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03.09.19
ED. 6192

Câmbio do dia

O Palácio do Planalto já dá como certo um número recorde de emendas no Orçamento e de pedidos de recursos para obras em um primeiro ano de governo. É a fatura a ser paga aos parlamentares pela PEC da Previdência, a votação da indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada em Washington e a já precificada reforma tributária.

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30.08.19
ED. 6190

Argentina opõe ideológicos e pragmáticos do governo Bolsonaro

Há uma divisão no governo Bolsonaro em relação à Argentina, leia-se a maneira como o Capitão deve conduzir a agenda diplomática vis-à-vis a eleição presidencial de outubro no país vizinho. Uma parte do núcleo duro da gestão defende que Jair Bolsonaro precipite acordos bilaterais, ainda que a iniciativa venha a ser interpretada como uma manifestação de apoio à reeleição de Mauricio Macri. Despontam nesse grupo Eduardo Bolsonaro, principal condutor da política externa do governo, e o ministro Ernesto Araújo, na prática a segunda voz no Itamaraty.

Eles pregam que Bolsonaro deve, sim, manter a viagem a Buenos Aires que vem sendo preparada pelo Ministério das Relações Exteriores. Programada para outubro – não por coincidência pouco antes das eleições presidenciais argentinas do dia 27 – a visita teria como objetivo a assinatura do acordo para a construção de uma hidrelétrica binacional. Trata-se da primeira das duas usinas contempladas no Tratado de Aproveitamento Hídrico firmado entre os dois países em 1980. Os estudos para a instalação das duas geradoras foram iniciados em 1972, atravessaram quatro décadas e acabaram suspensos em 2015, pelo governo Dilma.

Não é difícil imaginar, desde já, o tom do discurso de Bolsonaro, dizendo que esse e outros investimentos conjuntos estão sob risco caso a “esquerdalha”, leia-se a chapa Alberto Fernández/Cristina Kirchner, ganhe as eleições. Do lado oposto está o Ministério da Economia, favorável a uma postura mais contida de Bolsonaro em relação à Argentina. Esta corrente é personificada, sobretudo, por Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais da Pasta. Troyjo não deixa de ser um adepto da “diplomacia ideológica”, mas, neste caso, age por puro pragmatismo. A batalha eleitoral na Argentina é vista como caso perdido.

As prévias indicaram que, salvo uma virada histórica de Macri, Fernández e Cristina estarão na Casa Rosada a partir de 2020. O que o governo Bolsonaro ganhará anatematizando o futuro presidente do terceiro maior parceiro comercial do Brasil? Por esta linha de raciocínio, a viagem do presidente a Buenos Aires e a consequente “ideologização” do acordo na área de energia trariam mais ônus do que bônus – ainda que as motivações para a campanha pró-Macri sejam perfeitamente compreendidas na Pasta da Economia. A julgar pelas últimas declarações de Jair Bolsonaro, a ala da “diplomacia do embate”, liderada por Eduardo Bolsonaro, vai prevalecer.

No Twitter, Bolsonaro publicou recentemente que “com o possível retorno da turma do Foro de São Paulo, agora o povo saca, em massa, seu dinheiro dos bancos. É a Argentina, pelo populismo, cada vez mais próxima da Venezuela”. Pouco depois, Eduardo também mandou o recado na rede social: “Nós que estamos aqui de fora olhando o que está acontecendo com a Argentina nem acreditamos. Mas ainda creio que a Argentina não naufragará em outubro”.

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20.08.19
ED. 6182

Eduardo Bolsonaro leva carne brasileira na bagagem para os EUA

Uma missão que é proteína pura para a balança comercial brasileira aguarda por Eduardo Bolsonaro na Embaixada de Washington: negociar o fim do embargo norte-americano às exportações de carne in natura do Brasil. A proibição se arrasta desde 2017, quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) determinou que o produto brasileiro não atende às suas normas sanitárias. Um carimbo negativo do USDA potencialmente fecha outros mercados para a carne brasileira.

Os produtores pressionam o Ministério da Agricultura e ouvem o mesmo discurso. Desde o início de 2018, ainda na gestão de Blairo Maggi, as autoridades garantem que a questão está prestes a ser resolvida. Nesse período, equipes do Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar do USDA já fizeram três rodadas de inspeção em frigoríficos brasileiros, a mais recente em maio. Nada mudou. Trata-se de uma tarefa para Eduardo Bolsonaro. Os frigoríficos brasileiros jogam suas fichas no canal direto entre o “03” e Donald Trump.

