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04.10.21

Compensação de carbono às avessas

Inaugurada na semana passada, com a presença de Jair Bolsonaro, a térmica Jaguatirica II em Boa Vista (RR) não será exatamente um primor de padrão ESG. Parte da redução de emissões de CO2 decorrente do uso de gás será “compensada” às avessas com a intrincada operação de abastecimento da usina, pertencente à Eneva. Cerca de 20 carretas a diesel terão de percorrer diariamente 980 km para garantir o suprimento de gás.

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29.09.21

Trabalhadores padrão ESG

Os 14 sindicatos que representam os 58 mil empregados da Vale discu-  tem a criação de um fundo para ações solidárias. Cada funcionário doaria algo em torno de R$ 10 mensais para contribuir com projetos sociais em parceria com a mineradora. A proposta foi colocada sob a mesa em meio às negociações para o reajuste salarial da categoria.

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02.09.21

Total recarrega os investimentos em energia limpa no Brasil

A francesa Total prepara um pacote de investimentos em energia renovável no Brasil. Um dos projetos mais ambiciosos em estudo seria a entrada no segmento de geração eólica em alto-mar. O grupo teria planos de construir um cinturão de energia em torno de suas plataformas offshore. Os franceses detêm participação em 18 blocos de petróleo e gás em sete bacias da costa brasileira, em 10 dessas áreas como operadores.

Procurada, a Total não quis se pronunciar. O Brasil é peça importante no tabuleiro do padrão ESG da Total. O grupo se compromete a zerar suas emissões de carbono até 2050. A meta dos franceses é chegar a essa data com 40% do seu faturamento provenientes da geração de energia elétrica, notadamente de fontes renováveis. Hoje, a empresa já tem uma capacidade instalada de 12 GW, sendo 7 GW oriundos de usinas eólicas e solares.

A Total deverá buscar parceiros para os seus investimentos no Brasil. Quem sabe não poderia ser a senha para os franceses reabrirem conversações com a Petrobras? Em 2019, as duas companhias romperam uma joint venture para investimentos conjuntos em geração eólica e solar. De lá para cá, cada um tomou um rumo diferente. A Total avançou em energia verde no Brasil: hoje, soma cerca de 300 MW, contabilizando-se projetos já em operação e em construção. A estatal, por sua vez, vive um curioso stop and go and stop no segmento de renováveis. Nos últimos meses, a fase é de “stop”. A Petrobras vendeu participações em usinas eólicas e praticamente restringiu seus investimentos em novas fontes de geração à área de pesquisa e desenvolvimento – ver RR edição de 19 de maio.

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03.08.21

Carrefour mais ESG do que nunca

O novo presidente do Carrefour no país, Stéphane Maquaire, chega com a missão de colocar a operação brasileira de vez na rota do padrão ESG. Além do já anunciado rastreamento do gado desde o nascimento, a rede varejista vai impor regras mais rígidas a sua cadeia de fornecedores. Muitos ficarão pelo caminho. Outra prioridade da empresa será estimular a presença de negros em cargos de liderança. O Carrefour precisa mesmo dar respostas nessa área. No fim do ano passado, a companhia foi excluída do índice ESG da B3, após um cliente negro ser assassinado por seguranças em uma loja de Porto Alegre.

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28.07.21

Lemann prepara uma guinada rumo ao padrão ESG

O RR acompanha com lupa o que pode vir a ser uma reviravolta na atuação de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles. Segundo uma fonte encrustada nas conversações, o trio discute uma guinada na direção de negócios padrão ESG. O que se avalia intramuros é vincular praticamente todos os futuros investimentos a atividades econômicas e empresas com notório compromisso socioambiental. Seria uma forma de adequação ao novo cenário global, em que os mercados estão cada vez mais punitivos a negócios prejudiciais ao meio ambiente e ao social. De acordo com a mesma fonte, Lemann, Sicupira e Telles partiriam para um processo de higienização do seu portfólio, medida que poderia levar à diluição de participações societárias ou mesmo à saída do capital de algumas de suas empresas.

Na linha de tiro, estariam negócios como Burger King e Kraft Heinz – há poucas coisas menos saudáveis do que um hambúrguer encharcado de ketchup. Ressalte-se que, em março, Lemann deixou o Conselho de Administração da Kraft Heinz. Em sua origem, a montagem dos negócios em cerveja/refrigerante, hambúrguer e ketchup foi considerada um primor de sinergia. Hoje, esse mosaico é tido como o “padrão podre” do meio empresarial. E vai piorar. Esses setores podem até não figurar entre os grandes emissores de carbono. Mas, do ponto de vista da letra “S” de ESG – ou seja, do social -, são imbatíveis em produzir o mal. Até porque não há compensação dos danos causados à saúde humana.

O mal que se faz é o mal que fica. De alguma forma, os negócios e o perfil de investimentos da tríade já passam por um processo de reinvenção. O caso mais representativo talvez seja a entrada de Jorge Paulo Lemann e de Marcel Telles no setor de educação, por meio do Gera Venture Capital. A Eleva, controlada pelo fundo, se tornou um dos maiores consolidadores do setor. Neste momento, de acordo com a fonte do RR, Lemann, Sicupira e Telles analisam negócios pautados por uma pegada de responsabilidade socioambiental. Um exemplo: os três investidores teriam interesse em participar da privatização da Eletrobras. Ressalte-se que eles já mantêm uma posição acionária na estatal (10% das preferenciais), por meio da gestora 3G Radar.

