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01.04.21

Não é dessa vez que vão tirar os militares do sério

Integrantes do Alto-Comando das três Forças passaram os últimos dois dias disparando telefonemas para seus subordinados em postos estratégicos. A preocupação era auscultar os comandos sobre a temperatura tanto de oficiais quanto de soldados após a renúncia simultânea dos chefes do Exército, Aeronáutica e Marinha. O objetivo foi sentir, especialmente, a pulsação das patentes de capitão para baixo. Como se sabe, é nessa faixa de militares que o presidente Jair Bolsonaro tem o maior grau de adesão – juntamente com as polícias militar e civil. Segundo fonte do RR, a percepção do Alto-Comando é de tranquilidade e pacificação na “soldadania”. O efetivo mais relevante das Forças Armadas apoia e respeita a posição de seus três ex-comandantes.

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11.03.21

Cabe um general na chapa de Lula?

Por mais inusitado que possa parecer, em meio a uma torrente de recomendações, Lula já ouviu o aconselhamento de que o seu vice-presidente em 2022 seja um oficial militar. Alguém como o general Santos Cruz, que teria um enorme efeito simbólico, dada a sua alta respeitabilidade nas Forças Armadas e a sua postura crítica ao presidente Jair Bolsonaro. A hipótese de um militar na chapa estaria cheia de senões: um deles seria a repetição de Bolsonaro, que tem um general como vice-presidente.

O outro obstáculo seria a aceitação da ideia dentro do próprio PT, que poderia enxergar a iniciativa como uma espécie de rendição: ou seja, uma “Carta aos Militares” em vez de ao povo brasileiro. Mesmo que a candidatura não esteja posta, as conjecturas de como seria um futuro governo já estão em marcha. Com o pronunciamento de Lula ontem, ficou claro que existem dois estamentos que serão objeto de especial atenção de sua parte: os empresários e o aparelho de segurança, leia-se as Forças Armadas, a Guarda Nacional e as polícias.

No passado, em 2002, Lula contemplou um empresário para compor sua chapa. Era preciso conquistar a Avenida Paulista. No presente, o desafio é se aproximar dos quartéis. Seria uma forma de desmontar um dos principais ativos políticos de Bolsonaro. O presidente é useiro e vezeiro em tratar as Forças Armadas como se fossem suas apoiadoras. Ainda há muita estrada pela frente para que a especulação se materialize. Mas, a fonte do RR é um conhecido interlocutor do ex-presidente Lula.

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11.02.21

Submarino nuclear avança apesar do orçamento apertado e do “apartheid internacional”

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), um dos mais importantes e estratégicos projetos militares do país, tem sido objeto de informações desencontradas, inclusive entre fontes ligadas ao próprio governo. Nos últimos dias, o RR recebeu relatos de restrições orçamentárias, de novos atrasos no cronograma e até mesmo de que a gestão Bolsonaro estaria inclinada a reduzir o escopo do Prosub e suspender parte dos investimentos previstos. Seria o pior dos mundos. A partir de uma troca de informações exclusiva com a Marinha do Brasil, a newsletter apurou, em detalhes, a quantas anda o projeto – leia-se a construção de quatro submarinos diesel-elétricos (S-BR) e do primeiro submarino convencional com propulsão nuclear (SN-BR) fabricado no país.

Um fato chama a atenção. Talvez a principal ameaça ao Prosub esteja fora e não dentro do país: existe uma espécie de “apartheid nuclear” contra o Brasil. Até o momento, a Marinha já desenvolveu o ciclo do combustível do submarino nuclear e trabalha na produção do reator, um processo complexo. Um dos maiores desafios é criar formas de controlar sua energia. Ocorre que, nas palavras da própria Força, existe um “cerceamento internacional” para que o Brasil domine toda a tecnologia. A Marinha afirma que “há um histórico de diversas negativas de exportação e concessão de licenciamento pelos países detentores de know how no setor, sempre que há menções à Marinha do Brasil na qualidade de usuário final”.

