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26.07.18
ED. 5918

O Bem-amado Ilan Goldfajn

Já somam três os presidenciáveis favoráveis à manutenção de Ilan Goldfajn à frente do Banco Central. Integram o bloco pró-Ilan Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e Jair Bolsonaro – apud Paulo Guedes. A permanência do atual presidente do BC se encaixaria também nos planos de Marina, o “poste de Lula” e Ciro Gomes, em ordem decrescente de entusiasmo com a ideia.

Os três candidatos da centro-esquerda utilizariam o prosseguimento do mandato de Ilan como um recado ao mercado sobre a disposição de dar continuidade à política monetária de ancoragem da inflação. É difícil Ilan aceitar a proposta dos candidatos da direita. É dificílimo topar qualquer convite da esquerda. No entanto, não se pode desprezar fatores como ambição, vaidade e vontade de poder na combinação de elementos que levarão à escolha.

A princípio Ilan quer cumprir a quarentena e retornar ao seu cantinho de economista-chefe do Banco Itaú, certamente com o passe mais valorizado. O presidente do BC é extremamente bem visto pelo mercado. Mas não é consenso entre os economistas. Há uma corrente que o crítica por ter sido hawkish em um momento desnecessário, quando a inflação já embicava para baixo. Alguma parcela da lentidão da recuperação econômica estaria debitada na sua conta. Ilan foi responsável pela ancoragem firme das expectativas e manutenção implacável da inflação dentro da meta. Com a sua política de juros foi também causador de alguns milhões de desempregados que vagam desesperançosos à procura de uma ocupação. A história julgará se suas decisões foram acertadas.

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28.06.18
ED. 5898

Esclarecimento

Na edição de ontem, o RR atribuiu um papel superior ao presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, nas decisões do Conselho Monetário Nacional (CMN). Foi um ato falho. Os ministros da Fazenda e do Planejamento, respectivamente Eduardo Guardia e Esteves Colnago, também dão seus palpites no CMN. Mas, na prática, é Ilan quem conduz o barco. Todo mundo sabe.

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27.06.18
ED. 5897

Conselho Monetário Nacional empurra redução da meta de inflação para a campanha eleitoral

O Conselho Monetário Nacional (CMN) achou por bem intervir no governo prestes a se iniciar e criou um fato mais político do que monetário, na reunião de ontem: reduziu a meta de inflação para 3,75%, em 2021. A medida não tem impacto na inflação do curto prazo – pressionada pela paralisação dos caminhoneiros -, e pouco altera as expectativas, já que o Banco Central não é formalmente independente e daqui a seis meses terá outro presidente, com poder para detonar o novo centro da meta. Mas sinaliza para uma até
então improvável elevação da Selic na próxima reunião do Copom, que ocorre nos dias 31 de julho e 1o de agosto.

Os juros poderiam subir de 6,5% para 6,75%. O BC em seu último comunicado deixou aberta essa possibilidade, ao não se pronunciar sobre nenhum caminho. Os juros futuros projetam 69% de probabilidade desse cenário acontecer. As chances da Selic aumentar para 7% seriam de 31%, ainda de acordo com o mercado futuro. Ilan Goldfajn e seus bluecaps vêm promovendo reduções consecutivas da meta inflacionária. O objetivo anunciado é trazer a meta para 3%, que seria o padrão internacional.

A proposta foi devidamente metralhada por economistas pesos-pesados. O argumento contra a mudança é que o patamar mais baixo poderia instar mais facilmente o BC a levantar os juros. O melhor para o manejo das políticas fiscal e monetária seria a manutenção da meta atual de 4,5% até 2021 – o governo já tinha alterado esse percentual para 4,25%, em 2019, e 4%, em 2020. Para Ilan, um conservador exacerbado, o preço de esticar o elástico do inflation target vale a pena. A medida é uma resposta de Ilan à corrente contrária, que torce por um pouco menos de juros e um tiquinho mais de inflação, dentro da faixa de tolerância, é claro.

O grupo pró-inflação quase que festeja a greve dos caminhoneiros. A paralisação e o câmbio puxarão os preços um ponto percentual para cima – a taxa anualizada deverá ficar em torno de 4%, talvez um pouquinho mais – o que ajudará a equilibrar as contas públicas, ainda que de forma farisaica. Mas a atividade produtiva sofrerá na carne e o desemprego mais uma vez pagará o pato da história.

