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09.01.20

Desemprego, quem diria, “faz a festa” do governo

Ainda na rebarba do “Natal do FGTS”, o governo espera uma taxa de desemprego de 10,9% no mês de dezembro. Apesar do índice ainda ser alto, é algo a ser festejado com palmas. Como disse o subsecretário de Política Macroeconômica do Ministério da Economia, Wladimir Teles, funcionou além das expectativas o choque de liberação de recursos do FGTS. Essa medida, quem diria, já foi chamada de “keynesianismo bastardo” pela turma de Chicago.

A queda da desocupação vem junto com uma provável expansão do PIB, que subiria de uma previsão de 1,2%, em 2019, para 1,4%. São frações quase microscópicas, mas que podem ser lidas como tendências. Devidamente “marketadas”, resultam em ganho político nada desprezível para o governo. Afinal, o desemprego é a saúva da gestão Bolsonaro e a sarna do discurso liberal do ministro Paulo Guedes. Mesmo que a desocupação possa em parte ser provocada por componentes estruturais, fatores exógenos e outras tecnicalidades, justificá-la dessa forma é fazer troça com cinco milhões de pessoas que, no 3° trimestre de 2019, procuravam emprego há 12 meses, segundo dados do Dieese. Só se justifica o desemprego com mais emprego.

É a única linguagem. Em novembro, o índice de desemprego (IBGE) foi de 11,2%, caindo 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior, de 11,8%. Trata-se da menor taxa desde o trimestre encerrado em março. Seja qual for o ângulo que se enxergue, o desemprego deu uma aliviada. Segundo o boletim da LCA Consultores, em dezembro, o Indicador Antecedente de Emprego (IA-Emp) da FGV avançou 1,7% m/m, após subir 3% no mês anterior. A LCA projeta uma taxa de desemprego de 11% no trimestre móvel encerrado em dezembro (11,6% com ajuste sazonal).

A variável mestra agora é o fator resiliência. Até que ponto os números dos últimos três meses não vão sentar na gangorra de índices que perdurou durante boa parte de 2019? É sabido que o FGTS não é uma drágea para ser tomada repetidas vezes. De qualquer forma, há uma brisa fresca no setor, e o governo ainda tem muitos instrumentos para manobrar, a exemplo da área de crédito. Quem se lembra do refinanciamento compensatório de Ciro Gomes, que limpava a ficha dos consumidores no SPC? Economia é assim: sai do inferno para um resort em Salvador.

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17.12.19

Cobertor curto

Com a nova lei do FGTS, que eleva o volume de saque imediato de R$ 500 para R$ 998, a liquidez do fundo deverá baixar dos previstos R$ 120 bilhões para cerca de R$ 89 bilhões em 2020. O número, que ainda será oficialmente divulgado, foi obtido pelo RR junto a um integrante do Conselho Curador do FGTS. De um lado, mais dinheiro para as famílias; do outro, menos recursos para investimentos em infraestrutura, na casa própria e em outros destinos do FGTS. Não dá para ter tudo.

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13.12.19

A Caixa vai falar. Vai mesmo?

30 de janeiro de 2020. Esse será o dia da lavagem de roupa suja no Conselho Curador do FGTS. O RR apurou que o colegiado vai se reunir nessa data para a Caixa Econômica apresentar um relatório detalhado sobre investimentos com recursos do fundo, notadamente na área imobiliária. O assunto é um caco de vidro dentro Conselho. Os seis representantes do empresariado e das centrais sindicais no colegiado têm cobrado sistematicamente do banco estatal esclarecimentos sobre as aplicações – ver RR de 4 de novembro.

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12.12.19

O PIB, o pibinho e a falta de emprego

Observatório

Por Isaak Kaleh, economista.

O PIB vai andando a passos de cágado, mas vai andando. Para esse ano os dados já estão jogados. Começamos 2019 com animadas projeções que alcançavam até 2%. Fomos descendo step by step até uma expectativa de 0,7%, com viés de queda, até estacionarmos em 0,8% depois do segundo semestre. Daí saltamos para uma projeção do Boletim Focus de 0,99%. E aguarda-se, com firmeza, um PIB de 1%, podendo chegar a alguma fraçãozinha a mais de 1,10%, segundo a rodada de 9/12 do Boletim Focus.

Quem está vivendo o annus horribilis de 2019 sabe que esse modesto índice é uma verdadeira conquista. O probabilíssimo 1% é puxado pela atividade doméstica, notadamente pelo comércio e setor terciário. O governo deu uma mãozinha permitindo o saque antecipado do FGTS e do Pis/Pasep, e aprovando o décimo terceiro para o Bolsa Família. Os investimentos em capital fixo, que permitem o crescimento com sustentabilidade, permaneceram ausentes. A contribuição das exportações caíram como há muito não se via. A Indústria permanece como um setor carente de estímulo e vai se africanizando com o passar do tempo. De resto, os setores financeiro e agropecuário deverão dar sua contribuição positiva.

