fbpx

Atenção!

As notícias abaixo são de edições passadas.

Para ter acesso ao nosso conteúdo exclusivo, assine o RR.

planos

A desembargadora Marília de Castro Neves está a um passo de integrar o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio. Ela é a única candidata inscrita para ocupar a vaga de representante do Ministério Público no Colegiado. Marília é conhecida no Judiciário do Rio por suas posições polêmicas. Ela foi condenada a indenizar a família de Marielle Franco por danos morais após dizer que a ex-vereadora “era engajada com bandidos”.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

18.02.20

Marielle é do Rio

Sergio Moro está irredutível. Apesar da pressão do aparelho de Justiça, a começar pelo PGR Augusto Aras, é contrário à federalização das investigações sobre o assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Mesmo após a morte do ex-PM Adriano da Nóbrega, ligado a Flavio Bolsonaro. Ou talvez por causa dela, dirão seus opositores.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

23.01.20

Marielle Franco é do Rio e ninguém tira…

Parece haver uma espécie de “pool” no aparelho de Justiça para que o caso do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes permaneça com as autoridades do Rio. O RR apurou que o procurador-geral da República, Augusto Aras, não pretende recorrer ao Supremo caso a Terceira Turma do STJ negue o pedido de federalização das investigações, como tudo indica que deve ocorrer. Aras poder levar o caso ao STF, mas não compartilha da posição de sua antecessora. A solicitação para que o processo saia da Polícia Civil e da Justiça do Rio foi feita, no ano passado, pela ex-PGR, Raquel Dodge. Nesta semana, ocorreram movimentos em sequência que parecem sob encomenda para referendar, a priori, a iminente decisão do STJ e do PGR. Como que por coincidência, um parecer interno da AGU contra a federalização do caso vazou na mídia. Isso um dia depois de o próprio Sergio Moro, em entrevista ao Roda Viva, também se dizer contrário à transferência do processo para a PF e a Justiça Federal. Enquanto isso, a Polícia do Rio quebra a cabeça para solucionar o duplo assassinato, prestes a completar dois anos em março.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

21.11.19

Presidente Bolsonaro e eleições 2020

Termômetro

Declarações do presidente acerca de seu novo partido (Aliança pelo Brasil) vão gerar fortes especulações amanhã, particularmente sobre dois pontos:

1) Quais as questões técnicas envolvidas e qual a tendência do TSE acerca de validações eletrônicas de assinaturas, que permitiriam a criação da sigla? Se o procedimento não for autorizado, a Aliança pelo Brasil estaria praticamente fora das eleições em 2020;

2) Nesse caso, como se daria a atuação do presidente no ano que vem? Possibilidade de que fique sem partido durante o pleito de 2020 vai alimentar, amanhã, cenário de incertezas e especulações. Por um lado, sobre temores de enfraquecimento político de Bolsonaro e de seus apoiadores. Por outro, sobre possibilidade de ser uma estratégia do presidente para se descolar do sistema político partidário como um todo.

Excludente de Ilicitude no Congresso

A observar, amanhã, a reação do Congresso e sobretudo de Rodrigo Maia a envio de Projeto de Lei, pelo presidente Bolsonaro, ampliando o excludente de ilicitude para todas as forças de Defesa e Segurança, durante operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Maia já se declarou contra o projeto, anteriormente, e parte da mídia deve assumir posição crítica ao projeto. Buscará escrutinar as situações em que o excludente se aplicaria, relacionando o tema com casos recentes de grande exposição. Como a morte da menina Agatha, sabe-se hoje, por bala oriunda de arma policial, no Rio de Janeiro.

Outros aspectos que devem ser abordados nesta sexta serão: 1) afirmação de Bolsonaro de que pode não autorizar mais GLO´s se o seu projeto não for acatado pelo Congresso; 2) Possibilidade de que a pauta contamine negativamente debate sobre reformas econômicas no Congresso.

