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27.09.19

Usineiros tentam erguer uma barricada contra etanol de Trump

Escancarar de vez as portas para o etanol norte-americano ou atender aos apelos da indústria sucroalcooleira nacional, com as insondáveis consequências de um raríssimo “não” a Donald Trump? Com a palavra, o governo Bolsonaro, em especial o virtual embaixador brasileiro em Washington, Eduardo Bolsonaro. Grandes usineiros do país têm buscado uma interlocução mais próxima com o “03” na tentativa de conter o avanço do combustível norte-americano no mercado brasileiro. Reunidos sobre a égide da Única, empresários do setor vêm municiando Eduardo com estudos que apontam para o risco de uma nova quebradeira de usinas e demissões em massa caso o governo brasileiro faça ainda mais concessões ao etanol produzido nos Estados Unidos, sobretudo nas condições de baixa reciprocidade colocadas sobre à mesa.

Há pouco mais de um mês, o governo Bolsonaro cedeu algumas jardas. Ampliou a cota a que os Estados Unidos têm direito sem cobrança do tributo de 20%. O teto para a venda de etanol ao Brasil isento de tarifa subiu dos 600 milhões, limite fixado no governo Temer, para 750 milhões por ano. A nova cota corresponde a mais de 60% do total de exportações norte-americanas para o Brasil, em torno de 1,2 bilhão de litros por ano. O Tio Sam, como de hábito, quer mais.

Os Estados Unidos têm feito crescente pressão para garantir plena isenção alfandegária, como era até 2017. A julgar pelo poder de persuasão de Trump sobre os Bolsonaro, esta se anuncia como uma batalha perdida para os usineiros. Para a indústria sucroalcooleira nacional, a única contrapartida razoavelmente palatável à perda de mercado local para o etanol norte-americano seria a possibilidade de aumentar as vendas de açúcar aos Estados Unidos. Para isso, no entanto, é necessário que Trump aceite reduzir as draconianas barreiras tributárias para a entrada do produto brasileiro no país.

Hoje, a tonelada do açúcar fabricado no Brasil chega aos Estados Unidos em torno de US$ 270. Mas cada tonelada que supera a cota anual a que o Brasil tem direito é sobretaxada em US$ 339. Não há qualquer sinal de que Trump esteja disposto a baixar esse sarrafo . Segundo fonte do Palácio do Planalto, os norte-americanos acenam com um “troco” de duvidosa valia para o Brasil: investimentos de grandes grupos norte-americanos para fomentar a produção de etanol de milho em território brasileiro. Para a indústria sucroalcooleira, a proposta não passa de um cavalo de troia dentro do cavalo de troia, uma vez que estas empresas também chegariam para deslocar mercado das usinas nacionais.

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12.09.19

Capítulo automotivo

Na troca de interesses entre Donald Trump e Eduardo Bolsonaro há um capítulo automotivo.

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23.08.19

Menos médicos

Jair Bolsonaro e Donald Trump têm mais um ponto de afinidade: Brasil e Estados Unidos são os dois maiores “caloteiros” da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). O governo brasileiro já deve cerca de US$ 25 milhões ao coletivo multilateral. A dívida dos EUA, por sua vez, soma mais de US$ 100 milhões. Com carência de recursos, a entidade, que reúne 35 países, sangra. Segundo uma fonte da própria OPAS, a direção da instituição já discute a demissão de três mil dos mais de dez mil contratados da área médica. No Brasil, um dos órgãos mais afetados deverá ser o Centro Latino-Americano de Informações em Ciências da Saúde (Bireme), em São Paulo.

