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04.03.20

PIB sofre sequela estatística

O RR conversou com uma fonte no IBGE, mais precisamente da área de revisão estatística do PIB: os resultados não serão tão alvissareiros quanto no passado. Nos anos anteriores, a revisão chegou a promover um aumento de 5% no PIB. Em 2019, a mudança no índice foi dividida, com uma parte já tendo sido realizada. O coeficiente tende a ficar em torno de 1%.

O número do PIB de 2019 deverá ser divulgado pelo IBGE hoje. A expectativa quanto ao índice do crescimento não mudou. Deve ficar entre 1% e 1,1%, mantendo o mesmo patamar de crescimento de 2018 e 2017, respectivamente, 1,1% e 1%. A probabilidade do teto de 1% não ser quebrada é baixa, mesmo lembrando que o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), uma espécie de indicador antecedente do PIB calculado pelo IBGE, registrou um crescimento de 0,89% da economia brasileira, em 2019.

Qualquer migalha no PIB tem importância no ano seguinte, na medida em que implica menor ou maior herança estatística. Por enquanto, a previsão do carregamento do ano passado para 2020 é o onipresente número de 1%. Trata-se de um percentual que não deve ser erodido tendo em vista um cenário de coronavírus, com todas as previsões do PIB sendo rebaixadas.

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17.02.20

Fundo dos Estados no banco dos réus

A Advocacia Geral da União vai entrar nos próximos dias com recurso para tentar derrubar uma liminar da Justiça Federal de Roraima contra o IBGE. O juiz Helder Barreto, do TRF1, proibiu o Instituto de adotar a metodologia do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) na definição do coeficiente do Fundo de Participação dos Estados. O caso é considerado na Advocacia Geral da União como razoavelmente intrincado. Tanto a tese jurídica do mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público de Roraima quanto a decisão do Judiciário são inéditas. A ação determina a inclusão de indígenas e imigrantes na base de cálculo. Sem esses dois grupos, a renda familiar per capita aumenta, provocando consequentemente uma queda no repasse de recursos da União por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Caso a tese prevaleça no julgamento do mérito no TRF1, está aberto o caminho para que outros estados acionem a Justiça, em busca de uma fatia maior do FPE.

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Balanço da primeira reunião de planejamento em 2020 realizada hoje pela equipe econômica tomará conta do noticiário amanhã – vocalizada pelo ministro Guedes ou através de ilações na mídia.

Cobranças por iniciativa mais ágil e enfática para enfrentar o que começa a ser avaliado como paralisia do INSS na concessão de benefícios será destaque entre pautas negativas. Falta de mobilização e respostas fracas de autoridades vêm transformando a questão em risco importante de imagem para o governo. O tema cairá no colo do ministro Guedes, nesta terça. Outra pauta delicada será o reajuste do salário mínimo, que ficou abaixo da inflação de 2019.

Ao mesmo tempo, terão espaço:

1) Teor e cronograma para apresentação das reformas administrativa e tributária ao Congresso;

2) Possibilidade de ajustes ao Orçamento – e novos cortes – em função da inflação superior ao previsto em 2019;

3) Agenda de privatizações para 2020 e prognósticos do Ministério da Economia. Nesse âmbito, governo contará com o otimismo do mercado e de boa parte da mídia.

Petrobrás: redução de tarifas favorece a não intervenção

Diminuição de 3% determinada pela Petrobras nas tarifas da gasolina e do diesel nas refinarias tende a ser bem avaliada amanhã, como fruto de estabilização de preços internacionais e do câmbio. Comando da estatal – e política de não intervenção em preços – sairão fortalecidos. E diminuirá apoio da mídia à ideia de fundo para amortizar flutuações dos preços de combustíveis, defendida pelo Ministério da Infraestrutura e pelo próprio presidente Bolsonaro.

A retomada dos embates entre o Legislativo e o Judiciário

Alguns temas que têm sido majoritariamente percebidos pela mídia como reflexos de embate político entre a Operação Lava Jato e o Poder Legislativo estarão em foco amanhã:

1) Negociações na Câmara dos Deputados para emenda a projeto, aprovado no Senado, que estabelece o fim do foro privilegiado. Seria criado contraponto, para impedir que os juízes de primeira instância determinem medidas cautelares contra políticos. Não há definição de data para votação, mas exposição do debate levará, amanhã, ao bombardeamento e provável inviabilização prévia das negociações em curso.

