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01.11.19

Pós-Previdência: teste para as apostas de Paulo Guedes

Termômetro

Pacote de medidas do Ministério da Economia, que marcará os 300 dias do governo Bolsonaro, no início da semana que vem, já estará em destaque de amanhã até segunda-feira. Ao que tudo indica, aparecerão como prioridade para o governo, centralizando discussões:

1)  O novo pacto federativo. Ênfase no chamado DDD (Desvinculação, Desindexação, Desobrigação), medida de grande impacto e que sempre esteve no centro do projeto de reforma do ministro Guedes.

2) Corte linear de 10% em todos os incentivos tributários em vigor e mudanças no Simples e na desoneração da cesta básica. Ainda embrionário, pode não vingar a depender de repercussão inicial. Especialmente o fim de desoneração na cesta básica.

3) Reforma Administrativa – que já vem sendo detalhada nas últimas semanas – e pacote de estímulo ao emprego. Este último deve ter como foco a desoneração da folha em contratos de pessoas até 27 anos ou acima de 55. Trata-se de iniciativa ainda muito pouco sedimentada, que pode sofrer críticas. A conferir.

Vazamento de óleo: governo ganha iniciativa

Descoberta de que navio grego seria a origem do vazamento de óleo que ainda se espalha pela costa do Nordeste, se confirmada, devolverá iniciativa ao governo e ao Ministério do Meio Ambiente, amanhã. E governo ainda ganhará novo trunfo, em tema paralelo: queimadas na Amazônia caíram para o menor número, em outubro, desde 1998.

Isso posto, imagem do ministro Salles e da área ambiental do governo como um todo se mantém muito negativa. Ou seja, se o ministro fugir do discurso técnico – e do enfrentamento do desastre – perderá boa parte do impacto positivo. Até porque noticiário dando conta de consequências do vazamento em áreas turísticas continuará – e pode piorar.

Oposição se movimenta

Psol deve assumir a frente, nos próximos dias, de movimentações quanto aos dois temas que geraram desgaste para o presidente:

1) Citação de Bolsonaro em investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco. Repercussão se concentrará em críticas à perícia – já encampadas pela mídia –  e à atuação da promotora Carmem Eliza Bastos, do MP-RJ. A promotora pediu afastamento do caso após ter sua neutralidade questionada pelo partido – tem fotos com deputado que rasgou placa de Marielle e com camisa estampando o presidente Bolsonaro. Estará em jogo uma disputa de narrativas.

2) Processo contra o deputado Eduardo Bolsonaro no conselho de ética da Câmara, em decorrência de declaração aventando novo AI-5. Variável a ser observada, de amanhã até segunda feira, serão declarações de lideranças partidárias, membros do conselho de ética e do presidente Rodrigo Maia.

Brasil X Argentina

Estará no radar, amanhã, nova sinalização do presidente eleito argentino, Alberto Fernández, sobre relação com o Brasil, após notícia de que o presidente Bolsonaro não comparecerá a sua posse. Se mantiver silêncio ou se manifestar de forma serena, salientando importância das relações bilaterais, indicará possibilidade de relação pragmática. Outro ponto sobre o qual pode haver novidades é confirmação, pelo Brasil, de quem será o representante na posse.

Adélio Bispo e facada no presidente

Não há novidade na apuração, mas anúncio de advogado confirmando que abandonará o caso chama atenção para o tema. Pelo grau de polêmica envolvido, vale atenção para desdobramentos.

Guerra Comercial se arrefece?

Declarações do governo chinês têm recepção positiva e devem acalmar temores acerca de guerra comercial com os EUA. Após uma ligação do representante comercial e do secretário do Tesouro dos EUA com o vice-primeiro-ministro chinês Liu He, o Ministério do Comércio da China afirmou que ambos os lados chegaram a “um consenso sobre princípios”. Se houver maior detalhamento acerca de tal consenso, amanhã e domingo, pode haver efeito muito positivo em bolsas globais, na segunda-feira.

Europa, EUA, China: sinais para 2020

Vale destacar, entre os indicadores internacionais que sairão na próxima segunda:

1) PMI Industrial da Alemanha para outubro. Deve haver estabilidade com viés de alta, em 42,0. Número, bem abaixo da faixa dos 50 pontos, confirma visão negativa do setor.

2) PMI Industrial e Confiança do Investidor do Instituto Sentix da Zona do Euro para novembro. Número do PMI também deve se manter negativo (abaixo de 50), mas em patamar um pouco melhor (evolução de 45,7 para 46). Já a Confiança, ainda que melhore, evidenciará forte insegurança de investidores com a economia europeia. Projeta-se algo em torno de – 13 pontos.

