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14.01.20

Falta um backlog de projetos

Observatório

Por Daniel Valente, economista e estudioso das políticas corporativas e de entidades patronais.

As entidades empresariais, notadamente as da indústria – Fiesp, Firjan, Fiergs –, têm alguma tradição de apresentar relatórios ao governo sobre potenciais investimentos que poderiam ser realizados nos seus estados. Em coluna recente aqui no Observatório, elogiei a iniciativa da Casa Firjan nessa direção. Entretanto, identificar oportunidades tornou-se uma medida insuficiente. Muitas vezes equivale a mostrar uma praia vazia e dizer: olha, ali tem tório, césio e vermiculita; fique à disposição para explorar. O que fica faltando mesmo é a apresentação do projeto completo – engenharia, business plan, projeto financeiro etc. –, em especial na área de infraestrutura. O Brasil não tem um backlog de projetos.

A palavra greenfield pode ser confundida com grife de camisa ou outro artefato qualquer. E os poucos projetos que estão estruturados encontram-se dispersos. Não há um banco de dados de empreendimentos de infraestrutura  no qual o investidor estrangeiro pudesse consultar a seu bel-prazer sobre projetos detalhados em logística, telemática, energia e saneamento. As entidades empresariais poderiam cumprir esse papel de mastigar para o capital estrangeiro cada um dos investimentos. Em princípio, isso caberia às agremiações da indústria. Mais idealmente participariam todas as federações e confederações de porte. Essas entidades criariam um fundo de consultoria de projetos, com o objetivo de detalhar as oportunidades identificadas.

A China tem um banco de dados de empreendimentos com mais de cinco milhares de plantas prontas para o investidor. O fundo poderia ter uma reserva de recursos para elaboração de projetos em estados de menor atratividade. E representaria o ingresso definitivo das entidades empresariais na engenharia de negócios. Além de forte suporte ao governo, seria ferramenta para roadshows e ações de diplomacia empresarial. E uma parceria com o BNDES não deveria ser descartada. Por que não? O BNDES transformando-se prioritariamente em banco de projetos, e as entidades patronais como contribuintes e gestora do fundo responsável pelo desenho das plantas e organização do banco de dados. Não adianta ficar acenando para o capital estrangeiro se não se tem nada pronto para entregar a ele.

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06.01.20

Uma “parceria público-privada” pela extinção do INPI

Há um frentão público-privado contra o INPI. CNI, Fiesp, entidades do agronegócio, Ministérios da Economia e da Agricultura e bancada ruralista, entre outros atores, estão se unindo em uma forte campanha pela extinção do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. A coalizão – articulada pelo próprio ministro Paulo Guedes e pelo Secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos Costa – tem como objetivo a aprovação da Medida Provisória em gestação no Ministério da Economia que dá um ponto final ao INPI. A MP prevê a transferências das atribuições da autarquia para uma revigorada Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), do Sistema S. Além da indústria – a mais atingida pela letargia do Instituto –, chama a atenção o peso com o que o agronegócio entrou na campanha pela extinção da autarquia. Os produtores rurais enxergam no INPI um vilão, que, ainda que por vias oblíquas, tem feito o jogo das grandes multinacionais de agrociência. A barafunda de consultas e processos que não raramente se arrastam por mais de uma década é uma das principais razões para o crescente grau de judicialização do agronegócio na esfera da propriedade industrial. Os tribunais estão apinhado de ações de produtores rurais contra empresas como Bayer, Syngenta etc etc. O agronegócio acusa esses grupos de cobrarem royalties por patentes que já caducaram. O contencioso mais grave diz respeito à semente de soja transgênica Round Up, produzida pela Monsanto, adquirida pela Bayer em 2018. As disputas judiciais relativas aos royalties do produto somam mais de R$ 15 bilhões.

Talvez seja apenas coincidência; talvez, não. Em meio às articulações para o fim do INPI, o RR tem a informação de que o governo brasileiro não pretende apresentar candidatura própria para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial da Propriedade Industrial (OMPI) – a eleição será realizada em setembro. Roberto Jaguaribe, ex-presidente do próprio INPI no governo Lula, era o nome mais cotado para disputar o cargo. De acordo com a mesma fonte, José Graça Aranha, atual representante da OMPI no Brasil, também vinha trabalhando sua candidatura dentro do Itamaraty. Deve ficar para a próxima…

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26.12.19

Que falta faz a velha Fiesp

Observatório

Por Daniel Valente, empresário e estudioso das entidades patronais.

