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13.11.20

Skaf vs. Roriz

Paulo Skaf tem usado da sua influência junto ao Judiciário na tentativa de barrar a candidatura do desafeto José Ricardo Roriz Coelho à presidência da Fiesp no ano que vem. Vice-presidente da entidade, Roriz recorreu ao Tribunal de Justiça do Trabalho para garantir sua participação no pleito. Sua candidatura foi impugnada pela comissão eleitoral da Fiesp. Ou seja: por Skaf.

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14.09.20

A Pauliceia desvairada na sucessão da Fiesp

Benjamin Steinbruch, Paulo Skaf, Josué Gomes da Silva, Ciro Gomes, Iedi… Todos são personagens da pauliceia desvairada que promete ser a eleição da Fiesp, em 2021. As múltiplas combinações cruzadas, os blefes de parte a parte e os interesses em jogo fazem desta a mais estranha sucessão da história recente da entidade – mesmo porque a indústria paulista não sabe o que é sucessão há 16 anos. E saberá desta vez? A  peça central no tabuleiro é o sempre dúbio Paulo Skaf. O mandatário já anunciou que não concorrerá ao pleito. Mas, há pessoas próximas a Skaf que acreditam se tratar de jogo de cena.

O próprio vazamento da informação de que Gomes da Silva é o nome da preferência do presidente da Fiesp para ser seu sucessor é visto por muitos como parte do teatro. Outro ponto de interrogação importante é Benjamin Steinbruch. O “barão do aço” vem sendo cortejado por um grupo de empresários de oposição a Paulo Skaf para disputar a eleição. Steinbruch é visto como um nome de peso suficiente para galvanizar o apoio de figuras importantes do empresariado paulista, cooptar sindicatos dos mais diversos segmentos da indústria e, dessa maneira, cindir por dentro a poderosa máquina eleitoral montada por Skaf.

Steinbruch, ressalte-se, é vice-presidente licenciado da entidade desde 2018, quando teria rompido com Paulo Skaf. No entanto, há dúvidas dentro da própria Fiesp se o relacionamento entre ambos está realmente abalado ou não. Ou seja: Steinbruch é um enigma. Tanto pode ser o rival de Skaf ou de seu candidato como um importante aliado para que tudo fique como está na entidade. Outra incógnita: como seria a Fiesp de Benjamin Steinbruch?

O “barão do aço” manteria a instituição como base de atendimento dos pequenos sindicatos ou levaria de volta a entidade a algo mais próximo dos tempos de Horácio Lafer Piva, a última gestão que privilegiou o apoio à indústria? O primeiro significaria na prática, seguir com o modelo Skaf; já o segundo, sob certo aspecto, representaria a incorporação de uma parte do ideário do Iedi, que não deixa de ser um spinoff da própria Fiesp. E se Benjamin, a exemplo do próprio Skaf, tiver o interesse de transformar a entidade em plataforma para um projeto político? Nesse caso, todos os caminhos apontam na direção de Ciro Gomes. Em 2018, Steinbruch esteve cotado para ser o vice na chapa de Ciro. Talvez essa dobradinha não estivesse devidamente madura para ocorrer na ocasião.

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09.09.20

Sindicalismo de resultado

Um exemplo da anemia do trabalho frente ao capital: os 130 mil empregados da indústria química, petroquímica e de plásticos de São Paulo deverão aprovar, nesta semana, o Acordo Coletivo de Trabalho proposto costurado pelo sindicato patronal e pela Fiesp. O que sempre foi uma das mais demoradas e duras negociações entre empregados e patrões da indústria paulista virou um aperto de mão selado dois meses da data-base da categoria, em novembro.

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29.05.20

Falta um balanço social da pandemia

Se Betinho fosse vivo, estaria cobrando um balanço social da pandemia. Até o momento, não se tem qualquer ideia do estoque de doações do setor privado para o combate ao coronavírus e do impacto dos benefícios, que certamente não são pequenos. A iniciativa poderia ser capitaneada por uma entidade empresarial, a exemplo de Fiesp, Sistema S, Instituto Ethos etc etc.

Qual o valor total das contribuições? Quantos hospitais de campanha foram montados? Qual o volume total de equipamentos encaminhados ao governo – respiradores, leitos de UTI, máscaras? Quantas vidas foram salvas graças ao apoio do setor privado?

