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14.03.19
ED. 6072

Miragens da Bastilha no apocalipse social do país

A Escola Superior de Guerra deve estar debruçada sobre análises relacionadas ao ambiente psicos-social do país. A ESG tem tradição de tratar com especial atenção esse caldo de sentimentos mórbidos que leva ao desequilíbrio nacional, impactando na forma como a sociedade reage e interage diante de situações aparentemente fora de controle. A ampliação dos dominios das milícias, a expansão dos tentáculos das facções criminosas, assassinatos políticos como o da vereadora Marielle Franco, ameaças de morte a parlamentares – a exemplo do deputado federal Marcelo Freixo – aumento dos homicídios mais violentos e casos crescentes de feminicídios têm tido uma divulgação impulsionada pelas redes que provoca uma sensação de desamparo, repulsa e ódio.

O mais recente e trágico episódio que adensa esse cenário de uma sociedade partida foi o genocídio de 10 adolescentes na cidade de Suzano, uma dizimação humana no ambiente escolar nunca dantes vista no país. Sem dúvida são assuntos distintos. Mas são todos interligados no imaginário da população. A combinação de insegurança com repulsa é o que faz subir a temperatura no termômetro psicossocial.

Tradicionalmente, a ESG e os militares da área de informações têm suas atenções voltadas para agitações sindicais, revolta da comunidade indígena, movimentos sociais como o MST, garimpo e afins. Não há registro de período onde a chaga social estivesse sangrando como em nosso tempo. O governo precisa tratar de cada uma dessas feridas. Mas também entender que a soma delas pode levar a um estado de conturbação descontrolado. A história mostra que nessas situações surgem jacobinos e incendiários para fazer do descalabro e das mortes combustível para ação política. É tudo o que não se deseja para o Brasil.

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18.04.18
ED. 5849

Dr. Watson

Das duas uma: ou o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, é um mentecapto em busca criminal ou é cheio de esperteza e deu uma pista errada à imprensa ao informar que já tem uma linha principal de investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco. Disse até quem é o alvo das ações: as milícias. Faltou entregar nome e endereço.

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19.03.18
ED. 5828

Sangue de Marielle Franco realça o caos da cidade do Rio de Janeiro

À exceção da fatalidade trágica, nada é o que parece ser no assassinato da vereadora Marielle Franco. A militante, com histórico exemplar na defesa de direito das minorias, era uma voz contrária à intervenção federal e militar no Rio de Janeiro. Sua morte, paradoxalmente, fará com que a ação das Forças Armadas seja intensificada na cidade, liberando os recursos que o comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Vilas Bôas, vinha reiteradamente pleiteando. Até agora, a intervenção é um copo com moeda de centavo no fundo.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, aspirante a candidato à Presidência da República, mostrou que sua sensibilidade política é nanica. Ele tem sentado em cima do orçamento todas as vezes em que chegam pedidos por mais numerário para a intervenção. O RR apurou que o Palácio do Planalto exigiu urgência na transferência de verbas. Elas deverão ser capazes de custear o deslocamento para o Rio de tropas de outras regiões, o que não estava previsto.

Porém, os militares não irão tocar opânico na cidade, conforme desejam distintas tribos de ativistas e reacionários. Como disse o general Braga Neto, chefe da intervenção federal no Rio, a ação será sentida aos poucos. Agora, o que acontecerá é um reforço do efetivo e a aquisição de novos equipamentos. O aparato e a visibilidade do Exército vão se tornar maiores. A inteligência das três Forças Armadas cooperará na busca do assassino da vereadora.

Mas que não se espere uma caça como a feita pela Aeronáutica ao atirador Alcino e o motorista de táxi Climério após o atentado contra Carlos Lacerda. Os militares não se guiarão pela Lei de Talião. Duas razões contraditórias parecem ter motivado o assassinato da vereadora Marielle Franco. Na primeira, ela seria alvo de milícias e grupos de extermínio, julgando que o homicídio poderia deslocar o foco da sua ação criminosa para a busca da autoria do atentado. Na segunda hipótese, ativistas reacionários teriam praticado o assassinato para forçar uma ação militar mais intensa.

Querem o Exército barbarizando nas ruas. No lamentável episódio tudo é o que não é. Às 15h35 de ontem, o Google registrava 861 mil resultados santificando Marielle e 135 mil resultados sobre a nubência da parlamentar com Marcinho VP e a sua ligação com o Comando Vermelho, comprovadamente uma informação falsa. Nas praias de Ipanema, meninas douradas usavam bottons nos biquínis com fotos dos seus rostinhos sorridentes ladeado dos dizeres: “Marielle presente”. Ao contrário das palavras de ordem, o extermínio da vereadora não foi um atentado à democracia, tal como eleição sem Lula não é uma fraude.

Sua morte também não deflagrará homicídios em série e até justiçamentos conforme amedrontados ativistas faziam crer ontem no Facebook. O presidente Michel Temer, com seu senso de oportunidade, teria dito: “Atiraram no nosso peito, mas não atingiram o nosso coração: agora vamos com tudo”. Na manhã de ontem, um policial militar, de folga, foi morto no Rio, após troca de tiros, em Bangu. Não consta que os ministros da Segurança Pública, Defesa, Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ou os Comandos Militares tenham tomado qualquer providência para criação de auditoria, corregedoria ou fiscalização excepcional da munição em poder das polícias, que repetidas vezes corre para o crime como as águas para o mar. Caetano Veloso compôs velozmente uma canção sobre a líder popular. Faz mais de 80 horas que Jair Bolsonaro está mudo em relação ao assunto. O sorriso de Marielle ainda embeleza as bancas de jornais.

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