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09.07.18
ED. 5905

O vai e vem de Lula

Em meio à notícia de que um desembargador do TFR-4 tinha autorizado a libertação de Lula, petistas mais excitados já se punham a articular um encontro do ex-presidente com o “comandante” José Dirceu. Com direito à entrevista coletiva e gravação de filme para as redes sociais.

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04.07.18
ED. 5902

PT reúne seus astros para suprir ausência da estrela maior

A direção do PT não precisou assistir ao clipe “Lula lá”, da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, em 1989, para concluir que o partido se tornou um case de migração política. Dos mais de 100 artistas que compareceram à histórica gravação, menos da metade se mantém fiel a Lula e ao PT. Para recuperar a adesão de ex-companheiros que se bandearam para outros partidos e, ao mesmo tempo, evitar a fuga dos que permaneceram ligados à sigla, o PT pretende dar prioridade à comunicação com seus apoiadores de grande inserção midiática e social já a partir deste mês. O assunto é considerado urgente. Uma das primeiras medidas nesse sentido será a antecipação do lançamento do programa da legenda para as áreas de educação e cultura. As propostas serão divulgadas na última semana de julho, possivelmente em um evento aberto à militância. O PT pretende também estreitar o contato com os seus tradicionais animadores de campanha. As redes sociais serão usadas à exaustão, levando, inclusive, recados do próprio Lula. Conter o êxodo dos militantes midiáticos do partido é uma das prioridades até a campanha. Diversos integrantes do “cast petista” migraram para outros candidatos do campo da esquerda. Com Lula preso, a missão será difícil. Mas os mais otimistas acreditam que esse será um dos motivos para sensibilizar os apoiadores a entoarem um “Lula lá”, ainda que efetivamente simbólico.

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04.07.18
ED. 5902

O jogo já começou

O TSE já contabiliza 11 processos por propaganda antecipada de pré-candidatos à Presidência. A maior parte, oito deles, contra Lula ou Jair Bolsonaro.

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03.07.18
ED. 5901

Mesmo fora da jogada, Lula vai chutar o dólar por cima da arquibancada

BTG, XP, Itaú, SPX, UBS, Credit Suisse… A grande maioria do mercado financeiro está apostando que a partir de 15 de agosto, quando finda o prazo para homologação das candidaturas à Presidência no TSE, o cenário será de stress elevado. A expectativa majoritária é que Lula seja confirmado como inelegível e, então, indique seu substituto com a “faca entre os dentes”. Ou seja: empurre para cima do seu escolhido um discurso anti-mercado do tamanho do seu incômodo.

O grau de tensão dependerá de quem for o candidato de Lula. Por exemplo: se for Fernando Haddad, estaria de bom tamanho um dólar entre R$ 3,80 e R$ 4,50 no período que vai até as eleições; se for Ciro Gomes, que já  encarna o discurso anti-mercado, o dólar pode ir até R$ 5,50. Segundo estimativas do fundador da gestora SPX, Rodrigo Xavier, em conferência no BTG, o dólar circulará na faixa de R$ 4,90 a R$ 5,30. As projeções de Xavier são puxadas e estão longe de serem sancionadas pelas instituições que participam do Focus. No boletim de 25 de junho, a mediana do dólar em 2018 subiu um tiquinho, de R$ 3,63 para R$ 3,65.

O RR ouviu traders e analistas de cinco empresas que participam do Focus. Todas as previsões em off the records são superiores ao valor do boletim. Ou seja: segundo a mediana do dólar no Focus, o futuro presidente será Henrique Meirelles, Álvaro Dias, Geraldo Alckmin, Marina Silva ou alguém que ainda não se apresentou. Por enquanto, os nomes pró-mercado são tão improváveis quanto um dólar a R$ 3,65. A corrida das instituições do mercado por pesquisas de intenção de voto deverá crescer ainda mais depois da última sondagem do CNI/ Ibope, de 24 de junho.

O levantamento contrariou as expectativas de diversas instituições, que apostavam na queda do ativo eleitoral do ex-presidente. A resiliência de Lula continua absoluta. O ex-presidente ainda aumentou um pouquinho o seu quinhão, para 33%. E cresceu expressivamente em São Paulo, berço de origem do PT que sempre recusou a apoiar o filho bastardo. Se as pesquisas acusarem o aumento da capacidade de transferência de votos de Lula, não haverá jeito, o mercado externará o descontrole que já digere internamente. E aí não há porque duvidar de um dólar superior a R$ 4,5, no barato, e uma Selic, de lambuja, entre 7% e 7,5%.

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03.07.18
ED. 5901

Missão

O “comandante” José Dirceu chamou para si a missão de convencer Sepúlveda Pertence a retomar a defesa do ex-presidente Lula.

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02.07.18
ED. 5900

Autorização

José Sarney e Renan Calheiros vão pedir autorização à Polícia Federal para visitar Lula no cárcere, em Curitiba. A cena daria uma caricatura de Péricles, autor de “O amigo da onça”.

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29.06.18
ED. 5899

PT sobe o tom contra a defesa de Lula

O RR apurou que, no início da próxima semana, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, vai levar ao ex-presidente Lula o pedido da direção do partido para que o advogado Cristiano Zanin seja destituído de sua defesa. A cúpula petista prega que o ex-ministro do
STF Sepúlveda Pertence deve assumir todos os processos contra Lula, tanto na Suprema Corte quanto no TRF-4 – há outras duas ações nas mãos do juiz Sérgio Moro, referentes ao sítio de Atibaia e ao terreno onde está instalado o Instituto Lula. No início de junho, Gleisi já havia afastado Zanin de outros processos que envolvem o PT, substituindo-o pelo ex-ministro da Justiça Eugenio Aragão. A relação azedou de vez no início desta semana, quando o advogado decidiu abrir mão do pedido de prisão domiciliar para Lula. A senadora e outros dirigentes do partido chegaram a insinuar que o advogado agiu sem consultar o próprio ex-presidente. Talvez, no encontro com Lula na carceragem da PF em Curitiba, Gleisi escute exatamente o contrário.

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28.06.18
ED. 5898

Lula fixa o piso da candidatura Haddad

Lula disse “que pensaria” na hipótese de descartar sua candidatura e indicar Fernando Haddad para substitui-lo caso o ex-prefeito de São Paulo alcance 15% do eleitorado nas pesquisas de julho. O percentual deixaria Haddad acima de Marina Silva e em condições de ser o grande adversário de Jair Bolsonaro. Na última pesquisa da XP Investimentos, Fernando Haddad estava empatado com Marina, em 12%, nas duas primeiras semanas de junho. Se Lula não se posicionar mais rapidamente, corre o risco de ver desinflar o seu portfólio pessoal de votos e reduzir a capacidade de transferi-los. A informação é de um dos escudeiros com acesso ao ex-presidente, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba.

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26.06.18
ED. 5896

A resenha de Lula

Na esteira dos comentários sobre a Copa que Lula tem enviado ao programa de José Trajano na TV dos Trabalhadores, o PT e seus advogados já estudam a hipótese de o ex-presidente conceder uma entrevista por escrito à mídia internacional.

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22.06.18
ED. 5894

Carta fora do baralho

Pesquisa recebida nesta semana pela direção do PR apontou Josué Gomes da Silva com menos de 1% das intenções de voto, mesmo quando é citado o nome de seu pai, José Alencar, vice de Lula. É por essas e outras que Valdemar da Costa Neto empurra o PR na direção de Jair Bolsonaro.

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20.06.18
ED. 5892

Cotizando

Parlamentares do PT estão se cotizando em um crowdfunding partidário para colaborar com o Instituto Lula. Só com a Receita as dívidas passam de R$ 18 milhões.

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05.06.18
ED. 5881

O diagnóstico do “Comandante” Dirceu

Dois dias antes de se entregar a Polícia Federal, mais precisamente em 16 de maio, em conversa reservada com velhos companheiros do PT, José Dirceu disparou pesadas críticas contra a defesa de Lula. Nas palavras de Dirceu, os advogados insistem em desconectar o ex-presidente da realidade. El Comandante disse que os consultores jurídicos de Lula têm se portado como médicos que tratam um paciente em estado grave e “vendem otimismo para não deixá-lo entrar em desespero”. Questionou, sobretudo, a insistência dos advogados em apostar as fichas em uma decisão favorável do STF. O que Dirceu não deixou claro é se ele acredita mesmo que o “paciente” em questão, matreiro como ele só, tem se deixado levar pelas palavras de esperança dos seus doutores.

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29.05.18
ED. 5877

Coalizão nascente

Nem Lula; nem candidatura própria. Uma parte do PCdoB visualiza um terceiro cenário para as eleições: Manuela D ́Ávila como vice de Ciro Gomes.

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25.05.18
ED. 5875

Baixa temporada

O acampamento Marisa Letícia, em Curitiba, lócus das manifestações contra a prisão de Lula, parece estar perdendo sua razão de ser. A presença de políticos e personalidades diminui a cada dia. Até a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, reduziu suas visitas ao local.

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23.05.18
ED. 5873

Uma revelação delicada sobre o ex-presidente Lula

Lula tem sofrido episódios de depressão, com intensas crises de choro. Em pelo menos um deles, passou por momento de desorientação. O ex-presidente teria sido autorizado a receber tratamento médico especial na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Segundo a fonte do RR, Lula oscila entre instantes de extremo vigor e de enorme abatimento. O informante da newsletter é notório interlocutor de um dos visitantes do ex-presidente na prisão. Consultado pelo RR, o PT não quis se pronunciar. Por sua vez, o Instituto Lula disse que “são irreais essas supostas informações.” Já a Polícia Federal declarou que “não consta nenhuma informação sobre o assunto”.

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23.05.18
ED. 5873

O “vice” mais cobiçado

Luiz Dulci, um dos poucos interlocutores de Lula com mandato para falar em seu nome, tem mantido contatos frequentes com o empresário Josué Gomes da Silva, o “vice” mais cobiçado do Brasil.

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17.05.18
ED. 5869

O “golpe” é coisa do passado

Ao que parece, o PT não guardou ressentimentos eleitorais pelo impeachment de Dilma Rousseff. Com as bênçãos de Lula e o imprimatur de Gleisi Hoffmann, o partido negocia alianças em seis estados, entre os quais Piauí e Paraná, com o MDB e o PP, que votaram em peso pelo afastamento de Dilma

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16.05.18
ED. 5868

Sondagem relâmpago RR: Lula e PT estão fazendo da esquerda um pastel de vento

O Brasil está deixando a esquerda de lado. E o PT, em última instância, é o responsável por essa tendência. O RR ousa essa afirmação com base em sondagem relâmpago junto a 4.100 assinantes, escolhidos aleatoriamente. Dessa amostragem, 212 responderam às provocações. Foram feitas duas perguntas simples. A primeira: “Na sua avaliação, está ocorrendo uma migração ideológica no país? Se positivo, ela se dá entre que campos políticos?” O RR também perguntou aos assinantes: “Quem é o responsável por esse deslocamento?” As alternativas apresentadas foram os nomes de todos os partidos, com uma subpergunta aberta diretamente associada: “A partir de quando esse deslocamento se iniciou?”

Entre os consultados, 51% afirmaram que há, sim, uma migração ideológica no Brasil e ela ocorre do campo da esquerda para o centro. Um percentual de 76% aponta o PT como gerador dessa “desesquerdização”. E 47% indicam o ano de 2017,marco do calvário de Lula e véspera da comemoração do aniversário de 200 anos de Karl Marx, como período de infecção mais aguda do socialismo no Brasil. O RR não arrisca dizer que se trata de uma septicemia, até porque os dados são simplórios e sua leitura pode estar contaminada por viés de todos os lados, a começar pela base de assinantes da newsletter, majoritariamente conservadora.

A enquete não passaria de um divertido e incompleto teste se os seus resultados não fossem ao encontro do que dizem, de forma matizada, intelectuais de esquerda, tais como o petista Tarso Genro, o ex-petista (mas obcecado pelo PT) Francisco de Oliveira, Jessé de Souza e, em uma galáxia maior, o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos. Em análises variadas, o processo de “desesquerdização” estaria vinculado ao comportamento do PT no governo. A leitura do posicionamento desses analistas permite resumida conclusão. O partido teria cedido em demasia desde a primeira hora, com o advento da Carta ao Povo Brasileiro, a fixação em manter uma “coalizão baleia de aliados” no Congresso – com os custos obrigatórios dessa decisão -, o abandono de uma agenda de reformas desenvolvimentistas e a incapacidade de comunicação das suas lideranças no momento em que a esquerda, encarnada pelo PT, foi naturalmente associada à corrupção pelos seus opositores.

O ponto de maior fadiga do material seria o mais recente período dos preparativos para a prisão de Lula. Na emulsão do ex-presidente com o PT, Lula é dominante. Sendo assim, é condutor de todas as decisões do partido, com a concordância absoluta dos seus acólitos. O ex-presidente suspendeu a luta política com base em um discurso de esquerda e condicionou a batalha eleitoral, hoje caminho fundamental para a reafirmação ideológica, a um substrato da sua questão penal. Em uma visão impressionista, não há mais PT no ringue, não há mais esquerda – cujos direitos de representação, no Brasil, são de domínio quase exclusivo do partido – dividindo o espectro ideológico.

Só há a prisão de Lula e a coação de que o futuro da esquerda, pelo menos no curto prazo, dependerá do reconhecimento da sua inocência e absolvição. Tal como na pintura de Goya sobre Saturno devorando seu filho, Lula estaria triturando o PT, o socialismo e os retalhos da utopia da solidariedade. Essa autofagia do PT, com os seus movimentos que empurram o partido para fora do game político, tem permitido que jogadores que não são da esquerda se apoderem dessa patente, casos de Ciro Gomes e de Marina Silva.

Ambos ocupam um terreno baldio. Capturam o campo de esquerda pela ausência ou eclipse de seus moradores originais. Trazem para um “centro pragmático” – eufemismo para uma “nova direita arejada” – palavras soltas do pensamento progressista para ilustrar o pavilhão do seu grêmio político. Vai ver essa alternância é saudável, o ciclo do socialismo de raiz passou e o melhor para as esquerdas é mesmo saírem de cena para fazerem sua autocrítica. Quem sabe?

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26.04.18
ED. 5855

Chapa Ciro-Haddad pode levar a indulto de Lula

O grande temor da centro-direita começa a ganhar contornos de realidade: a chapa Ciro Gomes e Fernando Haddad está amadurecendo. E traz ao fundo os dizeres “Lula livre”. A moeda de troca do PT para abrir mão da candidatura própria e fechar o apoio a Ciro seria a garantia de indulto do ex-presidente em 2019. A questão já foi abordada entre Ciro e Haddad. Além da reunião na manhã da última segunda-feira no escritório de Delfim Netto em São Paulo, que contou ainda com a presença de Luiz Carlos Bresser Pereira, ambos teriam se encontrado em outras duas ocasiões em pouco mais de dois meses.

Por ora, o mandato de Haddad é apenas para assuntar o tema. Mesmo com o compromisso do indulto presidencial por parte de Ciro, não há garantias de que Lula aceitaria o acordo. É pouco provável, inclusive, que ele saia do casulo da sua candidatura antes de agosto. Segundo integrantes do alto comando petista, ofereçam o que oferecerem a Lula, ele não entregará seus votos nem para um nome do próprio partido e muito menos para um aliado nesse período. É estranha a fábula construída por Luiz Inácio, que relata a história de um sapo barbudo que preferiu viver engaiolado a apoiar um sapo igual a ele.

O acordo em torno do indulto é feito sob medida para uma aliança PDT-PT: Ciro Gomes é o único candidato que aceitaria discutir a hipótese de conceder liberdade a Lula caso vença as eleições presidenciais. Uma moeda valiosa por outra: ao ser o “ungido” do ex-presidente, o pedetista colocaria os dois pés no segundo turno. Só algo imponderável tiraria a chapa Ciro-Haddad da disputa final. Devidamente pesados os prós e contras, Ciro poderia, inclusive, usar o próprio indulto de Lula como uma bandeira eleitoral para galvanizar o apoio do campo da esquerda em torno da sua candidatura e capturar o máximo possível do patrimônio eleitoral do ex-presidente. Ressalte-se ainda que a aliança teria o efeito de um strike sobre a atual configuração das candidaturas de centro-direita, que precisariam se reordenar em torno de uma dobradinha de calibre similar, como, por exemplo, Marina Silva-Joaquim Barbosa.

A julgar pelos recentes movimentos do STF, parece até haver, desde já, um dueto entre a Corte e Lula. Em um mundo simétrico, seria possível dizer que a coreografia do indulto já estaria sendo ensaiada, vide a decisão do Supremo de tirar de Sergio Moro trechos das delações de ex-executivos da Odebrecht contra o ex-presidente. Ressalte-se que, a rigor, a Constituição estabelece que a clemência de condenados é prerrogativa da Presidência da República. Em seu Artigo 84, Inciso XII, a Carta Magna diz que compete privativamente ao presidente a atribuição de conceder indulto e comutar penas – ambos dispositivos de alcance coletivo.

Cabe também a ele estabelecer os requisitos para a extinção da punibilidade de um determinado grupo de condenados – a graça só não se aplica a presos por prática da tortura, tráfico de drogas, atos de terrorismo ou crimes hediondos. Na atual circunstância, no entanto, independentemente do que reza a Constituição, é difícil imaginar que um eventual acordo desta natureza entre Ciro e Lula se consumaria sem passar pela agulha do STF. Não custa lembrar que, em março deste ano, atendendo a um pedido da Procuradoria Geral da República, o ministro Luís Roberto Barroso suspendeu parte do indulto concedido pelo presidente Michel Temer, impedindo a extensão do benefício a condenados por corrupção.

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23.04.18
ED. 5852

As inusitadas “prévias” do PT

A ideia do cientista político Alberto Almeida de que o PT deveria ter vários pré-candidatos fazendo campanha começa a dar filhotes de três olhos e sete cabeças. A julgar pela relação de Almeida com Lula, o ex-presidente mandou tocar a proposta para frente. E ela já vem repercutindo animadamente nas redes sociais, tendo o cientista político como abre alas. Na versão original, Fernando Haddad, Patrus Ananias e Jaques Wagner sairiam em campo como indicados pelo grande chefe Luiz Inácio.

O processo de escolha do candidato seria democratizado. Todos, portanto, estariam endossados por Lula. Em tese, eles multiplicariam a campanha, como multi-pré-candidatos percorrendo várias regiões do país ao mesmo tempo. Em setembro, por ocasião do encerramento para homologação da candidatura pelo TSE, uma pesquisa definiria o candidato lulista definitivo em função da maior intenção de votos. Os filhotes monstrengos do modelo de Almeida são gestados pelo excesso de abertura que o sistema idealizado permite para o surgimento de pré-candidaturas imprevistas.

Por que os ungidos por Lula seriam só três e não quatro ou cinco? E se Gleisi e Lindbergh quiserem testar o seu potencial? E Lula lá da prisão vai aprovar e reprovar os principais quadros do seu partido? Finalmente, já que Lula permanece candidato, como essa trupe rodaria o país para ser o candidato do ex-presidente que continua na disputa eleitoral mesmo estando inelegível? É de quebrar a cabeça. Tanta dispersão pode levar a uma definição de candidatos por múltipla escolha se o modelo contemplar o cruzamento de diferentes pesquisas eleitorais cujos resultados sejam distintos entre si.

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13.04.18
ED. 5846

Suspense total

A pesquisa Datafolha do fim de semana trará respostas a algumas questões chave da disputa presidencial:

. O coeficiente eleitoral de Lula após a prisão;

. As intenções de voto de Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Marina Silva;

. O percentual dos votos em Joaquim Barbosa;

. A mudança ou não do viés de baixa de Geraldo Alckmin.

. Os dados estatísticos de Henrique Meirelles, Rodrigo Maia e Michel Temer não são relevantes.

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09.04.18
ED. 5842

Temer é a peça central do golpe no Judiciário

Costura-se com linha fina um golpe do Legislativo no Judiciário. O assunto, conforme se sabe, começou a ser tratado já na madrugada da última quinta-feira, após a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou o habeas corpus contra a prisão do ex-presidente Lula. A manobra se daria em três atos: a convocação em sessão extraordinária do Congresso para discutir a PEC da presunção da inocência; a suspensão temporária da intervenção federal no Rio de Janeiro; e a votação urgente da PEC. Já se encontra na Câmara uma proposta de emenda de autoria do deputado Alex Manente (PPS-SP) que defende a prisão, mesmo se ainda houver possibilidade de recurso.

A minuta da PEC de Manente seria esquartejada, buscando constitucionalizar todos os recursos e instâncias de forma a que não haja qualquer dúvida de interpretação. Os parlamentares sediciosos são unânimes que o barco do Judiciário está à deriva, circunstância mais que perfeita para a abertura da caixa constitucional, ampliando as salvaguardas judiciais para o caso de condenação, ou seja, expandir o transitado em julgado. Os insurretos, e não são poucos ou desimportantes – contando com o apoio de um notório juiz –, pretendem levar o projeto à frente a despeito do resultado da apreciação pelo Supremo das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADC).

A expectativa é que o entendimento referente às ADCs caracterize ainda mais instabilidade do STF em relação ao tema, cujas decisões sobre presunção de inocência oscilam como as marés de julgamento a julgamento e juiz a juiz. Os interventores do Congresso afirmam que a Constituição em seu Artigo 5o já trata das condições para privação de liberdade. Só que cada juiz interpreta da sua maneira, transformando os dizeres constitucionais em uma prova de múltipla escolha.

O take over sobre o Judiciário seria uma resposta à judicialização da política pela tangente golpista. O pano de fundo, porém, seria a proteção que os parlamentares estariam erguendo em causa própria. O fator Lula seria o menos relevante nesse levante, pois haveria tempo para alguma permanência do ex-presidente na prisão  o sentimento da sua culpabilidade, e a PEC poderia não ser retroativa. O petista continuaria carta fora do baralho, melhor dizer das urnas. De uma forma ou de outra, a peça-chave do putsch no STF seria o presidente Michel Temer. Caberia a ele abrir a porteira para os congressistas solicitando a suspensão da intervenção no Rio. Seria o segundo golpe de Temer.

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23.03.18
ED. 5832

PT prepara a campanha do “Lula, lá” no Prêmio Nobel

Acredite quem quiser: o PT está discutindo seriamente a ideia de indicar Lula para o Prêmio Nobel da Paz. Nesta semana, um grupo de intelectuais ligados ao partido se reuniu no Rio de Janeiro para tratar da questão. A julgar pelo deslocamento de petistas de São Paulo até o Rio e da notória proximidade de alguns dos personagens com o ex-presidente, é possível deduzir que o próprio Lula tem
conhecimento e, no limite, estimula a articulação. Ou seja: ao que tudo indica, não se trata de uma iniciativa voluntarista e isolada e tampouco de uma ideia solta no ar. O “projeto Nobel” contém, implícita, uma estratégia para lidar com a prisão do ex-presidente. Esta questão não foi aventada na reunião, mas está latente que a campanha pela premiação é um plano para redimi-lo posteriormente, ou seja, uma espécie de “Mandelização” de Lula. É como se houvesse um único objetivo, uma meta glorificante. Entre os petistas presentes no encontro, a posição unânime é de que ele permanecerá no pleito até o fim. O discurso é o mesmo do seu líder: renunciar à
disputa eleitoral é admitir a culpa. Os candidatos a pré-candidatos do PT são tratados como uma espécie morta. Não existem o campo da esquerda e muito menos a disposição de apoiar um nome de fora do partido. Por incrível que pareça, só existe o Prêmio Nobel de Lula.

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21.03.18
ED. 5830

Brasil Livre, de quem?

O líder do MBL, Kim Kataguiri, quer capitalizar ao máximo a próxima segunda-feira, data prevista para o julgamento dos recursos de Lula no TRF4. Está organizando uma celebração no Centro de São Paulo caso se confirme o pedido de prisão do ex-presidente. Pretende também aproveitar a ocasião para anunciar sua candidatura à Câmara dos Deputados. Se Flavio Rocha deixar, o incontinente Kataguri lança o nome do empresário à Presidência.