OCDE: recuo internacional e impacto no Brasil

Apesar de OCDE corroborar cenário de – lenta – recuperação da economia brasileira, também alimentado por boa repercussão de dados do Caged hoje, com a criação de 70.852 empregos, o diagnóstico preocupante da Organização sobre a economia mundial vai gerar desdobramentos, amanhã. Uma questão vem ganhando corpo: qual o grau de exposição do Brasil a turbulências internacionais?

Marielle, Bolsonaro e Witzel

Mesmo sem fatos novos, haverá repercussão nesta sexta para investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco, a partir de duas abordagens delineadas hoje: 1) Testemunho do porteiro, que diz ter se confundido ao citar o nome de Bolsonaro, ainda que tenha prestado depoimento duas vezes sem fazer a correção; 2) Guerra aberta entre o presidente e o governador Witzel, a quem acusou de manipular investigações. Witzel já mostrou que também pretende subir o tom.

STF: Toffoli X Moraes

Julgamento do STF sobre compartilhamento de informações entre órgãos de controle (como UIF e Receita) e de investigação (MP e PF) foi adiado para semana que vem, mas estará em pauta nesta sexta. Serão expostas sondagens sobre posicionamentos de ministros do STF (espera-se decisão acirrada). E consequências caso prevaleça tese do ministro Toffoli, que não impediria compartilhamentos, mas restringiria o processo a dados gerais, não detalhados. Se linha de Alexandre de Moraes for vencedora, compartilhamentos estarão liberados.

Colômbia é a bola da vez

Enquanto incertezas continuam a pairar sobre Bolívia e Chile – apesar de alguns avanços, especialmente o ensaio de um calendário eleitoral pela autoproclamada presidente boliviana –, protestos ganham força na Colômbia, com greve geral, hoje. Tema central, amanhã, será: manifestações se darão dentro de embate político tradicional ou em explosão similar a que tem marcado América do Sul nos últimos meses? Parte da resposta dependerá de reações do presidente colombiano, Iván Duque, cuja popularidade está em baixa.

Netanyahu enfraquecido

Será interpretada como notícia negativa para o presidente Bolsonaro, amanhã, o indiciamento do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por crimes de suborno, fraude e quebra de confiança.

Tendências industriais e da inflação no Brasil

Saem amanhã a Prévia da Sondagem da Indústria de novembro (FGV) e o IPCA-15 (IBGE), que antecipa a inflação de novembro. Sondagem vem de números negativos em outubro, tanto no Índice de Situação Atual quanto – pior – no de Expectativas, com aumento significativo de empresas que esperam redução no quadro de pessoal (foram de 15,1% para 19,2%). Vale acompanhar dados amanhã, já que novo recuo indicaria tendência preocupante para a indústria, com vistas ao início de 2020.

Já para o IPCA-15, projeta-se crescimento de 0,10% (após 0,09% em setembro e outubro). No entanto, tal número não inclui, ainda, o reajuste das loterias, que deve levar o número da inflação em novembro para algo em torno de 0,5%, segundo avaliações da FGV.

Indústria e serviços: EUA, Zona do Euro e Alemanha

No exterior, destaque para PMI da Indústria e dos Serviços nos EUA, Zona do Euro e Alemanha: 1) Nos EUA, estima-se avanço para 51,5 na indústria (frente a 51,3 em outubro) e para 51,0 nos serviços (50,6 em outubro); 2) Resultados também devem apresentar evolução na Zona do Euro, com número em torno de 46,5 na indústria (ainda bem abaixo da linha positiva, de 50 pontos, mas superior aos 45,9 de outubro) e de 52,5 nos serviços (52 em outubro); 3) Curva similar na Alemanha, com crescimento em patamar ainda muito baixo na indústria (43 diante de 42,1 em outubro) e números positivos nos serviços (52 em novembro diante de 51,6 em outubro).

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

06.11.19

STF e prisão em segunda instância: chance de terceira via?

