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24.07.20

Guedes ́s Brothers

A presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares, Beth Guedes, das três uma: ou rachou com o irmão Paulo Guedes, ou assuntou com ele antes e recebeu algum spoiler, ou sequer se falam. Beth está liderando uma campanha contra o aumento do PIS Cofins, que é um tiro de morte no Prouni. Difícil que não tenha falado com o irmão sobre o tema. A “mana” foi seu braço direito no Ibmec quando Paulo Guedes era o manda-chuva na instituição. Caso a segunda das hipóteses acima seja a verdadeira, Beth é uma boa fonte sobre a reforma tributária em discussão no governo.

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19.02.20

Quanto pesa cada integrante do time de Paulo Guedes?

Os Chicago´s Oldies e afins que gravitam em torno do ministro Paulo Guedes têm pesos diferentes no ranking de prestígio e aprovação no governo. Guedes universalizou ideologicamente sua equipe. São todos ortodoxos, egressos da universidade de Milton Friedman, mercado financeiro, Ibmec e Instituto Millenium. Destes dois últimos participam, respectivamente, o secretário geral de Produtividade e Competitividade, Carlos Costa, que privou com o ministro na unidade do Ibmec-SP quando ele era o dono da universidade, e Paulo Uebel, secretário geral de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, oriundo do Millenium. Também do Instituto é egresso o secretário de Comércio Exterior e Relações Internacionais, Marcos Troyjo. Com perfil de diplomata, trabalhou com Mario Garnero e Nelson Tanure, empresários que caracterizaram sua trajetória por operações ousadas.

Costa, Uebel e Troyjo mostram serviço e são prestigiados. No ranking da aprovação poderiam estar em um 3° lugar todos os três. O secretario do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, que já estava no governo antes da gestão Bolsonaro e chegou a aspirar a pole position nas categorias de prestígio e aprovação, teve uma queda drástica nos últimos cinco meses. Por pouco escapou a uma
fritura. Deixaria o Tesouro, por qualidade claudicante dos serviços, e cairia para cima, assumindo a diretoria executiva do Conselho Fiscal da República. Guedes, contudo, estancou a saída, brindando-o com a acumulação dos dois cargos. Mansueto poderia muito bem se situar no 5° lugar, com viés de baixa. Na gangorra do ranking estão o secretário de Desestatização e Desmobilização, Salim Mattar, e o Secretário Adjunto da Secretaria Especial de Fazenda, Esteves Colnago.

Mattar desceu para um 6° lugar, sem louvor. Era uma das novidades de Guedes: colocar um empresário para tocar a desestatização. Colnago, ao contrário, tinha pouca visibilidade, imerso na burocracia, mas mostrou grande proficiência e tomou conta do gabinete. Sai de um 7° para um 5°, com viés de alta. Empatados no 2° posto estão o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, e o secretário geral de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior. Os dois são os mastins de Guedes. Autorizadíssimos a falar com a imprensa, são os reis das planilhas com os dados macroeconômicos e de finanças públicas. Defendem o governo com unhas e dentes. Em franco descenso está o presidente do BNDES, Gustavo Montezano. Não acerta uma. Por pouco não foi demitido pelo próprio Bolsonaro, que o conhece desde criança.

Montezano também tem o coração de Guedes. Mas entregar o serviço, que é o que interessa, até agora não se viu. O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, é um quadro anódino. Parceiro de Guedes desde os tempos do Pactual e Chicago Old puro sangue, foi investigado pelo MP no caso Marka – e absolvido, diga-se de passagem – e se especializou em dar declarações defendendo a venda do BB e maltratando seu corpo de funcionários. Mas parece ter aprendido que o silêncio vale ouro, principalmente para quem não sabe lidar com as palavras. Leva um 6° lugar e olhe lá. O presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, é exatamente o contrário de Novaes.  Tirou a CEF da condição de instituição abúlica e injetou eletricidade na gestão. Baixou os juros mais do que todos os bancos, demonstrando que é possível adotar a medida com sustentabilidade. Usa das palavras com grande eficiência. Um craque. Vai para o “2,5°” lugar. Empatados na mais alta posição estão os presidentes do Banco Central, Roberto Campos Neto, e da Petrobras, Roberto Castello Branco. Ambos são sacerdotes do silêncio. Falam pouco, erram pouco. BC e Petrobras não têm mesmo que ficar na ribalta. Castello toca a empresa que nem um violino e conseguiu um feito raro: lidar com a corporação se opondo ao que ela pensa. Campos Neto desabou com os juros e tem se comunicado com o mercado de forma cristalina e na medida certa. Os dois vão para o “1,5º” lugar. A 1ª posição ninguém leva.