Deve haver questionamentos, nesta terça, quando ao posicionamento do presidente Rodrigo Maia, que dará medida importante do ambiente na Câmara quanto ao tema;

2) Novos capítulos sobre o Juiz de Garantias, que será associado às negociações para limitar poderes de juízes de primeira instância. Se deputados não indicarem recuo nessa questão, começarão, rapidamente, a contaminar o debate, abrindo espaço para nova ofensiva de entidades do Judiciário e do próprio ministro Moro contra a medida.

3) A retomada de ilações sobre  o “cabo de guerra” entre a Câmara e o Senado no reestabelecimento da prisão em segunda instância. A conferir amanhã, mas tudo indica que o Senado (na verdade a ala identificada com a Lava Jato), que defende projeto de lei de tramitação mais rápida e aplicação restrita à esfera criminal, largará na frente.

O impulso do comércio e a indústria regionalizada

Saem amanhã a Pesquisa Mensal do Comércio (PMS) e a Pesquisa Industrial Regional (PIM) de novembro, ambas do IBGE.

No comércio, há forte expectativa em função: 1) Da desaceleração de outubro (0,1%) após expansão de setembro (0,8%) e da percepção de que o setor é um dos principais impulsionadores da recuperação econômica; 2) De impactos da Black Friday para o setor (data oficial do evento foi 29/11).

Na Indústria, resultados nacionalizados, divulgados na semana passada, apresentaram queda de 1,2%. A conferir se recuo foi generalizado ou se houve concentração regional.

A Balança Comercial chinesa e o acordo comercial com os EUA

Internacionalmente, vale destacar nesta terça:

1) A Balança Comercial da China em dezembro. Estima-se expansão importante, com aumento do superávit (de US$$ 37,93 bilhões para projeções que oscilam entre US$ 45 e 50 bilhões); exportações (crescimento em torno de 3,2% após recuo de 1,3% em novembro) e importações (expectativas acima de 8% após aumento de 0,3% em novembro).

Se confirmados, números alimentarão otimismo em relação à economia chinesa e ao fim – ou ao menos contenção – da guerra comercial com os EUA. A expectativa de que os dois países anunciem a primeira etapa de acordo comercial já animou mercados internacionais hoje.

2) O Índice de Preços ao Consumidor de dezembro, nos EUA, que deve se manter estável, em 0,2%.

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Terão força, amanhã, avaliações de cenário e questionamentos ao governo quanto à atitude frente ao Irã. Consequências diplomáticas de apoio explícito à posição norte-americana (a encarregada de negócios do Brasil em Teerã foi convocada pelo governo iraniano) já levaram a críticas. E alimentam preocupação quanto a perdas comerciais, bem como a desgaste político internacional – sem contrapartidas positivas.

Há expectativa de que prevaleça a “ala pragmática” da gestão federal, nesta quarta, mas, dado o alinhamento do presidente com os EUA e, até mais, o histórico recente do Itamaraty, não se pode bater o martelo – longe disso.

O equilíbrio delicado frente à alta do petróleo

Pauta ligada a possíveis iniciativas do governo federal para mitigar efeitos da alta do petróleo se manterá amanhã, alimentada por dois fatores:

1) Possibilidade de criação de fundo que amortize flutuações, aventado pelo ministro de Minas e Energia. Medida tem certa aceitação da mídia e de analistas econômicos, conceitualmente, mas enfrenta resistências pela situação de restrições orçamentárias.

2) Ideia de redução de ICMS cobrado por estados, de forma a reduzir o custo da gasolina para o consumidor. É viés que encontra muito mais resistências, tanto do mercado quanto dos próprios governadores. Se o presidente Bolsonaro insistir no tema, pode angariar apoio setorial – como de caminhoneiros –, mas sofrerá desgaste significativo.

O governo erra a mão na energia solar

Já no que se refere à energia solar, linha adotada hoje pelo presidente Bolsonaro, “enterrando” possibilidade de taxação do setor, em estudo pela Aneel, favorece imagem de intervenção e levará a análises negativas, amanhã. Linha de analistas, que oscilava, deve pender para críticas ao presidente e temor de que esteja cedendo a grupos de interesse, em detrimento da independência de agências reguladoras.

A inflação em janeiro: primeiros sinais

Sai amanhã o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola e o Prognóstico da Safra 2020, do IBGE, e o IPC S para a primeira semana de janeiro, da FGV. A conferir se o prognóstico do IBGE confirma dados de dezembro, que indicaram revisão para cima, puxada por forte aumento da produção de soja (6,7% sobre 2019). Em relação ao IPC S, interessa verificar se mantém-se a tendência de desaceleração detectada no final de 2019.

