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18.05.22

Insegurança alimentar que apedreja é a mesma que afaga

A crise de insegurança alimentar, provocada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, o lockdown na China e a reposição de estoques em boa parte do mundo, invadiu o calendário de 2022. Ela afetará de forma negativa os indicadores macroeconômicos do país: o IPCA pode chegar a 9,5%; a Selic, a 14,5%; e o dólar, a R$ 5,40. As estimativas foram calculadas, ontem, a partir do modelo econométrico de uma startup financeira paulista, conduzida só por matemáticos. A exceção seria o PIB, que deverá crescer ao surpreendente patamar de 2,5%. Trata-se do cenário básico obtido pelo modelo.

As projeções levam em consideração a seguinte combinação: aumento da atividade produtiva até meados do terceiro trimestre; preços das commodities subindo a níveis recordes; arrecadação crescente; condições piores de recomposição das cadeias produtivas; e superávit da balança comercial em patamar superior. O percentual do PIB, que parece demasiadamente embicado para cima, já vem sendo afagado pelo mercado. Segundo o Ministério da Economia, a projeção supera os 2%. Tudo bem, projeção chapa branca não conta. Mas o boletim Focus, até ser paralisado devido à greve de funcionários do BC, já vinha corrigindo o PIB para o alto há cinco semanas.

A Goldman Sachs revisou sua previsão de 0,6% para 1,5%. A XP dobrou a aposta de 0,6% para 1,1%. O PIB pode muito bem disparar devido ao já citado efeito do preço das commodities, mas também em função da boa performance do setor de serviços, que vinha sendo reprimido pela pandemia. E o desaquecimento da atividade decorrente dos juros elevados? As medidas ex-pansionistas de gastos sociais e a adoção de renúncias fiscais, praticadas por Paulo Guedes, vêm esterilizando a política monetária do BC. O relaxamento do ajuste fiscal de Guedes posterga a inércia natural de nove meses para que os juros comecem a impactar de forma depressiva a atividade produtiva. Assim, a inflação cai menos do que se esperava. A boa notícia é que o desemprego, atualmente na faixa de 11%, recua para 9,5% a 10% neste cenário. Jair Bolsonaro agradece essa parte final.

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04.04.22

Embraer traça seu plano de voo para voltar à China

O RR apurou que a Embraer planeja retomar a produção de aeronaves na China. O projeto sobre a mesa passa pela fabricação do jato comercial E2, uma evolução do E-190, por meio de uma joint venture com um parceiro local. De acordo com uma fonte ligada à empresa, o principal candidato é a Comac (Commercial Aircraft Corporation of China), que chegou a ser cogitada como eventual compradora da própria Embraer após o rompimento da associação com a Boeing, em 2020.

Segundo informações apuradas pelo RR nos meios militares, a operação conta com a simpatia das Forças Armadas. Do ponto de vista geoeconômico, há uma oportunidade de ocupação de espaço, potencializada pelos conflitos entre Rússia e Ucrânia e suas consequências sobre o setor.

No rastro do ataque à Ucrânia, as sanções internacionais impostas à Rússia podem deixar um vácuo comercial no mercado de aviões na Ásia. A região é um dos principais compradores do Sukhoi Superjet 100 (SSJ100), aeronave regional de até 100 passageiros produzida pela russa Sukhoi. Ressalte-se que, nos próximos anos, nenhum outro país do mundo vai adquirir mais aviões do que a própria China. Estimativas do setor apontam que, até 2040, os chineses vão demandar mais de 1,5 mil jatos de até 150 lugares.

Retomar a produção no país asiático devolveria à fabricante brasileira uma posição estratégica nesse jogo, perdida há cerca de cinco anos, com a hibernação da Harbin Embraer Aircraft Industry, joint venture criada com a Avic (Aviation Industry Corporation of China). Vento que sopra lá, sopra cá. Do lado da Comac, por sua vez, a aliança com a Embraer permitiria mitigar um grave problema: a dificuldade de certificação internacional das suas aeronaves.

A indústria aérea chinesa enfrenta notórios percalços na homologação de seus projetos, ao contrário da Embraer, conhecida no mercado pela capacidade de adequação de suas aeronaves a padrões internacionais. Consultada sobre os planos de voltar a produzir na China, a Embraer não quis se manifestar. O fato é que o projeto, de certa forma, marcaria o fim de um complexo período de transição da companhia.

Ou melhor, de “destransição”. A empresa ficou praticamente parada por quatro anos: passou dois anos se preparando para ser Boeing e outros dois para deixar de ser. Vários funcionários deslocados para os Estados Unidos tiveram de ser reinternalizados. Havia projetos conjuntos sendo desenvolvidos em Eugenio de Melo, distrito de São José dos Campos, aos quais pouquíssimos engenheiros do lado brasileiro tinham acesso; a primazia era quase toda de profissionais da Boeing. Como se diz dentro da própria fabricante brasileira, só agora a Embraer está voltando a ser Embraer.

