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12.05.20

Guedes X Centrão

Termômetro

POLÍTICA

Guedes X Centrão

Deve retomar força, amanhã, a próxima “ameaça” ao ministro Paulo Guedes: as negociações entre o presidente Bolsonaro e o Centrão acerca de veto a reajuste do funcionalismo público.

O presidente declarou publicamente que seguiria recomendações do ministro, no entanto, a necessidade de concessões ao grupo político é cada vez mais premente dado os riscos que pairam sobre seu mandato. O principal deles, agora, é a divulgação de vídeo, cujo conteúdo já foi vazado hoje, no qual teria declarado abertamente que precisaria de acesso a PF do Rio para proteger os filhos (entre outros pontos extremamente delicados).

Nesse contexto, parece cada vez mais forte a chance de nova “fritura” do ministro Guedes, que se daria não com o recuo no veto e, sim, com negociações de bastidores para que fosse derrubado no Congresso, sem oposição do governo. A possibilidade torna-se ainda maior com a recomendação do ministério da Economia para que mesmo os profissionais da saúde tenham os salários congelados.

Seria medida com potencial muito negativo para as bases dos deputados do Centrão – que já ganharam promessa de verbas para o combate ao coronavírus em seus redutos eleitorais.

No final das contas, o presidente se verá diante de escolha difícil: se desautorizar o ministro, aumentará incerteza no mercado e perderá apoio empresarial; se desagradar o Centrão se verá sem base no Congresso no momento mais frágil do seu mandato.

O resultado desse embate ainda é incerto, mas os sinais começarão a surgir mais claramente nesta quarta.

ECONOMIA

Comércio no Brasil; indústria e PIB na Europa

Após retração pesada nos serviços anunciada hoje (queda de 6,9% em março), espera-se panorama similar na Pesquisa Mensal do Comércio de março (IBGE), que será divulgada amanhã. No exterior, a Europa também deve apresentar dados negativos, com recuo na casa de – 12% na produção industrial da zona do Euro (março) e de -2,5% no PIB Trimestral do Reino Unido.

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06.05.20

Governo mais forte no Congresso X Enfraquecimento de Paulo Guedes?

Termômetro

POLÍTICA

Governo mais forte no Congresso X Enfraquecimento de Paulo Guedes?

Projeto de auxílio aos estados se manterá como pauta política central nesta quinta, agora de volta ao Senado, após novas mudanças na Câmara. O presidente da Casa (e relator do projeto), Davi Alcolumbre, recuou da decisão de reincluir professores no congelamento de salários de servidores públicos por 18 meses, mas iniciativa parece, até o momento, mais ligada a negociações com o próprio governo do que com o presidente da Câmara Rodrigo Maia.

Nesse sentido, os próximos dias serão importantes para definir o equilíbrio de poder no Congresso e o avanço de iniciativa do presidente Bolsonaro, que busca isolar Rodrigo Maia com apoio do Centrão (que já começa a ganhar cargos no governo) e articulação com senadores.

O outro ponto importante serão as consequências de negociações acerca do projeto para o ministro Paulo Guedes. Ele pode perder terreno, novamente, para alas “desenvolvimentistas” do governo, que defendem aumento de gastos e tem como base os ministros militares, articulados com o ministro de Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e o próprio Centrão.

Paralelamente, aumentará a pressão sobre o presidente Bolsonaro com a curva ascendente de mortes por coronavírus. Pelo segundo dia seguido foram registrados mais de 600 óbitos no país.

ECONOMIA

Juros abaixo do esperado no Brasil; desemprego nos EUA

No Brasil, o dia será marcado pelo efeito – e análises – sobre o corte acima do esperado na taxa de juros, que foi para 3%.

Internacionalmente, terá impacto amanhã a divulgação dos pedidos de seguro desemprego nos EUA para a primeira semana de maio. Ainda que abaixo dos 3,838 milhões da semana passada, número deve se manter alto, na casa dos 3 milhões, o que levará o total de pedidos das últimas semanas a ultrapassar a marca de 30 milhões. Também nesta quinta está prevista a Balança Comercial da China para abril. Estima-se queda na faixa de 12% em importações e entre 12% e 15% em exportações.

