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10.02.21

Todos querem Yang

O embaixador da China, Yang Wanming, é o diplomata mais requisitado do Brasil. Um grupo de governadores solicitou uma reunião virtual com Wanming ainda nesta semana. Vai pedir o que todos estão pedindo: que o governo chinês acelere a liberação de matéria-prima para a produção da Coronavac.

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09.02.21

Um aceno diplomático à Argentina

A diplomacia bolsonarista parece viver um raro momento em que a ideologia abre brechas para o pragmatismo. Além dos acenos à China, motivados pela necessidade de importação da Coronavac, o governo brasileiro tem feito movimentos de aproximação com a Argentina. Há dois interesses prioritários sobre a mesa. O mais premente é garantir a continuidade do acordo de fornecimento de energia da Compañía Administradora del Mercado Mayorista Eléctrico (Cammesa) para o Brasil. Nos últimos dias, a Cammesa vem reduzido o suprimento do insumo para o lado de cá da fronteira por conta do aumento da demanda doméstica na Argentina. Em outro front, o governo brasileiro vislumbra espaço para a exportação de veículos militares blindados produzidos pela Iveco. No vácuo deixado por Ernesto Araújo, o chanceler invisível, quem vem ganhando espaço na interlocução com a Argentina é o almirante Flavio Rocha, secretário de Assuntos Estratégicos do Palácio do Planalto. Rocha esteve recentemente com o presidente Alberto Fernández. Tem mantido também contato regular com o embaixador argentino em Brasília, Daniel Sciol.

Em tempo: num sinal de boa vizinhança, nos últimos dias o governo brasileiro liberou a exportação para a Argentina de 1,5 milhão de doses do medicamento Midazolam, usado como indutor de sono em pacientes com Covid-19.

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Segundo informação filtrada junto ao Ministério da Agricultura, Rio Grande do Sul e Paraná receberão, até maio, o certificado de “Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação” da Organização Mundial de Saúde Animal. O selo deverá abrir novos mercados para frigoríficos dos dois estados. Entre ameaças de embargos a produtos agropecuários e bloqueios aéreos, trata-se de um raro sinal verde do mundo ao Brasil de Bolsonaro.

Sabia dessa, Ernesto Araújo? Com a crescente demanda da China, os frigoríficos brasileiros têm reduzido as vendas para outros mercados para privilegiar o país asiático. Nos 20 primeiros dias de janeiro, por exemplo, as exportações de carne bovina para a América do Sul caíram 10% na comparação com igual período em 2020.

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20.11.20

De bobeira em bobeira o Brasil vai acabar perdendo a China

Nas entrelinhas do acordo de comércio fechado no último domingo entre os dez países membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático com a Austrália, China, Japão, Nova Zelândia e Coreia do Sul está inclusa uma rasteira no agrobusiness brasileiro. Por ora, conforme os termos acordados, temos um passo político gigante, com a formação de um mercado potencial de 2,2 bilhões de pessoas e um PIB agregado da ordem de U$ 26 trilhões. Fora as rotinas de ratificação e ações de natureza burocrática, a primeira cláusula do agreement já mostra as garras do que vem pela frente.

Trata-se da regra de origem. Quando em vigor, tal dispositivo significará que qualquer produto originado em país membro do novo acordo – Parceria Regional Econômica Abrangente – será tratado como produto do RCEP. Parece uma redundância, mas não é. Quem lida com comércio exterior sabe que isso representa uma teia de possibilidades para contornar qualquer regulamentação tarifária ou não tarifária que um país importador do mundo resolva aplicar a qualquer país membro do RCEP.

A batata do Brasil vai assar na área agrícola. Mais precisamente na soja e no café, considerando que na primeira commodity a dependência do Brasil com as importações chinesas é considerável. No café, alguns dos membros do RCEP são produtores importantes, como o Vietnã e Indonésia. Portanto, não teremos refresco com a Associação do Sudeste Asiático. Alguns países do RCEP já olham estrategicamente para a China, grande ganhadora com o acordo, na expectativa de contarem com áreas disponíveis e apoio para incrementarem, ou mesmo iniciarem, suas produções tanto de soja como de café. É melhor Bolsonaro correr para se “alinhar” com a China, e deixar o Biden para lá.

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18.09.20

Brasil toma um frango diplomático

Um motivo a mais de preocupação para o Ministério da Agricultura: a China tem dado sinais de que poderá ampliar o embargo ao frango brasileiro – um dos itens mais importantes da nossa balança comercial (US$ 7 bilhões por ano em divisas). Os chineses insistem ter encontrado o novo coronavírus em lotes de produtos recebidos em agosto, na cidade de Shenzeng. O embargo atingiria de modo indiscriminado frigoríficos de Santa Catarina, de onde saiu a carga de frangos supostamente contaminados. Segundo informações filtradas do Ministério da Agricultura, as autoridades brasileiras vêm tendo dificuldades de acesso às investigações conduzidas por laboratórios ligados ao governo chinês. A interpretação no Ministério da Agricultura é que a China está se aproveitando deliberadamente do episódio para pressionar os frigoríficos brasileiros e impor uma redução nos preços do frango, assim como já tentou fazer na carne bovina. A diplomacia de tapas e beijos do governo Bolsonaro com os chineses não ajuda em nada.