Termômetro

Retomada de julgamento do SFT sobre prisão após condenação em segunda instância tende a ser o principal tema do dia, amanhã. Foco estará no ministro Dias Toffoli. Há expectativa de que apresente uma proposta intermediária (para a qual já parece ter apoio do ministro Fachin), que não beneficiaria o ex-presidente Lula: prisão seria autorizada após condenação pelo STJ. Se o fizer, aumentam as chances do julgamento não acabar nesta quinta.

Pré-sal: os erros do leilão

Continuará, amanhã, discussão sobre motivos de leilão de campos do pré-sal, hoje, ter atraído pouco interesse de petrolíferas estrangeiras. Por um lado, gestão federal e particularmente a ANP perdem um pouco da aura de eficiência que vinham construindo. Serão apontados supostos erros, como bônus de assinatura muito alto.

Por outro, agência e Ministério de Minas e Energia investirão no seu diagnóstico: problema seria a obrigatoriedade da partilha e a necessidade de ressarcir investimentos já realizados pela Petrobras nas áreas.

Nesse sentido, há um ponto central a ser observado, nesta quinta: o governo porá efetivamente seu peso em apoio a projeto, do senador José Serra, para acabar com o polígono do pré-sal, que dá preferência à Petrobras na região?

Estaria em linha com a atual política para o setor, mas pressupõe embate polêmico no Congresso no momento justamente em que uma série de reformas está na mesa – além das já propostas, ainda devem ganhar corpo, até semana que vem, reforma administrativa e pacote de estímulo ao emprego.

Venda da Liquigás

Petrobras – criticada, veladamente, por cobrar valores altos de ressarcimento de investimentos em campos leiloados hoje – obterá repercussão e resultados positivos por venda da Liquigás. Iniciativa, através da qual foram arrecadados R$ 3,7 bilhões, será, também, “antídoto” contra dúvidas geradas no mercado por gastos acima do esperado com a compra dos campos de Búzios e Itapu.

Marielle: federalização volta à pauta

Caso Marielle pode voltar a gerar enfrentamento político e institucional. Motivo seria o pedido do MPF para que a Polícia Federal apure obstrução de justiça, falso testemunho e denunciação caluniosa supostamente cometidos pelo porteiro do condomínio Vivendas da Barra, ao citar o presidente Jair Bolsonaro. Governo do Rio e partidos de oposição devem se opor duramente a qualquer abertura para federalização de investigações. No âmbito partidário, o ministro Moro é alvo central – serão apontadas suspeitas de que tenta proteger o presidente.

Reformas no microscópio e PEC Paralela

Após primeiros sinais positivos do Parlamento, da mídia e (até onde se pode medir) da opinião pública a conjunto de reformas apresentado pelo governo, quinta-feira aprofundará olhar para os pontos que provocam maior polêmica. Daqui para a frente, em maior ou menor medida, essa avaliação se transformará em um pulso diário das chances de aprovação das diversas medidas propostas.

Nesse momento inicial, já despontam: 1) A extinção de municípios com menos de 5 mil habitantes, que terá oposição organizada da Confederação Nacional de Municípios e acerca da qual não há sinais claros de parlamentares; 2) Possíveis privilégios a procuradores e militares em medidas emergenciais, que sustam promoções e reajustes; 3) Desvinculação de gastos obrigatórios, que uniria sob uma mesma rubrica saúde e educação – leitura aqui será de que governo busca abrir porta para diminuir gastos com os setores.

Vazamento de óleo: novas suspeitas

Idas e vindas têm sido a constante na apuração de vazamento de óleo que se espalha pelo litoral do Nordeste. Imagens mostrando que mancha negra – relacionada ao vazamento – aparece no mar antes da passagem de navio grego, considerado o principal suspeito, vão levar a novas ilações.

Novo round com a Argentina

A conferir desdobramentos, amanhã, de aprovação de repúdio ao presidente eleito argentino, Alberto Fernández, na Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara. Proposta, capitaneada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, soma-se a tweet do presidente, posteriormente apagado, no qual anuncia a transferência de grandes de empresas (como a L’ Oréal) da Argentina para o Brasil.