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20.03.18
ED. 5829

A falta de contrição de Lula

Segundo a Rádio Lula, o ex-presidente atravessou os três últimos dias se rasgando por dentro. Por muito pouco, o líder popular não partiu junto com a militância para protestar pelo assassinato de Marielle Franco e carpir sua morte em público. Esse seria o Lula em estado bruto. Foi contido pelo Lula apenado, que calcula os passos cada vez mais pragmaticamente. Ele considerou que sua presença nas manifestações seria percebida como oportunista, preparatória de eventos similares após a decisão do STF, manipuladora da tragédia de Marielle. Pode ser que nada disso fosse aventado. Mas Lula intuiu que o risco existia. Preferiu a prudente discrição e não pegou a carona. Essa missão ficou para o PT, que embolou o assassinato com a condenação. Mesmo tratando o assunto com frieza incomum, o ex-presidente acha que captura a tragédia. O ambiente de protesto, raiva e dor lhe é favorável. Pode ajudar na convocação da militância às ruas. É absolutamente provável que a população que foi às lágrimas com Marielle nem sequer tenha prestado atenção no seu distanciamento. Mas também pode ter exaurido o seu pranto.

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07.03.18
ED. 5820

O chumbo trocado entre Lula e Ciro não dói

Pode estar redondamente enganado quem enxergar somente tontice ou frouxidão no comportamento do líder do PT. À primeira vista, as palavras recentes de Lula remetem a um personagem sem generosidade política, até certo ponto covarde. A razão da sua insistência na disputa eleitoral seria a demonstração da sua inocência. O ex-presidente transformou sua candidatura em prova de defesa, e não o contrário. Lula afirma que, ao abandonar o pleito e buscar um substituto, estaria confessando tacitamente que é culpado.

Trata a questão de forma messiânica, como se não soubesse da sua situação. É condenado, inelegível, corre o risco de prisão, mas não arreda pé. Sua verdade seria maior do que a da Justiça. Ao perder tempo precioso para a transferência de votos a outro candidato estaria revelando só egoísmo e descaso com o campo das esquerdas. Há quem pense diferente. E se Lula estiver apostando que anunciar seu substituto agora seria queimá-lo bem antes das eleições?

Qualquer nome que tenha a indicação do líder do PT será imediatamente metralhado. A prudência se aplica, sem exceção, a qualquer que venha a ser o candidato do partido. E vale especialmente para Ciro Gomes. Por essa lógica, a manutenção da candidatura Lula seria um blefe e ao mesmo tempo um ato de proteção aos potenciais candidatos a sucedê-lo. Com Ciro, a recorrente troca de farpas poderia ser interpretada como um falso chumbo cruzado: os dois trocam tiros de festim para se proteger.

O objetivo do teatro seria preservar o político pedetista, um jogo estranhamente cooperativo no qual ambos aparentemente perdem agora para ganhar depois. Pode ser que as intenções de Lula sejam mesmo as mais rasteiras, e seu interesse já tenha se descolado da causa. O ex-presidente só estaria pensando em cuidar dele mesmo. Mas ficará nos anais das operações de inteligência eleitoral uma jogada em que estivessem sendo ludibriados os petistas, os aliados, a direita, a mídia, todos nós…

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01.03.18
ED. 5816

PSB flerta com Ciro, ou Lula, ou tanto faz…

Enquanto o PSB não decide se lança candidato próprio ou apoia um “estrangeiro”, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, tem se aproximado gradativamente de Ciro Gomes. Não custa lembrar que na semana anterior ao Carnaval, Câmara, um dos principais nomes do partido no Nordeste, esteve reunido com o ex-presidente Lula na sede de seu Instituto em São Paulo.

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28.02.18
ED. 5815

Eleições contemplam do plebiscito da privatização ao fundo de desestatização no atacado

O ex-presidente Lula, sabidamente um antiprivatista, recebeu da sua assessoria econômica, na semana passada, sugestão para que realize um plebiscito sobre a venda das estatais. Antes que se pense em oportunismos e narrativas eleitorais, a consulta popular não está para Lula como a intervenção federal no Rio para Michel Temer. A expectativa dos autores da ideia é que a privatização seja aclamada nas urnas. A imagem das companhias estatais foi uma das principais atingidas com a operação Lava Jato.

O plebiscito, caso favorável, liberaria o ex-presidente do seu compromisso com o estatismo. Se a decisão fosse antiprivatista, melhor para Lula, que ficaria onde sempre esteve. O mais provável, ressalte-se, é que o ex-presidente se torne inelegível e a proposta fique guardada na cachola dos seus conselheiros. O relevante, contudo, é que a privatização vai chegando ao coração da esquerda. Com diferenças de ênfase na aprovação da medida, o trio de potenciais substitutos de Lula na disputa pela Presidência – Fernando Haddad, Jaques Wagner e Ciro Gomes – não engrossam as hostes estatizantes.

A candidata Marina Silva, que ideologicamente se situa em um ecossistema desconhecido, é hoje privatista até mesmo quando quer disfarçar que não é. Como toda regra tem exceção, o provável candidato do PSOL à Presidência da República, Guilherme Boulos, performa como isolado baluarte antiprivatista. Como o PSOL não passa de um átomo no macrocosmo da política nacional, as convicções de Boulos não alterarão o rumo de desmobilizações dos ativos públicos desde já traçado.

Todos os demais candidatos defendem com unhas e dentes que o Estado se desfaça das suas empresas. O saldo das antigas e novas adesões criou um cenário único: é inimaginável o país atravessar o período de 2019/2022 com o mesmo quadro de grandes estatais – ver RR de 18 de janeiro. Todos os presidenciáveis estão alinhados: dos mais contidos, como Ciro Gomes, aos mais disparatados, como Jair Bolsonaro. O capitão, inspirado pelo seu guru, o economista Paulo Guedes, namora privatizar no atacado. Transferiria todas as estatais para um fundo cujo valor seria abatido da dívida pública, fazendo uma espécie de recuperação judicial do passivo interno federal. O Brasil com diminuto número de empresas estatais era inimaginável. Agora, tudo indica que é inevitável. Para o bem ou para o mal.

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26.02.18
ED. 5813

Termômetro

Uma decisão proferida pelo ministro Edson Fachin na última quinta-feira foi recebida com apreensão pela defesa de Lula. Ao indeferir pedido de habeas corpus para o agente da Polícia Federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o “Careca”, condenado na Lava Jato, Fachin confirmou a tendência de o STF acompanhar as decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) neste tipo de matéria. O STJ já havia negado habeas corpus para “Careca”. Assim como negou recentemente para o ex-presidente Lula e o ex-ministro Henrique Alves.

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16.02.18
ED. 5807

Lula ensaia os versos da sua “Canção do Exílio”

Há algo que aproxima Lula de Ciro Gomes bem além das afinidades ou acordos de campanha eleitoral: o exílio do primeiro. Para ser mais exato, o exílio pela metade, pois não consta dos planos petistas mandar seu líder para o exterior. O ex-presidente não tem a áurea de santidade de Nelson Mandela ou a resistência psicológica de José Dirceu. Lula ficaria no Brasil, perto e longe do cárcere, encafuado em uma embaixada, articulando, gravando vídeos e regendo a banda de dentro daquele enclave estrangeiro no país.

Ciro tem o perfil sob medida para ser o anjo vingador do ex-presidente. Lula exilado precisa de quem o defenda, quem acenda fogo nas eleições, quem vocalize a liderança do PT com uma língua de labaredas. O cearense é exatamente essa encarnação. Esse modelo afastaria dois concorrentes a sucessores de Lula:Jaques Wagner e Fernando Haddad. Wagner transparece um certo gingado do espaguete western italiano à moda baiana; pura combinação de bonomia com a malemolência de Santo Amaro.

Já Haddad mais parece um sacristão, com imensurável capacidade para o perdão e discutível poder de indignação. Pelo enredo que circula em bem frequentadas esquinas petistas, a militância cercaria a embaixada escolhida montando um acampamento permanente. Ali, em meio à vigília, seria reduto do mito. Enquanto isso, Ciro montaria no seu cavalo Silver, com duas pistolas prateadas no coldre, e tome de tocar agitação nas cidades e na mídia.

Por essa lógica Lula passaria ao largo da prisão e com a eleição do seu ungido deteria uma forte influência no governo. O certo é que não só o PT pensa nessas cada vez mais heterodoxas saídas para tentar manter o ex-presidente no game como a situação sente-se muito incomodada com a hipótese do enfrentamento com um candidato que conhece suas intimidades, tem a agressividade como característica e estará adornado com as vestes e armas de Lula. Um candidato Sátiro, meio Ciro, meio Lula, parece ser o que as oposições podem apresentar de mais competitivo nas atuais circunstâncias.

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02.02.18
ED. 5800

Lula 2018

Enquanto o novo dono da festa não chega, o PT vai marcando comícios para o lançamento da candidatura de Lula. Os próximos serão realizados em Belo Horizonte, São Paulo, Rio e Recife até o fim de fevereiro.

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02.02.18
ED. 5800

Doutores do obituário

Nos últimos dias, foi criado um grupo de WhatsApp para discutir a estratégia de defesa de Lula, reunindo não apenas Cristiano Zanin, mas também o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardoso, o jurista Alberto Toron e o ex-prefeito Fernando Haddad, formado em Direito pela USP. Agora que o destino do ex-presidente já parece traçado…

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29.01.18
ED. 5796

Gritos do silêncio

CUT e PT estão organizando atos de desagravo a Lula em diversas capitais do país. Os protestos culminarão com uma manifestação conjunta no dia 19 de fevereiro, data da votação da reforma da Previdência. Do jeito que anda o animus das ruas, pode até acontecer tudo, a começar por não acontecer nada.

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26.01.18
ED. 5795

Condenação de Lula impulsiona o nome de Ciro Gomes

A julgar pelo levantamento das redes sociais e pela reação da militância jovem do PT, Ciro Gomes ganhou considerável terreno nas últimas 48 horas. Segundo empresas de medição que trabalham para o próprio pré-candidato, o número de menções a Ciro nas mídias digitais teve um crescimento vertiginoso a partir da noite da última quarta-feira, pouco depois do anúncio da condenação de Lula no TRF4. O próprio pedetista tratou de impulsionar seu nome nas redes ao postar uma nota de apoio ao ex-presidente no Facebook. Até ontem à noite, a publicação contava com mais de dez mil curtidas, o maior grau de engajamento alcançado por um post no perfil oficial de Ciro. A reação não significa que o pedetista será o “ungido” caso Lula seja efetivamente alijado da disputa eleitoral. Mas revela que, diante das circunstâncias, os ventos parecem soprar na direção do “Cirão das Massas”. No momento, Ciro Gomes representa aquilo que os dois candidatos a “poste” de Lula – Jaques Wagner e Fernando Haddad – não entregam: uma boa dose de confronto e litigância. Em outras palavras, Ciro seria o “bad boy” que o PT e Lula não têm.

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26.01.18
ED. 5795

Lei do silêncio

Michel Temer, digamos assim, orientou seus ministros a evitarem qualquer declaração sobre a condenação de Lula no TRF4. Talvez a “mordaça” sirva mais para proteger seus colaboradores mais próximos do que o ex-presidente. O que não falta no Ministério de Temer é pedra que poderá se transmutar em vidraça.

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26.01.18
ED. 5795

Pingo nos is

Na edição de ontem do RR, há um erro de digitação no último parágrafo da matéria “Lula avalia indicar o seu ́poste ́ antes da prisão”. O correto é “o esforço de curtíssimo prazo do PT para não deixar que o ambiente de velório, necessário em um primeiro momento, contamine…”

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25.01.18
ED. 5794

Lula avalia indicar o seu “poste” antes da prisão

“O que fazer?” A pergunta de Vladimir Ilyich Ulyanov, vulgo Lenin, popularizada em opúsculo do mesmo nome, invadiu a alta cúpula do PT logo após a condenação de Lula por unanimidade no TRF4. Segundo o RR apurou, intramuros os dirigentes do partido já dão como certa a prisão do ex-presidente a partir do fim de março, prazo em que os embargos declaratórios deverão ser apreciados pela própria Corte. Com a punição, a estratégia de esticar a candidatura até o mais perto possível do limite para homologação pelo TSE (15 de agosto) vai para o espaço.

Lula poderá passar grande parte da campanha eleitoral na cadeia. E o que fazer? Indicar o “poste” antes da prisão? Com a iminência do cárcere, a estratégia de anúncio do substituto do ex-presidente ganha o caráter de urgência urgentíssima. Pela avaliação dominante no PT, Lula precisa passear com o seu candidato pelo braço antes de ser preso. Ao mesmo tempo é preciso vitimizá-lo, a essa altura a fórmula capaz de valorizar a influência eleitoral do ex-presidente caso o seu encarceramento se confirme.

Esticar ao limite a candidatura Lula ou antecipar a escolha do nome que efetivamente estará na urna eletrônica em outubro? Eis a questão. Sob a ótica petista, o ideal é que a defesa do ex-presidente consiga postergar ao máximo sua prisão. Por mais tautológica e universal que a afirmação possa soar, neste momento a preocupação do partido é menos jurídica e mais política; menos humanística e mais pragmática. O PT precisa ganhar tempo para executar dois movimentos conjugados: vestir a camisa do novo candidato e tornar ainda mais trágico o calvário de Lula. O objetivo é extrair ao máximo sua carga simbólica e seu poder de persuasão sobre o eleitorado. Mesmo que Lula venha a ter sua prisão adiada ou mesmo não seja punido – hipóteses hoje improváveis -, o timing de transmissão da candidatura tornou-se central, dado que é certa a sua inelegibilidade e as alianças políticas dependem da definição do seu substituto.

Outra variável chave para o PT será o acompanhamento do impacto que a condenação terá sobre a popularidade de Lula, a mídia, notadamente a internacional, e o eleitorado. Um exemplo: está prevista para a próxima semana a divulgação da primeira pesquisa Datafolha após a decisão do TRF4. E se o resultado apontar para uma subida expressiva das intenções de voto no futuro presidiário? Some-se a isso o esforço de curtíssimo prazo do PT para não deixar que o ambiente de velório, necessário em um primeiro momento, contamine o estímulo à indignação, sem a qual Lula assistirá sua simbologia mofar na cadeia e seu poste cair por terra.

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25.01.18
ED. 5794

Estilhaços de Porto Alegre

Contratado para produzir o mais recente programa eleitoral do PT, o publicitário Sidônio Palmeira deverá ser confirmado como marqueteiro da candidatura do partido à Presidência da República. Sidônio comandou as duas vitoriosas campanhas de Jaques Wagner ao Governo do Bahia. Pode não significar coisa alguma; pode significar muita coisa…

Como se não bastassem o martírio judicial de Lula e a dramática escassez de novos quadros, o PT está prestes a perder uma fatia importante da sua ala jovem. Cerca de 50 diretores do movimento estudantil UJB, um dos maiores do país, deverão anunciar nos próximos dias sua desfiliação. A maioria passará a vestir a camisa do PSB.

Ontem, a entrevista de Fernando Haddad ao Estadão no último fim de semana ainda ecoava entre os dirigentes do PT. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann, não escondia a irritação com o discurso de Haddad, notadamente em relação à reforma da Previdência. Na cúpula do partido, houve quem perguntasse se Haddad virou garoto-propaganda de Temer.

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24.01.18
ED. 5793

Insubstituível

Lula tomou a decisão de ir a Porto Alegre na noite da última segunda-feira, por volta das 22 horas, após conversas com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e seu antecessor, Ruy Falcão. Pesou o alerta de líderes de movimentos sociais e de dirigentes do partido de que a
mobilização para as manifestações de hoje estava aquém do esperado devido à ausência do protagonista.

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23.01.18
ED. 5792

O dia D

A expectativa na direção do PT é que, em caso de condenação de Lula, o “comandante” José Dirceu faça um pronunciamento amanhã, via mídias sociais, logo após a decisão do TRF4.

Máscaras de Sérgio Moro com orelhas de burro serão distribuídas à militância do PT, em Porto Alegre. A indumentária é forte candidata a ser o hit deste Carnaval.
….

A cúpula da segurança de São Paulo colocou de prontidão toda a tropa de choque da Polícia Militar para amanhã. Quem for à Av. Paulista verá talvez a maior concentração de PMs da história de São Paulo.
….

Se Lula for condenado, o MST e a Frente Brasil Popular RS pretendem manter os acampamentos próximos ao prédio do TRF4, em Porto Alegre, até o fim de semana. O objetivo é esticar a repercussão da vigília, notadamente junto à mídia internacional.

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22.01.18
ED. 5791

Lula e Meirelles: quem disse que não tem mais jogo aí?

Engana-se quem pensa que Luiz Inácio Lula da Silva e Henrique Meirelles são desafetos, nutrem antipatia mútua ou são incapazes de pequenas colaborações, até mesmo em tempos de guerra. Dois meses antes do fim do ano, o ministro da Fazenda, em meio ao tiroteio político, fez chegar ao ex-presidente, por intermédio de um advogado e amigo em comum, um breve arrazoado com medidas que considera relevantes para que o país reencontre uma trajetória de desenvolvimento duradouro, além da próxima década. Para efeito de formalidade, apenas uma gentileza.

Mas o subtexto é de que se tratava de uma contribuição sobre pontos limítrofes além dos quais os acordos seriam impossíveis. Meirelles esteve no grupo que originou a Carta ao Povo Brasileiro. Não há qualquer comparação entre aquela circunstância e a atual. Lula e Meirelles são adversários políticos e poderão vir a ser concorrentes na eleição presidencial. Ambos, contudo, são pragmáticos. Trocam mesuras através de terceiros.

E se poupam claramente em seus pronunciamentos públicos. É improvável que voltem a despachar juntos. Mas é bem possível que, caso Lula retorne ao governo ou mesmo eleja um dos seus “postes”, Meirelles venha a ser recrutado para um posto “distante e perto”. Algo como a Embaixada brasileira em Washington. Meirelles adoraria. E não custa recordar que nem Lula nem o PT têm mais a oferta de quadros de que dispunham no passado. Vão ter mesmo de recorrer àqueles que não estão tão longe, mas também não estão tão próximos. São poucos.

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22.01.18
ED. 5791

FHC lelé?

Frase atribuída ao ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes: “O FHC está lelé”. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou, na última sexta-feira, que “O Lula tem partido, história e trajetória. Você pode gostar ou não, mas ele tem compromisso”

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18.01.18
ED. 5789

Privatização será a agenda do próximo quadriênio

Não é possível dizer com absoluta certeza que as estatais têm um encontro marcado com a privatização no quadriênio 2019/2022, mas essa probabilidade é enorme. À exceção óbvia de Lula, que tem como bandeira a preservação do status quo das grandes empresas do Estado, os demais candidatos à Presidência ou defendem a desestatização abertamente ou se mostram ao menos sensíveis à medida. A julgar pelas suas próprias declarações ou de seus assessores, Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Eletrobras e Embrapa, só para citar as mais votadas, se tornarão public company ou serão simplesmente transferidas para o setor privado.

O ambiente político, segundo o discurso desses candidatos, estaria maduro para a privatização dos ícones do Estado. O exemplo da Eletrobras é convincente. Não houve nenhuma reação à medida além dos entraves de praxe na burocracia e na área jurídica. O candidato Jair Bolsonaro já afirmou que privatizaria a Petrobras, para início de conversa. Seu virtual ministro da Fazenda, Paulo Guedes, teria vendido todos os ativos da União há meio século. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, o “Chuchu”, é mais cauteloso; murista conforme a tradição tucana. Mas seus assessores econômicos Marcos Lisboa, Roberto Gianetti e José Roberto Mendonça de Barros não deixam dúvida sobre suas convicções privatistas. Mesmo que alguma parte do estoque seja preservada.

Se Luciano Huck vier candidato, a desestatização já é dada como certa. Seu inconteste futuro ministro da Fazenda, Armínio Fraga, está rouco de defender a medida. Igualmente enfático é o principal assessor de João Amoedo, candidato do Partido Novo, o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que namora uma candidatura pelo PSB, não tem dúvidas: “Tem que privatizar”. Ele enxerga na medida uma forma de coibir as práticas ilícitas que grassam no Estado. Marina não fala sobre o assunto, aliás, pouco fala sobre qualquer coisa. Mas seu vistoso assessor da área econômica, Eduardo Gianetti, está no time da privatização. Henrique Meirelles – o pré-candidato “dois em um”, que traz a tiracolo ele próprio como seu Ministro da Fazenda – já disse que a privatização é uma “agenda nacional” e “ainda tem muita a coisa a vir nesta área”. Sobra quem? Ciro Gomes, que oscila entre meter o pau nas estatais e afirmar que elas são fundamentais para alavancar o  projeto de desenvolvimento nacional.

Digamos que Ciro pouparia a Petrobras. Para o mal ou para o bem, o mercado já está valorando as estatais. A consultoria estrangeira Roland Berger estima que está entre R$ 400 bilhões e R$ 500 bilhões o preço de 168 estatais e 109 subsidiárias da União. Há razões ideológicas e até fetichistas na pulsão de venda ou destruição das estatais. Mas a verdade é que ela explicita o desespero em relação ao trade off entre as demandas legítimas da democracia – e suas despesas respectivas – e a incapacidade de cortar os gastos até o osso, atendendo ao mesmo tempo à exigência de crescimento com justiça social. É um enrosco e tanto a banalização do ajuste fiscal, quer seja pelos argumentos de direita ou de esquerda.

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18.01.18
ED. 5789

MBL corre contra o tempo para encher as ruas

A decisão do Movimento Brasil Livre (MBL) de transferir da Avenida Paulista para o Largo da Batata as manifestações marcadas para o dia 24 de janeiro não está relacionada à segurança, mas, sim, à “bilheteria” dos eventos. Até o momento, mesmo com todo o trabalho de impulsionamento nas redes sociais e com o alvoroço que cerca o julgamento de Lula, o número de confirmações contabilizado na internet ainda está bem aquém do imaginado pelos líderes do MBL. Mas ainda há quase semana para os influenciadores digitais, robôs e afins fazerem seu trabalho.

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17.01.18
ED. 5788

PT se multiplica para o 24 de janeiro

A mobilização da máquina de militância do PT para o 24 de janeiro só encontra paralelo nos dias de eleição. Além dos mais seis mil comitês populares lançados no último fim de semana, o partido vai utilizar residências de filiados como “centros logísticos” de apoio aos mais diversos atos e manifestações programados para a próxima quarta-feira. A expectativa do alto comando do PT é ter em todo o país mais de 30 mil pontos para a distribuição de panfletos, bandeiras, além da própria reunião de militantes. Já no sábado, os “aparelhos” começarão a receber impressões gráficas e outros materiais, provenientes de dez capitais onde o PT concentrou a produção dos estandartes e adereços do 24 de janeiro. Tudo, ressalte-se, com a recomendação expressa à militância de evitar manifestações hostis – vide RR na edição de 10 de janeiro.

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A direção do PT está dando especial atenção à guerra nas redes sociais às vésperas do julgamento do TFR4. Os petistas vão convocar todos os blogs aliados. Querem invadir as redes. Lulistas e não-lulistas que se cuidem com o que promete ser o “dia nacional do fake news”.

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16.01.18
ED. 5787

Ajuda ou atrapalha?

Às vésperas do julgamento no TRF4, Dilma Rousseff tem falado com Lula quase todos os dias. Já avisou que estará em Porto Alegre no dia 24. Só não se sabe se a presença de Dilma mais ajuda ou atrapalha…

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10.01.18
ED. 5783

PT joga água fria na fervura do 24 de janeiro

A cúpula do PT está preocupada com a “dosimetria” da reação da militância caso Lula seja condenado por unanimidade pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4a Região), de Porto Alegre, no dia 24 de janeiro. Se a condenação for por dois terços – o TRF-4 é composto por três juízes –, a expectativa dos petistas é de que haja uma grande festa após o anúncio da sentença. Ninguém acredita que exista um pedido de vista e a decisão seja protelada. A condenação pelos três juízes é que causa apreensão, mesmo com a prisão – um dos fatores mais tensivos – já descartada pelo próprio TRF-4. Não bastasse a questão da sensatez, Lula não quer que as ruas virem uma praça de guerra por uma razão lógica.

Um quebra-quebra atrapalharia seus planos de seguir candidato e atrair um eleitorado da classe média ainda refratário ao seu retorno. O discurso para a militância é o de que Lula será candidato de qualquer forma. Portanto, por ora, nada de bravatas ou desafios contra o Judiciário. O recado é para “que ninguém estimule a porrada”. Segundo a fonte do RR, a direção do PT ainda não fechou questão sobre o tipo de manifestação que deverá ser priorizada, mas a corrente hegemônica no partido defende o estímulo às vigílias na véspera do julgamento.

