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07.08.19
ED. 6173

Bilionários brasileiros também vão pedir maior tributação sobre sua fortuna

Reconheçamos: os americanos representam boa parte da alegria existente neste mundo (apud Caetano Veloso). Contudo, se depender de alguns notórios magnatas norte-americanos, os yankees vão exportar muito mais do que diversão e arte, e, sim, cases hiperbólicos de distributivismo tributário e de sua régia filantropia imperialista. O “tubaronato” de boutique dos EUA quer pagar mais imposto. O desejo dos plutocratas é de contribuir mais com o Fisco. Ele serve também ao interesse de publicizar uma elite hegemônica que, pelos sinais de desprendimento, “deve ser melhor do que as congêneres internacionais” – é batata que vão dizer isso no devido tempo.

Mas mentiras sinceras nos interessam. Os americanos revelam compreensão de que o caro sai barato quando se trata de conter futuras erupções sociais. Sim, alguma coisa se quebrou ou está se quebrando na engrenagem da acumulação primária de capital. Mas quebrando para melhor. Os 19 bilionários do Tio Sam, que querem porque querem ser taxados, são em sua maioria de segunda geração. Os sobrenomes são reluzentes: Soros, Hughes e Disney. A jovem Liesel Pritzker Simmons, uma das bilionárias dedicadas à causa, pretende inaugurar uma diplomacia distributivista na Europa. Pois saibam que uma fonte do RR no Itaú Unibanco confidenciou a boa nova: um grupo de empresários graúdos tupiniquins estaria seguindo o exemplo e arregimentando signatários para uma carta ao governo brasileiro. O quanto a decisão é firme, porém, ainda se trata de uma incógnita.

Por ora, devido à concentração geográfica da riqueza brasileira, o documento pode ser chamado de “Carta da Av. Paulista”. O informante revela que o Itaú Unibanco é o hub dos ricaços dispostos a ceder parte da sua fortuna. Mas nem todos os biliardários têm convicções tão profundas sobre a importância de uma distribuição de renda mais aguda entre os segmentos polares da sociedade. O RR fez uma leitura diagonal do perfil de cada um. O médico José Luiz Setúbal, um dos donos da instituição financeira, prega a doação como uma obrigatória medida de consciência. Atualmente, o médico já doa cerca de um terço dos seus rendimentos. Faz ainda filantropia nas áreas hospitalar e de startups para o setor de saúde. Se depender dele, o Leão da Receita pode rasgar os seus bolsos com garras afi adas e levar boa parte da grana.

Neca Setúbal está bem próxima do irmão em sensibilidade para a pobreza e a tributação regressiva do Brasil. Os irmãos Walter Moreira Salles Jr., João Moreira Salles, Pedro Moreira Salles e Fernando Moreira Salles são todos príncipes, habitués no exercício da cidadania empresarial. Sua eventual disposição de apoiar uma maior justiça nos impostos estaria perfeitamente em linha com sua postura na vida pública. A mais aristocrática representante da casa bancária fundada por Eudoro Villela e Olavo Setúbal, a socialite Milu Villela, não está perto de configurar um modelo de ricaça preocupada com o social. A filantropia da Sra. Villela é a das bienais e do Museu de Arte Moderna de São Paulo, contribuições tão importantes quanto estereotipadas, que cabem à perfeição em seus vestidos de grife da Av. Champs Élysées. Guilherme Leal, da Natura, veste as medidas certas da visão corporativa social. A uma segunda vista, porém, Leal pende mais para o lado corporativo do que o social.

Digamos que mais para o ambiental. Sócios da Península, Abilio Diniz e Ana Maria Diniz estariam fracionadamente, em menor e maior condição, prontos para abrir a carteira. Abílio não exibe, em sua história empresarial, qualquer atitude que mostre coerência com a decisão de se imolar frente ao Fisco com o objetivo de ser mais justo. Se confirmada sua intenção, estaria surpreendendo mesmo os parentes mais próximos. Que Abílio é esse? Bem ao contrário da filha, Ana Maria, cuja dedicação à área de ensino e compreensão da diferença abissal que separa as classes abastadas e as mais sofridas tornam naturalmente crível sua opção por uma tributação social. A empresária Luiza Trajano tem uma physique du rôle dúbia para fazer parte do time. É conhecida pelo estilo de gestão humanitária, já perfilou do lado do PT e por pouco não foi ministra de Dilma Rousseff.

Suas características tendem mais para uma colecionadora de coletivos identitários, a exemplo do Grupo Mulheres do Brasil, que lidera desde 2012. Mas fica o benefício da dúvida para Luiza. Miguel Krigsner e Artur Grynbaum, sócios da Boticário, se enxergam em um espelho e veem Guilherme Leal. Não se sabe bem quem é a cópia, quem é o original. Jaime Garfinkel e Bruno Garfinkel são pai e filho, controladores da Porto Seguros. O clã não tem lá grande empatia com o social. Espanta sua presença na lista. Além da associação com o Itaú Unibanco, não há muito mais que os vincule aos empresários elencados. Quem os conhece afirma que ambos estão na ponta adversa, ou seja, querem pagar menos à Receita. O RR, frente ao inusitado da informação, procurou, é claro, cada um dos nomes citados na lista dos bilionários dispostos a contribuir mais junto ao governo.