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27.03.20

Volatilidade nos mercados

Termômetro

ECONOMIA

Volatilidade nos mercados

Após semana de recuperação em mercados globais, em função sobretudo do pacote de estímulo de US$ 2 trilhões dos EUA (que foi assinado hoje pelo presidente Trump), a queda nessa sexta-feira indica que a próxima semana começará com maior volatilidade.

A injeção de recursos tende a servir como âncora para evitar o descontrole que marcou as semanas anteriores, quando houve a realização dos drásticos efeitos da pandemia do coronavírus na economia global. No Brasil, inclusive, as medidas de maior escopo começaram a ser anunciadas nos últimos dias  como o “coronavucher”, a liberação de R$ 40 bilhões em crédito para pequenas e médias empresas pelo BC e a própria declaração do ministro Guedes, afirmando que, no total, serão injetados R$ 700 bilhões na economia para mitigar os efeitos do vírus. Terão impacto positivo internamente, no início da semana que vem, especialmente se o dinheiro começar a fluir.

A maior instabilidade, no entanto, deve vir:

1) De dados mostrando os pesados efeitos econômicos já auferidos. Na segunda-feira, dentre outros indicadores, saem as Vendas Pendentes de Moradias nos EUA em fevereiro, que devem trazer forte queda. Na Europa, o Indicador de Confiança na Economia de março também deve vir muito negativo. No Brasil, a Sondagem de Serviços de março (FGV) deve trazer pesado recuo, o Boletim Focus apresentará nova queda em projeções do PIB e há ainda os Resultados do Tesouro de fevereiro.

A possibilidade de contraponto seria a indicação de alguma retomada na China, com o anúncio, segunda-feira, do PMI Industrial de março;

2) Do avanço do vírus na Europa e, possivelmente até mais, nos EUA, com destaque para Nova York.

No contexto geral, o que se aguardará com mais ansiedade serão os primeiros sinais claros de que a curva de contágio começa a se arrefecer na Europa, o que teria efeitos mais duradouros na bolsa, ainda que a depender da evolução da doença nos EUA no final de semana e início da semana que vem.

 

INSTITUCIONAL

Guerra declarada deve preservar a economia

No Brasil, nada indica o arrefecimento da guerra institucional capitaneada pelo presidente Bolsonaro, que buscará ampliar o apoio popular para um plano ainda não muito claro do chamado “isolamento vertical”. As medidas econômicas não devem ser afetadas – no máximo haverá cobrança por maior injeção de recursos da parte de governadores e Congresso.

Mas tanto politicamente quanto na Saúde, os atritos tendem a se proliferar pela divergência de diretrizes públicas pregadas entre o Planalto e diversos estados e municípios; pelo aumento de matérias de teor mais “pessoal” na mídia, com foco em dificuldades de médicos, hospitais e pacientes; e pela dificuldade que o ministro Mandetta terá para se equilibrar entre o presidente e os secretários estaduais de saúde.

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Podem-se esperar, amanhã, movimentações políticas, econômicas e na mídia em torno de resultados da PNAD Contínua (IBGE) de dezembro, os quais fecharão o balanço do mercado de trabalho em 2019.

Está precificada – inclusive em termos de imagem – uma queda leve, da ordem de 1%, na taxa de desemprego para o mês (chegando a 11,1%), ainda com grande parcela de vagas de informais (estavam em 41,1% no trimestre até novembro). Confirmada esta margem, prevalecerá avaliação otimista, mas moderada, indicando evolução consistente do emprego na esteira da atual política econômica, mas lenta e gradual. Retomada de patamares realmente positivos estariam, assim, em horizonte de médio e longo prazos.

Por outro lado, números superiores ou inferiores ao esperado tendem a alimentar avaliações mais enfáticas – seja aumentando preocupação com o ritmo da recuperação econômica, caso não haja nova queda do desemprego, seja favorecendo percepção de que a retomada pode se acelerar em 2020, se houver avanço mais significativo.

Comporá, ainda, panorama importante de resultados auferidos pela equipe econômica no primeiro ano de governo, amanhã, os números fechados da Dívida Pública/PIB. Relação estava em 77,7% em novembro, indicando aumento frente a 2018, mas dentro do previsto pelo Ministério da Economia (abaixo de 80%).

A imagem a ser consolidada nesta quinta terá efeito estratégico para ambições do governo em 2020, já que estão a todo vapor as articulações para pautar o cronograma – e o alcance – de reformas no Congresso, no primeiro semestre.