A nomeação de Eduardo para o principal posto da diplomacia brasileira coincide com um momento razoavelmente preocupante para o Brasil no mapa global da carne. Gradativamente, a Argentina tem recuperado terreno. Em 2016, as exportações portenhas mal passaram das 200 mil toneladas. Neste ano, devem triscar na marca de um milhão de toneladas. A distância para o Brasil cai a passos largos – no ano passado, as vendas do país foram de 1,4 milhão de toneladas.

O Brasil tem sofrido sobressaltos recentes no mercado mundial de carne bovina. Entre junho e julho, o país teve de suspender por quase 30 dias os embarques para a China devido a um caso de encefalopatia espongiforme bovina, a popular “mal da vaca louca”, no Mato Grosso. De novembro de 2017 a novembro de 2018, o Brasil ficou impedido de exportar para a Rússia. Autoridades russas identificaram na carne brasileira a presença da ractopamina, aditivo alimentar proibido naquele país. A retomada do comércio com os Estados Unidos é fundamental para levantar o valor reputacional da carne made in Brazil.

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15.08.19
ED. 6179

Hierarquia

As lideranças do governo no Senado – notadamente o Major Olímpio e Fernando Bezerra – estão mais empenhadas, neste momento, em acelerar a sabatina de Eduardo Bolsonaro rumo a Washington do que a votação da Reforma da Previdência.

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06.08.19
ED. 6172

Diplomacia

Eduardo Bolsonaro tem conduzido as negociações para a visita de Jair Bolsonaro à Hungria, provavelmente em outubro. O “03” mantém linha direta com o primeiro-ministro Viktor Orbán, com quem esteve em abril deste ano. Mais uma vez, o chanceler Ernesto Araújo apenas assiste ao jogo.

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05.08.19
ED. 6171

Subsolo brasileiro será a moeda de troca do embaixador Eduardo Bolsonaro

Uma missão prioritária está reservada para Eduardo Bolsonaro, futuro Embaixador em Washington e chanceler in pectore do governo Bolsonaro. Caberá ao “03” colocar em marcha uma política de troca de recursos minerais estratégicos por acordos comerciais bilaterais. O projeto nasce da premissa de que o Brasil não tem outra moeda de negociação com o mundo: o subsolo é o único grande ativo que sobrou para ser colocado sobre o tabuleiro das relações internacionais. A ideia explica a ênfase com que Bolsonaro tem se referido à abertura de reservas indígenas e de áreas de proteção ambiental para investidores privados, assim como sua insistência em nomear Eduardo para a Embaixada do Brasil em Washington.

Os Estados Unidos despontam como parceiros preferenciais. Para além da relação de proximidade ideológica entre Donald Trump e Bolsonaro, razões de ordem geoeconômica empurram os norte americanos para o negócio. O governo Trump teria todo o interesse de reduzir o espaço para a entrada dos chineses na extração de minerais estratégicos no Brasil. À exceção de minério de ferro, manganês, nióbio e cobre, abundantes nestas terras, um acordo com o Brasil faria da China um monopsônio das importações dos demais minerais do país. Ela poderia se tornar o único ou, ao menos, o principal comprador, transformando as reservas nacionais em enclaves orientais em solo brasileiro. Seria uma guerra fria polimetálica se o Tio Sam já não fosse o eleito.

No que depender das motivações de parte a parte, a Amazônia tem tudo para virar uma espécie de 51º segundo estado norte-americano. O projeto envolveria dois grandes perímetros territoriais da Região Amazônica: a Reserva Nacional do Cobre (Renca) e a Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Jair Bolsonaro quer dar sequência ao que Michel Temer ensaiou, mas não fez, notadamente no caso da Renca. Em agosto de 2017, Temer assinou decreto extinguindo a Renca e liberando a área para a exploração privada. Um mês depois, diante da pressão que sofreu, revogou a decisão. Guardadas as devidas proporções, a Reserva Nacional do Cobre é uma espécie de pré-sal da mineração. Trata-se de uma próspera província metalogenética.