Basicamente, por ora a exposição das benfeitorias está restrita aos grandes campeões, leia-se as maiores empresas do país, que, não obstante o mérito, têm mais poder de fogo também para capitalizar os ganhos de imagem. Nem todos que estão colaborando conseguem veicular um comercial no intervalo do Jornal Nacional ou fazer um anúncio da página inteira em jornais. Há uma miríade de empresas de pequeno e médio porte em todo o Brasil que têm contribuído com ações contra a pandemia, uma corrente que não está sendo devidamente enxergada pela sociedade.

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13.04.20

Indústria vs. indústria

CNI, Fiesp e outras entidades do setor industrial pressionam o Ministério da Economia a voltar atrás na decisão de paralisar as consultas públicas para adesão ao Ex-Tarifário. Trata-se do regime tributário que permite às indústrias obterem redução do Imposto de Importação sobre máquinas e equipamentos de última geração sem produção nacional. Enquanto a medida perdurar, a empresa que cometer a ousadia de comprar maquinários no exterior terá de pagar a alíquota plena de 14%. Procurado, o Ministério da Economia confirma a medida, dizendo ter atendido a uma solicitação da Abimaq. Segundo a Pasta, com as restrições impostas pela Covid-19, “diversas empresas associadas concederam férias coletivas, impossibilitando o atendimento dos prazos de respostas às consultas públicas”. Línguas ferinas do setor industrial dizem que os fabricantes nacionais de máquinas se aproveitaram da Covid-19 para criar uma “quarentena de mercado”.

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06.02.20

A Fiesp e o rio do bom e do mau lobby

Observatório

Daniel Valente, economista e estudioso das políticas corporativas e de entidades patronais.

Uma boa questão foi levantada por três pesos pesados da indústria. As entidades de classe devem ser utilizadas para fins políticos? A entidade em questão é a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Os potentados empresariais são o ex-presidente da instituição, Horácio Lafer Piva, o empresário Pedro Passos (Natura) e o executivo Pedro Wongtschowski. Os dois últimos são considerados pensadores maiores da indústria nacional, juntamente com Paulo Cunha, que, assim como Wongtschowski, está ligado ao Grupo Ultra. Os três publicaram artigo na imprensa afirmando que a “Fiesp está em acelerado processo de destruição (… ) agora centrado na sua insignificância, num processo de autoengano que se repete ano após ano”.

Não é preciso ser bom entendedor para saber que o texto era uma condenação ao presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Em uma primeira análise, fazer política é função, sim, da entidade empresarial. Política no sentido de lobby, influência junto às autoridades governamentais, representação do setor no relacionamento  com os principais estamentos da República. Em bons tempos foi o que fez a Fiesp, assim como suas congêneres dos grandes estados e, em uma instância congregacional, a Confederação Nacional da Indústria. Na última segunda- feira (dia 3), Paulo Skaf promoveu um evento para selar o apoio do empresariado ao presidente Jair Bolsonaro. Colocou 300 dirigentes do setor privado no auditório, para um discurso  do capitão Jair, seguido de almoço. Até aí, é merecedor de todas as loas.

O que faz com que a iniciativa cruze o rio da boa e má política é o fato de que durante o encontro, no qual pouco se disse sobre a indústria, quem auferiu os dividendos todos foi Paulo Skaf, nomeado pelo presidente seu porta-voz junto ao empresariado. Convidar autoridades para regabofes não tem nada de original. No Rio de Janeiro, durante décadas o presidente da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), Teophilo Azeredo dos Santos, se notabilizou por realizar bimestre sim, outro também, um almoço de celebração dos manda- chuvas. Não consta que Teophilo, chamado por todos pelo primeiro nome, usasse os eventos para levantar recursos em causa própria para campanhas eleitorais ou afins.

O presidente da Fiesp já se candidatou ao governo de São Paulo três vezes. Em todas elas foi acusado de se beneficiar do cargo, sendo inclusive processado em uma das circunstâncias. Na última campanha, em 2018, chegou ao despropósito de criar uma vaquinha virtual para levantar recursos junto a funcionários do Sesi e Senai, do Sistema S,  do qual foi dirigente. Mesmo licenciado do cargo, Skaf passou o pires. O resultado foi a contribuição de 1.300 pessoas, sendo 54% funcionários do Sistema S. Tudo dentro da lei, que regulamenta o financiamento coletivo. Ora, fazer política empresarial dessa forma é romper com todos os princípios da boa norma. A Fiesp é cada vez mais uma instituição saudosa da entidade que já foi um dia. Mas Paulo Skaf ainda pode ter muitos anos à frente do seu mandato. Se depender da arraia-miúda que se acotovelou para festejar Bolsonaro, ele pode desde já fazer do cargo um posto vitalício.

