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Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados

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16.01.20

Muitos estudos e um só caminho

Observatório

Por Francisco Ourique, economista e especialista em comércio exterior.

No final do ano passado a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados realizou audiência pública para debater a falta de rentabilidade do setor cafeeiro. Reunindo deputados, presidente da frente parlamentar do agronegócio, associações, sindicatos, representante da Confederação Nacional da Agricultura, Ministério da Agricultura e convidados, sendo o mais ilustre o ex-deputado e atual presidente do Sebrae, Carlos Melles, que, por sinal, foi o único a apresentar propostas concretas. Dentre os temas debatidos, não podemos deixar de mencionar a criação, ou recriação, da Associação dos Países Produtores de Café. Sendo o objetivo central da reunião discutir uma apropriação mais significativa dos preços internacionais do café, é lamentável que a maioria do tempo gasto pelos presentes tenha sido totalmente em vão. Quando não se conhece a origem do problema fica bem mais complexo achar uma solução para o desafio.

Os preços do café recebidos, quer pelo produtor do Brasil, da Colombia ou do Vietnã – os três maiores produtores mundiais com 70% do volume de transações globais do setor – são consequência de uma complexa rede de questões, sendo a mais relevante a boa e velha moeda: a liquidez. O mercado futuro de café chegou a pagar 13,5% ao ano para quem “se aventurasse” a carregar o produto, deixá-lo estocado e vender a melhores preços no momento mais apropriado, o que foi um ótimo negócio. A produção e consumo de café no mundo está em equilíbrio, portanto, em algum momento todo o café produzido será comprado. Como os países produtores, em particular o Brasil, desregulamentaram a presença do Estado no segmento, poderiam ter transferido essa função para alguma agência ou mesmo terceirizado ao setor estrategicamente mais interessado.

Aos produtores, não há muita consequência em conversar sobre captura de melhores preços sem ter as ferramentas necessárias. Como a palavra mágica é carregar café, qualquer iniciativa visando melhores preços ou influência no mercado necessariamente tem que enfrentar a questão. Da audiência pública realizada na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, o único participante que levantou o tema foi o presidente do Sebrae. Como o assunto vai gerar polêmica, controvérsias e muita tensão com o governo federal, pois é difícil ver o hiperliberal Paulo Guedes sequer pensar em formar estoques estratégicos; o ex-deputado Carlos Melles sugeriu que as entidades ligadas ao segmento, com a colaboração do Sebrae Nacional, fizessem uma vaquinha para levantar recursos para contratação de estudo sobre o tema, havendo a sugestão da Mckinsey fazer o serviço. Nada contra, mas o objetivo, evidentemente, não é descobrir a roda, mas ter um parecer de uma consultoria que possa abrir a agenda do ministro da Economia para o tema. O caminho será longo e a recriação da Associação dos Países Produtores de Café terá que aguardar para que o Brasil não entre em novo fiasco internacional: ter muito discurso e nenhuma ferramenta para agir.

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