O problema se acentua à medida que a estrutura da Base Industrial de Defesa nacional é incipiente para atender às demandas do Programa Nuclear da Marinha. Ao mesmo tempo em que tenta superar obstáculos nas negociações internacionais, o Prosub precisa se adequar às notórias dificuldades orçamentárias do governo. O custo total do programa está estimado em R$ 37,1 bilhões. Desde o início do Prosub, em 2009, já foram alocados cerca de R$ 21 bilhões. O cronograma atual de execução das obras prevê desembolsos regulares até o ano de 2034.

A Marinha admite que “restrições orçamentárias ao longo da execução do Programa podem gerar postergações de metas, renegociações contratuais e subsequentes acréscimos no custo total”. A Força diz ainda que “vem buscando sistematicamente suplementação de créditos”. Ressalte-se ainda que a alocação de recursos para o Prosub tem sido salvaguardada na montagem do orçamento da União. É importante enfatizar que os R$ 7,6 bilhões aportados pelo Tesouro na Engepron (Engenharia Gerencial de Projetos Navais) serão destinados à construção das novas fragatas classe Tamandaré da Marinha. Ou seja: não vai pingar nenhum centavo no Prosub.

A construção dos quatro S-BR se encontra em diferentes estágios. O submarino Riachuelo já está em fase de testes de aceitação no mar, inclusive com resultados satisfatórios na primeira imersão à grande profundidade. O Humaitá, por sua vez, lançado ao mar no último mês de dezembro, entrou na etapa de montagem eletromecânica de equipamentos e sistemas, necessária para as provas de mar. No caso do Tonelero, a Marinha concluiu a união das seções do casco resistente.

Por fim, o Angostura ainda está em fase de pré-montagem das seções de casco. O lançamento ao mar dos dois últimos está previsto, respectivamente, para 2022 e 2023. E a joia da coroa? O submarino nuclear deve entrar em operação somente em 2034. Os solavancos diplomáticos do governo Bolsonaro também estariam jogando contra o programa. Circulam informações de estremecimento nas relações entre Brasil e França, parceira estratégica do Prosub. Como se não bastassem os notórios atritos entre Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron, os atrasos na execução do Programa estariam causando ruídos entre os dois países.

Além disso, há relatos de que os franceses ainda não teriam digerido a gafe cometida por Bolsonaro em 2019, quando da cerimônia de integração do submarino Humaitá. Na ocasião, o presidente não fez qualquer menção à França e a sua participação no projeto. A Marinha, no entanto, afirma que “não há razões para se falar em ‘estremecimento das relações’”. Tanto a Força Naval brasileira quanto a Naval Group francesa “obedecem às condições do contrato, dispostas em conformidade com a parceria estratégica”. A Marinha reitera ainda que “em dez anos de vigência do Prosub não há registros de desavenças, sendo o desenvolvimento do Programa pautado nas cláusulas contratuais e nas boas relações entre o Brasil e a França”.

Entre alguns setores do estamento militar há o receio de que as dificuldades orçamentárias e possíveis atrasos em projetos estratégicos da área de Defesa comprometam a imagem de eficiência das Forças Armadas. Sobre esta questão, a Marinha diz que “ajustes de metas e de cronograma são triviais em Programas Estratégicos de Defesa e de longo prazo, como o Prosub”. A Força Naval afirma ainda que “metas importantes foram alcançadas em 2020, como o lançamento ao mar do Humaitá, a integração final das seções do Tonelero e o início das atividades da Base de Submarinos da Ilha da Madeira, contribuindo para consolidar a imagem de eficiência do Programa e evidenciar os esforços da Marinha para mitigar eventuais atrasos”.

Vozes de dentro das Forças Armadas manifestam o temor de que atrasos no Prosub possam colocar em xeque a execução de outros projetos estratégicos da Força Naval. A Marinha garante que tem feito todos os ajustes necessários e que tanto o “Prosub quanto o PMN (Programa Nuclear da Marinha) avançam de forma concomitante e integrada”. O PMN, por sinal, também figura entre os quindins da Força. Trata-se de um projeto geminado ao Prosub. Além do domínio do ciclo de combustível nuclear, obtido desde a década de 1990, seu objetivo é o desenvolvimento da Planta Nuclear Embarcada que equipará o submarino nuclear. Uma das etapas do PMN está sendo concebida em Iperó (SP).

