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Nos próximos dias, haverá repercussão – e análise crítica – para anúncio do MEC, hoje, de repasse de R$ 125 milhões para as universidades federais, majoritariamente para a instalação de painéis solares e realização de obras.

A iniciativa já é parte de reação do ministro Weintraub ao desgaste gerado por relatório técnico da Câmara dos Deputados que apontou paralisia de gestão no Ministério. Ao mesmo tempo, pode-se esperar renovação de pautas consideradas por críticos como ideológicas – é o caso de saída do Brasil de grupo de educação que funciona no âmbito do Mercosul.

Alta do dólar e inflação no horizonte

A nova alta do dólar alimentará, amanhã, especulações sobre efeitos inflacionários, comércio exterior e dívida líquida do setor público. A questão já se torna um problema de comunicação para a equipe econômica e o presidente. E vai se articular, pelo viés da inflação, a temáticas específicas, como o aumento do preço da carne bovina, que ameaça contaminar outros produtos (como frango e peixe).

Informalidade e política econômica

O foco na política econômica se intensificará também em função do viés, hoje, para repercussão de dados de desemprego da PNAD Contínua (IBGE).  A ênfase maior no expressivo crescimento da informalidade do que na queda do desemprego (pequena) cria pauta negativa para os próximos dias.

Ao mesmo tempo, pode haver algum alívio em função de balanços da Black Friday, que devem trazer fortes resultados no varejo.

Bolsonaro x Bivar: próximos capítulos

O embate entre Luciano Bivar e Bolsonaro pode ter novidades nos próximos dias, em duas frentes centrais: 1) O indiciamento pela PF de Bivar e três candidatas do PSL em Pernambuco, nas últimas eleições, por esquema de candidaturas laranja. Detalhes da apuração tendem a gerar movimentações de partidários de um e de outro lado; 2) A intervenção de Bivar no diretório do Rio, afastando nomes ligados a Flávio Bolsonaro e promovendo novos dirigentes próximos ao governador Wilson Witzel. A medida provocará ilações sobre aproximação do governador com o PSL, possivelmente visando candidatura à Presidência.

A cultura sob pressão

O posicionamento do presidente Bolsonaro, hoje, sobre o novo presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que fez declarações contra o movimento negro e negando efeitos nocivos da escravidão, jogou lenha na fogueira. Continuarão cobranças para que Camargo seja exonerado. E críticas vão se ampliar na direção do atual secretário de Cultura, Roberto Alvim, que já assumiu o cargo sob forte pressão em decorrência de ataques à atriz Fernanda Montenegro.

As relações com a Argentina

A se observar, de amanhã até segunda, os próximos passos de “troca” de declarações entre os governos brasileiro e argentino. Até o momento, sinais são dúbios: por um lado, tanto o presidente Bolsonaro e o ministro Guedes quanto Felipe Solá, futuro ministro de Relações exteriores da Argentina, alternaram abertura para negociações no âmbito do Mercosul, em tom pragmático, com alfinetadas políticas.

Primeiras articulações do governo brasileiro com o presidente eleito no Uruguai, Lacalle Pou, de centro direita, podem influir nesse cenário.

Confiança empresarial, inflação e dólar no Brasil

Saem na próxima segunda-feira os Indicadores Industriais, da CNI; as Vendas de Veículos, da Fenabrave; o Índice de Confiança Empresarial (ICE) e o IPC-S (4ª quadrissemana), da FGV, todos de novembro.

Os Indicadores Industriais de outubro trouxeram o quarto mês seguido de aumento no faturamento, além de crescimento na massa salarial (0,4%), mas demais dados mantiveram estabilidade (como emprego, utilização da capacidade instalada e rendimento médio real) ou caíram (horas trabalhadas na produção). Já o ICE, da FGV, apresentou queda de 0,1% em outubro, com estabilidade em médias móveis trimestrais.

No conjunto, dados de novembro serão importantes para avaliar o cenário atual na indústria e na economia como um todo, que tem se mantido abaixo de expectativas futuras. Nesse sentido, números da Fenabrave terão papel significativo. Em outubro, os licenciamentos de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus cresceram 7,9% sobre setembro, mas recuaram 0,5% na comparação anual.

Já para o IPCA-S expectativa é de aceleração, na faixa de 0,42% (contra 0,25% na 3ª quadrissemana). Vale atenção ainda para o Boletim Focus (Banco Central), especificamente no que tange a curva do dólar e da inflação, após semana de forte instabilidade ligada à valorização da moeda norte-americana.

A indústria nos EUA

No exterior, destaque na segunda-feira  para o PMI Industrial de novembro nos EUA (ISM). Tendência é de avanço significativo (49,4 frente a 48,3 em outubro), embora ainda abaixo dos 50 pontos, patamar que indica aquecimento do setor.

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28.11.19

A denúncia no Tribunal Penal Internacional e o fator simbólico

Termômetro

A denúncia por crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional deve ensejar reação do presidente, entre hoje e amanhã. A ação ainda não foi aceita pela Corte e, mesmo que seja, dificilmente terá consequências práticas. Mas vai criar novo símbolo de que a atual gestão não tem políticas nem para a população indígena nem de proteção ambiental. Como resultado, tais setores devem ser avaliados de maneira fortemente crítica, nesta sexta.

