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28.06.16
ED. 5399

Ministério da Agricultura espalha o gene da burocracia

 Blairo Maggi terá de desatar um nó com a maior brevidade possível, sob risco de assistir a uma fuga de recursos em um segmento do agronegócio que vem recebendo cada vez mais capital estrangeiro: a área de melhoramento genético do rebanho. As grandes empresas do setor com atuação no país – como Alta Genetics e CRV Lagoa, ambas de origem holandesa, e ABS Pecplan, de controle inglês – vêm pressionando o ministro da Agricultura para agilizar a liberação dos registros dos animais reprodutores. Caso contrário, ameaçam suspender investimentos e até rever a sua operação no mercado brasileiro. O trio Alta Genetics, CRV e ABS, por exemplo, já desembolsou mais de R$ 150 milhões no país, mas vai demorar bem mais do que o previsto para recuperar o capital investido. As empresas se tornaram as principais reféns da burocracia do Ministério da Agricultura. Uma autorização para a venda de material genético não sai com menos de quatro meses. A comparação com o mercado internacional é cruel. Nos Estados Unidos e na Europa, o tempo de “gestação” do pedido não dura mais do que 15 dias. Não por outro motivo, temendo enfrentar a mesma via crucis da Alta Genetics, da CRV Lagoa e da ABS, outros grandes grupos internacionais do setor frearam seus planos de entrar no mercado brasileiro. Entre eles, a norte-americana Genex Cooperative e a indiana Redhu Breeders.  Se as grandes multinacionais do setor, com maior poder de fogo, padecem com o infecundo Ministério da Agricultura, o que dizer, então, dos investidores nacionais. Tome-se como referência o caso do premiadíssimo touro “Relevo da Água Boa”, pertencente ao empresário Otoni Verdi, do Mato Grosso, um dos maiores criadores de gado reprodutor do Brasil. Somente na semana passada, seis meses após o protocolo do pedido, o Ministério autorizou a venda de sêmen do animal. Nesse período, cerca de 10 mil doses já coletadas e contratadas ficaram na geladeira, à espera do sinal verde das autoridades. Significa dizer que uma quantia de aproximadamente R$ 1,5 milhão mofou no freezer da burocracia.  O mercado brasileiro de melhoramento genético do rebanho deverá movimentar neste ano mais de R$ 200 milhões. À primeira vista, pode parecer pouco. Mas, há cerca de cinco anos, esse valor não chegava sequer à metade. Além disso, trata-se de um segmento que tem se mostrado imune à crise. Mesmo com o PIB ladeira abaixo, a expectativa é que o setor cresça, em média, 6% ao ano até 2020. Somente em 2016, os fazendeiros brasileiros comprarão mais de 10 milhões de doses de sêmen geneticamente melhorado.

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