O que está em jogo, neste caso, é a entrada do Brasil em um clube seletíssimo de nações que detêm tecnologia consolidada de projeto e construção de submarinos nucleares, hoje composto por apenas cinco integrantes: França, Estados Unidos, Inglaterra, Rússia e China. Parece haver, no Brasil, uma cultura de pouco pelo apreço pelo aparato de Defesa da nação. As próprias informações truncadas em torno do Prosub sugerem até mesmo uma má vontade em relação aos principais projetos militares do país.

No entanto, além da sua importância, per si, o Prosub, no caso específico, tem ainda o papel de energizar a combalida indústria brasileira. A iniciativa envolve um programa de nacionalização com o propósito de capacitar empresas para futuros projetos e internalizar a produção de equipamentos e sistemas. Até o momento, mais de 200 companhias brasileiras já foram visitadas e outros 75 projetos relacionados foram concluídos ou estão em fase de execução. Além disso, 23 universidades e institutos de pesquisa estão diretamente envolvidos no Programa. Quem dera houvesse ao menos um Prosub em cada segmento da indústria brasileira.

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Em meio ao “novo normal” imposto pelo terrível ano de 2020, ao menos um ponto não mudou: o assinante do RR teve acesso irrestrito aos corredores do Poder. Em 20 de abril, um mês após Jair Bolsonaro decretar estado de calamidade pública, o RR foi o primeiro veículo a noticiar os estudos dentro do governo para a criação de uma espécie de “Plano Marshall” brasileiro, um amplo programa emergencial de geração de investimento e de empregos. Poucos dias depois, o ministro da Casa Civil, general Braga Netto, surgiria no noticiário confirmando os estudos e fazendo referência exatamente ao termo “Plano Marshall”. O RR antecipou o flerte entre Jair Bolsonaro e o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Em 3 de julho, a newsletter informou que Marinho estava montando uma intensa agenda de viagens de Bolsonaro para inaugurar obras no Nordeste, o que de fato ocorreu nos meses seguintes.

O poder em marcha

Em 5 de maio, o RR descortinou o incômodo dentro das Forças Armadas diante da insistência do presidente Jair Bolsonaro em associar a corporação a um discurso de intimidação e de risco de ruptura institucional, tema que ganharia o noticiário nos dias seguintes. O RR também antecipou a importante missão que o general Hamilton Mourão passou a ter no governo: em 22 de julho, noticiou, em primeira mão, que o vice-presidente se tornaria uma espécie de “embaixador do meio ambiente” da gestão Bolsonaro. Em 20 de agosto, o RR publicou, também com exclusividade, que o governo estenderia a “Operação Verde Brasil 2”, prorrogando a presença de militares no combate aos incêndios na Amazônia até o fim do primeiro trimestre de 2021 – o que se confirmaria em novembro.

Militares x “olavistas”

Os assinantes da newsletter tiveram também informações exclusivas sobre a disputa de poder entre os generais palacianos e a ala olavista do governo. Em 12 de maio, o RR cravou que os militares se movimentavam para ter um número maior de assentos no Conselho Nacional de Educação (CNE), tradicional área de influência de Olavo de Carvalho desde o início da gestão Bolsonaro. Em 25 de setembro, o RR revelou articulações para a possível saída do “olavista” Ernesto Araújo do Ministério das Relações Exteriores. Desde então, o noticiário tem tratado da hipótese de substituição do chanceler. Na última semana, a mídia passou a abordar também a possibilidade de demissão do embaixador brasileiro em Washington, o igualmente “olavista” Nestor Forster, informação antecipada pelo RR em 7 de dezembro.

Laços de família

Em 7 de agosto, o RR revelou que, ao criar o Centro de Inteligência Nacional na Abin, o presidente Jair Bolsonaro estava instituindo um “Family office” dentro da agência, com o objetivo de usar o aparato de Inteligência do Estado em benefício de si próprio e dos seus. Em dezembro, estouraria a denúncia de que a Abin produziu relatórios para Flavio Bolsonaro. Em 8 de junho, o RR informou, com exclusividade, que o deputado federal Eduardo Bolsonaro estava trabalhando para viabilizar o desembarque no Brasil da Sig Sauer, fabricante de armamentos de origem suíça. Mais: a newsletter antecipou as articulações conduzidas com o auxílio do “03” para uma parceria entre a empresa e a Imbel. Três dias depois, o assunto estaria em toda a mídia.