Sem medo de deflação

Sai amanhã o IPCA (IBGE) de outubro, medida oficial da inflação no país, com previsão de alta de 0,10%. Se confirmado, o número mostrará que a deflação auferida em setembro (-0,04%) representou um ponto fora da curva. Tal percepção tende a ser corroborado pelo IGP-DI, um dos índices gerais de inflação da FGV (junto com o IGP-M), no qual se espera alta de 0,40% para o mês.

Alemanha preocupa

Internacionalmente, destaque para a produção industrial da Alemanha, em setembro. Estimativas apontam queda que pode chegar a 0,4% (após crescimento de 0,3% que acalmou um pouco os mercados, em agosto). Número teria impacto muito negativo em bolsas globais, ao ampliar possibilidade de retração mais grave do “motor” da economia da União Europeia no final de 2019 e início de 2020.

Vale atenção, ainda, para o anúncio da taxa de juros no Reino Unido (projeta-se estabilidade em 0,75%), e para os pedidos de seguro desemprego nos EUA, no início de novembro (expectativa positiva, com pequena diminuição, chegando a 215 mil pedidos, contra 218 mil no começo de outubro).

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

01.11.19

Pós-Previdência: teste para as apostas de Paulo Guedes

Termômetro

Pacote de medidas do Ministério da Economia, que marcará os 300 dias do governo Bolsonaro, no início da semana que vem, já estará em destaque de amanhã até segunda-feira. Ao que tudo indica, aparecerão como prioridade para o governo, centralizando discussões:

1)  O novo pacto federativo. Ênfase no chamado DDD (Desvinculação, Desindexação, Desobrigação), medida de grande impacto e que sempre esteve no centro do projeto de reforma do ministro Guedes.

2) Corte linear de 10% em todos os incentivos tributários em vigor e mudanças no Simples e na desoneração da cesta básica. Ainda embrionário, pode não vingar a depender de repercussão inicial. Especialmente o fim de desoneração na cesta básica.

3) Reforma Administrativa – que já vem sendo detalhada nas últimas semanas – e pacote de estímulo ao emprego. Este último deve ter como foco a desoneração da folha em contratos de pessoas até 27 anos ou acima de 55. Trata-se de iniciativa ainda muito pouco sedimentada, que pode sofrer críticas. A conferir.

Vazamento de óleo: governo ganha iniciativa

Descoberta de que navio grego seria a origem do vazamento de óleo que ainda se espalha pela costa do Nordeste, se confirmada, devolverá iniciativa ao governo e ao Ministério do Meio Ambiente, amanhã. E governo ainda ganhará novo trunfo, em tema paralelo: queimadas na Amazônia caíram para o menor número, em outubro, desde 1998.

Isso posto, imagem do ministro Salles e da área ambiental do governo como um todo se mantém muito negativa. Ou seja, se o ministro fugir do discurso técnico – e do enfrentamento do desastre – perderá boa parte do impacto positivo. Até porque noticiário dando conta de consequências do vazamento em áreas turísticas continuará – e pode piorar.

Oposição se movimenta

Psol deve assumir a frente, nos próximos dias, de movimentações quanto aos dois temas que geraram desgaste para o presidente:

1) Citação de Bolsonaro em investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco. Repercussão se concentrará em críticas à perícia – já encampadas pela mídia –  e à atuação da promotora Carmem Eliza Bastos, do MP-RJ. A promotora pediu afastamento do caso após ter sua neutralidade questionada pelo partido – tem fotos com deputado que rasgou placa de Marielle e com camisa estampando o presidente Bolsonaro. Estará em jogo uma disputa de narrativas.

2) Processo contra o deputado Eduardo Bolsonaro no conselho de ética da Câmara, em decorrência de declaração aventando novo AI-5. Variável a ser observada, de amanhã até segunda feira, serão declarações de lideranças partidárias, membros do conselho de ética e do presidente Rodrigo Maia.

