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19.02.16
ED. 5310

Kinea quer rejuntar os azulejos da Eliane e da Cecrisa

  A primeira camada de massa foi aplicada em julho do ano passado, quando a Kinea comprou 20% da Eliane Cerâmicas. Agora, uma vez dentro da companhia, o braço de private equity do Itaú quer se aproveitar da privilegiada posição para costurar uma operação bem maior, sua fusão com a também catarinense Cecrisa. A associação daria origem à maior fabricante de cerâmicas da América Latina, com dez unidades industriais e receita em torno de R$ 1,8 bilhão – a Portobello, atual líder do setor no país, faturou R$ 1,3 bilhão no ano passado. A própria Kinea, que já investiu R$ 120 milhões na Eliane, está disposta a fazer um novo aporte de capital para viabilizar o negócio. Há ainda outra peça importante para a montagem deste quebra-cabeça de cerâmica: a operação é vista com bons olhos pela Vinci Partners , acionista majoritária da Cecrisa, com 70%. Procuradas, Eliane e Cecrisa negaram a operação.  A Kinea sabe bem que esta não é uma construção de paredes retas. A Eliane é moça irrequieta, meio indomável, às vezes passando até por volúvel. Em 2011, a família Gaidizinski, controladora da empresa, fechou um acordo de fusão com a Portobello. Meses depois, desfez o negócio por motivos que nunca foram bem explicados. Pouco tempo mais tarde, entabulou conversações com a própria Cecrisa, mas, no meio do caminho, também desistiu do enlace. No entanto, sete meses de coabitação societária já foram suficientes para a Kinea perceber que a intempestividade e a resistência dos Gaidizinski vêm se esfarelando feito argila por força das circunstâncias. Nos últimos dois anos, a Eliane precisou recorrer a uma emissão de debêntures e ao próprio aporte da gestora do Itaú para levar adiante seus planos de investimento. Em 2015, a companhia ainda conseguiu aumentar sua receita em aproximadamente 6% por conta das exportações e de encomendas feitas antes do agravamento da crise econômica. Para este ano, com a forte retração do setor imobiliário, a expectativa é de queda nas vendas para o mercado interno. Além disso, as empresas nacionais começam a enfrentar a concorrência de fabricantes chineses, que vêm entrando no país com sua tradicional estratégia de ganhar mercado a fórceps com preços abaixo da linha de cintura. Diante deste cenário, a consolidação do setor é vista como inexorável. Se a Eliane não se mexer, corre o risco de deixar o caminho aberto justamente para uma associação entre a Portobello e a Cecrisa.

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