Elas têm uma conotação bastante pacífica e geram imagens de impacto para mobilizar as mídias do mundo inteiro. Porto Alegre seria a capital da vigília. A militância dos estados do Sul é o público-alvo a ser incentivado a participar do ato. A ideia é trabalhar a logística de acordo com a moradia da militância, evitando gastos com transportes. Até porque, o partido não tem dinheiro para isso. As vigílias nos outros estados devem correr em paralelo ao chamamento dos petistas às manifestações, que ocorrerão após a divulgação da sentença. Estão sendo feitas convocações de artistas para presença em palanques. No mapa de comícios do Nordeste, estão previstas dezenas de eventos. Seja qual for a decisão do TFR-4, o início para valer da campanha eleitoral de Lula será no dia 24.

Junto com seus assessores, Lula analisa a possibilidade de um pronunciamento prévio ao julgamento pedindo tranquilidade aos petistas. Os movimentos sociais estão sendo contatados com essa mensagem explícita. O recado também foi dirigido especialmente a Gleisi Hoffmann, Gilberto Carvalho e José Dirceu. Gleisi tem estado muito próxima de Lula, não somente por ser presidente do partido, mas também pela sua função de organizadora da militância para os eventos do dia 24. O ex-presidente sabe que a senadora não raras vezes descamba para uma linguagem radical. É preciso mantê-la mansa.

Quanto a Gilberto Carvalho e José Dirceu, os dois são os mais ativos petistas nas redes sociais. Os dirigentes do partido têm usado também seus canais para fazer chegar aos altos comandos da segurança pública a sua preocupação com as ruas. O recado é que todos estão trabalhando para que as manifestações sejam tranquilas. Lula ficará o dia em São Bernardo. Há divergências se após a divulgação da sentença ele daria uma entrevista coletiva ou se guardaria para o ato da Av. Paulista. Os dirigentes petistas têm particular inquietação com esse episódio. A Av. Paulista tem imensa visibilidade nacional.

É preciso, portanto, que se contenha a reação às provocações anunciadas antecipadamente por organizações antagonistas.De onde virá o problema é sabido. A líder do movimento Nas Ruas, a ativista Carla Zambelli, já começou a mobilizar os internautas para os atos marcados pelos grupos antiPT. No WhatsApp, pede para que os amigos  personalizem o avatar. Para isso, ela  envia uma montagem com a mensagem #lulanacadeia, um desenho do petista vestido de presidiário e o espaço onde entra a imagem do usuário. A ativista convoca o internauta para o que diz ser o maior tuitaço da história. No Facebook, o Movimento Brasil Livre (MBL), outro grupo antiPT, organizou um evento para o dia 24 chamado de CarnaLula. Até o fechamento desta edição, o encontro contava com quase quatro mil presenças confirmadas.

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09.01.18
ED. 5782

A cartilha de Levy

O documento encomendado pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy ao Banco Mundial, que criou celeuma por sugerir uma dura “agenda liberal” para o país cumprir a PEC do Teto, está sendo usado a torto e a direito pela assessoria de Lula. Como se sabe, o ex presidente prometeu que seu governo será disciplinado do ponto de vista fiscal. Mas, não quer apenas repetir Michel Temer e Henrique Meirelles. Pretende buscar ideias novas de diversas origens. O documento do Banco Mundial é abundante em propostas para o equilíbrio das contas públicas. E grande parte delas extingue com benefícios dos, digamos assim, endinheirados do país. No mesmo documento, há uma proposta detalhada para a adoção do imposto de renda negativa, entenda-se como uma política de renda mínima para todos os brasileiros.

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08.01.18
ED. 5781

Lula ensaia o papel de “Donald Trump dos pobres”

Lula já cantou a pedra por onde vai perseguir o crescimento da economia caso possa se candidatar e seja eleito presidente: “É a renda familiar, estúpido”. E será principalmente a renda da chamada “classe C ampliada”, uma categoria inventada pela própria gestão Lula, que combina as faixas de renda inferior com a classe média baixa. A recuperação do salário mínimo e a isenção de imposto de renda até cinco salários mínimos são medidas já anunciadas que correm nesta direção. No seu jeito galhofeiro, Lula diz que vai ser o “Trump dos pobres”, em alusão ao corte de impostos aprovado pelo presidente norte-americano, que privilegia os ricos e poderosos.

Em seus dois mandatos, o crescimento econômico foi soprado pelo aumento do poder de compra das famílias, bafejado pelo Bolsa Família, aumento do mínimo e crédito consignado. O ex-presidente não falou ainda, mas a cereja do bolo seria a criação da renda mínima, que cumpriria um papel unificador das políticas assistencialistas, além de ser um novo elo da reforma da previdência e definir um conceito inovador para o piso salarial do país. O assunto ainda vem sendo burilado pelos assessores de Lula, que está ansioso para anunciar o projeto nas ruas. O seu temor é que algum aventureiro lhe roube a bandeira e lance a proposta antes.

A renda mínima cabe em um espectro ideológico amplo, que vai de Jair Bolsonaro a Ciro Gomes. Lula tem no farnel a ideia de tributar os dividendos das pessoas jurídicas, que são praticamente isentos e funcionam como uma forma de burla fiscal para a acumulação das pessoas físicas mais ricas. Vai fazer o discurso do ajuste fiscal sem dizer de onde vai tirar. Fica para depois das eleições. Até lá segue na conversa que aprendeu muito bem com D. Marisa, que sabia economizar quando o orçamento da casa estava apertado.

O tirambaço de Lula está na área fiscal. Vai prometer uma redução da carga tributária total até o fim do seu governo, que se iniciaria com a isenção de impostos para os mais pobres. Acha que se for um bom animador e a economia crescer 6%, dá para baixar o estoque de tributos entre 3% a 5%. Lula quer afinar o discurso econômico para que, na hipótese do impedimento, ele possa servir de base programática para o entendimento com outros partidos e, quiçá, com um candidato a presidente de fora do PT. Apesar da pinta de zangado, é o programa mais liberal e comportado de Lula. Só vai ser ruim para a Rede Globo. Mas essa vendeta já está prometida não é de hoje.

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05.01.18
ED. 5780

Conexão Havana

José Dirceu está a pleno vapor. Além das declarações contra a “ditadura da toga”, tem enviado mensagens por WhatsApp conclamando a militância para manifestações no próximo dia 24 de janeiro, data do julgamento de Lula no TRF4. Dirceu tem dito a amigos que pode ocupar um papel de destaque na “reconstrução da esquerda” e na campanha eleitoral deste ano.

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02.01.18
ED. 5777

Eunício para todas as circunstâncias

Pragmático, o presidente do Senado, Eunício de Oliveira, atira para todos os lados. No Ceará, tem participado de um número  cada vez maior de eventos públicos ao lado do governador Camilo Santana (PT) e, não raramente, rasga elogios a Lula; quando volta para Brasília, faz juras de lealdade ao presidente Michel Temer.

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02.01.18
ED. 5777

Pedido redobrado

No recente encontro que tiveram durante a inauguração de um campo de futebol do MST em São Paulo, Lula reforçou o pedido para que o embaixador Celso Amorim dispute a eleição ao governo do Rio. Assim fica difícil recusar…

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28.12.17
ED. 5775

O dia em que José Dirceu recebeu a graça de Lula

O comandante José Dirceu de Oliveira e Silva acordou no dia 1 de janeiro de 2019 como se fosse a primeira data do resto da sua vida. Tinha o hábito de dormir de pijama no estilo Príncipe de Gales. Levantou com trejeitos de um militar cubano para fazer a higiene bucal. Era a hora de abrir o corrediço de nome slide fastener, um dos mais antigos e tradicionais zíperes do mundo, inventado em 1917 pelo sueco Gideon Sundback. Durante anos o fecho éclair foi de uma ajuda e tanto para manter os lábios cerrados. Uma exceção se deu na véspera do Natal de 2017, em uma espécie de minicomício na internet, na página Nocaute, do escritor e amigo Fernando de Moraes. No decorrer de 2018, Dirceu cometeu novos hiatos nesse silêncio, estimulando a candidatura de Lula.

O ex-presidente não é só um companheiro de viagem ou correligionário. É sua chave para a vida. É Lula presidente e Dirceu livre para voar. E governar, por que não? No fundo da imaginação, ele ouve o estribilho: “Dirceu guerreiro, comandante do povo brasileiro”. Lula atravessou a segunda instância, o STJ e o STF. Cumprida essa epopeia, tinha chegado a hora do indulto. Foram 7.665 dias de prisão e 607 dias de cárcere privado, trocando com Lula mensagens cifradas. Durante esse tempo inteiro, Dirceu estudou de ponta a ponta o roteiro jurídico da sua alforria, que passava obrigatoriamente pelo retorno de Lula ao Palácio do Planalto. Em seu Artigo 84, Inciso XII, a Constituição dá ao Presidente da República o direito de conceder indulto e comutar penas. São instrumentos de alcance coletivo, por meio do qual o presidente estabelece prerrogativas para a extinção da punibilidade de um determinado grupo de condenados; todos aqueles que se encaixam nas normas estabelecidas estão livres do cumprimento da pena.

A tradição no país é que as regras para o indulto ou comutação sejam propostas pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), passem pelo Ministério da Justiça e sejam, por fim, sancionadas por decreto presidencial. Há ainda um instituto mais forte. Como presidente da República, Lula poderia conceder a José Dirceu a graça, perdão individual que remete a um poder imperial. Trata-se de um expediente raríssimo, assim como foi o domínio do fato.

São tempos de especiarias juridicantes. Dessa vez, não poderiam aludir que Dirceu cometeu a prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo ou os crimes definidos como hediondos, casos nos quais não se aplica a graça. A sua anistia estava bem protegida pela Constituição. Qualquer protelação jurídica contra um presidente consagrado pelas urnas, aí sim, o povo iria para as ruas. Uma questão de tempo. Dirceu abriu o zíper que lhe selava a boca. Mordaça nunca mais.

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26.12.17
ED. 5773

A esquerda em marcha até o dia 24 de janeiro

Líderes de partidos de esquerda e a direção do MST têm feito seguidas reuniões para montar a estratégia do Dia D de Lula, 24 de janeiro de 2018. Já a partir do dia 22, uma segunda-feira, haverá uma série de protestos em Porto Alegre em torno do julgamento do ex-presidente no Tribunal Regional Federal da 4a Região. Entre outras ações, o MST pretende instalar um acampamento em frente ao prédio do TRF. Guilherme Boulos, líder do Movimento, já está mobilizando artistas e celebridades da esquerda para reforçar o exército pró-Lula. Diante da astenia das ruas, há uma boa possibilidade de toda essa operação de guerra ter o efeito de um estalinho.

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20.12.17
ED. 5770

Sondagem revela que Lula tem o maior número de empresários fiéis; Bolsonaro passa em branco

Lula, por mais paradoxal que possa parecer, é o candidato vinculado ao maior número de nomes do empresariado. Por sua vez, Jair Bolsonaro está no extremo oposto: não consta sua ligação com os donos das grandes corporações privadas. Estas são algumas das constatações da sondagem realizada pelo Relatório Reservado junto a uma parcela da sua base de assinantes – no total, 128 pessoas, predominantemente empresários, executivos, analistas de mercado e advogados, entre outros. A verificação ocorreu entre 12 e 15 de dezembro. O RR indagou: “Quais são os empresários mais identificados com os seguintes pré-candidatos à Presidência da República?”

O levantamento indicou que há uma razoável confusão na vinculação entre empresário e presidenciável, dado o elevado grau de dispersão, a associação dos mesmos nomes a diferentes postulantes ou mesmo a ausências de indicações – na média entre todos os candidatos, 37% dos assinantes não souberam responder. O RR citará apenas as três primeiras colocações, quando houver. Ressalte-se ainda que os votos conferidos a empresários réus ou condenados na Lava Jato não foram contabilizados, devido a sua natureza eminentemente de ataque à imagem do candidato. Lula foi quem teve o maior número de empresários mencionados, 23. Segundo os consultados, Josué Gomes da Silva é o mais associado ao petista, com 7%. Certamente, a ligação entre o ex-presidente e o pai de Josué, José de Alencar, seu vice por oito anos, impulsionou as respostas.

A seguir, Jorge Gerdau, Katia Abreu, Luiza Helena Trajano e Walfrido Mares Guia, ministro do governo Lula, empatados com 4%. No terceiro lugar, com 2%, aparecem David Feffer e Armando Monteiro, ex-presidente da CNI. O oposto de Lula é Bolsonaro. Talvez o resultado que mais chama a atenção na sondagem, nenhum dos entrevistados conseguiu citar um empresário próximo ao candidato representante da extrema direita. Assim como a inexistência de identificação com um pensamento econômico, esta é outra lacuna de Bolsonaro. Ciro Gomes não chega a ter uma falta de aderência tão radical, mas também ficou clara a dificuldade dos assinantes do RR em apontar empresários ligados ao pré-candidato do PDT. Só dois nomes foram citados, por 5% e 3%, respectivamente, dos consultados: o de Carlos Jereissati, dono do Iguatemi, e o do presidente da CSN, Benjamin Steinbruch.

Certamente, a lembrança do empresário cearense foi motivada pela relação histórica de Ciro com Tasso Jereissati, irmão de Carlos. Já Benjamin até recentemente era patrão de Ciro. Segundo os entrevistados, os empresários mais identificados com Geraldo Alckmin são Roberto Setubal e Jorge Gerdau, empatados com 6%. Com 3% dos votos, vieram Abílio Diniz, Rubens Ometto e Beto Sicupira. Juntos, no terceiro lugar, com 1%, Nizan Guanaes, o presidente da Anavea, Antonio Megale, e o presidente da Fecomercio-SP, Abram Szajman. No caso de Marina Silva, deu o óbvio. Para 11%, Neca Setubal, herdeira do Itaú e fiel aliada, é a empresária com o maior grau de aderência a Marina. Em seguida, Guilherme Leal, da Natura, e Artur Grynbaum, do Boticário.

Candidato a vice na chapa de Marina em 2010, Leal foi lembrado por 7%. Grynbaum, recebeu 5% das indicações. Os entrevistados apontaram um total de seis nomes associados a Marina. Por fim, o mais “novo” candidato na praça: Michel Temer. Para 14% dos entrevistados, o presidente da Fiesp e correligionário Paulo Skaf é o empresário que apresenta a maior coesão com Temer. Quase que por atração gravitacional, o vice da Fiesp, Benjamin Steinbruch, ressurge em outra extremidade, chamado de “temerista” por 7% dos consultados. Jorge Gerdau, uma espécie de “PMDB do empresariado”, foi novamente citado, empatado com o ministro Blairo Maggi, ambos com 5%. Temer foi associado diretamente a 10 empresários. À exceção de Marina, Ciro e, obviamente, Bolsonaro, todos os demais candidatos foram vinculados a dirigentes condenados ou investigados na Lava Jato.

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19.12.17
ED. 5769

Factoide

O PT pretende entrar, ainda nesta semana, com uma apelação no Conselho Nacional de Justiça contra o Tribunal Regional da 4a Região. Entre outras questões, o partido vai contestar a celeridade no julgamento de Lula em segunda instância. A rigor, será mais uma peça para mobilizar a militância do que algo com alguma consequência jurídica.

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14.12.17
ED. 5766

Gritos do silêncio

O PT está desde já quebrando a cabeça em busca de saídas para que Lula consiga participar do debate político caso seja condenado a prisão domiciliar e impedido judicialmente de fazer qualquer manifestação pública. No partido, houve quem citasse o caso da ex-primeira-dama do Rio Adriana Ancelmo, que, mesmo sem ser julgada, foi proibida pela Justiça de ter acesso a telefone e internet em sua residência. Assim como foi lembrado que, da cadeia, Eduardo Cunha publicou dois artigos na Folha de S. Paulo. Em meio às incertezas, os mais otimistas acreditam que, mesmo impossibilitado de se pronunciar, o valor simbólico de Lula terá peso sobre a eleição. Lembrai-vos de Nelson Mandela.

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12.12.17
ED. 5764

Debate eleitoral promete quebrar o tabu sobre as reservas cambiais

O uso de reservas cambiais para aditivar os investimentos e melhorar a situação fiscal, medida que já foi classificada como uma panaceia das esquerdas, será trazida para o centro do debate em 2018. De acordo com a mais recente edição de Insight-Prospectiva, boletim informativo da Insight Comunicação distribuído aos assinantes no último dia 5, Lula tem esmiuçado o assunto com os economistas do PT, tais como Nelson Barbosa, Luiz Gonzaga Belluzzo, Marcio Pochmann e Ricardo Carneiro. Duas propostas são lapidadas.

A primeira passaria pelo BNDES e envolveria um encontro de contas. Banco Central e Tesouro, por meio das devidas transferências, capitalizariam a agência de fomento, de forma que ela não precisasse devolver os R$ 130 bilhões de empréstimos para cumprir a chamada “regra de ouro” – norma que proíbe o financiamento dos gastos de custeio do governo por intermédio da emissão de títulos públicos. Como o país carrega US$ 380 bilhões em reservas, o uso de US$ 50 bilhões do lastro cambial capitalizaria o BNDES acima dos 100% do que ele está escalado para devolver.

Uma das formas para a execução dessa operação seria por meio de recebíveis da disponibilidade do Tesouro Nacional depositadas em sua conta única no Banco Central. De janeiro a novembro, essa fonte, que somente está sendo utilizada para o gasto de despesas de custeio, financiou despesas de R$ 92,2 bilhões. Desde 2014, a conta única cresceu R$ 433 bilhões. A explicação seria a política de câmbio combinada com o alto valor das reservas.

No presente, essa fonte de financiamento está sendo utilizada pelo governo para evitar que ele quebre a “regra de ouro” e seja decretado como incapacitado. O saldo dessas tecnicalidades é que o BNDES teria mais recursos para fazer políticas proativas de fomento. Outro caminho cogitado nas conversas entre Lula e os economistas do PT envolveria o aumento do crédito interno por intermédio do Banco Central, medida, por sinal, que tem defensores fora das hostes petistas, caso do sócio da consultoria Tendências, Nathan Blanche. Nesta hipótese, o BC abriria linhas de crédito aos bancos públicos e privados, com base nas reservas.

As instituições financeiras, por sua vez, ofertariam os recursos às empresas para investimentos em concessões, privatizações ou mesmo greenfield. O BC teria uma remuneração maior para as reservas do que a obtida com o investimento em ativos no exterior – quase a totalidade do lastro cambial do país. E se o BC transferisse recursos das reservas diretamente para o BNDES, substituindo os aportes de recursos feitos pelo Tesouro, essa operação também teria o efeito líquido de rebaixar a dívida bruta.

Para Lula, empunhar a bandeira do uso das reservas cambiais traria um paradoxo que nenhum outro candidato precisaria enfrentar. A proposta exigiria do petista um contrapeso, com o anúncio de medidas conservadoras. Diminuir as reservas cambiais em um ambiente de insegurança internacional pediria um discurso antagônico à agenda de desconstrução das reformas liberais do governo de Michel Temer. Trata-se do corner imposto por Temer, sua maldição a quem se afastar demais da sua agenda.

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05.12.17
ED. 5759

Lula lá e acolá

Um badalado cientista político distribuiu, ontem, a seus clientes uma exegese da última pesquisa Datafolha. Alguns dos dados foram pouco ou nada comentados. Desde março de 2016, quando atingiu seu maior patamar (57%), o índice de rejeição a Lula vem caindo seguidamente. Hoje é de 39%. Paralelamente, o potencial de influência do apoio do ex-presidente a outro candidato sobe a ladeira. Cerca de 50% dos entrevistados admitiram a possibilidade de votar em um nome indicado por Lula. Em setembro, esse índice estava em 43%. Com o vento da preferência eleitoral soprando vigorosamente a favor do ex-presidente, somente uma mudança de rota imposta pelo Judiciário impede Lula lá.

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01.12.17
ED. 5757

Água filtrada

A queixa-crime contra Marcos Lula apresentada pelo prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, já foi encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça. Morando, do PSDB, denunciou o filho do ex-presidente Lula por suposto crime contra a honra devido ao um post no Facebook. Na mensagem, Marcos Lula acusou o prefeito de defender a violência policial contra estudantes que ocupavam uma escola de São Bernardo.

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22.11.17
ED. 5750

Uma casa valiosa no tabuleiro eleitoral

O governador do Ceará, Camilo Santana, tornou-se peça valiosa no xadrez eleitoral para 2018. Lula tem se empenhado para convencê-lo a permanecer no PT – há alguns meses Santana fala sobre a possibilidade de trocar de sigla. Este é um movimento vital para proteger um importante flanco do partido no Nordeste. De 2002 para cá, o PT ganhou todas as eleições presidenciais no Ceará, sempre com índices acachapantes. No segundo turno de 2014, Dilma Rousseff obteve 74% dos votos. Quatro anos antes, a goleada foi ainda maior (76%). Camilo Santana vem sendo cortejado pelos maiores caciques da política cearense. Tasso Jereissati, de quem é amigo, tenta convencê-lo a marchar para o PSB. Em troca, o PSDB deixaria de lançar um nome próprio para se coligar ao PSB e apoiar sua candidatura à reeleição. Ciro Gomes também lhe abriu as portas do PDT. O mesmo vale para o PMDB de Eunício de Oliveira. Se bem que, no caso do PDT e do PMDB, por uma via transversa, Camilo Santana pode correr, correr, correr e acabar de volta no palanque de Lula.

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17.11.17
ED. 5747

Lula deixa o mercado com os nervos à flor da pele

Dirigentes do mercado financeiro estiveram, ontem (16/11), à beira de um ataque de nervos. O motivo foram os rumores de que Lula daria uma entrevista anunciando a espinha dorsal do seu programa econômico: anular todas as reformas realizadas pelo governo de Michel Temer, a exemplo da trabalhista e da PEC do Teto. O ex-presidente já arranhou o
assunto antes, mas um pronunciamento formal seria bem diferente de declarações a esmo.

O aumento da tensão não se refletiu no prêmio de risco dos ativos. No entanto, a verdade é que a temperatura vem subindo nas últimas duas semanas com a crescente probabilidade de Lula vir a se candidatar. As mesas de operações, que o consideravam alijado das eleições, trabalham principalmente com a hipótese de ele ser condenado em segunda instância, mas obter uma liminar no STF, o que garantiria, mesmo na condição de réu, sua presença no certame. O ex-diretor de política monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, resume o sentimento: “Voltamos a dançar na borda do abismo”. O “fator Lula” pode não provocar a histeria de 2002. Mas incomodam as evidências de que a “margem de reconciliação” do ex-presidente com os mercados está se tornando mais estreita.

Lula não emitiu nenhuma mensagem ao empresariado. A ausência de comunicação tem preocupado, sobretudo, ao mercado financeiro, que enxerga o risco das agências de rating rebaixarem o Brasil. Ao contrário do primeiro mandato, o recurso a uma nova “Carta ao Povo Brasileiro” é descartado pelo próprio Lula, segundo apurou o RR. A interpretação é que o expediente seria considerado uma fraude.

Lula também tem pouca “gordura” de onde tirar o argumento para uma guinada à direita. Em 2002, o dólar estava a R$ 4,20 e dizia-se que o Brasil ia quebrar. Havia espaço para justificar a “Carta”. Hoje, o dólar está a R$ 3,20 e os juros Selic adormecem na faixa de 7,5%. Um cenário econômico bem mais suave do que o da primeira eleição. Também é bem diferente o naipe da sua equipe. Lula tinha Antônio Palocci, à frente, que era sua voz junto ao mercado. Isto para não falar de Henrique Meirelles, cuja presença no BC começou a ser cogitada antes da eleição. Lula agora está só.

Os bancos que lhe deram guarida estão assustados. As empreiteiras são peças fora do tabuleiro. E o empresariado da indústria nacional, atraído pelo vice-presidente José de Alencar, se sobreviveu, está retraído. O pavor é que o ex-presidente não acene com uma distensão até janeiro ou fevereiro. Este período seria a data limite para que as conquistas feitas na inflação, juros e câmbio fossem dinamitadas. O problema, contudo, é o que Lula vai dizer. Hoje é mais provável que nem mesmo ele saiba.

