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16.09.19

Correios podem ter uma privatização de meia-tigela

O governo estuda garantir uma reserva de mercado nas operações dos Correios com o setor público. A medida é contraditória com o ideário liberal da equipe econômica, que considera nociva a exclusão da concorrência. Mas os Correios são um negócio difícil de passar para frente mesmo que a valores bastante reduzidos. A bem da verdade, o governo vem trocando os pés pelas mãos quando se trata do marketing de venda dos seus ativos. Com os Correios, tem passado do limite. Um analista ouvido pelo RR afirma que o comprador da empresa está levando a longo prazo uma imobiliária, ou seja, imóveis e mais imóveis. A atividade de entrega de objetos e documentos tende a ser dizimada pela competição, tecnologicamente muito mais abalizada.

O próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, tem se esmerado em desqualificar os Correios. Já disse que a empresa “é um poço de corrupção” e que “ninguém mais vai escrever cartas”. Nenhuma palavra favorável ao ativo privatizável. É difícil mesmo elogiar a estatal. Nos últimos quatro anos, a companhia só deu prejuízos. É bem provável que Paulo Guedes e seus blue caps estejam no fundo querendo se livrar de um buraco orçamentário bem mais do que acrescentar um montinho na arrecadação com as privatizações. No caso, qualquer valor de outorga seria bem vindo. Habilitem-se os que quiserem disputar a aquisição. No portfólio ainda podem levar alguns telégrafos pertencentes ao centro cultural e o museu da entidade.

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02.07.19

“Olavocracia” é um golpe também nos militares

Uma fonte palaciana informou ao RR que Arthur Weintraub, irmão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, está cotado para a diretoria da Correios. Arthur, que hoje ocupa o cargo de Assessor-Chefe Adjunto da Presidência da República, seria uma espécie de “VP do PDV”. Caberia a ele cuidar do enxugamento do quadro de funcionários e do fechamento de agências com vistas a uma eventual
privatização. Sob certo ângulo, seria um personagem tão ou até mais forte do que o novo presidente dos Correios, o general Floriano Peixoto, que deixou o posto de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Prosaico, não? Seria simples assim se Arthur não fosse mais uma peça de encaixe em uma trama que combina loucura e poder.

Seu nome faz parte de um sistema de ocupação dos cargos do aparelho de Estado, pilotado com absolutismo pelo bruxo Olavo de Carvalho. Os “olavistas” no governo constituem uma verdadeira hidra que já preencheria cerca de 130 cargos relevantes na esfera do Executivo. São ex-alunos, que indicam ex-alunos e amigos de ex-alunos cujos pontosde interseção são o sectarismo e a fúria anti marxista, regidos por Olavo através da Internet. A tomada do Estado se daria através da sua infiltração pelos “olavistas”, combinada com a instrumentalização do ódio anticomunista nas redes sociais. Os irmãos Weintraub estão entre os elos dessa coalizão “Olavo bolsonarista”.

Ambos têm serviços prestados ao Capitão desde o período de transição, quando integraram a equipe que começou a discutir a reforma da Previdência. Abraham ganhou um afago público de Olavo ao assumir a Pasta da Educação. Na ocasião, o “filósofo” postou em seu Twitter que o novo ministro “conhece minhas ideias melhor do que as conhecia o seu antecessor”, em referência a Ricardo Vélez. Arthur, por sua vez, tem mantido razoável proximidade de Bolsonaro. Na semana passada, por exemplo, integrou a comitiva presidencial que viajou para a reunião do G-20, em Osaka.

A crescente participação de “olavistas” no governo descortina a escalada para um dogmatismo radical. São todos soldados com permanente disposição para o combate, vide o episódio protagonizado ontem por Carlos Bolsonaro. O vereador disparou publicamente contra o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), insinuando que o principal colaborador do seu pai é um marxista disfarçado – disse que não aceita os seguranças oferecidos pelo GSI porque eles “estão subordinados a algo que não acredito”. Carlos não será repreendido assim como Olavo nunca foi desautorizado. Bolsonaro já deu demonstrações de que nutre as mesmas dúvidas que o “guru”, inclusive em relação às Forças Armadas, cujo simbolismo foi um dos seus principais, se não o principal cabo eleitoral. Tudo leva a crer que Heleno poderá ocupar o lugar que pertenceu ao general Santos Cruz como o inimigo a ser abatido.

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21.06.19

Telegrama

A turbulenta demissão do General Juarez Cunha da presidência dos Correios eclipsou outra recente mudança na diretoria da estatal. Carlos Fortner deixou a vicepresidência de Operações. Fortner ocupou a própria presidência dos Correios até novembro do ano passado, quando deu lugar a Cunha. Assim como o General, sempre foi um crítico do plano de privatização da empresa.

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26.04.19

Filme antigo

A recusa do ministro Marcos Pontes em privatizar os Correios pode ser tudo, menos uma surpresa para o Palácio do Planalto. Antes da posse, mais precisamente em dezembro, Pontes manifestou sua posição ao próprio Bolsonaro na primeira conversa que tiveram sobre o assunto.

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18.03.19

Parceria público-privada

Os Correios puxaram o gatilho e os grandes grupos internacionais de cargas expressas foram atrás. A partir desta semana, FedEx, DHL e congêneres começam a majorar seus preços com reajustes próximos ao da estatal, na casa dos 8%. Ou seja: os usuários intensivos deste serviço, a começar pelas redes varejistas, não terão para onde correr. Tá tudo dominado.

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18.02.19

Remake?

A joint venture entre os Correios e a Azul na área de transporte de cargas é vista com descrédito na própria estatal. Ainda está fresca na memória de executivos da empresa a parceria similar fechada com a Rio Linhas Aéreas em 2014. Na ocasião, os Correios compraram 49,99% da companhia aérea, mas o negócio sequer saiu do chão, entre outra razões devido a irregularidades apontadas pelo TCU.

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22.01.19

Carta-bomba

O vice-presidente dos Correios, Francisco Gutemberg de Araújo, está por um fio. Foi uma das nomeações feitas no afogadilho por Michel Temer em dezembro.

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21.08.18

Correios escreve uma carta de linhas tortas

O presidente dos Correios, Carlos Roberto Fortner, causou irritação  entre os funcionários da companhia. Na mesma semana em que Fortner apareceu de súbito no programa de Silvio Santos para falar sobre sua gestão e desfiar uma série de números – em uma ação publicitária camuflada de entrevista –, a estatal anunciou o fechamento de 41 agências no Brasil. E, pelo andar da carruagem, é só o começo.

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10.07.18

Carta-bomba

O governo deverá colocar em stand by o plano de reestruturação dos Correios – uma carnificina que prevê o fechamento de até 500 agências e cerca de cinco mil demissões. Na avaliação do Planalto, isso não é agenda para ano eleitoral. Consultado, os Correios informam que “os estudos para remodelagem da rede continuam em andamento”.

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10.05.18

Longe na teoria

Guilherme Campos, ao que parece, deixou a presidência dos Correios na teoria, mas não na prática. Aliado do ministro Gilberto Kassab, segue “despachando” com os diretores da estatal e até com seu substituto, Carlos Roberto Fortner.

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