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03.12.19

A constante abertura do mercado nacional de comunicação

Observatório

Por Cezar Faccioli, jornalista econômico.

A abertura definitiva às “nações amigas” do mercado brasileiro de comunicações, entretenimento & mídia está em pauta, ainda que sob enorme discrição, em alguns dos principais acordos de comércio, serviços e investimento de que o Brasil participa. O tema é abordado, por exemplo, no rascunho do acordo de associação entre Mercosul e União Europeia (o qual ainda não foi posto a termo por completo), na seção temas não tarifários, especificamente no comércio de serviços. Em linhas gerais, o setor de serviços, que inclui áreas estratégicas como bancos, tecnologia de informação e empresas de mídia, deve ser liberalizado para garantir um ambiente competitivo e coibir abusos de empresas dominantes, como está escrito no texto do rascunho do acordo, divulgado pelo governo brasileiro.

As discussões em curso com os Estados Unidos, em estágio mais preliminar, mas favorecidas pela afinidade entre a Casa Branca e o Planalto, seguem cartilha semelhante. O alegado incentivo à competitividade favorece, ao menos em tese, discussões polêmicas no Congresso, como uma Lei de Meios, que estabelece restrições à concentração de propriedade de veículos de comunicação em uma mesma região. Em contrapartida, a exemplo do que aconteceu com as empresas de telecomunicações e telefonia, o esperado reforço da presença de grupos estrangeiros de primeira linha pode ser usado como argumento para eliminar restrições legais a fusões e aquisições.

No plano jurídico/regulatório interno, o que existe de mais forte no momento é a articulação das teles para derrubar o artigo 6° da lei 12.485, que as impede de produzir ou adquirir os direitos de conteúdo audiovisual. Se essa proibição cai, elas poderão investir em produção de obras audiovisuais e na compra de direitos de grandes eventos esportivos, por exemplo, como já fazem os grandes players estrangeiros como Fox, Disney/ESPN e HBO. Integração é o nome do jogo, com a combinação de conexão capaz de suportar programações de grandes volumes de dados, capacidade de produção e retenção de talentos, por muito tempo um pacote restrito a grupos locais. Na avaliação de especialistas em mercados de Entretenimento & Mídia, o interesse maior dos grandes grupos estrangeiros seria em concorrer via streaming ou acesso multiplataforma, mais do que comprar grupos locais como Globo e SBT.

As teles, em particular, querem o direito de ter canais de TV (especialmente a Claro já manifestou esse desejo) e, principalmente, poder investir na produção de conteúdo para seus serviços de streaming (Claro Vídeo, Now etc). Esses analistas não identificam, no momento, movimentação para entrarem na TV aberta, por exemplo. As emissoras de TV ainda respondem pela maior fatia da receita publicitária no Brasil, por sinal; mas o predomínio apresenta um declínio, em favor dos meios digitais. A publicidade na TV aberta foi responsável por 47% dos gastos de anunciantes em 2017 e deve cair para 42% em 2022. Já a publicidade digital saltará de 23%, em 2017, para 31% do total da publicidade em 2022, de acordo com as projeções da Price Waterhouse Coopers para o período 2018/2022. No Brasil, o gasto total em publicidade deve crescer 5,3% ao ano até 2022, mas com diferenças acentuadas entre os segmentos analisados:

● Em 2017, 37% dos gastos do consumidor com E&M foram destinados a acesso à internet. Em 2022, serão mais de 50%.
● Os gastos nas plataformas digitais apresentam crescimento mais acelerado que os demais. Esses gastos serão liderados por games, publicidade digital e OTT – vídeo na internet.
● Os segmentos que serão impactados de forma mais negativa nos próximos anos são os que concentram mais receitas nos formatos tradicionais (offline): revistas, jornais, livros e TV por assinatura.
● Apesar do crescimento acelerado do streaming de vídeo e de música, as receitas de bilheteria de cinema e shows ao vivo devem apresentar crescimento consistente nos próximos anos. De fato, a demanda por experiências compartilhadas e ao vivo se mantém no Brasil e no mundo. A combinação desses dados ajuda a explicar a necessidade de investimentos pesados em infraestrutura de rede, a importância de controlar a produção de conteúdos capazes de atrair interesse em diferentes plataformas, gerando tráfego e consequentemente receita, além da concorrência cruzada e cada dia mais intensa no segmento. O conhecimento dos mercados, particularmente das diferenças regionais, e a influência política decorrente do controle dos veículos de comunicação são trunfos importantes em favor dos players nacionais, mas enfrentam uma erosão decorrente das mudanças no ambiente político-regulatório, que apontam para uma abertura maior a novos e poderosos players externos, a julgar pelas mudanças registradas desde 2002, com a flexibilização das restrições à participação do capital estrangeiro nos serviços de TV por assinatura.

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21.11.19

China acima de tudo

Na última década, somam US$ 118 bilhões os investimentos que seriam feitos no Brasil devido ao interesse chinês. Só no governo Dilma foram alardeados US$ 55 bilhões. De tudo o que foi dito, vieram pouco mais de R$ 30 bilhões. Hoje o estoque de investimento chinês no Brasil alcança US$ 80 bilhões. Moral da história: tratem bem os chineses, por favor

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