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03.05.16
ED. 5360

Cimento é a nova mercadoria na prateleira da Camargo Corrêa

 O desmanche da Camargo Corrêa chegou à área cimenteira. Segundo o RR apurou, o grupo abriu conversações com a irlandesa CRH para a venda de até seis das suas 16 fábricas no Brasil, todas penduradas na subholding InterCement. De acordo com uma fonte que participa das negociações, o pacote soma uma produção anual da ordem de quatro milhões de toneladas, ou o equivalente a 25% da capacidade instalada da Camargo Corrêa no Brasil. Entre as unidades colocadas sobre o balcão estariam as de Pernambuco e de Jacareí (SP), com linhas de produção paralisadas desde o início do ano.  Todos os movimentos da operação-desmonte da Camargo Corrêa levam a uma só direção: atendem à estratégia do grupo de se capitalizar e voltar ao seu core business, com base na aposta de que, ao puxar a fila das delações premiadas e dos acordos de leniência, a companhia terá uma posição privilegiada na construção pesada – ver RR edição de 31 de março. Inicialmente, a Camargo Corrêa chegou a avaliar a venda integral da InterCement. No entanto, a falta de candidatos e a possibilidade de a operação esbarrar no Cade levaram a companhia a optar por uma negociação fatiada. A divisão cimenteira é hoje uma das áreas mais problemáticas do grupo, a começar pelo seu endividamento. A InterCement é responsável por aproximadamente 40% do passivo total do conglomerado, na casa dos R$ 16 bilhões. O setor vive seu pior momento em mais de uma década. No ano passado, as vendas caíram 10%. Para este ano, as projeções mais conservadoras apontam para uma retração de 12% a 15% na demanda do setor. Em janeiro, além de interromper unidades de moagem em Pernambuco e em Jacareí, a Camargo Corrêa reduziu a produção em outras fábricas.  Procurada pelo RR, a Camargo Corrêa não quis se pronunciar. A CRH, por sua vez, negou as negociações. Não custa lembrar, no entanto, que a cimenteira irlandesa já anunciou a disposição de expandir sua presença no Brasil depois de herdar cinco fábricas com a compra de um pacote de ativos da Lafarge/Holcim.

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O iminente avanço de empreiteiras chinesas no Brasil é parte de uma operação ainda mais abrangente. A grande marcha sobre o setor de construção pesada prevê também o desembarque no país de algumas das maiores cimenteiras do mundo – no âmbito dos acordos bilaterais assinados entre os governos Dilma Rousseff e Li Keqiang em maio deste ano. A ponta de lança deste projeto é a Citic, braço de investimentos do governo chinês, um potentado com mais de US$ 700 bilhões em ativos. Discretamente, o grupo já montou um pequeno cluster na indústria cimenteira no Brasil. Uniu-se à paranaense Companhia Vale do Ribeira para a construção de uma fábrica na cidade de Adrianópolis, um investimento da ordem de US$ 150 milhões. Trata-se apenas de um embrião, a proxy de um projeto de ocupação do mercado brasileiro que se consumaria com a associação entre a Citic e grandes fabricantes de cimento chineses para a compra de ativos no país. A fila seria puxada pela China National Building Material (CNBM). Até o ano passado, o grupo era o maior produtor mundial do insumo, com 350 milhões de toneladas por ano, mas perdeu o posto após a fusão entre a Holcim e a Lafarge. Outro nome dado como certo é o da Anhui Conch, quarto lugar no ranking global do setor, com capacidade instalada de 215 milhões de toneladas. O momento não poderia ser mais propício para a investida dos asiáticos – noves fora as recentes ranhuras diplomáticas entre os dois países por conta da demora do governo brasileiro em reconhecer a China como economia de mercado. Sobram atrativos para as cimenteiras chinesas: o Brasil está baratinho; todos os segmentos ligados à área de construção no país enfrentam um momento extremamente complicado, seja por aspectos jurídicos, regulatórios ou mesmo pela conjuntura econômica; e, para completar, o que não falta na prateleira é ativo. No caso da indústria cimenteira, o Cade é o principal responsável pela superoferta. Para que sua fusão fosse aprovada no país, a dobradinha Lafarge/Holcim comprometeu-se a vender quase um terço de sua capacidade instalada – algo em torno de 3,6 milhões de toneladas. Por sua vez, Votorantim, Camargo Corrêa, Cimpor, Itabira e Itambé , todas condenadas pelo órgão antitruste por formação de cartel, terão de se desfazer de até 20% da sua produção. No caso da Camargo Corrêa, a decisão do Cade nem seria necessária. A disposição vendedora dos herdeiros de Sebastião Camargo vai muito além do percentual imposto pelo conselho de defesa da concorrência. O grupo já iniciou o processo de venda de ativos na área de concreto. Dependendo da oferta, a Camargo Corrêa entrega o controle da InterCement porteira fechada. Seria uma oportunidade de ouro para um grande grupo chinês desembarcar no Brasil assumindo, logo na partida, a segunda posição no ranking do setor, com uma produção de quase 13 milhões de toneladas por ano.

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15.09.15
ED. 5206

Camargo Corrêa

A primeira opção da Camargo Corrêa ainda é a venda de parte da InterCement. Mas a direção da empreiteira já discute um Plano B: a negociação ou mesmo o fechamento de fábricas deficitárias, a começar por unidades na Argentina. * A InterCement não nos retornou.

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