No subsolo de seus mais de 46 mil quilômetros quadrados espalhados pelo Pará e Amapá, repousam, além do metal que lhe dá nome, ouro, titânio, fósforo, estanho, tântalo e grafita, segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). Há ainda registros de bauxita, manganês e diamante. A Reserva Raposa Serra do Sol, por sua vez, ocupa uma extensão de 17 mil quilômetros em Roraima. O governo Bolsonaro oferecerá aos investidores internacionais, de acordo com estudos da CPRM, seu subsolo cravejado de diamante e ouro. Nesse grande projeto de entrada de investidores internacionais nos “santuários” minerais do Brasil, ficariam faltando apenas os nódulos polimetálicos. São depósitos de minerais no fundo do oceano.

A costa brasileira está cheia deles. O maior e mais cobiçado é a Elevação do Rio Grande, na altura do Rio Grande do Sul. Essa Atlântida multimineral está localizada além das 200 milhas náuticas. Mas existe uma possibilidade do país ampliar seu mar territorial caso fique comprovado que a área é uma extensão geológica de terras brasileiras quando da separação da América do Sul da África.O governo já solicitou permissão à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos para fazer pesquisas no local. É mais fácil dizer o que não há naquelas profundezas. Já foram comprovadas as presenças de cobalto, níquel, cobre e manganês, além de zincônio, tântalo, telúrio, tungstênio, nióbio, tório, bismuto, platina, cério, európio, molibdênio e lítio. Vão para o portfólio com que Eduardo Bolsonaro correrá o mundo.

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02.08.19
ED. 6170

Jurisprudência diplomática

Apesar de toda a celeuma em torno do rito de nomeação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada em Washington, não foi a primeira vez que o governo brasileiro enviou uma consulta prévia ao exterior para posto diplomático antes da aprovação pelo Senado. Em 2015, no governo Dilma, o Itamaraty adotou procedimento semelhante para a indicação de Guilherme Patriota, irmão do embaixador Antonio Patriota, como representante do Brasil na OEA. Primeiro, encaminhou o nome para a entidade para só depois submetê-lo à sabatina do Senado. O carro na frente dos bois não acabou bem: a nomeação de Guilherme foi barrada pelos senadores por 38 votos a 37. Não deverá ser o caso de Eduardo Bolsonaro.

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23.07.19
ED. 6162

A decolagem de Eduardo Bolsonaro

Logo após o recesso parlamentar, o Palácio do Planalto vai botar pressão para acelerar a aprovação do projeto que autoriza a parceria Brasil e Estados Unidos e o uso conjunto da Base de Alcântara. Trata-se de um acordo repleto de simbolismo que poderia ser capitalizado como o primeiro ato de Eduardo Bolsonaro na Embaixada em Washington.

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23.07.19
ED. 6162

Deu na Fox News

A máquina de comunicação digital do clã Bolsonaro, ao que parece, entrou em ação para dar “suporte” à indicação de Eduardo Bolsonaro à Embaixada do Brasil em Washington. Nos últimos dias, redes sociais e grupos de WhatsApp têm sido torpedeados por uma entrevista do “03” à Fox News – praticamente a emissora oficial da direita norte-americana –, concedida um mês antes da posse de Jair Bolsonaro. O vídeo é envelopado como uma prova da boa relação entre Eduardo Bolsonaro e o governo Trump.

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22.07.19
ED. 6161

Ministro-adjunto

Se alguém ainda tinha alguma dúvida do by pass no Itamaraty, o ministro Ernesto Araújo confidenciou a uma fonte do RR que só soube da pretensão de Jair Bolsonaro de indicar Eduardo Bolsonaro para a Embaixada em Washington poucos minutos antes da famosa live ao lado do presidente, quando ele disparou a novidade.

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22.07.19
ED. 6161

Embaixador

Enquanto Washington não chega, Eduardo Bolsonaro vai aparando arestas “diplomáticas” domésticas. O “03” recebeu a missão de aplainar a insatisfação do apresentador José Luiz Datena, que foi sondado pelo próprio Eduardo para disputar a Prefeitura de São Paulo pelo PSL e, por ora, perdeu o posto para Joice Hasselmann.

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17.07.19
ED. 6158

Efeito dominó

Em suas frenéticas elucubrações, Jair Bolsonaro cogita indicar Nestor Forster para a Embaixada do Brasil em Roma. Atual nº 2 em Washington, o “olavista” Forster era favoritíssimo para o posto de titular antes da iminente nomeação de Eduardo Bolsonaro. O problema é que sua ida para Roma implicaria a deselegante “desindicação” de Helio Ramos, muito próximo a Rodrigo Maia. Mas do furacão Bolsonaro pode se esperar tudo.