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14.11.17
ED. 5745

Fora “Fora, Temer”

A cúpula do PT e o recém-contratado marqueteiro Sidônio Palmeira, indicação de Jaques Wagner, buscam um mote para 2018. A palavra de ordem “Fora Temer”, que nunca foi um slogan de campanha, já deu o que tinha de dar, ao cumprir sua função pós-impeachment de Dilma Rousseff – ainda que tenha mobilizado poucos manifestantes no eventos de rua. O risco do PT é perder o timing e só definir o novo mote depois de um outro lema ter surgido naturalmente em decorrência dos fatos: “Solta Lula“.

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09.11.17
ED. 5742

O “Plano A” do PC do B

Há um cheiro de festim no lançamento da candidatura de Manuela D´Ávila à Presidência da República. Uma ala do PC do B sonha com outro cenário: emplacar a deputada como vice de Lula em uma aliança com o PT. Os comunistas propagandeiam os atributos eleitorais de Manuela: além de mulher e jovem, trata-se de uma puxadora de votos na Região Sul, especialmente no Rio Grande, visto como um estado refratário ao PT. Devem ser os efeitos da comemoração do centenário de 1917.

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11.10.17
ED. 5723

Melhor que nunca

Lula tem feito ginástica todos os dias. Diz que nunca esteve tão bem fisicamente. E se diverte desafiando seus interlocutores a ver quem faz mais polichinelos…

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28.09.17
ED. 5714

“Italiano”

A expectativa no próprio PT é que Lula cancele sua participação no Encontro Nacional de Prefeitos e Prefeitas do partido, que será realizado em Brasília nos dias 2 e 3 de outubro. A última semana foi particularmente dolorosa para o ex-presidente.

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O ex-presidente Lula tem sido ameaçado de morte. Pelo menos é o que diz um interlocutor íntimo. Segundo a fonte, Lula vai revelar as intimidações na audiência com o juiz Sérgio Moro, no próximo dia 13, em Curitiba. Daí para os comícios será um passo.


O testemunho de Antônio Palocci incriminando os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff é bombástico devido à proximidade intestina com ambos, mas não chega a ser revelador em relação aos depoimentos de Marcelo e Emilio Odebrecht. As “novidades” estão guardadas para a negociação da delação premiada. São mais de 50 empresas envolvidas com propinas.


A bomba H de Palocci sobre o setor privado vai surpreender pelo ineditismo dos nomes. O ex-ministro vai avançar em relação ao universo de 47 companhias que contrataram os préstimos de sua consultoria, a Projeto, entre 2007 e 20015.

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11.09.17
ED. 5701

O eclipse de Haddad

Fernando Haddad – o plano A ou B ou, sabe-se lá, C de Lula – tem feito discretas viagens pelo país. Nos últimos dois meses, esteve em cidades de seis estados. O roteiro é quase sempre o mesmo: encontros reservados com lideranças locais do PT e entidades do terceiro setor. Tão reservados que praticamente não têm repercussão alguma.

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28.08.17
ED. 5692

O sorriso de Lula é para todos?

A campanha marqueteira de Lula já está em andamento. O ex-presidente adorou o slogan eleitoral “Sorria com Lula”. Ele assistiu diversas vezes a “Tempos Modernos”, filme de Charles Chaplin, e se debulhou em lágrimas com a canção “Smile”. Lula acha que a mensagem cola porque é verdadeira. Tem convicção de que o povo sorriu mais no seu governo. E ele encarna perfeitamente o slogan, com sua trajetória de imigrante nordestino.

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16.08.17
ED. 5684

Lula começa a esculpir a imagem do candidato

O ex-presidente Lula voltou a se aconselhar com o marqueteiro Duda Mendonça. Tudo na moita, conforme recomenda a delicada situação pública dos dois interlocutores. O telefonema curto e breve ocorreu na semana passada e envolveu um intermediário. Lula, como é do seu feitio, quis testar com Duda aquilo que já está decidido na sua mente. Sua estratégia não é informar nem convencer, os dois mantras de Duda, mas confundir.

O “Lula brigão”, pronto para o pau, vai ceder lugar a um Lula mais ausente, que dispensa o barulho da militância nessa fase, um Lula que morde e recua. O ex-presidente fez chegar ao marqueteiro que não quer agitação, pelo contrário. Quanto menos ruído ele e sua turma fizerem maior o estrondo de cada ato administrativo da situação a favor da sua candidatura. Não é mais, portanto, o “Lulinha paz e amor”, mas um Lula maduro, sofrido, que cogita voltar, mesmo com todo sacrifício, em nome de um povo subtraído dos seus direitos e cujas condições de vida pioraram muito desde sua gestão. Pelo menos é o que ele quer fazer com que os outros pensem. O teste da estratégia começa a partir de amanhã, quando o ex-presidente inicia sua caravana pelo Norte-Nordeste.

Nada de cuspir fogo nos palanques. Segundo a fonte, Duda concordou com a estratégia do “deixa o governo botar o retrato do velho outra vez”. Michel Temer é o grande eleitor de Lula. Cada movimento da sua gestão corresponde a mil comícios a favor do PT. O momento, portanto, não é de fazer marola, mas de torcer que mais e mais reformas venham à tona. Lula teria comentado:”O incrível é que o Temer e a banda dele não entendem isso”.

Na próxima audiência com o juiz Sérgio Moro, por exemplo, estará presente um Lula mais tranquilo e contido. O projeto é evitar manifestações depois do depoimento. Os excessos somente atrapalham aquele que pode correr parado. Duda teria gostado dessa estratégia de ora confirmar a candidatura, ora a deixar em dúvida, enquanto os fatos vão cevando o seu fortalecimento eleitoral.

Uma mistura de “vou, sim” com “vou ver”. Quando estiver com a candidatura consolidada, Lula decidiria à luz das circunstâncias se iria ele próprio para o certame ou indicaria o seu abençoado. Para o sim ou para o não, Duda Mendonça teria aconselhado a mesma estratégia de “ficar na sua” ao conterrâneo Jaques Wagner. Cresce o convencimento de que, se fosse hoje o dia da decisão e Lula não partisse para a disputa, o baiano, judeu, umbandista e carnavalesco teria a sua bênção para ser o candidato do PT.

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15.08.17
ED. 5683

Tatuagem

Renan Calheiros quer grudar em Lula. Não só o recepcionará em Maceió na próxima segunda-feira, dia 20, como pretende acompanhar o ex-presidente em quase todos os eventos previstos para o seu giro de dois dias pelo interior de Alagoas. A expectativa de Renan, pai, é que Lula dê uma firme declaração de apoio a Renan Filho, que disputará a reeleição ao governo de Alagoas.

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14.08.17
ED. 5682

Comensalismo

O périplo de Lula pelo Nordeste terá mil e uma utilidades. Os governadores do Ceará e da Bahia, Camilo Santana e Rui Costa, aproveitarão a presença do ex-presidente nos respectivos estados para adubar suas candidaturas à reeleição.

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10.08.17
ED. 5680

O diário de bordo do Lula

Lula, Lula e mais Lula. O programa do PT em rede nacional, que vai ao ar no dia 12 de outubro, será um diário de bordo da viagem do ex-presidente pelo Nordeste.

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26.07.17
ED. 5669

Dois pés na estrada

Lula vai iniciar um périplo por cidades do Nordeste na segunda semana de agosto. O ponto de partida será o interior da Bahia.

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21.07.17
ED. 5666

O outono da nossa insipiência em São Petersburgo

Nem bem o RR desceu os três primeiros degraus da Hotel Corinthia, cravado no centro da Avenida Nevsky, em São Petersburgo, deu-se início à bateria de interrogações. Auxiliado pela tradutora, tome de perguntas para uns e para outros: “Você sabe quem é Lula?”; “Ouviu falar na roubalheira no Brasil”; “O que você conhece do Brasil?” As respostas dos populares não são nada entusiasmantes. O Brasil continua sendo uma terra meio indígena, com lindas praias, belas mulheres. Ah, e tem o Pelé, que esteve recentemente em Moscou, na Copa das Confederações.

Lula aparece duas vezes na sondagem relâmpago. A primeira pergunta é feita a um rapaz ruivo, de nome Aleksander: “Já ouviu falar do Lula”? “Acho que é o presidente do Brasil, que está envolvido em um caso de corrupção. Procede?” Sim, procedia. O outro rapaz, de nome Andrey, também conhecia Lula, mas confessava ter boa impressão do presidente, que entendia “ser meio comunista, assim que nem Putin”. Mas foi Aleksander quem definiu bem as diferenças: “Se lá no Brasil, pelo que ouço, a corrupção se passa no Congresso, vocês não sabem o que é um sistema apodrecido. Aqui a corrupção se dá no dia a dia. A gente vai ao hospital, por exemplo, e tem de dar um agrado ao médico. Quanto maior a gravidade da doença ou urgência de tratamento maior a cifra”.

Ciente do baixo reconhecimento da realidade brasileira em terras russas, o RR decidiu visitar dois ministérios para ver se os funcionários do atendimento eram mais versados nas histórias que gorjeiam em nossas plagas. Primeiramente, foi ao Ministerstvo torgovli i promishlennosti (Ministério da Indústria e Comércio) perguntar à funcionária Natália, uma senhora de olhos bem azuis, se ela se lembrava de algum brasileiro. Sim, ela se lembrava de “inzhener” Batista ou o engenheiro Eliezer Batista, que há trinta e poucos anos era figurinha fácil na então União Soviética.

Antes que alguém pergunte, Natália não tem a menor ideia de quem é Eike Batista. Próxima parada: o Ministério do Trabalho (em russo Ministerstvo zanatosti i truda). O RR fez a mesma pergunta: “Manjas alguém do Brasil? “A resposta foi seguida de um cantarolar entusiasmado: “Dirceu – voin brazilskogo naroda”, mais conhecida nas convenções do PT como “Dirceu, guerreiro, do povo brasileiro”. O atendente, de nome Pavel, prometeu cantar a musiquinha na Copa do Mundo de 2018, que irá se realizar neste país eurasiano. A Rússia nunca esteve tão longe e tão perto do Brasil.

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20.07.17
ED. 5665

Sindicalismo turbinado

Monica Zerbinato, ex-secretária de Lula por 13 anos, e seu marido, Osvaldo Bargas, diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT) foram vistos desfrutando do capitalismo opressor da Itália e flanando em uma Ferrari Testarossa de US$ 1 milhão. A fonte do RR estava lá, implacável, e clicou os dois pombinhos, que olhavam o horizonte transparecendo a pergunta: por que essa maldita reforma trabalhista tinha de incluir o fim do imposto sindical?

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13.07.17
ED. 5660

O Dia D de Lula

Lula conversou por oito minutos com José Dirceu ontem no início da tarde, logo após o anúncio da sentença do juiz Sérgio Moro.


Por falar em Dirceu, o ex-ministro tem aproveitado a liberdade para engatar uma intensa agenda de reuniões políticas em seu apartamento. Já deu até para sentir o gostinho dos tempos em que recebia a República em seu quarto no hotel Naoum, em Brasília.


Ontem à tarde, a ordem no PT era acelerar a montagem de uma agenda de eventos públicos e viagens para Lula, que será deflagrada já na próxima semana. Dirigentes do partido, por sua vez, repetiam o mantra: “Lula vai se defender nas ruas”.

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11.07.17
ED. 5658

Pautas: 2018 e Ciro Gomes

Lula reuniu-se com o ex-ministro Roberto Mangabeira Unger há cerca de duas semanas, em São Paulo. Falaram muito sobre 2018. E, claro, sobre Ciro Gomes.

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04.07.17
ED. 5653

Chacoalhando as militâncias

Lula avalia participar de comícios nas principais capitais brasileiras ao longo das próximas semanas. Seria uma maneira de chacoalhar a militância às vésperas do veredito de Sérgio Moro.

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26.06.17
ED. 5647

De Lula para o mundo

Lula articula uma entrevista a jornal estrangeiro de grande expressão. Pretende dizer que seu maior propósito é unificar o país, criar um clima de concórdia e terminar com a raiva que hoje os brasileiros têm de brasileiros. Tudo bem que esse seja o discurso lá fora. Mas aqui dentro, depois da sentença de Moro, o pau vai comer firme.

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13.06.17
ED. 5639

O mutismo de José Carlos Bumlai

O mutismo de José Carlos Bumlai está com os dias contados. A família o pressiona a quebrar o voto de silêncio, em resposta à delação de Antonio Palocci, que promete atingir em cheio o “amigo de Lula”.

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01.06.17
ED. 5631

Brasilianas

Lula torce em silêncio para que Michel Temer prossiga no cargo, se esvaindo em sangue por todos os poros.

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O entorno de Nelson Jobim aguarda um eventual acordo de delação premiada do banqueiro André Esteves. Jobim não quer ser presidente só até 2018, mas, sim, prosseguir até 2022.

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O Palácio do Planalto tem informações seguras de que o deputado da mala, Rodrigo Rocha Loures, está fazendo sua “delação” todos os dias. Pela imprensa.

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24.05.17
ED. 5625

A Operação Lava Jato que se cuide: os pragmáticos estão chegando

A proposta de um circuit breaker na Lava Jato espocou, ontem, em Brasília, São Paulo e Rio, os três pontos cardeais da política, como o elo ideal de um acordo entre os partidos para a sucessão do presidente Michel Temer via eleições indiretas. Segundo as informações vindas dessas três direções, Lula, Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati e o próprio Rodrigo Maia seriam favoráveis a um pacto que levasse em consideração um mínimo de previsibilidade no cenário nacional, o que incluiria dar continuidade às reformas já decididas, apoiar a política econômica do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e congelar o risco Lava Jato até as eleições de 2018. Esta última premissa implicaria um waiver para a frente em delações premiadas, vazamentos seletivos e prisões coercitivas, entre outras práticas menos votadas.

O ponto de concórdia é que o país é maior do que a República de Curitiba. A tarefa exige alinhamento total entre os astros. Primeiro é necessário convencer a obstinada força-tarefa curitibana, e suas ramificações paulistas e cariocas, além dos bolsões radicais, porém sinceros, da Polícia Federal. Esse agrupamento tem monopólio de informações comprometedoras capazes de enrubescer até o mais longevo chefão do FBI, Edgar Hoover, caso ele estivesse entre nós.

Depois é preciso articular a mídia, que teria de ser mais parcimoniosa em relação ao provável ataque de vazamentos. Seria obrigatório acertar com Lula como ficaria o seu passivo de sete inquéritos quase repetitivos, já que o waiver a ser acordado é para o porvir e não para trás. E finalmente o entendimento exigiria uma saída sem constrangimento prisional a Michel Temer. Tudo passaria pelo crivo do Supremo Tribunal Federal, anfiteatro do pacto nacional. Em uma visão cínica, eventuais ressalvas às concessões no acordo não seriam excepcionais, tendo em vista decisões de imensa magnitude pragmática tais como a premiação pela delação de Joesley Batista.

O jurista Nelson Jobim é a unanimidade entre os poderosos para assumir o papel de negociador e liaison entre o Congresso e o STF. O maior desafio, contudo, é explicar essa colagem para o distinto público. Apesar de que algumas forças da mídia já ensaiam a defesa da tese na antessala de qualquer acordo. Por enquanto, há mais desejo do que encaminhamento factível pelas partes interessadas.

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23.05.17
ED. 5624

Lula vai ao ponto: “Diretas Já”, mas nem tanto

Nas coxias dos festejos de posse da nova diretoria do PT municipal de São Bernardo dos Campos, na última sexta-feira (19), o grito de “Diretas Já” soou abafado pela preocupação com as suas próprias consequências. Ao longo do fim de semana, Lula, Ruy Falcão e juristas do partido se dedicaram a decifrar as possibilidades de conflito jurisdicional entre as decisões do TSE, do STF e do Congresso Nacional nas múltiplas hipóteses de desfecho do governo Michel Temer. Falou-se mais sobre o Amazonas do que sobre a PEC do deputado Miro Teixeira propondo a escolha imediata do novo presidente pelo voto popular.

A jurisprudência reafirmada com a cassação pelo TSE da chapa do governador e vice-governador amazonenses e a determinação de que sejam realizadas eleições diretas deixa um flanco por onde passaria a escolha popular para o substituto de Temer. No cenário sobre o qual os petistas mais se debruçam, entre 6 e 8 de junho, o TSE cassaria a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, a julgar pela carrada de provas de uso ilegal de dinheiro. O presidente também pode ser apeado por processo penal, mas o prazo para que isso ocorra antes dos 14 dias que faltam para a decisão do TSE parece exíguo.

No caso de impeachment, outra hipótese deste mosaico, esse, sim, ficaria para bem depois do julgamento das contas de campanha, ainda que Rodrigo Maia aceitasse de imediato um dos pedidos de afastamento protocolados na Câmara. Uma solução menos torturante seria a renúncia, conforme preconiza a mídia mais poderosa, que levaria diretamente ao art. 51 da Constituição com o Congresso elegendo em 30 dias o futuro comandante da Nação. Para Temer, essa hipótese faria sentido se negociada no âmbito do recurso ao STF caso o TSE decida pela cassação da chapa com Dilma Rousseff.

Lula e seus acólitos avaliam o quanto de gasolina devem despejar sobre o fogo ligeiramente aceso da militância. Uma primeira questão é a garantia de que, na hipótese de diretas, o presidente eleito poderá concorrer novamente em 2018 sem empecilho de ordem legal. Caso haja a menor possibilidade de restrição, o candidato do PT seria tampão, muito provavelmente o ex-ministro Celso Amorim.

O ex-presidente seria preservado para a próxima eleição. As diretas no curto prazo livrariam Lula do impedimento da sua candidatura, com eventuais e prováveis condenações em julgamentos de primeira e segunda instância. Mesmo que a batalha de Temer com o STF durasse até dezembro, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assumindo o cargo nessa situação de dupla vacância do poder, não haveria  tempo para a realização do segundo julgamento do ex-presidente.

Se ganhar a candidatura, Lula deverá acusar perdas na integridade do discurso político. Provavelmente seria levado a fazer concessões em relação a algumas das principais iniciativas do atual governo, a exemplo da PEC do Teto e as reformas da Previdência e trabalhista. Mesmo alguns lulistas de carteirinha volta e meia repetem a máxima de Leonel Brizola: “Não confie no Lula.

Ele é capaz de trair até o último momento”. No caso em questão, trair a sua própria militância. Não seria a primeira vez. Na eleição presidencial de 2010, Lula mandou às favas seu compromisso de campanha e assinou a célebre Carta ao Povo Brasileiro. Quem sabe poderia fazer novas reformas e um controle de gastos sem um teto constitucional? Trocar seis por meia dúzia? E Lula seria crível para o sistema, que o odeia mais do que nunca?

Há também uma questão de fundo: quanto mais incendiar a militância mais fortes serão as pressões para que Temer renuncie antes mesmo de qualquer decisão do TSE, atitude esta que, por sua vez, jogaria água gelada nas diretas. Por essa ótica, seria de bom senso acalmar as ruas. Ou não, se a PEC de Miro Teixeira for para valer. Segundo a fonte do RR, Lula anima mais a torcida pelas eleições imediatas do que os dirigentes do PT. De contradição em contradição, o “Diretas Já” vai se aproximando de uma palavra de ordem oca.

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16.05.17
ED. 5619

Lula e Dirceu

Lula avalia os prós e contras de um encontro público com José Dirceu. Para a militância, seria uma injeção de ânimo; para Curitiba, uma indiscutível provocação.

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16.05.17
ED. 5619

A missão de Temer na “Operação Troca Dono”

A operação Lava Jato e o governo de transição de Michel Temer têm objetivos complementares declarados e não declarados. O combate à corrupção e a caracterização de Lula e do PT como núcleo central da roubalheira são bandeiras explícitas do Ministério Público. No caso do governo Temer, há concordância plena com a punição dos entes privados envolvidos na Lava Jato.

O alvo não declarado, contudo, é a mudança da titularidade e da geografia no controle societário dos grandes grupos empresariais. Digamos que Lula e o PT tenham aparelhado o Estado brasileiro, com a nomeação dos cargos de primeiro, segundo, terceiro, quarto e outros escalões de estatais e do setor público. Temer, por sua vez, quer aparelhar a grande burguesia nacional. Está dito no não dito.

A inação sobre o imbróglio da leniência é eloquente. Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União, AGU, TCU e MP divergem em relação ao acordo, atrasam o processo de salvação das empresas e ninguém se apresenta para arbitrar o impasse. Com isso, BNDES, Petrobras, Banco do Brasil e governos importadores de serviço matam os principais conglomerados. Michel Temer et caterva não podem vocalizar oficialmente o projeto de “mudança societária na marra”. Mas, há francos porta-vozes à disposição. Exemplo: para o tucano Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, a Odebrecht deveria ser vendida.

No caso das empresas envolvidas na Lava Jato, ele sugere um modelo similar ao Proer, em que os controladores dos bancos foram afastados. A bola da vez dessa escalada para criação de um empresariado novo, cosmopolita – e, preferencialmente, sob o mando do capital estrangeiro – é a indústria da proteína (há sites que insistem irresponsavelmente que os bancos virão a seguir). Quando se fala nesse setor, fala-se da JBS. Há uma sequência de acontecimentos que induzem a pensar que os objetivos declarados da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal e os não declarados do governo Temer se reencontram agora na cadeia da proteína e, mais especificamente, na empresa dos irmãos Batista.

Nessa linha do tempo, não obstante seu impacto nocivo sobre o setor e as contas externas brasileiras, a Carne Fraca teria sido apenas um aquecimento para a operação deflagrada na última sexta-feira, com as diligências na sede da JBS e no BNDES e os mandados de condução coercitiva contra o empresário Joesley Batista e o ex-presidente do banco, Luciano Coutinho. Grandes empresas do país podem ter cometido práticas condenáveis e devem ser punidas por elas. Isso não quer dizer que há de se concordar com um projeto de poder cujo objetivo seria deslocar o controle de algumas das maiores corporações do país que deram certo.

No caso da JBS, em 2009 a empresa empregava aproximadamente 19 mil pessoas. Cinco anos depois, esse número já beirava os 120 mil, contando apenas os postos de trabalho diretos no Brasil – hoje são 160 mil. Em 2007, as exportações da JBS somavam US$ 3,8 bilhões. No ano passado, bateram nos US$ 14 bilhões. Do ponto de vista do investimento em si, poucas vezes na história o BNDES fez um negócio tão rentável.

Se tivesse vendido sua participação na JBS quando a ação bateu nos R$ 17, em setembro do ano passado, o banco realizaria um lucro da ordem de R$ 6 bilhões – no momento do primeiro aporte da agência de fomento na empresa, em 2007, a cotação era de apenas R$ 7. O Brasil ganhou em todos os sentidos com a hegemonia no mercado mundial de proteína, o que tacanhamente é reduzido à aposta em um “cavalo vencedor”. Pode ser que haja um projeto em curso para desnacionalizar a JBS, entre outras corporações. Assim é, se lhe parece.

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15.05.17
ED. 5618

O sangramento de Lula no Dia das Mães

Os advogados de Lula pretendem transformar em peça de defesa a denúncia de que o ex-presidente teria afrontado o TCU e se acumpliciado nas irregularidades da Petrobras. Eles iniciaram o levantamento de evidências no sábado (13/05) véspera da publicação na primeira página de O Globo de manchete afirmando que “Lula foi alertado de suspeitas na Petrobras”. Segundo apurou o RR, não existem provas nas delações, nos relatórios do TCU, na documentação da Petrobras (atas do Conselho e documentos da diretoria) de que o ex-presidente teria “vetado a inclusão das obras da estatal na lista (de irregularidades) e liberado os recursos”.

Ou seja: a denúncia não está amparada em qualquer comprovação. Segundo as normas, cabe ao órgão do governo arrolado em “suspeições” esclarecer as dúvidas levantadas pelo TCU, instância fiscalizadora integrante do Poder Legislativo, conforme o art. 71 da Constituição Federal. Há controvérsias em relação a essa subordinação, mas de qualquer forma trata-se de um órgão opinativo, que auxilia o Congresso Nacional no exercício do controle externo. Para os advogados, a maior desqualificação da “denúncia” é o próprio histórico do TCU, que mais levanta questões do que suspeitas, e o faz a granel. Desde Getúlio Vargas não existe, à exceção dos governos militares, nenhum presidente da República que não tenha recebido ressalvas nas suas contas orçamentárias.