Nesse sentido, interessa acompanhar amanhã a articulação do ministro Paulo Guedes com os presidentes da Câmara e do Senado. O ministro tem indicado que prioriza a reforma administrativa, enquanto as lideranças do legislativo apostam mais fichas na tributária. Movimentações desta sexta darão sinais mais claros sobre as chances reais de que ambas avancem.

O rombo na Previdência em 2019: corte de gastos e militares

Rombo recorde na Previdência em 2019 – R$ 318 bi em 2019 – terá efeito duplo amanhã: 1) Vai gerar pauta sobre impactos e limites da reforma da Previdência, com possível olhar para economia considerada pequena com militares (cujo rombo previdenciário cresceu 7,2% frente a 2018); 2) Dará força para medidas de corte de gastos do governo federal – como a reforma administrativa.

Onyx, Congresso e reforma ministerial

A retirada do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) da Casa Civil se soma à demissão (novamente) do ex-secretário-executivo da Pasta, Vicente Santini, para jogar o ministro Onix Lorenzoni na frigideira, amanhã.

A possibilidade de que Onyx perca o cargo alimentará, nesta terça, especulações sobre reforma ministerial. Seria a maneira de o presidente lidar com nomes que geram muito desgaste para o governo – como Abraham Weintraub, hoje duramente criticado por Rodrigo Maia –, sem indicar que cede a pressões da mídia, o que costuma evitar ferrenhamente.

Por outro lado, aumentará a atenção, amanhã, para agenda do PPI, agora sob o comando do Ministério da Economia, que tem muito mais credibilidade na mídia do que a Casa Civil.

O coronavírus: emergência e efeitos econômicos

A decisão da OMS, declarando emergência de saúde pública de interesse internacional em função do coronavírus, aumentará pressões sobre estratégia de monitoramento e prevenção do Ministério da Saúde.

Ao mesmo tempo, enquanto não há confirmação de casos no Brasil – o que elevará cobranças a outro patamar -,  ganhará muita força a preocupação com efeitos econômicos e volatilidade do mercado. Que tende a se manter nesta sexta, com a expansão do vírus na China, primeira transmissão dentro dos EUA e o horizonte ainda muito em aberto sobre a curva de contágio.

O apoio federal à região Sudeste

Repasse de R$ 892 milhões do governo federal para a região Sudeste, visando enfrentar efeitos de chuvas e enchentes, terá repercussão positiva amanhã, especialmente por sobrevoo do presidente em regiões afetadas. Mas levantará questionamentos sobre a rapidez e a forma com que os repasses serão efetivados.

O PIB e a inflação na Zona do Euro

No exterior, destaque para números do PIB do quarto trimestre de 2019 e para a prévia da inflação de janeiro na Zona do Euro. No PIB, expectativa é de nova alta de 0,2%, fechando o ano com crescimento de 1,1%. Já no que se refere à inflação interanual, projeta-se aceleração, de 1,3% para 1,4%. Em menor medida, vale atenção para possibilidade de recuo importante em vendas no varejo na Alemanha, em dezembro.

 

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Possibilidade de recriação do Ministério da Segurança Pública, aventada pelo presidente, e pedido de demissão do coordenador da Lava Jato na Procuradoria Geral da República, por divergências com o Procurador Geral Roberto Aras, vão gerar, amanhã, nova rodada no embate entre o presidente Bolsonaro e o ministro Moro.

O jogo se desdobrará em recados por meio de apoiadores e mensagens veladas na mídia. Mas pode haver, também, algum sinal mais enfático do ministro Moro, que não aceitará a perda da área de segurança em seu Ministério. Se for o caso, é forte a possibilidade de que Bolsonaro, já em viagem oficial para a Índia, recue.

O STF no jogo

Nesse contexto, o enfrentamento aberto no STF após a decisão de Fux suspendendo a implantação do juiz de garantias deve ter novos capítulos amanhã. Será pano de fundo tanto para as chamadas alas lavajatistas da Câmara e do Senado – que agem para fortalecer Moro como liderança de centro-direita, em detrimento de Bolsonaro – quanto para os “garantistas”, no Supremo e no Congresso, que buscam podar as ações da Força-Tarefa – e do ministro.