 

Enquanto a ministra Tereza Cristina se vira com os chineses, o chanceler Ernesto Araújo fez chegar ao novo presidente do BID, o americano Mauricio Claver-Carone, um convite para que ele visite o Brasil até o fim do ano. Um afago em Trump. Podia bem esperar o resultado das eleições norte-americanas.

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01.09.20

Fiscais agropecuários cruzam os braços contra “privatização”

Há um “motim” em curso no Ministério da Agricultura. Os auditores federais agropecuários discutem realizar uma paralisação nacional. Seria uma reação ao decreto 10.419, de 7 de julho deste ano, que permite a contratação de fiscais terceirizados para os serviços de inspeção tanto do gado no pasto quanto das unidades de abate. Entre os servidores, o receio é que a medida seja apenas um primeiro passo do governo para privatizar boa parte da atividade de fiscalização sanitária no país. O temor faz bastante sentido. A ideia da terceirização conta com a simpatia da equipe econômica, que sempre olha atravessado para a ampliação do funcionalismo público. Um exemplo: desde o ano passado, o Ministério da Agricultura aguarda, sem sucesso, autorização da Pasta da Economia para a contratação de 140 médicos veterinários aprovados no mais recente concurso para auditor agropecuário. Ressalte-se que a ameaça de paralisação dos serviços de inspeção se dá em um momento crítico para o setor. Frigoríficos brasileiros têm enfrentado seguidos embargos internacionais, notadamente da China

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25.08.20

Agronegócio brasileiro fica ainda mais dependente dos chineses

Um motivo a mais para Jair Bolsonaro rever sua postura belicosa em relação à China: a indexação do agronegócio brasileiro aos chineses tende a crescer consideravelmente nos próximos meses. A Ásia, de um modo geral, desponta como a única grande alternativa ao vazio que a Europa começa a deixar no mercado global de commodities agrícolas. Importantes bancos europeus, a exemplo do ABN
Amro, BNP Paribas e Société Generale, já anunciaram o fade out de seus financiamentos para contratos de compra e venda de açúcar, grãos, café, entre outros, tanto a futuro quanto à vista.

Essas instituições respeitarão acordos em vigor, mas não vão disponibilizar novas linhas de crédito. A decisão afeta, sobretudo, as principais tradings europeias, como Louis Dreyfus, Glencore e EDF Man, todas com significativa exposição no Brasil. ABN, BNP e Société respondem por quase 30% de todo o credit finance – o mecanismo que faz a roda do agronegócio global girar. O movimento dos europeus aumenta a sino-dependência do agronegócio brasileiro. Somente uma maior participação dos asiáticos, tanto na concessão de financiamentos quanto na ponta compradora, será capaz de amortecer o impacto da escassez de crédito europeu sobre a cadeia agrícola.

A expectativa no setor é que parte desse vazio venha a ser ocupada pela chinesa Cofco, que traz a reboque dinheiro a perder de vista de bancos conterrâneos e do próprio Estado chinês. O mesmo se aplica a outros mercados players asiáticos, que não apenas a China. É o caso da Olam, maior trading de commodities agrícolas de Cingapura, vinculada ao GIC, o fundo soberano daquele país. O recuo das instituições financeiras da Europa já começa a provocar soluções na liquidez do mercado de commodities agrícolas.

Na semana passada, a própria EDF Man recorreu à Justiça para refinanciar créditos da ordem de US$ 1 bilhão, alegando que seu plano de venda de ativos para reduzir o endividamento foi dizimado pela pandemia e pela consequente depreciação do valor de seu patrimônio. O grupo inglês opera no Brasil principalmente em contratos de açúcar e de café, neste último com a marca Volcafé. A cadeia cafeeira, por sinal, é um dos setores que mais deverá acusar o golpe do movimento feito pelas instituições financeiras europeias. O Brasil já estava vendendo contrato de café a futuro para o prazo de três anos. Esses prazos deverão encurtar drasticamente até o mercado global encaixar o novo cenário e recalibrar suas taxas de juros.