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31.03.22

Pomar chinês

Um grupo de investidores chineses do agronegócio tem mantido conversas com o governo do Ceará para implantar um polo de produção de frutas. O foco principal é o mercado asiático. O estado já é um razoável exportador de frutas para a China. Só a venda de melão movimentou aproximadamente US$ 100 milhões no ano passado.

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10.02.21

Todos querem Yang

O embaixador da China, Yang Wanming, é o diplomata mais requisitado do Brasil. Um grupo de governadores solicitou uma reunião virtual com Wanming ainda nesta semana. Vai pedir o que todos estão pedindo: que o governo chinês acelere a liberação de matéria-prima para a produção da Coronavac.

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09.02.21

Um aceno diplomático à Argentina

A diplomacia bolsonarista parece viver um raro momento em que a ideologia abre brechas para o pragmatismo. Além dos acenos à China, motivados pela necessidade de importação da Coronavac, o governo brasileiro tem feito movimentos de aproximação com a Argentina. Há dois interesses prioritários sobre a mesa. O mais premente é garantir a continuidade do acordo de fornecimento de energia da Compañía Administradora del Mercado Mayorista Eléctrico (Cammesa) para o Brasil. Nos últimos dias, a Cammesa vem reduzido o suprimento do insumo para o lado de cá da fronteira por conta do aumento da demanda doméstica na Argentina. Em outro front, o governo brasileiro vislumbra espaço para a exportação de veículos militares blindados produzidos pela Iveco. No vácuo deixado por Ernesto Araújo, o chanceler invisível, quem vem ganhando espaço na interlocução com a Argentina é o almirante Flavio Rocha, secretário de Assuntos Estratégicos do Palácio do Planalto. Rocha esteve recentemente com o presidente Alberto Fernández. Tem mantido também contato regular com o embaixador argentino em Brasília, Daniel Sciol.

Em tempo: num sinal de boa vizinhança, nos últimos dias o governo brasileiro liberou a exportação para a Argentina de 1,5 milhão de doses do medicamento Midazolam, usado como indutor de sono em pacientes com Covid-19.

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Segundo informação filtrada junto ao Ministério da Agricultura, Rio Grande do Sul e Paraná receberão, até maio, o certificado de “Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação” da Organização Mundial de Saúde Animal. O selo deverá abrir novos mercados para frigoríficos dos dois estados. Entre ameaças de embargos a produtos agropecuários e bloqueios aéreos, trata-se de um raro sinal verde do mundo ao Brasil de Bolsonaro.

Sabia dessa, Ernesto Araújo? Com a crescente demanda da China, os frigoríficos brasileiros têm reduzido as vendas para outros mercados para privilegiar o país asiático. Nos 20 primeiros dias de janeiro, por exemplo, as exportações de carne bovina para a América do Sul caíram 10% na comparação com igual período em 2020.

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20.11.20

De bobeira em bobeira o Brasil vai acabar perdendo a China

Nas entrelinhas do acordo de comércio fechado no último domingo entre os dez países membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático com a Austrália, China, Japão, Nova Zelândia e Coreia do Sul está inclusa uma rasteira no agrobusiness brasileiro. Por ora, conforme os termos acordados, temos um passo político gigante, com a formação de um mercado potencial de 2,2 bilhões de pessoas e um PIB agregado da ordem de U$ 26 trilhões. Fora as rotinas de ratificação e ações de natureza burocrática, a primeira cláusula do agreement já mostra as garras do que vem pela frente.

Trata-se da regra de origem. Quando em vigor, tal dispositivo significará que qualquer produto originado em país membro do novo acordo – Parceria Regional Econômica Abrangente – será tratado como produto do RCEP. Parece uma redundância, mas não é. Quem lida com comércio exterior sabe que isso representa uma teia de possibilidades para contornar qualquer regulamentação tarifária ou não tarifária que um país importador do mundo resolva aplicar a qualquer país membro do RCEP.

A batata do Brasil vai assar na área agrícola. Mais precisamente na soja e no café, considerando que na primeira commodity a dependência do Brasil com as importações chinesas é considerável. No café, alguns dos membros do RCEP são produtores importantes, como o Vietnã e Indonésia. Portanto, não teremos refresco com a Associação do Sudeste Asiático. Alguns países do RCEP já olham estrategicamente para a China, grande ganhadora com o acordo, na expectativa de contarem com áreas disponíveis e apoio para incrementarem, ou mesmo iniciarem, suas produções tanto de soja como de café. É melhor Bolsonaro correr para se “alinhar” com a China, e deixar o Biden para lá.