Davos e reformas no primeiro semestre

Final da participação em Davos e retorno do ministro Guedes ao Brasil, amanhã, levará a retomada de debate sobre agenda de reformas, no primeiro semestre. Estará no ar, nesta sexta, se a prioridade será a reforma tributária, que parece avançar, ou a administrativa, acerca da qual foram lançados diversos balões de ensaio em janeiro.

Em termos específicos, o ministro será questionado – e dividirá opiniões – por proposta aventada hoje, de taxar produtos como cigarros e chocolates.

Paralelamente, será feito balanço – majoritariamente positivo, especialmente no que se refere a agentes do mercado – de resultados do ministro no Fórum Econômico.

Por fim, ainda na economia, haverá interesse amanhã por confirmação e cronograma para apresentação de projeto do governo, anunciado hoje pelo secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, para reajuste anual do salário mínimo. O projeto exposto por Rodrigues, no entanto, ao indicar que não haverá compromisso com reajuste acima da inflação, apenas antecipará debate desgastante para o governo.

Empregos em dezembro: política e imagem

Ao mesmo tempo, a divulgação do Caged de dezembro, amanhã, influenciará decisivamente o noticiário econômico e sobre o governo como um todo. Se o índice corresponder a expectativas positivas, o ministro Guedes e o presidente terão margem de manobra política ampliada. Caso contrário, serão postos na defensiva.

 

A “pausa” na cultura alimenta embate de bastidores

Demora de Regina Duarte em aceitar a Secretaria de Cultura alimentará, amanhã, espaço para todo tipo de movimentação de bastidores e ilações na mídia, o que ameaça gerar desgaste dentro e fora do governo. Se a situação se agravar, são dois os cenários mais prováveis: que se confirme a entrada na Secretaria, mesmo que extraoficialmente; que comecem especulações sobre chances de recuo de Duarte.

Expectativas do consumidor no Brasil; serviços e indústria no exterior

No Brasil, destaque para a sondagem do consumidor de janeiro (FGV). O índice teve crescimento importante em dezembro, tanto no item Situação Atual quanto em Expectativas. Vale atenção particular, amanhã, para a curva da intenção de compras de bens duráveis, sinal importante para a economia e que vinha em curva ascendente.

Já no exterior, sairão nesta sexta-feira os índices do Gerente de Compras (PMI) industrial e de serviços de janeiro para a Alemanha (previsão de estabilidade na faixa de 52,9 pontos para os serviços e de crescimento superando os 44 pontos na indústria), Zona do Euro (curvas similares às da Alemanha, mas, no caso dos serviços, em patamar menor, de 46,9); e EUA (tendências ao equilíbrio em ambos os indicadores, na ordem de 52,8 nos serviços e 52,4 na indústria).

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Os olhares se voltarão, amanhã, para a pauta do ministro Paulo Guedes no Fórum Econômico Mundial, em Davos, no qual será o representante do governo brasileiro, após confirmação de que o presidente Bolsonaro não comparecerá. Ministro terá – e deve aproveitar – espaço para valorizar resultados de 2019 e detalhar objetivos para 2020, com ênfase na atração de investimentos estrangeiros.

De negativo, ainda que em termos pontuais, possíveis questionamentos sobre denúncia apresentada pelo MPF contra Esteves Colnago, assessor do ministro.

A indústria e uma nova rodada de balanços da economia

Paralelamente, o dia será marcado por nova leva de análises e projeções, após resultados abaixo do esperado para a produção industrial de dezembro. Em destaque a percepção de que o cenário externo apresenta dificuldades para o Brasil, particularmente no que se refere à crise na Argentina.

Autonomia do Banco Central em foco

Declarações do presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, hoje, expondo autonomia da instituição, com prioridade para o primeiro trimestre de 2020, causará efeito duplo, amanhã: a) Animará o mercado e parte dos analistas; b) Tende a movimentar o Parlamento, particularmente o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que já demonstrou interesse de ser “patrono” da medida, como foi da reforma da Previdência.

Nesse contexto, interessa monitorar, nesta sexta, manifestações da equipe econômica e do presidente Bolsonaro acerca do tema. Autonomia do BC pode se tornar pauta central para o governo, como maneira de mostrar compromisso com liberalização da economia em projeto de mais fácil aprovação do que reformas como a tributária e a administrativa.