Menos juros teria mitigado essa parte mais sofrida.Ilan Goldfajn voltará para casa com a dúvida dolorosa de que poderia ter poupado milhões de empregos se não fosse tão renitente com a Selic alta quando a inflação já embicava para abaixo do piso da meta, um mergulho enxergado por todo o mercado. Ah, mas o presidente do BC poderia dizer que sua política de austeridade com os juros e a obsessão com uma inflação demasiadamente baixa permitiram enfrentar uma repentina pressão sobre os preços sem que ter de elevar os juros. A próxima reunião do Copom dirá se o argumento é honesto e de boa cepa. Por enquanto, o que existe de mais concreto são os 12,5% de desemprego,cevados com uma política monetária de arrocho. É com esse número de desesperados que Ilan terá de dormir todas as noites.

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21.05.18
ED. 5871

Contagem regressiva

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e seus bluecaps do Copom ainda têm cinco reuniões em 2018 para mostrar se houve coerência na decisão de manter os juros da taxa Selic. É o prazo para se saber se haverá ou não a necessidade de uma nova carta envergonhada da autoridade monetária, justificando-se pela inflação abaixo do piso da meta.

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24.04.18
ED. 5853

Ilan Goldfajn e a pedra filosofal

“Uma recuperação gradual é melhor do que uma forte recessão”, diz o presidente do BC, Ilan Goldfajn, ao descobrir a pedra filosofal.

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18.04.18
ED. 5849

O Dom Casmurro do Banco Central

Com eleições presidenciais, o Congresso Nacional travado e o empresariado inseguro, não há muita coisa que os ministros substitutos da Fazenda, Eduardo Guardia, e do Planejamento, Esteves Colnago, possam fazer neste ano. Mas o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, tem a força. Não fosse a conhecida teimosia, já no mês de maio, na próxima reunião do Copom, Ilan poderia fazer História. Se trouxer a taxa Selic dos atuais 6,50% para 6%, estará injetando um pouco mais de gás em uma economia que insiste em andar de lado. Ilan tem dito ao mercado que o ciclo de flexibilização monetária deverá ser interrompido após uma redução da taxa em 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic a 6,25%.

A partir daí, o BC se recolheria em prudente expectativa, observando o resultado da política monetária. Em outras palavras, Ilan congelaria a Selic em 2018. Os juros do resto do ano seriam os da próxima reunião do Copom. O presidente do BC teme que uma redução um pouco mais ousada da taxa carregue o risco de um aumento de juros mais à frente. Ilan Goldfajn mira nos juros americanos, na guerra, no câmbio e na ascensão de um presidente populista.

No caso de uma descolada do real, já anunciou que tem farta munição de swaps cambiais para desovar no mercado. Quanto à possibilidade do futuro mandatário ter uma visão divergente da economia, não há política monetária que se interponha à vontade soberana do povo. E durma-se com uma Selic ainda elevada, ignorando a queda da inflação abaixo do piso da meta (3,5%); a vampirização da economia resultante da capacidade ociosa; a resiliência do desemprego em 12,4%; o recuo das previsões do crescimento do PIB para o intervalo entre 2,6% e 2,4% (o governo cravava 3%); e a oportunidade histórica de pressionar para baixo os juros bancários, com um argumento da maior solidez.

O fato, repita-se, é que só o BC tem a força nesse momento. E sendo verdade, está à frente o risco de mais desaquecimento da economia e desemprego. Com um peteleco, puxando mais 0,25 ponto percentual e deixando a Selic em históricos 6%, Ilan reverteria essa entortada macroeconômica. Ou, no mínimo, colaboraria efetivamente para uma melhoria no ambiente econômico. Como alterações nos juros têm uma inércia de cinco a seis meses para locomover a economia, a hora seria agora. Com a vantagem adicional de ainda contribuir para uma desaceleração na relação dívida bruta/PIB.