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18.09.20

Brasil toma um frango diplomático

Um motivo a mais de preocupação para o Ministério da Agricultura: a China tem dado sinais de que poderá ampliar o embargo ao frango brasileiro – um dos itens mais importantes da nossa balança comercial (US$ 7 bilhões por ano em divisas). Os chineses insistem ter encontrado o novo coronavírus em lotes de produtos recebidos em agosto, na cidade de Shenzeng. O embargo atingiria de modo indiscriminado frigoríficos de Santa Catarina, de onde saiu a carga de frangos supostamente contaminados. Segundo informações filtradas do Ministério da Agricultura, as autoridades brasileiras vêm tendo dificuldades de acesso às investigações conduzidas por laboratórios ligados ao governo chinês. A interpretação no Ministério da Agricultura é que a China está se aproveitando deliberadamente do episódio para pressionar os frigoríficos brasileiros e impor uma redução nos preços do frango, assim como já tentou fazer na carne bovina. A diplomacia de tapas e beijos do governo Bolsonaro com os chineses não ajuda em nada.

 

Enquanto a ministra Tereza Cristina se vira com os chineses, o chanceler Ernesto Araújo fez chegar ao novo presidente do BID, o americano Mauricio Claver-Carone, um convite para que ele visite o Brasil até o fim do ano. Um afago em Trump. Podia bem esperar o resultado das eleições norte-americanas.

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01.09.20

Fiscais agropecuários cruzam os braços contra “privatização”

Há um “motim” em curso no Ministério da Agricultura. Os auditores federais agropecuários discutem realizar uma paralisação nacional. Seria uma reação ao decreto 10.419, de 7 de julho deste ano, que permite a contratação de fiscais terceirizados para os serviços de inspeção tanto do gado no pasto quanto das unidades de abate. Entre os servidores, o receio é que a medida seja apenas um primeiro passo do governo para privatizar boa parte da atividade de fiscalização sanitária no país. O temor faz bastante sentido. A ideia da terceirização conta com a simpatia da equipe econômica, que sempre olha atravessado para a ampliação do funcionalismo público. Um exemplo: desde o ano passado, o Ministério da Agricultura aguarda, sem sucesso, autorização da Pasta da Economia para a contratação de 140 médicos veterinários aprovados no mais recente concurso para auditor agropecuário. Ressalte-se que a ameaça de paralisação dos serviços de inspeção se dá em um momento crítico para o setor. Frigoríficos brasileiros têm enfrentado seguidos embargos internacionais, notadamente da China

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25.08.20

Agronegócio brasileiro fica ainda mais dependente dos chineses

Um motivo a mais para Jair Bolsonaro rever sua postura belicosa em relação à China: a indexação do agronegócio brasileiro aos chineses tende a crescer consideravelmente nos próximos meses. A Ásia, de um modo geral, desponta como a única grande alternativa ao vazio que a Europa começa a deixar no mercado global de commodities agrícolas. Importantes bancos europeus, a exemplo do ABN
Amro, BNP Paribas e Société Generale, já anunciaram o fade out de seus financiamentos para contratos de compra e venda de açúcar, grãos, café, entre outros, tanto a futuro quanto à vista.

Essas instituições respeitarão acordos em vigor, mas não vão disponibilizar novas linhas de crédito. A decisão afeta, sobretudo, as principais tradings europeias, como Louis Dreyfus, Glencore e EDF Man, todas com significativa exposição no Brasil. ABN, BNP e Société respondem por quase 30% de todo o credit finance – o mecanismo que faz a roda do agronegócio global girar. O movimento dos europeus aumenta a sino-dependência do agronegócio brasileiro. Somente uma maior participação dos asiáticos, tanto na concessão de financiamentos quanto na ponta compradora, será capaz de amortecer o impacto da escassez de crédito europeu sobre a cadeia agrícola.

A expectativa no setor é que parte desse vazio venha a ser ocupada pela chinesa Cofco, que traz a reboque dinheiro a perder de vista de bancos conterrâneos e do próprio Estado chinês. O mesmo se aplica a outros mercados players asiáticos, que não apenas a China. É o caso da Olam, maior trading de commodities agrícolas de Cingapura, vinculada ao GIC, o fundo soberano daquele país. O recuo das instituições financeiras da Europa já começa a provocar soluções na liquidez do mercado de commodities agrícolas.

Na semana passada, a própria EDF Man recorreu à Justiça para refinanciar créditos da ordem de US$ 1 bilhão, alegando que seu plano de venda de ativos para reduzir o endividamento foi dizimado pela pandemia e pela consequente depreciação do valor de seu patrimônio. O grupo inglês opera no Brasil principalmente em contratos de açúcar e de café, neste último com a marca Volcafé. A cadeia cafeeira, por sinal, é um dos setores que mais deverá acusar o golpe do movimento feito pelas instituições financeiras europeias. O Brasil já estava vendendo contrato de café a futuro para o prazo de três anos. Esses prazos deverão encurtar drasticamente até o mercado global encaixar o novo cenário e recalibrar suas taxas de juros.

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