Os EUA, a China e a Argentina: do emprego à inflação

Internacionalmente, destaque para:

  1. a) A Variação de Empregos Não Agrícolas do Setor Privado em dezembro, nos EUA, para a qual se projeta forte avanço, com 160 mil postos de trabalho criados após resultados muito aquém do esperado em novembro (67 mil);
  2. b) A produção industrial de novembro na Argentina, que deve apresentar novo recuo, da ordem de 2,9%. Crise no país vizinho não dá sinais de arrefecimento;
  3. c) Índice de Preços ao Consumidor da China em dezembro. Estima-se número próximo da estabilidade, em torno de 4,7% frente a 4,5% em novembro.

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O IBGE divulga amanhã os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD Contínua. Os dados, referentes a 2018, vão confirmar um crescimento lento do emprego no período, com aumento das vagas informais concentrado no setor de Serviços.  Nesse período houve crescimento do contingente de pessoas trabalhando por conta própria, atingindo 29%.

Tudo indica que o cenário para 2019 não será muito diferente, como têm demonstrado os levantamentos trimestrais da pesquisa. Embora tenha havido um crescimento lento dos empregos formais com certa estagnação de salários, sobretudo na região Sudeste, essa alta ainda está muito aquém do período pré-crise.

A análise também mostrará que, de 2017 a 2018, a expansão observada na ocupação das mulheres foi mais intensa que a dos homens, o que contribuiu para que a diferença do percentual entre ambos os sexos atingisse o menor valor desde 2012. As mulheres correspondem a 43,7% do total do mercado de trabalho brasileiro.

Vendas de Natal

As vendas de Natal devem crescer 5,2% em 2019, segundo revisão da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada hoje. Se confirmada a projeção, o setor vai registrar o maior avanço real das vendas natalinas desde 2012 (+5,0%), aproximando-se do nível de vendas registrado antes da recessão.

Crescimento tímido

Mesmo com a moagem de cana na safra 2019/2020 tendo aumentado em quase 17 milhões de toneladas, o Centro-Sul do Brasil deve produzir 26,7 milhões de toneladas de açúcar no período – 0,72% a mais do que o volume produzido na região na safra anterior. Como a previsão é de que a maior parte da produção será destinada  para a indústria alcooleira, analistas de mercado já preveem  uma alta nos preços do açúcar e derivados.

Recursos recuperados

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) deve tentar discutir amanhã o Projeto de Lei Complementar 164/2015, que altera a Lei de Responsabilidade Fiscal para que recursos públicos recuperados em decorrência de casos de corrupção sejam destinados à educação.

Mobilidade urbana

Desenvolvedores de aplicativos de mobilidade urbana vão acompanhar de perto as discussões da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado nesta quarta-feira. É que os senadores irão discutir o PL 4135/2019, que dispõe sobre a regulamentação dos serviços de compartilhamento de bicicletas, bicicletas elétricas e veículos de mobilidade individual autopropelidos, como os patinetes. O projeto também institui normas para circulação de bicicletas elétricas e veículos de mobilidade.

A oferta desses serviços tem crescido nas capitais brasileiras, mas o setor teme que o excesso de regulamentação inviabilize o negócio.

ICOMEX e IGP-M

O Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da FGV, divulga amanhã o ICOMEX, indicador de desempenho do comércio exterior de dezembro de 2019, e o IGP-M segundo decênio de dezembro. Enquanto o ICOMEX deve confirmar a China como principal país de destino das exportações brasileiras, o IGP-M deve mostrar alta na inflação motivada pelo aumento de preços da carne bovina e dos produtos que compõem a cesta de Natal.

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Ocuparão espaço importante, amanhã, os resultados da Cúpula do Mercosul. Principais questões tendem a ser:

1) Os novos acordos comerciais e medidas definidas entre membros do bloco. Entre elas, acordo com o Paraguai no setor automotivo (que ganha maior dimensão após números ruins na produção de veículos em novembro, segundo Anfavea) e liberação para dobrar o teto para compras de brasileiros no exterior, de US$ 500 para US$ 1.000;

2) O debate sobre o futuro do Mercosul, com o pano de fundo do acordo com a União Europeia e a tarifa externa comum do bloco. O Brasil quer avançar em liberalização, mas não está claro se haverá entendimento nesse sentido com os demais membros;

3) As projeções no que tange relações político-institucionais com vizinhos, sobretudo a Argentina, e eventuais discordâncias acerca de cenário na América Latina (Venezuela e protestos na Bolívia, Chile e Colômbia);

4) A abordagem do presidente Bolsonaro ao longo do encontro, avaliando se teve atuação mais ideológica, voltada para núcleo duro de eleitores, ou pragmática, direcionada a interesses econômicos.