Quem sabe teríamos um fim de ano um pouco melhor? A birra foi má conselheira do presidente do BC em seu ciclo anterior  de manutenção dos juros em um nível astronômico, quando o IPCA já indicava uma descida ladeira abaixo. Ilan Goldfajn teve de sair baixando os juros em desabalada carreira para reduzir o prejuízo na economia. Repetir o erro com o sinal trocado levaria Ilan à galeria das autoridades monetárias que mais desprezaram os agentes produtores e o tecido social do país. Tudo por pura teimosia.

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06.03.18
ED. 5819

“Mestre Ilan” medita sobre a insustentável leveza do câmbio

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, é considerado um “cavaleiro Jedi” pelos seus pares na diretoria da autoridade monetária. Para quem não assistiu a nenhum filme da saga Guerra nas Estrelas, os “Jedi” são uma casta de guerreiros superdotados. “Mestre Ilan”, segundo a fonte do RR, estaria de olho no câmbio. Sim, justamente no câmbio para o qual ninguém anda dando muita pelota.

Até porque, o Brasil tem reservas cambiais de US$ 380 bilhões, superávit recorde na balança comercial de R$ 60 bilhões (2017) e um déficit de conta corrente coberto mais que três vezes pelos investimentos diretos estrangeiros. “Mestre Ilan”, contudo, é notório por sua percuciência. Em sua primeira batalha, manteve a Selic nas alturas mesmo com o índice de inflação apontando para regiões abissais, provocando uma brutal recessão.

Segundo os Jedi, a medida foi somente por cautela e garantia da ancoragem dos preços. Agora, “Mestre Ilan” estaria matutando eventuais ações de proteção ao câmbio que poderiam ser feitas com a devida sutileza, para não chamar a atenção do mercado. A estratégia é refinada porque os juros, a priori, não deveriam subir neste ano político. Ilan estaria atento a distúrbios sérios na liquidez global na esteira da elevação na esteira dos juros nos EUA, novas diatribes de Trump na linha da taxação das importações norte-americanas de aço e alumínio, além do cenário eleitoral – a população tende a rejeitar mais reformas -, novas redução na nota do Brasil pelas agências de rating e maior desconforto com os números fiscais.

O mercado poderia ficar subitamente pessimista, apostando contra o real, baixando a bolsa e cobrando juro alto. Ilan flertaria com uma cunha fiscal na saída de dólares. Motivos para a medida não faltariam. Agora mesmo, passando a vigorar curiosamente em um sábado (3 de março), o BC aumentou o IOF nas operações de remessa de recursos de uma conta bancária no país para outra conta no exterior. A alíquota, de 0,38%, foi corrigida para 1,10%. O cavaleiro Jedi tem como mantra a máxima de Mario Henrique Simonsen: “A inflação aleija, mas o câmbio mata”. O aforismo já estaria se tornando um clichê vulgar, não fosse sua exatidão. Quando se trata de câmbio, “Mestre Ilan” prefere pecar pelo excesso.

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08.02.18
ED. 5804

Grito de independência

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, tem discutido com seus diretores a oportunidade e o timing para a regulamentação da independência da autoridade monetária. Seria uma forma fácil de dar um recado para o mercado sobre o fortalecimento institucional do banco, e reforçar a ancoragem das expectativas. O complicador é o excesso de assuntos na pauta do Congresso. Para o seu público interno, Ilan diz que aprova inteiramente a medida, desde que ele não esteja mais à frente da instituição. Imagine, o titular do BC pular fora logo após a aprovação do projeto que garante sua permanência por um período mais longo.

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17.01.18
ED. 5788

Pingo nos is

Na edição de ontem, na matéria “Ilan Goldfajn pendura o figurino de ‘hawkish’ no armário”, devido a um erro de digitação e revisão o RR citou que a taxa Selic está em 7,25% e não 7%, como é o correto. Fica o registro.

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16.01.18
ED. 5787

Ilan Goldfajn pendura o figurino de “hawkish” no armário

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, vai enterrar o seu passado de “hawkish”. Ele resistiu o quanto pode a reduzir os juros quando diversos economistas já davam como favas contadas que a inflação desabaria. Goldfajn venceu a queda de braço com seus críticos. Foi festejadíssimo na medida em que o IPCA desceu pela primeira vez abaixo do piso da meta, o que pode ser bom por um ângulo – a folga para praticar juros mais baixos no decorrer do ano e o aumento do poder de renda da população – e ruim por outro – confirma que o déficit nominal poderia ser menos pressionado com uma Selic reduzida há mais tempo e uma recessão e desemprego menores. Assim é, se lhe parece.

