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15.06.22

Conexão Pequim

A chinesa Goldwind, uma das maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo, negocia um grande contrato de venda de equipamentos no Brasil. Do outro lado da mesa, está outro gigante chinês do setor elétrico, com investimentos em energia renovável no mercado brasileiro.

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Bola dentro do governo Bolsonaro: segundo uma fonte da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, diversos órgãos da gestão federal têm feito consultas para a compra de energia no mercado livre. A economia para os cofres públicos pode chegar a 15%.

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17.05.22

Boa notícia

O Texas Pacific Group (TPG) pretende investir em energia renovável no Brasil. Uma grande empresa de geração eólica já foi procurada. Trata-se de um retorno do TPG ao setor de energia no Brasil. A gestora, que administra US$ 120 bilhões, já foi dona da Evoltz, empresa de transmissão.

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13.04.22

Portas abertas na Cemig

A Cemig está buscando parceiros para tocar projetos em geração renovável. Há conversas não só com empresas do setor elétrico, mas também fundos de private equity. A meta da estatal é aumentar a sua produção de energia limpa em um gigawatt até 2026, um investimento estimado em R$ 5 bilhões.

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01.02.22

Para onde vai a energia de Itaipu?

O governo do Paraguai quer que Itaipu passe a vender energia no mercado livre brasileiro, como forma de aumentar sua receita. Segundo o RR apurou, autoridades paraguaias já sinalizaram ao Ministério de Minas e Energia que levarão a proposta à próxima reunião do Conselho de Administração da hidrelétrica. Promessa de mais faíscas entre os dois países. A medida não conta com muita simpatia do governo brasileiro. A bola dividida com o Paraguai é tão delicada que as autoridades parecem estar cheia de dedos para abordar o assunto. Ao RR, o Ministério de Minas e Energia disse que o tema deveria ser tratado diretamente com Itaipu. A estatal, por sua vez, saiu pela tangente e informou que “a comercialização do excedente da margem paraguaia no Mercado Livre de Energia não é um tema de gestão direta da Itaipu, mas que cabe às altas partes contratantes (os governos dos países sócios do empreendimento).”

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25.01.22

Energia de sobra

A chinesa CGN Energy International vem mantendo conversações com o governo do Ceará para instalar um complexo de usinas eólicas no estado. O que não falta ao grupo é energia para investir no Brasil. Os asiáticos estão desembolsando R$ 1 bilhão na Bahia em projetos de geração renovável. E pagaram mais de R$ 3 bilhões por ativos energéticos da italiana Enel.

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29.11.21

Energia verde

A chinesa Sinopec, que já atua em exploração e produção de petróleo no Brasil, tem planos de investir em energia renovável no país.

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09.12.20

Racionamento com pandemia? É só o que falta

O RR teve acesso a um documento assustador, produzido pela RC Consultores (empresa do ex-presidente do BNDES Paulo Rabello de Castro), que trata do risco de um racionamento de energia no país. Os principais pontos são os seguintes:

  •  Enquanto o consumo de energia sobe, o nível dos reservatórios desce nas diversas regiões do país. No Sudeste, cuja estrutura de armazenamento representa 75% do sistema nacional, o nível está em apenas 16,87% da capacidade total, valor muito abaixo da média histórica para o período.
  • Os reservatórios do Sudeste perdem 0,3 ponto percentual de recursos a cada dia. Neste ritmo terminaremos 2020 com pouco mais de 11% da capacidade total. Nunca enfrentamos situação parecida no passado recente.
  •  A bandeira 2 vermelha pouco efeito terá. O maior número de pessoas trabalhando em casa reduz a eficiência do consumo de energia.
  • Caso não chova o suficiente nas regiões críticas e o consumo continue em alta, restará como saída a importação de energia ou até mesmo restringir o consumo espontâneo via preços ou racionamento.
  • É preciso ações rápidas e tempestivas por parte do governo, sob o risco de um novo racionamento energético vir a anular todo o esforço de recuperação econômica. Em tempo: o almirante Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia, rechaçou qualquer possibilidade de racionamento, assim como negou interferência do governo na decisão da Aneel de reativar o sistema de bandeiras tarifárias, aplicando o nível vermelho patamar

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16.10.19

Energia nuclear: desmistificando o pecado original

Observatório

Por John M. A. Forman, geólogo e ex-Diretor da ANP.

Na disputa pelo contrato para a conclusão de Angra 3, há quatro grupos empresariais. Rosatom (Rússia), China National Nuclear Corporation (China), EDF (França) e Westinghouse (EUA). A Rússia opera um grande número de reatores e tem outros em construção, com perfeito domínio da tecnologia; a China é o país que mais constrói reatores nucleares no mundo, como forma de mitigar a intensa poluição causada pelo uso intensivo do carvão, grave ameaça à saúde da sua população; a França gera a maior parte da sua energia a partir de reatores nucleares e ainda exporta os excedentes a países vizinhos que optaram por fechar seus reatores próprios; os Estados Unidos possuem a maior capacidade de geração nuclear instalada do mundo, contando com um número de usinas nucleares maior do que qualquer país.

