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General Augusto Heleno

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20.05.19
ED. 6117

O general em seu labirinto

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, considerado o assessor com maior influência sobre o presidente Jair Bolsonaro, corrobora em grande parte a paranoia do seu comandante em relação às corporações. Heleno alivia os militares, até por uma questão de esprit de corps. Mas nutre a mesma fantasia persecutória em relação ao Congresso Nacional, empresários, mídia, academia e toda a esquerda, claro. Seria ingenuidade pensar que Heleno desconhece todas as postagens feitas por Bolsonaro. O general está ao lado do presidente em todos os instantes porque acredita em seu diagnóstico, ou seja, que o “Sistema quer matá-lo”. Trata-se de uma metáfora. Pelo menos espera-se que assim seja.

O general fora do labirinto

O presidente Jair Bolsonaro pode até considerar que os militares são seus adversários. Mas não é este o pensamento no Clube Militar, uma espécie de istmo das Forças Armadas – seu quadro associativo reúne cerca de cinco mil oficiais da reserva. O general Eduardo Barbosa, presidente da entidade, afirmou ao RR que não há qualquer motivo para o Clube criticar o governo Bolsonaro. “Primeiro, porque a gestão tem apenas cinco meses. E, até o momento, está seguindo a linha que entendemos ser a correta, da ética, da moral, de acabar com a corrupção e o ‘toma lá, dá cá'”.

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08.11.18
ED. 5990

General Heleno amplia o raio de ação do GSI

A julgar pelas missões desempenhadas pelo general Augusto Heleno na equipe de transição, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) terá um perímetro mais amplo de atuação e representatividade no governo Bolsonaro. Na última quinta-feira, Heleno teve uma reunião a portas fechadas com executivos da indústria siderúrgica no Hotel Hilton, no Rio de Janeiro. Segundo o RR apurou, a questão China dominou o encontro. Representantes da CSN, Gerdau, Arcelor Mittal e Usiminas, entre outras menos votadas, bateram na tecla dos estragos que a crescente entrada do aço chinês no Brasil tem causado à indústria nacional.

Ao longo de 2017, a participação do insumo importado no mercado brasileiro subiu de 8% para 13%. Estima-se que este índice feche 2018 acima dos 15%. O produto oriundo do país asiático responde por mais de 50% das importações. Resultado: a ociosidade do parque siderúrgico brasileiro já passa dos 30%: são 34 milhões de toneladas de aço produzido para uma capacidade instalada próxima dos 52 milhões de toneladas. O general Heleno saiu do encontro devidamente municiado de números e mais números. Os executivos chamaram especial atenção para os mais de 12 mil postos de trabalho fechados nos últimos quatro anos.

De acordo com a fonte do RR, as palavras “protecionismo” e “barreiras” não foram pronunciadas durante a reunião reservada. Nem seria preciso. No discurso dos siderurgistas está mais do que subtendido de que vai ser difícil segurar a concorrência com o aço chinês sem sobretaxas. Até porque a China deve intensificar sua investida sobre o mercado brasileiro diante das crescentes restrições alfandegárias impostas pela Europa e, sobretudo, por Donald Trump, nos Estados Unidos. A questão tributária tem sido alvo de embates entre a siderurgia e o governo Temer. Em maio, a Camex adiou por um ano a imposição de tarifas ao aço chinês por considerar o atual regime de “interesse público”, tendo em vista o aumento dos preços e a crise econômica no país.

Em parte, significa dizer que o lobby das montadoras e da indústria de eletrodomésticos, entre outros setores intensivos em aço, foi mais bem-sucedido. Os siderurgistas sabem que o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, é contrário, por definição, a tarifas protecionistas a qualquer setor da economia. Portanto, as barreiras alfandegárias serão poucas para muitos pedintes. Os empresários do aço sabem que o general Heleno será o contraponto de Guedes no Palácio do Planalto.

Trata-se de um oficial especializado em assuntos estratégicos, cuja visão dos interesses do Estado vai além da simples aritmética sobre as vantagens de um setor ou outro da indústria. Seu horizonte de atuação institucional alcançará o aconselhamento sobre os países-chaves nas relações comerciais e de segurança. A China é um deles. Há poucos dias, Heleno pediu a Bolsonaro que fosse mais manso em suas declarações sobre o país asiático. Pequim também está atenta a essa movimentação. O em-baixador da China no Brasil fez uma visita em caráter extraordinário ao Capitão Bolsonaro, em sua residência, na Barra da Tijuca. Ou seja: bem antes de se aproximar o quinto mês do governo Bolsonaro, data prevista para a Camex reavaliar a questão, as reivindicações da indústria siderúrgica estão subindo de decibéis.

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