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02.01.20

China abre uma fresta para o futebol brasileiro

Observatório

Por Claudio Fernandez, jornalista e editor-chefe do Relatório Reservado.

A boa nova para os mais afortunados clubes brasileiros veio da China. Ainda que por vias oblíquas, a decisão da liga chinesa de futebol de estipular um teto salarial para seus atletas pode ter um efeito colateral benéfico para o Brasil já na próxima temporada. A partir de janeiro, jogadores estrangeiros somente poderão receber até três milhões de euros, ou algo como R$ 13,5 milhões, por ano. O segundo maior PIB do mundo continuará sendo um player emergente e altamente competitivo no frenético jogo das contratações. No entanto, a fixação de limites salariais deverá esmaecer o status da China como um eldorado do mundo da bola, abrindo a possibilidade de que determinados clubes brasileiros passem a disputar com os asiáticos estrelas de razoável grandeza do futebol.

Ao longo da última década, a China uniu-se ao chamado “mundo árabe” e à Major League Soccer (MLS), dos Estados Unidos, na condição dos grandes centros futebolísticos; noves fora, logicamente, a Europa. Se o PIB chinês triplicou de 2009 para cá, o valor do “pé de obra” no país cresceu mais de 15 vezes no mesmo período. Segundo dados do site Transfermarkt.com, a soma dos direitos econômicos de todos os jogadores que disputam o campeonato do país ultrapassa os 500 milhões de euros. Em números absolutos, os 67 jogadores estrangeiros representam apenas 13,7% dos atletas inscritos. Em termos financeiros, contudo, respondem por 84% do valuation de todos os elencos.

Não por acaso, o limite salarial para os forasteiros é duas vezes e meia maior do que o imposto aos próprios atletas chineses – considerados artigo de “segunda categoria”. O novo teto salarial promete mudanças significativas nesse jogo. É aí que o futebol
brasileiro – ao menos a sua casta superior – pode se aproveitar da decisão da liga chinesa. O sarrafo fixado pelos cartolas chineses significa um salário mensal equivalente a R$ 1,125 milhão. Está longe de ser uma cifra palatável para a maior parte dos clubes que disputam o Campeonato Brasileiro, mas é algo perfeitamente factível para aqueles com receita anual acima dos R$ 600 milhões. Nove atletas que disputaram a última edição do Brasileirão recebem um salário anual superior a R$ 12 milhões, ficando muito próximos, alguns até acima, do teto estipulado pela liga chinesa, caso de Daniel Alves, do São Paulo.

O que parecia inimaginável há alguns anos desponta como bastante exequível: a tendência é que clubes brasileiros possam disputar mercado com a China, especialmente na concorrência por um perfil específico de jogador: jogadores em reta final de carreira, sejam eles brasileiros ou estrangeiros, como Paulinho, titular da seleção brasileira em duas Copas do Mundo, ou Carrasco, que disputou a Copa da Rússia pela Bélgica. A não ser que o limite anunciado nesta semana seja apenas para “chinês ver”. O teto poderá ser facilmente furado se os clubes conseguirem burlar as novas regras, escondendo remuneração salarial dentro dos valores pagos no momento da contratação ou mesmo em bônus de performance. Tudo dependerá da vontade e da capacidade dos cartolas locais em fiscalizar e inibir o “jeitinho chinês”.

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23.12.19

É muita falta do que fazer

A Secretaria Nacional do Desporto está solicitando a diversos ministérios um documento com uma manifestação formal de apoio à realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino no Brasil, em 2023. Mera purpurina e um desperdício de tempo do serviço público que beira o non sense. Estranho seria se algum Ministério se manifestasse contra a candidatura do Brasil depois do sinal verde do próprio presidente Jair Bolsonaro.

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06.12.19

Sócio e estádio, uma dupla de ataque inigualável

Observatório

Por Claudio Fernandez, jornalista e editor-chefe do Relatório Reservado.

