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15.06.22

O bye, bye, Brasil da Vale?

Há na Vale um “manda chuva” que defende a mudança da sede fiscal da companhia para Bruxelas. O assunto é sério. E pode ir ao Conselho. Em seus idos de empresa estatal, a Vale, então conhecida pelas iniciais do seu nome, CVRD, tinha uma cabeça de ponte naquele país, a Rio Doce Europa. A subsidiária era comandada por Eliezer Batista, um mito entre os “valerianos”, o que por si só já justificava ser considerada uma segunda sede.

A partir de Bruxelas, a Vale lançava seus tentáculos pelo mundo, fazendo daquele país um corredor para suas vendas. A sede da Vale só não se foi de vez porque Carlos Lessa, em sua polêmica gestão na presidência do BNDES, comprou ações suficientes da empresa para evitar a medida. De certa forma, guardadas as devidas proporções, é o que acontece com a JBS. A expressiva presença do banco no capital da empresa (cerca de 20%) é um impeditivo ao velho projeto dos irmãos Batista de transferir o centro de decisões da companhia para o exterior.

No caso da Vale, ressalte-se, essa trava não existe mais: em fevereiro do ano passado, o BNDES zerou sua participação societária na mineradora. Consultada pelo RR, a Vale não se manifestou. Um ex-diretor da Vale afirmou ao RR que a ideia é muito difícil, quase impossível, devido a resistências de ordem política. Mas, se fosse para ser implementada, a escolha não deveria ser Bruxelas, mas, sim, Pequim, pois a China é o grande comprador de minério de ferro do Brasil e, portanto, o hub natural para vendas no Oriente.

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03.06.22

Vale entra no túnel do tempo

A estratégia que vem sendo chamada a “Vale do futuro” na verdade deveria se chamar “Vale do passado. A “Vale do futuro” consiste na exploração de minérios fundamentais à transição energética, como níquel, cobre e lítio. À exceção deste último, os demais já vinham sendo extraídos por obra e graça do seu ex-presidente, Eliezer Batista, responsável pela criação de uma holding “multimetais”. Batista levantou a catedral. O ex-presidente  da companhia, Roger Agnelli, colocou-a abaixo, direcionando a empresa somente para a exploração de minério de ferro, com crescimento baseado em grandes aquisições. Ficaram fora dessa decisão “monoferrífera” apenas as minas de níquel do Canadá, que, assim como foram compradas – juntamente com um jazida de Eike Batista – não muito depois foram vendidas. Agora, o futuro da Vale é fazer mais do mesmo a preços mais caros.

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05.01.22

Que Tarcisio Freitas beba na fonte de Eliezer Batista

Se o coronel Tarcísio Freitas quiser dar um ordenamento na logística do país, poderia desencavar na Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) o acervo de projetos deixados lá pelo então titular da Pasta no início dos anos 90, o engenheiro Eliezer Batista, que dispensa apresentações. Quando foi convidado para comandar o super Ministério pelo então presidente Fernando Collor, Eliezer, com seu jeito meio mal criado, afirmou: “Só vou se for para fazer o que o Brasil precisa, e não o que o governo acha politicamente necessário”. Ganhou carta branca e deixou prontos mapas e planos para o desengargalo da logística nacional, de quebra incluindo uma reestruturação da geoconomia da federação, ambos à luz do conceito avançado e ainda pouco conhecido da gestão integrada do território.

Eliezer não levava os economistas muito a sério, o que seria um ponto em comum com Tarcísio Freitas. Nas sextas-feiras, quase invariavelmente, batia ponto no escritório do jurista Jose Luiz Bulhões de Pedreira, no Edifício Cândido Mendes, no Centro do Rio. Era o dia dos inesquecíveis almoços reunindo ambos, mais o jurista José Luiz Bulhões de Pedreira e o ex-ministro da Presidência, Raphael de Almeida Magalhães. O RR foi convidado algumas vezes. O garçom ficava até enrubescido com a altura das gargalhadas dos presentes, todos construtores do moderno estado brasileiro.

