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Jair_Bolsonaro_1
20.03.20

Coronavírus contamina o mandato de Bolsonaro

Há algo no ar, além do gravíssimo coronavírus. A ideia de afastamento de Jair Bolsonaro, que chegou a pairar sobre Brasília logo no início de sua gestão, volta à tona com uma robustez ainda maior. A recidiva é potencializada pelo próprio Bolsonaro, com sua crescente atitude de enfrentamento do Legislativo e do Judiciário e o seu comportamento diante da pandemia – ou melhor, a falta do comportamento esperado de um chefe de Estado diante de uma calamidade pública. Tudo temperado com a iminência de uma recessão econômica brutal, no rastro do coronavírus.

Essa combinação de fatores começa a atingir o ambiente psicossocial, com a repetição dos panelaços que compuseram a trilha sonora do impedimento de Dilma Rousseff. Dessa vez, a cacofonia de panelas pede a cabeça de Bolsonaro. Impeachment or not impeachment, eis a questão? Antes de qualquer consideração, até dezembro, pelo menos, o presidente está blindado. O estado de calamidade não deixa de ser um regime anti-impeachment. O Congresso sempre poderia antecipar o fim da circunstância excepcional e iniciar um processo de suspensão do mandato. Mas a destituição do presidente em meio a uma brutal crise econômico-sanitária seria demasiadamente traumática para a Nação.

Portanto, e por enquanto, apesar de Bolsonaro ter mostrado falta de decoro, grosseria, péssima educação e ignorância, ele estaria mais protegido no cargo do que Dilma Rousseff por ocasião do seu impeachment. Ou seja, se ficar Bolsonaro pega; se correr, Bolsonaro come. Com Bolsonaro no governo, a tendência é que as relações institucionais entre os Três Poderes fiquem ainda mais acicatadas. Ontem mesmo, circulava em Brasília a informação de que as hostes digitais bolsonaristas preparam um novo ataque organizado ao Legislativo nas redes sociais. Ou seja: se o objetivo fosse simplesmente distensionar o ambiente institucional e político, o afastamento do Capitão seria uma medida razoável e sensata.

No entanto, nem sempre a solução melhor é a melhor solução. Um novo impedimento dividiria o país, afetaria o animus nacional e atingiria duramente a imagem do Brasil no exterior. Significaria dizer que, no espaço de menos de 30 anos, o país teve três presidentes da República “impichados” (Collor, Dilma e Bolsonaro) – dois deles em um período inferior a cinco anos –, além de dois presos (Lula e Temer). Uma ruptura brusca do mandato traria também, para o bem ou para o mal, a probabilidade de um governo eminentemente militar, com a automática ascensão do general Mourão à Presidência. Há quem diga que, no atual momento nacional, só muito mais militares do que os que já cercam o presidente são capazes de dar cobertura à destituição do “mito”.

Também sob a ótica dos demais Poderes, notadamente o Congresso, lócus do processo de impeachment, um eventual afastamento de Bolsonaro não responde a uma lógica linear. Ao contrário do que ocorreu no caso de Dilma, ainda não há uma coalizão ampla, que vai dos Poderes às ruas, pelo afastamento do Capitão. Por baixo, o “bolsonarismo” ainda tem uma taxa de 25% a 30% do eleitorado. No entanto, deve-se considerar a hipótese desta resiliência se deteriorar em um ritmo acelerado com o avanço do coronavírus e a percepção de que o governo Bolsonaro e, principalmente, o próprio presidente foram lenientes na gestão da crise. Neste caso, talvez fosse de interesse de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre, presidente do Senado, dar tempo ao tempo para a maturação de um eventual processo de impeachment. O mais conveniente para Maia e Alcolumbre seria permitir que Bolsonaro colhesse as sequelas sociais e econômicas do coronavírus, deixando sua popularidade se esvair. A eleição municipal de outubro seria uma boa linha de corte. Confirmada a queda da  aprovação do Capitão, com a derrota de candidatos apoiados por ele, o Legislativo teria a faca e o queijo na mão. Se ainda houver Brasil até lá…

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20.01.20

Oscar em vertigem

A cineasta Petra Costa quer levar Dilma Rousseff à cerimônia de entrega do Oscar. Difícil. A Academia é extremamente restritiva e atenta a mensagens políticas de “emboscada” durante o evento.