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16.07.19
ED. 6157

“Foro de Brasília” é uma missão à espera do “03”

A possível indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada do Brasil em Washington é apenas parte da girândola de planos de Jair Bolsonaro para a área de relações exteriores. Segundo um estrategista palaciano, há um obsessivo projeto de construção de um arco com a direita internacional que vai além da eventual ida do “03” para os EUA. Na verdade, o papel que está destinado a Eduardo seria a coordenação de uma espécie de “Foro de Brasília”, como o nome pode sugerir um antípoda do satanizado Foro de São Paulo. O deputado passaria a ter formalmente a responsabilidade de conduzir as relações entre o governo brasileiro e o espectro de lideranças da direita mundial, que vai de Donald Trump a Recep Erdogan, na Turquia, passando por Matteo Salvini, na Itália, e Viktor Orbán, na Hungria. Dentro dessa lógica, o determinante é a missão que será dada a Eduardo Bolsonaro e não necessariamente sua posição geográfica. Tanto que a nomeação para a Embaixada em Washington é apenas uma face da moeda que rodopia sobre a mesa de Jair Bolsonaro. De acordo com a fonte do RR, outra hipótese aventada pelo presidente é a ida de Eduardo para o Palácio do Planalto, projeto que chegou a ser cogitado no passado recente – ver RR edição de 23 de abril. Neste caso, o deputado seria uma espécie de Marco Aurélio Garcia com sinal ideológico trocado, em alusão ao assessor especial da Presidência na era PT. E o “Foro de Brasília” seria oficializado dentro da sede do governo. Discípulo de Olavo de Carvalho, Eduardo capturaria de vez o Itamaraty, carregando as Relações Exteriores para o lado do gabinete da Presidência e criando um novo bunker para “olavistas” dentro da estrutura de poder.

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28.06.19
ED. 6145

Fogo muito mais do que amigo

Às vezes, até Eduardo Bolsonaro joga contra os interesses do governo. Foi o que ocorreu na última terça-feira. O “03”, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, foi um dos parlamentares que faltaram à sessão na qual seriam analisados os termos do acordo assinado entre Jair Bolsonaro e Donald Trump, em março, para o uso da Base de Alcântara (MA). Resultado: a reunião foi suspensa por falta de quórum. Eduardo viajou para o Japão com o pai e nem sinal de nova data para a análise do projeto.

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24.06.19
ED. 6141

Direita, volver

Segundo informações filtradas do Itamaraty, a visita de Jair Bolsonaro à Hungria, de Viktor Orbán, deverá ocorrer em setembro. O Itamaraty costura ainda a escala em Varsóvia, para o encontro com o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki. Bolsonaro, claro, terá a companhia do “ministro paralelo” das Relações Exteriores, Eduardo Bolsonaro, que já esteve com Orbán em abril. Consultado, o Itamaraty informou que “as viagens serão confirmadas oportunamente”.

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24.05.19
ED. 6121

Direita busca a coesão em concílio digital

Os ativistas de direita que se tornaram ex-bolsonaristas ou bolsonaristas com dor de cotovelo planejam um encontro para alinhar posições e discutir uma estratégia comum. Umas das propostas, segundo apurou o RR, é que o evento seja a primeira convenção digital da direita. A iniciativa é atribuída ao cantor Lobão. A pauta dos debates é incandescente. Vai da cooptação do vice-presidente Hamilton Mourão à atitude em relação ao filósofo Olavo de Carvalho (“enfrentamento ou congelamento”) até um plano com medidas alternativas de governo.

Há personagens mais e menos revoltados com Jair Bolsonaro. O colunista Reinaldo Azevedo, por exemplo, tornou-se quase um petista raivoso. São ativistas magoados o jornalista Augusto Nunes, o líder do MBL, Kim Kataguiri, e o ator e deputado Alexandre Frota. O cantor Lobão é o principal agregador do grupo. Ele tem um site – o “Lobão oficial” – que virou um point digital da “direita”. O escritor Martin Vasques da Cunha, o economista Rodrigo Constantino e o jornalista Francisco Escorsin estão na linha de tiro dos bolsonaristas, mesmo sendo do time construtivo, que acredita em uma virada na direção do “bem”.