Cabe lembrar ainda que Sicupira é dono também de 9,9% da Light. Como se sabe, quando um dos “Lemann Brothers” finca sua bandeira em algum negócio, os outros também estão presentes, ainda que não de forma explícita. Com um pé na Eletrobras e outro na Light, Lemann e cia. poderiam criar um cinturão verde, com foco na produção de energia limpa, o que incluiria a construção de uma série de Pequenas Centrais Hidrelétricas. Em outro front, os três investidores estudam também projetos de produção de gás metano a partir da decomposição de resíduos orgânicos. O RR enviou uma série de perguntas para a 3G Capital, holding que reúne os negócios do trio, mas a empresa não se pronunciou.

Nesse puzzle de ativos padrão ESG que Jorge Paulo Lemann e seus sócios podem vir a montar, há uma peça de difícil encaixe: a InBev, cujos produtos causam ainda mais estragos à saúde do que os da Kraft Heinz ou do Burger King. A cervejeira tem feito esforços para se tornar uma empresa menos maléfica. Já anunciou a meta de reduzir suas emissões de carbono em 25% até o ano de 2025. Nesse mesmo intervalo, vai investir cerca de US$ 1 bilhão em campanhas para reduzir o consumo nocivo de álcool. Contudo, é difícil remover a pecha de “não saudável” de uma corporação com mais de 80% de sua receita proveniente da venda de bebidas alcoólicas.

Trata-se de um “passivo” que talvez tenha de ser carregado por Lemann devido ao tamanho a que InBev chegou. No entanto, em um esforço de “descontaminação” da sua carteira de investimentos, o empresário e seus sócios poderiam, por exemplo, buscar alguma fórmula de diluição da sua participação societária entre fundos. Seria um dos últimos negócios “pecaminosos” de Lemann e cia. em meio a um colar de investimentos balizados pelo padrão ESG.

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07.07.21

Nestlé precisa ter mais cuidado com o que vende

A ideia de que a Nestlé é uma empresa padrão ESG é pura farinha láctea, ao menos do ponto de vista do respeito ao consumidor. A fabricante suíça tem sido alvo de uma sucessão de denúncias que colocam em xeque o controle de qualidade e a propaganda de seus produtos – práticas nocivas que não encontram eco no “S” de social. O caso mais recente veio à tona na semana passada: o Procon-SP vai abrir investigação contra a Nestlé por publicidade enganosa em três marcas de biscoito e um cereal matinal da linha Nesfit.

Segundo denúncia do Observatório de Publicidade e Alimentos (OPA) do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), os produtos dessa linha têm mel no nome, há imagem de mel na embalagem de todos eles, mas nenhum deles contém o ingrediente em sua composição. Procurado, o Procon-SP confirmou que “o processo da Nestlé está em análise”. Ainda segundo o órgão de defesa do consumidor, “a empresa responderá a um processo administrativo. Ao final, poderá ser multada”. O valor da punição, segundo o Procon-SP, “depende da gravidade da infração, da vantagem auferida e da condição econômica do fornecedor”. No que depender deste último critério, uma eventual sanção não deve ser pequena: a Nestlé fatura por ano mais de R$ 15 bilhões no Brasil.

A multinacional, ressalte-se, já está na mira do próprio IDEC, por um caso ainda mais delicado. Segundo o Instituto informou ao RR, estudo recente da entidade detectou a presença de resíduos de agrotóxicos em alimentos ultraprocessados da Nestlé e de outras sete empresas. Mais uma vez, o cereal matinal Nesfit aparece na lista. Ou seja: a julgar pelo trabalho do IDEC, quando não é vítima de propaganda enganosa, o comprador do produto está fadado a ingerir pesticida. A Nestlé tem feito um enorme esforço para se consolidar como uma corporação ESG.

Em outubro do ano passado, anunciou o plantio de um milhão de árvores no Brasil, mais precisamente na Mata Atlântica. Mas não basta plantar árvores; é preciso também ter cuidado com a saúde do consumidor. A empresa divulgou ainda investimentos em tecnologias de geomonitoramento e rastreabilidade para garantir que as matérias-primas utilizadas na fabricação de seus alimentos sejam de origem ambiental e socialmente responsável. No entanto, ainda há uma distância entre a teoria e a prática. A própria Nestlé reconheceu em documento interno, vazado no último mês de maio ao Financial Times, que 60% de seus produtos não atendem aos critérios de alimentos saudáveis.

No mesmo material, a empresa admite ainda que algumas das suas categorias de bebidas e alimentos “nunca serão saudáveis, por mais que sejam renovadas”. O RR enviou uma série de perguntas à assessoria da Nestlé, por e-mail, mas a empresa não se pronunciou. Propaganda enganosa e falta de transparência certamente não fazem parte das melhores práticas sociocorporativas. No Brasil, a Nestlé carrega um rosário de acusações. Em outubro do ano passado, foi multada pelo Procon-SP em R$ 10 milhões por descumprir regras de rotulagem estabelecidas pela Anvisa na embalagem do cereal matinal Crunch.

Em setembro de 2018, a 5a Turma do TRF-1 condenou a companhia a pagar uma multa de R$ 500 mil aplicada pela Secretaria de Direito Econômico (SDE). A punição se deu após a Nestlé alterar os nutrientes de sua farinha láctea sem informar aos consumidores. A prática da Nestlé de ocultar ingredientes utilizados já gerou casos graves. Em março de 2016, a companhia chegou a ser condenada pelo TJ-SP a pagar R$ 90 mil de indenização a uma família paulista por não discriminar na embalagem a presença de leite na composição de dois de seus biscoitos.

O caso se deu depois que uma criança teve uma forte reação alérgica ao ingerir os alimentos sem que os pais soubessem da presença de matéria-prima de origem láctea. A menina sofre de hemossiderose pulmonar, quando sangue dos vasos capilares extravasa para o interior dos pulmões em decorrência da ingestão de proteínas do leite de vaca. Dessa forma, o ESG da Nestlé vai derreter feito uma barra de Kit Kat exposta ao sol.

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