Brasil X Argentina

Estará no radar, amanhã, nova sinalização do presidente eleito argentino, Alberto Fernández, sobre relação com o Brasil, após notícia de que o presidente Bolsonaro não comparecerá a sua posse. Se mantiver silêncio ou se manifestar de forma serena, salientando importância das relações bilaterais, indicará possibilidade de relação pragmática. Outro ponto sobre o qual pode haver novidades é confirmação, pelo Brasil, de quem será o representante na posse.

Adélio Bispo e facada no presidente

Não há novidade na apuração, mas anúncio de advogado confirmando que abandonará o caso chama atenção para o tema. Pelo grau de polêmica envolvido, vale atenção para desdobramentos.

Guerra Comercial se arrefece?

Declarações do governo chinês têm recepção positiva e devem acalmar temores acerca de guerra comercial com os EUA. Após uma ligação do representante comercial e do secretário do Tesouro dos EUA com o vice-primeiro-ministro chinês Liu He, o Ministério do Comércio da China afirmou que ambos os lados chegaram a “um consenso sobre princípios”. Se houver maior detalhamento acerca de tal consenso, amanhã e domingo, pode haver efeito muito positivo em bolsas globais, na segunda-feira.

Europa, EUA, China: sinais para 2020

Vale destacar, entre os indicadores internacionais que sairão na próxima segunda:

1) PMI Industrial da Alemanha para outubro. Deve haver estabilidade com viés de alta, em 42,0. Número, bem abaixo da faixa dos 50 pontos, confirma visão negativa do setor.

2) PMI Industrial e Confiança do Investidor do Instituto Sentix da Zona do Euro para novembro. Número do PMI também deve se manter negativo (abaixo de 50), mas em patamar um pouco melhor (evolução de 45,7 para 46). Já a Confiança, ainda que melhore, evidenciará forte insegurança de investidores com a economia europeia. Projeta-se algo em torno de – 13 pontos.

3) PMI Serviços (Caixin) da China em outubro. Número em aberto, mas principal aposta é em equilíbrio na faixa de 51 para 52 pontos. Vale atenção porque o número caiu quase um ponto entre agosto e setembro.

4) Encomendas à indústria nos EUA, em setembro. Expectativa é por número bastante negativo, com nova queda, de 0,6% (frente a recuo de 0,1% em agosto). Acenderia o sinal amarelo em relação ao setor.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

14.03.19

Miragens da Bastilha no apocalipse social do país

A Escola Superior de Guerra deve estar debruçada sobre análises relacionadas ao ambiente psicos-social do país. A ESG tem tradição de tratar com especial atenção esse caldo de sentimentos mórbidos que leva ao desequilíbrio nacional, impactando na forma como a sociedade reage e interage diante de situações aparentemente fora de controle. A ampliação dos dominios das milícias, a expansão dos tentáculos das facções criminosas, assassinatos políticos como o da vereadora Marielle Franco, ameaças de morte a parlamentares – a exemplo do deputado federal Marcelo Freixo – aumento dos homicídios mais violentos e casos crescentes de feminicídios têm tido uma divulgação impulsionada pelas redes que provoca uma sensação de desamparo, repulsa e ódio.

O mais recente e trágico episódio que adensa esse cenário de uma sociedade partida foi o genocídio de 10 adolescentes na cidade de Suzano, uma dizimação humana no ambiente escolar nunca dantes vista no país. Sem dúvida são assuntos distintos. Mas são todos interligados no imaginário da população. A combinação de insegurança com repulsa é o que faz subir a temperatura no termômetro psicossocial.

