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06.12.19

Sócio e estádio, uma dupla de ataque inigualável

Observatório

Por Claudio Fernandez, jornalista e editor-chefe do Relatório Reservado.

A bola não entra por acaso, já ensinou o ex-vice-presidente do Barcelona e atual CEO do Manchester City, Ferran Soriano, no título de seu mais célebre livro. Com o habitual delay em relação ao primeiro mundo na geoeconomia do futebol, o Brasil começa a flertar com o que pode vir a ser uma nova divisão de castas entre os clubes. Em meio a essa movimentação de placas tectônicas, é possível identificar com muita clareza dois fatores absolutamente inegociáveis para o êxito financeiro e competitivo de um clube. Não por coincidência, nos últimos anos os títulos das principais competições no Brasil vêm sendo divididos entre clubes que combinam um programa de sócios robusto e têm à disposição um estádio moderno, capaz de abrigar e gerar novas experiências aos adeptos.

Figuram nesse rol, destacadamente, Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Grêmio, vencedores de campeonatos nacionais e/ou de Libertadores. No ano passado, Flamengo, Palmeiras e Corinthians faturaram cerca de R$ 222 milhões com bilheteria – o Grêmio tem um acordo diferente com a OAS e não fica com a receita de venda de ingressos em seu estádio. Por sua vez, os respectivos programas de sócio- torcedor renderam ao quarteto – o clube gaúcho incluído – cerca de R$ 180 milhões. Significa dizer que sócios e venda de ingressos responderam por mais de 25% do faturamento de rubro-negros, gremistas, palmeirenses e corinthianos.

Todos têm um volume de sócios estabilizado acima dos 60 mil. O número é significativamente superior à proporção que o sócio-torcedor e a bilheteria têm no faturamento dos outros seis clubes que compõem o top 10 do futebol brasileiro. Na média, essas duas rubricas respondem por pouco mais de 15% da receita de São Paulo, Cruzeiro, Internacional, Fluminense, Vasco e Atlético-MG. Desses, a exceção à regra é o Internacional, que manda seus jogos em um estádio moderno – Beira-Rio –, soma mais de 126 mil sócios, mas, nos últimos cinco anos, não tem conseguido transformar esse binômio em resultados esportivos expressivos.

Esse quadro vem se mantendo razoavelmente estabilizado há cerca de três anos, com pouca movimentação entre seus atores. Ou melhor: vinha. Em pouco mais de uma semana, o Vasco virou o ranking de sócios-torcedores de cabeça para baixo. No intervalo de sete dias, ganhou cem mil novos adeptos. De segunda-feira, dia 25 de novembro, até ontem, saiu de uma base de 33,5 mil para 150 mil sócios adimplentes. Trata-se de um salto sem precedentes na história do futebol mundial. Some-se a isso o fato de que o clube tem engatilhado um projeto para a reforma e ampliação de São Januário para 43,5 mil lugares. As obras começam no ano que vem. Ou seja: por tamanho de torcida, número de sócios e, a caminho, estádio moderno à disposição, é possível dizer que não há clube no Brasil com tamanho potencial de crescimento de arrecadação quanto o Vasco.

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