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27.11.19

O “AI-5” sempre fez parte do kit Paulo Guedes

Once upon a time Ibmec in the 80s… O então diretor técnico da instituição, Paulo Oliveira Nunes Guedes, era a estrela maior de um centro acadêmico povoado por Chicago´s boys – denominação dada aos economistas que trabalharam no ajuste ortodoxo da economia chilena. Pesquisadores e técnicos de diversas gerações iam, ao termino do expediente, sentar ao redor do professor no barzinho que ficava debaixo da rampa de subida para o segundo andar do Museu de Arte Moderna. O papo com Guedes era um espetáculo.

Na época, o Ibmec estava localizado na Av. Beira Mar e era um órgão mais voltado à pesquisa do que a educação e treinamento. Durante todo o último ano da ditadura, Guedes, que nunca foi contrário ao governo totalitário, reclamava do estamento dominante por um motivo prosaico: era contra as políticas econômicas de Mario Henrique Simonsen e Delfim Netto, últimos ministros da Fazenda do regime militar. Sempre com tiradas sarcásticas, de humor agudo, afirmava que, se a ditadura fosse comunista, faria logo um “Gulag” no Nordeste e estava resolvido o problema da hiperinflação. Ou, então, que a redistribuição de renda podia ser feita “incendiando-se todas as favelas”. Ou ainda que os economistas de esquerda, hegemônicos e barulhentos na mídia à época, deveriam “ir todos para o paredão” e serem assassinados, despoluindo o debate econômico no Brasil.

O jovem Guedes podia tudo naqueles idos. Divertido, confundia a todos. Não se sabia ao certo o que era o seu pensamento genuíno ou chistes e caricaturas apenas para marcar posição de forma hilária. O tempo passou e o czar Paulo Guedes revela que há alguma inspiração com os dizeres do passado. Considera o AI-5 viável, aponta o Chile e a Bolívia como exemplos de resistência a manifestações populares, ameaça suspender as reformas estruturais se os protestos não pararem e discrimina jornalistas em função do que eles escreverem sobre o assunto. Paulo Guedes é o mesmo dos anos 80. Só não é mais divertido.

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27.11.19

Ano letivo

A Yduqs, ex-Estácio, planeja usar a marca do recém comprado Ibmec para investir em uma nova plataforma de MBAs online.

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25.10.19

Uniasselvi na mira

A Ser Educacional, de Janguiê Diniz, que cravar uma aquisição antes do ano letivo terminar. Após perder a disputa pelo Ibmec para a Yduqs, volta suas baterias na direção da Uniasselvi, controlada por Carlyle e Vinci Partners.

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01.02.19

Ibmec na prateleira

Atenção, o Ibmec está à venda. Mas qual o Ibmec? Nada a ver com aquele partilhado por Paulo Guedes e Cláudio Haddad. Muito menos com a instituição de ensino pertencente ao grupo norte-americano Advent. O Ibmec que está na prateleira é praticamente só uma marca oca por dentro, cuja venda vem sendo gerida pelo ex-CVM Thomas Tosta de Sá. Esse Ibmec, que só fazia pesquisas e eventos, tinha ficado sob a gestão do ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso, por ocasião da venda de sua parte educacional a Guedes. Aos potenciais interessados, fica a dica.