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05.08.19

Subsolo brasileiro será a moeda de troca do embaixador Eduardo Bolsonaro

Uma missão prioritária está reservada para Eduardo Bolsonaro, futuro Embaixador em Washington e chanceler in pectore do governo Bolsonaro. Caberá ao “03” colocar em marcha uma política de troca de recursos minerais estratégicos por acordos comerciais bilaterais. O projeto nasce da premissa de que o Brasil não tem outra moeda de negociação com o mundo: o subsolo é o único grande ativo que sobrou para ser colocado sobre o tabuleiro das relações internacionais. A ideia explica a ênfase com que Bolsonaro tem se referido à abertura de reservas indígenas e de áreas de proteção ambiental para investidores privados, assim como sua insistência em nomear Eduardo para a Embaixada do Brasil em Washington.

Os Estados Unidos despontam como parceiros preferenciais. Para além da relação de proximidade ideológica entre Donald Trump e Bolsonaro, razões de ordem geoeconômica empurram os norte americanos para o negócio. O governo Trump teria todo o interesse de reduzir o espaço para a entrada dos chineses na extração de minerais estratégicos no Brasil. À exceção de minério de ferro, manganês, nióbio e cobre, abundantes nestas terras, um acordo com o Brasil faria da China um monopsônio das importações dos demais minerais do país. Ela poderia se tornar o único ou, ao menos, o principal comprador, transformando as reservas nacionais em enclaves orientais em solo brasileiro. Seria uma guerra fria polimetálica se o Tio Sam já não fosse o eleito.

No que depender das motivações de parte a parte, a Amazônia tem tudo para virar uma espécie de 51º segundo estado norte-americano. O projeto envolveria dois grandes perímetros territoriais da Região Amazônica: a Reserva Nacional do Cobre (Renca) e a Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Jair Bolsonaro quer dar sequência ao que Michel Temer ensaiou, mas não fez, notadamente no caso da Renca. Em agosto de 2017, Temer assinou decreto extinguindo a Renca e liberando a área para a exploração privada. Um mês depois, diante da pressão que sofreu, revogou a decisão. Guardadas as devidas proporções, a Reserva Nacional do Cobre é uma espécie de pré-sal da mineração. Trata-se de uma próspera província metalogenética.

No subsolo de seus mais de 46 mil quilômetros quadrados espalhados pelo Pará e Amapá, repousam, além do metal que lhe dá nome, ouro, titânio, fósforo, estanho, tântalo e grafita, segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). Há ainda registros de bauxita, manganês e diamante. A Reserva Raposa Serra do Sol, por sua vez, ocupa uma extensão de 17 mil quilômetros em Roraima. O governo Bolsonaro oferecerá aos investidores internacionais, de acordo com estudos da CPRM, seu subsolo cravejado de diamante e ouro. Nesse grande projeto de entrada de investidores internacionais nos “santuários” minerais do Brasil, ficariam faltando apenas os nódulos polimetálicos. São depósitos de minerais no fundo do oceano.

A costa brasileira está cheia deles. O maior e mais cobiçado é a Elevação do Rio Grande, na altura do Rio Grande do Sul. Essa Atlântida multimineral está localizada além das 200 milhas náuticas. Mas existe uma possibilidade do país ampliar seu mar territorial caso fique comprovado que a área é uma extensão geológica de terras brasileiras quando da separação da América do Sul da África.O governo já solicitou permissão à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos para fazer pesquisas no local. É mais fácil dizer o que não há naquelas profundezas. Já foram comprovadas as presenças de cobalto, níquel, cobre e manganês, além de zincônio, tântalo, telúrio, tungstênio, nióbio, tório, bismuto, platina, cério, európio, molibdênio e lítio. Vão para o portfólio com que Eduardo Bolsonaro correrá o mundo.

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29.07.19

Que Guedes é esse?

Intrigante a forma como a Amcham Brasil está promovendo a palestra do secretário de Comércio Exterior dos EUA, Wilber Ross, amanhã, em São Paulo. Ele é chamado pela Câmara de “Paulo Guedes do governo Trump”. Longe disso. Ross tem sido criticado por Trump e está com a cabeça a prêmio.