Tradicionalmente, a ESG e os militares da área de informações têm suas atenções voltadas para agitações sindicais, revolta da comunidade indígena, movimentos sociais como o MST, garimpo e afins. Não há registro de período onde a chaga social estivesse sangrando como em nosso tempo. O governo precisa tratar de cada uma dessas feridas. Mas também entender que a soma delas pode levar a um estado de conturbação descontrolado. A história mostra que nessas situações surgem jacobinos e incendiários para fazer do descalabro e das mortes combustível para ação política. É tudo o que não se deseja para o Brasil.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

18.04.18

Dr. Watson

Das duas uma: ou o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, é um mentecapto em busca criminal ou é cheio de esperteza e deu uma pista errada à imprensa ao informar que já tem uma linha principal de investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco. Disse até quem é o alvo das ações: as milícias. Faltou entregar nome e endereço.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

19.03.18

Sangue de Marielle Franco realça o caos da cidade do Rio de Janeiro

À exceção da fatalidade trágica, nada é o que parece ser no assassinato da vereadora Marielle Franco. A militante, com histórico exemplar na defesa de direito das minorias, era uma voz contrária à intervenção federal e militar no Rio de Janeiro. Sua morte, paradoxalmente, fará com que a ação das Forças Armadas seja intensificada na cidade, liberando os recursos que o comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Vilas Bôas, vinha reiteradamente pleiteando. Até agora, a intervenção é um copo com moeda de centavo no fundo.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, aspirante a candidato à Presidência da República, mostrou que sua sensibilidade política é nanica. Ele tem sentado em cima do orçamento todas as vezes em que chegam pedidos por mais numerário para a intervenção. O RR apurou que o Palácio do Planalto exigiu urgência na transferência de verbas. Elas deverão ser capazes de custear o deslocamento para o Rio de tropas de outras regiões, o que não estava previsto.

Porém, os militares não irão tocar opânico na cidade, conforme desejam distintas tribos de ativistas e reacionários. Como disse o general Braga Neto, chefe da intervenção federal no Rio, a ação será sentida aos poucos. Agora, o que acontecerá é um reforço do efetivo e a aquisição de novos equipamentos. O aparato e a visibilidade do Exército vão se tornar maiores. A inteligência das três Forças Armadas cooperará na busca do assassino da vereadora.

Mas que não se espere uma caça como a feita pela Aeronáutica ao atirador Alcino e o motorista de táxi Climério após o atentado contra Carlos Lacerda. Os militares não se guiarão pela Lei de Talião. Duas razões contraditórias parecem ter motivado o assassinato da vereadora Marielle Franco. Na primeira, ela seria alvo de milícias e grupos de extermínio, julgando que o homicídio poderia deslocar o foco da sua ação criminosa para a busca da autoria do atentado. Na segunda hipótese, ativistas reacionários teriam praticado o assassinato para forçar uma ação militar mais intensa.

Querem o Exército barbarizando nas ruas. No lamentável episódio tudo é o que não é. Às 15h35 de ontem, o Google registrava 861 mil resultados santificando Marielle e 135 mil resultados sobre a nubência da parlamentar com Marcinho VP e a sua ligação com o Comando Vermelho, comprovadamente uma informação falsa. Nas praias de Ipanema, meninas douradas usavam bottons nos biquínis com fotos dos seus rostinhos sorridentes ladeado dos dizeres: “Marielle presente”. Ao contrário das palavras de ordem, o extermínio da vereadora não foi um atentado à democracia, tal como eleição sem Lula não é uma fraude.

Sua morte também não deflagrará homicídios em série e até justiçamentos conforme amedrontados ativistas faziam crer ontem no Facebook. O presidente Michel Temer, com seu senso de oportunidade, teria dito: “Atiraram no nosso peito, mas não atingiram o nosso coração: agora vamos com tudo”. Na manhã de ontem, um policial militar, de folga, foi morto no Rio, após troca de tiros, em Bangu. Não consta que os ministros da Segurança Pública, Defesa, Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ou os Comandos Militares tenham tomado qualquer providência para criação de auditoria, corregedoria ou fiscalização excepcional da munição em poder das polícias, que repetidas vezes corre para o crime como as águas para o mar. Caetano Veloso compôs velozmente uma canção sobre a líder popular. Faz mais de 80 horas que Jair Bolsonaro está mudo em relação ao assunto. O sorriso de Marielle ainda embeleza as bancas de jornais.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.