Durante décadas, a Fiesp foi referência de entidade patronal orgânica ou pública, ou seja, voltada para o interesse nacional e não somente para o próprio umbigo. Tempos de Francisco Matarazzo e Roberto Simonsen. Décadas depois, por volta de 1970, o presidente da entidade era Theobaldo de Nigris, pelego prestigiado pelos seus pares, responsável pela construção do célebre prédio da Av. Paulista – símbolo de opulência e poder – e identificado com o desenvolvimento da indústria gráfica do estado de São Paulo. Seguiu a De Nigris o industrial Luiz Eulálio Bueno Vidigal Filho, proprietário de uma fábrica de bens de capital. Vidigal Filho inicia um trabalho de politização da Fiesp nos chamados “anos de chumbo”.

A Fiesp torna-se um bunker pela democracia. Os próximos presidentes são os anódinos Carlos Eduardo Moreira Ferreira e Horácio Lafer Piva, ambos descendo a ladeira do prestígio da entidade. Em 2007, tem início a era Paulo Skaf, identificada como a fase “self market maker” da instituição. Para começar, Skaf nunca foi industrial. A Fiesp deixou de falar dos seus feitos e passou a propagandear os de Paulo Skaf, que colocou a entidade a trabalhar em prol dos seus objetivos políticos.

E mais, o empresariado de São Paulo não forneceu ao Brasil. No Rio, a versão De Nigris foi a de Mario Leão Ludolf, que permaneceu “séculos” na presidência da Firjan. Ludolf tinha prestígio, mas pouca disposição de usar seus acessos em benefício do Rio, e muito menos do Brasil. Seguiu o industrial da construção naval, Arthur João Donato. Verdade seja dita, Donato lutou pela indústria do estado e também do país, na medida em que os estaleiros estavam entre os maiores setores fabris do Brasil.

Após Donato, tem início a longa gestão de Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. Pertencente a uma família aristocrática, filho do advogado constitucionalista de 1945, João Pedro Gouvêa Vieira, o novo gestor  veio cheio de ideias modernizantes, entre as quais, a mais revolucionária foi a de aproveitar a iniciativa de Cesar Maia, que criou um conselho de “ases” para a cidade do Rio de Janeiro. Vieira foi buscar os mesmos nomes – Mario Henrique Simonsen, Eliezer Batista e Raphael de Almeida Magalhães – e criou o Conselho da Indústria do Rio; na realidade, com o forte apoio do seu escudeiro Amaury Temporal, que antes tinha ocupado a presidência da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Vieira foi polêmico, tanto pelo tempo de permanência quanto  pelo estilo voluntarista de governar. Mas todos os seus eventuais equívocos são esmaecidos pelo grande acerto que foi a Casa Firjan, um centro arquitetônico lindíssimo voltado para a inovação, arte criativa, startups e toda a moderna indústria 4.0. Enquanto o Rio, com todas as suas monumentais dificuldades urbanas, dá um passo à frente da capital financeira do país, São Paulo parece viver uma eterna ressaca dos tempos de Francisco Matarazzo e Roberto Simonsen. Era uma época em que as entidades empresariais estavam voltadas para o planejamento nacional, cumprindo um papel que ficou sem protagonista. Seria bom demais para o Brasil se a Fiesp voltasse às suas origens.

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12.11.19

Você tem déficit de quê?

Observatório

Por Daniel Valente, economista, comerciante e estudioso das políticas corporativas e de entidades patronais.

Em meio à discussão sobre a redução dos recursos e até mesmo a extinção do Sistema S, caberia um debate sobre a qualidade e utilização das verbas gerenciadas pelas entidades patronais. A principal atividade do Sistema S são a aprendizagem e o treinamento. Fazem parte do sistema S as seguintes unidades: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Social da Indústria (Sesi) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac). Um segundo time seria composto pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) e Serviço Social de Transporte (Sest).

É verdade que o sistema S tem sido carcomido por exemplos de corrupção, suspeição de práticas inidôneas por parte das instituições arrecadadoras e gestoras dos seus recursos e até prisões. O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, foi inclusive preso. O presidente da Fiesp já foi denunciado por usar recursos das entidades para sua campanha política. Há pouco menos de um ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Fantoche, prendendo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco, Ricardo Essinger. Os crimes encontrados somaram R$ 400 milhões, envolvendo publicidade, eventos culturais e publicidade superfaturada.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, que não quer reconstruir o processo para o treinamento do trabalhador, e sim abater déficit público, aproveitou-se da oportunidade para propor logo um corte de 40% da verba total. Em parte Guedes tem razão quando faz sua catilinária sobre a parcela que vai para financiamento de campanha política e outra para compra de prédio de luxo para transferência da sede. Mas as generalizações do ministro são típicas de quem não quer consertar. O Sistema S precisa, sim, de choque de compliance, de uma auditoria de performance, de um balanço social e, finalmente, da adoção de sinergias em suas atividades. São milhões de alunos em aprendizagem. Digamos que o treinamento e a educação estejam no centro do sistema solar. Mas é possível conjugá-los com o emprego e o patrimônio público. A Fecomercio do Rio de Janeiro, por exemplo, está propondo ao governo assumir o tradicional mercado Cobal, em estado falimentar, juntado no mesmo lugar um núcleo de aprendizagem. Muita gente aprendendo e muita gente preservando seus empregos. O déficit público é um mantra para a política econômica, mas nem sempre para resolver problemas sociais mais prosaicos.