Paralelamente, aumentará o interesse, nacional e internacional, para o caso de membros de ONG no Pará, presos sob acusação de terem participado de incêndio da floresta na região. Justiça acaba de determinar soltura dos acusados e, até o momento, prevalece na mídia imagem de que a investigação policial é confusa e não apresenta nenhuma prova.

STF libera o Coaf

A decisão final do STF, liberando o compartilhamento de dados pelo Coaf com o MP, sem autorização judicial, vai aprofundar o destaque para investigações que atingem o senador Flávio Bolsonaro. O alvo central, nesta sexta, será o possível enfraquecimento político de Flávio e suas consequências para o núcleo duro do presidente, ora mobilizado para a criação de novo partido.

A PEC Emergencial e os servidores

Deve ser apresentado amanhã o parecer do relator da PEC Emergencial, o senador Oriovisto Guimarães (Pode-PR). Ministro Guedes já salientou que a PEC ficará para o ano que vem, em função de considerações políticas. No entanto, a leitura do parecer em si, se ocorrer, já provocará desgaste para o governo junto a servidores públicos, que seriam os principais afetados com a medida. Também obrigará o presidente ou o ministro a se posicionarem novamente sobre o tema

Petrobras 2024

Estarão em pauta, amanhã, detalhes do plano de investimentos da Petrobras de 2020 a 2024, anunciado hoje. Destaques serão: 1) Diminuição de valores previstos, em comparação ao plano anterior, para o período de 2019 a 2023 (US$ 75,7 bilhões contra US$ 84,1 bilhões); 2) Priorização do segmento de exploração e produção, com foco no pré-sal. Tanto agentes econômicos quanto a mídia devem avaliar positivamente o planejamento da estatal.

A exclusão da Folha de São Paulo e a reação da Imprensa

Os desdobramentos de exclusão da Folha de São Paulo de licitação da Presidência para assinatura de jornais ainda são incertos. Se demais veículos de mídia se mobilizarem, amanhã, pode haver maior impacto para o governo.

EUA, Hong Kong e Uruguai

Na política internacional, serão dois os principais temas, nesta sexta:

1) O grau de comprometimento do presidente Trump com projeto de lei por ele sancionado, em apoio à democracia em Hong Kong. Questão está no ar porque não houve, ainda, manifestação clara dos EUA diante de dura (mas possivelmente retórica) reação inicial da China. Hoje, Trump tratou apenas de retomada de negociações com o Talibã, no Afeganistão.

2) Primeiros passos de Lacalle Pou  –  confirmado hoje como presidente eleito do Uruguai –,  particularmente no que tange ao Brasil. Pou, de centro direita, rompe com domínio de 15 anos da Frente Ampla (coalização de centro esquerda)  no governo federal.

Mapa da economia brasileira

Estão previstos para amanhã uma série de indicadores com impacto em expectativas econômicas no Brasil. Destaque para:

1) A PNAD Contínua de outubro. Espera-se leve recuo em números do desemprego, na faixa de 11,6% (contra 11,8% em setembro). Se confirmado, dado será lido como indício de recuperação econômica, ainda que muito lenta, como tem sido a marca de 2019. Ao mesmo tempo, às vésperas de ano eleitoral, aumentará a pressão sobre a equipe econômica para acelerar a criação de novos postos de trabalho. As cobranças tendem a se agravar porque a MP que institui o Programa Verde e Amarelo – principal medida da atual gestão para gerar empregos, com foco nos jovens –, está em xeque. Davi Alcolumbre ameaça devolver a MP ao Planalto (ou parte dela) por vícios de inconstitucionalidade, e ministra Carmen Lúcia pediu explicações sobre o projeto.

2) O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) e a Sondagem de Serviços de novembro, ambos da FGV. O IIE-Br cumprirá papel estratégico, já que, ao contrário de panorama em outubro, quando grau de incerteza caiu 5,8 pontos, o momento é de renovada preocupação com a guerra comercial entre China e Estados Unidos. Além de menor otimismo com reformas, passada a empolgação com a Previdência.

3) O Indicador de Atividade da Fiesp, para outubro. Índice vem de três altas seguidas, com dados de setembro mostrando crescimento moderado na economia do estado. Expectativa é de que tal curva se mantenha, atestando retomada mais forte em São Paulo, comparada à média nacional.

4) Definição da bandeira tarifária de energia elétrica de dezembro (ANEEL). Em novembro a Agência passou de bandeira amarela (R$ 1,34 a cada 100 kWh consumidos) para vermelha 1 (R$ 4,16 a cada 100 kWh consumidos).

Resultados na China e Europa

No exterior, atenções amanhã se voltam para economias chinesa e europeia, com ênfase:

1) No PMI da Indústria e de não manufaturados de novembro, na China. Expectativas de crescimento na margem (de 49,3 para 49,5) para a indústria, mas ainda em patamar negativo (abaixo de 50); e de leve aumento (em faixa positiva) para não manufaturados (de 52,8 para 53,1).

2) Taxa de Desemprego de novembro e Vendas no Varejo de outubro, na Alemanha. Estima-se estabilidade no desemprego, em 5%, e queda no varejo (3,0% contra 3,4% em setembro). Números não devem alterar expectativas sobre a economia alemã.

3) Taxa de Desemprego de outubro e Prévia do  Índice de Preços ao Consumidor (IPC) anualizado para novembro, na Zona do Euro. Desemprego deve permanecer em 7,5% e IPC aponta para aceleração (de 0,7% para 0,9%).

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