Fez seguidas tentativas de contato, por telefone e e-mail, com todos. Nenhum deles quis comentar o assunto. Tampouco negou a iniciativa. Ao que parece, os afortunados preferem manter discrição sobre a tour de force distributivista. Ao menos, espera-se que o silêncio não seja sinal de recuo. Na ponta dos dedos, a carta prótributo dos brazucas tem somente cinco signatários a menos do que a dos norte-americanos, ou seja, 14 bilionários. Segundo a consultoria PwC, os abastados brasileiros pagam menos tributos do que os seus congêneres no G-20. Os seis maiores biliardários do país, com patrimônio de R$ 280 bilhões e fortuna equivalente à soma de 100 milhões de brasileiros, não constam da lista dos defensores da justiça tributária.

Na ordem decrescente são eles: Jorge Paulo Lemann, Joseph Safra, Marcel Telles, Carlos Alberto Sicupira, Eduardo Saverin e Ermírio Pereira de Moraes. Desde que a direita trumpista e a bolsonarista transformaram qualquer ato de solidariedade fiscal na ameaça de um comunismo degenerado, Brasil e Estados Unidos não se viam alinhados em uma boa causa. Talvez nunca tenham se alinhado em boa causa nenhuma. Mesmo que as conversas fi quem restritas a gatos gordos pingados do andar de cima, vale a torcida para que o desprendimento seja convicto e se irradie em todas as direções. E que ele não se repita em nossas plagas sob a forma de fraude. A verdade é que a newsletter ficou cheia de orgulho com a simples hipótese de uma depurada parcela da  nossa elite, porta bandeira secular do atraso, estar pensando em uma atitude tão bacana.

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30.10.18
ED. 5984

Fake or not fake?

Quem viver verá. Nos próximos dias diversas empresas anunciarão a retomada de planos, estudos de investimentos, expectativa de aumento de produção etc. Há muito de verdadeiro e muito de combinado nesse movimento. Nem tudo é o que parece ser.

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01.06.18
ED. 5879

PIB do 1º trimestre: todo crescimento significa recuperação?

O crescimento do PIB no 1º trimestre de 2018 foi fraco: 0,4% em relação ao trimestre anterior. É um crescimento sem empolgação empresarial. O Brasil parece ainda estar em uma crise econômica: o PIB tem um tamanho muito inferior ao PIB de 2014 (ver gráfico), a taxa de desemprego é muito elevada e a fraqueza da demanda por produtos e serviços é prolongada.

 

No 1º trimestre de 2018, a produção industrial tropeçou, esteve basicamente estagnada, com valores 10% menores em relação ao que tinha no 1º trimestre de 2014. (fonte: PMI/IBGE). O volume de vendas do comércio varejista e o volume de serviços tiveram comportamentos bastante semelhantes ao da produção industrial. (fonte: PM/IBGE e PMS/IBGE) O Brasil viveu duas crises recessivas nos anos 1981-1983 e nos anos 1990-1992. Essas crises não foram tão graves quanto é a atual. Embora o desemprego tenha crescido naquelas ocasiões, não foi um crescimento muito acentuado. Mas, mais importante: o crescimento voltou a taxas vigorosas após as duas crises do século passado. (ver tabela)

Nos anos 1981-1983 e 1990-1992, a saída da crise veio através de elevadas taxas de crescimento do PIB acompanhadas da volta dos investimentos. A volta dos investimentos está para uma economia em crise assim como a volta do apetite está para um indivíduo em situação de pós-operatório. O crescimento do investimento no 1º trimestre de 2018 foi de 0,6% em relação ao trimestre anterior. Era o esperado diante da fraqueza do paciente. Alerta para reflexão: a economia brasileira pode estar vivendo uma situação de anormalidade crônica sem mostrar sinais de colapso total ou de recuperação conectada com uma expansão. Assim, navega com taxas baixas e voláteis que são do ponto de vista aritmético identificadas como crescimento positivo, mas do ponto de vista analítico podem não significar uma real recuperação econômica.

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01/06/18 9:40h

marcosrosa

disse:

Sugiro ao RR associar esta fraqueza à taxa de juros aplicada no mercado de crédito. Para a maioria da população não fica evidente o que está acontecendo, quando Illan e Meirelles ou Guardia baixam a taxa de juros, os únicos beneficiados são as instituições financeiras, que aumentam seu spread, pois não baixam o juro para o tomador do crédito, desta forma, não impulsionam a retomada da economia. Numa economia combalida não é possível que os bancos capturem todo o benefício da redução da taxa básica de juros. Desta forma não há incentivo para que o empreendedor da economia real tome o crédito para investir. Basta verificar os resultados trimestrais dos bancos, mesmo numa economia fraca os resultados são excepcionais. No governo Lula a taxa básica era mais alta mas os bancos podiam repassar ao consumidor de crédito taxas melhores, pois a base de tomadores de crédito era maior. Com uma base de tomadores de crédito diminuída, as instituições financeiras estão fazendo seus resultados aumentando o spread. Isso vira um ciclo vicioso que apenas um governo pode quebrar. Visto o atual "governo" que temos, não espero que isso venha a acontecer, muito menos em época de eleição. Saudações, Marcos.