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11.03.20

Alberto Fernández precisa de uma parede à sua esquerda

Observatório

Por Aline Gatto Boueri, jornalista correspondente em Buenos Aires.

“À minha esquerda, a parede”. A provocação, enunciada pelos ex-presidentes Néstor (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007-2015), em diferentes momentos, ao longo dos 12 anos em que governaram a Argentina, não estava dirigida somente à oposição mais combativa, aos partidos de esquerda, mas também à sua própria base.  A consolidação de um peronismo progressista, que se diferenciasse radicalmente do peronismo neoliberal do governo de Carlos Menem (1989-1999) renovou o moviment nas primeiras décadas do século XXI. Também somou às suas fileiras militantes jovens o suficiente para ser tataranetos de Juan Domingo Perón, morto em 1974 enquanto governava a Argentina pela terceira e última vez.

Meses antes de morrer, durante um discurso em homenagem ao 1º de maio, Perón perdeu a paciência com a juventude mais combativa de sua base, representada pelo movimento Montoneros, que fazia trabalho de base, mas também organizou uma guerrilha urbana nos anos que precederam o golpe de 1976. O general, que durante 20 anos de exílio havia dialogado tanto com a ala mais à esquerda quanto com setores mais conservadores do movimento que fundou, havia feito sua escolha. Como morreu, não foi testemunha do massacre que se seguiu àquele dia na Praça de Maio.

A perseguição aos setores mais à esquerda do peronismo – cujos integrantes eram, em sua maioria, jovens – não começou com a ditadura cívico-militar, mas se aprofundou durante o regime autoritário e deixou uma conta de 30 mil desaparecidos, segundo organismos de direitos humanos. Para o kirchnerismo, no entanto, a juventude foi a base de sua força política. A capacidade de mobilizar grandes quantidades de apoiadores em demonstrações tão massivas quanto fiéis e apaixonadas foi o que evitou que Cristina Kirchner sofresse o mesmo destino de Lula, apesar dos esforços de seus opositores por instigar a indignação – em muitos casos justa, em outros exagerada – com as denúncias de irregularidades em seu governo.

Em um ambiente dominado por homens – brancos –, como é a política institucional latino-americana, Cristina Kirchner passou por todos os cargos eletivos nacionais: foi deputada federal, deputada constituinte, senadora, presidente por dois mandatos e agora ocupa o posto de vice de Alberto Fernández. Fernández, que foi chefe de gabinete de Néstor Kirchner e chegou a ocupar o mesmo cargo no primeiro ano da presidência de Cristina, se afastou da hoje vice-presidente até o ano passado, mas sabe muito bem que não pode governar sem o carisma e gênio político de sua companheira de fórmula. Diante da terra arrasada que os indicadores econômicos anunciam na Argentina, o presidente segue os ensinamentos da mulher que foi capaz de unir todos os setores do peronismo para vencer em primeiro turno uma eleição presidencial, apenas quatro anos depois de deixar a Casa Rosada.

Em meio a uma crise econômica tão grave – Néstor Kirchner assumiu em 2003 com um quadro também dramático –, os grandes gestos políticos e os discursos épicos são capazes de mobilizar uma base leal, que Cristina Kirchner empresta ao incipiente governo. Alberto sabe disso e precisa deixar também seu legado antes que argentinos e argentinas se cansem de tanta gestualidade. A oportunidade é única: barato e com grande poder de impacto em uma base renovada nos últimos quatro anos – um movimento feminista com grande adesão jovem – o projeto de lei para a legalização do aborto será o primeiro grande desafio de ampliação de direitos individuais do governo Fernández, além de ser uma bandeira que seus antecessores peronistas não levantaram. Uma marca pessoal, pode-se dizer.  A lei vigente sobre o tema está prestes a completar 100 anos. Chega inalterada ao século XXI, apesar de tantos direitos conquistados por mulheres do mundo inteiro ao longo do século XX. Se aprovada a interrupção voluntária da gravidez, Alberto Fernández também poderá dizer que é o único presidente da América do Sul a encontrar, à sua esquerda, a parede.

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23.03.16

Retorno da YPF

 A YPF pretende retomar sua operação de distribuição de combustíveis no Brasil. A estatal argentina chegou a ter mais de 300 postos do lado de cá da fronteira na década passada, mas o governo de Cristina Kirchner mandou tudo pelos ares. Procurada pelo RR, a YPF não comentou o assunto.

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27.01.16

Lubrificantes

 A estatal argentina YPF vai aproveitar a situação favorável do câmbio para fortalecer sua operação de lubrificantes no Brasil, deixada de lado nos últimos anos de governo de Cristina Kirchner. O objetivo é aumentar o market share, que não passa de 2%. O projeto prevê a expansão da fábrica de Diadema (SP).

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