Cobranças ao MEC

Serão repostas amanhã – e provavelmente aprofundadas – as cobranças ao ministro Weintraub sobre o planejamento para 2020. Entrevista coletiva de hoje não foi bem recebida, particularmente no que se refere à possibilidade de que o MEC retome do zero a tramitação no Congresso de proposta para o Fundeb, principal mecanismo de financiamento da educação básica.

Pressão por reajustes

Pode ganhar corpo, amanhã, com multiplicação de manifestações na mídia, a pressão de grupos de servidores públicos, particularmente na área de segurança – base de apoio do presidente Bolsonaro – por reajustes em 2020. Aceno do presidente para policiais do Distrito Federal e aumento concedido a policiais federais pelo Ministério da Justiça são estopins.

A lentidão no INSS

Dificuldades do governo para diminuir o tempo de resposta na concessão de benefícios do INSS se mantém no noticiário e causará desgaste ao governo, amanhã, ainda que sem impacto grave. Alimentará, no entanto, imagem de que equipe econômica estabelece metas muitas vezes de caráter mais retórico do que factível.

A PGR e o Juiz de Garantias

A proposta apresentada hoje pela Procuradoria Geral da República, defendendo que o Juiz de Garantias seja implantado apenas para casos futuros, conduzirá a o debate sobre o tema, amanhã.

A inflação em 2019

Destaque amanhã para o IPCA de dezembro, fechando a inflação de 2019. Apesar de trajetória recente de alta, índices para a última semana de dezembro (como o IPC S, da FGV), indicaram queda na curva inflacionária, com interrupção do forte crescimento nos preços da carne. A conferir, amanhã, não apenas os números fechados (que de toda forma ficarão abaixo da meta), mas tendência em curso e os prognósticos para 2020. E, especificamente, inflação para faixas de baixa renda e impacto na cesta básica, já discutido hoje.

Trump se fortalece, mas novos ataques não estão descartados

A cada dia que passa sem que o Irã realize ataque de impacto contra os EUA e seus aliados – com baixas humanas ou estruturais de largo escopo – se ampliará imagem de que Trump fortaleceu os EUA, geopoliticamente, e ganhou trunfo no processo eleitoral.

O país persa ainda pode sofrer duro golpe amanhã com hipótese, que parece cada vez mais provável após vídeo divulgado pelo New York Times, de que o avião comercial que caiu no início da semana tenha sido alvejado por míssil iraniano. Se o fato for confirmado, tende a ser encarado pelos EUA como um erro operacional e não como retaliação. Mas provocará condenação da comunidade internacional e enfraquecerá movimentações da oposição democrata. Reversão do cenário só ocorreria diante de ataque iraniano de maiores dimensões.

A realidade do Brexit

No cenário internacional, também terá destaque, amanhã, o panorama pós-Brexit. A saída do Reino Unido da União Europeia foi, finalmente, aprovada hoje por larga margem no Parlamento britânico. O primeiro ministro Boris Johnson sairá muito fortalecido.

Emprego nos EUA

No exterior, vale atenção para o Relatório de Emprego Não Agrícola e a Taxa de Desemprego nos EUA, em dezembro. Projeções de criação de 164 mil empregos ficam abaixo de números muito fortes de novembro (266 mil), mas mantém trajetória constante de alta na economia norte-americana. Já a taxa de desemprego deve continuar em patamar muito baixo, estável em 3,5% ou com leve oscilação, para 3,6%.

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A grande questão amanhã serão as consequências, para o Brasil, do ataque norte-americano que levou à morte o principal líder militar iraniano, Qassen Suleimani:

1) Prioritariamente, no que se refere à política de reajuste de preços da Petrobras. O mais provável é que não haja aumento imediato, à espera de desdobramentos do cenário internacional. Mas a estatal e – mais do que ela – o presidente Bolsonaro e o ministro da Economia serão pressionados, amanhã, para definirem, a priori, uma linha de ação.

Primeiros sinais, a serem confirmados neste sábado, indicam que se buscará algum tipo de meio termo. Ou seja, uma forma de amortizar o aumento de preços, caso se intensifique, mas mantendo a margem para flutuação.