Fernando Collor, Fernando Henrique, Lula, Dilma Rousseff, todos foram alvos de processos, dezenas, em alguns casos mais de centena. As contas de Itamar Franco, o probo, foram aprovadas 16 anos depois do encerramento do seu governo. São raras as licitações que não merecem reparo da área técnica do TCU. Todos os executivos de estatais são igual e historicamente citados em relatórios de “suspeição” – a Petrobras é campeã desde sempre, devido a sua hegemonia no numero de obras realizadas no país.

Não existe dirigente do setor público que não conste das investigações do TCU, com seu nome devidamente registrado no processo. Os advogados já juntaram casos e mais casos emblemáticos. Um exemplo: o ministro Benjamin Zymler, do TCU, mandou abrir investigação sobre compras autorizadas pelo então diretor da Petrobras Delcidio do Amaral, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, de turbinas a gás para usinas termelétricas feitas junto a francesa Alstom.

Não conta que FHC tenha se metido na história, na qual não faltaram denúncias de propinas. Mas, a julgar pelos atuais critérios, FHC bem poderia ser citado como conivente. Ainda no governo FHC, o TCU abriu auditoria no Banco Central e na Secretaria da Defesa Nacional para investigar se o próprio presidente, na condição de ministro da Fazenda da gestão Itamar Franco, havia beneficiado bancos nacionais no acordo da dívida externa.

O pedido de auditoria foi aprovado pelo deputado Sarney Filho. FHC tinha sido o principal defensor do acordo “contestável”. A “suspeição” do TCU foi mais uma que entrou no rol das bobagens pátrias. A maior pegadinha preparada pela defesa do ex-presidente refere-se ao próprio Grupo Globo. No relatório TC 005.877/2002-9, nos idos do governo FHC, o TCU conclui que o BNDES teria favorecido o grupo com o repasse 2,5 vezes maior do que o realizado para outras empresas do ramo.

À época, o RR apurou que tanto a Globo quanto o BNDES explicaram em detalhes o episódio envolvendo empréstimos à NET, sobre o qual não pairam dúvidas sobre a correção e a licitude. O fato é que Lula acordou ontem vivendo o seu mais tenebroso Dia das Mães. Além da manchete em O Globo, as mídias veiculavam uma publicidade galhofeira de uma rede varejista sobre sua recém-falecida esposa: “Se sua mãe ficar sem presente, a culpa não é da Marisa” – e uma capa de revista denunciando o ex-presidente de assassinar a memória da ex-mulher: “A segunda morte de D. Marisa”. O TCU só tem pequena parcela de responsabilidade em todo o enredo.

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10.05.17
ED. 5615

Programação-tampão

Na impossibilidade da exibição ao vivo do depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro, o PT montou uma estrutura para transmitir em tempo real nas redes sociais as manifestações previstas para hoje em Curitiba.

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26.04.17
ED. 5606

Lula quer ser crucificado por Moro em cadeia nacional

O ex-presidente Lula vai exigir direitos iguais de transparência no seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, conforme apurou o RR. Lula teme que Moro, sob o argumento de defesa da ordem pública frente ao risco de incitamento da população, suspenda a disponibilização das imagens. Segundo os advogados do ex-presidente, o juiz tem dado provas da sua radicalidade. Usam como exemplo a condução coercitiva, em março do ano passado, e a exigência presencial de Lula nos depoimentos das suas 87 testemunhas de defesa.

Sem rede social ou exposição televisiva, a estratégia do ex-presidente será seriamente mutilada. Segundo a fonte do RR, Lula pretende expor o seu flagelo com a Lava Jato no depoimento a Sérgio Moro. A estratégia de vitimização como defesa não provém dos advogados que o auxiliam, mas dele próprio. Lula pretende dar prioridade ao ato político em vez de usar a tribuna para uma defesa nos termos protocolares que vêm sendo ditados por Moro.

Segundo o RR apurou, Lula vai responder às perguntas de Sérgio Moro cobrando as provas e enfatizando sua martirização. Nesta estratégia de “Mandelização” da sua imagem, o ex-presidente quer sair do encontro como um perseguido político, e não como um político acusado de ter cometido crime de corrupção. A garantia da transmissão pública do seu testemunho é considerada mais importante do que a eventual mudança da data do depoimento, que poderá ser transferida do próximo dia 3 para o dia 10 de maio, ou algum outro dia na vizinhança.

Alguns companheiros de luta do ex-presidente consideram o adiamento prejudicial a Lula, pois distancia o evento da série de acontecimentos de forte impacto social que vem sendo chamada de “agenda do fim do mundo”: a greve geral convocada para o dia 28; a votação da reforma trabalhista, prevista para o dia 27, véspera da paralisação; e o envio do texto final da reforma da Previdência à Comissão Especial da Câmara, com objetivo de julgamento pelo plenário exatamente no dia 3 de maio. Lula não marchará o caminho do incitamento – e quem se lembra da sua performance frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo sabe que não lhe falta talento para convocação à luta, muito pelo contrário. Mas a hora é do calvário. Se Moro não impedir, vai protagonizar com ele, em transmissão televisiva, o duelo pela cruz da Lava Jato.

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20.04.17
ED. 5603

Será um déjà-vu no sindicalismo do ABC?

Nasce uma flor no deserto da política brasileira. O nome da rosa é Rafael Marques. A novidade remonta aos primórdios, quando surgia uma liderança trabalhista, que também usava macacão de fábrica. Assim como Lula foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, Rafael é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC paulista. As semelhanças não terminam aí. Lula sempre teve claro que a população do país era de corte conservador, que jamais seria bolchevique, conforme fantasiavam seus pares.

O avanço possível, portanto, teria de se dar através de um acordo permanentemente renovado entre o trabalho (setores menos favorecidos) e as elites; um pacto que, aliás, começou de forma indireta – pela via do controle inflacionário – no governo Fernando Henrique Cardoso, e parece ter-se esgarçado de forma definitiva no governo Temer. Rafael Marques não somente pensa igual, como é mais propositivo. Tem na ponta da língua um longo cardápio de medidas alternativas que poderiam integrar as reformas da previdência, trabalhista e tributária. Detém também o conhecimento das representações dos setores da economia e a evolução do emprego, produtividade e participação no PIB, o que lhe permite enxergar pelo alto onde estão as possibilidades de aliança e negociações.

Rafael é Lula até debaixo d’água e não vê alternativa para as esquerdas a não ser a candidatura do ex-presidente. Mas, ao mesmo tempo, defende uma renovação da política, conspurcada pela Lava Jato. Em São Bernardo, Santo André e São Caetano do Sul onde tudo começou, participantes atilados do sindicalismo profundo enxergam razoável possibilidade de um raio cair duas vezes no mesmo lugar. No próximo dia 28, Rafael terá um primeiro teste como líder trabalhista. É um dos principais organizadores da greve geral marcada para aquela data.

Para todos os efeitos, ele faz o seu dever de casa direitinho. Afirma que não disputará mais um mandato no Sindicato, do qual está à frente desde 2012, e que também não será candidato a deputado federal em 2018. Nenhuma palavra sobre o tema Presidência da República. Isso não é assunto para ele, um lulista de carteirinha, tratar em público. Quem quiser que fale. Marques tem a pinta da renovação da esquerda e parece deter o condão de reagrupar as centrais sindicais e fundir novamente o lulismo com o petismo.

Quem o diz são alguns caciques do partido, que no murmúrio das conspirações deixam entreouvir o nome do sindicalista como contendor à altura em um enfrentamento com João Doria, Jair Bolsonaro e Marina Silva. Mas e a eterna esfinge, Luiz Inácio Lula da Silva? Sua candidatura se encontra cada vez mais próxima do impedimento. No entanto, como diz o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, “castrar a potencial candidatura de Lula é café pequeno. Ele detém fabuloso e invulnerável estoque de votos plurais e o dedo que lhe falta é o da delação, não o da vitória. Para onde apontar lá terão milhões de votos”. Rafael Marques é a novidade que pode estar postada bem à frente do dedo indicador de Lula. Mas falta foco, diria o leitor. Tudo a seu tempo. Por enquanto, Lula é o único candidato do PT à presidência.

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18.04.17
ED. 5601

A razão cínica da “Constituinte Já”

O jogo foi pesado nesses dias da Semana Santa. Com sua entrevista à Band, Michel Temer assumiu-se como o Pôncio Pilatos da sua própria ópera bufa. Denunciou o golpe em Dilma Rousseff, lavrado por Eduardo Cunha. Sua aquiescência foi uma confissão de cumplicidade. Lavou as mãos. As mesmas que estendeu a Lula sob o corpo de D. Marisa e estão novamente ao seu dispor.

O Plano B do PMDB de reeditar uma chapa com Lula na cabeça pode passar a ser o Plano A se houver somente uma boia salva vidas para todos. Ou seja: enquanto o TSE pensa sobre o andamento do processo de cassação da chapa Dilma/Temer, a conspiração para uma nova tabelinha PT/PMDB correria solta. Das cinzas, o renascimento. O ex-presidente reza a todas as santas de São Bernardo, Santo André e Diadema, por uma solução que o poupe de ter de partir para a briga.

Lula carrega evidências de crimes nas costas, tem dúvidas se seu exército atende o chamado para a luta e, o que é pior, teme, caso venha a ser preso, que ninguém vá para as ruas. Seria a sentença aplicada pelo povo. Só agendas diversionistas como a da Constituinte e do pacto o tiram dessa. O cacife que Lula dispõe é a resiliência de 30% do eleitorado. Mas, para esse jogo ser jogado, é preciso que emissários de todos os reinos se disponham a defender firmemente seu protetorado.

Os ex-presidentes da República, FHC à frente, alicerçam o pacto que seria firmado não em cima da Lava Jato, mas da convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, que tomaria posse neste ano. Eles conduziriam o governo Temer ao seu desfecho em 2018, fazendo do pacto um cordão sanitário, pelo menos do ponto de vista simbólico e ritualístico. É quase certo que a Constituinte teria uma participação especial da tropa do STF, que não pretende entregar de mãos beijadas o caminhão de poder arrancado dos últimos governos.

Nesse cenário em que a ficção flerta com a realidade, o condutor dos trabalhos seria o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, na condição de candidato a vice-presidente em uma virtual chapa com Lula. As reformas de Temer entrariam no bojo da Constituinte, passando, assim, a serem emendas com maior legitimidade. Com a mudança prevista da Constituição, tudo que foi operado pela Lava Jato, até a própria forma de funcionamento do Ministério Público, uma jabuticaba amarga que brotou na carta de 1988, fica sub judice ou na espera de reconstitucionalização.

Da boca para fora, a velha guarda dos parlamentares pregará a renovação da política. Ao mesmo tempo buscará a costura de um acordo que alivie as penas e reduza os dolos próprios e dos seus pares. O pacto é plural. A melhor metáfora seria a de uma orquestra sinfônica com um naipe de metais e uma seleta de violinos e violoncelos cortantes de tão afiados. Ou um filme de George Lucas, com a Constituinte voando na velocidade da luz e cuspindo leis como balas, sem poder errar o alvo. E as eleições representando o lado claro, clean, da força, trazendo a mudança e o rejuvenescimento. Há um quê de realismo mágico sem dúvida nesse enredo do RR. Um combinado de informações de cocheira com uma composição literária à lá Julio Cortázar. São muitas as predições a confirmar. Quem viver verá?

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28.03.17
ED. 5587

Crônicas das miudezas determinantes

Em algum dia em um passado não muito distante, o então Advogado Geral da União, Dias Toffoli, aguardava pachorrentamente o final uma reunião do presidente Lula para, então, despachar alguns pareceres. De repente, de dentro do gabinete presidencial surgiram a ministra Dilma Rousseff e outro ministro manda-chuva. Ao se defrontar com o chefe da AGU, a “mãe do PAC” explodiu. O diálogo foi mais ou menos o seguinte: – Ô, Toffoli, eu li o seu parecer sobre aquele assunto tal. Tem que mudar. Não foi o que pedimos. Tem que alterar.

– Ministra, eu interpreto a lei.

– Mas, está errado, tem que modificar.

– Ministra, se a Sra. quer um outro parecer peça ao presidente que me destitua.

Dilma perde o controle e empurra Toffolli com as duas mãos espalmadas contra a parede.

O advogado bate com violência, ricocheteia, se desvencilha elegantemente da ministra enraivecida e adentra a sala presidencial.

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Antes de prosseguir com o episódio, é bom situar Toffolli na História. Seu DNA petista é respeitável. Para se ter uma ideia do histórico do doutor, ele começou como consultor jurídico na Central Única dos Trabalhadores. Seguiu como assessor parlamentar na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e assessor jurídico da liderança do PT da Câmara dos Deputados. E, antes de entrar para a AGU, atuou como advogado de três campanhas presidenciais de Lula, nas eleições de 1998, 2002 e 2006. Entre 2003 e 2005, foi sub-chefe para assuntos jurídicos da Casa Civil da Presidência.

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Pois bem, Toffoli entra no gabinete da Presidência e comenta com Lula o episódio com a ministra. O presidente, com seu jeito gaiato, pergunta: “Ela reclamou de que parecer? Me dá aqui que eu assino embaixo. O resto eu vejo depois”. Risinhos.

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Pouco tempo depois, Lula estava apoquentado com a lista de candidatos à uma vaga do Supremo. Recebia pressões de todos os lados para indicação de um dos nomes, mas a insistência maior partia de José Sarney. O presidente, com seu jeito manhoso, mandou chamar o ministro Nelson Jobim para conversar sobre o assunto. Queria dividir o peso da escolha. Apresentou a lista e perguntou:”Jobim, indica um nome aí, que eu aprovo”. O ministro da Defesa pensou, pensou e disse: – Presidente, todos os nomes são bons, todos são preparados, mas o melhor nome mesmo está bem próximo do Sr., é o mais qualificado de todos e lhe acompanha há muito tempo. Dito e feito. Dias Toffolli assumiu a vaga decorrente do falecimento do juíz Carlos Alberto Menezes Direito no STF. O resto fica para uma futura crônica sobre o “mensalão”.

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21.02.17
ED. 5565

Além da vida

É cedo para falar no assunto, mas D. Marisa ainda vai ajudar muito o seu querido Lula.

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20.02.17
ED. 5564

Coming soon

O ex-presidente Lula foi aconselhado a fazer um pronunciamento alinhado à entrevista do comandante do Exército, general Villas Boas. A ver o que vem por aí.

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13.02.17
ED. 5559

A sociedade dirá se quer arma, droga e cassino

O ex-presidente do Senado Renan Calheiros lidera um grupo de parlamentares empenhado em articular um dos movimentos mais polêmicos da política brasileira. Deslocar do âmbito do Congresso Nacional para a consulta popular a legalização de três dos mais satanizados “direitos” hoje regulamentados ou em fase de liberalização em grande parte dos países mais civilizados: porte de arma, consumo de drogas e jogo de azar. Todos eles já foram motivo de recorrentes projetos de lei, submetidos ao Congresso e invariavelmente desaprovados.

O grupo de parlamentares considera que há mais simpatizantes da aprovação entre deputados e senadores do que o contrário, mas eles são temerosos do julgamento da opinião pública e da sua própria bancada, além da mídia, é claro. A saída seria submeter a legalização ao crivo do povo, que definiria o vencedor dessa guerra fria. O referendo, e não o plebiscito, seria o instrumento adequado para a consulta, pois já existem leis repressoras do jogo, do porte de armas e do uso de drogas.

A grande pergunta é se a população quer virá-las de ponta- cabeça, ou seja, liberar as práticas reprimidas. A ideia é realizar o debate à luz dos exemplos de maior notoriedade no mundo, como a Segunda Emenda da Constituição do EUA, que permite manter e portar armas, inspirada na common-law inglesa. Há legislações em diversos outros países regulamentando o uso de droga e os cassinos – o livre funcionamento destes últimos é quase um consenso na maioria das nações ocidentais.

Renan Calheiros, ressalte-se, terá de renegociar seu posicionamento anterior contrário ao uso de armas – ele foi autor do Estatuto do Desarmamento – em nome da proposta de um tríplice referendo. Jogo e liberalização das drogas é com ele mesmo. As bancadas do jogo, da bala e pró descriminalização de drogas no Congresso são bem menores do que se imagina (jogo: 59 parlamentares; armas: 31; e drogas: 11). Quando comparadas à das empreiteiras (223), ruralista (205) e empresarial (201) nem sequer chegam a fazer cócegas. Mas os defensores da legalização acham que ganham a parada se o povo for consultado. Foi assim com o plebiscito da comercialização das armas, contra oponentes como a Igreja e a Rede Globo.

Hoje não faltam posicionamentos favoráveis à legalização das drogas, entre eles o do militante pró-maconha Fernando Henrique Cardoso, dos juízes do STF Gilmar Mendes e Luiz Roberto Barroso e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ah, Lula também figura nesse time. Há também a bancada da execração da droga, comandado pelo deputado Omar Terra (PMDB-RS), que prega a amputação das pernas dos traficantes. Entre os defensores da abertura dos cassinos estão sete ministros do governo Michel Temer, ele próprio um simpatizante da proposta. O futuro ministro do STF Alexandre de Moraes já tem até sugestão para o destino da arrecadação estimada de R$ 18 bilhões (para um faturamento de R$ 60 bilhões) com o jogo: 5% iriam para o Fundo Nacional de Segurança. Já o senador Fernando Bezerra defende que 95% sejam carregados para a seguridade social.

Os militantes pró-jogo contam com o apoio expressivo de governadores e prefeitos, carentes que são de novas fontes de recursos. Os paladinos das armas de fogo apostam que o ambiente de insegurança, criminalidade e violência empurrará a população a decidir em seu favor. Entre os apoiadores, há quem ache que é necessário ir devagar com o andor pelo risco de medidas tão complexas cindirem o país. Além disso, tirar essas questões do Congresso e levá-las para as ruas depende dos próprios parlamentares. Câmara e Senado terão de abdicar do seu poder legislativo para entregá-lo à população. Renan Calheiros acha que as citações ao seu nome na Lava Jato não atrapalham os avanços do projeto. O convencimento das duas casas do Congresso é uma questão de tempo.

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07.02.17
ED. 5555

Best seller

O mercado tudo converte. Uma editora paulista já encomendou um livro sobre as relações entre Lula e FHC.

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07.02.17
ED. 5555

O velório e o velório de Lula

Palavras de um politólogo que já foi badalado, militou nas hostes do PT e hoje se mantém à sombra: “Foi trágico para o Lula. Primeiramente, a fatalidade com a Marisa, que o quebrou por dentro. Depois, a sucessão de operações políticas florentinas, vestidas de atos de humanidade e comportamento íntegro.

Fernando Henrique, com espetacular senso de oportunidade, antecipou-se aos demais e ofereceu o abraço irrecusável na circunstância em troca da foto de U$$ 1 milhão. Depois, a chegada da caravana Planaltina, dos inimigos figadais, que conseguiram arrancar de um homem destroçado a declaração de que quer dialogar com seus torturadores. É o Lulinha paz e amor sofrendo da síndrome de Estocolmo.

Finalmente, o tombo do político experiente, que, debruçado ao esquife da mulher, cede à tentação de um discurso político que mais produz piedade do que comoção, em um evento que decepcionou pela presença rasa não só de militantes como de pessoas comuns sensíveis e solidárias. A morte da Marisa e os episódios consequentes foram mutilações do Lula”.

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09.01.17
ED. 5534

Sondagem RR: o futuro de Lula está entre a prisão e o Palácio do Planalto

Sérgio Moro será o grande árbitro das próximas eleições. É o que mostra uma sondagem realizada pelo Relatório Reservado nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador entre os dias 18 e 29 de dezembro. Para 71% dos 418 consultados, Lula será preso neste ano ou, no mais tardar, em 2018. Mas e se ele não for para a cadeia? Bem, neste caso, em vez de Curitiba, seu destino será Brasília: a maior parte acredita que Lula voltará à Presidência da República.

Entre os entrevistados, 58% afirmaram que o ex-presidente vencerá qualquer um dos seus potenciais adversários se puder disputar as eleições. Quem mais tem chance de derrotá-lo é Marina Silva, na opinião de 17%. Para 7%, Lula perderá o duelo para Aécio Neves, o mais bem colocado entre os pré-candidatos do PSDB. Geraldo Alckmin teve 5%, José Serra, 2%, e FHC foi o lanterninha entre os tucanos, com apenas 1% – resultado que tanto pode ser atribuído a uma baixa popularidade ou a uma convicção coletiva de que ele passará longe das urnas em 2018.

Acima de Alckmin, Serra e FHC, surge Jair Bolsonaro, que, na avaliação de 6% dos consultados, superaria Lula em uma hipotética corrida eleitoral. Para 3%, uma vez candidato, o ex-presidente será suplantado por Ciro Gomes. Por fim, apenas 1% crê que o atual presidente Michel Temer venceria o petista em uma eventual disputa eleitoral. Ainda assim, a percepção da maioria é de que o nome de Lula dificilmente aparecerá na urna eletrônica.

De acordo com 42% dos entrevistados, sua prisão se dará neste ano. Outros 29% acreditam que Sérgio Moro deixará a decisão para 2018. Para 5%, o pedido de detenção ficará para o ano seguinte, portanto após as eleições. No entanto, um contingente bastante expressivo (24%) respondeu que Lula não irá para a cadeia – um grupo que certamente mistura fiéis eleitores do ex-presidente com incrédulos oposicionistas.

A pergunta que não quer calar: “Lula é culpado pelos crimes que lhe são atribuídos?”. Para 51% das pessoas ouvidas pelo RR, não há dúvidas: “Sim, as provas disponíveis são definitivas”. Outros 12% comungam da tese do domínio do fato: dizem que “Sim, uma vez que o ex-presidente era responsável por tudo que se passava no governo”. Há ainda 5% dos entrevistados que consideram Lula culpado, mas aproveitam para dar um cascudo na mídia: para eles, a maior parte das acusações é amplificada pela imprensa.

No lado oposto, 21% dos consultados afirmam que o ex-presidente é inocente e vítima de um complô para evitar seu retorno ao Planalto. Outros 7% acreditam que Lula não é culpado porque, até o momento, não há provas de que ele tenha recebido propina. Por fim, 4% dos entrevistados dizem crer na inocência do petista por não haver comprovação de que ele seja o dono dos imóveis citados na Lava Jato.

O Relatório Reservado perguntou ainda como Lula será visto pela população no caso de uma prisão antes de 2018. De acordo com 43%, a detenção reforçará a imagem de “grande corrupto”. No entanto, 29% dos entrevistados acreditam que o cárcere provocará um efeito contrário e o ex-presidente passará a ser visto predominantemente como um herói.

Na avaliação de 6%, nem tanto ao céu, nem tanto ao mar: o ex-operário que chegou ao Planalto perderá importância no cenário político e será esquecido aos poucos. Trata-se do mesmo percentual de pessoas para as quais Lula será considerado um preso político. Para um grupo ligeiramente menor (5%), o papel que caberá a Lula após uma eventual detenção é o de “vilão do PT e dos demais partidos de esquerda”. Outros 11%, no entanto, afirmam que, mesmo preso, o petista será um importante cabo eleitoral em 2018.

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12.12.16
ED. 5514

Cabral, Lula e Dilma são os culpados pela tragédia financeira do Rio de Janeiro

Sérgio Cabral é o maior culpado pela tragédia financeira do estado. Vox populi, vox Dei. Quem o condena não é o RR, mas uma sondagem feita por esta newsletter na santíssima trindade dos bairros do Rio – Copacabana, Centro e Méier. Para 62% dos 298 entrevistados, o título de exterminador do estado é de Cabral. O ex-governador recebeu o dobro da votação somada do segundo e do terceiro colocados. Mas novidade mesmo, com todo respeito a Cabral, é o reconhecimento que a população do Rio empresta a Lula e Dilma Rousseff. Os dois são os principais responsáveis pela desgraça financeira do estado na opinião, respectivamente, de 17% e 14% dos consultados.