Roberto Campos era um dos que pintava na efeméride. Eliezer adorava dizer que economista “servia somente para ser staff”. Pura blague. Ao que Campos rebatia: “Eu sou seminarista, pouco ortodoxo é bem verdade. A economia veio de segunda mão”. Gargalhadas gerais. O fato que Eliezer não só respeitava os economistas como adorava alguns, tais como o próprio “seminarista” Campos e Mário Henrique Simonsen. O problema é que preferia perder o amigo a perder a piada. Era um iconoclasta. O legado de Eliezer está no governo. Se Tarcísio Freitas quiser buscar um tesouro para leiloar ou autorizar suas concessões dentro de ordenamento logístico que leva em consideração todas as variáveis regionais, é só mandar trazer da SAE. Mas parece que no governo Bolsonaro o suco da contribuição prestado pela melhor tecnocracia vai mesmo para uma garrafa velha e suja, guardada na gaveta da história.

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18.11.19

Paulo Guedes bebe na fonte de Eliezer Batista

O projeto de fusão de municípios desprovidos de sentido econômico, apresentado no pacote 3 D (Desvinculação, Desindexação e Desconcentração) do ministro Paulo Guedes é uma cópia mal ajambrada do plano de Eliezer Batista, quando comandava a Secretaria  de Assuntos Estratégicos do governo Collor. Enquanto Guedes foca aspectos fiscais, como fusão de municípios que não tenham 10% de receita própria correspondente à arrecadação total ou ao menos cinco mil habitantes, Eliezer observava também o aspecto holístico. Analisava a logística, a demografia e até a cultura. Não há demérito na cópia de Guedes. A ideia carece da amplitude da original, que visava a sinergia com a economia física, mas é igualmente boa. Tudo que for aproveitado da lavra de Eliezer Batista merece elogios. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas resta ver se Jair Bolsonaro e Paulo Guedes dobrarão a cláusula pétrea da Constituição que veda a aglutinação de municípios. O então ministro Eliezer Batista não conseguiu. Por trás da boa ideia pode estar a intenção de colocar o bode na sala. Acabar com mais de duas mil unidades municipais é uma medida que cabe à perfeição para ser subtraída da PEC dos 3D.

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29.01.19

Saudades

O ex-presidente da Vale, Eliezer Batista, faz muita falta. Eliezer foi um dos autores do conceito de desenvolvimento sustentável, inspirado no Projeto Carajás. É dele também a ideia de gestão integrada do meio ambiente, que determina que as empresas incluam em seus projetos a responsabilidade dos cuidados com a comunidade, inclusive com a cultura. Ainda bem que ele não está aqui assistindo o que fizeram com a sua Vale do Rio Doce.

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12.09.18

Professor Jaguaribe

Eliezer Batista, que ocupou a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo Collor, ficava impressionado toda a vez que recebia seu colega de Ministério Helio Jaguaribe, então titular da Pasta da Ciência e Tecnologia. Pontuava, especialmente, a capacidade de Jaguaribe de resolver os problemas mais “complexos” da República. Eliezer o chamava de “metralhadora teutônica”. Quis o destino que os dois partissem em um intervalo de tempo tão próximo. Eliezer e Jaguaribe foram conselheiros em momentos distintos do RR, que é muito grato pelo auxílio que recebeu de ambos para interpretar a realidade por trás dos fatos. Onde se encontrar, Jaguaribe não deve estar nada satisfeito com a redução da sua trajetória ao epíteto de um dos fundadores do PSDB, conforme publicado em alguns jornais. Trata-se de uma referência menor na biografia do notório pensador.

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09.07.18

Eliezer e Conceição: um memorável dueto pelo Brasil

Eram os idos do governo Figueiredo. O engenheiro Eliezer Batista era o todo poderoso presidente da então Vale do Rio Doce. Na ocasião, ele já se debruçava sobre os mapas que posteriormente levaria para a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo Collor. Eram estudos transversais à estrutura federativa do Brasil, que propunham uma correção da divisão do país em estados e municípios, por meio de uma espécie de consolidação que levasse em  vista a logística, a produção, a demografia, o meio ambiente, entre muitas outras variáveis.

Alguns estados e municípios simplesmente seriam objeto de fusão. Eliezer queria dar uma organização mais racional e econômica ao formato bizarro de pé de galinha que via no desenho da federação. Achava que levaria o projeto à frente, pois exigira de Fernando Collor carta branca para aceitar o cargo de manda-chuva da Secretaria. Só se reportaria ao presidente. À época, mais do que nunca, Eliezer era o mago da economia física nacional, consultado pelos maiores empresários do país e do mundo. Distante desse mundo, a professora Maria da Conceição Tavares, um ícone entre os economistas de esquerda, perdeu-se de curiosidade de conhecer Eliezer. Não havia liga entre ambos.