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18.12.18

Política interna será o termômetro para o “Itamaraty de Jair Bolsonaro”

O incomum desconvite aos chefes de estado e de governo de Cuba e da Venezuela para a posse de Jair Bolsonaro foi uma decisão de fora para dentro do Itamaraty. Não houve qualquer tipo de recomendação do ministério das Relações Exteriores nessa direção; nem agora, nem em nenhum momento anterior. A medida partiu do próprio núcleo duro de Bolsonaro e, mais do que qualquer outro significado no âmbito internacional, teve como objetivo principal atender as bases eleitorais domésticas. Com a decisão, o presidente eleito corrobora o discurso de campanha e avança no processo de “vilanização” dos governos socialistas dos dois países. Trata-se de um gesto que pode ser interpretado, desde já, como uma avant première da condução da área de Relações Exteriores no governo Bolsonaro.

Mesmo antes de Ernesto Araújo assumir o Ministério, a linha já está sendo ditada e imposta ao Itamaraty: tudo leva a crer que a política externa brasileira será, em grande parte, indexada e condicionada à política interna. A partir deste entendimento de que as relações internacionais do Brasil serão guiadas com um olho na opinião pública, já existem preocupações no corpo diplomático do Itamaraty quanto aos possíveis desdobramentos desse primeiro movimento de agravo a Cuba e Venezuela. Não são pequenas as chances de que a medida descambe para atos ainda mais contundentes como a retirada do embaixador brasileiro de Havana e Caracas ou, em um caso mais extremo, no rompimento das relações diplomáticas com os dois países.

Ressalte-se que a eventual ruptura diplomática não precisaria ser automaticamente acompanhada de um rompimento das relações comerciais, não obstante os dois países terem participação pouco relevante na balança brasileira. Há antecedentes nesta direção na própria história brasileira. Durante o governo de Juscelino Kubitschek, mais precisamente em 1958, o Brasil retomou os negócios com a União Soviética embora o Senado tenha vetado o reatamento das relações diplomáticas com o país, suspensas em 1947 pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra. Em um primeiro momento, o atípico movimento em relação a Venezuela e Cuba poderia soar como uma espécie de oferenda ao governo Trump, um ponto de alinhamento extremo à política diplomática norte-americana.

Não que inexistam sinais nesta direção. Muito pelo contrário. Mas, segundo informações auscultadas do próprio Itamaraty, eles não passam pelos dois países latino americanos. Basta lembrar que representações diplomáticas de ambas as nações socialistas estiveram presentes à própria posse de Trump, em janeiro de 2017. O governo de Donald Trump certamente veria com bons olhos sinais de distanciamento do Brasil em relação ao Irã, que tem sido alvo de seguidas e pesadas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

Do ponto de vista pragmático, no entanto, trata-se de um afago mais custoso de ser feito pela gestão Bolsonaro. O Brasil tem um superávit comercial alto com os iranianos. Entre janeiro e setembro deste ano, por exemplo o saldo foi de aproximadamente US$ 4,5 bilhões, impulsionado, sobretudo, pelo aumento de mais de 520% nas exportações de milho. No mesmo período, este número só foi superado pelo superávit com a China (US$ 20 bilhões). Em outro front, existe a já notória questão de Israel. Tudo indica que Jair Bolsonaro cumprirá a promessa de transferir a Embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém, seguindo os passos do governo Trump. Um gesto ainda mais bem-visto pelos Estados Unidos seria o reconhecimento pelo Brasil da cidade santa como a capital de Israel, algo que dependeria de um ato executivo da Presidência da República.

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09.10.18

ESPECIAL – Christian Lynch, jurista e cientista político – Jair Bolsonaro: candidato a “Trumputin”

Ouço sempre comparações entre Jair Bolsonaro e Donald Trump. Não gosto muito desse tipo de análise porque presume que o que acontece na vida política brasileira é mero eco do que chega lá de fora, quando na verdade o que há é uma interação com o que existe de preexistente na cultura política brasileira. Aqui dentro, há uma tradição de conservadorismo estatista em versão militar, que, pela doutrina do “cidadão fardado”, atribui ao Exército a função de guardião da República em última instância, diante da ameaça da “anarquia”, especialmente a comunista.