O assessor internacional do Palácio do Planalto, Filipe Martins, por sua vez, tem sido chamado de “jacobino olavista”. Está à beira do expurgo. O filósofo Luiz Felipe Pondé – que também usa seu programa de entrevistas na internet como bunker ideológico – é um dos cruzados direitistas mais light, que tem expectativa de arrumar a casa. Consultado pelo RR sobre a proposta de realização de uma convenção digital organizada por Lobão e outros expoentes da nova direita brasileira, Pondé disse: “Não fui contatado por eles ainda”.

Janaina Paschoal e Lobão oscilam entre o “pau puro” e a “volta para casa”. Janaina é a mais empolgada em criar um canal direto junto a Hamilton Mourão. É difícil, mas a ideia é que, pelo menos em relação a alguns pontos, todo esse pessoal fale a mesma língua. Mas há um consenso de que é preciso afinar os discursos. Nas palavras atribuídas a Lobão, “a direita não pode ser o lobo da direita”. Dividida a direita já está. Mas pode piorar. Seus líderes acreditam que o racha vai aumentar após as manifestações do próximo domingo.

A julgar pelas reações antagônicas que a convocação gerou dentro da base de apoio de Jair Bolsonaro, esse risco não é pequeno. No entanto, há quem pense o contrário e enxergue nos protestos uma oportunidade de conciliação e até uma forma de estímulo à militância. Que o diga Alexandre Frota, que até alguns dias trás vinha sendo considerado persona nom grata pelo clã dos Bolsonaro – Eduardo Bolsonaro chegou a chamá-lo de “caroneiro”.

Em conversa com o RR, o deputado se disse, com todas as letras, integrante da “tropa de choque do presidente Bolsonaro”: “Eu me considero um guerreiro e não temo a esquerda.” A lealdade, no entanto, não o impede de dar uma cutucada no Capitão: “Acho que ele não prestigia o PSL como faz com o DEM, partido detentor de muitos cargos no governo”. Já o economista Rodrigo Constantino não esconde seu incômodo com a ala bolsonarista, que “continua agindo como se estivesse em campanha eterna”. Constantino acredita que as divergências vão se acentuar: “É como se Bolsonaro tivesse sido eleito para imperador absolutista. Há claro desprezo pela democracia em si. Portanto, não vejo como essa divisão se aliviar, já que a ala jacobina deve dobrar a aposta em sua retórica autoritária, o que os liberais e conservadores jamais aceitarão.”

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Luciana Gimenez quer agora reunir Eduardo, Carlos e Flavio Bolsonaro para um bate-papo família em seu programa. A entrevista chapa-branca com Jair Bolsonaro, na última semana, rendeu à apresentadora sua maior audiência em mais de um ano.

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09.05.19
ED. 6110

Horário nobre

Depois de José Luiz Datena e Silvio Santos, Jair Bolsonaro deverá bater ponto no programa de Mariana Godoy, na Rede TV. A família já é habitué: há cerca de 15 dias, Eduardo Bolsonaro deu uma entrevista à apresentadora.

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O ministro Sérgio Moro, ao que parece, quer distância de balbúrdia nas redes sociais. Cerca de um mês após entrar no Twitter, segue apenas 13 perfis, limitando-se à conta oficial de Jair Bolsonaro ou de Ministérios. Nada de Carlos ou Eduardo Bolsonaro, os agitadores-mor da República virtual.

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08.04.19
ED. 6089

O medo aterrorizante que a família Bolsonaro tem de Olavo de Carvalho

Considerado a eminência parda da gestão Bolsonaro, o filósofo Olavo de Carvalho tornou-se o embrião de uma crise política, com potencial de desmoralizar o governo. Carvalho achincalha aliados e adversários. Com suas centenas de milhares de seguidores, funciona como uma mídia autorizada pelo clã Bolsonaro. Os capítulos mais recentes do pesadelo são os seguintes:

