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Maria da Conceição Tavares

25.04.18
ED. 5854

Um tributo à professora Conceição

O filme “Livre Pensar”, cinebiografia da professora Maria da Conceição Tavares, dirigida por José Mariani, com a primeira exibição prevista para hoje na Universidade Federal do Rio de Janeiro – locus acadêmico da mestra -, é motivo para rejúbilo do RR. Primeiramente, é uma homenagem à distinta aniversariante, que ontem completou 88 anos. Durante quase quatro décadas, Conceição prestigiou esta newsletter com análises afiadas e uma profunda indignação com os desatinos da política econômica.

A professora é uma força viva da natureza. Quem a assistiu nos anos 70 e início da década de 80 discursando solitária para grandiosas plateias nos eventos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência sabe bem do que se trata o magnetismo e a fúria de Conceição. Ela era a única economista mulher em um setor dominado exclusivamente por homens, debatendo, discursando, brigando, em meio ao chauvinismo, ao preconceito e à ditadura.

Durante todo esse tempo, Conceição foi personagem invariável de uma disputa tola, mas, ao mesmo tempo, engrandecedora: quem é o maior economista do Brasil? “Ceiça” disputava no mesmo plano que seu mentor Celso Furtado e os adversários ideológicos Roberto Campos e Mario Henrique Simonsen. Todos eram igualmente geniais. Todos erraram e acertaram em diferentes momentos. Em recente conversa com o RR, Conceição encerrou um depoimento desapontada com o Brasil, mas mantendo a fibra de sempre: “Eu não me vergo. Eu não desisto”. Uma lição de garra e paixão.

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29.11.17
ED. 5755

Paulo Guedes monta Ministério à sua imagem e semelhança

O economista Paulo Guedes faz forfait quando afirma que ainda não respondeu ao convite para se tornar ministro da Fazenda em um eventual governo de Jair Bolsonaro. Guedes não só aceitou como já começou a montar sua equipe. Um dos escalados é o econometrista João Luiz Mascolo, que trabalhou com Guedes no Ibmec. Mascolo é sócio da SM Managed Futures, professor do Insper e ex-marido de Maria Silvia Bastos Marques.

Ele e o eventual futuro chefe formam a dupla mais radical de extrema direita entre os economistas do país. Bolsonaro estará bem acompanhado. Em um debate com a professora Maria da Conceição Tavares, na Anbid, nos idos da década de 80, o então jovem economista Paulo Guedes afirmou que, se fosse preciso colocar fogo nas favelas para obter o ajuste econômico, não hesitaria. Os favelados desceriam e a estabilidade os alocaria no mercado de trabalho. Ninguém morreria, é claro. Ou ficaria transtornado pela perda de detalhes tão insignificantes da sua vida. O mercado funciona. Por pouco, Conceição não mordeu sua jugular.

Paulo Guedes é assim mesmo; combina brilhantismo com disparates. É como se fosse um “Glauber Rocha de extrema direita entre os economistas”, com visões barrocas e alucinadas. Seu maior desejo sempre foi o de ter uma passagem pela vida pública. Quem o conhece sabe que ele trocaria os milhões de reais ganhos no mercado financeiro por essa experiência de manda-chuva da Fazenda. Passo a passo, o possível governo Bolsonaro vai se tornando uma antiobra assustadora.

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A professora Maria da Conceição Tavares está para lá de pessimista. Mas, se tivesse de recomendar uma medida de política econômica, resgataria o projeto da renda mínima. Por décadas, a proposta foi defendida obsessivamente pelo ex-senador Eduardo Suplicy. Sem mais nem menos desapareceu do debate nacional. No atual momento, seria um oportuno contraponto à reforma da Previdência.

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