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03.12.19

PT abre fogo contra ataques digitais

Partiu da própria direção do PT a recomendação a Dilma Rousseff para processar o passageiro que a fotografou dormindo na primeira classe de um voo para os Emirados Árabes e, posteriormente, viralizou a imagem nas redes sociais. O partido quer usar o episódio como uma amostra de como reagirá à guerra de guerrilha nas redes sociais, que tende a crescer consideravelmente na campanha eleitoral de 2020. No post, o “companheiro de viagem” de Dilma dizia que ela viajava com dinheiro público. Dilma, ressalte-se, foi ao país asiático para participar de um seminário com as despesas pagas pelos organizadores do evento.

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12.11.19

Lula reabre seu antiquário de ideias

Dois raios podem cair no mesmo lugar e o segundo fazer um estrago maior do que o anterior. É o que Lula parece querer demonstrar com a repetição dos seus conselheiros, especialmente na área econômica. Antes de sair da prisão e logo que se livrou do cárcere, o petista buscou entre antigos colaboradores informações e produção de relatórios para combater enfaticamente a política econômica de Jair Bolsonaro. O ministro Paulo Guedes será um alvo permanente, tratado como “entreguista” e “inimigo do povo”. As escolhas de Lula revelam que a cadeia o fez refletir pouco. Estão na fila dos conselheiros Nelson Barbosa, Aloizio Mercadante, Ricardo Carneiro e até Guido Mantega. O ápice da mesmice, contudo, é a participação de Dilma Rousseff nesse ministério informal que o petista pretende formar. Lula, ao que tudo leva a crer, não está entendendo nada. Na medida em que parece ouvir apenas seus pensamentos, somente cabe torcer para que José Dirceu seja o arauto da mudança. Dicas de virtuais conselheiros, que oxigenariam com sua competência e inovação o pensamento das oposições: André Lara Resende, Eduarda La Roque, Laura Carvalho, Christian Lynch e Fabiano Guilherme dos Santos, só para dar uma provinha. Mas é difícil que Lula saia desse ramerrame em que se meteu junto com sua corte de neófitos.

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06.11.19

Dilma 2020

Surge no PT um movimento favorável à candidatura de Dilma Rousseff à Prefeitura de BH em 2020. O principal artífice é o ex-ministro e hoje deputado Patrus Ananias. O senão é que Dilma vem de uma dolorosa derrota na eleição ao Senado em 2018

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16.10.19

O recurso que resta a Dilma

Dilma Rousseff foi aconselhada pelo seu ex-ministro e defensor no processo de impeachment José Eduardo Cardozo a recorrer ao STF caso a Comissão de Anistia negue seu pedido de indenização. O entorno da ex-presidente dá o indeferimento como líquido e certo, conforme antecipou o RR na edição de 1 de outubro.

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01.10.19

Comissão de Anistia bate o martelo sobre Dilma

Segundo o RR apurou, na reunião marcada para outubro a Comissão de Anistia deverá negar o pedido de indenização feito por Dilma Rousseff. O caso se arrasta desde 2002, quando a ex-presidente entrou com o pedido de reparação. A análise acabou congelada durante todo o período da sua participação no governo. Dilma pede o pagamento de R$ 10,7 mil por mês retroativo a esse período de 17 anos. Consultado, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos informou que “o retorno do processo a pauta depende de solicitação da conselheira relatora.”

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22.08.19

O PAC do POC do PIC

A ex-presidente Dilma Rousseff criou um grupo de estudos com antigos colaboradores para produzir um plano de recuperação do setor de infraestrutura. A conclusão do estudo e o anúncio das medidas não têm prazo.

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11.07.19

Jogo jogado

A Comissão de Anistia vai retomar ainda neste mês o julgamento do pedido de indenização de Dilma Rousseff. Para a própria defesa da ex-presidente, será proforma. Pelo clima adverso da primeira sessão, no dia 20 de junho, a leitura é o que o indeferimento já está dado.

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27.06.19

Democracia em vertigem

A defesa de Dilma Rousseff vai entrar com um recurso na Justiça para garantir o acesso da imprensa ao julgamento do pedido de indenização da ex-presidente na Comissão de Anistia. Na reunião de ontem, antes do assunto ser retirado de pauta, jornalistas chegaram a ser impedidos de entrar na sala e houve uma determinação para que a sessão não fosse filmada.

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