Despedida antecipada

O leitor da newsletter acompanhou de muito perto o processo de sucessão do Itaú Unibanco. Em 9 de setembro, o RR informou que Marcio Schettini deixaria o banco caso não fosse o escolhido para suceder Candido Bracher na presidência. Dito e feito! No início de novembro, preterido em detrimento de Milton Maluhy Filho, Schettini, diretor geral de varejo, anunciou sua saída do Itaú. No dia 9 do mesmo mês, o RR voltou ao tema para detalhar os bastidores da escolha, conduzida pelo próprio Bracher, e o mal estar que ela causou junto aos acionistas do Itaú.

Em janeiro, o RR informou com exclusividade que a Petrobras lançaria um plano de redução de despesas da ordem de R$ 1 bilhão, o que se confirmaria pouco depois. Também em janeiro, a newsletter revelou que Embraer e Boeing haviam desmobilizado um grupo de trabalho que discutia o desenvolvimento conjunto de aeronaves comerciais, apontando a medida como um indício de iminentre rompimento da fusão. Três meses depois, a associação entre as duas companhias foi para o espaço. Ainda sobre a Embraer, em julho o RR antecipou que a empresa estava negociando um empréstimo do BNDES, operação oficialmente confirmada em dezembro.

Em março, o RR foi o primeiro a noticiar os estudos no BNDES para a compra de participações em companhias aéreas, como forma de reduzir os efeitos da pandemia sobre o setor. Menos de 15 dias depois, o projeto se tornaria público, ainda que, na prática, não tenha decolado. Outro furo que veio dos céus foi a notícia de que o empresário David Neeleman, fundador da Azul, venderia sua participação na portuguesa TAP, antecipada pelo RR em 12 de fevereiro. O RR antecipou também o que poderia ter sido uma das maiores operações de M&A do ano no país. Na edição de 26 de agosto, informamos que a Ser Educacional estava levantando recursos para fazer uma oferta de compra do controle dos ativos da Laureate no Brasil.

Menos de um mês depois, a proposta de R$ 4 bilhões estava sobre a mesa dos acionistas do grupo norte-americano. A Ser acabou perdendo a disputa empresarial para a Ânima Educação. Em 5 de novembro, mais um furo no noticiário corporativo: o RR antecipou que os principais acionistas da Qualicorp se movimentavam para comprar o restante da participação de José Seripieri Filho, fundador da operadora de planos de saúde, devido às denúncias de corrupção contra ele. Menos de um mês depois, os sócios da companhia e o empresário fecharam um acordo para a transferência das ações, quase no mesmo período em que o STF homologava a delação premiada de Seripieri.

Cortes no Ministério Público

No dia 8 de dezembro, a newsletter revelou os planos do procurador geral da República, Augusto Aras, para fechar escritórios de representação do MPF e reduzir custos operacionais devido à escassez orçamentária da instituição – informação que acabou confirmada pelo próprio Ministério Público.

Gol atrás de gol

Em 16 de março, o RR informou, com exclusividade, que o início do Campeonato Brasileiro seria adiado por conta da pandemia. Uma semana depois, a newsletter antecipou que os clubes haviam pedido ao governo a suspensão dos pagamentos do Profut, o programa de refinanciamento de dívidas das agremiações esportivas junto à União – medida que seria implantada pouco depois. Que 2021 seja um ano muito diferente em quase tudo, menos na capacidade do RR de entregar a seu assinante um conteúdo qualificado e exclusivo.

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02.12.20

O silêncio coreografado em torno do Comandante Pujol

A declaração do general Edson Pujol de que “o Exército não é instituição de governo” calou fundo entre os companheiros de farda e dentro do Palácio do Planalto. Desde então, é perceptível o cuidado dos generais palacianos em não fazer pronunciamentos sobre as Forças Armadas. Segundo um general fonte do RR, a opção pelo silêncio foi acordada entre os oficiais de quatro estrelas do Palácio do Planalto.