Eliezer achava a portuguesa destemperada e comunista, e Ceiça tinha Mr. Batista como um tecnocrata alinhado com os empresários golpistas de 64. Mas o desejo intelectual foi maior. Conceição pediu a Raphael de Almeida Magalhães que fizesse uma ponte com Eliezer para um encontro. O mesmo pedido foi feito ao jornalista Luiz César Faro, à época assessor informal do barão da Vale. Em uma quinta-feira, por volta das 10 horas, Conceição adentrou a “sala dos mapas” que Eliezer mantinha ao lado do seu gabinete, assistidos por Raphael e Faro, prudentemente calados durante todo o encontro. Foram poucos os minutos de formalidade.

Os dois partiram logo a dissecar os mapas e falar sobre o Brasil que aqueles projetos prometiam, um país de verdadeiros coliseus da infraestrutura. Conceição era matemática, o que facilitou a conversa. Ela dava tapinhas no braço de Eliezer às gargalhadas, que retribuía com seu riso metálico. Pareciam amigos de infância. O saldo daquela reunião de inteligências acuradas foi o compromisso cívico de reunirem suas hostes na academia para produzirem estudos juntos na Secretaria, pois ali estava o futuro do país. E assim ficou acordado entre os dois Titãs. Eliezer se meteu a seguir no imbróglio da gestão Collor. Conceição enveredou na politica. Ao que se saiba, nunca mais se encontraram. Os preciosos mapas de Eliezer se perderam por aí, alguns no Palácio do Planalto, outros na Vale, e uns esquecidos na Firjan. Desperdício de um encontro que tanto poderia emular soluções nacionais quanto, no mínimo, inspirar um libreto de ópera sobre dois personagens estupendos. Nada mais a fazer. Conceição descansa em seu refugio, sem o elã de 30 anos atrás, mas ainda produzindo artigos indignados. Eliezer foi construir catedrais no firmamento.

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22.06.18

Projeto de Eliezer Batista para as empreiteiras ficou no baú da história

Eliezer Batista foi uma usina nuclear de ideias. Várias delas jamais vieram à tona. Em um desses casos, Eliezer esteve por mudar a imagem historicamente predadora das empreiteiras. À época, a Lava Jato era só conjectura. Corria o ano de 2011, quando o ex-ministro Rodolpho Tourinho Neto, então presidente do Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada), o procurou para colaborar com um projeto praticamente pioneiro no setor, que unia o governo, capital e o trabalho. Em pauta, a implementação de um amplo plano de ações para aperfeiçoar as condições laborais na área de construção, o que ajudaria a reforçar consideravelmente o papel social das empreiteiras.

Foi criada, então, uma Mesa Nacional tripartite, com o propósito de discutir e definir as medidas a serem implantadas. Esse grupo reuniu a iniciativa privada, leia-se as maiores construtoras do país, os sindicatos de trabalhadores da construção pesada e grandes centrais sindicais e o governo federal, representado por diversas instâncias de Poder – incluindo Casa Civil, Ministérios do Planejamento, do Trabalho e do Desenvolvimento, entre outros órgãos, coordenados pela Secretaria Geral da Presidência da República. O momento de formação da Mesa Nacional foi simbólico: março de 2011, no auge dos conflitos trabalhistas nos canteiros de algumas das maiores obras de infraestrutura em andamento na ocasião – a exemplo das usinas de Jirau e Santo Antônio e a refinaria Abreu Lima. Faltava um conceito mais amplo para o projeto, que amarrasse também as comunidades, o território e o seu entorno. Tourinho foi aconselhado a procurar Eliezer Batista, que era um especialista em dar nó em pingo d’água.

E assim foi. Dom Batista adequou a concepção da Gestão Integrada do Território (GIT) às demandas para ampliação dos propósitos da Mesa Nacional tripartite. O conceito de GIT foi criado por Eliezer como sendo um passo além em relação à ideia original de desenvolvimento sustentável, enfeixando todas as variáveis em torno de um determinado projeto, sejam elas de ordem econômica, social, ambiental e cultural. O conceito inspirou o Sinicon em diversas das premissas discutidas na Mesa Nacional e levadas ao governo, tanto no âmbito do ambiente de trabalho quanto nas relações com a comunidade.