2) Ainda assim, estarão em debate os riscos para a estatal, caso haja opção política por contenção de preços. Avaliação do mercado é de que ações nesse sentido gerariam perda de credibilidade e dificultariam venda de ativos, parte central do planejamento da empresa para 2020;

3) Em segundo plano, no âmbito da política externa. Presidente Bolsonaro se alinhará ostensivamente com os EUA, prejudicando relações comerciais com o Irã e gerando certa indisposição com a China, ou buscará manter pontes com iranianos, ainda que mostre apoio a Trump? Tema está em suspenso até o momento, em parte ofuscado, justamente, por ilações ligadas ao custo de combustíveis e à Petrobras;

4) Por fim, análises sobre instabilidade que pode ser alimentada pelo conflito e o impacto que teriam no comércio global, bem como, internamente, no dólar, na inflação e na Bolsa.

Os limites da reforma administrativa

Próximos dias serão importantes para entender o grau de engajamento do presidente na reforma administrativa. A iniciativa é prioritária para o Ministério da Economia, e Bolsonaro começa a emitir sinais positivos após ter deixado a medida em banho-maria.

Mas limitará o alcance do projeto, de modo a diminuir o desgaste político junto ao funcionalismo, em ano eleitoral. A questão, que deve começar a ficar mais clara de amanhã até segunda, é o quanto.

O cronograma do Juiz de Garantias

Polêmica em torno da criação do Juiz de Garantias se manterá amanhã, mas reversão da iniciativa vai se tornando cada vez mais improvável. O tema deve se direcionar, nos próximos dias, para a definição de cronograma de implementação do projeto, que foi debatido, hoje, pelo ministro Dias Toffoli e o Conselho Nacional de Justiça.

A inflação até 2,5 salários mínimos

Sai na segunda-feira o Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC C1) de dezembro, da FGV, que mede a flutuação de preços para famílias com renda mensal entre 1 e 2,5 salários mínimos. Gera particular interesse porque:

1) O índice apresentou alta acima da média auferida para faixa de renda superior, entre 1 e 33 salários mínimos, em novembro (0,56% frente a 0,49%);

2) Trata-se de grupo no qual o presidente Bolsonaro tem a mais baixa aprovação, segundo pesquisas recentes, dentre elas a do Datafolha.

O setor de serviços na China, Europa e EUA

Internacionalmente, destaque para:

1)  Previsão geral de crescimento na série PMI no Setor de Serviços em dezembro para EUA (de 51,6 para 52,2), União Europeia (de 51,9 para 52 a 52,4), Alemanha (de 51,7 para 52) e França (52,2 para 52,4). Destoa da tendência a China, para a qual se estima recuo, mas ainda em patamar bastante positivo (de 53,5 para 53);

2) Vendas no Vareja na Alemanha em novembro. Projeções apontam para importante recuperação, com avanço de 1,1% frente à queda de 1,9% em outubro.

 

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13.11.19

BRICS: retórica ou resultados concretos?

Termômetro

Deve haver destaque, amanhã, para alguns aspectos da 11ª Cúpula dos BRICS, iniciada hoje:

1) Maior detalhamento acerca de acordos e de possibilidade de tratado de livre comércio com a China. Ruídos não estão descartados, mas a grande probabilidade é que a Cúpula se encerre com imagem de aproximação do Brasil com o gigante asiático. A grande questão, amanhã, será se o movimento parecerá retórico ou se governo capitalizará resultados concretos – como redução de barreiras tarifárias.

2) O mesmo ocorrerá – embora em menor medida – com os governos de Índia Rússia e África do Sul). Vale atenção particular para Rússia, amanhã, já que o país costuma ter o posicionamento mais incisivo em defesa do governo Maduro. E adota linha semelhante, ainda que com mobilização muito menor, no que se refere a Evo Morales, na Bolívia. Relação do Brasil com os dois vizinhos latino-americanos é, no mínimo, delicada, ainda mais com a invasão da embaixada venezuelana, hoje, por partidários de Juan Guaidó.

3) Qual entendimento emergirá em declarações finais da Cúpula. A China já mostrou que buscará inserir críticas ao que percebe como riscos ao multilateralismo. O que seria, na verdade, recado aos EUA.  Ao que tudo indica, o governo brasileiro tentará se equilibrar entre a garantia de boas relações com os chineses, principais parceiros comerciais do país, e o forte alinhamento com norte-americanos. A conferir.