É a constatação de que verba federal nem sempre traz popularidade. Foram citados ainda Luiz Fernando Pezão (5%) e o prefeito em fim de mandato Eduardo Paes (2%). Sergio Cabral está em todas. Para 56%, o ex-governador é também o maior vilão do Rio. Em segundo lugar, vem Anthony Garotinho, com 16%. Eduardo Cunha recebeu 11% das respostas, seguido do presidente da Alerj, Jorge Picciani (7%). A partir daí, a percepção de vilania começa a ficar mais fragmentada.

Mais uma vez, os entrevistados separaram o criador da criatura: Pezão foi lembrado apenas por 4% dos votantes. Mesmo sem qualquer ingerência direta na administração do estado, Jair Bolsonaro recebeu 3% das menções – talvez numa interpretação mais ampla do termo “vilão”. Eduardo Paes somou apenas 2%. Por fim, a curiosa lembrança de 1% dos entrevistados ao nome de Roberto Jefferson, que hoje  está mais para político aposentado.

Tomando como referência os três maiores vilões do Rio apontados na questão anterior (Sergio Cabral, Anthony Garotinho e Eduardo Cunha),o RR perguntou: “No intervalo de um a cem, quantos anos de prisão cada um destes políticos merece?” Não obstante a inevitável ausência de embasamento jurídico nas respostas, o resultado exprime a revolta e a raiva da população do Rio. É uma métrica da indignação. Na média dos votos, Cabral foi “condenado” a 82 anos de prisão. Já Eduardo Cunha merece 81 anos de cárcere, na opinião dos entrevistados. Garotinho pegou a “pena” mais branda: 78 anos.

Em relação aos agentes privados que, de uma maneira ou de outra, se beneficiaram com as malversações do governo, deu o óbvio. Para 44% dos consultados, quem mais ganhou com a roubalheira do Rio foram as empreiteiras. Em segundo lugar, quase que por osmose, a antiga diretoria da Petrobras, com 15%. Escritórios de advocacia receberam 12%. Para 11% dos entrevistados, quem mais se aproveitou das falcatruas foram as joalherias, como se sabe hoje um segmento que contava com o especial apreço da família Cabral.

Até então tudo razoavelmente dentro do script. O que surge como um ponto fora da curva é a citação à imprensa (12%). A princípio, a resposta pode causar estranheza. Mas as barbaridades estampadas nas páginas dos jornais e noticiadas na TV talvez expliquem, ainda que por um ângulo mórbido, o aumento da audiência. Outras duas áreas de negócio afins com a imprensa também foram citadas: agências de publicidade e agências de comunicação, cada grupo com 3%. Curioso.

Por fim, uma pergunta diretamente relacionada à crise financeira do estado e ao bolso do cidadão: “O estado do Rio deve suspender pagamento da dívida aos bancos até receber recursos do governo federal para resolver a crise?” Dos 298 entrevistados, 72% disseram que sim. Mais impactante, no entanto, é o universo de 28% que preferem ver o governo do Rio pagando aos bancos em vez de segurar os recursos para outras despesas, inclusive pessoal. Talvez seja um indicativo de que as consequências de uma moratória ainda estão vivas na memória de muita gente.

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29.11.16
ED. 5505

Hasta la victoria

• O ex-presidente Lula ainda não decidiu se irá a Cuba para o funeral do amigo Fidel Castro. Seus advogados recomendam que não. Sua saída do Brasil neste momento, sobretudo pelo destino em questão, alimentará as maiores fantasias.

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08.11.16
ED. 5491

A estranha relação de Lula e Gilmar Mendes

 Não há vazamentos na grande imprensa nem informação sobre quem organizou o encontro e endereço onde ele teria sido realizado. O que o RR conseguiu apurar é que Lula se reuniu com o ministro Gilmar Mendes há nove dias, em São Paulo. Ambos teriam se tratado de forma absolutamente cordial. Procurado pelo RR, o ministro negou o encontro por meio de sua assessoria. O Instituto Lula, por sua vez, não quis se pronunciar. O fato é que, desta vez, os sinos não teriam dobrado para a mídia. Uma confirmação do vaticínio de Marx, profetizando que a história só se repete sobre forma de fraude. Quem não se lembra do último encontro entre ambos de que se tem notícia, no dia 26 de maio de 2012? O tête-à-tête foi articulado por Nelson Jobim a pedido de Mendes (à época, somente essa informação não foi desmentida pelos presentes). Seis horas depois da conversa, o ministro do Supremo despejou na mídia um violento ataque a Lula. Denunciou o ex-presidente por supostamente ter-lhe pressionado a atrasar o julgamento do “mensalão”. Lula foi duro no contra-ataque, colocando em dúvida o caráter do juiz, e Jobim desmentiu publicamente Mendes. Gilmar Mendes e Lula incorporaram o ódio de Feraud e d´ Hubert, os Duelistas, do romance de Joseph Conrad. Mendes tornou-se um dos cinco maiores inimigos declarados do PT, em qualquer ranking que seja feito. Em 2013, quando Dilma Rousseff diz que vai responder às manifestações com uma série de medidas, ele afirma que é puro bolivarianismo. Em 2014, segura o julgamento do financiamento de campanha (o voto ficou suspenso um ano). Ironizou Lula no episódio da condução coercitiva. E deu um beijo de morte no ex-presidente e em Dilma quando concedeu a liminar impedindo a posse de Lula na Casa Civil, com base em um grampo ilegal. A liminar somente foi levada a plenário um mês depois, quando Dilma já estava afastada. Nenhum tucano foi tão tucano.  Antes de 2012, Gilmar Mendes era Dr. Jekyl. Era um juiz discreto e garantista. Ficaram célebres seus habeas corpus por ocasião das duas prisões de Daniel Dantas. Nessa época, batia firme na espetacularização do Judiciário. Sempre criticou os excessos. Capitaneou uma súmula do STF determinando os critérios para utilização das algemas – um deles o risco comprovado de fuga. Passada a fase exemplar, Mendes entra em seu momento de inflexão. Passa a instrumentalizar a franqueza. Ridiculariza os colegas para pressioná-los. Concede liminares agressivas e exagera nos pedidos de vista. Em 2015, sabia-se todos os votos dele antecipadamente. Ganhou três pedidos de impeachment no Senado, todos derrubados por Renan Calheiros. É tido como um empresário do ensino, ou, em um eufemismo que o protege, um “cotista do IBDP”, instituição privada que atende formalmente por Instituto Brasileiro de Direito Público. Portanto, nesse dialeto particular empresário e cotista seriam diferentes. E o lucro?  Lula pode ter se encontrado com uma dessas identidades: o peessedebista, o juiz seletivo, o operador dos meios de comunicação, o pré-julgador de processos. Convém lembrar que Gilmar Mendes é o maior especialista do STF em sistemas prisionais. Quem sabe a confabulação não teria sido por aí…

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26.10.16
ED. 5483

Lula, lá?

 O “vai, não vai” da prisão de Lula tem corroído a previsível comoção que o encarceramento provocará. É como se fosse um anticlimax diário: “Vai ser preso hoje! Não foi. Vai ser preso hoje! Não foi”. Até parece que há método nessa repetição. •••  Em tempo: pesquisa de opinião encomendada pelo Instituto Lula confirma mais ou menos o que todo mundo imaginava. Se for preso, Lula cresce na disputa eleitoral e ganha de todos no primeiro e no segundo turnos. Vai ser difícil desconstruir o “Barba”.

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 O Planalto vai trocar a direção de Itaipu Binacional até dezembro. O que mais chama a atenção, neste caso, não é nem a mudança, mas a sobrevida do diretor-geral da estatal, o petista Jorge Samek, que já contabiliza sete meses de governo Temer. Longevidade, aliás, é uma das marcas do executivo. Ligado a Lula e à senadora Gleisi Hoffman, Samek está no cargo desde 2003. • As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Itaipu Binacional.

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 Jerson Kelman, ex-Aneel e atual nº 1 da Sabesp, está bem cotado para integrar o secretariado de João Doria. •••  Assim como Aécio Neves, Geraldo Alckmin e – por que não? – Lula, Zico só pensa em 2018. Desde já, começa a se articular para a disputar a eleição à presidência da CBF. •••  Sarney Filho perdeu. Apesar da resistência do ministro do Meio Ambiente, a usina de São Luiz do Tapajós – projeto de R$ 18 bilhões – será incluída no Plano Decenal de Energia.

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20.10.16
ED. 5479

O frio na espinha que a prisão de Lula provoca

  Não há tempo de estio na jornada de Luiz Inácio Lula da Silva. A chapa da Lava Jato está sempre fervendo. Na última sexta-feira, escaparam pelas goteiras dos comandos de Curitiba e Brasília sinais de que falta pouco para um xeque-mate. A ansiedade cresceu quando, no meio da tarde, circularam informações sobre uma reunião convocada pela presidente do STF, Cármen Lucia, com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e o ministro da Defesa, Raul Jungmann. A motivação formal do encontro publicada nos jornais foi a discussão do Plano Nacional de Defesa, com ênfase na situação dramática do Rio de Janeiro. Mas uma outra versão causou insuperável frisson nos setores diretamente envolvidos. Segundo este relato, as autoridades teriam discutido as consequências de uma grande comoção popular com a prisão de Lula.  A articulação de manifestações violentas por parte de sindicatos e movimentos populares teria sido capturada pela rede de informações do governo. Não são necessários espiões ou arapongas para chegar a essa conclusão. Nas redes sociais, nos últimos dias, têm se multiplicado as ameaças abertas sem nenhuma preocupação de sigilo por parte dos autores. O teor é mais ou menos “prende o Lula que nós vamos explodir tudo”.  Ontem circularam rumores fortes de que o líder do PT seria encarcerado até o fim desta semana na “Operação Fim de Papo”. O já célebre PowerPoint de Deltan Dallagnol e sua tropa de choque apresentando Lula como o “general do crime” não deixa dúvidas de que o pedido de prisão preventiva é inevitável. Nenhuma autoridade pública se comporta daquela maneira se a decisão já não estiver tomada. No Instituto Lula a informação é de que os advogados do ex-presidente têm uma comunicação difícil com o Ministério Público.  Por sua vez, no governo Temer ninguém acha essa prisão uma boa nova. Temer vê um domínio do Congresso total, a aliança sólida com a mídia, as ruas calmas, o ambiente propício para aprovação das reformas conservadoras, então para que um risco político dessa magnitude? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem dito que, como está, Lula será um farrapo em 2018, mas, se for preso, torna-se perigosíssimo. Há cheiro de pólvora debaixo do tapete da Lava Jato e nenhuma sensibilidade do Ministério Público em relação à representatividade de Lula e seu apelo popular. A aposta de Deltan Dallagnol e dos procuradores do seu grupo de trabalho é de que a prisão será mais uma e nada mais. A essa altura, é torcer para que estejam certos.

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 Eduardo Cunha já foi procurado por produtores de cinema interessados em levar para a telona o livro que promete lançar em dezembro, revelando as entranhas do impeachment. •••  Os advogados de Lula deverão acionar o Google. Buscas pela expressão “Maior ladrão do Brasil” levam a imagens do ex-presidente. •••  O PSDB tenta emplacar o nome de Renato Villela, ex-secretário de Fazenda de Geraldo Alckmin, como ministro do Planejamento. Villela também está cotado para um cargo na Pasta da Fazenda.

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16.09.16
ED. 5456

Lula quer apresentar Michel Temer à Lava Jato

 O PT tem duas estratégias e um posicionamento definidos para reagir à denúncia do Ministério Público Federal contra Lula. Estes pontos foram exaustivamente debatidos pela cúpula do partido ao longo da tarde de ontem, após o pronunciamento do ex-presidente. Segundo a fonte do RR, assíduo interlocutor do ex-secretário da Presidência da República Gilberto Carvalho, a postura de Lula não será a do candidato de 1989, mas de 2002. Ou seja: indignado, sim, no entanto, até segunda ordem, cordial, bem humorado e disposto ao diálogo. Já as referidas estratégias se cruzam entre si. Uma delas é evitar o confronto aberto com a Lava Jato, mas, ao mesmo tempo, desacreditá-la. Isso significa colocá-la sob suspeição, lançando sobre ela a pecha de parcial e de olhar apenas para um partido ou grupo político. A questão é a sutileza, o ponto da massa antes de tirá-la do forno, coisa em que Lula é perito.  Este movimento abrirá caminho para o complemento da tática delineada pelo PT. O partido pretende colocar foco no atual governo, adotando um discurso com o intuito de colar o Ministério Público em Michel Temer e seus colaboradores mais próximos, muitos deles já devidamente carimbados pela Lava Jato. A premissa é que o bombardeio ao atual presidente e sua távola redonda ajudaria a quebrar o protagonismo do PT e do próprio Lula na Operação. Permitiria também o take over do “Fora, Temer”, grudando o slogan das ruas às investigações do “petrolão”. Ao mesmo tempo, jogar foco sobre Temer evitaria que o ex-presidente concentrasse sua munição contra os procuradores de Curitiba. Até porque este está longe de ser o melhor Lula. Quando se dirige ao Ministério Público, ele automaticamente precisa vestir uma camisa de força e tomar todos os cuidados. Ontem, por exemplo, não fez qualquer menção nominal a Deltan Dallagnol, chefe da força tarefa e âncora do espetáculo midiático conduzido na véspera pelo Ministério Público. No PT, há a convicção de que um duelo escancarado não é o caminho mais recomendável. Seria muito desgaste para pouco resultado, tamanho o prestígio de Sergio Moro e seus cruzados junto à opinião pública. Além do mais, até no discurso oficial quem quer abafar a Lava Jato é Temer, Renan, Cunha, Aécio etc. Não Lula.  No entanto, talvez o ponto mais sensível seja como Lula deve abordar a palavra que não ousa dizer seu nome. Ontem, em 1h20 de discurso, ele não pronunciou o termo “prisão”. Contudo, quem o psicografa garante que o tema terá a sua vez e Lula, como de hábito, saberá o timing exato de colocá-lo sobre a mesa. Ao citar a questão de viva-voz, ele poderá dizer que sua detenção está decidida há décadas e décadas pelas elites. E que o que está em jogo não é o seu cárcere, mas a prisão de uma causa. Por enquanto, não há pistas sobre quem terá o mando de campo do destino de Lula: o discurso evangelizante dos rapazolas da procuradoria ou o rugido rouco das ruas. A única aposta firme é que a imolação de Lula é uma fagulha com inegável poder de combustão.

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09.09.16
ED. 5451

Lula exibe seu capital político aos verdugos

 Quem acompanhou a gigantesca manifestação na Av. Paulista, no último dia 4, assistiu ao ex-presidente Lula mostrar sem rodeios qual o seu cacife para negociar uma eventual prisão. O protesto de domingo passado foi o sétimo seguido, e o maior de todos – cerca de 100 mil pessoas. Apesar dos gritos de “Volta Dilma”, “Fora Temer” e “Diretas Já”, ninguém estava lá especificamente para entoar os slogans, e, sim, para ouvir Lula. O resto era “quem mais chegar”, conforme as palavras de Paulo Okamoto. E o ex-presidente falou do golpe, da injustiça e da traição à “companheira Dilma”. Disse que está disposto a negociar com o atual governo em bases mais cordiais; que pode ser, sim, candidato à presidência; que conta com o povo para avançar nas conquistas sociais. Mas as palavras que soaram fundo nas massas foram menos conciliadoras. Lula trovejou que “há o aceitável e o não aceitável, e um limite para tudo, mesmo na política”. Para bom entendedor do lulês, o recado foi claro: se a sua prisão for levada a cabo, não vai ter ventania, vai ter tempestade. Ou seja: quem coloca essa multidão nas ruas tem o caos como capital político.  A mensagem é oportuna, pois o cerco se fecha. O ex-presidente da OAS , Leo Pinheiro, está à disposição da sanha inquisidora dos juízes de Curitiba. O ex-diretor da Petrobras Renato Duque, por sua vez, delatou que recursos de propina teriam sido transferidos para as campanhas de Lula e Dilma. Frase atribuída a Paulo Okamoto: “Se eles prenderem o Lula, a manifestação passa de 100 mil para um milhão. E já não terá mais slogans, mas somente uma palavra de ordem: Soltem o Lula”. Como diz o ex-presidente FHC: “Não basta que os juízes tenham provas, é preciso que eles saibam explicá- las muito bem, pois, se prenderem o homem, os riscos e consequências serão para todos nós”. Definitivamente, não parece uma medida prudente.

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01.09.16
ED. 5446

The judge

 O ex-presidente Lula espera uma declaração favorável de Joaquim Barbosa nos próximos dias. Mas não são favas contadas.

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29.08.16
ED. 5443

Interrogação

 Dona Marisa está aflita com a ideia de Lula comparecer à defesa de Dilma Rousseff, hoje, no Senado. Inicialmente, ela estimulou a iniciativa e insistia em acompanhá- lo. Mas, depois do indiciamento, o ex-presidente ficou muito nervoso. Agora, Dona Marisa acha melhor que ele não vá.

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15.08.16
ED. 5433

Cara nova

 O que têm em comum Thomas Morus e Henrique XVIII com Antônio Palocci e Luiz Marinho? Em princípio, nada. Mas há um pouquinho, sim. Palocci assumiu a missão de burilar o prefeito de São Bernardo. Tornou-se seu preceptor com a concordância de Lula. É um quadro a ser trabalhado para o futuro. E o futuro pode ser até 2018.

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16.06.16
ED. 5391

Manual

 Está sendo negociada no mercado editorial uma biografia do empresário Mário Garnero. Dá um livraço. Uma das cenouras é a participação de Lula em vários momentos da história.

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 O futuro da democracia brasileira passa, nas próximas semanas, pela antecipação da eleição direta para a Presidência, um pacto entre as principais lideranças políticas e os Poderes da República e a definição sobre a negociação de uma “janela” na Lava Jato para que o pleito possa se dar de forma soberana. A ordem dos fatores altera o produto. O pacto social antecede os demais, pois lubrifica as mudanças constitucionais necessárias e o novo ambiente institucional. O acordão por meio do qual pretende se legitimar as “Diretas Já” é primo distante daquele conspirado por Romero Jucá e Sérgio Machado. É motivado por intenções distintas, pode ser articulado e anunciado à luz do dia e, em vez de ser uma costura entre Eduardo Cunha, Michel Temer, Renan Calheiros et caterva, seria alinhavado, por cima, por Fernando Henrique Cardoso, Lula, Ciro Gomes, Dilma Rousseff, Jaques Wagner, Tasso Jereissati e, acreditem, Aécio Neves, além de empresários de primeira grandeza que voltaram a pensar no Brasil.  Os articuladores não acreditam em uma reação de Temer e sua turma, denunciando o “golpe dentro do golpe”, apesar de estarem atentos aos afagos cada vez mais explícitos do presidente interino aos comandantes militares. O professor de Direito Constitucional e suas eminências pardas sabem que a governança do país é extremamente frágil. Um “frentão” juntaria as ruas com a Av. Paulista e mudaria de direção o leme da imprensa. O espinho é o que fazer com a Lava Jato, que, se por um lado, descortinou as tenebrosas transações com a pátria mãe tão distraída, por outro, gangrenou a democracia com a criminalização do futuro. A instituição de uma “janela” na nossa Operazione Mani Pulite seria uma concessão para que as eleições diretas já não se dessem no ambiente de investigações, delações e aceitação de provas forjadas que sancionam a culpa antes mesmo da denúncia. Pensa-se em algo derivado a partir do modelo de anistia com punições razoáveis criado para a repatriação do capital estrangeiro: quem confessa sua irregularidade não é criminalizado, mas paga multa pecuniária.  Todos os participantes desse programa de adesão espontânea não teriam seus direitos eleitorais subtraídos inteiramente, mas somente no próximo pleito. A condição para que o próprio infrator confessasse a “malfeitoria de fato” sem ser criminalizado esterilizaria os porões das investigações, nos quais a intimidade do cidadão é devassada e revelada no limite dos seus pensamentos inconfessáveis, que nada têm a ver com qualquer dos delitos aventados. É nesse ponto crucial que surge a importância simbólica de Sérgio Moro em toda essa arrumação. Caberia a ele validar a seguinte mensagem: a Lava Jato não morreu, a Lava Jato entrou em uma nova fase. E não vai ter “golpe” e crime estampado diariamente nas bancas de jornais. Vai ter eleição e vai ter governança.

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26.04.16
ED. 5355

Lula lança sua campanha de fora para dentro do Brasil

 O ex-presidente Lula programa sua caravana internacional para depois de batido o martelo do impeachment. Lula, conforme noticiou o RR na edição de 12 de abril, aposta que o longo prazo fortalece o discurso do “golpe” e que a mídia estrangeira poderá dar uma contribuição inestimável para a volta do PT. Afinal, todos os principais jornais do mundo publicaram que Dilma foi vítima de uma “trama anticonstitucional” e que os responsáveis pela sua queda são acusados de corrupção, sem exceção. Por essa linha de raciocínio, é preciso alimentar esses jornalões e emissoras de televisão. Nas hostes petistas reina a descrença de que os “golpistas” tenham disposição para enfrentar a mídia estrangeira. Os gringos já marcaram sua posição contrária ao impeachment. E Eduardo Cunha, Renan Calheiros e mesmo Michel Temer não são bem os porta-vozes dos sonhos para a missão de reverter a opinião lá fora. Ninguém acredita também que um personagem com respeitabilidade no exterior, a exemplo de Fernando Henrique Cardoso, vá se prestar ao papel de ser o diplomata do impeachment. A última coisa de que se pode acusar FHC é que ele seja tolo.  Com relação a Lula, não faltam pedidos de entrevistas. The New York Times, Le Monde, Le Figaro, El País, The Wall Street Journal, Der Spiegel, entre outros jornais e revistas que desancaram o impedimento de Dilma Rousseff, estão na fila. O minueto entre Lula e Dilma Rousseff dessa vez parece ter sido bem ensaiado. Dilma sabe que está fora do governo. Entre os devaneios palacianos não falta, inclusive, quem a veja saindo do Alvorada antes de conclusos os 180 dias da sua crucificação pelo Senado Federal. Mas a presidente rebate esse gesto como se fosse uma adaga cravada em seu coração. Seu sacrifício até o último dia no cargo é o tributo que pagará pelo fortalecimento da candidatura do ex-presidente em 2018.  Por sua vez, a Lula cabem as acusações do “golpe” e a lembrança do legado do seu governo. Elas são a dupla mensagem com que pretende caminhar até 2018. A caravana holiday do ex-presidente é multiuso. Ela colabora também na blindagem do que vem sendo chamado de “Segundo Golpe”, ou seja, a prisão de Lula. Na pauta estão conversas com organizações de direitos políticos e humanos e chefes de Estado. Dessa vez, a campanha também vai se dar lá fora. E mesmo que haja um esforço concentrado para antecipação da prisão de Lula, não tem jeito, vai dar no New York Times.

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15.04.16
ED. 5349

Schlag nicht

 A estratégia de Lula de martelar o discurso do “Não vai ter golpe” junto à mídia internacional vem surtindo efeito. Em suas matérias, o correspondente da Der Spiegel no Brasil, Jens Glüsing, tem se posicionado de forma contundente contra o impeachment de Dilma Rousseff, não obstante o perfil de centro-direita da publicação.