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21.08.20

Itamaraty deixa frigoríficos brasileiros ao relento

A ministra Tereza Cristina e grandes frigoríficos brasileiros têm cobrado do Ministério das Relações Exteriores uma participação mais ativa no imbroglio com a China. Até o momento o Itamaraty e a Embaixada brasileira em Pequim pouco ou nada fizeram para reverter o que, na visão da Pasta da Agricultura e de empresários do setor, é um ataque deliberado dos chineses contra a indústria brasileira de abate. No entendimento de Tereza e dos produtores nacionais, já está passando da hora da Pasta das Relações Exteriores apoiar o lançamento de uma campanha internacional para defender os players da cadeia da proteína animal no Brasil. A alta dose de ideologia da política externa brasileira e a notória “sinofobia” do chanceler Ernesto Araújo são vistas como os fatores para a indiferença do Ministério das Relações Exteriores em relação ao caso. Pior: as seguidas provocações de Araújo contra os chineses contribuem para aumentar o impasse geoeconômico. Nos últimos dois meses, a China suspendeu as importações de carne bovina de sete frigoríficos do Brasil. Nos últimos dias, os asiáticos também decidiram voltar suas baterias contra a carne de frango, anunciando supostamente ter
encontrado traços do coronavírus em embalagem que teria saído de uma fábrica da Aurora Alimentos.

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13.08.20

Mourão é o novo “embaixador” do Brasil na China

As relações entre Brasil e China tornaram-se um item relevante da pauta de assuntos estratégicos do Alto Comando do Exército. Até então, via-se protagonistas do governo, tresloucados, tratando a China como inimigo n°1. Eram os donos da narrativa. E conduziam a questão estratégica conforme suas idiossincrasias, na maioria das vezes à revelia do interesse nacional. A definição do vice-presidente Hamilton Mourão como responsável sobre esse tema no governo é uma mudança fundamental para que o assunto possa ser tratado com lucidez. No caso, Mourão é a ponte palaciana com os militares para tratar da questão sino-brasileira.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, também faz parte dessa força tarefa. A ideia dos militares é serem mais proativos no debate sobre os prós e contras de uma maior ou menor aproximação com os chineses, incluindo a eventual costura de um acordo bilateral. Sempre, é claro, tratando da questão intramuros. Em outras palavras, vão fazer o contraponto do Itamaraty, que tem na gestão do chanceler Ernesto Araújo uma visão radical contrária à ampliação da agenda de interesses com a China. Ou seja: espera-se dos generais mais isenção, subsídios técnicos e um compromisso com a visão estratégica nacional.

Os militares sabem que há vantagens estratégicas na melhoria da qualidade do relacionamento com os chineses, tais como a absorção de novas tecnologias – os setores digital e de defesa são alguns exemplos – e mais investimentos na área de infraestrutura. A área de logística, particularmente, sensibiliza os chineses, devido à sinergia com o agrobusiness, segmento que os orientais prezam como estratégico. Quanto maior a produtividade nesse setor, maior a abundância a preços baratos dos alimentos made in Brazil. Os generais, contudo, colocam na balança questões delicadas, tais como o risco do país ser capturado na rede do “novo imperialismo sino asiático”.

Alguns pontos lembram os tempos da guerra fria, a exemplo da espionagem, ocupação de território e outras afrontas à soberania. Seja qual for o desfecho, o fato é que a transmissão para o general Mourão da responsabilidade sobre esse tema é um alento. E também é extremamente positiva a maior atenção do Exército ao assunto, dando um chega para lá no inacreditável Ernesto Araújo. A conjugação das duas situações sopra como um vento de esperança para todos aqueles de bom senso, que sabem que o futuro do Brasil está indexado à China. O que o vice -presidente, os senhores generais e coadjuvantes precisam definir é até onde vai essa aderência.

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27.05.20

Paraguai desponta como uma ameaça aos frigoríficos brasileiros

Em meio à pandemia surge uma ameaça a mais ao agronegócio brasileiro. Corre no Ministério das Relações Exteriores a informação de que o Paraguai poderá romper relações diplomáticas com Taiwan, abrindo caminho para o consequente restabelecimento dos laços com a China. A medida seria motivada pela pressão do agronegócio local, notadamente dos grandes frigoríficos, que querem retomar as exportações para o mercado chinês.

Uma vez consumado, trata-se de um movimento que teria razoável impacto comercial para o Brasil. O Paraguai voltaria ao game para disputar uma fatia da demanda chinesa por proteína animal. A questão é ainda mais preocupante na atual circunstância, com a disparada dos casos de coronavírus e o risco do Brasil sofrer um lockout internacional – vide RR edição do dia 22 de maio.

Ressalte-se que a China duplicou, em abril, as compras de carne bovina, um indício de que os asiáticos estariam antecipando a formação de estoques para o caso de uma eventual interrupção das importações do Brasil. Some-se a isso o fato de que o Paraguai poderia se aproveitar dessa brecha para reduzir o preço da commodity. Não custa lembrar que, no início do ano, pouco antes do estouro da pandemia, a China iniciou uma pressão sobre os frigoríficos brasileiros para diminuir o valor do produto: no fim de 2019, os preços da carne atingiram o maior nível em 30 anos.

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