Da mesma forma, as manifestações em sequência do presidente Jair Bolsonaro e do vice-presidente Hamilton Mourão dando apoio à fala do Comandante do Exército também foram previamente alinhadas. O fato é que o general Pujol ganhou uma “quinta estrela”. Levando-se em consideração o número de vezes que seu nome foi citado entre os tomadores de decisão dos três Poderes nos últimos dias, conforme o RR apurou, é indiscutível que a fala do Comandante do Exército o colocou em outro patamar de importância republicana.

Ainda que não fosse essa a sua intenção. Seu comunicado buscava exatamente o contrário: separar ao máximo as Forças Armadas das instituições do governo. De acordo com a mesma fonte, a fala de Pujol exprimiu uma opinião consensual no Alto Comando das Três Forças. Era o que precisava ser dito e todos esperavam que fosse.

O descolamento do governo é uma preocupação comum aos comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha. Entre os militares, há um desconforto latente, por exemplo, com a presença de oficiais da ativa em cargos. A declaração de Pujol foi também uma resposta às cassandras que há cerca de um mês aproveitaram-se de uma rusga entre os ministros Luiz Eduardo Ramos e Ricardo Salles para inocular o veneno de que Ramos o substituiria no Comando do Exército.

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06.11.20

O “general do bioma brasileiro”

Entre os generais palacianos, ganha corpo a proposta de criação de um Conselho do Pantanal, nos mesmos moldes do Conselho da Amazônia. Segundo informação que circula no Palácio do Planalto, o próprio vice-presidente, general Hamilton Mourão, acumularia o comando dos dois órgãos, consolidando-se como uma espécie de ministro plenipotenciário do bioma brasileiro. A medida faria sentido para dentro e para fora. De um lado, Mourão passaria a coordenar as ações do governo no combate às queimadas tanto na Região Amazônica quanto no Centro-Oeste, com foco na participação das Forças Armadas – mais de 600 militares atuam na linha de frente para debelar os focos de incêndio nas duas áreas. Do outro, unificaria as conversações com a comunidade internacional, que tanto pressiona o governo Bolsonaro por conta da sua política ambiental.

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Além do próprio general Hamilton Mourão, o ministro da Casa Civil, general Braga Netto, também foi uma voz importante dentro do Palácio do Planalto para a permanência das Forças Armadas na Amazônia até abril. Em tempo: na edição de 20 de agosto, o RR antecipou, com exclusividade, que a “Operação Verde Brasil 2”, prevista para terminar em novembro, seria prorrogada até o fim de março. Erramos… por alguns dias.

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14.10.20

Falta combinar com os militares

O secretario especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, Digo Mac Cord, tem falado insistentemente na venda de imóveis da União – diz, inclusive, que já foram mapeadas sete formas de monetização desse patrimônio. Até agora, no entanto, no que diz respeito especificamente à desmobilização de ativos imobiliários das Forças Armadas, são poucas as informações compartilhadas com o Ministério da Defesa. A Pasta não tem detalhes do quanto a medida atingirá instalações usadas pelas três Forças.

O Ministério da Economia, segundo o RR apurou, tem feito estudos que contemplam a venda de algumas das dezenas de ilhas pertencentes à União e historicamente administradas pela Marinha. Outra possibilidade cogitada é a negociação de áreas ociosas em terrenos ocupados por bases da Força Aérea – são seis no total (Canoas, Fortaleza, Natal, Recife, Santos e Campos dos Afonso, no Rio de Janeiro). A equipe econômica estaria levantando ainda outros ativos imobiliários, como depósitos e prédios usados pelas Forças Armadas.

Procurado, o Ministério da Defesa não se pronunciou. Paulo Guedes e sua equipe já sinalizaram algumas vezes a intenção de vender também a parte da União nos chamados terrenos de Marinha, ocupados pelo regime de aforamento – esses bens são divididos na proporção de 17% para o Estado e 83% para o seu proprietário privado. Estima-se que existam em todo o país cerca de 600 mil imóveis nessas condições. As projeções oficiais de arrecadação são esquizofrênicas: desde o início do mandato de Bolsonaro, integrantes da equipe econômica já sopraram publicamente estimativas que vão de R$ 3 bilhões a incríveis R$ 100 bilhões.

