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23.10.20

Vento que venta lá…

Há discussões no governo para um aporte do Tesouro na Imbel, a fabricante de material bélico do Exército. A operação repetiria o
modelo já adotado na Emgepron, a empresa de projetos navais da Marinha que recebeu uma injeção de R$ 7,6 bilhões. Seria uma solução para o governo capitalizar a Imbel, fugindo dos limites do teto de gastos

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12.06.20

Interferência dos Bolsonaro na Imbel entra na mira do MPF

Caiu no colo do Ministério Público Federal mais um forte indício de intervenção do presidente Jair Bolsonaro e de seu filho Eduardo Bolsonaro no Exército: a iminente associação entre a estatal Imbel e a Sig Sauer, fabricante de armas de origem suíça – informação antecipada pelo RR na edição da última segunda-feira e confirmada pela Folha de S. Paulo no dia seguinte. Trata-se do segundo caso de suspeição de interferência do clã Bolsonaro na corporação no intervalo de apenas dois meses. Em abril, a procuradora Raquel Branquinho enviou representação à Procuradoria da República do Distrito Federal apontando que o presidente violou a Constituição ao determinar a revogação de três portarias do Comando Logístico do Exército (Colog) sobre o rastreamento de armas e munição.

Consultado, o MPF informou que, até o momento, não encontrou em seus sistemas nenhum procedimento referente ao caso da Imbel. Em relação às portarias do Colog, o órgão confirmou que a representação da procuradora Raquel Branquinho deu origem a Ação Civil Pública na 14a Vara Cível da Justiça Federal no DF. No caso da Sig Sauer, a trilha que leva aos Bolsonaro é visível. Eduardo trabalha a céu aberto pela entrada da empresa no país – vide suas postagens nas redes sociais. Um dos desafios do Ministério Público é descobrir onde termina Jair e começa Eduardo. Ou vice-versa.

Está cada vez difícil discernir o que é uma determinação do comandante em chefe das Forças Armadas ou uma interferência indireta do seu filho em assuntos relacionados ao Exército. No caso da controversa revogação das portarias, formalmente ela só poderia ter sido solicitada pelo presidente da República. Mas, no Exército, todos sabem que a reviravolta foi uma gestão de Eduardo junto ao pai. O “03” usa um duplo chapéu, de lobista e de filho do presidente, confundindo os papéis e a ordenança do próprio Bolsonaro.

Não por acaso, há um incômodo no Exército com as seguidas ingerências de Eduardo em temas referentes à corporação. Entre os próprios militares, o deputado é comparado à figura de Bob Sanford, o megalobista das armas nos Estados Unidos – com a importante diferença, a favor do norte-americano, de que seu pai jamais foi presidente. Essa intromissão de Eduardo tem deixado marcas difíceis de serem apagadas. O caso da revogação das portarias sobre o rastreamento de armas custou a exoneração do general de Brigada Eugênio Pacelli Vieira Mota, então diretor de Fiscalização de Produtos controlados do Exército e responsável pela elaboração das normas posteriormente anuladas por determinação do presidente Bolsonaro.

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