3) PMI Serviços (Caixin) da China em outubro. Número em aberto, mas principal aposta é em equilíbrio na faixa de 51 para 52 pontos. Vale atenção porque o número caiu quase um ponto entre agosto e setembro.

4) Encomendas à indústria nos EUA, em setembro. Expectativa é por número bastante negativo, com nova queda, de 0,6% (frente a recuo de 0,1% em agosto). Acenderia o sinal amarelo em relação ao setor.

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31.10.19

Mobilização contra Eduardo Bolsonaro

Termômetro

Declaração de Eduardo Bolsonaro indicando possibilidade de novo AI 5 “caso esquerda radicalize” vai mobilizar tanto o Congresso quanto a mídia, amanhã. Há sinais de que o presidente Rodrigo Maia, apoiado pelo centrão, por partidos de oposição e por parte do próprio PSL, buscará iniciativa mais dura contra Eduardo. Há possibilidade de que se ponha na mesa processo de cassação do parlamentar, mesmo com pedido de desculpas, agora à noite.

Já a mídia tende, majoritariamente, ao repúdio veemente à declaração de Eduardo, por meio de matérias, analistas e espaços para manifestações institucionais – como as da OAB e de membros do STF. Tendência é de apoio à cassação ou de punição que imponha freio a manifestações consideradas antidemocráticas. Ao mesmo tempo, deve dissociar a questão da defesa das próximas reformas – administrativa e pacto federativo, visando controle de gastos públicos e aumento de repasses federais para estados e municípios.

Nesse sentido, delineia-se clivagem entre a ala política do Planalto e o ministro Paulo Guedes, visando blindá-lo. O mesmo vale para movimentações no Parlamento: qualquer ameaça às reformas gerada por desestabilização do ambiente político será condenada, ainda que responsabilidade seja atribuída a Eduardo e ao próprio presidente.

Bolsonaro, justamente, também será cobrado por posição mais contundente – e definitiva – sobre a declaração do filho. Condenação da fala de Eduardo, ainda que de maneira ríspida e ameaçando encerrar entrevista, teve recepção razoável, mas ainda assim já seria insuficiente. Cenário vai piorar se o presidente mantiver tentativa subsequente, alegando que declarações do filho foram mal interpretadas. Pode diminuir a pressão amanhã, ou aumentá-la. A conferir.

Por fim, vale atenção para outros três pontos:

1) Como o caso influirá em embate interno no PSL e na manutenção de Eduardo na liderança do partido na Câmara. Bem como no comando do diretório em São Paulo.

2) Reação de alas militares, dentro e fora do governo, que parecem cada vez mais divididas. O grupo mais próximo ao presidente, ao que parece, será representado pelo general Heleno. Momento é delicado até porque, junto à polêmica ligada ao AI 5, ganham força críticas internas de associações de suboficiais. Acusam o governo e a cúpula das Forças Armadas de privilegiarem oficiais de alta patente na reforma da previdência militar. Tema pode se imiscuir no debate, amanhã.

3) Apesar de perder força hoje, apuração ligada ao assassinato da vereadora Marielle Franco ainda terá desdobramentos. E ajudará a radicalizar o ambiente político.

Partido Novo afasta Salles

Ministro do Meio Ambiente voltará ao centro das atenções, nesta sexta, devido à iniciativa de seu próprio partido (Novo), que decidiu suspendê-lo, há pouco.

Tendências na indústria

Saem nesta sexta-feira alguns números importantes do setor industrial, nacionalmente:

1) A PIM Produção Física de setembro (IBGE). Espera-se resultado positivo, com novo crescimento (0,9%, após alta de 0,8% em agosto). A destacar também previsões de salto – entre 1,5% e 1,9% – sobre setembro de 2018. Número seria bastante significativo, já que reverteria tendência anual . Houve queda de 2,3% em agosto, 2,5% em julho e 5,9% em junho, sobre os mesmos meses de 2018.

2) Utilização da Capacidade de setembro (CNI). Interessante avaliar se os números corroboram momento positivo para o setor industrial. Em agosto já houve avanços, com aumento em horas trabalhadas, faturamento e Utilização da Capacidade Instalada (que superou 78%).

3) Venda de Veículos (Fenabrave) de outubro. Resultados de setembro foram positivos, com alta de 10,1%. Mas dados precisam ser pesados, também, em função de resultados de exportações. Trata-se de área na qual retração do mercado argentino tem forte impacto para o Brasil.