O RR conversou com um amigo de Goldfajn, que costuma ler os pensamentos do presidente do BC. Ele diz que vem aí uma queda firme dos juros, provavelmente dividida em duas ou três reuniões do Copom. O BC estaria considerando que tem gordura para queimar (o IPCA previsto pelo boletim Focus, divulgado ontem, foi de 3,98%), a despeito das eventuais tensões eleitorais e da ameaça de novidades da Lava Jato.

O risco externo, com um aumento maior dos juros norte-americanos, também estaria bem digerido no cenário de uma Selic reduzida. A taxa básica, hoje de 7,25%, terminaria o ano em 6,50%. Curiosamente, o  Focus de ontem publicou uma projeção dos top five de uma Selic entre 6,75% e 6,50%, para uma mediana de 6,75%, em 2018. Como sempre os percentuais levam um componente de “achismo”. Mas a tendência de um Goldfajn “dovish” parece ser um consenso. A fonte do RR garante que o declínio da Selic não tem nada a ver com o calendário eleitoral. “O Ilan já deu provas que está descolado das influências da área política.”

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05.10.17
ED. 5719

Ecos do passado

Recomenda-se não convidar Ilan Goldfajn e Armínio Fraga para almoçarem juntos. Melhor um café. Ou – quem sabe? – um lanchinho. Tudo rápido, bem protocolar. São os ecos do passado…

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20.09.17
ED. 5708

Ilan Goldfajn volta a azedar a festinha da Selic

A ida a público do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, para antecipar os próximos passos da política monetária – ritmo de queda da taxa Selic moderadamente menor – reflete uma divisão entre o núcleo duro do Palácio do Planalto e a equipe econômica. Os cardeais Moreira Franco e Eliseu Padilha são favoráveis à manutenção ou mesmo a precipitação do afrouxamento monetário. Segundo a dupla, não haveria justificativa para um recuo no percentual de redução da Selic.

O argumento contra a diminuição do ritmo de declínio das taxas de juros, paradoxalmente, é dado pelo próprio Ilan: o risco de desancoramento da inflação é baixo. Com o desemprego prosseguindo em patamar elevado, o câmbio cadente e o ritmo anêmico da atividade econômica, a taxa de inflação deverá seguir até o fim de 2018 na fronteira dos 4%, provavelmente pulando a cerca para a casa dos 3%. Ilan espera uma baixa do índice de preços mais sustentável, até porque o nível de capacidade ociosa da economia é grande, e a velocidade de aquecimento da atividade produtiva não seria suficiente para conter o flerte com o piso da meta. A hora seria de dar um gás no consumo.

Até pouco tempo atrás, Ilan foi triturado entre os seus pares porque não teria tido a sensibilidade de baixar os juros quando a inflação já havia embicado para baixo e a recessão sacrificava o país. Parece estar obcecado com essa receita. O “custo Ilan” não é bem absorvido no Palácio do Planalto. Fica na conta de Henrique Meirelles. O ministro está alinhado com o presidente do BC; é o seu escudo de proteção. Meirelles acha que a prudência é sempre a medida do acerto na política econômica, mesmo que seu preço seja a revelação futura de que a autoridade monetária foi lenta ou não entendeu os sinais da conjuntura.

A entrevista atípica de Ilan foi combinada com Meirelles. Ela cria um fait accompli com o BC e antecipa o comportamento futuro da Selic, praticamente ditando o corte da taxa que será aprovado na reunião do Copom de outubro (0,75 ponto percentual). O ministro também se arroga a falar da política monetária, como se fosse o condutor do BC. Ele justifica a falta de ousadia com variáveis que não parecem tão determinantes para formação da taxa na circunstância: contenção da liquidez nos Estados Unidos, o destempero nuclear da Coreia do Norte e os efeitos sobre o câmbio. Faltou só a Lava Jato.

O que Meirelles realmente não quer é baixar a taxa de juros para ter que levantá-la logo depois com várias altas sucessivas. Ou seja: a Selic agora vai cair devagarinho para não ter de voltar a subir novamente em futuro breve, com maior intensidade e rapidez. As raposas do Palácio, contudo, não se conformam. Com o aumento da renda das famílias decorrente da brutal correção dos preços, uma ajuda a mais dos juros é o que falta para lambuzar as expectativas de mel e puxar o consumo nos meses natalinos.