Essa ideologia está aqui misturada com o culturalismo (a cultura brasileira é cristã e conservadora; liberalismo e socialismo são ideologias “alienígenas”) e, pela primeira vez, com o “liberalismo judiciarista” e o liberalismo de mercado. É a mesma coalizão em torno de Carlos Lacerda que derrubou Jango em 1964. Por tudo isso, acho que a melhor comparação em termos do que acontece lá fora não é com Trump, mas com Vladimir Putin.

Ambos ex-agentes e símbolos de um antigo regime autoritário e militarista, percebido depois idilicamente como uma época de ordem e paz desfeita pela anarquia liberal e pela corrupção. São símbolos patrióticos “restauradores”, que poderão governar “democraticamente” através da exploração de um populismo de direita auxiliado pela burocracia do Estado, na forma de um “Estado forte de direito” (seja lá o que isso signifique). Por outro lado, tendo em vista nosso notório gosto por macaquear os irmãos do Norte, o Brasil oferece uma alternativa média: nem Trump, nem Putin: Bolsonaro é candidato a ser o nosso “Trumputin”.

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19.09.18

O pato manco e a águia doida

O Itamaraty ainda tenta confirmar um encontro reservado entre Michel Temer e Donald Trump no próximo fim de semana, quando o presidente brasileiro estará em Nova York para participar da assembleia geral da ONU. Por ora, no entanto, não tem encontrado reciprocidade da parte da diplomacia norte-americana.

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05.04.18

Google se arma contra a eleição do fake news

O escândalo do vazamento e do uso de dados do Facebook na campanha de Donald Trump acendeu todos os sinais de alerta no Google. O site de buscas vai adotar políticas rigorosas nas eleições brasileiras, que servirão de laboratório para operações da empresa em outros países. Segundo o RR apurou, parte do cardápio de medidas profiláticas foi apresentada por executivos do Google Brasil ao então presidente do TSE, Gilmar Mendes, em reunião no fim de janeiro. A venda de mailings e informações de usuários para terceiros está fora de questão – foi nessa que Mark Zuckerberg mergulhou na maior crise da história do Facebook. O Google vai testar um novo sistema para brecar a proliferação de fake news, com base na ferramenta conhecida como “Snippsets”. A empresa pretende também trazer para o Brasil um modelo similar ao First Draft, desenvolvido nos Estados Unidos em parceria com a Harvard Kennedy School, que combina mecanismos de checagem de informações e de rastreamento de notícias falsas nas redes sociais. O site vai ainda restringir a comercialização de anúncios políticos por meio da ferramenta Google Adwords, na tentativa de evitar a associação de nomes de candidatos a determinadas palavras chave, notadamente aquelas que claramente ataquem a imagem de adversários.

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15.03.18

Trump dá uma nova direção à Gerdau

A Gerdau está reavaliando o processo de venda de ativos nos Estados Unidos na esteira da decisão do governo Trump de taxar o aço importado. Segundo o RR apurou, negociações já em andamento para a transferência de duas usinas, uma no Michigan e a outra no Tennessee, foram colocadas em banho-maria. A medida restritiva do governo norte-americano trouxe um novo cenário para a Gerdau, com mais benefícios do que perdas. As exportações das suas usinas brasileiras para os Estados Unidos são residuais, em torno de cem mil toneladas ano. Por sua vez, a subsidiária norte-americana responde por mais de 40% das receitas da companhia. Em relatório divulgado na semana passada, o BTG estima um aumento no Ebitda do grupo de até 18% em razão da barreira alfandegária. Ou seja: os ativos na América ganharam mais valor, nem que seja, por puro pragmatismo dos Gerdau, para serem vendidos mais à frente a preços melhores.

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