Nesse âmbito, previsões são negativas. Números da Balança Comercial de Outubro (MDIC), que serão divulgados amanhã, devem trazer superávit entre 1,2 e 1,7 bilhão, o que significaria forte recuo frente a setembro (2,25 bilhões).

Por fim, deve ter repercussão nesta sexta estudo da Firjan abordando a situação fiscal dos estados. O levantamento dará força à inclusão dos mesmos na reforma da Previdência, através da PEC Paralela. Isso porque dados apontarão para a mudança de situação crítica para em dificuldade em relação a 70% das unidades da Federação.

Trump e o Impeachment: democratas confiantes

Votação na Câmara de Deputados, dominada pelo Partido Democrata, basicamente oficializa o processo de impeachment nos EUA. Daqui para a frente, inquérito e audiências podem ser abertos ao público. Iniciativa será interpretada como sinal de confiança dos democratas na solidez das investigações. E deve aprofundar esgarçamento institucional, já que o presidente Trump indica que, mesmo com votação, manterá estratégia de deslegitimar o processo.

Emprego estável nos EUA

Serão divulgados amanhã o Relatório de Emprego de outubro e o Índice de Atividade dos Gerentes de Compras Industrial ISM de Outubro, nos Estados Unidos. Expectativa é de que a taxa de desemprego se mantenha baixa, praticamente estável (3,6% contra 3,5% em setembro). Salários também tendem para alta, em torno de 3%. De negativo, apenas a provável desaceleração na taxa de expansão da folha de pagamento. Já no que se refere ao Índice ISM, previsão é de avanço (49,0 frente a 47,8 em setembro), mas ainda abaixo de 50 pontos.

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Pode-se esperar, nesta terça, destaque para acordos com a Arábia Saudita. Darão sequência à boa repercussão, hoje, para entendimentos com os Emirados Árabes, centrados na área de Defesa. O mesmo setor estará em foco amanhã, com maior ênfase na possível compra de aeronaves militares da Embraer (o recém-lançado KC390). Novos anúncios fortaleceriam posição – e ações – da Embraer. Ainda na pauta da Arábia Saudita, outros dois pontos centrais:

1) Apaziguar resquícios de mal-estar com proposta, no início do mandato de Bolsonaro, de transferir Embaixada brasileira em Israel para Jerusalém. E, assim, garantir o forte mercado para a venda de carne bovina brasileira;

2) Atração de investimentos para obras de infraestrutura no Brasil. Trata-se de tema-chave para a viagem de Bolsonaro e, ao mesmo tempo, aquele no qual foram feitos menos anúncios concretos.

Argentina: equilíbrio instável

Após rescaldo com declarações iniciais de parte a parte, amanhã será dia-chave para se mapear o futuro das relações Brasil-Argentina. E, consequentemente, tanto do Mercosul quanto do tratado com a União Europeia.

Por um lado, espera-se de Fernández, o presidente eleito na Argentina, uma sinalização mais direta sobre intenções em relação ao acordo com europeus. Através desse tema, tende a ser dado, também, recado sobre posições econômicas e grau de beligerância frente ao governo Bolsonaro. Há expectativa por tom mais conciliador de Fernández, em comparação com o histórico de Cristina Kirchner.

Da parte do Brasil, a questão amanhã será se o presidente Bolsonaro deixará que o tema migre para a equipe econômica, evitando abordagem mais ideológica que assumiu no primeiro momento. E que foi mimetizada pelo ministro Ernesto Araújo. Mas aposta nesse sentido ainda parece incerta.

Vale atenção, também, para novas manifestações de autoridades da União Europeia, a depender do desenrolar dos acontecimentos. Hoje a Comissão Europeia garantiu que continua trabalhando com o objetivo de ratificar o acordo rapidamente.

Queiroz e a ofensiva como estratégia

Um fator de grande risco político, amanhã, são vazamentos de áudios do ex-funcionário do gabinete de Flavio Bolsonaro, Fabricio Queiroz, mostrando proximidade com o presidente. Mais trechos foram divulgados hoje.

Como o modus operandi do presidente é sempre ofensivo e ele parece evitar ataques diretos a Queiroz, noticiário negativo pode alimentar declarações polêmicas sobre outros temas. Visariam agradar o núcleo duro que o apoia. Alvos mais evidentes seriam, justamente, a própria Argentina, bem como embate interno com o PSL, conflagrando novamente o ambiente político. Já houve “prévia” dessa possibilidade com post no Twitter hoje, incluindo menção ao STF, posteriormente apagado. É possível também que o presidente aborde assunto, já com destaque na mídia, que pode ter novidades nesta terça: depoimento do empresário “Rei Arthur”, nos EUA, confirmando compra de votos para garantir vitória do Rio em candidatura Olímpica.

