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27.03.18
ED. 5834

Venda de terras a estrangeiros é servida aos pedaços no Congresso

A liberação da venda de propriedades rurais para estrangeiros está virando um picadinho legislativo, cortada em pedaços miúdos para saciar a fome de diferentes setores. O cardápio da vez é um projeto específico, vinculando a posse de terras por investidores internacionais a empreendimentos na área de papel e celulose. A proposta está em gestação no ventre da Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento Sustentável da Floresta Brasileira, capitaneada pelo deputado Newton Cardoso Jr.

A justificativa é que a medida estimularia novos projetos de manejo sustentável de florestas e destravaria investimentos na área de celulose que estão em banho-maria por conta das restrições à venda de terras para estrangeiros. A chilena CMPC é um caso clássico. O grupo já anunciou que tem planos de construir uma nova fábrica no Brasil com capacidade para até dois milhões de toneladas de celulose. Mas seus executivos condicionam o investimento, estimado em mais de US$ 2 bilhões, à flexibilização da lei e, consequentemente, à possibilidade de comprar mais de 150 mil hectares de florestas no país.

Outra interessada no projeto é a Paper Excellence, que adquiriu a Eldorado. Os entraves legais para a posse de terras teriam sido determinantes para o grupo asiático recuar em sua investida sobre a Fibria. Diferentemente da Eldorado, cuja maior parte das reservas encontra-se em áreas arrendadas, a empresa dos Ermírio de Moraes, e agora também dos Feffer, soma mais de um milhão de hectares em florestas próprias.

Conforme o RR informou na edição de 26 de fevereiro, a Frente Parlamentar da Agropecuária costura uma proposta que vincula a liberação da venda de terras a estrangeiros a investimentos no agronegócio. Ainda assim, enquanto a medida não é aprovada no Congresso, cada setor tenta puxar a brasa para a sua sardinha com projetos . É o caso das empresas de energia, que articulam um projeto atrelando a liberação da venda de terras a investimentos em geração, como, por exemplo, a construção de parques eólicos. A iniciativa conta com a simpatia do Ministério de Minas e Energia

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07.12.15
ED. 5263

JBS desmoraliza o “impeachment” do BNDES

 O processo de “impeachment” da JBS está fadado a morrer por inanição de argumentos. O conglomerado de empresas construído com o apoio do BNDES vai fechar o ano com um faturamento superior a R$ 180 bilhões e entra em 2016 como candidato a liderar o mais furioso processo de consolidação multissetorial do país. A recente aquisição da Alpargatas não deve ser vista como fato isolado. A J&F vai avançar em sua estratégia de diversificação. Entre os alvos estão construção pesada, agronegócio, energia e  celulose, segmento em que o grupo já atua por meio da Eldorado. Neste caso, todos os caminhos apontam para a fusão da empresa com a Fibria, da Votorantim – a operação de M&A mais decantada e aguardada no setor.  Os grupos de interesse que fazem oposição ao BNDES sempre apostaram no “impeachment” da JBS como uma ponte para  o“impedimento” do próprio banco. Mas não há Eduardo Cunha capaz de se contrapor a fatos e números tão superlativos. Principal negócio da J&F, o frigorífico vai romper neste ano a barreira dos R$ 165 bilhões em faturamento, 37% a mais do que em 2014, consolidando-se como a maior empresa privada do país. A dimensão destas cifras se estende à balança comercial. Ao fim deste ano, a JBS responderá por mais de 40% das exportações brasileiras de carne bovina, que deverão somar US$ 6bilhões. Em um exercício meramente hipotético, mantidas as respectivas taxas médias de crescimento nos últimos quatro anos, até 2020 a JBS superaria a própria Petrobras, tornandose o maior faturamento do Brasil entre as companhias não financeiras. Ressalte-se que esta é uma projeção extremamente conservadora, uma vezque, na ponta do lápis, a estatal promete um encolhimento para os próximos anos. Ou seja: a ultrapassagem pode vir antes.  Na área técnica do BNDES, há quem diga que o Brasil estaria em outro patamar se a cada dez operações de financiamento do banco houvesse uma JBS. Poucos negócios na história da instituição se revelaram tão lucrativos. Em 2007, quando o BNDES fez seu primeiro aportenna companhia, a ação estava em torno de R$ 7. Em setembro deste ano, a cotação atingiu seu maior patamar histórico – R$ 17,20. Se, nesse momento, a agência de fomento eventualmente tivesse vendido em mercado toda a sua posição na JBS, realizaria um ganho superior a R$ 6 bilhões. A J&F talvez seja hoje o que existe no Brasil de mais próximo dos chaebols, os grandes conglomerados industriais sulcoreanos, com negócios nos mais variados setores, formados a partir de uma empresamãe. O BNDES está indissociavelmente ligado à gênese deste cavalo vencedor. Em 2007, a JBS era um frigorífico com umareceita de R$ 4 bilhões por ano. Hoje, todos os negócios da J&F faturam essa soma a cada oitodias. O financiamento do banco à JBS teve um efeito multiplicador ao permitir que o grupo aumentasse seu nível de alavancagem para investir em outras áreas. À época, além da produção de carne bovina, a família Batista tinha apenas um negócio mais relevante, a Flora, fabricante de produtos de higiene e limpeza. De lá para cá, entrou nos setores de laticínios, celulose, financeiro, calçadista e até mesmo em mídia, com a aquisição do Canal Rural. Essa miríade de empresas soma 270 mil postos de trabalho – 150 mil no Brasil. A incorporação da Fibria aumentaria esse efetivo em 15 mil funcionários. O “impeachment” da JBS ou do BNDES seria também o“impeachment” dessa gente.

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