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24.01.20

Skaf & Bolsonaro

A Fiesp vai destinar recursos para a campanha do governo federal de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. O mérito da iniciativa é indiscutível; assim como o empenho cada vez maior de Paulo Skaf de se aproximar de Jair Bolsonaro.

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Anúncio do ministro Guedes, de que o governo pedirá adesão formal ao Acordo de Compras Governamentais, que oferece tratamento isonômico a empresas nacionais e estrangeiras em licitações públicas, levará a questionamentos amanhã. Não somente a Guedes quanto ao presidente Bolsonaro.

A medida será saudada pela opinião púbica liberal e por parte da mídia e abrirá novo campo de ação – positivo –, já que teria grande impacto na economia e representaria transformação histórica nas práticas do setor público.

Ao mesmo tempo, o ministro e o presidente terão de responder a dúvidas que permanecem no ar, particularmente o receio de que a mudança prejudique a indústria brasileira. Manifestações de associações do setor, particularmente da Fiesp, serão termômetro importante, nesta quarta.

Também será cobrado do ministro um cronograma para implantação prática da iniciativa.

Outros dois temas levantados por Guedes pautarão o noticiário de amanhã:

1) Declaração de que pobreza é a maior responsável por problemas ambientais. Para além de reações negativas de hoje, deve haver olhar crítico, nesta quarta, tanto para políticas ambientais do governo (com o gancho da criação do Conselho da Amazônia, anunciada hoje) quanto para as sociais, que ainda aparecem como gargalos da atual gestão.

2) Previsão de que o PIB de 2019 virá com crescimento de 1,2% e o de 2020 em 2,5%. Apesar de divergências, mercado tende a corroborar previsões para 2020, amanhã, mas Monitor do PIB da FGV lançou incerteza significativa quanto a crescimento para além de 1% em 2019.

Greenwald, MPF e reação internacional

Indiciamento do jornalista Glenn Greenwald pelo MPF de Brasília levará a novos questionamentos acerca de suposto corporativismo do Ministério Público.  Além da reação de entidades de Imprensa, resposta internacional tende a ser negativa, como já demonstra a abordagem inicial do relator da ONU sobre liberdade de expressão, David Kaye.

O ministro Gilmar Mendes subiu o tom, e afirmou que a denúncia afronta sua decisão , que havia proibido investigações sobre Greenwald.

Cultura e educação: sinais de fumaça

Continuarão em foco amanhã as áreas: 1) Da cultura, com expectativa de que Regina Duarte comece a delinear, mesmo que em declarações de bastidores, sua visão da pasta e de seu período de testes na secretaria; 2) Da educação, com questionamentos ao Sisu, sistema que proporciona a inscrição de alunos aprovados pelo Enem em Universidades Públicas e que apresentou problemas hoje – somados a dúvidas que ainda pairam sobre erros em correção de provas do próprio Enem.

Denúncia impactará a Vale

A Vale sofrerá forte desgaste amanhã – em termos de imagem e no mercado – com denúncia do Ministério Público de Minas contra  16 ex-funcionários da empresa e da Tüv Süd por homicídio duplamente qualificado e crimes ambientais decorrentes do rompimento da barragem em Brumadinho. O maior impacto virá de acusações de que a companhia ocultou informações sobre o risco de barragens.

A indústria no Brasil e o mercado imobiliário nos EUA

No Brasil, destaque amanhã para a prévia da sondagem da indústria, primeira avaliação do setor pela FGV em 2020.

O índice fechou 2019 bem, com alta de 3,2 em dezembro, atingindo o patamar de 95,5 pontos e registrando avanço em todos os quesitos (destaque para expectativas de volume de pessoal ocupado, que chegaram a 97,2 pontos), menos no Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI), que recuou 0,2 ponto.

De lá para cá, no entanto, surgiram dúvidas quanto ao fôlego do setor, de modo que a sondagem de janeiro terá papel importante para estabelecer projeções do ano corrente.

No exterior, a conferir a Venda de Casas Usadas nos EUA, em dezembro, para a qual se espera crescimento acima de 1% após queda acima da esperada pelo mercado em dezembro, de 1,7%.