  • O presidente deixa implícito seu temor em desautorizar Olavo Carvalho. O filósofo privou da intimidade de Bolsonaro. Sabe das coisas e é disparatado o suficiente para trazer essas informações às redes sociais.
  • A timidez do presidente Bolsonaro com o bruxo está levando o episódio às raias de uma crise com os militares, da ativa e da reserva. O filósofo emporcalha as Forças Armadas. O tempo de enquadrar Carvalho já passou.
  • Cada vez mais moderado na sua exposição pública, internamente o  vice-presidente Hamilton Mourão é o mais revoltado com as ofensas do ideólogo. Se ouvisse o que diz o general, Carvalho ia se esconder no Zimbábue ou no Tibete.
  • No entorno do presidente existem suspeições de que a imunidade de Olavo de Carvalho deve-se às suas relações especiais com o Departamento de Estado norte-americano. Parece uma teoria da conspiração. Mas, sabe-se lá?
  • Está decidido que o diplomata da família Bolsonaro junto a Carvalho será o deputado Eduardo Bolsonaro. Caberá a ele acalmar a fera. Eduardo tem uma deferência por Carvalho até maior do que os demais. Mas, devido aos laços de afetividade, é quem tem menos medo. É o cara ideal para convencer o filósofo a conter sua sanha, que pode aca- bar abortando um projeto comum liberal, conservador, antiglobalista e anticomunista.
  • Carvalho não topa escambos. Já recusou duas vezes cargos diplomáticos. Seu poder é o que sabe e como revela.
  • Há preocupação de que o filósofo use suas manifestações de paranoia – real ou teatral, não interessa – no Facebook para dizer- se ameaçado de morte, acusando o governo de ter se tornado uma “República Assassina”, e geran- do um fenômeno psicossocial de consequências imprevisíveis.

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21.01.19
ED. 6037

O guru é cruel

No YouTube, Olavo de Carvalho chamou de “palhaços” os parlamentares do PSL que viajaram à China. Fora do ar foi ainda mais cruel: chegou a recomendar a Eduardo Bolsonaro a expulsão de todos do partido. Como os Bolsonaro não vão rasgar voto no Congresso, vai ficar o dito pelo não dito.

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18.01.19
ED. 6036

As voltas que os Bolsonaro dão

A título de lembrança: no dia 9 de maio de 2017, Eduardo Bolsonaro declarou em seu Twitter ser a favor do fim do foro privilegiado. Talvez não seja exatamente o pensamento do irmão mais velho. Ao menos neste momento. Ontem, foi justamente em cima do entendimento de que a prerrogativa de foro já se aplica ao senador eleito que a defesa de Flavio Bolsonaro conseguiu suspender as investigações sobre o “caso Queiroz”, com a decisão do ministro Luiz Fux.

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11.12.18
ED. 6012

Itamaraty do B

Eduardo Bolsonaro já desponta como chanceler informal do governo de seu pai. Após a visita aos Estados Unidos, já articula uma viagem à Ásia logo no início de 2019 para uma rodada de encontros com investidores locais.

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10.12.18
ED. 6011

Ameaça vermelha

Como se não bastasse a refrega entre Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann, uma questão aparentemente prosaica causa fissuras no PSL. Trata-se do convite do Partido Comunista Chinês a parlamentares brasileiros para uma visita a Pequim. O presidente do PSL, Luciano Bivar, defende a ida de uma comitiva da legenda. No entanto, boa parte da bancada, incluindo a própria Joice, rechaça a ideia de pisar “naquela terra de comunistas”.

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20.11.18
ED. 5997

Balão de ensaio murcho

A proposta de Eduardo Bolsonaro de “criminalizar o comunismo” é tratada como algo despropositado dentro da própria bancada do PSL. Segundo o RR apurou, pelo menos 22 dos 52 deputados eleitos já se posicionaram contra a ideia. Entre eles, o próprio presidente do partido, Luciano Bivar.

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12.11.18
ED. 5992

Direita volver

O deputado Eduardo Bolsonaro articula a criação do que ele mesmo tem chamado de um “Foro de São Paulo da direita”. Sua intenção é reunir a nata do pensamento liberal em um grande evento, em São Paulo, logo no início do governo Bolsonaro. Do encontro brotaria a nova organização. Sua ideia é aproveitar a onda Bolsonaro para galvanizar a imagem do presidente eleito como o grande representante da direita no Brasil e até mesmo na América Latina.

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03.10.18
ED. 5966

Lobby inflamável

Promete ser quente a disputa pela presidência da Frente Parlamentar de Biocombustíveis para a próxima legislatura – o atual líder, o deputado Evandro Gussi (PV-SP), não concorre à reeleição. Os dois candidatos mais fortes são Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do Capitão, e Baleia Rossi (MDB-SP), unha e carne de Michel Temer e citado na delação premiada do marqueteiro Duda Mendonça. A Frente Parlamentar tem uma agenda para 2019 que, digamos assim, deve valorizar o papel de seus integrantes: aprovar na Câmara a autorização para que as próprias usinas sucroalcooleiras vendam etanol diretamente ao consumidor final, sem a necessidade de um distribuidor.

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