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14.04.16
ED. 5348

Um programa de governo entre a adoção e a orfandade

 Atos políticos contundentes e soberanos, enfrentamento aberto dos adversários irrecuperáveis, uso intensivo da comunicação de massa, proposta de plebiscito para questões emergenciais que exigem apoio popular e um novo rito para convocação do Congresso visando a apreciação de projetos de elevado interesse nacional. Segundo fonte do RR na Casa Civil, essas são as linhas gerais da estratégia do governo para assumir com pulso forte o que está sendo chamado de quarto mandato do PT, caso a presidente Dilma Rousseff consiga vencer a dura batalha contra o impeachment neste domingo. Dilma e Lula se dividirão na maior ou menor exposição dessas operações, que também levam em consideração o tempo do ex-presidente no governo, caso ele consiga assumir a Casa Civil, e seu ingresso na campanha eleitoral.  Ambos têm clareza que uma nova gestão precisará ser tonificada com ações de impacto e capital humano de qualidade. Lula é quem vai buscar o “fator gente” para colaborar com as ideias e as formulações necessárias à rearrumação da casa. Tem jeito para a missão. Apesar de todo ódio que é destilado, conversa ao pé de ouvido com o empresariado. E vai ter nova carta ao povo brasileiro. Muita coisa já está pronta, nas gavetas de Nelson Barbosa e Valdir Simão. São reformas da previdência, fiscal e uma versão 2.0 da desburocratização do finado Hélio Beltrão, avançando em medidas para reduzir o Custo Brasil. Terão prioridade as comunicações, a Petrobras e a corrupção. Não será uma surpresa excepcional se o governo abrir um canal de conversação com os procuradores de Curitiba, que são quem detêm hoje os projetos constitucionais mais estruturados para o combate à corrupção. Uma novidade será a busca de grandes parcerias internacionais, que permitam a captação de recursos para investimentos, e de novos acordos externos na área de comércio. A China é uma das mecas, mas cabem na lista países do Oriente Médio, além de todas as agências multilaterais. Lula é um especialista nesse assunto e sempre criticou a presidente por ter uma política externa tíbia, desperdiçando oportunidades raras como o acordo multissetorial assinado com a China, uma peça cheia de fios desamarrados.  E o superávit primário? Bem esse mantra já foi incorporado pelo governo. Aliás, por qualquer um que venha a dirigir o país. Talvez seja tarde demais para Dilma – Lula ainda tem 2018. Mas quem sabe não seria o caso de repetir o lapso cognitivo de Michel Temer e digitar essas linhas gerais para um grupo pensando em outro. Seria uma pena um projeto desses não vir à tona.

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14.04.16
ED. 5348

Corpo a corpo

 Até domingo, Lula deverá ter pelo menos mais uma conversa olho no olho com Ciro Nogueira, presidente do PP. É bom lembrar que, para todos os efeitos, o partido rompeu com o governo, mas Nogueira não.

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01.04.16
ED. 5339

Pesquisas reforçam discurso de Lula e Dilma contra o “golpe”

 Dilma Rousseff e Lula estão trabalhando intensamente em duas frentes de batalha que se interligam no bordão do governo: “Não vai ter golpe”. Pesquisas encomendadas pelo Planalto asseguram que a mensagem do “golpismo” tem um bom retorno na defesa do mandato de Dilma. O ex-presidente mergulhou de cabeça na repactuação da base aliada. Lula não faz só os agrados de praxe. Ele leva duas mensagens com valor de troca para o seu público: Michel Temer ainda vai experimentar do mesmo prato indigesto de vazamentos e manipulações da realidade; e, se não houver impeachment, aqueles que ficaram com o vice-presidente vão ser servidos com um repasto muito rarefeito. O trabalho de Lula é paciente como o de um tecelão, não obstante o tempo exíguo. Nos últimos dias, ele conseguiu seis importantes defecções do pretenso monólito peemedebista. Nada mais sintomático do que a declaração feita ontem por Renan Calheiros, classificando o rompimento do partido com o governo como uma “decisão precipitada e pouco inteligente”.  Em outro front, Dilma Rousseff aproveitará todas as oportunidades positivas para pendurar o discurso antigolpe – vide o evento de lançamento da terceira fase do “Minha Casa, Minha Vida”. Nesse sentido, Dilma ganhou um trunfo de onde menos se esperava: na economia. Ela começa a colher os resultados de duas árvores tidas por muitos como infrutíferas: as gestões de Joaquim Levy e Nelson Barbosa na Fazenda. O cenário que se avizinha é mais confortável. Seja em função do câmbio, seja pela própria recessão, já é líquido e certo que a inflação vai ceder. A queda dos juros também está no horizonte. O mercado espera uma redução da Selic a partir de agosto. Mas, no Planalto, a torcida é que ela venha já na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 26 e 27 deste mês. Nesse caso, a taxa cairia de 14,25% para 14%.  Do ponto de vista político e mesmo no que diz respeito à comunicação com a população, estes fatos, por si só, não têm qualquer impacto. No entanto, devidamente embalados, servem de moldura para o mantra contra o impeachment. Mais importante ainda é a folga no orçamento obtida com o adiamento das metas fiscais pelo ministro Nelson Barbosa. Parte desses recursos será remanejada para programas de cunho social e estímulo à produção. Mais uma vez, a economia poderá ser usada em prol da política na tentativa de conter a avalanche do impeachment. Enquanto Lula sussurra em Brasília, Dilma grita em alto e bom som: “Não vai ter golpe”. É o que resta. Mas pode ser que não seja pouco.

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28.03.16
ED. 5335

Dilma não quer saber de agenda positiva

 O roteiro original não era esse. No script previsto, com Lula postado ao seu lado, já empossado no Gabinete Civil da Presidência, Dilma Rousseff anunciaria uma no cravo e outra na ferradura, ou seja, a inclusão de R$ 80 bilhões nas despesas previstas no orçamento exclusivamente dirigidas ao deslanche da atividade econômica; e a proposição de um leque de reformas estruturais (previdência, federativa, tributária, política) com prazo de envio firme dos projetos ao Congresso. Essa última medida, entraria na conta da campanha do Lula 2018, levando a mensagem de um Brasil repaginado e moderno. Com a cassação da posse no ministério, a estratégia ficou manca. Isolada, no seu tradicional deserto de agendas positivas, Dilma esqueceu as reformas e qualquer escrúpulo macroeconômico, mandando o superávit primário às favas. Partiu para obtenção dos recursos necessários para aquecer a economia no orçamento e nas suas franjas. Para não variar jamais, agiu de forma equivocada.  A trapalhada começa com Nelson Barbosa a quem é incumbida a tarefa de caçar os recursos. Barbosa faz todo o estardalhaço a que tem direito, permitindo que a mídia transformasse o que deveria ser apresentado como um programa de recuperação econômica em uma grave irresponsabilidade fiscal. Agora, se Dilma ousar anunciá-las, ao invés de um agrado à Nação estará coonestando um crime fiscal de lesa-pátria. Em síntese, transformou o banquete em jejum. Resta saber se Lula assumirá ou se, mesmo como assessor especial, desempenhará funções parecidas. Caberá a ele reverter o jejum em banquete. Afinal, não há habilidade política que dê jeito em expectativas permanentes de um futuro pior. Lula vai ter de dar credibilidade à agenda de reformas e o porvir das contas fiscais. Na presidente, ninguém acredita.

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21.03.16
ED. 5331

Oito cenários à procura da realidade

 As fichas estão sendo apostadas no impeachment de Dilma Rousseff e na prisão de Lula. Mas a ambiência institucional e a volatilidade dos fatos suportam as mais variadas hipóteses, algumas indesejáveis e outras até extravagantes. O RR desenhou seus cenários e deu suas respectivas notas. Escolha o seu. Mas não espere encontrar uma opção tranquilizadora.  CENÁRIO 1: São cumpridos os ritos do impeachment na Câmara e no Senado, e Dilma Rousseff já está pré-condenada por todos. É possível, bem razoável, que Sergio Moro tenha mais alguma gravação “fortuita” para dar o xeque-mate na presidente. Tudo muito rápido. A esquerda patrocina a ideia do exílio de Dilma. Ela vira uma versão grosseira e mal educada de Zélia Cardoso de Mello. Ficará eternamente lembrada como a pior presidente da República de todos os tempos. Nota AAA   CENÁRIO 2: Lula não assume a Casa Civil devido à interpretação condenatória do STF, é preso e, logo a seguir, é sentenciado – no melhor estilo Sergio Moro, a toque de caixa. Pega de 20 a 30 anos de prisão. Algo similar à condenação de Marcelo Odebrecht. A militância do PT desiste de reagir diante do massacre da mídia e da maioria crescente da população, que coloca em dúvida a lisura do ex-presidente. Lula fica engradado e solitário. Esse é o seu pior pesadelo, o do “Esqueceram de mim”. Nota AAa  CENÁRIO 3: Lula consegue assumir o ministério. Faz um discurso seminal em horário nobre. Chama todos à militância. Faz anúncios irresistíveis, a exemplo de um programa de recuperação social e econômica. Lula quebra a espinha dorsal da mídia ao usar à exaustão o horário pago de televisão. Falaria por volta de 10 minutos no horário do Jornal Nacional ou no intervalo da novela das 21 horas. O ex-presidente, com esse show off, reduz a animação dos “coxinhas”. Ainda nesse cenário, Dilma surfa no desarmamento dos espíritos patrocinado por Lula. O impeachment é postergado. Lula e Dilma determinam uma devassa fiscal seletiva e um levantamento de todos os passivos trabalhistas e previdenciários de veículos de comunicação escolhidos a dedo. Nota Bbb   CENÁRIO 4: Lula é preso. Dedica-se a escrever seus diários. Relata como foi perseguido por Sergio Moro, na lenta transformação do regime em um macarthismo verde e amarelo. Com dois ou três anos de cárcere, vai se tornando um ícone, um Nelson Mandela tupiniquim. Nota BBb  CENÁRIO 5: Dilma Rousseff não aguenta a onda e renuncia antes do término da abertura da sessão de impeachment. Lula vence a batalha das liminares no STF e permanece no Gabinete Civil da Presidência. Com um pedido público emocionado de Dilma, segue no cargo mesmo com a renúncia da presidente. Michel Temer assume. Vai governar com Lula. O ex-presidente fica mais à vontade, na medida em que Temer passa a ser investigado no esquema de arbitragem dos preços do etanol na BR Distribuidora e, em segundo plano, do feudo na Companhia Docas de Santos. Nota BBB  CENÁRIO 6: O TSE encontra provas do uso da grana do petrolão para o financiamento de campanha da chapa Dilma/Temer. Game over. Lula é preso. Dilma e Temer rolam o despenhadeiro. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, assume a presidência da República, com o compromisso de realizar eleições em 90 dias. Moro alveja Cunha frontalmente. Assume o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, que carrega um portfólio de denúncias de documento falso, peculato e falsidade ideológica. Renan também cai na rede de Moro. Ascende, então, um togado. O presidente do Supremo – Ricardo Lewandowsky ou, a partir de setembro, Carmem Lucia – cai de paraquedas na Presidência da República. A partir de 2017, portanto na segunda metade do mandato, a eleição do presidente se dará por voto indireto. Os atores que sobem no proscênio da envergonhada política nacional, concorrendo no voto direto ou indireto, são Aécio Neves e Nove cenários à procura da realidade Geraldo Alckmin, Eduardo Paes, José Serra, Ciro Gomes, todos sabidamente patos para Sergio Moro. Sim, restam Marina Silva e Jair Bolsonaro. A julgar pela ausência no momento mais crucial da República, Marina trocaria as eleições no Brasil pelas do Tibet. E Bolsonaro, mesmo que concorra conforme as mais rigorosas normas democráticas, será golpe de qualquer maneira. Nota aaa  CENÁRIO 7: A tensão cresce no país. A nação corre o risco de se transformar em uma praça de guerra. A primeira bala perdida, um número maior de feridos, um confronto corpo a corpo com as forças da ordem e pronto: terão extraído o magma fumegante que assopraram com convicção. Sangue e porrada na madrugada. Dilma, na condição de comandante em chefe, convoca o Conselho Nacional de Defesa, dentro dos estritos ditames constitucionais. Sentados no Conselho, o ministro da Defesa, os três comandantes militares e o chefe da Casa Civil – Lula or not Lula. Juntos, analisam a exigência de se lançar mão do estado de emergência, instituto cabível na situação citada. Golpe? Nenhum, pois a iniciativa está prevista na Constituição. Na excepcionalidade da circunstância, a ordem tem de ser mantida. As negociações com o Congresso e o Judiciário mudam muito! Nota BB+   CENÁRIO 8: O onipresente Sergio Moro avança no seu projeto de dizimar a classe política e refundar o Brasil. Todas as lideranças estão ameaçadas para valer: Lula e Dilma, é claro, mas também FHC, Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Michel Temer et caterva. Os políticos se reúnem para firmar um pacto, um governo de coalizão nacional, compartilhado entre os partidos. Todos acolhem que esta é a melhor solução não somente para a sobrevivência jurídica, mas para tirar o Brasil do atoleiro. Os líderes acordam que a fórmula para estabilizar a economia brasileira é promover um ajuste relâmpago no estilo Campos-Bulhões. Com o Congresso dominado, é pau na máquina. Nota CCC

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11.03.16
ED. 5325

Lula e Dilma só teriam a Força em outra galáxia

  Há um tempo não mensurável, em uma galáxia nas cercanias, personagens replicantes se confrontam em manifestações pelas ruas da cidade. Os seres análogos a Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, acuados pelas denúncias da oposição, veem exauridas as possibilidades de reagir ao adversário. Ambos perderam seu contato com a Força, leia-se a maioria da população sofrida e carente daquelas paragens do universo. Em um governo de coalizão com a traiçoeira timocracia e fragilizados pelos malfeitos de sua própria espécie, estão encurralados entre a masmorra e o abismo. Em meio à recessão, ao desemprego e à desesperança que se abatem sobre a República, a escolha só poderia ser governar para o povo e com o povo. A política de ajuste focada somente na redução do emprego, na desaceleração da economia e na queda do salário real seria revertida, tornando-se um fabuloso programa social e de retomada do investimento. Com essa decisão, “Dilma do B” unificaria sua base partidária, que se sentia traída pela adoção do receituário das hostes inimigas. O Lula intergaláctico, por sua vez, se tornaria ministro plenipotenciário para assuntos de Estado, com a missão de viabilizar o projeto o mais rapidamente possível, sem que isso significasse um ato de exceção diante de uma eventual condenação da Justiça.  Os replicantes Dilma e Lula ganhariam tempo para conseguir a tonicidade necessária à implementação das grandes reformas estruturais, que teriam sua realização garantida a partir do primeiro biênio de vigência das medidas. Como prova da solidez das iniciativas e da integridade das suas intenções, a dupla proporia a instituição do recall em um ano, contado a partir da data de anúncio das ações. A desaprovação popular, portanto, poderia  ceifar o mandato dessa “Dilma espacial” em pouco mais da metade da sua gestão. Ambos prestariam contas semanalmente em rede nacional de TV sobre os avanços e resultados do novo programa.  Os recursos seriam obtidos em fontes que não exigissem aprovação no Congresso, notadamente mudanças na Constituição, e tampouco implicassem a disparada da dívida pública bruta. A Petrobras seria capitalizada por meio da conversão do seu endividamento junto a bancos públicos em participação acionária e recompra de passivos por um fundo soberano constituído por fração das reservas cambiais. Os recursos da repatriação de capital, da securitização da dívida ativa da União, da venda emergencial de estatais e todo o patrimônio disponível seriam canalizados para esse “New Deal interestelar”. O orçamento da União seria preservado de uma contribuição maior. O governo iria buscar recursos no Banco Mundial, no BID, no Banco dos Brics e, eventualmente, através de dívida soberana para financiar o programa de recuperação do consumo. Os dois simulacros fariam da nova agenda a sua bala de prata para confrontar o exército inimigo. Mesmo que derrotados nessa guerra das estrelas, o ideário da República sobreviveria a um tempo de equívocos e arrependimentos. Cabe a pergunta: a Força estará com eles?

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08.03.16
ED. 5322

Organização

 Na última sexta-feira pela manhã, menos de duas horas após a operação da PF no apartamento de Lula, João Pedro Stedile e outros líderes do MST já arregimentavam integrantes do movimento no interior do Rio Grande do Sul para ir às ruas no dia 13 em defesa do ex-presidente. No dia seguinte, o próprio Stedile ainda subiria o tom, falando, inclusive, em “parar as estradas do Brasil” – conforme vídeo disponível no Youtube.

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07.03.16
ED. 5321

Jararaca empurra a Lava Jato no rumo da isenção

 Pode ser que a jararaca não vire o jogo ainda, mas o humilhante episódio da condução coercitiva vai corrigir distorções escandalosas no processo de delação premiada. Até agora, Ministério Público e Polícia Federal bons eram aqueles que colhiam depoimento de indícios de ilícitos somente de um setor das arquibancadas, ideologicamente bem definido e representando o agrupamento político mais odiado pelas classes dominantes. Esse agrupamento era invariavelmente associado com o segmento empresarial detentor da pecha de mais corrupto da sociedade pelo fato de ter as incestuosas relações com o Estado desde sempre. Ministério Público e Polícia Federal ruins seriam os que se manifestassem pelo benefício da dúvida para o PT e as empreiteiras que sempre viveram nas franjas de qualquer governo. É possível que tenham surgido condutas condenáveis ou criminalizáveis dessa parceria? É mais do que provável; é certo. Mas é injusto, faccioso, tendencioso que as delações premiadas fiquem circunscritas a um lado só da história.  Pois bem, segundo uma fonte do RR, a reação popular à condução coercitiva de Lula tocou fundo nas sinapses do estrategista Sergio Moro. Até agora a batalha pela adesão popular tinha sido ganha. Mas só até agora, ressalte-se. Existem 11 delatores premiados na fila para a beatificada deduragem. A orientação agora é que a entrevista seja giratória, ou seja, o dedo duro terá de acrescentar denúncias novas em outras esferas de interesse, ou seja, fora do “crime em voga”. O delator vai precisar sair da casca e entregar infrações em áreas diversas, personagens diferentes, partidos e grupos ideológicos distintos. Em síntese, terá de fazer justiça, a concepção que Moro vendeu, mas não entregou. O impacto da entrada de Lula em cena, inflado pela humilhação, fragiliza a opção única pelo PT como monopolizador da criminalidade nacional. Avaliaram mal a força do seu carisma. A operação, que era para quebrar a espinha do ex-presidente, ressuscitou sua fibra e a militância do partido. Um desastre de imagem, para um nada de retorno.  O RR teve a garantia de que Lula vai bater na tecla dessa descarada predileção do Judiciário por ele e seus companheiros. Os procuradores, por sua vez, não passarão recibo. Para manter o projeto de poder da República de Curitiba, Moro vai trazer à baila a turma de FHC, Sarney e Collor. Aliás, o RR nunca acreditou que o PT fosse uma obsessão dos procuradores. A coroa de espinho da oposição estaria guardada. O foco original no PT era devido à sua condição de poder dominante. Agora, vai sobrar delação para todo mundo. Se não for assim, Moro, ao invés de virar o Zorro, o justiceiro, vira o Tonto, enviesado de corpo inteiro no jogo político.  NR: A questão Lula em nada altera a palermice do governo. Dilma Rousseff tem de acertar alguma coisa para pegar uma carona no episódio.

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07.03.16
ED. 5321

Munição guardada

 O presidente do PT, Rui Falcão, tem dito em circuitos fechadíssimos que a maior munição guardada no paiol do governo é uma troca ministerial: Lula na Casa Civil e Antônio Palocci de volta à Pasta da Fazenda. Como hoje não existem grandes protagonistas da política que não estejam engolfados pela maré denuncista, não há nada contra Lula e Palocci.

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26.02.16
ED. 5315

Velas acesas

 Lula tem acendido uma vela para os empresários e outra para os intelectuais. Nesta semana conversou com um dirigente de instituição financeira. Estão previstos encontros do ex-presidente com acadêmicos em vários estados.

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29.01.16
ED. 5298

Quem disse que Lula silenciará com a prisão?

 Os corvos mais afamados grasnam estridentes: é uma questão de dias ou semanas a prisão preventiva do ex-presidente Lula. Um tempo longo quando se pensa que ela está decretada há mil anos com base em odiosa discordância ideológica de opositores. Portanto, parece não haver novidade se ele for encarcerado no âmbito da Operação Lava-Jato. Mas há o risco e tensão de que a liturgia da degradação não ocorra em praça pacificada. Existem sérias dúvidas sobre a forma de reação de Lula e a resposta dos movimentos sociais a uma eventual conclamação do ex-presidente. Analistas refinados do cenário político consideram que não haveria por que Lula “deixar barato” um episódio que vem sendo refogado em banho-maria desde o início da Lava-Jato. A única questão rebelde em meio ao oceano de previsibilidade era sobre o timing da prisão: mais próxima ou menos próxima da eleição presidencial. Tudo indica que venceram os moderados, aqueles que previam um risco de maior comoção caso a medida fosse tomada nas cercanias de 2018. Mesmo que o assunto esteja sendo tratado como “estritamente jurídico”, valem as advertências: Lula é um ícone, está em xeque toda a sua história, a prisão será associada a um projeto de assassinato do PT.  Pelo menos potencialmente existe uma “nação petista” aguardando ansiosamente a ordem de combate e a própria presidente Dilma se verá obrigada a entrar firme na contenda. A combinação de fatores coloca a “República de Curitiba”, como são chamados os procuradores que gravitam em torno do juiz Sérgio Moro, no cume da sua responsabilidade. A prisão de Lula e os prováveis episódios de aviltamento – vazamentos seletivos, pré-julgamentos na mídia, delações premiadas, encarceramento por tempo indeterminado etc. – atingem o cerne da sucessão política. O ex-presidente Lula tinha na última pesquisa de opinião cerca de 30% dos votos certos na eleição de 2018. Que perca metade, ainda não seria pouca coisa para início de campanha. Tem a memória coletiva a seu favor. Ou não foram tempos de bem-estar para a população a chamada “era Lula”? E ainda que por uma lógica tortuosa conta com a piora do ambiente socioeconômico a seu favor. A lembrança tende a ser: “Com Lula não era assim.”  As consequências da prisão seguem longe. Vão para o mesmo saco também o governo e o mercado, cujos interesses se entrelaçam. Dilma vai dispersar, fazer mais oposição do que governar. Ela não é bem o que pode se chamar de petista, mas com Lula engaiolado a Lava-Jato chega à sua sala de estar e reaquece o caldeirão do impeachment. Resumo da ópera: projetos de concessões parados, aumento da aversão ao risco e mais recessão. E o mercado? Bem, as bolsas vão primeiro subir e depois cair, com a antevisão de que o apetite pelo crédito e o consumo cairão, que o dólar dará um salto e que mesmo com os ativos baratos os investidores externos entrarão em sobressalto com a hostilidade política e psicossocial do país. A alternativa a esse estado dos fatos é Lula assumir o silêncio dos cordeiros, o povo ignorar solenemente sua prisão e Dilma dar as costas para o ex-padrinho, desmoralizado e pestilento. Convenhamos que é difícil.

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28.01.16
ED. 5297

Lula romper com Dilma é uma estultice como nunca se viu

 A tese de rompimento de Lula com a presidente Dilma Rousseff tendo em vista a candidatura em 2018 é no mínimo naif. O RR conversou com um dos interlocutores mais próximos do ex-presidente – olhem para o Instituto Lula e vão encontrar a fonte sempre por lá – que disse: “Só quem não conhece o Lula não sabe que ele combina o morde e assopra.” Ele e Dilma conhecem os passos do minueto. A ideia é que Lula empurra as decisões do governo – ou atravanca – em acordo com a presidente. Lula é um campeão em alçar balões de ensaio. Quando parece que ele está contra o Planalto, é tudo acordado. A declaração de que o governo deveria dar uma “keynesianada”, abrindo os cofres para que os bancos públicos ampliassem os financiamentos para o aquecimento da economia não poderia ser dada por Dilma. Se ela falasse, sancionava. Nelson Barbosa só arranhou o assunto. Lula não. Ele podia colocar na roda – como fez – para ver o retorno dos agentes econômicos, mídia etc e tal.  A empinada do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social também foi uma dessas tricotadas. Uma das participantes do Conselhão já tinha convencido Dilma sobre a oportunidade do relançamento do CDES. Na conversa da presidente com Lula, ficou acertado que o vazamento se daria como se a ideia fosse dele. Assim foi feito. Saiu na imprensa que a sacada era de Lula e que Jaques Wagner seria o operador. Dilma estará lá hoje, toda supimpa fazendo o discurso inaugural. A fonte do RR disse que o ex-presidente ficou muito mais confortável com nomes como Jaques Wagner, Edinho Silva, Ricardo Berzoini e Nelson Barbosa ocupando os cargos principais do Planalto e Fazenda.  Mas isso em nada alterou o compromisso entre ambos de acertar, passo a passo, a articulação política. É a cláusula pétrea da relação dos dois. Segundo a fonte, “é óbvio que para Dilma é ruim o distanciamento ou a fragilidade política do seu maior esteio. Quanto a Lula, não dá nem para imaginar ele queimando caravelas e fechando portas. No que diz respeito a assuntos cabeludos, tais como o triplex de Lula ou o envolvimento de Dilma com a Lava Jato, ficamos assim combinados: nem um nem outro darão qualquer declaração que avance além da convicção de ambos em relação à lisura mútua, nada que adentre os meandros do caso. As defesas tanto de um quanto de outro serão amareladas porque fazem parte da misen-scène acertada. No mais, está compreendido que o candidato a presidente tem que criar fatos e discordar com jeitinho da titular do cargo. Lula é o candidato em 2018. Candidato dele mesmo e de Dilma. Esse chumbo trocado não dói. Somente se houver um fato excepcional, daqueles fora da curva, essa equa- ção será alterável.