O futuro do pacote anticrime e da prisão em segunda instância

No que se refere ao pacote anticrime aprovado na Câmara, tudo indica que vai se confirmar, amanhã, a estratégia do governo daqui para a frente, que pode ir em dois sentidos: 1) Não propor alterações no Senado, de forma a realizar votação ainda este ano (é o que defende ala política); 2) Prevalecer posicionamento inicial de Moro que, próximo a senadores, indicou que tentaria repor pontos na Casa, mesmo arriscando tramitação bem mais lenta.

Pode ser decisivo o apoio da senadora Simone Tebet a que se vote projeto da Câmara sem alterações, tendo como contrapartida a aceleração, pelo presidente Alcolumbre, de tramitação na Casa de projeto de Lei que reinstauraria a prisão após condenação em segunda instância. Mas concordância de Alcolumbre não está garantida.

As emendas parlamentares e o orçamento 2020

Amanhã será dia importante para definir a votação de série de projetos que travam a pauta do Congresso e impedem a tramitação do orçamento 2020. Deputados cobram liberação de emendas parlamentares e clima é difícil, mas é provável que haja acordo.

O novo marco do saneamento avança para consenso

Debate sobre novo marco legal de saneamento ganhará corpo amanhã, com base em três fatores: 1) Pesquisa da CNI que teve destaque hoje, mostrando, entre outros fatores, a baixa cobertura em todas as regiões do Brasil, com exceção (parcial) do Sudeste, e a falta de investimento; 2) A consolidação do tema na mídia; 3) A defesa de novo marco como prioridade do governo e possibilidade de gerar empregos.

Impasse com a ONU

Crescerá, amanhã, atenção para “impasse” do Brasil com a ONU: o país deve US$ 415 milhões e precisa quitar, ainda este ano, US$ 125,6 milhões, caso contrário pode perder direito a voto na entidade. Liberação da verba precisa ser aprovada no Congresso.

Impeachment deve se concretizar na Câmara dos EUA

Clima nos EUA se acirrará, amanhã, após o pedido formal, hoje, pela presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, da instauração do impeachment contra o presidente Trump. Como democratas dominam a Câmara e estão unidos, é forte a probabilidade de que o processo seja aprovado e caminhe para o Senado onde, no entanto, Trump tem maioria.

As tendências da inflação no Brasil

Sai amanhã o IPCA (IBGE) de novembro, para o qual se projeta aceleração, na faixa de 0,40% contra 0,10% em outubro e, nos últimos 12 meses, para a casa dos 3,20%, contra 2,54%, anteriormente. Deve levar a análises sobre eventual influência da alta do dólar nas flutuações inflacionárias, mas em cenário que não indica apreensão.

Emprego e indústria nos EUA e Alemanha

Internacionalmente, a conferir, amanhã: 1) Taxa de Desemprego e Relatório de Emprego Não Agrícola de novembro, nos EUA. Estima-se que dados venham positivos, com taxa de desemprego estável em 3,6% e aumento na quantidade de pessoas empregadas em novembro (180 mil vagas em comparação a 128 mil em outubro); 2) Produção Industrial da Alemanha em outubro. Após resultado muito negativo de setembro, deve haver alguma evolução, com crescimento entre 0,1% e 0,3%.

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03.12.19

Pisa alimenta debate sobre políticas educacionais

Termômetro

Dados do Pisa (avaliação da OCDE que mede resultados da educação), afirmando que o setor está essencialmente estagnado no Brasil desde 2009, provocarão movimento duplo, amanhã: 1) Mapeamento de falhas e avanços da política educacional nos governos do PT (sobretudo) e de Michel Temer; 2) Cobranças acerca de planejamento da atual gestão. 

Como números avaliados são de 2018, não haverá responsabilização do ministro Weintraub por resultados do Pisa em si. No entanto, sua imagem na mídia é negativa, piorou recentemente com relatório técnico de comissão parlamentar, capitaneada pela deputada Tábata Amaral, e suas declarações de hoje foram consideradas agressivas e pouco propositivas. O quadro tende a alimentar duros questionamentos sobre medidas tomadas na educação em 2019 e em projetos para 2020. 