O discurso de Ilan teria de ser exatamente o contrário. Por enquanto Meirelles reina e Ilan é independente. Que seja. Até 24 de outubro, quando se realiza a penúltima reunião do Copom no ano, pipocarão de todas as partes pleitos para que a política monetária mude; que a queda dos juros seja mantida no patamar de um ponto percentual ou eventualmente um pouco além, atingindo 1,25 ponto; e que o BC ouse um piso da Selic na faixa de 6% – atualmente as previsões do mercado são de uma taxa de 7,25% no início de 2018 – acelerando o ritmo de correções para baixo da taxa básica. Moreira Franco e Eliseu Padilha, é claro, não terão nada a ver com isso. Coisa do mercado. Ou da mídia. Seja lá o que for, o script está dado.

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18.07.17
ED. 5663

Ilan Goldfajn perde seu “investment grade”

Uma miríade de economistas do Boletim Focus aplicou um downgrade no presidente do BC , Ilan Goldfajn. O titular do BC teria errado na mão em vários tempos. Primeiro segurou a taxa Selic nos píncaros por meses e meses forçando uma recessão desnecessária, quando a atividade econômica desabava e a inflação já embicava para baixo. Ele também se esqueceu completamente do desemprego quando a boa receita de política monetária recomenda calibrar a Selic em função da taxa de desocupação do mercado de trabalho. Depois começou a reduzir a Selic em doses módicas em meio a uma recessão dos diabos. Quando se esperava alguma consistência na diminuição da taxa, pisou no breque devido ao recrudescimento da crise política. Ilan fez campanha para a redução da meta de inflação na última reunião do Conselho Monetário Nacional. A queda foi baixinha, quase microscópica, de 4,5% para 4,25%. Mas se, por qualquer acidentalidade, a exemplo do descontrole fiscal, o BC não atingir o novo target, vai ter de subir a Selic novamente.

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14.07.17
ED. 5661

Henrique Meirelles já não consegue nem ser âncora de si próprio

A lua de mel de Henrique Meirelles com Michel Temer, os empresários e próceres da base aliada, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, eclipsou, ou, melhor, tornou-se pontilhada de fel. O ministro da Fazenda tem feito exigências, dificultado a liberação de verbas e mostrado soberba, inclusive nas reuniões com o grupo palaciano. A estratégia de Meirelles é capciosa: mantém sua palavra de permanecer no governo desde que suas diretrizes na economia sejam mantidas e ninguém o ofusque na sua esfera de atuação. O que em outras palavras quer dizer: “Não me contrariem que eu me mando”. Ocorre que a intocabilidade do ministro não é mais a mesma.

Meirelles é uma âncora em processo de corrosão e imersa em um chão viscoso. As reformas estruturais, sustentáculo do governo, já deixaram há muito de ser “As reformas que dependem do Meirelles”. A julgar pela velocidade dos fatos, caminham para serem as reformas de Rodrigo Maia ou de qualquer um que se apresente. O ministro reduziu bastante sua agenda de encontros com políticos – que já foi intensa quando a parte técnica da reforma da Previdência estava sob sua alçada. Sua presença no Congresso era algo de marcial.

Hoje a maior interlocução com os parlamentares é realizada pelo Secretário de Acompanhamento Econômico, Mansueto Almeida. Os políticos acham chato o papo com Meirelles. O sucesso na política anti-inflacionária e na redução dos juros já foi depositado na conta do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Na área fiscal, os números obtidos na gestão do ministro são os piores da história republicana. O Brasil vai acumular um déficit primário de cerca de R$ 500 bilhões no triênio que se encerra em 2018, o maior já registrado no país.

A dívida pública interna alcançará cerca de 90% do PIB. De âncora fiscal, portanto, o ministro não tem nada. Desemprego, recessão, atraso nas concessões, não há nada para ser mostrado na vitrine. Há ainda a presença de Paulo Rabello de Castro no BNDES, avaliada por Temer e pela Fiesp. Há o aconselhamento de José Marcio Camargo e Marcos Lisboa a Rodrigo Maia. Existe também a expectativa de respingo da delação de Antônio Palocci. E mais: foi iniciada a safra despudorada de Medidas Provisórias para compensar os parlamentares que votarem atendendo aos interesses palacianos.