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24.10.19

O “agronegócio” da Fiesp contra a venda de terras

Direto da Avenida Paulista no 1.313: o RR apurou que o jurista Torquato Jardim, ex-ministro da Justiça no governo Temer e membro do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos da Fiesp, está elaborando um parecer contra o projeto de lei do senador Irajá Abreu que propõe a liberação da venda de terras para estrangeiros. Encomenda do próprio Paulo Skaf, que posteriormente vai envelopar o documento com o selo do Departamento de Agronegócio da entidade.

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22.09.19

Água no deserto

A ministra Damares Alves vai se reunir hoje com dirigentes da Fiesp. Tentará angariar o apoio financeiro de empresários paulistas para programas sociais do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Melhor esperar sentada.

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05.07.19

Chuva de milhões

O mercado publicitário está em polvorosa. A Fiesp vem aí com uma campanha pró-reforma da Previdência que povoa os sonhos de qualquer agência de publicidade. Os anúncios recentemente veiculados em redes sociais foram apenas um apettizer. Conforme a própria entidade confirmou, a Fiesp dará continuidade à campanha com anúncios em jornais.

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01.07.19

Exemplo de cima

A notícia de que bilionáriosnorte-americanos pediram ao governo que taxe suas fortunas parece ter tocado o coração de pedra das elites brasileiras. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, estaria liderando uma “vaquinha” para ajudar na reconstrução do Museu Nacional. Segundo a fonte, outras listas serão passadas junto ao empresariado. Tudo bem que no final seja faturado como marketing institucional. Mas trata-se de excelente notícia.

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14.06.19

Brigada da Fiesp

Paulo Skaf “chegou” ao Palácio do Planalto. O general Luiz Eduardo Ramos, substituto de Santos Cruz na Secretaria de Governo, é muito próximo do General Adalmir Domingos, coordenador executivo dos Conselhos e Departamentos da Fiesp.

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12.02.19

Empresariado busca seu futuro no passado

Um dirigente da Fiesp que já participou de bravas jornadas em nome da democracia e do desenvolvimento durante o regime militar defende um retorno ao passado para permitir que o empresariado volte a protagonizar a cena política e econômica. A tese é que as entidades de classe estão perdendo prestígio e representação em todos os setores, ficando restritas à agenda de pedintes em causa própria. “Ninguém mais nos ouve”, reclama. O empresariado não tem mais um projeto de poder, de tomada do Estado ou mesmo de negociação junto aos governos.

É como se tivesse se divorciado do interesse nacional, ficando restrito as suas pequenas causas. CNI, Confederação Nacional do Comércio, Fiesp, Confederação da Agricultura, Febraban, Anfavea… Lembre-se de qualquer outra entidade, pois não importa. Todas perderam a ressonância individual. O paladino do empresariado paulista acha que a solução para o desprestígio isolado seria a coletivização das forças. Lembra-se da Confederação Nacional das Classes Produtoras (Conclap), que eram enormes congregações de entidades patronais. As Conclaps detinham um Conselho Superior que formulava sugestões técnicas para que a megaentidade pressionasse o governo.

A primeira Conclap se deu em 1945. Reuniu nada mais nada menos do que 680 entidades empresariais representativas do comércio, indústria, agricultura e bancos. Realizou-se na Região Serrana do Rio, e lá foi redigida a célebre Carta de Teresópolis. A III Conclap ocorreu em 1972, no Museu de Arte Moderna, reunindo 1,5 mil empresários de todo o país. Nomes como Jorge Geyer, Jorge Oscar de Mello Flores e Raphael de Almeida Magalhães estiveram envolvidos na montagem do conclave. Simonsen produziu textos técnicos. Em 1977, no Hotel Nacional, realizou-se a quarta e última das Conclaps.

Mais de dois mil empresários participaram e o assessor técnico foi Carlos Geraldo Langoni, que viria a ser presidente do Banco Central. Esses eventos e as articulações adjacentes conseguiram escrever capítulos na história de participação dos empresários no planejamento e implementação de políticas de desenvolvimento nacional. O rebelde da Fiesp, fonte do RR, afirma que como está hoje as organizações do empresariado só ficarão levando carões, a exemplo da ameaça de corte de parcela do Sistema S. “Viramos tiririca do brejo. Só ficamos tratando da copa e cozinha nas nossas associações. Como está hoje, estamos excluídos. Mas fazemos parte desse jogo tanto quanto eles que estão lá nos Três Poderes”, disse.

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