Ministério ainda enfrentará desgaste em função de relatório da Controladoria Geral da União apontando irregularidades em licitação de R$ 3 bilhões para a compra de equipamentos de informática. Pregão (eletrônico) já foi suspenso. 

O Embate no PSL

Confirmação, pelo diretório nacional do PSL, de suspensões e punições a 18 deputados vai somar-se à dissolução do diretório de São Paulo para gerar nova reviravolta na estrutura de comando do partido. Assim que a decisão for protocolada, o deputado Eduardo Bolsonaro deve perder a liderança da sigla na Câmara. Demais deputados suspensos também perderão os cargos que exercerem em comissões. Nesse contexto, serão dois os desdobramentos centrais, a partir de amanhã:

1) Indicações de quem será o novo líder do partido e de como o PSL se posicionará diante do governo Bolsonaro;

2) Reação da ala “bolsonarista” da agremiação, que terá de fazer algum movimento para manter a influência parlamentar. Tendem a ganhar espaço, novamente, especulações sobre as dificuldades e riscos para a criação de novo partido do Presidente (Aliança pelo Brasil). 

Anvisa em foco

Decisão da Anvisa, permitindo o registro e venda de medicamentos à base de Cannabis, mas proibindo o plantio no Brasil, alimentará um amplo debate, amanhã. Por um lado, serão aventadas as consequências e limitações da medida para pacientes. Por outro, a existência ou não de influência político-ideológica na decisão. 

Na Câmara, vetos e orçamento

Na Câmara, destaque amanhã deve ser para votação de vetos do presidente à minirreforma eleitoral. Deputados – irritados por demora em liberação de emendas – podem reverter questões como o fim do horário eleitoral gratuito. Vale atenção, ainda, para movimentações em torno da votação do orçamento 2020. 

PIB: análises e impulso para a equipe econômica

Números acima do esperado para o PIB do terceiro trimestre continuarão a gerar noticiário majoritariamente positivo para o governo amanhã. Haverá detalhamento e análise por setor da economia, com foco na curva de investimentos, percebida como indicação da sustentabilidade do crescimento. Resistência do desemprego se manterá como grande calcanhar de Aquiles, servindo de contraponto a diagnóstico e projeções mais entusiasmadas. 

Isso posto, equipe econômica ganhará importante capital de imagem, nesta quarta, com benefícios estratégicos para o ministro Paulo Guedes, que vem do maior desgaste de sua gestão, após declarações sobre o AI-5. Pode aproveitar o momento para avançar em “balões de ensaio” lançados hoje com o objetivo de acelerar privatizações e concessões – destaque para o Banco do Brasil, que dependeria de aval de Bolsonaro. 

Petrobras valorizada

Vai gerar bom efeito para o mercado, amanhã, anúncio do presidente da Petrobras de que pretende realizar nova oferta de ações da BR Distribuidora. Outro fator importante será o anuncio de que o Fundo Soberano da Noruega retirou a estatal de uma lista de empresas que poderiam perder investimentos devido ao risco de corrupção.

A indústria pode alimentar otimismo

Saem amanhã a Produção Industrial de outubro (IBGE) e o Índice de Commodities de novembro (IC-Br) do Banco Central. Na indústria, a expectativa é de crescimento de 0,5% sobre setembro e de 0,7% sobre outubro de 2018. Seria a terceira alta seguida, frente ao mês anterior, e a segunda, frente ao mesmo mês de 2018. Se tais dados se confirmarem, favorecerão o aumento de estimativas para o PIB em 2020. Em relação às commodities, que têm expressiva influência nas contas externas, projeções estão em aberto. Número vem de alta de 2,21% em outubro (mas queda de 1,56% em taxa anualizada). 

Adiamento de negociações EUA-China e alinhamento brasileiro

Declarações do presidente Trump, hoje, de que acordo com a China pode ficar para depois das eleições presidenciais norte-americanas, estimulará volatilidade de mercados, amanhã. Afirmação será lida por boa parte da mídia internacional – e brasileira – como forma de desviar atenções para dificuldades internas geradas por processo de impeachment em curso. Questão também aprofundará percepção negativa quanto à política de alinhamento automático com os EUA. Nesse mesmo sentido, pode haver, amanhã, mais informações acerca de anúncio de Trump de que vai taxar o aço e o alumínio brasileiros. 