A torrente de MPs corresponde a algo como “Não me enche o saco com política fiscal”. Finalmente, há o recurso ao aumento de impostos, que, na linguagem do mercado, pode ser traduzido como “Vai para casa, Meirelles”. Aos poucos, portanto, o ministro vai se transformando em uma cópia enrugada de Joaquim Levy, que, pelo menos, podia atribuir a calamidade a Dilma Rousseff. Meirelles é um busto encrostado em praça pública em homenagem ao ministro que ele foi um dia, sobrevoado por passarinhos prontos para fazer xixi na sua cabeça.

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19.05.17
ED. 5622

Sob medida

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, que vinha se caracterizando por aparecer suado, ofegante e amarfanhado, falou ontem com a imprensa na porta da autoridade monetária, em Brasília, com o terno impecável, descansado e o rosto fresquinho feito bumbum de bebê. A exposição pública de Ilan é contracíclica.

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10.04.17
ED. 5596

Ilan Goldfajn vira a âncora de Henrique Meirelles

Os cérebros dos luminares do BC crepitam em um dilema “shakespearmonetário”: Selic em queda de 1,25 ponto (quiçá 1,50 ponto percentual) e manutenção da meta de inflação em 2018 ou queda de um ponto e redução do inflation target no próximo ano? Quem lê o RR antecipou esse dilema, que se tornou um “trilema” com o pedido tácito ao BC para dar uma mãozinha à Fazenda devido à disenteria fiscal. Então, ficamos assim na bolsa da política econômica: Henrique Meirelles em baixa; Ilan Goldfajn em alta.

A previsão de um PIB mais baixo neste ano – a Fazenda cortou sua projeção de 1% para 0,5%, mas o mercado já acha que 0,3% será uma dádiva – encurralou a relação dívida pública/produto interno, que deverá receber mais sal grosso com o provável estouro do teto de R$ 139 bilhões para o déficit primário. O próprio Meirelles já admitiu elevar a estimativa do buraco orçamentário de 2017. Como se sabe é a relação dívida/PIB que as agências de rating enxergam. A Moody’s já tinha manifestado sua simpatia. Isto foi antes da lassidão fiscal – mimetizada como baixa arrecadação – ser revelada. Para as agências de rating, por tanto, o que interessa é o déficit nominal, tratado nessas plagas como mercadoria de segunda classe.

Caso o fiscal estivesse dentro do programado, a dívida pública bruta subiria dos atuais 70% para 77% do PIB. Agora vai a 79%, 80%, 81% do PIB e Deus for realmente brasileiro. Ou se o presidente do BC for “dovish”, conforme o jargão estereotipado do mercado. Ilan, depois uma maré de excessos, com juros altos por mais tempo do que o necessário (quem diz é a maioria dos analistas), criou um novo padrão de confiabilidade. “Ancorou”, como se diz. É ele, em última instância, quem decide a taxa Selic na reunião do Copom.

As instituições financeiras, estimuladas pelo próprio relatório de inflação do BC, começaram a projetar uma taxa mais baixa no final do ano, que, para os mais ousados, poderia chegar a 8%, contra as previsões majoritárias de 8,5%. A título de referência: cada queda de um ponto na Selic significa uma economia de R$ 26 bilhões nos juros. E cada redução de três pontos percentuais representa um encolhimento de 1% no resultado nominal.

Os três pontos já estão superados, pois 70% das instituições baixaram para a faixa de 8% a 8,75% a Selic de dezembro, contra os 9,25% que reinaram a maior parte do ano. Se cravar 8% de Selic no final do ano, isso significará uma redução de quatro pontos na taxa, ou seja, uma compensação do fracasso fiscal de Meirelles e seu efeito na relação dívida/PIB. Ilan tem bons motivos para puxar a Selic mais para baixo – 1,25 a 1,50 ponto – e outros igualmente respeitáveis para ir devagar com o andor.

