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04.02.20

Valores nas organizações

Observatório

Por Bruno Pereira da Cunha, gestor de planejamento.

Segundo a teoria de sistemas sociais do sociólogo alemão Niklas Luhmann, uma organização é um sistema constituído com base em regras de pertencimento e reconhecimento, cujas comunicações assumem forma de tomada de decisões. Como todo sistema, a organização tem seu modo de operação próprio, onde o “ambiente” (no sentido da dicotomia sistema/ambiente) influencia, mas não determina o seu modo único de funcionamento, ou seja, a sua identidade. Os integrantes da organização interagem de forma recíproca e, normalmente, não-linear, na qual emergem padrões de comportamento coletivo. Tais padrões são associados à cultura organizacional e aos valores da organização.

Os padrões de comportamento coletivo influenciam mais do que imaginamos. Somos capazes de, em um lugar, agirmos de determinada maneira e, em outro, na mesma situação, agirmos diferente, em função dos valores e cultura vigentes. É comum, nas organizações, a proposição dos valores pela alta administração, que são afixados nas paredes, divulgados em sites da internet, e até decorados pelos colaboradores. Entretanto, vem a questão: os valores são propostos ou emergem? Sem dúvida, a proposição tem um efeito na organização, mas é da interação cotidiana, em cada atitude e tomada de decisão que os valores emergem como padrões de comportamento coletivo. São esses valores “emergentes” que devem ser identificados.

Não para que sejam afixados nas paredes, mas para se ter uma noção aproximada do “gap” entre os valores propostos e os valores praticados. Não é uma tarefa fácil, mas é melhor enfrentar a questão com todas as suas variáveis do que perder tempo propondo valores que não serão seguidos. Outro ponto interessante é termos a noção de que a sociedade, o “ambiente” das organizações, é um sistema dinâmico, onde os valores mudam ao longo do tempo, exercendo significativa influência nas organizações. É o caso da “sustentabilidade”, por exemplo. Na escala micro, cada membro carrega de casa um conjunto de valores próprios e muitas vezes não alinhados com os valores propostos pela organização. Um novo membro já altera o sistema em variados graus, dependendo de sua posição hierárquica ou capacidade pessoal de influência.

Por fim, o conjunto de valores (efetivamente) praticados em uma organização conforma seu contexto (o ambiente) interno que influenciará todas as suas atividades, projetos, iniciativas, planos de ação, relações externas etc. Quando os gestores conseguem fazer emergir na organização o conjunto de valores desejados, não há necessidade de muitas regras, reuniões, normas de conduta, pois os valores já definem os limites comportamentais de uma forma implícita. O desafio é cada vez maior no mundo líquido atual, onde as relações sociais são cada vez mais efêmeras e desprovidas, justamente, de valores.

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