Os serviços nos EUA, Zona do Euro e Alemanha

No exterior, destaque para PMI de serviços nos EUA, Zona do Euro e Alemanha, em  novembro. Espera-se queda nos índices dos três países: pequena nos EUA (de 54,7 para 54,5) e na Alemanha (de 51,6 para 51,3) e mais significativa na Zona do Euro (de 52,2 para 51,5). Os números se mantêm em patamar positivo e não devem provocar maiores abalos. Mas gera particular atenção o recuo na Zona do Euro, que sofre com temores de retração econômica. 

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03.12.19

O samba do crioulo doido das projeções econômicas

IBGE, FGV, Caged, Ipea, Fipe, Insper e mais uma série de institutozinhos, junto a departamentos de pesquisas de bancos comerciais e de atacado e auditoras internacionais, estão fazendo um sarapatel das tendências macroeconômicas e setoriais na economia. Cada um dos doutos fenomenologistas usam recortes temporários e dados distintos, metodologias desencontradas, base estatística diferenciada e modelos econométricos divergentes e até clipping. As projeções sobem e descem ao gosto de métodos cujos critérios não se encontram sequer no infinito. No mesmo dia em que um instituto diz que a tendência do emprego, por exemplo, com base nos números refogados do PNAD, está melhorando, vai um institutozinho e, após temperar o refogado, diz que as expectativas são outras. Nesta última semana o placar foi de 67% para as tendências positivas na economia contra 33% contrárias. Na semana anterior, contudo, a distância foi próxima do empate. É verdade que as tendências na economia são muito dinâmicas, mas o frenesi de projeções mais  atrapalha do que permite vislumbrar o futuro. Talvez o sex appeal que as previsões tenham junto às mídias esteja estimulando a produção maciça dessa informação que não confirma nada e que ninguém cobra porque desinformou tanto. Na versão plebeia do slogan de James Bond, os institutos e institutozinhos têm licença para errar. Nesse cenário de carrossel de tendências, melhor se fiar no Boletim Focus, que acerta pouco, mas pelo menos não muda toda hora.

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13.11.19

BRICS: retórica ou resultados concretos?

Termômetro

Deve haver destaque, amanhã, para alguns aspectos da 11ª Cúpula dos BRICS, iniciada hoje:

1) Maior detalhamento acerca de acordos e de possibilidade de tratado de livre comércio com a China. Ruídos não estão descartados, mas a grande probabilidade é que a Cúpula se encerre com imagem de aproximação do Brasil com o gigante asiático. A grande questão, amanhã, será se o movimento parecerá retórico ou se governo capitalizará resultados concretos – como redução de barreiras tarifárias.

2) O mesmo ocorrerá – embora em menor medida – com os governos de Índia Rússia e África do Sul). Vale atenção particular para Rússia, amanhã, já que o país costuma ter o posicionamento mais incisivo em defesa do governo Maduro. E adota linha semelhante, ainda que com mobilização muito menor, no que se refere a Evo Morales, na Bolívia. Relação do Brasil com os dois vizinhos latino-americanos é, no mínimo, delicada, ainda mais com a invasão da embaixada venezuelana, hoje, por partidários de Juan Guaidó.

3) Qual entendimento emergirá em declarações finais da Cúpula. A China já mostrou que buscará inserir críticas ao que percebe como riscos ao multilateralismo. O que seria, na verdade, recado aos EUA.  Ao que tudo indica, o governo brasileiro tentará se equilibrar entre a garantia de boas relações com os chineses, principais parceiros comerciais do país, e o forte alinhamento com norte-americanos. A conferir.

A reação do PSL

No que se refere à saída do presidente Bolsonaro do PSL, quinta-feira deve marcar reação do presidente da legenda, Luciano Bivar, e de deputados decididos a permanecer no partido.

Apesar do otimismo que dominou anúncio, com ênfase na criação de nova agremiação (Aliança pelo Brasil) e migração de 30 deputados, há barreiras muito importantes a serem superadas e que ganharão espaço amanhã. Tais como: 1) Possibilidade de que parlamentares dissidentes do PSL percam o mandato; 2) Fato de que o novo partido de Bolsonaro, além da dificuldade para obter registro legal, não levaria nada do fundo partidário do PSL.; 3) Novos ataques ao presidente, seja de parlamentares atualmente no PSL ou dos que já saíram em função de enfrentamento com Bolsonaro – como foi o caso, hoje, do deputado Alexandre Frota.

O próprio presidente Bolsonaro criou, nesta terça, mais margem para atritos, com declarações críticas sobre o vice-presidente Mourão.