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14.01.20

Falta um backlog de projetos

Observatório

Por Daniel Valente, economista e estudioso das políticas corporativas e de entidades patronais.

As entidades empresariais, notadamente as da indústria – Fiesp, Firjan, Fiergs –, têm alguma tradição de apresentar relatórios ao governo sobre potenciais investimentos que poderiam ser realizados nos seus estados. Em coluna recente aqui no Observatório, elogiei a iniciativa da Casa Firjan nessa direção. Entretanto, identificar oportunidades tornou-se uma medida insuficiente. Muitas vezes equivale a mostrar uma praia vazia e dizer: olha, ali tem tório, césio e vermiculita; fique à disposição para explorar. O que fica faltando mesmo é a apresentação do projeto completo – engenharia, business plan, projeto financeiro etc. –, em especial na área de infraestrutura. O Brasil não tem um backlog de projetos.

A palavra greenfield pode ser confundida com grife de camisa ou outro artefato qualquer. E os poucos projetos que estão estruturados encontram-se dispersos. Não há um banco de dados de empreendimentos de infraestrutura  no qual o investidor estrangeiro pudesse consultar a seu bel-prazer sobre projetos detalhados em logística, telemática, energia e saneamento. As entidades empresariais poderiam cumprir esse papel de mastigar para o capital estrangeiro cada um dos investimentos. Em princípio, isso caberia às agremiações da indústria. Mais idealmente participariam todas as federações e confederações de porte. Essas entidades criariam um fundo de consultoria de projetos, com o objetivo de detalhar as oportunidades identificadas.

A China tem um banco de dados de empreendimentos com mais de cinco milhares de plantas prontas para o investidor. O fundo poderia ter uma reserva de recursos para elaboração de projetos em estados de menor atratividade. E representaria o ingresso definitivo das entidades empresariais na engenharia de negócios. Além de forte suporte ao governo, seria ferramenta para roadshows e ações de diplomacia empresarial. E uma parceria com o BNDES não deveria ser descartada. Por que não? O BNDES transformando-se prioritariamente em banco de projetos, e as entidades patronais como contribuintes e gestora do fundo responsável pelo desenho das plantas e organização do banco de dados. Não adianta ficar acenando para o capital estrangeiro se não se tem nada pronto para entregar a ele.

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06.01.20

Uma “parceria público-privada” pela extinção do INPI

Há um frentão público-privado contra o INPI. CNI, Fiesp, entidades do agronegócio, Ministérios da Economia e da Agricultura e bancada ruralista, entre outros atores, estão se unindo em uma forte campanha pela extinção do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. A coalizão – articulada pelo próprio ministro Paulo Guedes e pelo Secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos Costa – tem como objetivo a aprovação da Medida Provisória em gestação no Ministério da Economia que dá um ponto final ao INPI. A MP prevê a transferências das atribuições da autarquia para uma revigorada Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), do Sistema S. Além da indústria – a mais atingida pela letargia do Instituto –, chama a atenção o peso com o que o agronegócio entrou na campanha pela extinção da autarquia. Os produtores rurais enxergam no INPI um vilão, que, ainda que por vias oblíquas, tem feito o jogo das grandes multinacionais de agrociência. A barafunda de consultas e processos que não raramente se arrastam por mais de uma década é uma das principais razões para o crescente grau de judicialização do agronegócio na esfera da propriedade industrial. Os tribunais estão apinhado de ações de produtores rurais contra empresas como Bayer, Syngenta etc etc. O agronegócio acusa esses grupos de cobrarem royalties por patentes que já caducaram. O contencioso mais grave diz respeito à semente de soja transgênica Round Up, produzida pela Monsanto, adquirida pela Bayer em 2018. As disputas judiciais relativas aos royalties do produto somam mais de R$ 15 bilhões.

Talvez seja apenas coincidência; talvez, não. Em meio às articulações para o fim do INPI, o RR tem a informação de que o governo brasileiro não pretende apresentar candidatura própria para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial da Propriedade Industrial (OMPI) – a eleição será realizada em setembro. Roberto Jaguaribe, ex-presidente do próprio INPI no governo Lula, era o nome mais cotado para disputar o cargo. De acordo com a mesma fonte, José Graça Aranha, atual representante da OMPI no Brasil, também vinha trabalhando sua candidatura dentro do Itamaraty. Deve ficar para a próxima…

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