A reação do PSL

No que se refere à saída do presidente Bolsonaro do PSL, quinta-feira deve marcar reação do presidente da legenda, Luciano Bivar, e de deputados decididos a permanecer no partido.

Apesar do otimismo que dominou anúncio, com ênfase na criação de nova agremiação (Aliança pelo Brasil) e migração de 30 deputados, há barreiras muito importantes a serem superadas e que ganharão espaço amanhã. Tais como: 1) Possibilidade de que parlamentares dissidentes do PSL percam o mandato; 2) Fato de que o novo partido de Bolsonaro, além da dificuldade para obter registro legal, não levaria nada do fundo partidário do PSL.; 3) Novos ataques ao presidente, seja de parlamentares atualmente no PSL ou dos que já saíram em função de enfrentamento com Bolsonaro – como foi o caso, hoje, do deputado Alexandre Frota.

O próprio presidente Bolsonaro criou, nesta terça, mais margem para atritos, com declarações críticas sobre o vice-presidente Mourão.

Cenário Internacional: Bolívia e Chile

Cenário internacional promete ser muito delicado, amanhã. E governo sofrerá pressão maior do que a usual para se posicionar ou comentar qualquer desdobramento, em função de exposição gerada pela 11ª Cúpula dos Brics. Principais questões tendem a ser:

1) Situação na Bolívia, após o Brasil ter reconhecido a senadora Jeanine Añez como nova presidente. Añez aparentemente conseguirá se firmar no âmbito da oposição e, por estar na linha sucessória, tem chances de se estabilizar no cargo. Desde que apresente rapidamente um plano para realização de novas eleições, sem excluir partidários do ex-presidente Evo Morales.

Um ponto fundamental a ser observado amanhã, nesse sentido, será o grau de movimentações populares em apoio a Evo. Se começarem a ganhar escala, crescerá a instabilidade no país. Caso contrário, aumentam as chances de transição capitaneada por Añez.

2) Avanço de protestos no Chile, com greve geral e ataques a quartéis. Projeto de nova constituição, anunciado pelo presidente Piñera, pode ganhar corpo amanhã e se tornar caminho para pacificação. No entanto, se impasse persistir, o risco, nesta terça, é de que se amplifiquem os efeitos na economia chilena, após forte desvalorização do peso frente ao dólar.

Mudanças na universidade

Dados do IBGE, divulgados hoje, indicando que estudantes negros se tornaram maioria em universidades púbicas terá repercussão nessa terça. Efeito será favorável à esquerda e ao ex-presidente Lula.

Percepção econômica e inflação

Saem amanhã os dados do Indicador Antecedente Composto da Economia Brasileira (IACE) e do Indicador Coincidente Composto da Economia Brasileira (ICCE), além do Índice Geral de Preços -10 (IGP-10), para outubro, todos da FGV.

Quanto ao IACE e ao ICC, espera-se novo avanço em ambos, com base em percepção positiva da economia que vem se adensando nas últimas semanas. Já no que se refere ao IGP-10, expectativa é de desaceleração (0,27% contra 0,77% em outubro).

Efeitos da guerra comercial EUA X China

Não haverá qualquer posicionamento direto do Brasil sobre o tema. No entanto, sinais sobre impasse em negociações entre os dois países podem voltar a contaminar expectativas globais, amanhã. E há, ainda, o risco de alguma declaração mais forte do presidente Trump, que vive situação interna complicada com o início de audiências públicas do processo de impeachment.

Indústria e varejo na China, Alemanha e Zona do Euro

Estão previstos para esta quinta os números da produção industrial e das vendas no varejo na China para outubro e o PIB do terceiro trimestre da Alemanha e da Zona do Euro. Na China, espera-se crescimento em ritmo similar ao de setembro, na faixa de 7,8%, para o varejo, e recuo na indústria, com avanço em torno de 5,4%, frente a 5,8% de setembro.

Já na Alemanha e na Zona do Euro, estimativas estão em linha com o segundo trimestre – recuo de 0,1% e avanço de 0,2%, respectivamente. Se confirmados, resultados serão mal recebidos pelo mercado, em particular os da Alemanha.

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04.04.18

Temperatura subindo

No Brasil, faz 45 graus à sombra. As autoridades civis estão desidratando. A meteorologia anuncia o risco de uma tempestade. Antes, porém, as temperaturas ficarão ainda mais quentes.

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