A bola não entra por acaso, já ensinou o ex-vice-presidente do Barcelona e atual CEO do Manchester City, Ferran Soriano, no título de seu mais célebre livro. Com o habitual delay em relação ao primeiro mundo na geoeconomia do futebol, o Brasil começa a flertar com o que pode vir a ser uma nova divisão de castas entre os clubes. Em meio a essa movimentação de placas tectônicas, é possível identificar com muita clareza dois fatores absolutamente inegociáveis para o êxito financeiro e competitivo de um clube. Não por coincidência, nos últimos anos os títulos das principais competições no Brasil vêm sendo divididos entre clubes que combinam um programa de sócios robusto e têm à disposição um estádio moderno, capaz de abrigar e gerar novas experiências aos adeptos.

Figuram nesse rol, destacadamente, Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Grêmio, vencedores de campeonatos nacionais e/ou de Libertadores. No ano passado, Flamengo, Palmeiras e Corinthians faturaram cerca de R$ 222 milhões com bilheteria – o Grêmio tem um acordo diferente com a OAS e não fica com a receita de venda de ingressos em seu estádio. Por sua vez, os respectivos programas de sócio- torcedor renderam ao quarteto – o clube gaúcho incluído – cerca de R$ 180 milhões. Significa dizer que sócios e venda de ingressos responderam por mais de 25% do faturamento de rubro-negros, gremistas, palmeirenses e corinthianos.

Todos têm um volume de sócios estabilizado acima dos 60 mil. O número é significativamente superior à proporção que o sócio-torcedor e a bilheteria têm no faturamento dos outros seis clubes que compõem o top 10 do futebol brasileiro. Na média, essas duas rubricas respondem por pouco mais de 15% da receita de São Paulo, Cruzeiro, Internacional, Fluminense, Vasco e Atlético-MG. Desses, a exceção à regra é o Internacional, que manda seus jogos em um estádio moderno – Beira-Rio –, soma mais de 126 mil sócios, mas, nos últimos cinco anos, não tem conseguido transformar esse binômio em resultados esportivos expressivos.

Esse quadro vem se mantendo razoavelmente estabilizado há cerca de três anos, com pouca movimentação entre seus atores. Ou melhor: vinha. Em pouco mais de uma semana, o Vasco virou o ranking de sócios-torcedores de cabeça para baixo. No intervalo de sete dias, ganhou cem mil novos adeptos. De segunda-feira, dia 25 de novembro, até ontem, saiu de uma base de 33,5 mil para 150 mil sócios adimplentes. Trata-se de um salto sem precedentes na história do futebol mundial. Some-se a isso o fato de que o clube tem engatilhado um projeto para a reforma e ampliação de São Januário para 43,5 mil lugares. As obras começam no ano que vem. Ou seja: por tamanho de torcida, número de sócios e, a caminho, estádio moderno à disposição, é possível dizer que não há clube no Brasil com tamanho potencial de crescimento de arrecadação quanto o Vasco.

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02.12.19

Futbook

O Facebook está estudando a fundo o mercado de direitos de transmissão de futebol no Brasil. Vem coisa grande por aí.

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28.11.19

Projeto de lei põe rivais do mesmo lado da arquibancada

Observatório

Por Claudio Fernandez, jornalista e editor-chefe do Relatório Reservado.

Qual a real intenção do deputado federal Pedro Paulo ao correr para aprovar o projeto de lei do clube-empresa? Ajudar o futebol brasileiro, ao que parece, não é – a não ser que estejamos diante de um caso raro em que o próprio afogado se recusa a ser salvo. Os clubes brasileiros têm se posicionado, de maneira praticamente uníssona, na mão contrária à proposta do parlamentar, coro ao qual se juntam também especialistas em direito esportivo. As ressalvas dos dirigentes à proposta começam pela forma açodada como esse jogo transcorre. Houve não mais do que três encontros entre o deputado e os representantes dos clubes para discutir o projeto – e o pouco que se levou à mesa sequer foi contemplado no texto. A impressão é que essa partida já começou com o resultado definido.

