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16.12.21

Coalizão “anti-Lava Jato” no STJ

A candidatura da desembargadora do TRF-1 Mônica Sifuentes ao STJ enfrenta resistências da ala anti-Lava Jato da Corte, a começar pelo presidente do Tribunal, Humberto Martins. Entre outras matérias relacionadas à operação, a desembargadora defendeu a prisão de delatores que mentiram ou omitiram informações em seus depoimentos. Foi o caso de Joesley Batista e do então executivo da JBS, Ricardo Saud. Mônica autorizou a prisão dos dois após o MPF identificar que ambos esconderam fatos relevantes em seus acordos de delação. Curiosamente, bateu de frente com o ministro do STJ Néfi Cordeiro. A desembargadora disputa justamente a vaga aberta por Cordeiro na Corte. Procurado, o STJ limitou-se a informar que a formação das listas para a escolha dos novos ministros será no dia 23 de fevereiro. Sobre a resistência interna ao nome de Mônica Sifuentes nenhuma palavra.

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O Ministério Público Eleitoral já se movimenta para recorrer ao TSE da recente decisão do Tribunal Eleitoral do Piauí, que suspendeu o processo contra o senador Marcelo Castro. O parlamentar é acusado de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele seria um dos membros da “bancada da JBS”, leia-se parlamentares que teriam recebido doação ilegal, segundo a delação premiada do próprio empresário Joesley Batista.

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30.11.21

Acabou a pipoca

Apesar da pressão de grandes frigoríficos, a exemplo de JBS e BRF, o Ministério da Economia não vai estender a isenção do PIS/Cofins sobre a importação de milho, que vigora até 31 de dezembro. Para a equipe econômica, o waiver tributário perdeu sentido com a recente queda dos preços do cereal no mercado interno.

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23.11.21

Os Batista na mídia

Alguns operadores insistem que a JBS ou os seus controladores, os irmãos Joesley e Wesley Batista, estariam sondando o mercado para aquisição de uma empresa de comunicação. Aparentemente não faz o menor sentido, tendo em vista a credibilidade dos virtuais compradores. Como não poderia deixar de ser, a assessoria da holding J&F Investimentos nega a informação. Mas o boato é recorrentemente repetido.

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15.06.21

Espinhos

Há uma desavença espinhosa entre dois dirigentes da JBS. Um deles lembra um personagem de Macbeth. Já esteve em boa conta entre seus pares; hoje, causa medo.

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04.06.21

Salmonella é o “S” da sigla ESG na JBS

Há um risco duplo para a JBS caso se confirmem as ameaças da Arábia Saudita de suspender todas as importações de carne de frango brasileira por tempo indeterminado – informação que circula nos bastidores do setor. O primeiro é a perda direta da receita com as exportações para o país asiático, o que, na prática, nem chega a ser algo tão significativo: estima-se que as vendas para a Arábia Saudita representem apenas 1% do faturamento total do grupo – R$ 270 bilhões no ano passado. O segundo risco, o que dói mesmo para a JBS, é o impacto intangível da medida. O eventual embargo dos árabes ao frango brasileiro representará um duro baque para a marca e a reputação institucional da empresa. Todo este enredo atinge aquele que é o maior calcanhar de Aquiles da JBS – noves fora os delitos dos irmãos Batista: suas práticas socioambientais.

No início de maio, a Arábia Saudita interrompeu as compras de carne de frango de 11 frigoríficos brasileiros, sendo sete deles da companhia – ou seja, um terço das unidades de abate habilitadas para vender ao país asiático (21 no total). O governo árabe demorou ao menos três dias para revelar o que motivou a suspensão dos embarques, período em que a JBS rezou para que a razão da medida não fosse a contaminação do produto por salmonella. De nada adiantaram as preces da empresa: a Arábia Saudita alegou ter detectado a presença da bactéria em vários lotes de frango importados do Brasil.