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15.12.15
ED. 5269

Impeachment de Dilma traz o fantasma do “Volta, Lula”

 O empresariado paulista está dividido em relação ao impeachment de Dilma Rousseff. De um lado, a “banda de música” da Fiesp, regida por Paulo Skaf, faz campanha aberta em favor do impedimento. De outro, empresários “mais cabeça”, como Pedro Passos, Carlos Alberto Sicupira e Paulo Cunha, entre outros, ponderam, à boca pequena, que o afastamento da presidente da República pode resultar em novos problemas sem trazer soluções correspondentes. Nenhum dos grupos empresariais citados nutre simpatia por Dilma ou por seu governo. Mas as duas correntes têm sensibilidades distintas em relação ao impeachment. Enquanto Paulo Skaf lidera oligarcas raivosos, que apoiam o fuzilamento do mandato da presidente na expectativa de substituí-la por um representante autêntico – Michel Temer é quase um “membro de honra” do clube –, a outra turma enxerga um ambiente social tumultuado e o risco de um “sebastianismo lulista” em 2018.  Para o grupo reacionário que domina a Fiesp, o PMDB seria uma opção preferencial ao PSDB. O partido do vice-presidente Michel Temer e a entidade estão entremeados por raízes fisiológicas com o mesmo parentesco. Paulo Skaf enxerga em um mandato Temer a ponte para sua própria escalada ao Palácio do Planalto, reconstituindo uma era em que operários estavam aprisionados a sua condição social, cabendo à burguesia empresarial a condução do país. Com esse propósito obsessivo, os extremistas da Fiesp têm aberto o cofre para financiar uma campanha contra o governo de Dilma com paralelo somente no período pré-golpe de 64. Os empresários mais arejados, que se encontram, em parte, ligados ao Iedi e ao protopartido Rede, temem que o impeachment de Dilma acabe resultando em um falso combate ao mal que abateu o PT com mais do mesmo veneno. Anteveem também as ruas roucas e indignadas com a receita de política econômica do novo governo, que vai dizimar salários e empregos com sua “ponte para o futuro”. Curioso: trata-se da mesma receita que Dilma está implementando e implementará, caso escape das manobras para o seu afastamento.  Os empresários divergentes da Fiesp consideram o impeachment um presente para Lula, que retomaria o comando da oposição, despindo-se da fantasia de defensor-mor de Dilma Rousseff. Sem o contágio da gestão da presidente e podendo atirar contra tudo e contra todos, em um ambiente de recessão e queda da renda, Lula seria um adversário temível em 2018. Para esse grupo empresarial, a questão que se põe é qual o cenário menos pior: mais três anos de Dilma Rousseff ou a escalada de Lula à presidência em 2018. Progressistas ou reacionários, os empresários concordam nesse ponto: o risco de um quinto mandato do PT deve ser debelado de qualquer maneira. Até onde estão dispostos a ir contra o “Lula lá” é o que os diferencia.

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23.11.15
ED. 5253

Atento a 2018

 Lula demarcou o terreno da sua candidatura à presidência, em 2018. Só disputará a eleição se alguém tiver um projeto de governo que destrua o que fez pelo social. Leia-se que qualquer candidato será tachado de ir contra o social.

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28.10.15
ED. 5236

Maestro Jobim

Nelson Jobim teria sido acionado pelo próprio ex-presidente Lula logo nas primeiras horas da manhã da última segunda-feira. Com a discrição peculiar, acompanhou à distância todos os passos da incursão da Polícia Federal nas empresas de Luis Claudio Lula da Silva.

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27.10.15
ED. 5235

TIM Brasil pisca no radar da Operação Zelotes

  A Operação Zelotes avança sobre a TIM Brasil. A Polícia Federal e o Ministério Público têm informações que comprovariam a participação da companhia no esquema de pagamento de propinas a conselheiros do Carf. Novas revelações sobre o caso deverão ser divulgadas em breve por uma revista nacional de grande circulação, segundo o RR apurou. O alvo das investigações seria o processo em andamento no Carf relativo à compra da Tele Nordeste Celular Participações , negociação fechada pela operadora no fim dos anos 90. Procurada, a TIM não se pronunciou, alegando estar em período de silêncio.  A TIM foi autuada pela Receita Federal por ter se beneficiado indevidamente de um ágio de R$ 600 milhões para reduzir a base de cálculo do IR e do CSLL. O recurso da empresa, que tramita na 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Carf, tinha como relator o conselheiro Carlos Pelá, que pediu dispensa do cargo em julho deste ano. Em seu parecer, Pelá votou a favor da TIM.  As investigações da TIM se estenderiam na direção do escritório de advocacia Mussi, Sandri, Faroni & Ogawa. A firma já teria prestado serviços para a operadora na esfera tributária. Dois dos sócios do escritório são os renomados advogados Leonardo Mussi e Valmir Sandri. Tanto Sandri quanto Mussi eram conselheiros do Carf e deixaram o órgão entre o fim de abril e a primeira semana de maio. Também consultado, o Mussi, Sandri, Faroni & Ogawa informou que, por razões éticas e contratuais, “não se manifesta a respeito de clientes ou de processos sob sua responsabilidade” ou mesmo “questionamentos relacionados a empresas, ainda que não tenham, efetivamente, nenhuma relação jurí- dica com o escritório”.  Por falar na Operação Zelotes, a incursão de ontem da Polícia Federal na LFT Marketing Esportivo e Touchdown, de Luis Claudio Lula da Silva, teve forte repercussão no gabinete do deputado federal Andrés Sanchez. O filho do ex-presidente Lula é muito ligado ao parlamentar. Quando era presidente do Corinthians, Sanchez o contratou para trabalhar como preparador físico do clube e, depois, foi um dos maiores incentivadores para que ele abrisse sua própria empresa de marketing esportivo.

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19.10.15
ED. 5229

O orixá que habita o Palácio do Planalto

 Diz-se na Bahia que o ministro chefe do Gabinete Civil, Jaques Wagner é filho de Xangô, orixá do trovão e ligado à justiça. Que seja, mas ele também reza pela benção do profeta Davi. É preciso mesmo estar ungido para desenrolar as missões que lhe foram incumbidas. Wagner foi despachado para o Planalto com o múnus de rabiscar a minuta de uma II Carta ao Povo Brasileiro, bala de prata para enfrentamento da incredibilidade econômica, a ser usada após a superação do round golpista. Paralelamente vai afinar, dentro do Palácio, o jogo de espelhos, especialidade do chefe Lula. Algo mais ou menos como simular que o ex-presidente não pensa aquilo que disse, mas que o que disse está combinado com a presidenta e que Dilma vocaliza e governa diferente do que Lula supostamente deseja, mas no fundo, pasmem, é tudo a mesma coisa. Dessa tradução do realismo fantástico dependeria o futuro do PT e, é claro, sua performance nas eleições de 2018.   Assim, em suas articulações no núcleo duro do governo e nas entranhas do Congresso, Wagner garante, por exemplo, que o ex-presidente é a favor do ajuste fiscal, enquanto “o chefe” manda brasas no palanque contra a recessão, queda do salário real e no próprio Joaquim Levy. Tido como o mais manhoso dos petistas, cabe a Wagner negociar com o ministro da Fazenda. A diferença em relação à difícil conversa com Aloizio Mercadante é abissal. O baiano é bom de bico, fala mansa. Mal sabe Levy que Wagner vem fazendo sua cama para que, já já, venha, então, o messias Henrique Meirelles. Por enquanto, nesse finzinho de crepúsculo, o titular da Casa Civil vai acertando com seu companheiro da Fazenda os detalhes para encerrar, de uma vez por todas, a novela das empreiteiras, que está empatada há meses no mesmo capítulo, congelando a infraestrutura do país no período pré-cambriano. Wagner tem negociado com as construtoras o acordo de leniência engendrado por Levy para o desembargo das construtoras.   Nos préstimos do bom baiano pode também ser creditada a recente e indigesta rodada de conversações com Eduardo Cunha, reabrindo um canal de diálogo com o presidente da Câmara. Wagner assumiu o lugar de Temer na negociação política com suavidade, deixou Renan plácido como as águas da praia de Itacimirim, e, pasmem, conseguiu que Dilma ficasse restrita a suas aptidões, fazendo conferências sobre como estocar o vento. Wagner fala ao telefone com Lula todos os dias. Diz que gosta mesmo é de ficar em casa, um apartamento de classe média alta, no bairro da Federação, em Salvador, com vista para o mar ao fundo. Do lado, se encontra a Igreja de São Lázaro. Um conhecido médico baiano, considerado o maior parceiro de Wagner, conta que ele toma cervejinha com o pior desafeto da mesma forma que bebe com os amigos. O cabra é protegido.

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16.10.15
ED. 5228

Podem pular fora

 O ex-presidente Lula baixou os flaps da CPMF junto à bancada do PT na Câmara. Na reunião com os deputados, ontem, o ex-presidente liberou todos para que pulassem fora do barco. A lógica é bem lulística: perdido por um déficit fiscal é a mesma coisa de perdido por um déficit fiscal e meio. Com o rebaixamento do país por mais uma agência de risco, não haveria mais motivo para a correria. O imposto seria votado no ano que vem, lustrando o resultado fiscal de 2016, muito provavelmente sem Joaquim Levy no Ministério da Fazenda.

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06.10.15
ED. 5221

Imunização

Entre outras razões, há uma boa justificativa para Lula antecipar uma eventual pré-candidatura em 2018: buscar nas ruas uma “pré-imunidade” contra a Lava Jato.

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16.09.15
ED. 5207

Nada certo

Apesar de todo esse caos, Lula permanece com 30% das intenções de voto para 2018. Com mais 10%, o Lula lá fica por um triz.

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10.09.15
ED. 5203

Dilma Roussef tira dos ricos para iludir os pobres

 O ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, tem insistido na mesma ladainha junto a Dilma Rousseff. Rossetto, ilustre representante da diminuta falange trotskista no Brasil, acha que Dilma deve “meter o sarrafo nos ricos” e não ficar somente no blá-blá-blá de palanque. Tem de afinar o discurso com a política econômica, ou seja, fazer um ajuste fiscal progressista e viabilizar Joaquim Levy como uma espécie de Robin Hood tributário. O alerta diz respeito ao impacto perverso da política de cortes junto aos segmentos socialmente menos favorecidos e, principalmente, ao fato de que o câmbio depreciado e os juros em Júpiter tiram dos pobres e beneficiam os ricos.  A medição da concentração de renda neste último período do governo de Dilma deve apavorar mais o ex-presidente Lula do que o propalado risco de encarceramento. Enquanto os ricos enriquecem velozmente, os mais pobres estão tendo de lidar com uma taxa de desemprego crescente, redução dos programas sociais, diminuição da parcela de crescimento real do salário mínimo e um tiro no tórax do seguro desemprego. O Bolsa Família será mantido no mesmo valor, o que quer dizer que não será corrigido pela inflação da gestão Dilma, a mais alta dos governos do PT.  De Paris, em um quartier longe da Bastilha, Levy ecoou os ditos do Planalto. Pode ser pura coincidência, mas o anúncio dos estudos para a criação de impostos sobre fortunas e sobre rendas mais altas da pessoa física indica que a cacofonia da política e a regência da economia estão próximos de falar a mesma língua. O arsenal contra os ricos inclui ainda o imposto sobre heranças e doações, que já esteve na bica de ser criado algumas vezes.  Todos estes gravames não carregariam apêndices com vinculações a novos gastos, ao inverso da CPMF, com o financiamento às despesas com a saúde. São tributos que têm o mérito de perseguir a justiça social, mas com pouca capacidade arrecadatória. Entretanto, funcionam à perfeição como lubrificante da oratória do governo. Com essa miríade de impostos, o Planalto poderia responder à onda de reclamação de parlamentares de esquerda, sindicalistas e do seu próprio partido e, ao mesmo tempo, usar os tributos como manobra compensatória para deslizar a Cide e um cada vez mais provável imposto transitório, de nome desconhecido. Estes dois últimos impostos, ao contrário dos que mordem os mais ricos, são os efetivamente arrecadatórios. Resta passá-los pelo Congresso. Talvez tivesse sido mais simples ter batido na mesa para aprovar a CPMF.

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03.09.15
ED. 5199

Família Itaipu

Com a cabeça a prêmio, Jorge Samek tem apelado a Lula para permanecer na presidência da Itaipu Binacional. É praticamente um assunto de família. A filha de Samek namora um dos filhos do ex-presidente. Itaipu diz “não ter informação sobre o assunto”. *** Por falar em Itaipu, o governo está prestes a selar um acordo com o Paraguai sobre as tarifas e as dívidas da usina. O passivo referente à construção da geradora, que já caiu de US$ 27 bilhões para US$ 13 bilhões, será zerado até 2023. Para compensar o esforço financeiro, as tarifas de energia vão ser mantidas, conforme pleito do governo paraguaio.

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A disposição de Dilma Rousseff em criar um núcleo duro empresarial no seu governo, com forte participação em uma futura reforma ministerial, está esbarrando na diversidade dos interesses e ideias da categoria. O apoio do empresariado foi apresentado à presidente como uma terceira via para lidar com a borrasca perfeita do seu governo: base aliada dividida, Congresso hostil, crash de popularidade, corrupção, ministério fisiológico, inflação, recessão etc. A ideia de trazer a burguesia para compor a regência é um chiclete mastigado. Lula defende um diálogo maior com o setor privado desde a formação do ministério do segundo mandato. O chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que tem bons amigos entre os empresários, é entusiasta antigo dessa aproximação e adepto da criação de um conselho consultivo de dirigentes do setor privado – a presidente ouve falar em conselheiros e quer logo pegar em uma pistola. Na última vez, mirou o alvo e assassinou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Joaquim Levy veio bater na mesma tecla de atração do empresariado. A estratégia caiu na boca do povo, e ministros como Armando Monteiro e Nelson Barbosa, além dos “aliados” Michel Temer e Renan Calheiros, correram para os braços dos empresários. Os interesses nesses jantares, almoços e reuniões variam do oportunismo mais rastaquera até nobres tentativas de apoio. Em comum, o fato de que todos batem cabeça. Os empresários não têm “uma agenda para o desenvolvimento”, até porque, “agendas” – enfatize-se o plural – é o que não falta. Não há nada nesse empresariado que lembre os Srs. Augusto Trajano de Azevedo Antunes, Gastão Bueno Vidigal, Antonio Gallotti, Walther Moreira Salles, Amador Aguiar, Cândido Guinle de Paula Machado e… Roberto Marinho. Uma elite orgânica, conservadora modernizante, frequentadora entre si, empreendedora, com um projeto permanente de conquista do Estado e ciosa de previsibilidade. O atual rating dos endinheirados varia conforme as notas sobre a gradação financeira, respeitabilidade, presença na mídia e dependência financeira do governo. Há análises combinatórias. O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, tem relacionamentos com o governo, respeitabilidade e porte financeiro. O presidente do Itaú, Roberto Setubal, respeitabilidade e grana, mas nunca foi bem visto no Planalto. Jorge Gerdau, arroz de festa nas especulações ministeriais, é, no momento, potencial candidato a pedir o auxílio do governo. O presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, já foi aspirante a ministro da Fazenda antes de Joaquim Levy. É identificado como um sincero colaborador. Os dirigentes da Natura, Guilherme Leal e Pedro Passos – este último presidente do IEDI – são anunciados como presentes em todos os encontros, mas nunca participaram de nenhum. E tome de Benjamin Steinbruch, Rubens Ometto, Edson Bueno, Cledorvino Belini, Joesley Batista e tantos e tantos outros. Ressalvas para Paulo Skaf, considerado pelos seus pares o “Guido Mantega do empresariado”. São tantas as diferenças para um único consenso: Dilma é vista por todos como um estorvo. Se a realidade refletir o que é dito pelos empresários à boca pequena, o apoio à presidente não passa de um autoengano de Dilma.

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28.08.15
ED. 5195

Chá de sumiço

Os amigos de José Seripieri Jr. andam saudosos. O dono da Qualicorp reduziu sua presença em eventos e locais públicos. Seripieri, como se sabe, tem queridos amigos, a começar por Lula.

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27.08.15
ED. 5194

Palacianas

Apesar do tenso encontro da semana passada no Palácio do Jaburu, quando o vice-presidente se alterou e chegou a bater com os punhos na mesa, Michel Temer tem mantido uma intensa interlocução com Lula. Seus assessores, inclusive, se deram ao trabalho de calcular: são três conversas em média com o ex-presidente para cada diálogo com Dilma Rousseff. *** Observação de um dos poucos ministros ainda próximos de Dilma Rousseff: “Hoje, o governador mais chegado à presidente é um tucano, Marconi Perillo. É o fim da picada e do governo”.

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20.08.15
ED. 5189

BNDES inicia sua longa jornada noite adentro

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, desembarca hoje no Congresso Nacional com a missão inglória de impedir o estupro da instituição. A CPI do BNDES é uma cortina de fumaça para aleijar o banco. Não bastará à instituição purgar em praça pública a averiguação de eventuais desmandos financeiros, a exemplo da Petrobras. O banco, não sendo extinto, precisa ser descaracterizado em sua essência, ou seja, uma agência de fomento que tem por função prioritária a concessão de financiamentos ao setor industrial. O RR apurou que a presidente Dilma Rousseff abandonou a causa da integridade do BNDES. O que Dilma não quer é que o banco se constitua em mais um escândalo, uma espécie de segunda Petrobras. Seu empenho é empurrar para longe as acusações de corrupção e malversação de recursos. Essas denúncias recaem na direção do expresidente Lula, sinônimo de CPI do BNDES. Lula precisa ser preservado, o governo precisa ser preservado, mas o banco, na ótica palaciana, poderia entregar dedos e anéis. A pressão é para que o BNDES encolha, reduza seu enraizamento com a política industrial, se torne uma espécie de Sebrae tonificado, perdendo o seu protagonismo estratégico. Nesse contexto, a palavra subsídio é tida como um anátema. Coutinho adentra a CPI empunhando três bandeiras: a defesa da probidade e lisura das operações do banco, a preservação do que for possível na sua estrutura de funcionamento e salvar sua própria pele. O curioso da CPI é que existem apenas suspeições, algumas delas bisonhas. O caso das privatizações no governo FHC, notadamente da Telebras, BNDES inicia sua longa jornada noite adentro em que a corrupção foi pública, sequer é mencionado. Ao contrário do escândalo da “telegangue”, neste momento não há um nome acusado de desvio de recursos ou de aceitação de propina na inquisição do BNDES. Afinal, quem é o Paulo Roberto Costa do banco? Algumas denúncias sugerem uma CPI do aparelho de Estado brasileiro, devido à amplitude de participação do governo. Por exemplo: o financiamento à prestação de serviços em outros países é chancelado pelo Ministério das Relações Exteriores, conta com a participação do Ministério do Desenvolvimento e a permissão do BC, para citar somente três órgãos governamentais. E o repasse dos recursos do Tesouro? Ora, o banco somente aceitou a decisão da Fazenda, que o escolheu como instrumento da sua política contracíclica para enfrentar a crise internacional. E os “cavalos vencedores”? Pode ser uma decisão questionável, mas já foi provado que as operações não incorreram em prejuízo. A CPI pretende propor medidas no melhor estilo do senador Joseph McCarthy, tais como a criação de um “grupo de inteligência” do Senado, que vai investigar as informações mais intestinas do banco. Os critérios para seleção dos investimentos também seriam escolhidos pelos parlamentares. Ninguém sabe o que ficará fazendo a melhor equipe técnica do país. A impressão é que o real objetivo da CPI do BNDES está encoberto pelo mar de lama no qual pretende se afogar o banco. O nome da CPI deveria ser a do “fim do BNDES”. Ou melhor, a CPI de Ignácio Rangel, Roberto Campos e Celso Furtado, os mentores da existência do BNDES e de seus melhores propósitos.

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18.08.15
ED. 5187

Fora das telas

Há quem veja as digitais de Lula na contida presença de José Eduardo Cardozo no noticiário dos últimos dois dias. Nas manifestações de março e de abril, o ministro da Justiça foi um dos mais atuantes porta-vozes do governo.

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13.08.15
ED. 5184

Será que tem?

O processo de Lula contra a revista Veja revela algo mais além da indignação e vontade do ex-presidente de cobrar seus supostos direitos. Há qualquer coisa de extremamente sensível nesse movimento do xadrez. É como se Lula soubesse de algo.

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12.08.15
ED. 5183

Era o que faltava

Lula não aceitou o convite para ser ministro por carradas de motivos. Entre elas, destaca-se a inevitável interpretação de que o desembarque no ministério de Dilma Rousseff seria o arrego frente a uma provável prisão. Ministros têm foro especial, não são encarcerados.

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04.08.15
ED. 5177

Freud explica

Freud explica: o dia inteiro de cobertura da Globonews sobre a prisão de José Dirceu é um ato falho. O segundo nome mais citado foi o de Lula. Se for o caso, serão meses de cobertura incessante.

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03.08.15
ED. 5176

É tudo meu

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cogitou manifestar sua solidariedade a Lula devido ao atentado ao Instituto da Cidadania, mas foi aconselhado a manter prudente distância do assunto. Segundo a fonte do RR, a piada do momento é o amuo de FHC com a bomba jogada no Instituto de Lula. Ao saber do fato, o ex-presidente tucano, famoso por sua modéstia e perfil baixo, teria dito: “Por que no instituto dele? Por que no instituto dele e não no meu?”

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30.07.15
ED. 5174

Lindinho

Lindbergh Farias garante aos seus partidários que, nos próximos dias, o ex-presidente Lula virá ao Rio de Janeiro para avalizar sua candidatura a prefeito. Que hora, hein?

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27.07.15
ED. 5171

Paralelas

Tancredo Neves dizia que só enviava uma carta quando já sabia a resposta. Lula e FHC, por sua vez, só marcam encontros que nunca ocorrerão. De qualquer forma, o simples fato de se cogitar um diálogo entre ambos já é uma boa notícia. Fica a sugestão para Dilma Rousseff e Eduardo Cunha.

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15.07.15
ED. 5163

Não se sabe qual é

Não se sabe qual é o efeito prático desses encontros, mas, a exemplo do que fez em junho, Lula vai se reunir nos próximos dias com os líderes da bancada petista no Congresso.

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14.07.15
ED. 5162

“Show do barba”

No PT há quem defenda que o programa do partido em rede nacional previsto para 6 de agosto seja integralmente ocupado por Lula. Seriam dez minutos soltando a lenha em cima dos “golpistas”.

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09.07.15
ED. 5159

PT quer Dilma jogando no “contragolpe”

 Com os juros lá em cima, a inflação triscando nos dois dígitos, a taxa de desemprego bombando e o denuncismo dando o maior ibope, o golpismo passou a ser o mote do PT para responder ao brutal ataque da oposição. A “deixa” teria sido do marqueteiro João Santana. Os excessos da oposição permitiram que a defesa pudesse se transformar em ataque. A entrevista de Dilma Rousseff seguiu nessa toada. Foi considerada pela base do partido sua melhor performance. Tanto que já conseguiu arregimentar uma parte da militância – é bem verdade que se trata do chamado “grupo do abaixo assinado”, constituído pelos mesmos intelectuais de sempre.  Essa facção petista está propondo que o partido faça uma denúncia “contra as manobras golpistas da direita” na TV. Os professores, artistas e formadores de opinião protagonizariam o “Não ao golpe!” Uma fonte próxima a Lula disse que, mesmo sem saber detalhes da história, o ex-presidente franziu o cenho ao ouvir a ideia. Lula teria comentado que esse golpismo é para ser combatido no atacado e não no varejo. Pelo menos por enquanto.

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01.07.15
ED. 5153

Se Lula defender Aloizio

Se Lula defender Aloizio Mercadante contra as denúncias da Lava Jato, entenda com o sinal trocado. Se o ex-presidente ficar calado, saiba que é uma manifestação de apoio.

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