O agronegócio, que em 2018 cresceu um baixinho 1%, neste ano deverá se expandir 1,4%. É uma pena que o segmento gere pouco emprego devido a sua alta mecanização. O setor financeiro persiste ampliando sua participação como subsegmento do setor de comércio, com lucros estratosféricos, mas é incapaz de empurrar o PIB devido a sua precária participação no cálculo do índice. O resultado desse glorioso pibinho não é animador quando se pensa no seu impacto social. A probabilidade maior é que ele aumente a taxa de ocupação precária e mantenha o desemprego nos atuais 12%. É muito pouco para um país que pretende se livrar da sua presença nos rankings mais vergonhosos do conjunto das nações.

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11.11.19

Trava de segurança no FGTS

A base governista no Congresso articula uma sutil mudança na MP 889/19, que altera as regras para os saques do FGTS e foi aprovada em Comissão Especial na Câmara. Trata-se da inclusão de uma trava para o mandato dos representantes dos trabalhadores e do empresariado no Conselho Curador do Fundo. O governo quer limitar o prazo de permanência a quatro anos. Hoje, não há restrição. Quem chega pode ir ficando…

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04.11.19

Caixa deixa Conselho do FGTS falando sozinho

A julgar pela postura da Caixa Econômica, talvez seja melhor extinguir de vez o Conselho Curador do FGTS – já reduzido de 24 para 12 componentes pelo governo Bolsonaro. O banco tem feito ouvidos de mercador a pedidos do colegiado por disclosure na aplicação de recursos do Fundo. Segundo relato de um conselheiro ao RR, os seis representantes do empresariado e das centrais sindicais vão cobrar formalmente na próxima reunião a apresentação de um informe detalhado de aportes de R$ 10 bilhões do FGTS em um fundo imobiliário. Querem detalhes sobre projetos contemplados, rentabilidade e resgastes. Não será a primeira vez. De acordo com a mesma fonte, há três meses estes conselheiros solicitaram as mesmas informações e, até o momento, não foram atendidos. Procurada, a Caixa não quis se pronunciar.

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10.09.19

Reserva de mercado

A bancada governista já foi acionada para derrubar quatro propostas de emenda de José Serra para a MP 889/19, que estabelece novas regras para saques do FGTS. O senador tucano não apenas propõe a substituição do Fundo de Garantia pelo Fundo de Investimento do Trabalhador (FIT) como prevê que qualquer instituição financeira pode assumir sua gestão. Seria um baque e tanto para a Caixa Econômica, administradora do FGTS.

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31.07.19

FGTS da discórdia

Começou, mas não terminou a reunião do Conselho Curador do FGTS, ontem, em Brasília. Integrantes do colegiado se recusaram a votar o orçamento para 2020 alegando uma série de inconsistências nas projeções apresentadas pela Caixa Econômica, responsável pela gestão do Fundo de Garantia. Um dos números mais contestados foi a previsão para os honorários de sucumbência, da ordem de R$ 700 milhões. Uma nova reunião deverá ser marcada para a segunda semana de agosto.

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25.07.19

Legado Campos

O achado social e político de Paulo Guedes, criando uma modalidade de saque anual do FGTS para todos os trabalhadores, merece loas, mas não chega a ser tão original assim. O mentor de Guedes, o ex-ministro do Planejamento Roberto Campos, nos idos de 1995, fez uma proposta similar de saques anuais, logo rechaçada por meio mundo. Se dependesse de Campos, juntamente com José Luiz Bulhões Pedreira um dos criadores do FGTS, a criatura, inclusive, já estaria morta. Em tempo: não custa recordar que foi Henrique Meirelles o primeiro a tirar uma casquinha das siderúrgicas regras de saque instituindo a transferência da rentabilidade do Fundo para o trabalhador.

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19.07.19

Saques do FGTS II, a missão

A bola dos saques antecipados do FGTS está sendo jogada de um lado para outro no pingue-pongue entre o Palácio do Planalto e o Ministério da Economia. Para ser mais preciso entre as áreas de comunicação de ambos. A discussão – determinante para o adiamento do anúncio da medida para a próxima semana – envolve a realização de campanha televisiva, site com a disponibilização dos nomes dos beneficiários e uso intensivo da rede. A questão é a mesma que o RR tangenciou na edição de ontem: os saques de recursos do FGTS e do PIS/Pasep podem ter tanto finalidade de estímulo ao consumo quanto de muleta fiscal. O governo nas suas internas acredita que o dono do dinheiro somente vai sacar algo em torno de R$ 2 bilhões dos mais de R$ 30 bilhões disponibilizados. O sujeito simplesmente esquece que a grana é dele. Como o governo coloca um prazo máximo para o resgate e finge que lembra o indivíduo, a dinheirama é toda carreada para o triângulo das bermudas da meta do déficit primário, teto dos gastos e regra de ouro. Repita-se aqui que a praxe até agora é confiscar os recursos do dono através do sibilino expediente do desmemoriamento. Mas o RR não acredita que Paulo Guedes pretenda ir por esse caminho.

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