os itens do acordo de livre comércio.

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 O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, adicionou um pouco de fricção nas relações com os “hermanos”. Coelho encaminhou secamente ao presidente da Argentina, Maurício Macri, um comunicado formal de revisão do acordo bilateral permitindo a venda, a preços abaixo de mercado, de energia em caráter emergencial. O ministro ficou de enviar sua proposta para os novos preços em breve. No momento a oferta no país vizinho está normalizada. O Brasil exporta energia para a Argentina a partir da termelétrica de Uruguaiana e de usinas hidrelétricas no Rio Grande do Sul.

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 Lobistas da Anfavea tentam persuadir a “guarda suíça” de Michel Temer – notadamente Eliseu Padilha e Romero Jucá – para que sua primeira viagem oficial ao exterior seja à Argentina. O objetivo é acelerar a aprovação do novo acordo automotivo com o presidente Mauricio Macri. Por enquanto, os lobistas estão cheios de dedos em abordar José Serra.

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 O empresário David Neeleman, dono da Azul, tem dito que é candidatíssimo à compra da Aerolíneas Argentinas se o governo de Mauricio Macri levar adiante o projeto de privatização da companhia. Procurada pelo RR, a Azul não comentou o assunto.

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