Em vez de estimular, o projeto força os clubes a se transformarem em sociedades anônimas ou limitadas e, consequentemente, recolher 5% de imposto sobre a receita bruta para cobrir três tributos: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IPRJ), Cofins e CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido). Entidades sem fins lucrativos, hoje estas associações estão isentas tanto do IRPJ e da CSLL. Têm ainda vantagens no pagamento do PIS e Cofins. Ou seja, de uma hora para a outra, sem qualquer período de transição ou regime progressivo, estas entidades passariam a ter um peso tributário que sua saúde financeira, na maioria esmagadora dos casos, não suporta de imediato.

A isca oferecida pelo projeto de lei de Pedro Paulo para a conversão a clube-empresa é a possibilidade das associações esportivas parcelarem suas dívidas com a União em até 150 meses – ou 12 anos e meio. Em tese, a minhoca presa ao anzol seria atraente para um setor que acumula quase R$ 7 bilhões em passivos das mais diversas naturezas, contabilizando-se apenas os inadimplentes da Série A. O endividamento junto à União corresponde a R$ 1,8 bilhão. No entanto, o pedágio a ser pago é considerado oneroso demais pelos clubes, com o aumento da carga tributária vis-à-vis o repeteco de um modelo surrado. O parcelamento das dívidas junto à União nada mais é do que um corta e cola do Profut (Programa de Modernização da Gestão de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro), lançado em 2015. Desde que Pedro Paulo passou a zanzar pela Câmara com a proposta, o PL atende pela alcunha de “Lei Botafogo”.

Há quem diga que o texto do projeto foi quase que inteiramente soprado ao ouvido do deputado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. É senso comum que os termos do PL parecem um modelo prêt-à-porter para o time carioca, que soçobra com dívidas de R$ 750 milhões e tem à frente uma promessa de aporte de um grupo de investidores liderado pelos irmãos João e Waltinho Moreira Salles. Talvez seja intriga da oposição. O fato é que existe uma forte corrente contrária ao projeto de lei de Pedro Paulo. A alternativa seria o apoio a outro PL em tramitação no Congresso, do senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSDB-MG), que propõe a criação de Sociedades Anônimas do Futebol (SAF) – a grosso modo, a cisão do futebol em uma espécie de sociedade de propósito específico. Ao menos uma vantagem o projeto de Pacheco ostenta em relação ao de Pedro Paulo: não há uma pressa injustificada em aprová-lo no Congresso.

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18.11.19

Milagre de Jesus

Ao menos uma dezena de jornalistas portugueses já solicitou credenciamento à Conmebol para cobrir in loco a final da Libertadores entre Flamengo e River Plate, no dia 23, em Lima. Atravessarão o Atlântico no embalo do patrício Jorge Jesus.

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07.11.19

Descascando a jaboticaba da sociedade anônima do futebol (clube- empresa)

Observatório

Por Marcos André Vinhas Catão, Professor do Master de Direito Desportivo da Universide Complutense de Madri.

Existem atualmente no Congresso cinco projetos de lei que tratam da criação da sociedade anônima do futebol. Apesar da necessidade de uma lei a respeito, todas elas padecem do mesmo problema: a previsão de criação de um tipo de sociedade anônima específica para a chamada indústria do futebol. Tal modelo de S/A do futebol foi um rotundo fracasso nos países em que se adotou tal fórmula. Na Espanha (“Sociedad Anónima Deportiva – SAD”) três dos quatro maiores clubes (Real, Barcelona e Athletic de Bilbao) recusaram-se a transformar em “SAD”, e, curiosamente, faturam mais que todos as demais “SAD-clubes” da Espanha juntos (muitas delas hoje falidas). Isso não significa que o Brasil deva abandonar uma legislação sobre a criação do clube-empresa.