É possível destacar, entre elas, as propostas de criação de cursos de formação e capacitação profissional, com o co-financiamento da própria iniciativa privada; implantação de sistemas de certificação profissional; maior participação sindical nas decisões relacionadas à força de trabalho; treinamento intensivo sobre máquinas e equipamentos; geração de relatórios de impactos sociais/ambientais dos empreendimentos com as respectivas medidas de compensação em benefícios às populações atingidas; garantia de financiamento para planos de realocação de moradores com indenizações justas; implantação de políticas públicas de combate a práticas de exploração de crianças e adolescentes; ampliação da estrutura de segurança contra o crime organizado e o tráfico de drogas na região. As propostas discutidas na Mesa Nacional deram origem a um documento sem precedentes no setor: o “Compromisso Nacional Tripartite para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Indústria da Construção”, firmado no fim de 2011 e apre- sentado à presidente Dilma Rousseff no início de 2012. Por uma série de entraves graves – que desaguaram no impeachment – o projeto lamentavelmente não seguiu adiante.

Caso as ações previstas no Compromisso fossem colocadas em práticas, as empreiteiras teriam uma função social e mesmo econômica mais abrangentes. Provavelmente não fosse o suficiente para mudar o que estava por vir, mas possivelmente teria ajudado a evitar a incineração da indústria da construção pesada. Uma pena! Com a concretização da ideia, Eliezer teria escrito mais uma página notável da história. Em tempo: os estudos realizados ficaram guardados em alguma gaveta do Sinicon, que hoje foi praticamente absorvido pela Abdib.

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06.03.17

Ferrovia do Pará busca seu bilhete para o PPI

Um grande projeto estruturante, desses que só aparecem no Brasil de 30 em 30 anos, está pedindo passagem no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Trata-se da Ferrovia do Pará (Fepasa), um empreendimento importante não apenas per si, mas também pelo seu potencial de viabilizar economicamente outros braços do sistema logístico na Região Norte. O investimento previsto é da ordem de R$ 14 bilhões.

Há avançadas negociações entre o governador do Pará, Simão Jatene, e o ministro Moreira Franco para que o projeto seja incluído no PPI e ofertado em leilão já na primeira leva de concessões de infraestrutura, ainda no primeiro semestre. O anúncio oficial deverá sair em até 30 dias. A expectativa é que a licitação da Fepasa ocorra até mesmo antes da concessão da Ferrogrão, um dos projetos originais do PPI.

Grupos nacionais e estrangeiros já demonstraram interesse pela operação da ferrovia paraense. A Fepasa tem a marca registrada do ex-presidente da Vale Eliezer Batista, mentor do projeto – como, aliás, de algumas das maiores engrenagens logísticas do país. Os estudos de viabilidade técnica e econômica, de responsabilidade da Pavan Infraestrutura, já estão concluídos. São 1.312 quilômetros que ligarão Santana do Araguaia ao porto de Vila do Conde, em Barcarena, no Pará.

A ferrovia será destinada, notadamente, ao escoamento de minério. Ela está projetada para atingir, gradativamente, a capacidade de transporte de 120 milhões de toneladas/ano, uma meta absolutamente exequível com base nas 32 minas já em operação ou que entrarão em produção ao longo do seu traçado nos próximos anos. Ao todo, a ferrovia cortará 23 municípios – o governo paraense, por sinal, já iniciou os procedimentos para as 760 desapropriações que terão de ser feitas em toda a sua extensão.

Além da sua relevância para o escoamento da produção de minério no Pará, a Fepasa poderá dar maior economicidade à Norte-Sul, uma ferrovia cheia de pontilhados. São vários trechos atrasados, alguns que sequer saíram do papel e outros que, mesmo construídos, ainda sofrem com o baixo volume transportado. Bastarão cerca de R$ 500 milhões para a construção de um ramal de 58 km entre a Fepasa e a Norte-Sul, um pequeno trecho que dará à esta última uma saída portuária por Vila do Conde.

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Eliezer Batista, founding father da Vale, diz que, frente às intempéries, o presidente da companhia, Murilo Ferreira, “fez o possível e o impossível”. Segundo Eliezer, “ele deveria ficar na presidência da empresa”. Por falar em presidência da Vale, o que Michel Temer tem a ver com isso? Vai colocar o cargo na conta da coalizão partidária? Tá mesmo tudo dominado.

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