Cenário Internacional: Bolívia e Chile

Cenário internacional promete ser muito delicado, amanhã. E governo sofrerá pressão maior do que a usual para se posicionar ou comentar qualquer desdobramento, em função de exposição gerada pela 11ª Cúpula dos Brics. Principais questões tendem a ser:

1) Situação na Bolívia, após o Brasil ter reconhecido a senadora Jeanine Añez como nova presidente. Añez aparentemente conseguirá se firmar no âmbito da oposição e, por estar na linha sucessória, tem chances de se estabilizar no cargo. Desde que apresente rapidamente um plano para realização de novas eleições, sem excluir partidários do ex-presidente Evo Morales.

Um ponto fundamental a ser observado amanhã, nesse sentido, será o grau de movimentações populares em apoio a Evo. Se começarem a ganhar escala, crescerá a instabilidade no país. Caso contrário, aumentam as chances de transição capitaneada por Añez.

2) Avanço de protestos no Chile, com greve geral e ataques a quartéis. Projeto de nova constituição, anunciado pelo presidente Piñera, pode ganhar corpo amanhã e se tornar caminho para pacificação. No entanto, se impasse persistir, o risco, nesta terça, é de que se amplifiquem os efeitos na economia chilena, após forte desvalorização do peso frente ao dólar.

Mudanças na universidade

Dados do IBGE, divulgados hoje, indicando que estudantes negros se tornaram maioria em universidades púbicas terá repercussão nessa terça. Efeito será favorável à esquerda e ao ex-presidente Lula.

Percepção econômica e inflação

Saem amanhã os dados do Indicador Antecedente Composto da Economia Brasileira (IACE) e do Indicador Coincidente Composto da Economia Brasileira (ICCE), além do Índice Geral de Preços -10 (IGP-10), para outubro, todos da FGV.

Quanto ao IACE e ao ICC, espera-se novo avanço em ambos, com base em percepção positiva da economia que vem se adensando nas últimas semanas. Já no que se refere ao IGP-10, expectativa é de desaceleração (0,27% contra 0,77% em outubro).

Efeitos da guerra comercial EUA X China

Não haverá qualquer posicionamento direto do Brasil sobre o tema. No entanto, sinais sobre impasse em negociações entre os dois países podem voltar a contaminar expectativas globais, amanhã. E há, ainda, o risco de alguma declaração mais forte do presidente Trump, que vive situação interna complicada com o início de audiências públicas do processo de impeachment.

Indústria e varejo na China, Alemanha e Zona do Euro

Estão previstos para esta quinta os números da produção industrial e das vendas no varejo na China para outubro e o PIB do terceiro trimestre da Alemanha e da Zona do Euro. Na China, espera-se crescimento em ritmo similar ao de setembro, na faixa de 7,8%, para o varejo, e recuo na indústria, com avanço em torno de 5,4%, frente a 5,8% de setembro.

Já na Alemanha e na Zona do Euro, estimativas estão em linha com o segundo trimestre – recuo de 0,1% e avanço de 0,2%, respectivamente. Se confirmados, resultados serão mal recebidos pelo mercado, em particular os da Alemanha.

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11.11.19

O novo partido do presidente

Termômetro

Há forte expectativa de que o presidente Bolsonaro anuncie, amanhã, a sua saída do PSL. Caso iniciativa se confirme, principal hipótese é de que fique sem partido, em um primeiro momento. Isso posto, vale atenção para alguns pontos que podem ser abordados pelo presidente, ou em decorrência de sua manifestação amanhã, tais como:

1) Qual grau de adesão terá de parlamentares do PSL. Hoje a percepção é de que a agremiação, com seus 53 deputados e 3 senadores, está dividida ao meio. Em segundo plano, virão as movimentações dos que ficarem no partido: romperão abertamente com o governo Bolsonaro ou manterão apoio a pautas comportamentais e econômicas?

2) O nome da sigla a ser criada (fala-se na denominação Conservadores) e o cronograma almejado para sua criação. Ao mesmo tempo, a existência ou não de plano B – ou seja, a migração para partido já existente ou em fase de registro, como a nova UDN, que tem sido mencionada por aliados de Bolsonaro.

3) A justificativa a ser explicitada pelo presidente Bolsonaro e o quanto embutirá de críticas à direção e a práticas do Partido. É provável que busque se dissociar de apurações sobre esquema de laranjas. Terá, contudo, uma dificuldade, que pode vir já em questionamentos iniciais: a manutenção e aparente fortalecimento do ministro do Turismo, indiciado pela PF.