A favor da queda acentuada estão as previsões de inflação na faixa de 3%, abaixo do piso da meta, a recessão econômica e um acerto de contas com os bancos, que, mesmo com as recorrentes reduções da Selic, não estão baixando os spreads. Com a Selic bem comprimida, a banca ficaria em corner. Essa alternativa ensejaria uma meta de inflação mais baixa para 2018, até para compensar a eventual interpretação de um BC moleirão.

Os riscos parecem baixos já que a inflação está mergulhando para o reino abissal (as apostas chegam a um IPCA de 3%, transformando o target de 4,5%, em uma espécie de objeto de desejo ultrapassado). A correção da Selic em módico um ponto, por sua vez, poderia ser interpretada por um BC insensível ao desemprego, sinalizando um recrudescimento da inflação e indisposto a alterar a meta e ser obrigado a uma política monetária errática caso haja qualquer repique da carestia. Nesse caso, a dívida pública que espere a sua vez. Nos dias 11 e 12, datas do Copom, e 27 de abril, quando o Conselho Monetário Nacional se reúne, parte do “trilema” será respondida.

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06.02.17
ED. 5554

A minirreforma nas mídias sociais

A reforma microeconômica ou “minirreforma monetária” que o BC está implantando, com medidas no compulsório bancário, crédito direcionado, mudanças nas regras dos cartões de crédito etc. vai chegar às novelas de TV. Até aí, morreu Neves, porque Ilan Goldfajn já anunciou, e a TV Globo agradece encarecida. Mas a agenda da “cidadania e educação financeira” será estendida também para as redes sociais. A compreensão no BC é que hoje as redes são o veículo que melhor atinge a população em uma campanha como a pretendida. Entretanto, há problemas de comunicação a serem enfrentados: como ensinar o cidadão a reduzir o spread bancário sem culpabilizar as instituições financeiras por se apoderarem deles? E pior: como se proteger dos hackers, que podem colocar como postagem do Banco Central recomendações capazes de levar o sistema, no limite do paroxismo, a uma crise bancária? Todo cuidado é pouco com essa mídia.

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03.02.17
ED. 5553

Meta de inflação é um rio que divide o BC

O Banco Central é um coração partido quando se trata da redução da meta de inflação. Dois diretores defendem radicalmente a manutenção da meta de 4,5% pelo menos durante os próximos três anos. Um deles, inclusive, é autor de paper acadêmico sobre o assunto em parceria com ilustre professor, na qual se posiciona abertamente pró manutenção da meta. Os demais se dividem entre os hawkish (os “falcões”, radicais da política monetária) e os dovish.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, tateia com cuidado a questão. É dele a opinião de maior peso na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) programada para junho deste ano, quando será decidido, entre outros temas, o inflation target para 2019 – ou 2018, se os “falcões” atraírem Ilan para o lado negro da força. Ilan é o divisor de águas do CMN. Primeiramente, porque o BC será o operador da meta; segundo, porque os demais membros do Conselho, os ministros Henrique Meirelles e Dyogo Oliveira, reconhecem que Ilan entende muito mais do assunto. Até por dever de ofício, quando a reunião se aproximar ele já terá estressado o tema com os técnicos do BC, no ambiente mais abalizado para discutir o inflation target.

O lobby que ganha corpo, como sempre, é o do mercado financeiro, o mais beneficiado com a redução da meta. Mas, mesmo os “piranhas” do mercado, como diz a professora Maria da Conceição Tavares, estão parcimoniosos em relação ao target. Pedem 3% para ganhar 3,5%, com a manutenção dos intervalos de segurança. O BC projeta uma taxa de inflação de 3,4% em 2018. Uma das ideias discutidas pela autoridade monetária é reduzir em meio ponto percentual a meta, com base nas projeções de junho para a taxa de dezembro de 2017.

Se o cálculo fosse feito neste mês, quando as projeções de inflação convergem para 4,4%, o novo target seria de 3,9%. A meta mais baixa traz um potencial efeito colateral: o BC, por cautela, tenderia a reduzir o ritmo de queda da taxa de juros. As instituições financeiras agradecem. Mas do que a economia precisa no momento é exatamente de queda dos juros. Além do mais, uma diminuição brusca da meta, para 3% em 2019, ou mesmo antecipada para 2018, por exemplo, deixaria sua sustentabilidade mais frágil, na medida em que qualquer imprevisto externo ou choque nas variáveis de preços jogaria a inflação para fora do centro, suscitando nova elevação dos juros. Há ainda a questão da dominância fiscal.