Reforma Administrativa

Pode avançar amanhã articulação do governo no Congresso – particularmente junto a Rodrigo Maia – para tramitação da Reforma Administrativa. Ao divulgar estudo sobre crescimento do número de servidores públicos – e de salários –, hoje, o governo indica que o tema está no topo da lista pós-Previdência.

Nesse sentido, vale observar com muita atenção o tom inicial, caso o Governo ou Maia assumam agenda e cronograma minimamente delimitados. Será delicada – e perigosa – a fronteira entre apontar privilégios, que funcionou com a Previdência, e a imagem de que desvaloriza servidores. Professores, por exemplo, seriam rapidamente escolhidos pela oposição como símbolos.

Também se espera, nesta terça, indicações sobre o cenário, no Senado e na Câmara, para votação da PEC Paralela – que incluiria estados na reforma da Previdência – e novo pacto federativo, atual menina dos olhos do ministro Guedes.

Indústria e situação fiscal dos Estados

Sairão amanhã a Sondagem da Indústria de outubro, da FGV, e o Relatório de Gestão Fiscal (Estados e DF), da Secretaria do Tesouro Nacional. No que se refere à indústria, expectativa dada pela prévia da FGV, semana passada, é de segundo recuo seguido (na casa de 1,2 pontos), apesar de leve variação positiva no Nível de Utilização da Capacidade Instalada. Confirmado, seria indicação bastante negativa sobre confiança do setor e projeção de investimentos no último trimestre de 2019 – e início de 2020.

Já o Relatório do Tesouro Nacional deve ter repercussão na mídia, funcionando como argumentação tanto em prol da reforma da Previdência em estados quanto da reforma administrativa federal. Isso porque números detalharão gastos com pessoal, frente à receita corrente líquida.

Novos dados dos EUA

Nos EUA, serão divulgados nesta terça: 1) a Venda Pendente de Moradias em setembro, boa medida da saúde do mercado imobiliário. Espera-se crescimento entre 0,6% e 0,7%, frente a 1,6% de agosto. 2) Confiança do Consumidor Conference Board, que deve vir com alta significativa – de 125,1 para em torno de 128 pontos.

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09.12.16

Trump não é Reagan. Pena!

O diretor do Centro de Estudos FGV – Crescimento e Desenvolvimento, Roberto Castello Branco, bateu um papinho rápido com o RR sobre a “Trumpmania”. Ele colocou no lugar certo as elucubrações que o RR insistia em fazer sobre pontos em comum entre Donald Trump e Ronald Reagan. São palavras do economista:

“Reagan, antes de ser presidente, foi governador da Califórnia por oito anos, onde fez uma boa gestão. Apesar de muito firme em suas ideias, era um conciliador. A evidência disso é que atraia simpatizantes do Partido Democrata. Uma arma para ganhar eleições se constituía nos chamados ‘Reagan Democrats’.

Trump, por sua vez, não tem qualquer experiência política ou na gestão pública. Mesmo sua trajetória como homem de negócios é no mínimo controvertida e, como sabemos, desperta ódio até mesmo no Partido Republicano. Trump é protecionista; Reagan era a favor do livre comércio. Quando Reagan e Gorbachev se encontraram pela primeira vez, Reagan chamou o russo para um bate papo informal. Disse que ambos haviam nascido em cidadezinhas cujos nomes não se sabia e que, na juventude, ninguém daria nada pelos dois. No entanto, naquele instante estavam ali como homens com poder para destruir o mundo. Então, propôs Reagan, era hora de ambos voltarem a serem homens simples e chegarem a um acordo razoável para seus países.

Faço essas miúdas reflexões, relembrando o almoço de que participei em 1990 no The Plaza, em Nova York, com a presença de Fernando Collor e Trump. Ele já era um empresário famoso, mas nunca pensei que fosse dar tanto o que falar…”

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22.11.16

Uma tradução diferente do governo Trump

 Nem tudo que vem de Mario Garnero merece crédito. Mas se há um assunto que ele domina com autoridade é geopolítica, especialmente a norte-americana. O empresário brasileiro com mais acesso a ex-presidentes dos Estados Unidos joga água fria nas previsões catastróficas que pululam no mercado a reboque da eleição de Donald Trump. Para Garnero, o candidato das promessas polêmicas dará lugar a um presidente pragmático, um caçador de resultados. Diferentemente do que muitos pregam, o empresário não espera mudanças substanciais nas relações econômicas com os Estados Unidos. Ele acredita que a manutenção e até mesmo a expansão dos acordos comerciais entre os dois países dependerá mais da solução da grave crise econômica brasileira do que de questões exógenas.