Estímulo ao emprego na mesa

Pacote para gerar 4 milhões de empregos até 2022, voltado para jovens entre 18 e 29 anos, anunciado hoje pelo governo, estará em foco amanhã. Três vetores centrais:

1) O impacto junto à mídia e a parlamentares. Desoneração de folha de pagamentos é temática que tende a ser bem recebida, bem como ampliação do microcrédito e qualificação de trabalhadores. Ainda assim, repercussão pode ser prejudicada por não terem se inserido como parte de reformas mais amplas do Estado – que garantiram excelente exposição para PECs anunciadas por Guedes, semana passada. E pode haver comparação com medidas de desoneração e projetos voltados para os jovens já tomadas nas gestões Dilma e Lula.

2) Atuação do próprio governo. Para gerar repercussão positiva, como continuidade de reformas e ações de estímulo econômico, precisará se manter em campo. Parece que o fará, mas através do secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho. Tem prestígio no governo e no mercado, mas não tem a eloquência e poder de convencimento do ministro Guedes. A conferir.

3) A reação da oposição, agora vocalizada pelo ex-presidente Lula, que tem a capacidade de usar pontos específicos, eventualmente retirados de contexto, para ataques eficientes. Tendência é de que se fixe em medidas como possibilidade de trabalho aos domingos e feriados. Bem como a carteira verde amarela, que pode ser exposta como tentativa de se acabar com a legislação trabalhista, e o imposto sobre seguro desemprego.

As chances da prisão em segunda instância

Terça-feira será um dia fundamental para evidenciar as chances de aprovação para PEC que reponha a prisão em segunda instância. Está em curso tentativa de se votar admissibilidade de projeto na CCJ da Câmara. Se a iniciativa tiver sucesso, pode alimentar mobilização mais ampla de deputados, apoiada por manifestantes pró-Lava Jato organizados em redes sociais. Por outro lado, se projeto não passar na CCJ entre hoje e terça–feira, avanços em 2019 serão praticamente inviáveis.

Crise em aberto na Bolívia

Situação na Bolívia está completamente em aberto e ainda pode se desenvolver, amanhã, para nova convulsão institucional e popular. Renúncia de Evo Morales não se deu com a criação de nenhum caminho legal que permita novas eleições, sem contestações de parte a parte. E, se for confirmado que pediu asilo no México, Morales pode subir o tom amanhã, aprofundando imagem de golpe e apontando para forças da oposição, do exército e da polícia. Apesar de ter saído do poder, ainda é apoiado por parte importante da população e de movimentos sociais.

Nesse contexto, atuação da OEA – e do Brasil no âmbito da OEA – será essencial, nesta terça. Tudo indica que a Organização só aceitará solução que envolva novas eleições, imediatamente. Mas não está claro, ainda, qual papel será exercido pelo Brasil no processo. Reconhecerá imediatamente novo governo? Aceitará intervenção de militares ou movimentação mais dura de Carlos Mesa, principal liderança da oposição, caso busque se alçar ao governo? Vale lembrar que essa semana ocorre reunião dos Brics, que envolvem países – Rússia e China – que dificilmente aceitarão sem críticas o movimento contra Evo.

De uma forma ou de outra, embate deve ser internalizado, com a oposição a Bolsonaro tachando a renúncia de Morales como consequência de um golpe de estado.

A se observar também, amanhã, o posicionamento de Jeanine Añez, vice-presidente do Senado, que reivindicou a Presidência, constitucionalmente. Em primeiro lugar, se conseguirá assumir a função. E, se consegui-lo, qual cronograma oficial delineará.

Manchas de óleo podem chegar a rios

Noticiário entrou, novamente, em movimento automático, que diminui impacto, mesmo com informações diárias – e com bom espaço na mídia. Mas pode haver novos desdobramentos amanhã em função de: reunião de pesquisadores, agora à noite, na UFRJ; chances de que manchas cheguem a outros estados do Sudeste e, sobretudo, a rios, o que poderia afetar abastecimento de água em algumas localidades.

Deltan no Conselho do MP

Foi pautado para amanhã, pelo Procurador Geral da república, Augusto Aras, julgamento do procurador Deltan Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público.

Serviços em alta

No que se refere a indicadores econômicos, destaque amanhã para a Pesquisa Mensal de Serviços (IBGE), de setembro. Estimam-se resultados positivos, com alta de 1,2%, após queda de 0,2% em agosto. Panorama seria comemorado – e valorizado – pelo governo federal.

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