Seria recomendável concluir o ajuste para, aí sim, ancorar a expectativa inflacionária em outro patamar mais consistente. E como lidar com uma inflação mais baixa do que a meta? Afinal, meta é algo a ser superado. Os agentes econômicos teriam o intervalo mais baixo, com gosto de meta, traduzindo igualmente o sucesso da política monetária. E uma oscilação pequena em torno do target não chega a ser um desarranjo, nem desancora as expectativas. O mais provável é que Ilan tope um aumento suave da meta para 3,9%, mas só a partir de 2019, conforme o calendário original do CMN. E redirecione o BC para o foco na atividade econômica e, por conseguinte, para a redução do desemprego. O lado solar da força, onde o BC há muito tempo não se faz presente.

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23.01.17
ED. 5544

Enigma do enigma do desconcerto monetário

Acertou Alexandre Tombini por ter dado, em 2015, a maior puxada da Selic, para 14,25% – por pouco não foi a 14,75% –, a viga mais pesada na edificação da atual ancoragem das expectativas inflacionárias.

Errou Alexandre Tombini por não ter baixado a taxa mais cedo, soltando em 2015 um pouco a carretilha da economia e evitando a brutal recessão do ano passado.

Errou Ilan Goldfajn porque manteve as taxas siderais mais tempo do que o necessário com o intuito de precipitar o recuo da inflação para a meta de 4,5% ainda em 2017, pagando o preço de praxe do desemprego, recessão, elevação da dívida bruta, entre outros fundamentos deteriorados.

Acertou Ilan Goldfajn, porque o seu BC focou intramuros uma meta de 4%, inferior à anunciada, de 4,5%, o que justificaria a política monetária ortodoxa de terra arrasada, que levou à maior recessão já assistida pelos brasileiros com mais de 90 anos, mas ancorou firmemente as expectativas inflacionárias.

Erraram Alexandre Tombini e Ilan Goldfajn, porque ignoraram o estado de dominância fiscal em que os juros muito altos são deletérios, produzindo as piores sinalizações para o fiscal e gerando uma resistência inercial à queda da inflação por conta da indexação que ainda grassa na economia.

Acertaram os dois economistas, pois com esse Fort Knox de reservas cambiais – US$ 376 bilhões – o Brasil não está em dominância fiscal nenhuma, e a política adequada era essa mesmo, ou seja, enquanto o fiscal não estivesse assegurado, o jeito era mandar a ripa nos juros, restringindo a atividade produtiva, salgando os salários e sangrando o emprego.

Erraram muito os dois, pois a meta poderia ser estendida, os juros, rebaixados e o target passaria ser a dívida bruta, uma política que pouparia o sacrifício de milhões de empregos.

Cartas para a Redação

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 Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn mantêm a relação de chefe e subordinado que tinham no Banco Central, no governo Lula. Melhor não mexer: talvez seja assim que as coisas funcionam bem. •••  Joseph Safra, que se mudou para Mônaco há cerca de seis meses, não tem planos de voltar tão cedo para o Brasil. •••  Comentário de um tucano de alta plumagem sobre a promessa de João Doria de não disputar a reeleição: “Ele vai repetir o Serra e deixar a Prefeitura em 2018 para disputar o governo do estado.” Vale o dito e o desdito. •••  Derrotado nas eleições, Pedro Paulo deve retomar seu mandato na Câmara dos Deputados antes mesmo do fim do governo de Eduardo Paes.

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30.06.16
ED. 5401

Discurso fiscal

 Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn precisam combinar o discurso. Ilan diz que o fiscal antecede a queda dos juros, que permanecerão onde estão. Meirelles prevê um déficit fiscal de R$ 140 bilhões para 2017. Isso se houver calmaria com as contas dos estados e municípios. Se os juros não caírem, o Brasil ostentará o título de figurar, invariavelmente, durante 31 anos, entre os três primeiros lugares – mais para o primeiro – no rol dos países com maiores juros reais do mundo. Atualmente o país tem a mais alta taxa real do mundo. Na taxa nominal, disputa ferozmente com a Ucrânia.

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