O governo federal pretende apresentar até o fim do ano um plano de expansão da energia nuclear com a construção de seis a oito novas usinas até 2050. A ideia é que haja parceiros privados, com 49% de participação nas novas usinas. Um modelo foi avaliado com 70% para a União e 30% para o sócio privado. Mas, nas simulações do fluxo de caixa, os grupos privados não conseguiriam amortizar o investimento com as receitas geradas pelas usinas. É uma nova investida para uso da geração nuclear no país, tentada anteriormente e abandonada por diferentes razões.

É costume dizer-se que a energia nuclear sofre de um pecado original, por ter se tornado conhecida pelo uso das bombas atômicas, com seus devastadores efeitos que seriam eternos. No entanto, quem visitar, hoje, Hiroshima e Nagasaki, no Japão, encontrará belas cidades, totalmente recuperadas, com uma população grande, e não um deserto estéril e desabitado como se chegou a supor. A lista de acidentes, como Three Mile Island (Estados Unidos, 1979) Chernobyl (Ucrânia, pertencente à antiga União Soviética, 1986), Fukushima (Japão, 2011) deveria ser mais bem estudada.

Em Three Mile Island, o núcleo do reator iria fundir e chegar ao centro de terra; não aconteceu, não houve acidente. Chernobyl foi o resultado de um teste irresponsável de gradiente térmico, recusado por outras usinas semelhantes, que saiu de controle. Foi feito em um reator em piscina, sem vaso de contenção e sem um prédio próprio que o contivesse. Causou grandes danos, mas não foi um acidente, por ter causa conhecida. A Rússia é uma das potenciais fornecedoras de reatores ao Brasil, cuja segurança já testada e assegurada. Em Fukushima, a usina foi danificada por um tsunami, fenômeno natural, de intensidade acima das previsões, que afetou um projeto mais antigo, que dependia de bombas elétricas para sua segurança. Os projetos atuais, usam a gravidade para a água de arrefecimento, não dependendo de bombas. As reações nucleares se dão dentro de vasos de contenção de aço, localizados no interior de um prédio de concreto, que os protege de fenômenos externos e asseguram a contenção de eventuais e pouco prováveis vazamentos. O Japão retomou a construção de reatores.

Mas, e os resíduos nucleares, altamente radioativos e perigosos? Para os reatores em funcionamento, foram desenvolvidas soluções muito seguras para o armazenamento de rejeitos, como por exemplo na França, ou podem ser reaproveitados para gerar energia usando o urânio não enriquecido isotopicamente. É interessante mencionar que no Gabão, na África, foi identificada em uma jazida de urânio, em  Oklo, a presença de elementos transurânicos, como o plutônio, mostrando que lá houve um reator nuclear que funcionou por muitos anos, sem que com isso causasse qualquer alteração a flora e fauna locais. Reatores naturais foram comuns no processo de evolução da terra, em eras passadas.

Há, assim, a necessidade de se pensar uma campanha de esclarecimento da população, a qual foi submetida a um programado processo para temer os potenciais efeitos da radiação e os danos eternos e irrecuperáveis que ela poderia causar. É sempre mais fácil ser contra aquilo que não é bem conhecido do que contra algo conhecido e desmistificado.

O cientista britânico James Lovelock, de fama internacional, criador do moderno conceito de Gaia, que entende a terra como um organismo vivo, que reage e se adapta às mudanças geológicas, climáticas ou quaisquer outras que venham a incidir sobre nosso planeta. Em seu livro “A Vingança de Gaia”, de 2006, ele faz um comentário que deve ser lido e compreendido:

“Preferimos até agora ouvir os conselhos bem-intencionados, mas insensatos, daqueles que acreditam em uma alternativa para a ciência. Sou um verde e seria classificado entre eles, mas acima de tudo sou um cientista. Por isso, rogo aos meus amigos verdes que repensem sua crença ingênua no desenvolvimento sustentável e na energia renovável, e que poupar energia é tudo que precisa ser feito. Eles precisam, sobretudo, abandonar sua objeção equivocada à energia nuclear. Mesmo que tivessem razão sobre seus perigos – mas não têm –, seu uso como fonte de energia segura e confiável representaria uma ameaça insignificante, comparada à ameaça real de ondas de calor intoleráveis e letais e a do aumento do nível do mar, atemorizando as cidades costeiras do mundo.”

Conhecer permite compreender; desconhecer leva à incompreensão, ao medo e à manipulação da sociedade.

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