Como se sabe, a JBS está gastando mundos e fundos para incorporar a sigla EGS (Environmental, Socialand Governance) ao seu brand. Recentemente, a empresa anunciou um investimento de US$ 1 bilhão até 2030 para reduzir as emissões de carbono. Por ora, no entanto, o “S” de ESG parece remeter ao microscópico agente de contaminação da imagem da companhia: a salmonella está grudada no histórico recente da JBS. Em julho de 2019, o Reino Unido devolveu 1,4 mil toneladas de carne de frango importadas do Brasil após identificar a presença da bactéria. Parte havia sido produzida pela empresa.

Em dezembro de 2018, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão análogo à Anvisa nos Estados Unidos, cerca de 330 pessoas foram infectadas por salmonella detectada em lotes de carne bovina produzidas pela JBS Tolleson, subsidiária do grupo. 91 consumidores foram hospitalizados. Um mês antes, a JBS chegou a recolher três mil toneladas de carne moída nos Estados Unidos por suspeita de contaminação pelo microrganismo. Voltando um pouco mais no tempo, em 2012, o serviço de fiscalização veterinária e fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor) também encontrou a presença da salmonella em carne bovina congelada da JBS. Como se sabe, a reprodução da bactéria está vinculada à qualidade do ambiente de produção como um todo. A própria ONU adota o conceito de Saúde Única, que considera a integração entre saúde humana, animal e ambiental.

Se a suspensão dos 11 frigoríficos e a ameaça de um embargo total da Arábia Saudita são ruins para a JBS, são piores ainda para o Brasil. O imbróglio deve desaguar em uma guerra na OMC. Segundo maior importador de carne de frango brasileira, atrás apenas da China, a Arábia já acionou a entidade. O país quer reduzir o prazo de validade de frangos in natura congelados e de seus cortes, de um ano para três meses contados a partir da data de abate. O Brasil, por sua vez, já anunciou que também entrará contra o país asiático na OMC, mais precisamente junto ao Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização. O governo contesta as acusações contra os frigoríficos brasileiros. Está no seu papel. Na avaliação das autoridades, a Arábia Saudita encontrou um pretexto para diminuir as importações, uma vez que o país tem planos de se tornar autossuficiente na produção de carne de frango. Não consta que o mesmo argumento possa ser aplicado aos Estados Unidos, Reino Unido e Rússia, quando, cada um a seu tempo, trituram a reputação da JBS.

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17.05.21

Encontro de contas: os ativos e passivos da JBS

O RR já tocou no assunto, mas convém reprisar porque a causa é boa. Seria desejável que a JBS seguisse um balanço social à vera, colocando, como ativos, as boas iniciativas que estão sendo executadas na área ambiental e, como passivo, os dividendos pagos aos irmãos Batista. Como se sabe, a companhia distribuiu R$ 2,5 bilhões na última semana e aponta para um recorde de dividendos de R$ 3 bilhões neste ano. Parcela dessa magnífica prosperidade é um carry over das travessuras dos irmãos Batista em um passado ainda recente. Também poderia ser incluído na coluna dos passivos o estrago feito com os pequenos abatedouros e frigoríficos, alvo de ações pouco ortodoxas. Por enquanto, camuflado por um manto espesso de marketing, o assunto virou letra morta. Ou seja: pelo menos na cadeia da proteína, o crime compensa.

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03.05.21

Butantan

A espetaculosa operação de marketing socioambiental da JBS foi toda idealizada pelo Rasputin de saias da companhia. A influente figura comanda a comunicação da empresa e é temida dentro da corporação por sua influência e seus métodos.