 Mario Garnero tem especial habilidade em psicografar governos republicanos. Coincidência ou não, seus principais relacionamentos políticos e empresariais na América se aninham no partido, um naipe que vai de George Schultz, ex-secretário de Estado e do Tesouro, a Ronald Reagan e, sobretudo, o clã dos Bush – houve um tempo em que George Bush era figurinha carimbada dos convescotes empresariais que a Brasilinvest, de Garnero, costuma organizar mundo afora. Acredite quem quiser: foi ele que fez a aproximação do governo Lula com George W. Bush a pedido de José Dirceu. Garnero também tocava de ouvido com o vice-presidente Dick Cheney. Não se pode, portanto, desprezar seu feeling em relação à política externa do novo governo norte-americano. Garnero aposta suas fichas que Trump não adotará medidas excessivamente protecionistas capazes de causar estrago no tabuleiro do comércio internacional. Em outras palavras: candidato é candidato e presidente é presidente. Até parece que fala em nome do departamento de estado norte-americano.

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10.11.16

Todos os homens do presidente Trump

 A eleição de Donald Trump já pertence aos livros de história. A partir da agora, a pergunta é outra: quais serão os homens mais poderosos do mais poderoso dos homens? Blogs norte-americanos, como o Politico.com, já começam a montar o quebra-cabeças do futuro secretariado. Alguns nomes são tratados como pule de dez; outros como fortes probabilidades, sempre com as devidas ressalvas – não custa lembrar que o próprio Trump, há poucos dias, tinha 30% de chance de ser eleito. As maiores expectativas se concentram na escolha dos secretários de Estado e de Defesa. No primeiro caso, o mais cotado é o ex-presidente da Câmara dos Representantes, Newt Gingrich. Em comum com Trump, o estilo agressivo e o gosto por declarações polêmicas. No ano passado, disse que a ONU é um órgão ineficiente e corrupto. Outro postulante é o presidente do Comitê das Relações Exteriores do Senado, Bob Corker. Para a Defesa, as apostas recaem sobre o senador Jeff Sessions, ex-conselheiro para a segurança nacional, e o ex-senador Jim Talent.  A Secretaria do Tesouro deverá manter a tradição, especialmente entre os republicanos, da porta giratória entre o mercado financeiro e Washington. O favorito é o diretor financeiro da campanha de Trump, Steven Mnuchin, que passou pela Goldman Sachs e recentemente comandava a Dune Capital Management. Para o posto de secretário do Interior, o mais cotado também vem da iniciativa privada: Forrest Lucas, fundador da petrolífera Lucas Oil. Corre por fora Robert Grady, ex-oficial da Casa Branca no governo George Bush. Para a nevrálgica Secretaria de Comércio, quem é apontado como principal candidato é Wilbur Ross, que guarda alguma familiaridade com o discurso de Trump de proteção às corporações nacionais e de recuperação de empregos. Investidor agressivo, conhecido por aquisições alavancadas de empresas em dificuldade, Ross tem um longo histórico de reestruturações corporativas.  Uma personagem cercada de polêmica, bem ao estilo Trump, é Myron Bell, cotada para o comando da Agência de Proteção do Ambiente. Bell é conhecida por ruborizar os verdes. Já insinuou que o aquecimento global é uma fraude da União Europeia para prejudicar a economia norte-americana. Outra peça controversa é Boris Epshteyn, um jovem de 34 anos. Nos Estados Unidos não há muita clareza de que função ele poderá ocupar, embora sua influência no futuro governo independa de cargo. Republicano de carteirinha, banqueiro e advogado, foi um dos estrategistas políticos da campanha de Trump. Como o nome sugere, Boris nasceu na antiga União Soviética e vive nos Estados Unidos desde os 11 anos. Um de seus ativos é a boa relação com o Kremlin. Organiza um evento chamado “Invista em Moscou”, um convescote por onde circulam empresas russas e norte-americanas. Há dois anos, foi preso acusado de agressão em um bar de Scottsdale, no Arizona. Não há registro se bebia um bourbon ou vodka.

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