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11.10.18

Proposta retrô

Não há nada mais vintage do que estudos e propostas para o fortalecimento e desenvolvimento do mercado de capitais. Basta revólver as cinzas do Codimec, Ibmec (primeira versão), confederação Nacional das Bolsas de Valores (CNBV), Bolsas de Valores do RJ e SP e as atas das reuniões do CMN contendo a ilustre participação do professor Octávio Gouveia de Bulhões, que os escritos, ou a alma deles, estão lá. Agora parece que há um modelito novo na praça, rascunhado pela Accenture. Nada contra. Na pior hipótese vai para o museu de mercado de capitais. Tomara que não.

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09.08.17

Volta ao passado

Um diplomata das finanças tem tentado aproximar o big boss do Insper, Claudio Haddad, do franco atirador do setor de educação Paulo Guedes. Como até os índios das matas longevas da Amazônia sabem, “Paulinho” detesta Haddad. Se sentiu lesado pelo ex-sócio na venda do Ibmec, embrião do atual Insper. Mas agora, protegido pela armadura e o bom senso do seu sócio-patrão, Julio Bozano, é possível que o encontro entre os dois economistas financistas se torne menos ácido e até alguma cooperação seja possível. Haddad quer aumentar o Insper. Não pretende ser consolidado pelos grupos estrangeiros. Nesse contexto, Paulo Guedes teria alguma serventia. Mas o “risco Paulinho” é enorme. Melhor deixá-lo delirando às segundas-feiras na imprensa.

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22.08.16

DeVry carrega uma bolsa de estudos de R$ 2 bi no Brasil

 A norte-americana DeVry está empenhando mundos e fundos para se firmar como uma das grandes consolidadoras do setor de educação no Brasil. O grupo, que já investiu aproximadamente R$ 1 bilhão no país, pretende desembolsar o dobro em novas aquisições. Após comprar o Ibmec, um peixe graúdo que custou R$ 700 milhões, os norte-americanos avançam sobre redes com forte atuação regional. Segundo o RR apurou, a DeVry teria aberto conversações com a Tuiuti, uma das principais universidades privadas do Paraná. Com 14 mil estudantes e quatro campi em Curitiba, a empresa é controlada pela Set Educacional. Outro alvo dos norte-americanos é a Universidade Tiradentes, maior faculdade particular do Sergipe. A DeVry monitora a companhia nordestina há mais de um ano. Seu acionista fundador e reitor, Joubert Uchoa de Mendonca, 79 anos, tem enfrentado problemas de saúde – em setembro de 2015, precisou se submeter a uma cirurgia para a colocação de pontes de safena. A Tiradentes tem quatro faculdades em Sergipe, além de uma operação importante no segmento de ensino a distância, somando mais de 20 mil alunos. Consultadas, a DeVry e a Tuiuti negaram as tratativas.  Caso se concretize, a dupla aquisição da Tuiuti e da Tiradentes fará com que a DeVry Brasil atinja um novo patamar dentro do grupo. A operação brasileira chegará à marca de 150 mil estudantes, superando o próprio número de alunos da companhia nos Estados Unidos. Aliás, não é apenas no tamanho do negócio que os executivos da subsidiária gostariam de se descolar da matriz. O desejo de distanciamento se aplica, sobretudo, à imagem do grupo lá fora. Na América, a DeVry é alvo de diversos processos: a companhia é acusada de práticas comerciais irregulares, de subornar alunos em troca de boas avaliações dos seus cursos e de fraudar a legislação local para entidades sem fins lucrativos.

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26.03.15

A inesquecível dama do Butantan

 A diretora-executiva da Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Educação Superior (Abraes), Elisabeth Guedes, carrega no peito um frasco de veneno. “Beth” era chamada no velho Ibmec, onde bateu ponto, de Lady Macbeth. Intrigou irmão com irmão e mãe com filho. Não há um diretor do Ibmec dessas eras que olhe para o seu reflexo sem exclamar: “Espelho, espelho meu, existe alguém que tenha sido mais envenenado do que eu?” Eles estão todos por aí para quem quiser tirar a prova. Elisabeth é irmã de Paulo Guedes, então presidente do Ibmec. Mas o “Paulinho” era querido pelos pares. Hoje, a  frente da Abraes, “Beth” fala em nome dos novos papões da educação, os consolidadores Kroton, Laureate, Ser Educacional, Estácio, Devry e Anima. Eles que embalem o ofídio.

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