Mas antes é preciso estabelecer um regime de transição sobre questões não societárias, tais como regime fiscal/trabalhista e, principalmente, quanto à forma de endividamento e capitalização/funding, para futuros clube-empresas. Explica-se. Clubes de futebol – mesmo os maiores times europeus – estão longe se serem grandes empresas. Assim, não faz sentido ter um tipo societário complexo que requer  faturamento de uma Amazon e o compliance de um Google para entidades que faturam, no máximo, milhões de euros.

Também é paradoxal criar um modelo societário refinado, quando se esquece de algo básico: quem vai querer efetivamente comprar ações/cotas do clube-empresa. Investidor nenhum põe dinheiro em empresa sem rating e valuation bem feito. Não é necessário ir muito longe. A realidade atual das finanças dos clubes brasileiros é a de endividamento e de antecipação de receitas/securitização com taxas aviltantes, dado o altíssimo grau de risco dessas entidades. Mesmo os grandes clube-empresas europeus que abriram capital praticamente não tem free-float e, em sua maioria, são controlados por um ou alguns bilionários.

Veja o exemplo da Juventus, que está em fase de uma ampliação de capital que será possivelmente toda subscrita pela família Agnelli. Dessa forma, no Brasil será preciso criar uma alternativa à capitalização, que deve passar pela criação de um mercado alternativo do futebol, sem necessidade de estabelecimento de sofisticações como classes de ações ou mínimo/máximo de controle. As ações poderiam ser ofertadas aos próprios torcedores com custos de emissão e registro reduzidos, dentro de um mercado de bolsa alternativo, a exemplo do que existe hoje em todo o mundo. Essa perspectiva permitiria criar uma base de capitalização imediata na entrada e mais estável no tempo, uma vez que torcedores são menos exigentes do que o capital institucional, o qual reclama liquidez. Em síntese, o projeto de lei do clube-empresa deve vir o quanto antes. Mas deve ser simples, eficiente e adaptado à nossa realidade. Jaboticabas não dão certo, sobretudo quando são importadas.

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18.06.19

Mito Futebol Clube

O comparecimento de Jair Bolsonaro a estádios de futebol foi aprovado pelos gênios de marketing do Palácio do Planalto. A filharada também gostou. Nos jogos do Flamengo com o CSA e na estreia do Brasil na Copa América, os aplausos da torcida e as imagens do presidente com uma expressão sorridente deixaram todos empolgados. Vai ter repeteco. Na retomada do Brasileiro, é pule de dez que Bolsonaro assista a uma partida do Athletico Paranaense na Arena da Baixada. O presidente do clube, Mario Celso Petraglia, é “bolsonarista” de carteirinha. No ano passado, às vésperas da eleição, obrigou os jogadores rubro-negros a entrarem em campo e ouvirem o hino com uma camisa amarela. Além disso, o Athletico é patrocinado pela Havan, de Luciano Hang, apoiador de primeira hora de Bolsonaro. Como se não bastasse, trata-se do time de Sergio Moro.

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13.06.19

Copa América não empolga a Anac

A Copa América, que começa amanhã, não está no rol dos megaeventos, ao menos para a Anac. Ao contrário do que ocorreu na Copa do Mundo, a Agência optou por não montar operações especiais nos aeroportos de Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e Salvador – cidades-sede da competição. Isso, mesmo com a suspensão das atividades da Avianca e o remanejamento dos bilhetes comprados para outras companhias.

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11.06.19

Cerimonial

Jair Bolsonaro pretende comparecer aos três jogos da seleção brasileira na primeira fase da Copa América – dois em São Paulo e um em Salvador. Depois dos aplausos e gritos de “mito” com que foi recebido na última quarta-feira, no Mané Garrincha, o Capitão quer mais é cair nos braços da galera.

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