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23.09.20

Forças Armadas blindam a Amazônia brasileira

No que depender das Forças Armadas, a contenda entre o governo brasileiro e a comunidade internacional em torno da Amazônia tende a se intensificar. Entre os militares, a leitura é que os seguidos ataques ao Brasil fazem parte de um projeto de neocolonialismo patrocinado por grandes potências estrangeiras que mantêm interesses difusos e – por que não? – inconfessáveis em relação à Região Amazônica. As ingerências de governos internacionais sobre a Amazônia têm sido interpretadas no Alto Comando do Exército como tentativas externas de afrontar a soberania nacional e impor prioridades geoeconômicas de fora para dentro do país. Nesse contexto, dentro das Forças Armadas predomina o entendimento de que o governo deve adotar uma postura ainda mais contundente, algo como uma política de tolerância zero às intromissões de outros países na gestão da Amazônia brasileira.

Como se pode ver, as duras declarações do general Augusto Heleno de que governos internacionais usam a Amazônia para “prejudicar o Brasil e derrubar o presidente Jair Bolsonaro” estão longe de ser um ato isolado. Elas refletem discussões travadas no Alto Comando e, mais do que isso, “uma posição quase permanente” das Forças Armadas, nas palavras de um general ao RR. Os militares alimentam a ideia fixa de que “forças ocultas” escondem-se por de trás de ONGs e manipulam temas visceralmente ligados à Região Amazônica – como a questão indígena e a agenda ambiental.

Mais recentemente, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, disse que a Amazônia sofre “cobiça por parte de atores da área internacional”. No passado, o general Villas Bôas afirmou que “muitas vezes as ONGs atuam no sentido contrário aos interesses brasileiros” sem que saiba “quem são e quais são seus reais objetivos”. O RR teve acesso, com exclusividade, a um documento classificado como confidencial bastante representativo do pensamento dos militares em relação aos personagens e interesses enraizados na Floresta Amazônica. O paper de 43 páginas (somados os anexos) foi elaborado em março de 2005, em pleno governo Lula, pelo Grupo de Trabalho da Amazônia (GTAM), composto pelo Ministério da Defesa, Estado Maior da Armada, DIP/Polícia Federal, CIE/Comando do Exército, Secint/ Comando da Força Aérea e Programa Calha Norte – todos coordenados pela Abin. 15 anos depois, o teor do relatório soa atual. Ele externa uma clara preocupação do aparelho de Defesa e de Inteligência brasileiro com a ação de grupos de interesse internacionais na Amazônia, que seriam acobertados por ONGs do meio ambiente, defensores da causa indígena e outros atores supostamente legítimos.

Àquela altura, o GTAM alertava para a necessidade de “maior presença do Estado na Amazônia”, uma vez que “as instituições governamentais existentes atuam de forma desarticulada e frequentemente contra os interesses superiores da Pátria”. O documento questiona políticas do próprio governo brasileiro: “É de convicção geral que essas organizações (ONGs) têm recebido muitos recursos do exterior e do próprio governo nacional, e que os têm usado sempre contra o desenvolvimento geral, do Estado e da sociedade”. Uma das preocupações do GTAM foi mapear supostos interesses globais e ações de potências estrangeiras na região. O documento menciona a “suspeita de influência de americanos” em um massacre dos índios Uaimiri-Atroaris, que vivem a Leste da margem esquerda do Baixo Rio Branco.

Ressalta ainda o “crescente aumento da presença de europeus”. Cita que “os holandeses predominam nos hotéis de selva, aparentemente como empresários de turismo. Através da ONG Médicos sem Fronteiras se assinalam muitos americanos, holandeses e italianos”. Àquela altura, o GTAM monitorava também a presença de árabes/palestinos na divisa entre as cidades de Tabatinga (AM) e Letícia, na Colômbia, “cujas atividades não foram devidamente levantadas, mas que provavelmente envolvem contrabando e descaminho”.

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22.09.20

Mercado de trabalho retraído

Um sinal menos convencional da retração econômica: desde janeiro, 114 oficiais pediram desligamento das Forças Armadas – número confirmado ao RR pelo Ministério da Defesa. A três meses do fim do ano, dificilmente a marca de 2019 será igualada – no ano passado, 210 oficiais deixaram o Exército, Aeronáutica e Marinha. Um indício de que os convites da iniciativa privada a militares para cargos bem remunerados reduziram.

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