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29.04.21

As lições do passado e o estelionato ambiental

Antigas ideias podem resolver novos problemas. A frase remonta a projetos não realizados de dois pensadores, antípodas, que estavam muito à frente do seu tempo. O sociólogo Betinho e ex-presidente da FGV Jorge Oscar de Mello Flores, nos idos da década de 80, já estavam buscando respostas para a validação dos efetivos cuidados com o meio ambiente. Betinho tentava encaixar a proposta do selo socioambiental no projeto pioneiro do balanço social. A ideia das demonstrações contábeis foi aprovada pela CVM, mas com a exclusão do selo. O conceito da certificação era simples: definir variáveis de sustentabilidade que deveriam ser cumpridas obrigatoriamente, com auditoria das práticas. Se os resultados positivos fossem comprovados, a empresa estaria a apta a imprimir o selo, que seria aplicado nas embalagens de todos os produtos. Seria, então, feita uma campanha para o cidadão decidir pela compra dos bens que tivessem o selo, ainda que o comprovante não fosse obrigatório. A iniciativa induziria mais e mais corporações a se adequarem às práticas socioambientais corretas.

Já o Dr. Flores defendia a criação de um balanço social de verdade, onde se encontraria uma fórmula de cálculo para definir ativos e passivos socioambientais no tempo – vide o caso JBS (RR de 27 de abril). Por esse modelo, empresas como a Souza Cruz não poderiam cometer estelionato ambiental, pois carregariam um enorme passivo em mortes que não seria compensado, por exemplo, com um ativo de redução de dióxido de carbono. As ideias de Betinho e Jorge Oscar de Mello Flores estão guardadas na gaveta da história, prontas para serem resgatadas por alguém que passe um pente fino na contribuição das empresas ao meio ambiente.

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27.04.21

Publicidade da JBS não apaga seu passivo ambiental

O compromisso público da JBS de investir US$ 1 bilhão até 2030 para reduzir as emissões de carbono é, por si só, uma notícia positiva. No entanto, é preciso avaliar se a cifra é uma fração pequena para compensar o passivo da empresa no quesito sustentabilidade. A JBS é uma corporação condenada pelo seu passado – também nessa área. Que o diga a britânica Global Witness, uma das mais respeitadas entidades do terceiro setor em todo o mundo. Em dezembro, a ONG divulgou um detalhado relatório acusando a empresa de ter comprado gado de 327 fazendas do Pará nas quais ocorreu desmatamento ilegal. De acordo com o levantamento, somente na região de São Félix do Xingu a JBS fez negócio com 109 propriedades alvo de desmate criminoso entre 2017 e 2019.

A JBS contesta o estudo da ONG. Mas a Global Witness não está sozinha. Em outubro do ano passado, outra entidade mundial, a Mighty Earth, desacreditou os planos da empresa dos irmãos Batista de zerar sua contribuição para o desmatamento da Amazônia, classificando-os como mais uma promessa “de uma longa linha de compromissos públicos sem continuidade”. Segundo a Mighty Earth, há mais de dez anos a JBS anuncia que deixará de comprar gado de fazendas desmatadas ilegalmente, sem honrar sua palavra.

O descrédito se alastra também entre investidores. A gestora finlandesa Nordea Asset Management, que administra 200 bilhões de euros, vendeu todas as ações da JBS em carteira. A decisão foi motivada pela suposta ligação da empresa com a destruição ambiental da Amazônia. Ressalte-se ainda o estudo realizado pela Chain Reaction Research (CRR), consórcio de entidades de conservação do meio ambiente. Ao analisar o desmatamento na cadeia de fornecimento da JBS, a CCR identificou uma expressiva exposição a riscos associados à destruição ambiental que podem comprometer 26% do seu lucro e aumentar seu custo de capital em cerca de 30%.

Os cálculos provavelmente não levam em consideração o papel decisivo da JBS na destruição de pequenos abatedouros, inclusive fazendo campanha para que houvesse intervenção sanitária nessas empresas. O resultado foi uma carnificina de milhares de postos de trabalho. O passado, portanto, justifica o estardalhaço com que a companhia anunciou seu plano de reduzir as emissões de carbono, com anúncios pagos na capa das principais publicações impressas do país. Por ora, o tamanho da exposição da JBS na mídia mais indica que a companhia quer surfar na onda da sustentabilidade e fazer com que o seu passado seja esquecido.

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